Histria do Brasil - Pr-Vestibular - 1923 - Revoluo Libertadora

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Conflitos na Histria do Brasil - Perodo Republicano Repblica Velha Revoluo Libertadora: 1923Um dos episdios mais importantes da histria de Carazinho ocorreu em 1923, por ocasio da Revoluo que aconteceu naquele ano. Esse levante, que entraria para a histria do Rio Grande do Sul como um dos mais importantes aqui ocorridos, iniciou em Carazinho, no dia 24 de janeiro de 1923. Naquela poca duas faces lutavam pelo poder no Rio Grande do Sul. Uma representada pelo Partido Republicano Rio-Grandense, situacionista. A outra pela Aliana Libertadora, que congregava as foras de oposio. Apelidadas popularmente de pica-paus e maragatos, iam concorrer em eleies para a Presidncia do Estado. Era Presidente do Estado o Dr. Antnio Augusto Borges de Medeiros, que estava concluindo o seu quarto qinqnio de governo. Precisando nessa nova eleio, de acordo com a Constituio, de trs quartas partes do eleitorado para alcanar a vitria, no hesitou o Dr. Borges de Medeiros em lanar-se em uma nova competio. As oposies por seu turno lanaram como candidato o Dr. Joaquim Francisco de Assis Brasil, diplomata e homem de grande prestgio e cultura. Aps o pleito foram denunciadas pela oposio fraudes e violncia. O pice ocorreu quando uma comisso de deputados, chefiada por Getlio Vargas, proclamou a vitria de Borges de Medeiros. O ento 4 Distrito de Passo Fundo, Carazinho, progredia aceleradamente na segunda dcada do sculo, graas indstria extrativa da madeira, tornando-se um ncleo importante, seguido de perto por Erechim, outro distrito de Passo Fundo. A populao desse dois distritos lutava pela emancipao administrativa. A concesso simultnea seria ruinosa para Passo Fundo. Um ou outro deveria ser beneficiado. O Intendente de Passo Fundo em 1918, Coronel Pedro Lopes de Oliveira (Lolico), inclinava-se pela emancipao de Carazinho, enquanto o Presidente do Conselho Municipal e deputado estadual Nicolau Vergueiro, preferia Erechim, contando com o apoio dos demais conselheiros. A causa de Erechim ganhou a simpatia de Borges de Medeiros e a emancipao veio para Erechim naquele ano, contrariando as expectativas da populao carazinhense. Em 1920 as eleies municipais se aproximavam e a candidatura republicana era disputada pelo referido Coronel Pedro e pelo Dr. Vergueiro. Borges de Medeiros, que tinha simpatias pela candidatura da Vergueiro, sugeriu um plebiscito entre os republicanos de Passo Fundo, abrangendo tambm Carazinho, o que favorecia o Cel. Pedro Lopes de Oliveira. Nesse plebiscito foi vencedor o Dr. Vergueiro, por larga margem, dando incio a uma dissidncia republicana, qual se juntou o Cel. Joo Rodrigues Menna Barreto, que residia em Carazinho. Os libertadores, oposicionistas, em Carazinho eram chefiados por Salustiano de Pdua. No centro de Passo Fundo, rua Moron, residia o deputado Artur Caetano da Silva. Advogado brilhante, foi ele o mentor e o chefe civil da Revoluo de 1923. O movimento iniciou-se em dezembro de 1922. Aps muitos ataques como parlamentar ao Chefe do Executivo, Borges de Medeiros, voltou Artur Caetano a Passo Fundo e comeou a articular o movimento na cidade e nos distritos. nas reunies ento efetuadas participavam os carazinhenses Coronis Salustiano de Pdua e Joo Rodrigues Menna Barreto. Aps muitos acontecimentos, inclusive com agresso a correligionrios de Artur Caetano, tornou-se praticamente impossvel a permanncia do mesmo em Passo Fundo.. Deslocou-se para Carazinho, onde tinha todo o apoio dos moradores. Outro fato que motivou a mudana para Carazinho foi a existncia de telgrafo, j que os despachos feitos do telgrafo de Passo Fundo no tinham o sigilo necessrio. De acordo com alguns historiadores, j em 8 de janeiro de 1923, grupos armados, ao comando do Cel. Menna Barreto, ameaavam a cidade de Passo Fundo. Pelo interior do municpio j se travavam alguns combates como a 11 de janeiro em Casca. Tudo isso em combinao com os demais chefes revolucionrios em outras localidades como o Gen. Portinho, Gen. Leonel Rocha, Zeca Neto, Estcio de Azambuja e outros. At o dia 17 de janeiro o Presidente do Estado. Borges de Medeiros, ainda no acreditava na luta armada, o que ficou comprovado em telegrama enviado ao Ge. Firmino de Paula, em Cruz Alta. Porm o movimento tomava corpo e as adeses chegavam de todos os lados. No dia 18 Borges de Medeiros autorizava entendimentos com o Deputado Artur Caetano, por intermdio do Major Cndido Machado, desde que aquele se comprometesse a dissolver os grupos armados. J no dia 22 a tomada de Passo Fundo era iminente. O stio recebeu reforos da coluna de Salustiano de Pdua. Existem

