Histria do Brasil - Apostila Pr-Vestibular Vetor

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Pr-Vestibular Comunitrio Vetor Calendrio das aulas de Histria do Brasil em 2006: 1a Parte do Curso - Aulas com durao de duas horas: Aula no. 1 - Apresentao e reflexo sobre o vestibular / As grandes navegaes Aula no. 2 - O descobrimento do Brasil e as primeiras dcadas da Colnia Aula n o. 3 - A implantao do colonialismo na Amrica portuguesa Aula no. 4 - O Brasil e as relaes internacionais Aula no. 5 - A economia mineradora Primeira aula especial: Passeio pelo centro histrico do Rio de Janeiro Aula no. 6 - As reformas pombalinas e as conjuraes coloniais Aula no. 7 - A poca joanina Aula no. 8 - A Independncia e o Primeiro Reinado Aula no. 9 - O perodo regencial Aula no. 10 - A afirmao do Imprio Aula no. 11 - O auge do Imprio Aula no. 12 - Decadncia do Imprio Segunda aula especial: Vdeo Aula no. 13 - O surgimento da Repblica Aula no. 14 - A Repblica oligrquica Aula no. 15 Rebelies da Repblica Velha Aula no. 16 A crise dos anos 20 2a parte do curso - aulas com durao de uma hora: Aula no. 17 - A Revoluo de 1930 Aula no. 18 - Os governos Vargas: governo constitucional e movimentos polticos Terceira aula especial: Msica e Histria Aula no. 19 - Estado Novo Aula no. 20 - A Repblica de 1945 Aula no. 21 - A Repblica populista, nacionalismo econmico Aula no. 22 - A Repblica populista, internacionalizao da economia Aula no. 23 A crise da repblica populista Aula no. 24 - O golpe de 64 Aula no. 25 - Ditadura, panorama poltico Aula no. 26 - Ditadura, panorama econmico Aula no. 27 - Decadncia da ditadura Aula no. 28 - Redemocratizao Aula no. 29 - Planos econmicos, recesso e misria Aula no. 30 - A aventura de Fernando Collor Aula no. 31 - O triunfo do neoliberalismo Aula no. 32 - Fechamento do curso

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 1 - As grandes navegaes 1. Introduo: As grandes navegaes marcam um perodo da Histria europia onde os horizontes se alargam enormemente. achado o fim do continente africano, entra-se em contato com civilizaes do Oriente e do Extremo Oriente e no sculo XVI, uma expedio espanhola liderada pelo portugus Ferno de Magalhes comprovaria que o mundo redondo atravs da viagem da circunavegao. No se deve perder de vista, no entanto, o sentido de toda essa expanso martima. O objetivo central dos europeus era obter riquezas. 2. Transio da Idade Mdia Idade Moderna: . A Baixa Idade Mdia: A Idade Mdia sculos V ao XV marcada pelo sistema social feudal na Europa. A Idade Mdia dividida em duas, a Alta Idade Mdia sculos V ao X e a Baixa Idade Mdia sculos X ao XV. Nessa segunda parte as invases estrangeiras diminuem bastante, levando a populao e a produo a aumentarem na Europa. Isso leva a um comrcio maior, ao surgimento de feiras e cidades, o chamado Renascimento comercial e urbano. O feudalismo se expande dentro e fora da Europa, um exemplo conhecido o das Cruzadas para o Oriente Mdio, outra rea de expanso a pennsula ibrica. . Do feudalismo ao Antigo Regime: Com o crescimento vertiginoso das cidades, do comrcio e do artesanato, a relao feudal entre senhor e servo que era de grande explorao a este ltimo vai perdendo sentido, principalmente quando os servos comeam a fugir para as cidades. A servido e o feudalismo entram em sua crise final no sculo XIV, chegando logo ao seu fim. A sociedade feudal d lugar sociedade de Antigo Regime na Europa Ocidental a partir do sculo XV. No Antigo Regime, os nobres e o alto clero perdem poder, mas ainda so os grupos dominantes da sociedade. As monarquias passam agora a ser centralizadas, com grande poder na mo dos reis. Existe, ainda, uma classe que surgira na Baixa Idade Mdia: a burguesia. Esta no tem o poder sobre o Estado, mas ter grande influncia junto a este. 3. Portugal, do surgimento expanso martima: . O surgimento de Portugal: Na guerra de Reconquista na pennsula ibrica, nobres da Europa lutam contra os mouros muulmanos que dominam a pennsula desde o sculo VIII. Vrias so as casas nobres que fazem essa luta, uma delas a de Borgonha que funda o condado de Portucalense. Em 1139, esse condado declarado pas livre sob o nome de Portugal. Tratava-se neste momento de uma monarquia feudal, onde os senhores feudais eram poderosos, apesar da forte centralizao da monarquia portuguesa. . A vocao comercial: Logo, a regio ganharia importncia comercial, por ser entreposto martimo entre as duas principais regies mercantis da Europa, as cidades do Norte da Itlia e a regio de Flandres que hoje abarca a Holanda, a Blgica e parte do Norte da Frana. Isso, em um momento onde a viagem por terra era perigosa e custosa. Ficar ascendente neste momento a burguesia no pas. . Revoluo de Avis (1385): O reino de Castela, no entanto, considerava Portugal como um condado vassalo. Em uma disputa de trono, a grande nobreza portuguesa almejando mais poder alia-se ao rei de Castela contra um pretendente ao trono portugus, Joo de Avis, que aliado da pequena nobreza, burgueses e artesos portugueses. Este ltimo vence, dando total independncia a Portugal e pondo fim ao feudalismo no pas. . Expanso martima: Como Portugal foi o primeiro pas europeu a ter uma monarquia absoluta ainda no sculo XIV, vai ser o primeiro a se expandir ao mar, havendo para tal um grande incentivo da Coroa. A expanso tem incio em 1415 com a tomada de Ceuta cidade muulmana no Norte da frica e atendia aos interesses da nobreza e da burguesia. Portugal parte ento s ilhas atlnticas e ao continente africano em busca de riquezas, em especial, de metais. . Tratado de Tordesilhas: O segundo pas europeu a se expandir para o Atlntico foi a Espanha. Esta s unificada em 1469 descobriu a Amrica em 1492, pensando no perodo que aquelas terras eram o Oriente. Em 1494, Portugal e Espanha dividem o mundo em dois atravs do Tratado de Tordesilhas. . O comrcio indiano: Portugal tem grande sucesso nessa expanso martima inicial. Acha minas de ouro e prata na frica, desenvolvendo ali tambm um importante comrcio. Ainda, em 1498, descobre o caminho para as ndias, regio onde haver os principais entrepostos comerciais portugueses no ultramar. Esse o perodo de maior prosperidade na histria de Portugal. De 1500 a 1520, chegam em Portugal 200 kg de ouro africano por ano. At 1530, Portugal ter o monoplio sobre o ouro africano e sobre o comrcio indiano. Esse monoplio mais um fator de lucro para os comerciantes lusos e para o Estado portugus.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 2 - O descobrimento do Brasil e as primeiras dcadas da colnia 1. Introduo: Em 2000 o governo brasileiro fez uma ampla programao de comemorao dos 500 anos de descobrimento do Brasil. Colocam-se, ento duas perguntas: ser que o Brasil comeou a ser colonizado em 1500? E ser que a colonizao um motivo para se comemorar? A resposta primeira pergunta est logo a seguir, a resposta segunda ficou clara no prprio calendrio das comemoraes, onde em cada evento havia junto uma manifestao indgena rememorando a dor dos povos nativos trazida pela colonizao portuguesa. 2. O perodo pr-colonial (1500-1530): . O descobrimento e o comrcio indiano: Aps a assinatura do Tratado de Tordesilhas, Portugal continua dando destaque ao comrcio com as ndias. Em uma dessas viagens, a frota de Pedro lvares Cabral, aporta no litoral da Amrica, reconhece o territrio e segue a sua viagem para a ndia. . O escambo de pau-brasil: Expedies feitas pela costa brasileira em 1501 e 1502 contatam naquele tempo que a nica riqueza local era o pau-brasil, uma madeira tinteira. Esse passa a ser explorado em contrato de monoplio e no explorado de fato pelos portugueses, mas comprado aos ndios sob forma de escambo. . A presena estrangeira: Mais que os portugueses, neste perodo e mesmo depois do incio da colonizao, estavam pressentes outros estrangeiros no territrio da Amrica portuguesa, em especial os franceses, que eram os principais compradores do pau-brasil dos ndios. 3. A colonizao de fato: . A motivao da colonizao: A partir de 1530, a Coroa portuguesa se decide pela colonizao do Brasil. Os motivos para tal so: a presena crescente de estrangeiros na colnia; a descoberta de ouro e prata na Amrica espanhola; o fim do monoplio portugus no comrcio indiano e a conseqente crise deste comrcio. . O sistema de capitanias hereditrias: Em 1532, tomou-se a deciso de dividir a colnia em 14 capitanias hereditrias, doadas a nobres portugueses que teriam a obrigao de povoar, proteger e desenvolver seus territrios. A grande nobreza e a burguesia portuguesa no se interessaram pelo empreendimento, deixando-o pequena nobreza. O sistema de capitanias no foi um sucesso porque os colonos no eram poderosos o suficiente para lutar contra os estrangeiros e os ndios. No tinham tambm um farto capital para investir na colnia. Mesmo assim, o sistema continuou a existir at fins do sculo XVIII. . O governo central: Em 1549, a Coroa portuguesa decide implantar um governo central na colnia com medo da perda do territrio para os franceses e aps a notcia da descoberta da mina de Potosi pelos espanhis em 1545, a maior mina de prata do mundo na atual Bolvia. A capitania da Bahia foi comprada pela Coroa portuguesa e l se estabeleceu o governo-geral, em paralelo ao poder dos donos das capitanias. . As cmaras municipais: Outra esfera de poder na colnia que prevalece em todo o perodo colonial o das cmaras municipais, que existiam apenas nas cidades mais importantes. Seus membros, os vereadores, eram constitudos pelos homens bons, grandes proprietrios de escravos e terras. Em um momento posterior e em cidades mais mercantis, as cmaras foram ocupadas por grandes comerciantes. Eram importantes centros de poder e de deciso na colnia e algumas vezes se confrontavam com a Coroa. . Os cristos-novos: Importantes na colonizao portuguesa na Amrica foram os cristos-novos, judeus convertidos foradamente ao cristianismo. Mais ainda aps a instaurao da Inquisio em Portugal em 1547, quando estes passam a ser duramente perseguidos na metrpole. . A questo indgena: Havia por volta de 3 milhes de ndios na Amrica portuguesa em 1500. Os ndios brasileiros no tinham sociedades to complexas como astecas ou incas, mas tinham o controle de uma agricultura itinerante, a coivara, que iria ser adotada em parte pelos portugueses. Segundo a ideologia da colonizao, a catequizao dos ndios era o principal motivo da colonizao. Inicialmente, os portugueses fizeram comrcio com os ndios, mas com as grandes plantaes, comeam a utilizar a mo-de-obra indgena fora. O trabalho compulsrio obrigatrio indgena utilizado majoritariamente em toda a colnia at 1600, na maioria das vezes, em forma de trabalho escravo. Depois disso, com a reduo da populao nativa, o trabalho indgena passa a ser substitudo pelo trabalho escravo africano nas regies centrais da colonizao e o brao indgena fica restrito s regies perifricas, onde ainda h muitos ndios. A Coroa portuguesa, logo no incio da colonizao, proibiu a escravido dos ndios, o que era letra morta at a poca pombalina. Mesmo assim, a escravido dos ndios sempre foi liberada em casos de guerra justa. Houve grande resistncia indgena a essas formas de trabalho compulsrio, sendo emblemtica a Confederao dos Cariris.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 3 - A implantao do colonialismo na Amrica portuguesa 1. Introduo: s a partir de 1550 que a estrutura colonial se impe de fato na Amrica portuguesa. Trata-se de uma sociedade nova, diferente da europia. Uma sociedade baseada no trabalho escravo, tanto o indgena como o africano, e com a produo eminentemente voltada para fora. Era a sociedade escravista colonial. 2. A estrutura colonial: . A explorao da cana-de-acar: O objetivo da metrpole portuguesa e dos comerciantes portugueses ao colonizar o Brasil era conseguir aqui produtos de alto valor no mercado europeu, de preferncia metais, de acordo com os princpios mercantilistas. Apesar da procura, no foi achado inicialmente nenhum metal precioso no Brasil. Diante dessa ausncia, a Coroa e os colonizadores tentaram outros produtos valorizados no mercado europeu, o de maior sucesso certamente foi a cana-de-acar. O acar da cana tinha um grande valor na Europa e adaptou-se bem ao clima brasileiro, em especial ao nordestino, onde passou a ser cultivado largamente, tornando-se o litoral nordestino a regio central de colonizao nos sculos XVI e XVII. Outros produtos agrcolas eram tambm produzidos para a exportao, como o tabaco e o anil. . O modelo da plantagem: A plantagem ou plantation era a unidade produtora da cana e de outros produtos para exportao. Eram em geral, grandes propriedades com a maior parte das terras com produo de cana, mas havendo tambm outras produes dentro da fazenda voltadas para a subsistncia. Prevalecia o trabalho escravo. Havia uma casa de mquinas, o engenho, que funcionava com fora animal ou hidrulica. O dono da fazenda era o senhor de engenho. . Exclusivo colonial e monoplios: Os senhores de engenho brasileiros vendiam sua produo para comerciantes aqui instalados que s podiam vend-la para Portugal, era o exclusivo comercial. Alm disso, os grandes comerciantes portugueses monopolizavam o comrcio de certas cidades, baixando o preo dos produtos coloniais por eles comprados e aumentando os produtos portugueses vendidos para a colnia. . O trfico de escravos: Nas reas centrais, onde foram implantadas as estruturas coloniais, comea a faltar brao indgena com o tempo, devido morte em massa desses e tambm fuga para o interior do territrio. Diante disso, decide-se usar o brao africano escravo, que passou a ser usado em massa. Ao total, trouxeram-se 3,6 milhes de africanos para trabalhar como escravos no Brasil e 12 milhes como um todo para a Amrica. Para cada um que chegava no Brasil, pode-se contar outro morto na terrvel viagem. A partir de 1600, esse tipo de mo-de-obra vai ser a mais usada na colnia. Os portugueses no capturavam os cativos na frica, mas compravam escravos de comerciantes africanos. As sociedades africanas continham escravos antes dos europeus chegarem e com a grande demanda gerada pelo trfico atlntico de escravos, essas sociedades passam a multiplicar em vrias vezes as capturas feitas, transformando-as em sociedades plenamente escravistas, as vezes com 70% da populao escrava e exportando escravos para todo o mundo. No Brasil tambm, o escravo africano ou afro-descendente vira uma figura freqente na colnia, constituindo 50% da populao colonial no XVIII. O trfico de escravos gerava ainda grande riqueza para os traficantes, trfico esse dominado inicialmente por Portugal e, depois, por cidades coloniais como Rio e Salvador. . O sistema de sesmarias: A princpio todas as terras portuguesas no Novo Mundo eram do Rei e com as capitanias hereditrias, algumas terras se tornam particulares. A Coroa e os capites donatrios das capitanias doavam terras a particulares por meio de sesmarias. As sesmarias eram terras compradas a um preo relativamente baixo, onde o comprador deveria povoar e colonizar a terra. O problema que para ser sesmeiro, era preciso ter influncia junto ao Rei ou capito, por isso poucos tinham acesso terra. . A presena holandesa no comrcio: Os Pases Baixos tem relaes comercias com Portugal desde a Idade Mdia e sero importantssimos na agromanufatura do acar, participando do transporte da cana para a Europa e do refino do acar. Assim, Holanda e Portugal so scios no comrcio europeu do acar, havendo certa desvantagem para Portugal. . Os jesutas: Desde o princpio da dcada de 1550, a ordem dos jesutas estar presente no Brasil. Essa ordem foi criada na Contra-Reforma exatamente para fazer a expanso da f catlica no mundo. Eles sero os religiosos mais presentes no Brasil at a sua expulso, em 1759. Possuem vrias propriedades e utilizam largamente o trabalho compulsrio indgena, inclusive estabelecendo as misses indgenas, onde catequizam e usam da fora de trabalho dos amerndios. Vo ser importantes tambm na educao na colnia, so eles que educam os filhos de senhores de engenho, comerciantes e outras pessoas poderosas na colnia. A educao, no perodo colonial, restrita aos filhos desses grupos dominantes.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 4 - O Brasil e as relaes internacionais 1. Introduo: Se a primeira metade do sculo XVI foi de prosperidade para Portugal, o mesmo no se pode dizer para a primeira metade do sculo XVII. De 1580 a 1640, Portugal anexado pela Espanha, o que leva tomada do Nordeste brasileiro pelos holandeses. Portugal consegue a sua independncia da Espanha em 1640, tendo que lidar com os holandeses. Diante disso, endurece as condies dos colonos, o que leva a uma srie de revoltas. 