História do Brasil - Pré-Vestibular - 1798 - Conjuração Baiana

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Conflitos na Histria do Brasil - Perodo Colonial Conjurao Baiana: 1798A Conjurao Baiana, tambm denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez que seus lderes exerciam este ofcio), foi um movimento de carter emancipacionista, ocorrido no ocaso do sculo XVIII, na ento Capitania da Bahia, no Estado do Brasil. a revolta colonial mais importante depois da Inconfidncia Mineira (1789) mas dela distinta por se revestir de carter popular. Sendo a ento Capitania da Bahia governada por D. Fernando Jos de Portugal e Castro (17881801), a capital, Salvador, fervilhava com queixas contra o governo, cuja poltica elevava os preos das mercadorias mais essenciais, causando a falta de alimentos, chegando o povo a arrombar os aougues, ante a ausncia de carne. O clima de insubordinao contaminou os quartis, e as idias nativistas que j haviam animado Minas Gerais, foram amplamente divulgadas, encontrando eco sobretudo nas classes mais humildes. A todos influenciava o exemplo da independncia das Treze Colnias Inglesas, e idias iluministas, republicanas e emancipacionistas eram difundidas tambm por uma parte da elite culta, reunida em associaes como a Loja Manica Cavaleiros da Luz. Os revoltosos pregavam a libertao dos escravos, a instaurao de um governo igualitrio (onde as pessoas fossem vistas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), alm da instalao de uma Repblica na Bahia. Tais idias eram divulgadas sobretudo pelos escritos do soldado Luiz Gonzaga das Virgens e panfletos de Cipriano Barata, mdico e filsofo.A revoltaEm 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Conjurao Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos. Um desses panfletos declarava: "Animai-vos Povo baiense que est para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmos: o tempo em que todos seremos iguais." (in: RUY, Afonso. A primeira revoluo social do Brasil. p. 68.) Bandeira da Conjurao Baiana. as cores da bandeira do movimento (Azul, branca e vermelha) so at hoje as cores da Bahia. Durante a fase de represso, centenas de pessoas foram denunciadas - militares, clrigos, funcionrios pblicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, quarenta e nove foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participao, buscando demonstrar inocncia. Finalmente, no dia 8 de Novembro de 1799, procedeu-se execuo dos condenados pena capital, por enforcamento, na seguinte ordem: 1. 2. 3. 4. soldado Lucas Dantas do Amorim Torres; aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira; soldado Luiz Gonzaga das Virgens; e mestre alfaiate Joo de Deus Nascimento.O quinto condenado pena capital, o ourives Lus Pires, fugitivo, jamais foi localizado. Pela sentena, todos tiveram os seus nomes e memrias "malditos" at 3a. gerao. Os despojos dos executados foram expostos da seguinte forma: a cabea de Lucas Dantas ficou espetada no Campo do Dique do Desterro; a de Manuel Faustino, no Cruzeiro de So Francisco; a de Joo de Deus, na Rua Direita do Palcio (atual Rua Chile); e a cabea e as mos de Lus Gonzaga ficaram pregadas na forca, levantada na Praa da Piedade, ento a principal da cidade.Esses despojos ficaram vista, para exemplo da populao, por cinco dias, tendo sido recolhidos no dia 13 pela Santa Casa de Misericrdia (instituio responsvel pelos cemitrios poca do Brasil Colnia), que os fez sepultar em local desconhecido. Os demais envolvidos foram condenados pena de degredo, agravada com a determinao de ser sofrido na costa Ocidental da frica, fora dos domnios de Portugal, o que equivalia morte. Foram eles: Jos de Freitas Sacota e Romo Pinheiro, deixados em Acar, sob domnio holands; Manuel de Santana em Aquito, ento domnio dinamarqus; Incio da Silva Pimentel, no Castelo da Mina, sob domnio holands; Lus de Frana Pires em Cabo Corso; Jos Flix da Costa em Fortaleza do Moura; Jos do Sacramento em Comenda, sob domnio ingls.Cada um recebeu pblicamente 500 chibatadas no Pelourinho, poca no Terreiro de Jesus, e foram depois conduzidos para assistir a execuo dos sentenciados pena capital. A estes degredados acrescentavam-se os nomes de: Pedro Leo de Aguilar Pantoja degredado no Presdio de Benguela por 10 anos; o escravo Cosme Damio Pereira Bastos, degredado por cinco anos em Angola; os escravos Incio Pires e Manuel Jos de Vera Cruz, condenados a 500 chibatadas, ficando seus senhores obrigados a vend-los para fora da Capitania da Bahia; Jos Raimundo Barata de Almeida, degredado para a ilha de Fernando de Noronha; os tenentes Hermgenes Francisco de Aguilar Pantoja e Jos Gomes de Oliveira Borges, permaneceram detidos por seis