diversas verses do nmero de homens e de armas. Enquanto os rebeldes afirmavam ter em armas aproximadamente 4.000 homens, possivelmente eram 1.500 de acordo com o historiador Arthur Ferreira Filho, e mal armados. Chegara o momento decisivo do rompimento com o poder central. No dia 24 de janeiro, vspera da posse de Borges de Medeiros, o deputado Artur Caetano da Silva, de Carazinho se dirigiu ao Presidente da Repblica Artur Bernardes, em telegrama dos seguintes termos: "Senhor Presidente da Repblica. Rio. A situao de desespero criada pelo borgismo compressor e sanguinrio, transformou hoje nossa altiva regio serrana em acampamento militar. Quatro mil cidados levantaram-se no dorso das coxilhas, protestando de armas na mo contra a usurpao do tirano. Sobre Passo Fundo caiam diariamente as cleras da ditadura, porque Passo Fundo foi o baluarte do bernardismo no Rio Grande do Sul. No correr mais sangue se o ditador renunciar incontinenti ao seu falso mandato, ou se Vossa Exa. desdobrar sobre as nossas plagas infortunadas, as garantias constitucionais que nos falecem, integrando o Rio Grande no concerto da nao brasileira. (a) Artur Caetano da Silva" Havia eclodido a revolta de 1923, em territrio carazinhense. Muito haveria de suceder naqueles nove meses que duraria a luta. Felizmente nossa terra foi poupada de combates sangrentos. Porm muitos partiram daqui para o campo de batalha. Tanto na coluna de Salustiano de Pdua como nos batalhes formados pelo Cel Menna Barreto. Tempos difceis pelas dificuldades que trariam mas ao mesmo tempo gloriosos pelas vitrias alcanadas. E a partir de 24 de janeiro os fatos se precipitaram. O amanhecer de 25 de janeiro em Passo Fundo j mostrava vultos de guerreiros sobre o coxilho da Vila Petrpolis. J na vspera tardinha as comunicaes telegrficas e ferrovirias com Carazinho tinham sido cortadas pelas tropas de Menna Barreto e Salustiano de Pdua, que ocupavam a extenso da linha. Todas as ligaes de Passo Fundo com o exterior mantinham-se mudas. Comeava o stio. A cidade foi cercada por 1.500 homens, sendo 1.000 ao norte e 500 a oeste e sudeste nos caminhos de Carazinho e Soledade. As primeiras tentativas de invaso da cidade ocorreram ainda na tarde do dia 25. Os passofundenses defendiam-se com um trem entrincheirado que corria entre a Gal.Canabarro e o Passo. Ouviram-se alguns tiroteios no local onde hoje se localiza a Vila Petrpolis. Muitos deslocamentos de tropas foram feitos e logo em seguida passaram a ser utilizados mais dois trens para tentar furar o cerco. Na noite de 26, Joo do Padre e outros atacaram o Quartel do Exrcito onde estava um contingente legalista. Os rebeldes se infiltraram pelo Mato do Baro e foraram com cerrado tiroteio a retirada dos legalistas at a Praa Tamandar, onde estava o acampamento do 6 Corpo Provisrio. At o prprio Q. G. legalista foi atacado com alguns disparos, obrigando a retirada de munio e materiais do Corpo Provisrio para a Intendncia Municipal. Na tarde e na noite de 27, colocavam-se ao norte e ao oeste de Passo Fundo Menna Barreto e Salustiano, preparando-se para o ataque final cidade. Seria o dia 28 a data marcada. Conforme relata Menna Barreto em seu dirio, o assalto no ocorreu na hora prevista por desentendimentos entre as lideranas rebeldes. Os dias seguintes transcorreram entre muitos boatos. Os revolucionrios esperavam a chegada de Portinho, que deveria vir de Erechim com 2.000 homens. E os situacionistas ansiosamente esperavam a chegada de Firmino de Paula, que de Cruz alta sara com poderosa Brigada. Ao chegar em Carazinho, Firmino de Paula recebeu na Estao Ferroviria a visita de lideranas locais. Nos entendimentos havidos, e ao saber que o cerco de Passo Fundo j estava no fim, ficaram encarregados Augusto Vargas e Israel Almeida de contatarem em Passo Fundo com as foras restantes. Seguiram eles a Passo Fundo em um automvel Ford de propriedade de Augusto Vargas. Ao chegarem foram ameaados de priso, que no aconteceu por interferncia do Dr. Vergueiro. Ali informaram da iminente chegada da grande tropa de Firmino de Paula, dizendo do nmero de homens e de armas e procurando apaziguar os que ainda tentavam continuar a luta. Quando a brigada de Firmino de Paula entrou na cidade, na tarde do dia 31, apenas uma pequena fora revolucionria ainda se encontrava no local e no houveram choques. Cessava assim o episdio do ataque a Passo Fundo por tropas de Carazinho. Carazinho, que j no era uma pequena vila, alava-se liderana de um movimento nacional, impondo as suas idias.