2. Unio Ibrica e invaso holandesa: . A Unio Ibrica (1580-1640): Todo o ouro e prata explorados pelos espanhis na Amrica fazem da Espanha a grande potncia europia do sculo XVI, possuindo territrios em toda a Europa. Diante de uma questo dinstica, Portugal anexado pela Espanha de Felipe II, sem poder reagir ante o poderoso vizinho. . A curta tomada de Salvador (1624): O problema que a aliada de Portugal, Holanda, era inimiga da Espanha. E esta veta a participao dos holandeses no comrcio do acar brasileiro. Contrariados, os holandeses tomam Salvador em 1624, sendo expulsos no ano seguinte por uma esquadra luso-espanhola. . A longa tomada do Nordeste (1630-54): Em 1630, com 70 navios, os holandeses tomam Pernambuco e depois todo o Nordeste, do Sergipe ao Maranho. Dominaram ainda portos escravistas na frica, dominando, portanto, a produo de quase todo o acar brasileiro e tambm o abastecimento de escravos para as plantagens. Era a Nova Holanda, a principal colnia holandesa na Amrica. . O governo de Nassau (1637-44): Dentro do perodo holands, destacou-se o governo de Maurcio de Nassau da Nova Holanda. Nassau se aliou elite aucareira nordestina, fornecendo crdito aos fazendeiros. Implantou a liberdade religiosa na colnia, onde antes o catolicismo era a religio oficial. Remodelou Recife e trouxe misses artsticas e cientficas, as primeiras vindas ao Brasil. . A sada dos holandeses: Mesmo com o fim da Unio Ibrica, os holandeses se recusam a sair do Nordeste e d-se a guerra entre Portugal e Holanda. Como a Holanda estava em uma difcil guerra com a Inglaterra, abandona a colnia da Nova Holanda, obrigando Portugal a pagar uma indenizao para tal. Depois, os holandeses iro estabelecer poderosas produes de cana-de-acar nas Antilhas holandesas, desbancando a produo brasileira. . A Restaurao: Em 1640, a Espanha j uma potncia declinante. Enfrenta neste ano revoltas na Catalunha e Andaluzia, ambas apoiadas pela Frana. Assim, ficou facilitada a independncia de Portugal. . O acirramento do colonialismo: O Estado portugus, porm, ressurge em pssimo estado financeiro, tendo perdido vrias colnias na frica e na sia, com o problema holands no Nordeste por resolver e ainda com uma forte decadncia do preo do acar no mercado internacional devido ao surgimento de novas reas de produo de cana na Amrica. O rei decide, ento, por um endurecimento da situao colonial para que conseguisse mais fundos para estabilizar o Estado. Cria, ento, a Companhia de Comrcio do Brasil (16471720) e a Cia de Comrcio do Maranho (1682-5) que deveria monopolizar todo o comrcio com o Brasil, segundo os moldes ingleses e holandeses. Em 1640 criado tambm o Conselho Ultramarino, rgo portugus responsvel pelas colnias. Criaram-se ainda os juizes de fora, que seriam os presidentes das cmaras municipais e seriam nomeados pelo Rei, num ato de forte centralizao. 3. As revoltas coloniais: . A revolta de Beckman (1684): Essa foi uma revolta contra a centralizao e endurecimento do colonialismo a partir da Restaurao. Reao criao da Companhia de Comrcio do Maranho, que detinha o monoplio do comrcio na capitania. Os revoltosos propunham o fim do monoplio e atacaram a companhia e os jesutas, que proibiam a escravizao dos ndios. A revolta foi massacrada. . O quilombo dos Palmares (1630-1694): Revolta totalmente diferente da de Beckman. Foi a mais importante resistncia escrava existente na colnia. Os escravos resistiam de vrias formas, mas principalmente com fugas e formao de quilombos comunidades de escravos fugidos. Palmares foi o maior quilombo existente na colnia, tamanho esse devido desorganizao das plantagens nordestinas com a guerra contra os holandeses. Aps vrias expedies, o bandeirante Domingos Velho destri o quilombo. . A guerra dos mascates (1709-11): Esse foi um conflito local, portanto, diferente dos outros dois, foi o conflito entre os senhores de Olinda e Recife. Os comerciantes de Recife no queriam mais se sujeitar Cmara de Olinda, o que leva ao conflito. Em 1709 criada a Cmara de Recife e em 1711 as cidades so equiparadas, ponde-se um fim ao conflito.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 5 - A economia mineradora 1. Introduo: No final do sculo XVII, seriam descobertas na colnia portuguesa as maiores reservas de ouro j exploradas no Ocidente desde a poca do Imprio Romano. Isso vai trazer uma grande populao europia e cativa africana ao Brasil e vai gerar tambm um grande dinamismo econmico na colnia. Logo, a Amrica portuguesa se tornar, enfim, a mais importante colnia portuguesa. 2. A economia mineradora: . O bandeirismo: Eram quatro os fatores de interiorizao da colonizao portuguesa: a pecuria, a busca por especiarias e drogas do serto, a busca por metais e o apresamento de ndios. Desses todos, o mais importante o ltimo, que era a rea de atuao por excelncia dos bandeirantes tambm chamados de paulistas. Eles iam ao interior aprisionar ndios para vend-los como escravos para fazendeiros. . A descoberta e a imigrao: A primeira descoberta de ouro em Minas Gerais se deu em 1693 e a explorao de fato comeou em 1698. Os diamantes foram descobertos em 1728. Essas descobertas levam a uma grande imigrao para a regio, em um fluxo total de 600 mil portugueses para a regio durante 60 anos. . A guerra dos emboabas (1707-9): Os paulistas descobriram as minas de ouro e foram seus primeiros exploradores, porm logo chegaram vrios portugueses que iam explorando o ouro e, principalmente, o lucrativo abastecimento da regio. D-se, ento, uma briga entre os pioneiros bandeirantes e os emboabas os portugueses que chegaram depois, como eram chamados pelos paulistas. Os emboabas foram vitoriosos. . Os caminhos: O primeiro caminho que levava regio mineira partia de So Paulo e a viagem demorava 60 dias. Logo, foram construdos o Caminho Real e o Caminho Novo, este de 1701 era o mais importante. Partia do Rio de Janeiro e a viagem demorava apenas 12 dias. . O abastecimento: O Rio assume, assim, uma posio privilegiada com a minerao, j que porta de entrada de escravos, imigrantes, artigos metropolitanos para as minas e porta de sada de ouro e diamantes. Ainda, ser a principal regio abastecedora de alimentos para Minas. Abastecimento esse que foi sempre muito problemtico, j que os principais esforos dos mineradores eram pela explorao de ouro. O preo dos alimentos e artigos bsicos era altssimo e houve srias crises de fome. A minerao leva a um dinamismo da economia colonial, com formao de um mercado interno, com certa especializao e integrao. . A sociedade mineira: A sociedade mineira tem certas inovaes em relao sociedade aucareira. mais urbanizada, tem mais artistas, literatos e cultura em geral. H ainda uma diversidade maior na escravido, apesar de esta continuar predominante. H o surgimento da figura do escravo de ganho e outras formas de escravido e h ainda um nmero maior de alforrias liberdade do escravo dada ou comprada. . Fiscalismo: A Coroa portuguesa cria um grande aparato burocrtico para retirar o mximo de impostos da minerao e evitar o contrabando que, com toda a fiscalizao, foi grande no perodo. 20% de todo o ouro extrado deveria ser doado Coroa, o quinto. A explorao de diamantes tinha uma forma especfica a partir de 1740. Desse perodo at 1771, foram explorados sob contrato rgio e em seguida sob monoplio real. . Revolta de Vila Rica (1721): Vrias so as formas feitas pela Coroa para arrecadar o quinto: a capitao e as Casas de Fundio so dois exemplos. No primeiro, havendo ou no a extrao do ouro, os exploradores de ouro tinham que entregar uma cota especfica aos fiscais. No segundo, institudo em 1725, todo o ouro deveria ser fundido nas casas de fundio, aonde se retiraria o quinto. As casas de fundio foram adotadas devido revolta de Vila Rica, feita pelos mineradores contra o sistema de capitao. . A decadncia da minerao e o renascimento agrcola: A produo de ouro ascendente at 1750, passando a ser decadente a partir de ento, levando a Coroa a tomar medidas extremas para manter a alta arrecadao. Com a decadncia da minerao, a capitania de Minas se torna uma forte regio agropecuria e d-se o que chamado de renascimento agrcola, onde os principais produtos de exportao do Brasil voltam a ser provindos da agricultura. Na verdade, a colnia no deixou de ser agrcola em funo da minerao. De qualquer forma, a partir de fins do sculo XVIII passa a ser exportada uma gama mais variada de produtos: o anil, os produtos da pecuria, o arroz, o algodo, alm do tabaco e da cana e seus derivados. . A reformulao das fronteiras: Portugal havia ocupado a Amaznia com a explorao das drogas do serto e o atual Centro-Oeste brasileiro com a minerao. Em 1680, Portugal funda a colnia de Sacramento regio do atual Uruguai em territrio espanhol, regio de escoamento da prata. Em 1750, Portugal e Espanha assinam o Tratado de Madri, onde Sacramento fica com a Espanha e a Amaznia e o Centro-Oeste com Portugal, dando as linhas aproximadas do atual territrio brasileiro.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 6 - As reformas pombalinas e as conjuraes coloniais 1. Introduo: A partir de 1750, a colonizao portuguesa na Amrica entra em decadncia. As arrecadaes com a minerao baixam seguidamente, levando a monarquia a adotar durssimas medidas. Medidas que no ficam sem repostas. Passa-se a forjar a independncia em relao a Portugal. 2. A poca pombalina: . O absolutismo ilustrado: Tambm chamado de despotismo esclarecido, caracteriza-se por ser o absolutismo no modificado em sua essncia, mas com uma aura das idias e ideais da Ilustrao tambm chamada de Iluminismo. O absolutismo e o mercantilismo, no entanto, so fortemente reafirmados. Prevaleceu na periferia da Europa na segunda metade do sculo XVIII em pases como Rssia, ustria, Prssia, Espanha e Portugal que, com essas medidas, tentavam se aproximar das potncias europias dominantes, Inglaterra e Frana. . As reformas pombalinas: No governo do rei Jos I (1750-1777), era preponderante no Estado portugus a figura do marqus de Pombal. Esse ministro se enquadra dentro do modelo de absolutismo ilustrado. Ele fez uma srie de reformas em Portugal e na colnia, tentando tirar o atraso de Portugal na Europa. Foram reformas claramente centralizadoras e autoritrias, que beneficiavam os grandes comerciantes portugueses. . Derrama (1751): Com o primeiro sinal de decadncia na arrecadao do quinto na regio das minas, Pombal institui a derrama. Segundo esse mecanismo, a arrecadao anual do quinto nas minas deveria ser de 100 arrobas de ouro cada arroba equivale a algo como 15kg e 100 arrobas a mais ou menos 1,5 tonelada. Caso no se chegasse a esse valor, o resto deveria ser cobrado de toda a populao das Gerais. . Expulso dos jesutas da colnia (1759): A ordem dos jesutas foi expulsa para pr fim poderosa influncia e presena no contrabando por parte dessa ordem. A Coroa tomava, tambm, todas as terras deles. . Companhias de Comrcio: As companhias monopolistas de comrcio foram recriadas. Assim, criaramse as Companhia Geral do Gro-Par e Maranho em 1755 e a Companhia Geral do comrcio de Pernambuco e da Paraba. Essas companhias aumentavam bastante os lucros dos comerciantes portugueses. . Capital no Rio de Janeiro (1763): A capital da colnia passa de Salvador para o Rio de Janeiro, j que esta cidade era o centro que escoava a produo de Minas Gerais, alm de controlar o trfico de escravos. . Medidas administrativas: Outras medidas foram: extino das capitanias hereditrias, reunificao administrativa a colnia era ento dividida administrativamente em duas e monoplio real dos diamantes. . O reinado de d. Maria I: No reinado da sucessora de d. Jos I, prevaleceu o carter absolutista ilustrado da poltica pombalina. Assim, em 1785, as manufaturas foram proibidas na colnia. 3. As conjuraes coloniais: . Carter geral das conjuraes: As conjuraes de fins do sculo XVIII no so mais como as antigas revoltas coloniais. Agora, contesta-se a colonizao e planeja-se uma independncia de Portugal. . Conjurao mineira (1789): Os moradores da regio das minas foram duramente atingidos pela derrama e pela proibio das manufaturas. Com as manufaturas proibidas, os mineiros teriam que importar tecidos de Portugal a um preo muito maior que o custo de produo em uma manufatura local. Parte da elite local, baseados nos princpios da Ilustrao e influenciados pela Independncia dos Estados Unidos, planejam a formao de uma repblica na regio das minas. No havia muita coeso de idias, principalmente no que diz respeito escravido, mas previam-se manufaturas livres, libertao dos filhos dos escravos, capital em So Joo Del-Rei, Universidade em Vila Rica, perdo de dvidas, repblica eletiva, milcia de cidados, parlamentos locais e um central. A trama foi delatada por um de seus membros que era endividado da Coroa e todos foram desterrados, com exceo de Tiradentes, o nico pobre do grupo, que foi morto. . Conjurao carioca (1794): Trata-se na verdade de uma sociedade literria, ligada a uma loja manica, que discutia a melhor forma de governo para o Brasil e uma possvel independncia. No chegou a bolar plano de independncia. Tambm foi reprimida. . Conjurao baiana (1798): Tambm chamada de conjurao dos alfaiates, foi influenciada fortemente pela Revoluo Francesa. Foi uma revolta muito mais popular do que a mineira, participaram dela soldados, artesos, negros forros e at escravos. Parte da elite tambm apoiou a revolta. Tinha princpios mais democrticos que a mineira e previa-se inclusive o fim da escravido. Dos 34 conjurados, alguns foram presos, outros desterrados e trs foram enforcados. Os membros da elite nada sofreram na represso revolta.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 7 - A poca joanina 1. Introduo: A partir de 1808 no se pode mais falar que o Brasil uma colnia. Com a chegada da famlia real e da Corte portuguesa cidade do Rio de Janeiro neste ano, o Centro-Sul da Amrica portuguesa passam a cumprir um papel de metrpole ante o resto do Imprio portugus. Pode-se dizer, ento, que 1808 quando acaba o colonialismo uma ruptura maior do que 1822 ano da independncia do Brasil em relao a Portugal. 2. A poca do d. Joo VI no Brasil (1808-21): . A sada da famlia real portuguesa da Europa: Em meio s guerras napolenicas na Europa, em 1806 os franceses probem qualquer pas da Europa continental de comerciar com a Inglaterra. Portugal no aceita essa imposio e sofre a invaso das tropas de Napoleo. A famlia real toma a deciso de fugir para o Brasil sua mais rica colnia , plano este j tramado desde fins do sculo XVIII. Junto com a famlia real, vem toda a corte portuguesa, em um total de aproximadamente 15 mil pessoas em 20 navios. A Inglaterra apia essa medida e escolta a frota portuguesa, permanecendo como a maior aliada de Portugal. . O fim do estatuto colonial: As primeiras medidas do Rei portugus no Brasil acabam com o carter de colnia ao Brasil. Primeiramente, d. Joo abre os portos brasileiros para todas as naes amigas, o que representava naquele momento basicamente a Inglaterra e, em muito menor escala, os EUA. Neste mesmo ano 1808 a Coroa libera a criao de manufaturas no Brasil. Mais ainda, o Rei comear a formular um amplo aparato de Estado na cidade do Rio de Janeiro, o que d a esta o carter de metrpole. . A preeminncia inglesa: Na poca joanina, devido em parte s condies de fuga da corte para o Brasil, h uma grande presena inglesa na poltica e, principalmente, na economia brasileira. Isso vai ficar patente quando, em 1810, d. Joo concede taxas preferenciais de importao aos produtos ingleses no Brasil, pagando estes menos taxas que produtos de outras potncias e at do que os produtos portugueses. H a presena de vrios comerciantes ingleses nos portos brasileiros e seus hbitos e costumes tambm so adotados. . A fundao de um aparato de Estado: D. Joo tem que recriar o Estado portugus no Brasil, agora no mais com a presena da nobreza e do clero portugueses apenas, mas tambm com comerciantes e fazendeiros brasileiros. Algumas das principais criaes so: os ministrios e rgos reais so recriados no Brasil e tambm rgos militares, como a fbrica de plvora; o Banco do Brasil, banco criado para financiar os gastos do Estado; um jardim botnico, laboratrio para estudo e aclimatao de novas plantas; a Imprensa Rgia, que d origem aos primeiros jornais no Brasil; uma grande biblioteca pblica, com a vinda de livros de Portugal, que dar origem atual Biblioteca Nacional; a Academia de Belas Artes, onde lecionaram artistas estrangeiros que vieram nas expedies artsticas e cientficas. . A poltica externa joanina: Em represlia invaso francesa a Portugal em 1807, d. Joo VI toma a Guiana Francesa em 1809. Com a paz na Europa em 1815, a regio devolvida Frana. Neste mesmo ano, o Brasil elevado categoria de Reino para que D. Joo pudesse negociar no Congresso de Viena como Rei. Mesmo com a paz na Europa, ele se decide por ficar no Brasil. Diante da independncia das colnias latinoamericanas e do desejo de Buenos Aires de criar uma grande Repblica do Prata que uniria Argentina, Uruguai e Paraguai, D. Joo VI toma o Uruguai em 1816, que passa a ser a provncia da Cisplatina. . A revoluo pernambucana (1817): Se para o Centro-Sul do Brasil, a chegada da Corte tinha sido altamente positiva devido ativao da economia da regio e do fortalecimento do comrcio de abastecimento para a cidade do Rio, no Norte e no Nordeste a situao pouco mudou. Pode-se dizer, inclusive, que estas regies continuaram a ser colnia, mudando apenas a metrpole de Lisboa para o Rio de Janeiro. Assim, uma revolta anticolonial, anti-lusitana e separatista estoura em Recife, feita por senhores de engenho e populao pobre da cidade. Os revoltosos destituem o governador, tomam o poder e declaram a Repblica. A revolta se alastra para a Paraba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Um destacamento de Salvador reprime a revolta, fuzilando seus lderes. . Revoluo Liberal do Porto (1820): Desde o fim das guerras na Europa em 1815, um emissrio ingls governava Portugal. Em 1820, explode uma revoluo na cidade do Porto que logo se alastraria por todo Portugal. Os revolucionrios expulsam o governador ingls e convocam uma Assemblia Constituinte as Cortes , afirmando que a Constituio deveria ser jurada por D. Joo e este deveria voltar para Portugal. Adere-se revoluo no Brasil, primeiramente em reas perifricas, como Par e Bahia, que derrubam seus governadores e declaram-se fiis s Cortes e no ao Rio de Janeiro. Depois, na prpria cidade do Rio de Janeiro h adeso. Tem incio o processo de emancipao poltica do Brasil.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 8 - A Independncia e o Primeiro Reinado 1. Introduo: A independncia brasileira foi uma revolta contra a recolonizao que as Cortes portuguesas propunham e representam uma continuidade com o perodo joanino. O Imprio brasileiro surge em crise com guerras, revoltas, movimentos separatistas e crise econmica. A estabilidade s vir na dcada de 1850. 