meses em Salvador; Cipriano Barata, detido a 19 de Setembro de 1798, solto em Janeiro de 1800.ConclusoO movimento envolveu indviduos de setores urbanos e marginalizados na produo da riqueza colonial, que se revoltaram contra o sistema que lhes impedia perspectivas de ascenso social. O seu descontentamento voltava-se contra a elevada carga de impostos cobrada pela Coroa portuguesa e contra o sistema escravista colonial, o que tornava as suas reivindicaes particularmente perturbadoras para as elites. A revolta resultou em um dos projetos mais radicais do perodo colonial, propondo idealmente uma nova sociedade igualitria e democrtica. Foi exemplarmente punida pela Coroa de Portugal. Este movimento, entretanto, deixou profundas marcas na sociedade soteropolitana, a ponto tal que o movimento emancipacionista eclodiu novamente, em 1821, culminando na guerra pela Independncia da Bahia, concretizada em 2 de julho de 1823, formando parte da nao que emancipara-se a 7 de setembro do ano anterior, sob imprio de D. Pedro I.Conjurao Carioca: 1794A chamada Conjurao Carioca foi o nome pelo qual ficou conhecida a represso a uma associao de intelectuais que se reuniam, no Rio de Janeiro, em torno de uma sociedade literria, no fim do sculo XVIII. Fundada desde 1771, sob o nome de Academia Cientfica do Rio de Janeiro, a sociedade se reunia desde o governo de Lus de Vasconcelos e Sousa (1779-1790). Na academia se discutiam assuntos filosficos e polticos, semelhana do que estava em voga na Europa. Em suas ltimas reunies, a figura de destaque era Manuel Incio da Silva Alvarenga, poeta e professor de Retrica, formado na Universidade de Coimbra. Os acontecimentos envolvendo a Inconfidncia Mineira (1789) e a Conjurao Baiana (1798), alm da evoluo da Revoluo Francesa, tornaram a discusso desses assuntos e a posse de determinados livros, comprometedora aos olhos das autoridades coloniais. Desse modo, o novo vice-rei, conde de Resende (1790-1801), resolveu em 1794 fechar a Sociedade e processar seus membros. semelhana das conjuraes anteriores, os seus participantes foram delatados em funo de suas idias Iluministas e suspeita de envolvimento com a Maonaria, tendo suas atividades suspensas. J que as reunies prosseguiam reservadamente na residncia de um dos implicados, novas denncias conduziram deteno pelas autoridades de um total de dez pessoas. Um processo de devassa foi aberto e se estendeu de 1794 a 1795, sem que fossem encontradas provas conclusivas de que uma conspirao se encontrava em curso, alm de livros de circulao proibida. Desse modo, os implicados detidos foram libertados.Conspirao dos Suassunas: 1801A chamada Conspirao dos Suassunas foi um projeto de revolta que se registrou em Olinda, na ento Capitania de Pernambuco, no alvorecer do sculo XIX. Influenciada pelas idias do Iluminismo e pela Revoluo Francesa (1789), algumas pessoas reuniram-se e fundaram o Arepago de Itamb (1796). As mesmas idias e eventos eram tambm discutidas pelos padres e pelos alunos no Seminrio de Olinda, fundado em 1800. O primeiro, fundado por Manuel de Arruda Cmara, membro da Sociedade Literria do Rio de Janeiro, era uma espcie de sociedade secreta onde se reuniam maons e leigos, do qual no participavam europeus. O Seminrio de Olinda, fundado pelo Bispo D. Jos Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho, em 16 de Fevereiro de 1800, teve entre seus membros, o padre Miguel Joaquim de Almeida Castro (padre Miguelinho), um dos implicados na revoluo de 1817. As discusses filosficas e polticas no Arepago, evoluram para uma conjurao contra o domnio portugus no Brasil, com o projeto de emancipao de Pernambuco, constituindo-se uma Repblica sob a proteo de Napoleo Bonaparte. Integravam o grupo de conspiradores os irmos Cavalcanti Francisco de Paula, Lus Francisco de Paula e Jos Francisco de Paula Cavalcanti e Albuquerque -, o primeiro proprietrio do Engenho Suauna, que daria nome ao movimento. A 21 de Maio de 1801, um delator informou s autoridades da Capitania os planos dos conjurados, o que conduziu deteno de diversos implicados. Instaurado o processo de devassa, entretanto, vieram a ser absolvidos mais tarde, por falta de provas. A Aerpago foi fechado em 1802, reabrindo pouco mais tarde sob o nome de Academia dos Suassunas, com sede no mesmo engenho, palco das reunies dos antigos conspiradores. O episdio pouco conhecido na historiografia em Histria do Brasil, uma vez que a devassa correu em sigilo poca, devido elevada posio social dos implicados. O movimento inscreve-se no contexto de Crise do Antigo Sistema Colonial. Apesar da represso aos envolvidos, os seus ideais voltaram a reaparecer, anos mais tarde, na Revoluo Pernambucana de 1817.Revoluo