O Partido Federalista do Rio Grande do SulO Partido Federalista do Rio Grande do Sul foi fundado em 1892 por Gaspar Silveira Martins. Em tese, defendia o sistema parlamentar de governo e a reviso das constituies estaduais, prevendo a centralizao poltica e o fortalecimento do Brasil como Unio Federativa. Desta forma, esta filosofia chocava-se frontalmente contra a constituio do Rio Grande do Sul de 1891. Esta era inspirada no positivismo e no presidencialismo, resguardando a autonomia estadual, filosofia adotada por Jlio de Castilhos, chefe do Partido Republicano, e que seguia o princpio comtiano das "pequenas ptrias". Os seguidores de Gaspar da Silveira Martins, Gasparistas ou maragatos, eram frontalmente opostos aos seguidores de Jlio de Castilhos, castilhistas ou picapaus. Empenharam-se em disputas sangrentas que acabaram por desencadear a revoluo federalista, uma guerra civil que durou de fevereiro de 1893 a agosto de 1895 e foi vencida pelos Pica-paus, seguidores de Jlio de Castilhos. Neste conflito, houve mais de dez mil mortos e centenas de milhares de feridos.

O incio do conflitoAs desavenas iniciaram-se com a concentrao de tropas sob o comando de Joo Nunes da Silva Tavares, baro de Itaqui, maragato, ou gasparista, em Carpintaria, esta localidade era na linha divisria com o Uruguai. Logo aps o potreiro de Ana Correia, vindo do Uruguai em direo ao Rio Grande do Sul, encontrava-se o coronel caudilho federalista Gumercindo Saraiva. Eficientemente, os maragatos dominaram a fronteira, exigindo a deposio de Jlio de Castilhos, que havia sido eleito presidente do estado pelo voto direto. Havia tambm o desejo de um plebiscito onde o povo deveria escolher a forma de governo. Devido gravidade do movimento, a rebelio adquiriu mbito nacional rapidamente, ameaando a estabilidade do governo rio-grandense e o regime republicano em todo o pas. Floriano Peixoto, ento na presidncia da Repblica, enviou tropas federais sob o comando do general Hiplito Ribeiro para socorrer Jlio de Castilhos. Foram estrategicamente organizadas trs divises, chamadas de legalistas: a do norte, a da capital e a do centro. Alm destas, foi convocada a polcia estadual e todo o seu contingente para enfrentar o inimigo. A primeira derrota dos maragatos foi em maio de 1893, junto ao arroio Inhandu, em Alegrete, municpio sul-rio-grandense. Neste combate ao lado dos legalistas participou o senador Pinheiro Machado.

Os maragatos vo ao norteA obstinada resistncia oposta s tropas federalistas na cidade de Lapa (PR), pelo Coronel Gomes Carneiro, frustrou as pretenes rebeldes de chegarem capital da Repblica. Gumercindo Saraiva e sua tropa dirigiram-se para Dom Pedrito. De l iniciaram uma srie de ataques relmpagos contra vrios pontos do estado, desestabilizando as posies conquistadas pelos legalistas. Em seguida rumaram ao norte, avanando em novembro sobre Santa Catarina e chegando ao Paran, sendo detidos na cidade da Lapa, a sessenta quilmetros a sudoeste de Curitiba. Nesta ocasio, o coronel Gomes Carneiro morreu em fevereiro de 1894 sem entregar suas posies ao inimigo, no episdio que ficou conhecido como o Cerco da Lapa. Panteon dos Heroes, onde jazem os corpos dos legalistas que combateram no Cerco da Lapa O almirante Custdio de Melo, que chefiara a revolta da Armada contra Floriano Peixoto, uniu-se aos federalistas e ocupou Desterro, atual Florianpolis. De l chegou a Curitiba, ao encontro do caudilho-maragato. A resistncia da Lapa impediu o avano da revoluo. Gumercindo, ento, bateu em retirada para o Rio Grande do Sul. Morreu aps ser ferido no combate de Campo Novo, em agosto de 1894.