2. O encaminhamento da ruptura: . A tentativa recolonizadora: As Cortes foram convocadas tendo uma parcela de representantes brasileiros. No entanto, o projeto da maioria portuguesa era que o Brasil voltasse a ser colnia. Esse o principal motivo da independncia. Os fazendeiros, comerciantes brasileiros e os ingleses no desejavam isto. . Portugueses, brasileiros e exaltados: Logo, se formaram trs partidos no Brasil. Os portugueses, totalmente a favor da recolonizao; os brasileiros, a princpio contra a ruptura, defendiam uma monarquia dual, depois seriam a favor da independncia; e os exaltados ou liberais radicais, a favor da emancipao e da criao de uma monarquia constitucional ou repblica mais democrtica do que o projeto dos brasileiros. . A independncia forjada: D. Joo VI obrigado pelas Cortes a voltar a Lisboa em 1821. Antes disso, pega todos os metais depositados no Banco do Brasil e deixa no Rio seu filho d. Pedro, que deveria ser o governador-geral do Brasil e em caso de independncia, deveria ser o lder dela, evitando-se radicalismos. Assim, diante da rigidez das Cortes, d. Pedro lidera junto aos brasileiros e exaltados a emancipao em 1822. 3. O primeiro reinado: . Guerra de independncia: Logo, estouram na Bahia e no Par focos de resistncia de tropas portuguesas. D. Pedro reprime essas resistncias com o auxlio de mercenrios estrangeiros. . A Constituio da mandioca: A Constituinte brasileira foi convocada em 1822 antes mesmo da independncia. O voto era censitrio baseado no preo da mandioca, da o nome da Constituio. Esta nunca chegou a ficar pronta. Em 1823 foi apresentado um anteprojeto dela, tratava-se de uma constituio de monarquia constitucional e parlamentarista, o que foi rejeitado pelo Imperador Pedro que fechou a Assemblia em 1823, desejando uma constituio que lhe desse mais poderes. . A Constituio outorgada (1824): D. Pedro se alia aos portugueses e outorga uma constituio. Esta era muito similar ao projeto apresentado, porm tinha uma novidade. Alm dos trs poderes do Estado, havia um quarto poder, o moderador, que prevaleceria sobre os outros. Este poder era o poder do Imperador, que ainda nomearia os membros do Supremo Tribunal, seria o chefe do Executivo e nomearia presidentes de provncia. A Constituio deveria ainda ser referendada nas cmaras municipais ao longo do Brasil. . Padroado: Segundo a Constituio, a religio oficial do pas a catlica, os padres eram funcionrios pblicos pagos pelo Estado e o Rei mediava relaes do clero nacional com o Vaticano. Era o padroado. . A represso: Explodiram revoltas contra a nova constituio. D. Pedro fez uma forte represso contra estes constitudos principalmente por exaltados , fechando jornais, prendendo e exilando ativistas. . A Confederao do Equador (1824): Uma certa continuao da Revoluo Pernambucana de 1817, foi um movimento separatista no Nordeste que obteve xito provisrio. Inicia-se em Recife, onde a Cmara rejeitou a Constituio de 1824. Declara-se uma confederao unindo Pernambuco, Paraba, Rio Grande do Norte e Cear. Com contrao de emprstimos estrangeiros, d. Pedro suprime a revolta, matando seus lderes. . O reconhecimento da independncia: Mesmo com a declarao de independncia, as potncias europias inclusive a Inglaterra no haviam aceitado a mesma, visto que Portugal no tinha aceitado a emancipao. Os EUA so o primeiro pas a reconhecer a independncia brasileira, em 1824. Aps longas negociaes, Portugal aceita a independncia em 1825 e, em seguida, toda a Europa , mas com uma srie de clusulas. O Brasil pagaria uma dvida portuguesa de 2 milhes de libras para a Inglaterra; as taxas de importao continuariam compulsoriamente em 15%; e o Brasil no anexaria Angola, como pretendido. . A guerra da Cisplatina (1825-8): Foi a guerra de independncia do Uruguai com o Brasil. Eles tinham o apoio da Argentina e da Inglaterra e o Brasil, com crises econmicas e revoltas regionais, perde a guerra. . A queda de d. Pedro I (1831): Com crises nas exportaes, fraca arrecadao do Estado, dvidas, revoltas e guerras, o primeiro reinado foi um perodo de grande crise para o pas. Como o autoritarismo de d. Pedro, com o fracasso de seu governo e o crescimento das oposies, o imperador obrigado a abdicar do trono em 1831. Ele abdica para assumir o trono portugus e deixa no Brasil seu filho Pedro de apenas 5 anos. A Assemblia assume o poder no que seria o perodo mais turbulento da histria imperial, a Regncia.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 9 - O perodo regencial 1. Introduo: Em toda a Amrica Latina, os recm-fundados Estados independentes se encontravam em enormes crises polticas e econmicas e em guerras civis. O Brasil no foi exceo, sem fundamentos econmicos slidos e sem uma organizao poltica estvel, encarou uma srie de revoltas separatistas na dcada de 1830. 2. A poltica na Regncia: . Grupos polticos: Como Pedro II era ainda menor, os parlamentares decidem por uma Regncia trina, que durar at 1834. H no momento trs partidos: restauradores, a favor da volta de Pedro I; moderados, a favor do federalismo e do fim do Senado vitalcio; exaltados, que defendiam, alm das reformas dos moderados, reformas democratizantes. Os nimos polticos se acirram, inclusive com confrontos nas ruas. . Guarda nacional (1831): criada pela Regncia uma guarda constituda pelos cidados s quem tinha liberdade e renda alta para evitar distrbios. Vai ser um importante mecanismo de centralizao do poder. . Avano liberal (1831-7): Moderados e exaltados se aliam e do o tom do Avano liberal. O principal legado deles foi o Ato Adicional de 1834, apesar de este ter sido feito em aliana com os restauradores. . O ato adicional (1834): Esse ato transformava a Regncia trina em una, mas mais do que isso, transformava os conselhos de provncia meros rgos consultivos em Assemblias provinciais, que tinham uma boa autonomia e amplos poderes. O senado permaneceu vitalcio, uma concesso aos restauradores. . Regresso conservador: O Ato Adicional deu margem para que estourassem uma srie de rebelies no perodo, o que faz com que parte dos moderados se alie aos restauradores contra o Ato Adicional, formando o grupo dos regressistas. Os restauradores no exigiam mais a volta de d. Pedro I, visto que este havia morrido. Um regressista eleito em 1837 dando incio ao Regresso conservador, onde desfeito o Ato Adicional e inicia-se uma ampla represso s revoltas regenciais. 3. As rebelies regenciais: . Carter geral das revoltas: Tratam-se de grandes rebelies contra a centralizao e o absolutismo, contra a carestia, muitas vezes anti-lusitanas, a favor das liberdades individuais e com a questo social presente. . A primeira leva das rebelies: Antes do Ato Adicional, houve algumas rebelies pelo pas, nenhuma de grande vulto como as da segunda leva, especificadas a seguir. . Cabanagem (1833-6): A maior de todas as rebelies regenciais, ocorrida no Par e estendida ao Amazonas. A revolta se inicia com a rejeio de um presidente de provncia indicado. Os cabanos membros da classe popular na provncia, moradores de cabanas tomam o poder da provncia. Como no tinham um programa claro de poder, entram em conflito interno. Uma tropa enviada do Rio e os cabanos fogem para o interior, voltando depois a Belm e proclamando provncia desligada do Imprio. Um forte exrcito mandado regio e finda a revolta com 30 mil mortos. . Farroupilha (1835-45): Tambm chamada de Guerra dos Farrapos, foi a mais eficiente revolta regencial, tendo em vista seus objetivos. Ao contrrio das outras, foi completamente elitista, feita por proprietrios estancieiros e charqueadores do Rio Grande do Sul. Estes reclamavam das nomeaes ao presidente da provncia, da alta taxa de importao do sal, da baixa taxa de importao do charque e das altas taxas cobradas nas passagens. A Assemblia provincial destitui o presidente do Rio Grande, empossando Bento Gonalves e declarando a repblica Piratini em 1836. Gonalves preso, mas a revolta continua. Em 1839, eles tomam Santa Catarina e declaram-na repblica independente Juliana. Caxias suprime a revolta em 1845, fazendo ampla anistia e concesses aos revoltosos, como a nomeao dos farroupilhas ao Exrcito. . Levante Mal (1835): Uma revolta plenamente diferente das outras, foi uma revolta escrava. Escravos de origem muulmana forjam um plano de tomar Salvador, como forros denunciam a revolta, ela dominada em apenas trs horas, mas a revolta coloca a populao livre da cidade em permanente medo. . Sabinada (1837-8): A nica rebelio urbana, junto com a Mal. Levante da classe mdia liberal de Salvador contra o governo central. Estes tomam o poder provincial e declararam a independncia da Bahia. A elite da cidade foge da cidade e organiza a reao. Com o apoio do Rio de Janeiro, retomam a cidade. . Balaiada (1838-41): Inicia-se com um conflito entre liberais chamados bem-te-vis na provncia e conservadores chamados cabanos na provncia do Maranho, embora a revolta tenha se espalhado para o Piau. Os balaios membros da classe popular do interior da provncia iniciam uma revolta apoiada pelos liberais maranhenses. Caxias nomeado presidente da provncia e suprime a revolta dos balaios.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 10 - A afirmao do Imprio 1. Introduo: No final do perodo imperial, surge um pacto poltico que vai dar origem base poltica do segundo Imprio. a unio entre os antigos restauradores e alguns moderadores. Grande parte deles constituda de fazendeiros de caf ou est ligada a estes. So as exportaes de caf e a fora poltica dos cafeicultores que vai estabilizar econmica e politicamente o Imprio. 2. A consolidao imperial: . A Maioridade: Os moderados agora chamados de liberais viram-se alijados do poder com o Regresso conservador. Eles tramam, ento, um golpe para empossar d. Pedro II mesmo este tendo apenas 15 anos. Eles do o golpe, conseguindo que todo o primeiro ministrio do Segundo Reinado seja constitudo por liberais e o pas volta a ter imperador, voltando tambm a ter poder moderador. . Os partidos polticos do Imprio: Os dois grupos polticos do final da Regncia se organizam em partidos de fato. O partido liberal, mais favorvel s autonomias regionais e as liberdades e o partido conservador, mais centralizador, sendo mais ligado ao Imperador ao longo do Segundo Reinado e mais poderoso. Os dois partidos, no entanto, esto assentados essencialmente em grupos sociais similares, ambos so constitudos em sua maioria por proprietrios de escravos e de terras. Ambos os partidos so contra o fim da escravido e contra reformas realmente democratizantes. . A dinmica poltica imperial: Em 1840, logo aps o golpe da maioridade e devido ao acirramento das brigas polticas, ocorrem eleies extremamente violentas e fraudulentas, as eleies do cacete. No entanto, corrupo e violncia sero marcas da poltica em todas as eleies do Segundo Reinado. Liberais e conservadores iriam se alternar nos ministrios ao longo do Segundo Reinado. . O grupo de sustentao do Imprio, os saquaremas: O partido conservador, ao longo de todo o Imprio, mais poderoso do que o partido liberal. Dentro do grupo do partido conservador, h um grupo proeminente que, na verdade, d o tom da poltica imperial. So os saquaremas, os conservadores do estado do Rio de Janeiro, ligados cafeicultura escravista. . Por trs da estabilidade, o caf: Mais importante do que as disputas polticas, para se entender a estabilizao poltica do Imprio, preciso entender o que acontece na economia. Desde 1830, o caf o principal produto da pauto de exportaes do Brasil, superando o acar. E a partir de 1840 e 1850, as exportaes aumentaro vertiginosamente, possibilitando ampla arrecadao e amplos supervits na balana comercial. A produo de caf se concentrava no Sudeste, mais especificadamente no Vale do Paraba fluminense esse o mais importante neste momento , paulista e mineiro. A produo era feita em grandes fazendas usando basicamente mo-de-obra escrava. . Tarifas Alves Branco (1844): Neste ano, o Estado imperial modificou as tarifas de importao de produtos estrangeiros com o objetivo de aumentar a arrecadao do Imprio j que naquela poca, a principal fonte de arrecadao era a alfndega. As tarifas que eram de 15% passariam para 30% para produtos sem similares nacionais e 60% para os com similares nacionais, os tecidos, no entanto, pagavam apenas 20% de entrada. Alm do aumento na arrecadao, a medida era uma reao constante ameaa inglesa ao trfico de escravos feito para o Brasil e tambm pretendia defender a indstria nacional. De fato, as tarifas ajudaram no surgimento de uma certa indstria nacional. Outras medidas imperiais, como a iseno na importao de mquinas e o crdito para a indstria ajudaram as fbricas nascentes. Isso tudo no durou muito, em 1860 houve a reverso das tarifas, o que levou quebradeira de diversas empresas industriais. 3. A ltima grande revolta regional: . A Praieira (1848-50): A Praieira pode ser considerada uma revolta regencial tardia, assim como outras pequenas revoltas provinciais menores que existiram ao longo da dcada de 1840. Tem carter autonomista e anti-lusitano. Ocorrida em Pernambuco, uma reao centralizao monrquica e ao jogo poltico entre liberais e conservadores. Um grupo do partido liberal da provncia no aceita a alternncia de poder entre conservadores e liberais e forma o partido da praia, composto por uma elite emergente da provncia. Os praieiros chegam ao poder na provncia e fazem o mesmo tipo de governo que liberais e conservadores, com nomeao de parentes para o funcionalismo pblico e licitaes fraudadas. Como os conservadores locais guabirus impedem que os praieiros sejam eleitos senadores, os praieiros entram em confronto armado com os guabirus. O governo imperial interfere e suprime a revolta.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 11 - O auge do Imprio 1. Introduo: Em 1850, a Praieira havia sido controlada, as exportaes de caf batiam recorde, a indstria surgia e a arrecadao aumentava crescentemente. Porm, neste mesmo ano abolia-se finalmente o trfico de escravos. Era a semente da runa do Imprio, j que a base de sustentao deste eram os proprietrios escravistas. 2. Caractersticas econmicas do auge do Imprio: . Estrutura econmica brasileira: Durante a poca colonial, a economia brasileira, alm de escravista, era eminentemente voltada para a exportao de bens valorizados no mercado europeu. Essas caractersticas continuaram essenciais na economia imperial, com as exportaes de caf do qual o Brasil se tornou o maior produtor e exportador do mundo no sculo XIX e de outros produtos, alm do trabalho escravo. . O rush da borracha: Na segunda metade do sculo XIX e primeiras dcadas do sculo XX, a borracha produzida na Amaznia se torna um importante produto de exportao. Dominada por empresas estrangeiras, a produo da borracha chegou a ser o segundo item de exportaes no incio do sculo XX, com 28% do valor das exportaes, sendo o Brasil o maior produtor mundial no perodo, com 50% do mercado mundial. . O fim do trfico (1850): O Brasil se comprometeu vrias vezes antes de 1850 a acabar com o trfico de escravos, mas o Estado nunca se empenhou. A Inglaterra, interessada no alargamento do mercado brasileiro com o fim da escravido, pressionava insistentemente o Brasil para pr fim ao trfico. Em 1845, o Parlamento britnico cria a lei Bill Alberdeen, que permitia aos navios de guerra britnicos a apreenso de navios negreiros brasileiros. Em 1850, aprova-se a apreenso de navios negreiros inclusive em guas territoriais brasileiras, gerando uma srie de incidentes, com troca de tiros em portos, furor nacionalista e pedidos de guerra. 400 navios negreiros brasileiros foram capturados pelos ingleses segundo essa lei. Fruto dessa presso britnica, em 1850, o Congresso brasileiro aprova a lei Eusbio de Queirs, que abole o trfico de escravos. . As ferrovias e outras novidades tecnolgicas: Diversos empresrios e industriais dentre eles o mais rico e mais conhecido, o visconde de Mau interessaram-se pelos capitais dos traficantes de escravos, os homens mais ricos do Brasil. Mau chega a criar um banco de investimento para atrair esses capitais. De fato, o fim do trfico fortaleceu mais ainda os investimentos em indstrias e outros empreendimentos que mercaram o auge do Imprio. So bancos, companhias de navegao a vapor, seguradoras, telgrafos e, principalmente, as ferrovias. A primeira ferrovia foi feita em 1854 e a estrada de ferro Pedro II comeou a ser feita em 1855. Muitos desses empreendimentos tinham a presena preponderante de capitais ingleses. . A lei de Terras (1850): Logo aps a abolio do trfico, foi feita a lei de terras. Essa impedia o acesso de pessoas pobres s terras ao determinar que todas terras devolutas as terras pblicas seriam adquiridas apenas por meio de compra. Ou melhor, no haveria distribuio de terras pblicas. 