Pernambucana: 1817A chamada Revoluo Pernambucana, tambm conhecida como Revoluo dos Padres, eclodiu em 1817 na ento Provncia de Pernambuco. Dentre as suas causas destacam-se a crise econmica regional, o absolutismo monrquico portugus e a influncia das idias Iluministas, propagadas pelas sociedades manicas. A permanncia da Famlia Real Portuguesa no Brasil, de interesse dos proprietrios de escravos e de terras, comerciantes e burocratas da Regio Centro-Sul, no satisfez aos habitantes das demais regies do pas, fossem eles proprietrios rurais, governadores ou funcionrios. O primeiro grupo tinha conscincia de que os favores e privilgios concedidos pelo monarca eram os responsveis pelo seu enriquecimento; o segundo vivia, desde a instalao da Corte no Rio de Janeiro, situao paradoxal: afastado do poder, mas com o nus de sustent-lo. Outro grupo descontente com a poltica de favorecimento de D. Joo VI era composto pelos militares de origem brasileira. Para guarnecer as cidades e, tambm, ajud-lo em suas aes contra Caiena e a regio do Prata, o soberano trouxe tropas do reino e com elas organizou as foras militares, reservando os postos da oficialidade para a nobreza portuguesa. Com isso, o peso dos impostos aumentou ainda mais, pois agora a Colnia tinha que manter as despesas da Corte e os gastos das campanhas militares. O sentimento de insatisfao era particularmente forte na Regio Nordeste do Brasil, afetada simultaneamente pela crise da produo aucareira e algodoeira e pela Grande seca de 1816 que prejudicou a agricultura de toda a regio. Em Recife, capital da ento Provncia de Pernambuco e um dos principais portos exportadores da regio, o descontentamento era enorme. O sentimento generalizado era de que os "portugueses da nova Lisboa" exploravam e oprimiam os "patriotas pernambucanos". Os descendentes da chamada "nobreza da terra" do perodo colonial, composto pela elite canavieira de Olinda, que tinha participado da Guerra dos Mascates, consideravam justificado o crescente anti-lusitanismo na Provncia. Bandeira da Revoluo Pernambucana de 1817. No desenho original constatavam mais duas estrelas (alm da nica atual), que representavam os estados da Paraba e Rio Grande do Norte, que aderiram revoluo.Causas Imediatas: - Situao da regio: presena macia de portugueses na liderana do governo e na administrao pblica. Criao de novos impostos por Dom Joo provocando a insatisfao da populao pernambucana. - Nordeste: grande seca acentuando a fome e a misria da regio; alm disso, houve queda na produo do acar e do algodo, que sustentavam a economia pernambucana (esse produtos comearam a sofrer concorrncia do algodo nos EUA e do acar na Jamaica). - Influncias externas: divulgao da idias liberais e de independncia (idias iluministas), estimulando as camadas populares de Pernambuco na organizao do movimento de 1817. - Objetivos do movimento: independncia do Brasil; proclamao da repblica; expulso dos portugueses que monopolizavam o comrcio da regio. As idias liberais que entravam no Brasil junto com os viajantes estrangeiros e por meio de livros e de outras publicaes, incentivavam o sentimento de revolta entre a elite pernambucana, que participava ativamente, desde o fim do sculo XVIII, de sociedades secretas, como as lojas manicas. Em Pernambuco as principais foram a Arepago de Itamb, a Patriotismo, a Restaurao, a Pernambuco do Oriente e a Pernambuco do Ocidente, que serviam como locais de discusso e difuso das "infames idias francesas". Nas sociedades secretas, reuniam-se intelectuais religiosos e militares, para elaborar planos para a revoluo. medida que o calor das discusses e da revolta contra a opresso portuguesa aumentava, crescia, tambm, o sentimento de patriotismo dos pernambucanos, ao ponto de passarem a usar nas missas a aguardente (em lugar do vinho) e a hstia feita de mandioca (em lugar do trigo), como forma de marcar a sua identidade. O movimento foi liderado por Domingos Jos Martins, com o apoio de Antnio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca, chegando a proclamar a Repblica sem, entretanto, adotar medidas radicais como a abolio da escravido. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, instalaram um governo provisrio que tinha como propostas bsicas proclamar a Repblica, abolir alguns impostos e elaborar uma Constituio que estabelecesse a liberdade de culto e de imprensa, bem como a igualdade de todos perante a lei. Resumo: os revoltosos chegaram ao poder e ganharam o apoio de outras provncias (AL, PB, RN, CE). Foi uma tentativa de independncia fracassada, marcada pela violncia e represso das tropas portuguesas em prises e execues de todos os envolvidos.

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