A PazA revoluo federalista foi vencida em junho de 1895 no combate de Campo Osrio. Saldanha da Gama, possuidor de um contingente de 400 homens, lutou at a morte contra os legalistas comandados pelo general Hiplito Ribeiro. A paz finalmente foi assinada em Pelotas no dia 23 de agosto de 1895. O presidente da Repblica era ento Prudente de Morais, e o emissrio do governo federal era o general Galvo de Queirs.

Os MaragatosAtualmente, a denominao Maragato ttulo honroso para os defensores da tese parlamentarista no Rio Grande do Sul. Na poca da revoluo, os republicanos legalistas usavam a apelao como pejorativa, atribuindo-lhes propsitos mercenrios. "Denominao dada ao revolucionrio ou partidrio da revoluo rio-grandense de 1894, adepto do credo poltico pregado por Gaspar da Silveira Martins e adversrio do partido ento dominante, chefiado por Jlio Prates de Castilhos. || Revolucionrio ou partidrio da revoluo rio-grandense de 1923, adepto do partido liderado por Joaquim Francisco de Assis Brasil e contrrio a Antnio Augusto Borges de Medeiros, governador do Estado. || Federalista. "Na provncia de Len, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes tm o nome de maragatos, e, que, segundo alguns, um povo de costumes condenveis; pois, vivendo a vagabundear de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando roubos e por sua vez roubando principalmente animais; so uma espcie de ciganos. Aos naturais da cidade de So Jos, no Estado Oriental do Uruguai, do neste pas o nome de maragatos, talvez porque os seus primeiros habitantes fossem descendentes de maragatos espanhis. Pelo fato de os rebeldes em suas excurses irem levantando e conduzindo todos os animais que encontravam, tendo apenas bagagens ligeiras, cargueiros, etc. Como os da Maragateria e porque (com excees) suspendiam com o que encontravam em suas correrias, aplicou-se-lhes aquela denominao, que alis eles retriburam com outras no menos delicadas aos republicanos." (Romaguera).

- Outra verso:"Os termos "maragato" e "pica-pau", usados para se referir s duas grandes correntes polticas gachas, e identificados, respectivamente, com o uso do leno vermelho e do leno branco, surgiu no Rio Grande do Sul em 1891, durante a Revoluo Federalista. Os maragatos foram os que iniciaram a revoluo, que tinha como justificativa a resistncia ao excessivo controle exercido pelo governo central sobre os estados. O objetivo da revoluo seria, portanto, garantir um sistema federativo, em que os estados tivessem maior autonomia. O termo "maragato", aplicado aos federalistas, tem uma explicao complexa. No Uruguai eram chamados de maragatos os descendentes de imigrantes espanhis oriundos da rea situada na provncia de Len, na Espanha, conhecida como Maragateria. Os maragatos espanhis eram eminentemente nmades, e adotavam profisses que lhes permitissem estar em constante deslocamento. Os defensores do governo central passaram a chamar os revolucionrios de "maragatos" com o intuito de insinuar que, na verdade, as tropas dos rebeldes eram constitudas por mercenrios uruguaios. A realidade oferecia alguma base para essa assertiva Gumercindo Saraiva, um dos lderes da revoluo, havia entrado no Rio Grande do Sul vindo do Uruguai pela fronteira de Acegu, no Departamento de Cerro Largo, e liderava uma tropa de 400 homens entre os quais estavam uruguaios. No entanto, dar esse apelido aos revolucionrios foi um tiro que saiu pela culatra. Os prprios rebeldes passaram a se denominar "maragatos", e chegaram a criar um jornal que levava esse nome, em 1896. J o termo pica-pau, aplicado aos republicanos que apoiavam o governo central, teria surgido em funo das listras brancas do topete do pssaro, pois os governistas usavam chapus com divisas brancas, que lembravam o topete do pica-pau, enquanto que as dos maragatos eram vermelhas. (Por Lgia Gomes Carneiro) "