3. Guerra do Paraguai (1864-1870): . O Paraguai pr-guerra: Ao contrrio do desejo dos grandes comerciantes de Buenos Aires, o vicereinado do Prata se dividiu em trs pases: Argentina, Paraguai e Uruguai. O Paraguai vive, desde sua independncia em 1811, seguidas ditaduras. Prevalecia um sistema de pequenas e mdias propriedades no Paraguai, onde o Estado monopolizava o comrcio exterior baseado em exportaes de erva-mate e couro e tinha controle sobre amplas partes da economia. Para escoar sua produo, o Paraguai tinha que pagar uma taxa Argentina. Tratava-se de uma potncia emergente, que iniciara um processo de industrializao, mandava jovens para estudar no exterior e montava um exrcito com planos expansionistas sobre o Prata. . Causas da guerra: O Brasil j intervir na poltica interna do Uruguai e Argentina com invases militares em 1851-2, complicando a poltica na regio. Outra interveno brasileira no Uruguai em 1864 colocou em perigo a sada do mar para a produo paraguaia. Querendo controlar a sada do rio da Prata, o Paraguai invade o Brasil e a Argentina, objetivando chegar ao Uruguai. . A guerra: Forma-se contra os paraguaios uma Trplice Aliana entre Brasil, Argentina e Uruguai que conta com o apoio ingls. O Brasil passa a lutar sozinho em 1866 e para vencer utiliza o exrcito, a guarda nacional, os voluntrios da ptria, os recrutados e escravos com a promessa da alforria com o fim da guerra. . Conseqncias da guerra: O ditador Paraguaio Solano Lopez no se rende, o que leva a uma guerra longa e extremamente ruinosa para os paraguaios. 95% da populao masculina adulta do pas morre na guerra e 40% do territrio paraguaio anexado por Argentina e Brasil. Morrem 300 mil na guerra. No Brasil, a guerra tinha custado muito caro, aumentado o poder do exrcito e levantado a questo da escravido.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 12 - Decadncia do Imprio 1. Introduo: Existem vrios pequenos fatores que explicam a queda do Imprio, porm h um fator fundamental: o fim da escravido em 1888. O Brasil foi o ltimo pas do mundo a acabar com esta e continuar havendo escravido no pas seria insustentvel. Com o fim desta, cai o grupo de apoio do Imprio, os proprietrios. 2. Fatores da decadncia imperial: . Acirramento das disputas polticas: De 1853 a 1868, prevaleceu a conciliao, onde liberais e conservadores se alternavam pacificamente no poder. Isso termina no meio da guerra do Paraguai levando a um novo momento de acirramento das disputas polticas e radicalizao dos confrontos. . O trfico interno de cativos: Desde 1850 com o fim do trfico de escravos atlntico, tem incio no pas um amplo comrcio de escravos internamente. Existem fluxos: interprovincial, de reas mais decadentes como o Nordeste, para reas mais dinmicas, claramente o Sudeste; intraprovincial, de reas menos dinmicas para mais dinmicas em uma mesma provncia; e interclasses: de classes inferiores para classes dominantes. . Abolicionismo: Aumentam as presses externas e internas pelo fim da escravido. No Brasil, surgem diversos grupos abolicionistas com jornais e atos contra a escravido. Em So Paulo, organizam-se os caifases na dcada de 1880, so homens livres que organizam fugas escravas. Paralelamente a isso, aumentavam drasticamente as resistncias escravas, com vrias fugas, suicdios, assassinatos de senhores e formao de quilombos. . As leis paliativas: Com toda essa presso, o Congresso aprova em 1871 a Lei do Ventre Livre, que liberta os filhos de escravos. O Norte e o Nordeste, j com pouqussimos escravos, votam maciamente a favor e o Rio Grande do Sul e Sudeste votam amplamente contra a lei. Em 1885, aprova-se a Lei dos Sexagenrios, que liberta os escravos com mais de 60 anos que eram pouqussimos, na verdade. . A imigrao: Comea-se a pensar em braos alternativos ao brao escravo. Os proprietrios paulistas passam a trazer imigrantes europeus para trabalhar nas lavouras, com o pagamento das viagens feito pela provncia de So Paulo. Na dcada de 1880, as viagens passam a ser macias. Os imigrantes vm e trabalham em condies pssimas, prximas, na verdade, ao regime escravo. . O movimento republicano: Em 1870 surge no Rio de Janeiro o partido republicano, que logo ganha fora em outros estados. Elementos centrais dentro daquele pensamento republicano eram o federalismo e o positivismo. O republicanismo e o positivismo vo ter grande penetrao no Exrcito. . A questo militar: O imperador se indispe com uma srie de militares simpatizantes abolio e ao republicanismo que haviam deixado claro em pblico essas tendncias simpatizantes. Um dos punidos pelo Imprio por estas tendncias Deodoro da Fonseca, que era presidente da provncia do Rio Grande do Sul e foi destitudo do cargo. . A questo religiosa: Segundo o regime de padroado, o Imprio brasileiro pagava os padres como funcionrios pblicos e interferia diretamente dentro dos assuntos da Igreja no Brasil. D. Pedro II se coloca contra a Igreja quando uma bula papal passa a condenar a maonaria. Bispos brasileiros, seguindo a ordem do Vaticano, haviam suspendido irmandades com maons. D. Pedro II prende estes bispos, dando princpio a uma grande crise entre a Igreja e o Estado e com o pedido de bispos de separao entre Estado e Igreja. . A abolio no Cear e no Amazonas: Com toda a presso interna e externa e com a resistncia escrava, a abolio se tornar inevitvel. Primeiramente, provncias que praticamente no tinham mais escravos abolem unilateralmente a escravido. o caso do Cear e da Amazonas em 1884. . A abolio: Com um afastamento provisrio do monarca, sua filha Isabel manda um projeto para o Congresso com o fim imediato da escravido sem indenizaes. aprovado e tem fim a escravido no pas em 1888. No entanto, a maioria dos escravos brasileiros foi libertada pelas leis paliativas, ou fugiram, ou compraram sua liberdade entre 1850 e 1888. Com a Lei urea, apenas 500 mil escravos so libertados. Isso desfaz a base poltica imperial e vrios fazendeiros do Vale do Paraba viram os republicanos de 14 de maio. . A situao dos libertos: O fim da escravido no Brasil foi feito gradualmente entre 1850 e 1888, constituindo a maior transformao social na histria do Brasil. Isso no quer dizer que esses ex-escravos viraram pequenos proprietrios ou trabalhadores assalariados. Regimes de trabalho opressivos similares escravido prevaleceram no campo, o que fez com que muitos libertos fossem para as cidades. Alguns abolicionistas defendiam uma reforma agrria complementar abolio que desse terras aos libertos. No foi adiante no Imprio nem na Repblica pela obstinada defesa da propriedade pelos parlamentares.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 13 - O surgimento da Repblica 1. Introduo: No houve nada de revolucionrio na proclamao da Repblica, nem se avanou democraticamente com o advento deste regime. Isso fica claro no sufrgio que, segundo novos critrios, fazia com que a Repblica tivesse menos eleitores do que na poca imperial. 2. A proclamao e os governos militares: . A ltima proposta monarquista: Diante de vrias presses por mudanas, o Imperador manda ao Congresso um grupo de reformas que incluam: ampliao do eleitorado para todos os alfabetizados que trabalhassem, autonomia dos municpios, liberdade de culto, Senado no-vitalcio, aperfeioamento do ensino, nova lei de terras facilitando sua aquisio e reduo dos direitos de exportao. Essas reformas, se aprovadas, levariam a um regime mais democrtico e igualitrio do que foi toda a Repblica, porm foi barrado no Congresso pelos senadores. O Imperador, ento, dissolve o Congresso e antes da nova reunio, O Imprio cairia. . Popularidade do Imprio: Apesar de toda a crise, o Imprio estava no auge de sua popularidade, devido abolio. Um grupo abolicionista chamado Guarda Negra, liderado por Jos do Patrocnio, atacava convenes republicanas e apoiava a sucesso da Princesa Isabel. . O golpe: Com o Congresso dissolvido, o general afastado Deodoro da Fonseca lidera o golpe contra o Imprio, criando um governo provisrio (1889-91) e convoca uma Assemblia Constituinte. . As primeiras medidas e a nova Constituio (1891): Logo que a Repblica foi proclamada, Deodoro tomou algumas decises que depois foram respaldadas pela nova Constituio: adoo de federalismo, cidadania aos estrangeiros residente, separao entre Estado e Igreja e casamento e registro civil. . Os grupos republicanos: Havia basicamente dois grandes grupos republicanos. Um era ligado aos interesses dos cafeicultores, majoritariamente os cafeicultores paulistas, era fortemente federalista e defendia poucas mudanas sociais. O outro era o grupo militar, fortemente influenciado pelo positivismo, centralista e defensor algumas reformas sociais. O segundo grupo d o golpe, mas o primeiro d o tom da Repblica. . O federalismo: O federalismo era defendido pelos fazendeiros, em especial os de So Paulo regio onde a cafeicultura mais se expande, desbancando o Rio. Eles se viam prejudicados com a centralizao monrquica e desejavam mais poderes para as provncias agora chamados estados e, principalmente, que a arrecadao dos estados ficassem nos estados. Isso vai acontecer na Repblica, onde toda a arrecadao com as exportaes ficava com o governo estadual e a arrecadao com as importaes ficava com a Unio. . Os governos militares: O grupo dos militares e o grupo dos federalistas, representados no Congresso, logo entram em confronto. Deodoro toma medidas autoritrias, tenta dissolver o Congresso, mas obrigado a renunciar. Seu vice, eleito indiretamente, Floriano Peixoto (1891-4) deveria convocar novas eleies, o que no fez, levando a diversas revoltas pelo pas. . Revoltas: Primeiramente, h o Manifesto dos trezes generais em 1892 pedindo eleies diretas para presidente. Floriano reforma esses generais. No ano seguinte, pelo mesmo motivo, h a Revolta da Armada no Rio de Janeiro e a Revoluo Federalista no Sul do pas, ambas massacradas duramente. 3. O impulso industrializao: . A industrializao: Desde a dcada de 1880, inicia-se no pas especialmente nas cidades do Rio e So Paulo um processo slido de industrializao, em funo da gradual adoo do trabalho livre e da importao de imigrantes. Essas indstrias recebero capital acumulado no comrcio e com a cafeicultura e elas se restringem aos bens de consumo no-durveis: tecidos, bebidas, alimentos etc. No h ainda indstrias de bens de consumo durveis e indstrias de bens de capital relevantes. A produo industrial do Distrito Federal mais importante do que a de So Paulo inicialmente, isso vai se inverter em 1920, quando a indstria paulista supera a carioca. . O encilhamento: O ministro da Fazenda de Deodoro da Fonseca era rui Barbosa, um importante intelectual liberal. Ele adota uma poltica emissionista para desenvolver a industrializao no pas e aumentar a arrecadao do Estado, o encilhamento. H, de fato, um impulso indstria no perodo, mas tambm uma grande especulao.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 14 - A Repblica oligrquica 1. Introduo: Aps a sada dos militares do poder e a chegada dos civis em 1894, h a vitria do grupo liberal e federalista dos cafeicultores, o projeto destes imposto como um todo. Uma repblica baseada nos poderes locais e regionais, com pouqussima cidadania e com um liberalismo excludente e autoritrio, que perdura at 1930 com poucas modificaes em seus elementos essenciais. 2. O governo dos cafeicultores (1894-1930): . Grandes cafeicultores: A base de sustentao de todo esse regime oligrquico vai ser os grandes fazendeiros, em especial os cafeicultores e dentro deste grupo, principalmente os cafeicultores paulistas. . Poltica dos governadores: Foi criada pelo segundo presidente civil eleito diretamente, Campos Sales. Essa poltica tinha por objetivo excluir os conflitos entre a esfera estadual e a esfera nacional e tambm o conflito entre os trs poderes. O presidente da Repblica apoiaria as oligarquias regionais a elegerem seus governadores e estes garantiriam a eleio de parlamentares afinados com o presidente da Repblica. O presidente, assim, tinha base no Congresso e as oligarquias se perpetuavam no poder estadual. . Poltica do caf com leite: O Partido Republicano era o maior partido do pas, no entanto, ele era dividido em partidos estaduais. Assim existia o Partido Republicano Paulista PRP , o Partido Republicano Mineiro PRM etc. Esses dois estados, Minas e So Paulo, tinham as oligarquias mais fortes e eram os estados mais populosos, com mais votos. Assim, os lderes do PRP e PRM passaram a se revezar na presidncia da Repblica, na chamada poltica do caf com leite. . Justia eleitoral: Essa mais uma caracterstica poltica da Primeira Repblica. No existia Justia Eleitoral nessa poca, mas sim uma Comisso de Verificao, fiscalizada pelo Legislativo e pelo Presidente da Repblica. Logo, a fiscalizao sempre apoiava o poder oligrquico local. . Coronelismo: O termo coronel vem da patente na extinta Guarda Nacional. Esses coronis da Repblica Velha tinham um poder sobre os eleitores locais e impunham esse poder com a ajuda de jagunos. Esse poder local era facilitado pela inexistncia ainda da radiodifuso. Os coronis ganhavam algo em troca dos governantes pelo voto em favor destes. Havia muita fraude e muitos eleitores fantasmas. Os governantes ainda beneficiavam suas famlias e havia muito nepotismo. A cidadania era extremamente restrita. 3. O governo para os cafeicultores: . Funding loan: O Estado brasileiro se endividou bastante no incio da Repblica Velha e a arrecadao era pouca, j que vinha apenas das importaes. Para pagar essas dvidas, o governo teve que apelar para um funding loan, que uma forma de rolamento da dvida. O governo pegou um emprstimo de consolidao para pagar dvidas anteriores em 1898. Como hipoteca desse emprstimo o governo colocava a renda da alfndega, ou melhor, se o pas no conseguisse pagar a dvida, o governo assegurava que os credores poderiam ficar com a renda dos impostos de importao. . As valorizaes: Com o aumento descontrolado da produo de caf, o preo do produto no mercado internacional cai a valores baixssimos. Em 1906, para resolver o problema, os governadores de So Paulo, Minas e Rio os maiores produtores de caf renem-se em Taubat e decidem pela primeira poltica de valorizao do caf. Segundo esta, esses governos estaduais comprariam a produo excessiva e aumentariam impostos para novas produes. 8,5 milhes de sacas foram compradas entre 1906 e 1910. . A diversificao nas exportaes: O Brasil na Primeira Repblica passa a exportar outros produtos antes no exportados. Assim, a borracha amaznica exportada. O cacau, o algodo e o fumo alm do acar no Nordeste. Alm dos produtos tradicionais da pecuria, o Sul passa a exportar a erva-mate. Porm, mesmo com toda essa diversificao, o caf era o principal produto de exportao brasileiro, fornecendo o pas 60% do mercado mundial do produto. . Industrializao limitada: A industrializao no perodo, como j foi assinalado, era limitada. Alm disso, era dependente da importao de mquinas estrangeiras. O governo ajudava um pouco aumentando taxas de importao de produtos que competiam com a indstria nacional. A limitao e a dependncia da industrializao nacional ficaram patentes com a Primeira Guerra Mundial (1914-8), quando o pas teve dificuldade de conseguir mquinas, equipamentos e matrias-primas no mercado internacional. O resultado foi uma estagnao no perodo, com uma leve reduo da produo industrial em 1918.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 15 - As Rebelies da Repblica Velha 1. Introduo: Toda a imposio dessa repblica oligrquica excludente e esse cerceamento da cidadania no iriam ficar sem reposta das classes populares. Vrias so as revoltas contra a nova ordem antes da dcada de 1920 e muitas mais depois disso que veremos na aula seguinte. Algumas de enorme tamanho, como o Contestado. 2. Revoltas rurais: . Canudos (1893-97): Assim como o Contestado, essa uma revolta rural, contra a oligarquia e com caractersticas messinicas, com uma religiosidade acentuada. . Canudos, local livre do mandonismo: Desde 1870, o beato Antnio Conselheiro percorria o serto nordestino com seus fiis construindo instituies como igrejas, escolas e orfanatos. Ele e seus fiis se instalam em Canudos, serto baiano, formando uma vila com autonomia das oligarquias e produo prpria. . O cerne da questo: Muitos camponeses e empregados de fazendeiros vo para o arraial de Canudos e l so recebidos. Isso fere o interesse dos fazendeiros da regio, que comeam a se ver sem braos em suas fazendas. Tantas pessoas para l foram que a cidade chegou a ter quase 30 mil habitantes. A Igreja Catlica passa a condenar Conselheiro e os fazendeiros pedem a interveno militar no local. . A represso: So mandadas quatro expedies para o local e a populao do arraial resiste. Faz-se uma propaganda de que se tratava de uma resistncia monarquista, o que no era verdade. A quarta expedio com 8 mil homens do exrcito massacra o arraial em 1897. . Guerra do Contestado (1912-6): Trata-se da maior revolta do perodo, ocorre na divisa entre Paran e Santa Catarina, em uma regio contestada pelos dois estados. Assim como Canudos, uma revolta contra o mandonismo local e messinica, sendo a comunidade do grupo profundamente religiosa. . A comunidade: Os monges Joo Maria e depois Jos Maria lideram um grupo de pessoas desalojadas pela construo de uma ferrovia, eles so expulsos de todos os lugares que vo. Eles se instalam em um local, fundando l uma cidade santa, onde fazem sua produo e tambm saques nas regies vizinhas. A comunidade sofre sucessivas incurses at ser massacrada em 1916. . Cangao ou banditismo social (1870-1940): caracterstico do Nordeste e constitudo por pessoas que saqueavam para poder viver. Seu expoente maior foi Lampio, que atuou na regio de 1920 a 1938. 4. Revoltas urbanas: . Revolta da Vacina (1904), as epidemias no Rio de Janeiro: Durante toda a segunda metade do sculo XIX, a cidade do Rio de Janeiro foi lugar de vrias epidemias terrveis de varola, febre amarela, peste bubnica e clera. Milhares de pessoas morriam e no se conseguia erradicar essas doenas. . As reformas Pereira Passos: Rodrigues Alves (1902-6) foi eleito com o projeto de melhorar o porto e sanear a cidade do Rio de Janeiro. Ele indica como interventor da cidade prefeito no eleito Pereira Passos e Oswaldo Cruz para resolver o problema da sade. A principal reforma a construo de um novo e moderno porto na cidade. Porm a reforma inclui construo de amplas avenidas, desmontes de morros e caa aos cortios. As pessoas que viviam nos lugares onde passavam as avenidas projetadas seriam deslocadas fora. Na parte da sade, houve a caa aos ratos e decidiu-se pela vacinao obrigatria contra a varola. . A revolta: A campanha da vacinao obrigatria no teve um esclarecimento prvio da populao e esta duvidava da real capacidade da vacina. A populao, com o acmulo da deciso de expulso de seus lares e obrigao da vacina, revolta-se. Criou-se uma liga contra a vacinao obrigatria, inclusive com a presena de polticos. A insurreio contou com revolta militar, barricadas nas ruas, depredao de bondes, de lojas e rgos pblicos. Houve grande represso, mas a obrigatoriedade da vacina deixou de existir. . Revolta da Chibata (1910), as condies dos marinheiros: Os homens da marinha eram muitas vezes recrutados fora dentre os vagabundos. A posio deles dentro do corpo militar da marinha era similar a de escravos, inclusive com castigos fsicos, em especial, as chibatadas. . A revolta: Os marinheiros de quatro navios se revoltam, matam seus superiores e fazem duas exigncias apenas: o fim dos castigos fsicos e a melhoria da alimentao. Sob a liderana de Joo Cndido, ameaam bombardear a cidade. . Concluso do movimento: O governo aceita as exigncias e concede anistia aos revoltosos. Terminada a rebelio, todos os revoltosos so presos ao contrrio da garantia dada. Muitos deles morrem nas prises.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 16 - A Crise dos Anos 20 1. Introduo: Apesar de importantes e grandiosas, as rebelies vistas anteriormente no tinham objetivo nem projeto para superar aquela Repblica corrupta e elitista. J nos anos 20, de todos os lados vm crticas e projetos alternativos Repblica liberal. Esses movimentos vo desembocar na Revoluo de 1930. 2. Sintomas da crise: . As novas valorizaes: Houve mais dois perodos de valorizao do caf, de 1917 a 1920 e de 1921 a 1930. A produo de caf s aumentava e no havia margem no mercado internacional para absorver toda esta produo. A valorizao inclui uma poltica emissionista e desvalorizao cambial, o que acarreta uma carestia. Ou melhor, toda a populao pagava pela valorizao, o que foi motivo de indignao e revoltas. . O tenentismo: Este movimento constitudo pela classe mdia e por militares indignados com as estruturas polticas da Repblica Velha. Trata-se de um movimento elitista, autoritrio, nacionalista e centralista. Vai ter grande adeso nas oligarquias dissidentes. . O governo Artur Bernardes (1922-6): O PRP e o PRM arranjam a eleio do mineiro Artur Bernardes para presidente em 1922 e do paulista Washington Lus em 1926. As oligarquias gacha, baiana, pernambucana e fluminense se revoltam contra o arranjo e tentam impedir a posse de Bernardes. Esse assume e declara estado de stio. D-se uma srie de revoltas tenentistas como a dos 18 do Forte e a Coluna Prestes. . A Coluna Prestes (1925-6): Duas revoltas tenentistas se formam em So Paulo e no Rio Grande do Sul. Os dois grupos se juntam e fazem a Coluna Prestes, sob liderana do militar Lus Carlos Prestes. Essa coluna percorreu o interior do pas lutando contra os exrcitos legalistas, obtendo seguidas vitrias. Desfez-se depois. Os membros da coluna defendiam o voto secreto, o fim das fraudes eleitorais, o castigo para os corruptos e a liberdade para os presos polticos de 1922, dentre eles membros da revolta dos 18 do forte. . A semana de arte moderna: Tido como um grande marco na histria da arte no pas, aconteceu em So Paulo e trouxe as novas tendncias modernistas da arte. Rompia-se com o simbolismo e o parnasianismo e havia grande influncia das novas tendncias da arte internacional. Parte desses artistas engajada e critica a Repblica em suas estruturas polticas. Outra parte no mistura arte com poltica e defende a arte pela arte. 3. O movimento operrio na Primeira Repblica: . Surgimento do operariado: Com a industrializao do pas a partir de 1880, surge o operariado. H grande presena de estrangeiros entre os operrios, principalmente portugueses, italianos e espanhis, mas h tambm um grande contingente de trabalhadores nacionais. . Situao dos operrios: Era terrvel, trabalhavam 12 a 14 horas, inclusive mulheres e crianas que eram abusados por patres e mestres. As condies de sade eram ruins, havendo doenas, como a pneumonia nas fbricas de vidro. A nica lei trabalhista at 1930 foi a da regulamentao do trabalho infantil de 1927. . A posio do governo: A cartilha do liberalismo excludente valia inteiramente na questo do movimento operrio. No se coibia a formao de sindicatos e tambm no havia legislao trabalhista, a relao entre capital e trabalho era tida como questo privada. Greve e outros protestos operrios eram questo de polcia. . O movimento operrio: Mesmo com a liberdade de ao e pssimas condies de trabalho, o movimento operrio no teve muita fora no Brasil neste perodo devido existncia de diversos estrangeiros e trabalhadores nacionais, possibilidade de ascenso social, vestgios da escravido, racismo e represso. . Anarquismo: Foi o grupo mais forte no movimento operrio at os anos vinte, principalmente em So Paulo. Organizaram a grande greve de 1917. Defendiam: a liberdade total do indivduo, a cooperao voluntria, a ao direta, o fim do Estado e de toda a forma de poder e hierarquias. Eram obreiristas e insistiam em temas com pouca adeso nas classes populares, como anticlericalismo e antimilitarismo. . Socialismo: Assim, como os trabalhistas, eram menos numerosos que os anarquistas. Defendem: reformas trabalhistas, reformas dentro do sistema, sufrgio universal, distribuio de renda, divrcio, imposto de renda e imposto sobre herana. . Trabalhismo: Uma espcie de socialismo reformista, foi importante no Rio de Janeiro. Defendia a cooperao entre empresrios e patres e ganhos graduais conseguidos em reivindicaes pacficas. . A fundao do PCB (1922): Com a Revoluo Russa de 1917, o movimento comunista ganha fora no mundo em detrimento de outras vertentes operrias. Assim, anarquistas e outros fundam o Partido Comunista do Brasil em 1922, vinculado ao Komintern. E tentam se vincular aos movimentos operrio e campons.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 17 - A Revoluo de 1930 1. Introduo: Essa revoluo marca o fim da Repblica Velha e suas podres estruturas polticas. Trata-se de um dos maiores marcos na histria brasileira dentro do sculo XX. Caem as antigas oligarquias e agora o Estado ser incentivador da industrializao, que se diversificar. 2. A crise de 1929 e o golpe de 30: . A crise de 29 e o Brasil: A crise de 1929 e depresso dos anos 30 foi a maior crise do capitalismo de todos os tempos. Comea nos EUA e espalham-se por todo mundo, afetando todos os pases capitalistas. As exportaes de caf do Brasil despencam, dando um duro golpe nos cafeicultores. Decide-se pela queima do caf. Isso, porm, no um fenmeno unicamente brasileiro, o trigo queimado na Frana, o gado abatido na Argentina, na Holanda e na Dinamarca, nos Estados Unidos, joga-se leite fora e desmontam-se carros. . Governo Washington Lus: O governo Washington Lus (1926-30) no tinha corrido pacificamente aps o turbulento governo Artur Bernardes (1922-6). Muito pelo contrrio, em 1927 o governo promulga a Lei Celerada que censura a imprensa e restringe o direito de reunio. Ele pretendia assim calar seus oponentes. . Questo sucessria: O presidente indica um paulista pra lhe suceder Jlio Prestes , quebrando o pacto do caf-com-leite. Ele pretendia com isso que a poltica de valorizao do caf no fosse desfeita. . A Aliana Liberal: O presidente de Minas e membro do PRM, Antnio Carlos, alia-se aos gachos e paraibanos, fundando a Aliana Liberal, que lana o gacho Getlio Vargas para presidente. A Aliana Liberal defendia uma srie de reformas: voto secreto, anistia poltica, leis trabalhistas e assistncia ao trabalhador. . Golpe de 30: Como Jlio Prestes vence e o vice da chapa de Getlio Vargas assassinado aps as eleies, a Aliana Liberal junto com o grupo tenentista do Exrcito toma o poder, empossando Vargas provisoriamente. O golpe dado, portanto, por oligarquias dissidentes aliadas dos tenentes. 3. As primeiras medidas do governo provisrio: . Os interventores: Vargas teria um primeiro governo provisrio, de 1930 a 1934. Logo aps o golpe, ele indica lderes tenentistas como interventores nos governos estaduais. H uma forte aliana nesse momento entre essas oligarquias dissidentes e os tenentes, aliana que depois ser desfeita. . A nova postura ante o trabalho: Em 1930 ainda, Vargas reformula a mquina do governo, criando o Ministrio do Trabalho, Indstria e Comrcio. O que era antes questo de polcia passa a ser questo poltica, dentro da esfera do Estado. . O novo cdigo eleitoral: Em 1932 publicado o Novo Cdigo Eleitoral, que sepultaria toda a estrutura poltica da Repblica Velha. Nele, previa-se o voto secreto, o voto feminino e representao classista representao de deputados eleitos pelos sindicatos de trabalhadores e sindicatos patronais. . Os institutos: Outra ruptura na ao do Estado fica clara na criao dos institutos de planejamento e assessoramento tcnico. So eles: Instituto Brasileiro do Caf (IBC), Instituto do Acar e do lcool (IAA), Instituto Nacional do Mate (INM), Instituto Nacional do Pinho (INP) etc. Esses institutos eram rgos do Estado que deveriam planejar a produo e assessorar produtores, o que destacava uma nova funo do Estado ante a agricultura e o problema da superproduo agrcola. . Revolta constitucionalista: Em 1932, os antigos oligarcas paulistas exigem um interventor paulista e civil no governo do estado de So Paulo. Vargas atende apenas primeira exigncia e So Paulo faz a sua Revoluo Constitucionalista que esmagada em trs meses pelas foras nacionais. O enfrentamento com So Paulo representa uma forte ruptura com a Repblica Velha. . O rompimento com os tenentes: Vargas rompe com os membros do tenentismo durante a revolta de 1932, j que estes se recusaram a reprimir a revolta paulista. O tenentismo perde fora depois disso e vai se dissolver nos grandes movimentos polticos nacionais dos anos 30.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 18 - Os governos Vargas: governo constitucional e movimentos polticos 1. Introduo: O mundo passa por grandes transformaes aps o fim da Primeira Guerra Mundial e mais fortemente ainda depois da crise de 29. O mundo do entre-guerras descrente no liberalismo e altamente radicalizado, polarizado entre os fascismos e o movimento comunista internacional. O Brasil no ficar fora dessa radicalizao, surgem dois grandes movimentos nacionais, a AIB de direita e a ANL de esquerda. 2. O governo constitucional (1934-7): . A nova Constituio (1934): De acordo com o novo cdigo eleitoral, elege-se uma Assemblia Constituinte em 1933 que cria a nova Constituio. O federalismo seria mantido, o primeiro presidente seria eleito indiretamente pela Assemblia e o segundo, eleito diretamente. Alm disso, a nova Constituio cria a Justia do Trabalho, inibe a imigrao, cria uma legislao trabalhista, reafirma o novo cdigo eleitoral, estatiza o subsolo, nacionaliza a imprensa e prev a estatizao de empresas nacionais e estrangeiras quando do interesse da nao; ensino pblica bsico obrigatrio. certamente uma Constituio mais nacionalista e voltada para os trabalhadores. Vargas seria eleito pelo Congresso em 1934. . A legislao trabalhista: A parte da legislao referente aos direitos trabalhistas previa: regulamentao dos sindicatos, do trabalho infantil e do trabalho feminino; proibio da diferenciao salarial por sexo, idade, nacionalidade ou estado civil; so previstos salrios mnimos regionais; carga de 8 horas de trabalho por dia; descanso semanal; frias anuais remuneradas; indenizao em caso de demisso sem justa causa; regulamentao das profisses e proibio do trabalho infantil abaixo de 14 anos. . Lgica da legislao trabalhista: No se pode pensar, no entanto, que os congressistas deram isso aos trabalhadores. Em primeiro lugar, essas eram velhas exigncias dos trabalhadores, havia muita presso destes para a criao dessas leis. Em segundo lugar, em uma sociedade capitalista preciso criar condies mnimas e salrios mnimos para que os trabalhadores possam gastar para que no haja crises de superproduo de forma to abundante. . Sindicalizao autoritria: Outra caracterstica da nova legislao trabalhista era o atrelamento dos sindicatos ao Ministrio do Trabalho. Todo sindicato que existisse tinha que ser registrado neste ministrio e era por este fiscalizado. O governo iria criar um forte controle sobre os sindicatos, indicando os presidentes dos principais sindicatos, paralisando as exigncias dos trabalhadores. Alm disso, perseguia os que fossem contra essas medidas. 3. Os grandes movimentos polticos: . Os grandes movimentos polticos do perodo: Alm de serem fortemente ideolgicos, de direita e de esquerda, a AIB e a ANL tm outra novidade. Ambos trazem contedos programticos nacionais, ao contrrio dos antigos partidos estaduais da Repblica Velha. . A Ao Integralista Brasileira (AIB): Surgida em 1932 com a publicao do Manifesto Nao Brasileira feito pelo lder do movimento, Plnio Salgado, um ex-membro do PRP. Era um fascismo adaptado ao Brasil, com apenas pequenas modificaes. Defendia os valores da ptria, famlia e propriedade e era anti-comunista. Inclua membros da antiga oligarquia, a alta hierarquia militar, o alto clero e uma parcela significativa das classes populares. Por isso, chegou a ter 500 mil membros. Tinha ainda a simpatia de Getlio Vargas, tendo membros dentro do governo. De 1932 a 1935, reprimiu manifestaes de esquerda com grupos paramilitares, de forma similar ao praticado pelo movimento fascista italiano. . A Aliana Nacional Libertadora (ANL): Esta surge como reao AIB e fundamentalmente de esquerda. Tem como seu presidente de honra o lder tenentista depois adepto do comunismo Lus Carlos Prestes. O PCB se articulava dentro da ANL. Essa organizao teve muito menos adeso numrica do que a AIB, tendo um mximo de apenas 50 mil membros. Havia choques na rua entre a AIB e a ANL. . Insurreio Comunista de 1935: Chamada pejorativamente de Intentona, foi um movimento partido de dentro da ANL que tentou tomar o poder. Tinha Prestes como lder e articulador dos setores militares. A insurreio toma o controle da cidade de Natal e mobiliza foras em Recife, Olinda e no Rio de Janeiro. Foi facilmente debelado pelo Exrcito. . Plano Cohen (1937): Chegando perto do fim do seu mandato, Vargas forja o que seria um plano comunista para tomar o poder, o Plano Cohen. Ele pede estado de guerra ao Congresso e este concede. Depois, ele fecha o Congresso, anuncia uma nova Constituio e extingue os partidos, a AIB e a ANL.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 19 - O Estado Novo 1. Introduo: Em 1937, o pas entra na pior ditadura j vivida at ento. Opositores do regime e lderes de trabalhadores so presos e torturados. A imprensa ser censurada e os direitos bsicos violados. H forte influncia do fascismo nas prticas polticas do Estado Novo. Forja-se um novo modelo de poltica, o populismo, que dar o tom da poltica brasileira at 1964. 2. Caractersticas do Estado Novo (1937-45): . Constituio outorgada (1937): Esta aumentava o poder do Executivo, que ganha poder sobre estados e, volta e meia, Vargas ainda nomeia interventores estaduais. O Legislativo continua a existir, mas presidido pelo presidente e era eleito indiretamente. A Constituio deveria sofrer plebiscito popular, o que no ocorreu. . A censura: A imprensa passou a ser censurada, como previa a prpria Constituio de 37. A censura ficava a cargo do recm-criado Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). O caso mais severo de censura foi o do Estado de So Paulo, que chegou a ser confiscado. . A polcia secreta: Lderes polticos, como Prestes, foram presos, torturados e, muitas vezes, mortos. O chefe da polcia secreta o tenente Filinto Muller que , tambm, ex-membro da Coluna Prestes. As greves foram proibidas, o movimento operrio no-filiado perseguido e seus lderes punidos. . O imposto sindical: Outra medida de controle do movimento operrio foi o imposto sindical compulsrio, onde todos os trabalhadores formais deveriam pagar o equivalente a um dia de trabalho por ano para o Ministrio do Trabalho, de onde parte era repassada aos lderes sindicais. . A propaganda oficial, valorizao do trabalho: O mesmo DIP era responsvel tambm pela propaganda de Estado. A figura de Vargas explorada como o pai dos pobres e coisas do gnero. criado o programa de rdio Hora do Brasil, passado em rede nacional em horrio nobre com notcias do governo e do pas feitas pelo DIP. Ainda, h uma ideologia de valorizao do trabalho e do trabalhador e desvalorizao do malandro. . O papel diferente do Estado: O Estado passa a dotar uma postura mais centralizadora, intervencionista e planejadora. Novos impostos so criados, como o imposto de renda. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) criado em 1938, dando mais informaes sobre o pas. E criado tambm o Departamento Administrativo do Servio Pblico (DASP), que centralizava a administrao pblica. . O novo modelo de industrializao: O Estado passa a adotar uma poltica intervencionista e planeja o desenvolvimento. Alm disso, toda a legislao trabalhista fortalecia o mercado interno. Vargas monta um plano qinqenal com enfoque na indstria de base em 1939 prevendo: uma indstria siderrgica, uma fbrica de avies, construo de hidreltricas, ferrovias, uma hidrovia no vale do So Francisco e compra de navios e avies de guerra alemes. A Segunda Guerra Mundial iria ajudar o seu plano de industrializao e o Brasil exportou pela primeira vez na histria bens industrializados ao longo da guerra. . As estatais: Seguindo o plano qinqenal, vrias empresas estatais foram criadas em reas que no havia capital nacional suficiente. Foram criadas: a Vale do Rio Doce em 1942 que explorava os minrios nacionais; a Fbrica Nacional de Motores em 1943 na cidade do Rio; a lcalis em 1943, uma indstria qumica; a Companhia Hidreltrica do So Francisco em 1945; e, finalmente, a Companhia Siderrgica Nacional CSN em 1941 na cidade de Volta Redonda com emprstimos norte-americanos. A CSN se ligava produo da Vale por ferrovia e recebia o carvo de Santa Catarina pelo mar, trazido em ferrovias do Rio de Janeiro. . A Consolidao das Leis Trabalhistas (CLT): Toda legislao trabalhista, mais alguns benefcios, como o salrio mnimo nacional de 1940 , foram reunidos em 1943 na CLT. Essa s protegia os trabalhadores urbanos, os rurais no gozam dos mesmos direitos. . O Brasil na Segunda Guerra: Havia dentro do governo uma diviso entre ministros e altos funcionrios que tendiam para o Eixo e outros que tendiam para os EUA durante a 2a Guerra. Vargas aproximou-se dos EUA aps receber o emprstimo de um banco norte-americano para a construo da CSN e ao perceber que poderia ser invadido por tropas daquele pas. Em 1942, libera Natal e Fernando de Noronha para a presena de militares norte-americanos e aps perder 18 navios, declara guerra ao Eixo. O Brasil ajuda com matriasprimas e com a Fora Expedicionria Brasileira FEB , fora com 23 mil homens que foi lutar na Itlia. . A cultura no Estado Novo: O perodo 1934-45 chamado de Tempos Capanema na rea da cultura, devido ao desse ministro no Ministrio de Educao e Sade (MES). Ele imps uma autoritria poltica cultural em um modelo nacional que unia hierarquicamente o erudito e o popular. Houve ainda um grande incentivo educao bsica no perodo.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 20 - A Repblica de 1945 1. Introduo: A Repblica que vai de 1945 a 1964 uma continuao de certas prticas polticas e da lgica do Estado Novo (1937-45). O que prevalece nos dois perodos o populismo. Este um fenmeno latino-americano de meados do sculo XX. Nele, h a manipulao da massa trabalhadora por lderes polticos, mas ao mesmo tempo, h o reconhecimento da cidadania desses trabalhadores, havendo concesses aos mesmos. 2. A queda de Getlio: . Os ares da redemocratizao: Em 1943, com a derrota alem em Stalingrado, a invaso do Sul da Itlia pelas tropas aliadas, e a vitria sobre os japoneses em Midway, fica clara que a vitria aliada na Segunda Guerra seria apenas questo de tempo. Os lderes aliados passam a ter reunies peridicas para decidir pelo futuro da Europa e do mundo. A vitria sobre o nazismo e o fascismo representava a vitria da democracia sobre ditaduras ultra-autoritrias. H um vento de democratizao no mundo. Com as tropas brasileiras lutando ao lado das foras democrticas contra o fascismo, inicia-se uma presso pela democracia no Brasil. . A presso interna pela democracia: Nesse mesmo ano de 1943 surge uma oposio a Vargas que exige a democracia. Este a promete para o fim da guerra. Acabando a guerra em 1945, h grandes agitaes nas cidades pela democratizao do pas. Vargas d a anistia aos presos polticos. . Os novos partidos: Nesse contexto, ressurgem os partidos no pas. Do prprio aparato do Estado Novo, surgem o PSD Partido Social Democrtico e o PTB Partido Trabalhista Brasileiro. O primeiro era composto por grandes proprietrios e era ligado a Getlio, foi o partido mais forte durante a nova democracia. O PTB tambm vem do aparato governamental, constitudo por sindicalistas e simpatizantes da causa trabalhista. A UDN Unio Democrtica Nacional um partido elitista assim como o PSD e forte, porm duramente anti-getulista. Da UDN depois surgir o PSB Partido Socialista Brasileiro. Ainda, o PCB legalizado. . O queremismo: Um grupo de trabalhistas cria o movimento Queremos Vargas ou queremismo, defendendo a continuidade de Vargas no poder. O PCB apia o movimento, inclusive o seu lder recmliberto pela lei de anistia, Lus Carlos Prestes. Isso se deve a uma orientao do Komintern de se apoiar frentes nacionais anti-imperialistas e anti-fascistas. . A queda de Getlio Vargas: Vargas derrubado em outubro de 1945 e o poder vai provisoriamente para o poder Judicirio. Este convoca a nova Assemblia Constituinte e novas eleies. O ex-ministro do Estado Novo, o general Eurico Gaspar Dutra eleito presidente pela chapa PSD-PTB. 3. O governo Dutra: . A nova Constituio: A Constituio de 1946 diminui novamente o poder do Executivo, onde os ministros devem prestar contas ao Legislativo e permitindo ainda o mecanismo das Comisses Parlamentares de Inqurito as CPIs. A carta mantm a legislao trabalhista do perodo varguista. . O alinhamento na Guerra Fria: Por deciso do presidente, o pas se alinha ao bloco dos Estados Unidos nesse perodo. O pas faz um tratado de assistncia mtua e acordos militares com os EUA. Seguindo a lgica do alinhamento, o Brasil cortou relaes diplomticas com a Unio Sovitica e levou o PCB ilegalidade em 1947. . A abertura econmica: Dutra recebeu uma economia bem organizada, saneada e com ampla possibilidade de crescimento. Vargas havia criado um modelo de desenvolvimento baseado no capital estatal e no capital privado nacional, com uma participao menor do capital internacional. Seguindo a lgica do alinhamento, ele abre a economia para as multinacionais, enfraquecendo o empresariado nacional. Mesmo assim, o crescimento econmico no perodo foi altssimo. . O salrio-mnimo: Apesar de todo o crescimento econmico e desenvolvimento em geral, Dutra congela o valor do salrio-mnimo em sua gesto, fazendo esse salrio se desvalorizar. Este surgiu um 1940 e equivaleria a R$828,00 este e todos os outros valores so equivalentes ao Real de 2004. O salrio-mnimo retoma o seu valor no perodo entre 1952 e 1964, chegando ao pice de R$1.036,00 em 1957. Aps o golpe de 1964, o salrio-mnimo seria novamente congelado por 8 anos, chegando ao final da ditadura com um valor prximo ao atual.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 21 - A Repblica populista, nacionalismo econmico 1. Introduo: Vargas voltaria ao poder eleito pelo voto popular em 1951, ficando at 1954. Ele retoma uma poltica de desenvolvimento autnomo nacionalista com amplas concesses s classes populares. Acaba gerando uma forte oposio ao seu projeto, dentro e fora do pas. O desfecho dessa histria bem conhecido. 2. A volta de Vargas ao poder: . A eleio de Getlio Vargas: Vargas que estava em exlio poltico em sua cidade natal, So Borja lana-se a presidente da Repblica em 1951 pelo PTB, sem o apoio do PSD, e vence. . O projeto nacionalista: Vargas cria um amplo projeto de desenvolvimento de carter fortemente nacionalista, que priorizaria o fortalecimento do capital nacional. Passa a adotar uma poltica externa mais independente, sofrendo retaliaes do presidente norte-americano, Esienhower. Este rompe o acordo de desenvolvimento com o Brasil. . A aliana com os trabalhadores: Vargas pretendia reforar a aliana populista com os trabalhadores, prevendo novas concesses sociais. Foi nomeado para ministro do Trabalho Joo Goulart, que chegou a criar um projeto de aumento de 100% do salrio mnimo, no aceito pelo Congresso. . O BNDE: criado no governo Vargas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico (BNDE) que depois foi acrescido de um s de social e passou a se chamar BNDES. Este passou a ser, a partir de ento, um dos principais mecanismos de investimento e desenvolvimento, principalmente para o capital nacional. Ele usa recursos da Unio e de impostos trabalhistas e empresta para projetos de investimento. . A Petrobrs: O pice do projeto nacionalista de Vargas foi a criao da Petrobrs em 1953, empresa estatal que teria o monoplio sobre a explorao do petrleo no pas. Esse monoplio s deixou de existir no primeiro governo FHC. . O projeto inconcluso da Eletrobrs: Vargas criara ainda um projeto de uma ampla estatal, a Eletrobrs, que seguiria o exemplo da Petrobrs, unificando o sistema de gerao e distribuio de energia no pas. No chegou a ficar pronto, mas a empresa foi criada na ditadura militar. . A oposio ao nacionalismo: H uma forte oposio ao projeto de Vargas, tanto dentro como fora do pas. Essa oposio conservadora , muitas vezes, ligada ao capital internacional. A principal figura dessa oposio era Carlos Lacerda, jornalista do Rio de Janeiro, membro da UDN. . O suicdio: Lacerda sofre um atentado perto de sua casa, morrendo um militar que estava com ele. Descobre-se que o atentado tinha sido forjado pelo chefe da segurana pessoal de Vargas, o que leva ao pedido de renncia de Getlio. Havia ainda denncias de corrupo no governo. Membros da alta cpula militar exigem a renncia de Vargas. Este, ento, suicida-se, causando um grande alvoroo popular na cidade do Rio de Janeiro. O jornal Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda foi apedrejado pela populao revoltosa e o mesmo Lacerda teve que fugir da cidade temporariamente.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 22 - A Repblica populista, internacionalizao da economia 1. Introduo: O governo Juscelino Kubitschek representa uma forte ruptura com o nacionalismo do segundo governo Vargas. JK abriria a economia para as multinacionais, que estavam em poca de grande expanso pelo mundo. Essas transnacionais se consolidariam na economia nacional, tornando a economia brasileira seriamente dependente a partir de ento. So estas mesmas multinacionais que iro exigir o golpe em 1964. 2. A abertura e o desenvolvimento no governo Juscelino Kubitschek (1956-60): . A eleio de Juscelino: Uma srie de presidentes governou legalmente at que novas eleies fossem feitas. Nessa nova eleio, vence JK pela chapa PSD-PTB com uma bandeira de desenvolvimento. . A tentativa de golpe antes da posse: A oposio udenista no aceita a vitria de Juscelino e tenta um golpe antes da posse. Carlos Lacerda forja com lderes militares uma tentativa de golpe, que foi frustrada pelo marechal Lott, que assegurou a posse de JK. . Plano de metas: JK tinha o plano de 31 metas para o seu governo que incluam projetos nas reas de: energia, transporte, alimentao, indstria de base, educao e, o mais importante, a construo de Braslia. Trata-se de um amplo plano de desenvolvimento nacional, que era chamado na campanha de 50 anos em 5. . O capital estrangeiro: O plano fomentou o fortalecimento do capital nacional em algumas reas da economia,mas abriu tambm o pas para o capital multinacional. Vrias indstrias estrangeiras se instalam no pas, principalmente a de produo de bens durveis, com o emblemtico caso da fbrica da Volkswagen. . O desenvolvimento no perodo: A economia realmente deu um salto no perodo, com o cumprimento da maioria das metas e a ultrapassagem das metas em reas da produo industrial. O setor de bens durveis indstria automobilstica e de eletrodomsticos consolida-se no pas. . O novo painel da economia nacional: O governo JK est dentro de perodo de maior desenvolvimento da economia brasileira, o perodo de 1950 a 1980, quando se consolidou a indstria nacional, inclusive com a produo de bens de capital e bens de consumo durveis. A economia passa a ser setorizada de acordo com os ramos de produo e a origem do capital. O capital estatal fica responsabilizado especialmente da produo de bens de capital, o capital multinacional fica fortalecido no setor de bens durveis e o capital nacional privado fica restrito ao setor de bens no-durveis. . A SUDENE: JK criou a Superintendncia de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), com o objetivo de fomentar o desenvolvimento regional dessa regio, altamente empobrecida. O desenvolvimento no perodo JK, no entanto, s gerou mais desigualdades regionais, com o amplo desenvolvimento do Sudeste e nenhum desenvolvimento industrial digno de nota no Nordeste, Centro-Oeste e Norte. 3. As conseqncias malficas do governo JK: . Um desenvolvimento populista: O plano de JK, que saiu da presidncia com um altssimo ndice de popularidade, podia ser politicamente muito positivo, porm no se pode dizer que foi to bom para a economia. Esta teve um pique de desenvolvimento que levou a uma srie de problemas que virariam obstculos ao crescimento econmico futuro. . Corrupo: As vrias obras do governo, especialmente a construo de Braslia, eram acusadas de terem vrias formas de corrupo como: desvio de verbas, licitaes fraudadas, utilizao de materiais caros etc. Esta foi to grande que foi o tema da campanha poltica do vencedor nas eleies seguintes, Jnio Quadros. . Inflao: O crescimento acelerado do perodo, sem estabilidade, gerou uma inflao em seguida. O governo seguinte teve que lidar com esta herana. Essa inflao ainda tira poder de compra do trabalhador e gera concentrao de renda. . Dvida pblica: Os fortes investimentos do Estado e, novamente, a construo da monumental capital consumiram uma soma absurda do dinheiro pblico. Este foi conseguido com emprstimos estrangeiros e nacionais, que geraram uma forte dvida pblica, outro fardo para o governo posterior. . Dependncia: O projeto nacionalista foi claramente abandonado na gesto de Juscelino. A instalao das multinacionais no Brasil levaria definitiva dependncia da economia nacional dos capitais estrangeiros. Alm disso, essas empresas remetem anualmente uma soma elevada de lucros para as suas sedes no exterior. . Recesso: Tudo isso levou a economia a parar de crescer nos anos seguintes ao governo JK. A primeira metade da dcada de 60 de crescimento muito pequeno da economia brasileira, em funo dessa forma populista de desenvolvimento.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 23 - A crise da repblica populista 1. Introduo: O populismo era um sistema poltico que combinava concesses aos trabalhadores urbanos e manipulao poltica dos mesmos. Quando os trabalhadores comearam a fazer uma srie de exigncias que afetariam os interesses das classes dominantes, o sistema foi abandonado. O perodo do governo Jango de forte radicalizao do populismo e dos ganhos populares, o que foi interrompido pelas classes dominantes. 2. O governo Jnio Quadros: . As eleies de 1960: A chapa PTB-PSD lana o marechal Lott para presidente, mas vence o candidato udenista Jnio Quadros por larga margem de votos. Este centrou sua campanha no combate corrupo. . Autoritarismo e conservadorismo: Jnio Quadros h pouco tinha chegado UDN e no se alinhava s posies de polticos tradicionais da UDN, como Carlos Lacerda e Ademar de Barros. Era altamente autoritrio e conservador, tentou controlar os sindicatos, reprimiu revoltas camponesas e prendeu estudantes. . Saneamento econmico: Adotou uma poltica econmica impopular, austera e recessiva para combater a inflao, que inclua: congelamento dos salrios, restrio ao crdito, corte nos subsdios governamentais e desvalorizao da moeda. . Poltica externa independente: Quadros abandonou completamente o alinhamento ao bloco capitalista da Guerra Fria. Reatou relaes diplomticas com os pases do bloco comunista e tentou aumentar de 20% para 50% a taxao da remessa de lucros para o exterior. Ainda, no fim do seu primeiro ano de mandato, condecora Yuri Gargarin e Che Guevara com a ordem do Cruzeiro do Sul. Isso gera a ira da oposio e Lacerda vai TV e diz que Jnio iria cubanizar o Brasil. . Tentativa de golpe: Jnio pressionado pela alta cpula militar a renunciar. Em uma tentativa de golpe, renuncia esperando que o povo o recolocasse no poder com amplos poderes. Porm, o auxlio popular no veio. 3. A difcil posse de Joo Goulart: . O vice Jango: Segundo o sistema poltico da poca, as eleies para presidente eram separadas das eleies para vice. Assim, foi eleito Joo Goulart vice-presidente pelo PTB, chapa poltica oposta UDN. . A tentativa de golpe: Jango se encontrava em uma viagem oficial China e setores do exrcito e da UDN queriam impedir sua posse. Militares forjam um plano de abater o avio onde Jango se encontrava, mas esse escapa da tentativa de assassinato. O presidente interino, um udenista que era presidente da Cmara, passa a prender polticos varguistas, como o marechal Lott. Ainda, declara estado de stio, intervem em sindicatos e jornais. Tudo isso para impedir a posse de Jango. . A Campanha da Legalidade: O governador do Rio Grande do Sul na poca, o petebista Leonel Brizola que era genro de Jango, inicia uma campanha pela posse de Goulart. Adere esta campanha o lder do III Exrcito, a diviso do exrcito no Sul do pas, a mais forte diviso do exrcito brasileiro. Assim, eles conseguem garantir a posse de Jango. . O parlamentarismo: O Congresso, porm, no aceita a posse sem ressalvas. Os parlamentares criam um mecanismo para Jango no ter o poder. Transformam a repblica presidencialista brasileira em parlamentarista, onde o lder maior do pas seria o primeiro-ministro, o lder do Congresso. Assim, estaria limitado o poder de Jango. . Comando Geral dos Trabalhadores (CGT): Nesse perodo, comeam a amadurecer movimentos sociais com uma maior organizao das classes populares, em parte devido crise econmica do perodo e das perdas nos salrios. Um exemplo disso a criao da CGT em 1962, a primeira entidade sindical de carter nacional. . As Ligas Camponesas: Na rea rural tambm os trabalhadores passam a se organizar para conseguir direitos mnimos de trabalho. As Ligas Camponesas so o primeiro movimento rural de massas. . Os novos ganhos dos trabalhadores: Alguns direitos foram conseguidos no perodo e adicionados CLT. So: o 13o salrio de 1962, o salrio-famlia de 1963 e o Estatuto dos Trabalhadores Rurais do mesmo ano. Este ltimo dava aos trabalhadores rurais as mesmas condies trabalhistas que os trabalhadores urbanos. . Plebiscito sobre o parlamentarismo: Com a adoo do parlamentarismo, decidiu-se por fazer um plebiscito popular para aprovar o parlamentarismo. Venceu o presidencialismo em abril de 1963, dando de volta poderes plenos a Jango.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 24 - O golpe de 64 1. Introduo: Acima de tudo, o golpe de 1o de abril de 1964 foi um golpe de classe. Golpe feito pelo grande empresariado nacional e estrangeiro e com o apoio da classe mdia contra as classes populares. Isso ficaria ntido com as primeiras medidas do governo. O pas inteiro entraria em um perodo de trevas e terror. 2. O processo poltico at a derrocada do golpe: . Plano Trienal (1963): Uma das primeiras medidas do governo de Goulart a partir do momento que ele pde governar foi a criao do Plano Trienal, bolado pelo ministro Celso Furtado. O objetivo desse plano era reduzir a inflao e possibilitar a volta do desenvolvimento atravs de uma poltica de austeridade, o que gerou certa insatisfao popular. Mesmo assim, o plano conseguiu reduzir a inflao que estava em 52% em 1962 para 10% em 1965. . Reformas de base: Ainda em 1963, Jango lana o plano das reformas de base. Com isso, ele pretendia ganhar o apoio das classes populares, nas quais ele tentava se apoiar. Ao contrrio de outros lderes populistas, Jango no era autoritrio. As reformas incluam: a reforma agrria, a tributria, a trabalhista e o controle da remessa de lucros para o exterior. Havia ainda, paralelo s reformas de base, um amplo plano de alfabetizao de todos os analfabetos do pas em alguns anos, programa este interrompido pelo golpe militar. . Interesses contrariados: Essas reformas no agradavam certos setores da sociedade. Os grandes proprietrios rurais, principalmente os com latifndio improdutivo, eram contra a reforma agrria. As grandes fortunas do pas eram contra a reforma tributria que iria tirar menos dos assalariados e mais das pessoas com altas rendas. As multinacionais no queriam pagar altas taxas de remessa de lucros para o exterior, da serem elas contra a nova lei de remessa de lucros. Por fim, os empresrios nacionais e estrangeiros no desejavam um avano maior ainda da legislao trabalhista. . Preparao do golpe, o complexo IPES/IBAD: Esses grupos sociais, grandes fazendeiros, empresrios nacionais e empresrios estrangeiros ou empresrios ligados ao capital internacional vo se reunir em dois rgos que vo planejar o golpe e tambm a forma de governo aps o golpe. Vo se reunir no Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e Instituto Brasileiro de Ao Democrtica (IBAD). Haver a presena ainda de membros da Escola Superior de Guerra (ESG) nessas instituies. Ainda, a CIA dar apoio tcnico a estes rgos e o presidente norte-americano John Kennedy d dinheiro aos rgos e a governos estaduais que apiam o golpe, como o de Lacerda na Guanabara e o de Ademar de Barros em So Paulo. . A ESG: A Escola Superior de Guerra fora criada em 1949 no governo Dutra e tinha a participao de militares norte-americanos que prestavam cursos para os militares brasileiros. Os membros dessa escola, que so de altas patentes militares, tm seguidamente posturas anti-nacionalistas e alinhadas com os interesses estrangeiros. Ela vai ser contra os monoplios da Petrobrs e da Eletrobrs durante o governo Vargas. Os lderes dessa escola sero exatamente os militares que daro o golpe e ficaro nos mais altos cargos polticos do pas na poca da ditadura. . Radicalizaes das posies, a esquerda: As esquerdas se mobilizam fazendo greves, passeatas, debates polticos. A UNE ganha fora e passa a apoiar as reformas de base, defendendo reformas na educao e nas universidades. Ainda, a CGT passa a politizar o seu discurso, defendendo a manuteno da democracia e de Jango no poder, alm de defender as reformas de base. A poucos dias do golpe, Goulart faz um discurso na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, onde recebido por uma multido de trabalhadores que o apiam. . Um pas irreconhecivelmente inteligente: Junto com toda essa mobilizao da esquerda, surgem interessantes movimentos culturais que traziam grandes novidades. Assim, surgia no perodo o cinema novo, a bossa nova, o tropicalismo, um teatro engajado etc. . Radicalizao das posies, a direita: Vrios setores da sociedade se voltam contra o governo. Os tradicionais udenistas continuam as suas crticas ao governo, principalmente na voz de Carlos Lacerda. A maioria absoluta dos grandes jornais se volta contra o governo, defendendo abertamente o golpe em seus editoriais. E a classe mdia conservadora tambm se organiza defendendo os valores tradicionais e o fim do governo Jango na Marcha com Deus pela liberdade e a famlia acontecida em So Paulo. Uma marcha anticomunista e pela democracia. . Golpe: Como Jango queria levar as reformas para referendo popular e previa-se uma vitria esmagadora dessas reformas, d-se o golpe civil-militar em 1o de abril de 1964. Um golpe de classe, contra as reformas e contra a democracia.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 25 - Ditadura, panorama poltico 1. Introduo: A grande peculiaridade da ditadura brasileira, que foi uma das vrias existentes na Amrica Latina no perodo, foi que tentou manter uma falsa impresso de normalidade democrtica no pas. Assim, o Legislativo se manteve aberto, assim como o Judicirio e as eleies continuaram a existir, a no ser para presidente e depois para governador e prefeito das capitais. 2. A escalada autoritria da ditadura: . Endurecimento gradual: A ditadura foi aos poucos ficando cada vez mais autoritria. Isso porque como o regime tentava dar uma aparncia democrtica ao pas e tinha dificuldade de ganhar eleies e manter calada a oposio, tinha que apelar a medidas cada vez mais autoritrias. . A falcia da interveno cirrgica: Castelo Branco lidera o golpe militar e torna-se o primeiro presidente da ditadura. Em discurso nao, afirmava que aquele era um contragolpe preventivo e que apenas faria uma pequena interveno para depois entregar o pas de volta aos civis. Uma mentira. . A no-resistncia: Apesar de a direita afirmar que a esquerda estava pronta a dar um golpe, no houve quase resistncia contra o golpe. Jango vai para o Rio Grande do Sul e decide no reagir. Depois, Brizola criaria uma guerrilha na serra do Caparo, entre Minas e Esprito Santo, que logo foi reprimida. . Primeiras medidas: Logo aps o golpe, o presidente dissolveu a UNE, a CGT , as Ligas Camponesas e probe as greves. Ainda, anulou-se a nova lei que sobretaxava a remessa de lucros. O governador de Pernambuco, Miguel Arraes, deposto e preso. O salrio mnimo seria congelado. . AI-1 (1964): O primeiro ato institucional ato expedido pelo presidente que valia como lei legitimava o poder dos militares, cassava os direitos polticos de pessoas e dava incio as prises. . AI-2 (1965): Oposicionistas que foram a favor do golpe, como Juscelino e Lacerda, esperavam se candidatar a presidente em 65, mas logo se percebeu que os militares no planejavam fazer uma interveno cirrgica. Em 65, edita-se o AI-2 que faz novas cassaes, extingue os partidos polticos criando o ARENA e o MDB, impe eleies indiretas para presidente e d amplos poderes ao Executivo. . Congresso dissolvido: Aps o Congresso eleger Costa e Silva como presidente, a Casa se recusa a cumprir uma ordem de Castelo de cassar o mandato de seis deputados e dissolvido pelo presidente. Vrias vezes o Congresso seria dissolvido ao longo da ditadura. Uma nova Constituio feita em 1967, incorporando o AI-1, o AI-2 e a Lei de Segurana Nacional. A eleio para governadores passou a ser indireta tambm. . A oposio ao regime em 1968: Juscelino, Jango e Lacerda formaram a Frente Ampla em 1966, uma frente de polticos para tentar pr fim ditadura. Os trs iriam morrer ao longo da ditadura em acidentes misteriosos. Em 1968, em vrias partes do pas, surgem focos de resistncia como o Congresso secreto da UNE em Ibina, a marcha dos 100 mil aps o assassinato do estudante Edson Lus no Rio. Greves estouram em Minas e So Paulo, mesmo com a proibio destas. No meio de um monte de protestos, no final do ano o parlamentar Mrcio Moreira Alves pede populao que no v s comemoraes de 7 de setembro. Os militares exigem que ele seja processado e a Cmara se recusa a faze-lo. publicado o AI-5. . AI-5 (1968): Esse foi o pior dos atos institucionais que transformou o pas em uma ditadura plena. Cancelavam-se os direitos individuais bsicos, como o habeas corpus em caso de crime poltico. O Congresso era novamente dissolvido, o presidente ganhava amplos poderes e havia mais uma onda de cassaes e prises. rgos como o SNI ficariam responsveis pelas perseguies polticas. . A resistncia: Aps a decretao do AI-5, surge uma srie de grupos que defendem a luta armada para derrubar o regime. H frentes de guerrilha urbana, como a ALN, PCBR, VPR, o MR-8 e a VAR-Palmares. Esses grupos fazem seqestros de embaixadores em troca de liberdade de presos polticos e outros atos contra a ditadura. Houve ainda uma guerrilha rural na regio do Araguaia, liderada pelo PCdoB. Esses grupos foram todos destrudos pela represso da ditadura at 1973. . Os anos Mdici: Mdici foi o governante do pas aps a promulgao do AI-5, foram os anos mais duros da ditadura. Nas eleies para governador, ignorou os resultados e escolheu 21 governadores. . A censura: Existe censura aos rgos de comunicao e aos artistas desde o golpe de 1964, mas isso vai ser levado ao extremo com o AI-5, quando ser imposta a censura prvia imprensa. Notcias como epidemias de meningite e os nmeros dos acidentes de trabalho que chegaram a 6.300 casos em 1975 so proibidas de serem veiculadas.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 26 - Ditadura, panorama econmico 1. Introduo: O modelo econmico imposto na ditadura o modelo implantado pelo governo JK, mas levado ao extremo. A setorizao da economia reafirmada. Para impor esse modelo, que era malfico para os trabalhadores, usa-se de grande autoritarismo. Mazelas criadas nesse perodo so vividas at hoje. 2. O modelo econmico da ditadura e suas conseqncias: . Primeiras medidas: Logo aps o golpe, os novos ministros da rea econmica adotam algumas medidas: livre entrada e sada de capitais internacionais, fim do controle sobre os preos bsicos principalmente de alimentos , arrocho salarial, privatizao da Fbrica Nacional de Motores e da Lloyd Brasil. . O congelamento do mnimo: Uma das primeiras medidas aps o golpe foi o congelamento do salrio mnimo, que acabou por ficar congelado ao longo de 8 anos. A motivo usado foi que era uma medida para sanear a economia, afastando a inflao e aumentando o crdito. A medida, na verdade, aumentou significativamente o lucro dos empresrios. Como os trabalhadores estavam proibidos de fazer greve e os sindicatos estavam cercados pela ditadura, no havia como fazer exigncias de melhorias de salrio. Assim, o autoritarismo e a represso possibilitaram que o salrio mnimo ficasse congelado. Alguns sindicatos so criados pelo governo com benefcios, como o financiamento da casa prpria. . O PAEG: O Plano de Ao Econmica do Governo (PAEG) pretendia, junto com o arrocho salarial, controlar a inflao. Foi feito pela dupla de ministros Bulhes de Carvalho e Roberto Campos. O plano inclua corte nos gastos pblicos, aumento da carga tributria e contrao de crdito. O plano acarretou na diminuio da inflao e na concentrao de renda, estava-se, assim, preparando a economia para o milagre. . A reestruturao do sistema financeiro nacional: Foi reformulado todo o sistema financeiro do Estado. Cria-se o Conselho Monetrio Nacional (CMN) autoridade monetria mxima do pas , o Banco Central (BC) e o hoje j extinto Banco Nacional de Habitao (BNH). Trata-se de uma estrutura altamente autoritria, nomeada pelo presidente, que permanece assim at hoje. O Estado aumentaria seu tamanho na economia, com novos impostos, como o IPI e o ICM. . O FGTS: Em 1966 criado o Fundo de Garantia por Tempo de Servio que substitui a lei da CLT que prev estabilidade aps 10 anos de servio. Seria uma poupana compulsria, utilizada pelo governo para seus gastos e era tambm um mecanismo que propiciava maior rotatividade da mo-de-obra. . O milagre econmico: Entre 1968 e 1973 a economia brasileira cresceu em mdia 10% ao ano, chegando a picos de 14%. O termo milagre no bom porque os verdadeiros milagres alemo e japons duraram 25 anos, o brasileiro durou apenas 6. Esse crescimento coincidiu mais ou menos com o governo Mdici. Houve a incorporao de uma mo-de-obra ociosa e tambm da comumente subempregada. No entanto, os efeitos maiores do milagre ficaram para a classe mdia, uma faixa de 15 milhes de pessoas em um universo de 100 milhes que passaram a desfrutar de uma situao de sociedade de consumo. . Aps o milagre: Com o choque do petrleo em 1973, cessa o imenso fluxo de recursos internacionais para o pas. Como no havia liquidez interna para manter o crescimento, a economia passa a crescer menos. . O II PND: O governo Geisel se caracteriza por uma certa modificao na estratgia de desenvolvimento nacional. Esse plano tentava manter as altas taxas de crescimento do milagre atravs da participao do Estado na economia, ao invs do financiamento externo. O 2o Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) a busca ainda o controle das indstrias de ponta, ditas da 3a Revoluo Industrial. Assim, investiu-se em indstria: blica, de qumica fina includo a o pr-lcool , nuclear e informtica. . Conseqncias, a dcada perdida: Os anos 80 seriam chamados de dcada perdida pela recesso da economia em conseqncia do modelo da ditadura. O crescimento na dcada de 90 seria ainda pior. . Inflao: O crescimento no slido da economia gerou uma inflao que chegaria aos trs dgitos em 1980 e tornar-se-ia descontrolada na dcada de 80. . Dvida: Para a implementao de uma srie de obras, o governo se utilizou de crdito no mercado internacional, tornando o Estado brasileiro altamente endividado, o que limita os gastos pblicos at hoje. . Concentrao de renda: O milagre no foi para todos, mas para alguns poucos. A misria persistiu no pas e pioraria com as conseqncias do milagre. O nmero de desnutridos no pas passa de 27 milhes 38% da populao em 1961-3 para 71 milhes de pessoas 67% da populao em 1974-5. . Corrupo generalizada: Outra marca da ditadura foi a corrupo generalizada, j que no havia mecanismos de controle no perodo e a imprensa era proibida de noticiar muitos casos.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 27 - Decadncia da ditadura 1. Introduo: Diante da falncia do modelo econmico da ditadura, o regime perde a sua sustentao, j que o milagre tinha dado grande popularidade ao regime. As presses internas e externas aumentam e fazem os ditadores cederem e iniciaram a abertura. 2. A longa queda da ditadura: . A abertura lenta, gradual e segura: O general Ernesto Geisel assume em 1974 anunciando a distenso. Realmente, a abertura iria demorar muito. S cinco anos depois iria ter-se a anistia, 11 anos depois um presidente civil, 14 anos para a nova Constituio e somente 15 anos haveria novas eleies presidenciais. . Derrota e denncias: A derrota do partido oficial, o ARENA para o MDB nas eleies de 1974 iria encurralar o governo. Alm disso, fatos como o assassinato por tortura do jornalista Vladimir Herzog no DOICodi de So Paulo iriam fazer o governo tomarem medidas, no necessariamente no sentido da abertura. . Idas e voltas do governo Geisel: Diante desse quadro de crise e derrotas, Geisel toma duras medidas como o decreto da Lei Falco em 1976 que limitava a propaganda poltica no rdio e na TV para que se evitassem novas derrotas do governo. Ainda, em 1977, diante da recusa do Congresso de aprovar a reforma do Judicirio, Geisel baixa o Pacote de Abril que fechava o Congresso, criava o senador binico indicado pelo presidente e mudava o peso dos estados no Congresso, tirando fora do Sudeste e do Rio Grande do Sul, onde era fraco o partido oficial. . Organizao da sociedade civil: Vrios rgos da sociedade vo se voltar contra a ditadura, como a Ordem dos Advogados do Brasil a OAB , a Associao Brasileira de Imprensa a ABI e a Confederao Nacional dos Bispos do Brasil a CNBB. Todos estes grupos criticaro o autoritarismo e exigiro a abertura. . O fim do AI-5: A ltima medida de Geisel no poder foi a anulao do AI-5, um avano em relao abertura. O chefe do SNI, general Joo Figueiredo, seria escolhido o novo presidente do pas. . A anistia: No primeiro ano de mandato do novo presidente, anunciada a Anistia, que liberava os presos polticos, abria o pas aos exilados e tambm anulava os crimes da ditadura, como o assassinato e a tortura. Assim, lderes polticos como Brizola e Prestes puderam voltar ao pas. . As greves: O fim do governo Geisel e o incio da gesto Figueiredo seriam marcados ainda pelas grandes greves acontecidas nas indstrias metalrgicas do ABC paulista, lideradas pelo sindicalista Lus Incio Lula da Silva. A greve de 1978 reuniria 2.500 operrios, uma nova greve em 1979 rene 160 mil metalrgicos e outra greve em 1980 levaria 100 mil operrios a cruzarem os braos, levando a ditadura a prender Lula. . Os atentados de direita: Alguns grupos de extrema direita nas foras armadas seriam contra a abertura e dariam incio aos atentados terroristas contra alvos civis. Havia atentados contra jornaleiros e tiros eram disparados contra deputados. O ativo jurista contra a ditadura, Dalmo Dallari, seria seqestrado poca da visita do papa ao Brasil em 1980. Vrios outros seriam organizados pela Aliana Anticomunista Brasileira (AAB), como atentados a bomba contra a OAB do Rio de Janeiro, contra a ABI no Rio, contra a Cmara de Vereadores do Rio e no Riocentro. Este ltimo, de 1981, explodiu durante um show reunindo 20 mil pessoas e organizado pelo Centro Brasil Democrtico (CEBRADE). Felizmente, s matou o militar que iria explodir a bomba em meio ao show. A investigao feita pela polcia responsabilizou o CEBRADE de ter explodido a bomba contra os militares. Ainda, em 1978, o bispo de Nova Iguau, D. Adriano Hiplito, adepto da teologia da libertao, seqestrado e torturado, tendo uma bomba explodida em sua igreja.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 28 - A Redemocratizao 1. Introduo: O Brasil viveu em sua histria trs longos perodos democrticos. A Primeira Repblica, de 1894 a 1930, era fortemente restrita, com poucos cidados aptos a votar e altamente corrupta e fisiolgica. A segunda Repblica, 1945 a 1964, era bem mais democrtica, mas os sindicatos eram atrelados ao governo e os analfabetos eram proibidos de votar. A terceira Repblica, de 1985 at hoje, apesar de vrios problemas que h nela, a mais democrtica de todas, com sufrgio universal, sindicatos livres e constituio socialdemocrata. 2. Os novos partidos: . A liberdade para abertura de novos partidos: No final de 1979, o Congresso extingue a ARENA e o MDB, abrindo caminho para a criao dos novos partidos. Segundo a legislao, todos os partidos deveriam ter um P de partido antes do nome. Isso foi feito para extinguir o termo ARENA, nada popular. . O PMDB: O MDB, partido de oposio ditadura, vira PMDB prevalecendo como um dos partidos mais fortes do pas. Apesar de ter uma constituio elitista, na dcada de 80 assume posies socialdemocratas. No final da dcada de 80, desiludido com o governo Sarney, sairia do seio do PMDB o PSDB, que nasce de centro-esquerda e vai rumando para a direita, principalmente quando chega ao poder em 1995. . O PDS, o PPB e o PFL: A ARENA se transforma depois em PDS. Depois, o PDS se transformaria em PPB, tendo hoje o nome de PP. Em funo das eleies indiretas para presidente em 85, surge uma dissidncia dentro deste partido que d origem ao PFL. Todos esses partidos so de constituio elitista e com idias francamente de direita, tendo prticas corruptas recorrentes, fisiolgicas e nepotistas. . O PDT e o PTB: Brizola volta do exlio e com outros trabalhistas histricos do PTB de Vargas e Jango tenta refundar o partido. No entanto, Ivete Vargas consegue a sigla na Justia, fundando um partido de direita vinculado ao PDS. Brizola fundaria, ento, o PDT, partido trabalhista e de esquerda. . O PT: O PT, que nasce tambm em 1980, surge diferente dos outros partidos, por no se vincular a nada da poltica anterior. Formado por sindicalistas, ex-presos polticos e intelectuais socialistas de esquerda, bem vinculado a movimentos sociais como o MST, a CUT e a parcela de esquerda da Igreja catlica. . PCs: Os partidos comunistas, que se dividiram em vrios na dcada de 60, foram proibidos neste momento de voltar legalidade, sendo legalizados s no final da dcada de 80. 3. Os novos organismos sociais e as mobilizaes: . A reorganizao dos sindicatos: A partir das greves no ABC paulista e outras vrias pelo pas, os sindicatos se reorganizam e fundada a Central nica dos Trabalhadores a CUT. . O MST: Em 1984 surge o Movimento dos Trabalhadores rurais sem terra no Sul do pas, espalhando-se depois para o pas inteiro. Esse movimento exige a reforma agrria no pas e diante da imobilidade do Estado, faz ocupaes de terras pelo pas. . A reorganizao da sociedade: Alm desses grandes movimentos sociais, surgem outros tambm nem sempre vinculados a questes polticas ou questes de trabalho. So movimentos feministas, homossexuais, negros, ONGs diversas e associaes de moradores. De qualquer forma, mostram o ar democrtico que se passava a respirar no pas. . Eleies estaduais: Nas eleies diretas estaduais de 1982 o PMDB consegue a vitria em importantes estados e Leonel Brizola consegue se eleger governador no estado do Rio de Janeiro, apesar do boicote da ditadura e das organizaes Globo, no que ficou conhecido como caso Proconsult. . As diretas j: Em 1984 uma emenda no Congresso para que houvesse eleies presidenciais diretas no ano seguinte levam a uma grande mobilizao popular. a campanha das Diretas J, a maior mobilizao popular da histria do pas. Reuniu 40 mil pessoas em Curitiba, 50 mil em Natal, 1 milho no Rio e 1,3 milho em So Paulo. A emenda, no entanto, foi barrada no Congresso. . O acordo para as eleies de 1985: Para a eleio indireta para presidente, o PDS lana Paulo Maluf e o PMDB Tancredo Neves. O PDT apia Tancredo e o PT no. Uma briga interna dentro do PDS leva criao da frente liberal, que apia Tancredo para presidente, dando o nome para o vice deste, Jos Sarney. Tancredo venceria, mas morreria antes da posse, dando lugar a Sarney como o primeiro presidente civil desde 1964.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 29 - Planos econmicos, recesso e misria 1. Introduo: A dcada de 80 teve amplos avanos democrticos na poltica e na sociedade, ao mesmo tempo que a economia praticamente estagnou, tendo apenas um ano de crescimento nada slido, o ano do Plano Cruzado. Em verdade, a economia no cresce de forma sustentada h 25 anos gerando misria, violncia e desemprego. 2. Sucesso de planos e continuidade da misria: . Inflao e dvida incontrolveis: A inflao chegava aos trs dgitos em 1980 e a dvida externa superava U$200 bilhes em 1984. O Brasil faz um acordo com o FMI, cujas imposies para liberar o emprstimo levam forte recesso. Tanto a inflao como a dvida pblica no s a externa, mas a interna tambm tendiam a aumentar. Esse era o quadro econmico do pas quando Sarney chega ao poder. . O plano Cruzado: O ministro da Fazenda Denlson Funaro prope o plano Cruzado, onde preos e salrios seriam congelados. O plano leva a uma exploso do consumo, o que deu grande popularidade ao governo. Alm disso, gerou tambm um desestmulo poupana e desabastecimento. A economia iria crescer bastante, mas logo os comerciantes passariam a cobrar um gio nos preos, o que era a volta da inflao. . Eleies estaduais e parlamentares: O Cruzado estava ficando insustentvel para as contas do governo. O presidente, no entanto, segurou o plano at depois das eleies de 1986 para aproveitar a popularidade do plano. Por isso, o PMDB de Sarney vence em todos os estados, exceto Sergipe e elege 54% dos constituintes. . Plano Cruzado II: O plano Cruzado tinha gerado um grande dficit na balana comercial, dificultando o pagamento da dvida externa. Acabadas as eleies, o governo decreta o fim do plano, lanando o Cruzado II, que liberava alguns preos e mantinha outros tabelados, com algum aumento. Porm, a dvida tornara-se impagvel e o governo declara moratria no incio de 1987. O Cruzado II tambm no segura a inflao. . Plano Bresser: O novo ministro, Bresser Pereira, congela preos por 2 meses e aumenta os impostos. O plano no surtiu efeito, continuando descontroladas a inflao e a dvida. O ministro se demite no final de 87. . Arroz com feijo: O novo ministro Malson da Nbrega tentou implantar um modelo neoliberal, abrindo a economia, privatizando estatais e cortando gastos pblicos. No controlou a inflao nem a dvida. . Plano Vero: Um novo plano tentado no final do governo com congelamento de preos e conteno de gastos pblicos. No adianta, a inflao chega aos 4 dgitos anuais e os juros a 80%. . A pobreza e a criminalidade: A crise econmica da dcada de 80 no se resume s constantes trocas de cadeira da posio de ministro da Fazenda, muito pelo contrrio. Onde ela mais se via era nas grandes cidades, nos subrbios, favelas, no campo. A dcada foi marcada por saques, revoltas urbanas contra a carestia, greves, pelo desemprego e subemprego, pelo crescimento da pobreza, da misria e, principalmente, pelo aumento estrondoso da criminalidade, vista nos roubos, seqestros, assassinatos e no trfico de drogas, que d um grande salto nessa dcada. A criminalidade s aumentou desde ento at hoje. . Desiluses: O governo Sarney no foi ditatorial, mas estava longe de um regime democrtico normal, com fortes momentos de autoritarismo. o caso da greve em Volta Redonda em 1988, onde Sarney convocou o Exrcito e este matou trs operrios. Sarney prometera fazer uma reforma agrria, assentando 1,5 milhes de famlias. Acabou o governo assentando apenas 70 mil famlias. A violncia no campo no perodo matou 70 pessoas por ano. O pas ainda assistiu chocado o assassinato do seringueiro Chico Mendes. . Impopularidade e corrupo: No final de seu governo, Sarney era um dos presidentes mais impopulares da histria da Repblica. Por onde passava, era vaiado com gritos, protestos e at com tentativas de agresses fsicas. A corrupo dos tempos da ditadura continuou no seu governo, j que os mesmos polticos da ditadura faziam parte do governo. CPIs chegaram a propor o seu impedimento devido corrupo. 3. A nova Constituio (1988): . Definio: A mais democrtica Constituio que o pas j teve pode ser considerada uma Constituio social-democrata, por defender amplos direitos para os trabalhadores e prever uma cidadania participativa. . Avanos: A Constituio previu um plebiscito, realizado em 93, onde o povo decidiria entre presidencialismo, parlamentarismo ou monarquia e o presidencialismo venceria. Ela acabou definitivamente com a censura e tornou crime inafianvel a tortura, o trfico de drogas e o terrorismo. Determinava uma carga semanal de 44 horas de trabalho, dava liberdade sindical, amplo direito de greve, licena-paternidade, melhora na remunerao das frias e da licena-maternidade. A populao poderia fazer um projeto de lei ao conseguir 1% das assinaturas de eleitores.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 30 - A aventura de Fernando Collor 1. Introduo: A eleio para o primeiro presidente civil aps quase 30 anos sem eleies presidenciais no teve um resultado feliz. Diante de uma eleio estranha, onde os mais tradicionais polticos no foram ao segundo turno, vence Fernando Collor. Seu curto governo se caracterizaria pela corrupo, pelo entreguismo econmico e pelo confisco das poupanas. 2. As eleies presidenciais de 89: . Os candidatos favoritos: Estranhamente, as eleies de 89 levaram para o segundo turno dois candidatos no favoritos presidncia. Dentre os candidatos, havia Leonel Brizola, smbolo do trabalhismo varguista e da Repblica populista. Havia ainda Ulisses Guimares, o presidente da Constituinte e grande homem smbolo das Diretas J. Em funo da pssima situao econmica do pas e por ser a primeira eleio para presidente fortemente marcada pela televiso, esses favoritos perderiam espao para dois no to favoritos. . Os no favoritos: Lula, apesar de ter sido o deputado federal mais votado do pas, era de um partido ainda pequeno. Collor era um poltico de famlia tradicional em Alagoas, tambm no tinha uma projeo nacional. A campanha pela TV mudaria isto. Os dois vo para o segundo turno. . A vitria de Collor: Usando de golpes baixos e explorando a televiso e a amizade com o dono da empresa que detm um monoplio na teledifuso no pas, Collor chega ao poder, apoiado por empresrios. 3. O governo de Collor: . Confisco das poupanas: No Plano Collor, o presidente confiscaria as contas correntes e cadernetas de poupana de todos os cidados, como afirmara na campanha que Lula faria. O plano, alm de deixar milhes de pessoas sem dinheiro, no conteve a inflao ou a dvida. O Plano Collor II tambm no logrou sucesso. . Reforma do Estado: Collor prope uma reforma do Estado, trata-se de um plano neoliberal, onde foram extintos rgos da Era Vargas, como o IAA, o IBC, alm da Siderbrs e a Portobrs. Ele vendeu propriedades da Unio, demitiu funcionrios pblicos os marajs, como dizia na campanha , reduziu drasticamente tarifas aduaneiras e deu incio a um programa de privatizao das empresas estatais. O corte de gastos foi tanto, que o IBGE que fazia censos decenais desde 1940 foi por ele impedido de fazer em 1990, s o fazendo em 1991. . Efeitos da reforma do Estado: A reforma do Estado prenunciava o que seria, depois, o triunfo do neoliberalismo na poltica de Estado. A abertura das tarifas alfandegrias levou a uma quebradeira de indstrias nacionais, gerando desemprego e depresso econmica. A produo industrial do pas decresceu 26% em um ano. Com tudo isso, a inflao no diminuiu sustentavelmente. . Escndalos de corrupo: Logo, apareceria outra face terrvel do governo Collor, um amplo esquema de corrupo que desviava dinheiro pblico para contas pessoais do presidente. Ao total, foram repassados pela obscura figura de PC Farias, 10 milhes de dlares para as contas de Collor. . Os caras pintadas: Diante dos escndalos revelados pelas CPIs e pelo prprio irmo de Collor, a populao em sua maioria, estudantes vai s ruas pedir o impedimento ou impeachment do presidente. . A queda: Diante de todas presses dentro e fora do meio poltico, a situao de Collor se tornar insustentvel. Uma tropa de choque constituda de Roberto Jefferson e Jorge Bornhausen faz a defesa do presidente at os seus ltimos momentos. No entanto, o Congresso vota pelo impedimento e no ltimo momento, Collor renuncia, no deixando de perder os direitos polticos por oito anos. . Mercosul: criado em 1991 o Mercado comum do Sul, acordo comercial para reduo mtua das taxas aduaneiras de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Depois, entrariam como scios Chile e Bolvia, e em 2005, a Venezuela.

Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 31 - O triunfo do neoliberalismo 1. Introduo: A chegada de Fernando Henrique Cardoso o poder, assim como a continuidade de suas polticas na economia por Lula, marca o triunfo do neoliberalismo no Brasil. Trata-se de uma viso que econmica que projeta um Estado necessrio. O neoliberalismo fruto de um contexto histrico especfico, com o fim da social-democracia, do socialismo real e ascenso dos EUA como nica hiperpotncia mundial. 2. A imposio do neoliberalismo no Brasil e a resistncia: . Neoliberalismo, uma definio: Com o fim da Unio Sovitica e o fim do perigo comunista, no h mais motivo para a existncia do Estado de bem-estar social no mundo e o chamado Estado de mal estar social no Terceiro mundo, a includo o Brasil. A organizao das fbricas se modifica, com o fortalecimento do capital financeiro. So trs as mudanas defendidas pelo neoliberalismo: na relao capital-trabalho, concretizado na flexibilizao da legislao trabalhista, que na verdade o fim desta; na relao Estadocapital, onde o Estado perde tamanho e poder com as privatizaes e a desregulao da ao das empresas; na relao entre Estado e cidados, onde o Estado deixa de oferecer os servios fundamentais, acabando com a seguridade social e passando para o mercado a funo de prover esses servios bsicos populao. . O plano Real: O plano Real ainda no governo Itamar, feito por seu ministro da Fazenda FHC, caracteriza-se por indexar o cmbio, elevar impostos federais e reduzir os gastos pblicos, inclusive em educao e sade. As taxas alfandegrias vo ao cho, trazendo produtos importados baratos, o que segura a inflao. Isso gera uma onda de consumo, o que d grande popularidade a Itamar e ao seu ministro. No entanto, h a outro lado. H uma nova quebradeira na indstria pelo Real valorizado e pelas taxas alfandegrias baixas. A indstria nacional vai penria. . A eleio e reeleio de FHC: Com a onda de consumo gerada pelo plano Real, FHC se elege facilmente presidente sobre Lula em 1994, impondo seu plano neoliberal. No meio do governo, o presidente manda para o Congresso a emenda da reeleio e esta aprovada, havendo um escndalo de compra de votos na votao da emenda. FHC se reelege em 1998. . As conseqncias malficas do plano: Alm de quebrar indstrias e gerar desemprego, o plano Real, indexando a moeda e baixando as tarifas de importao, eleva drasticamente a dvida externa. Mesmo com a situao insustentvel, o governo mantm o plano at as eleies de 98. No incio de 99, a indexao cambial desfeita, tendo a dvida aumentado drasticamente e comprometendo todo o oramento anual do Estado. . As reformas empreendidas por FHC: FH afirma que quer acabar com a Era Vargas no Estado brasileiro. V-se claramente quais so os seus objetivos quando ele afirma isto. Primeiramente, ele termina com a defesa da indstria nacional, com a indexao da moeda e com as taxas aduaneiras. Pe fim ao monoplio de extrao do petrleo pela Petrobrs, fazendo uma grande reforma administrativa dentro desta empresa. Depois, tenta impor uma srie de privatizaes, no conseguindo todas. Privatiza todo o sistema Telebrs por U$22 bilhes e a Vale do Rio Doce. A CSN j havia sido privatizada na gesto de Itamar por U$1 bilho. Extingue a SUDENE e a SUDAM. . As reformas que ele queria fazer: FHC tinha ainda o plano de fazer mais privatizaes, o que poderia incluir o sistema Eletrobrs todo parte dele foi privatizado por ele , a Petrobrs, o BB, a Caixa Econmica e as universidades pblicas. Queria ainda fazer uma srie de reformas: a previdenciria, feita por Lula que limitaria todas as aposentadorias e imporia a contribuio previdenciria aos inativos; a trabalhista, que flexibilizaria as relaes trabalhistas, ou melhor, iria extingui-las; a tributria, que reduziria impostos e no escalonaria o imposto de renda. . A resistncia: Nas ruas e nas empresas pblicas, uma srie de manifestaes, passeatas e greves eclodem contra as privatizaes e as reformas neoliberais. Os movimentos sociais e, na poca, o PT se mobilizam, tendo importncia no impedimento de algumas reformas e privatizaes. . O governo Lula: Apesar de toda a esperana, o governo Lula manteve as linhas principais do governo anterior, aceitando guardar grandes somas do dinheiro pblico para o pagamento da dvida pblica e mantendo o cronograma de reformas, inclusive conseguindo aprovar a reforma da previdncia. . O futuro: A funo da Histria no prever o futuro, mas entender o presente e o passado. Nas eleies de 2006, os principais candidatos so do PT e do PSDB. Ambos se comprometem a manter a mesma poltica econmica e mesma poltica monetria. Ambos tambm pretendem fazer as reformas neoliberais e algumas privatizaes. O neoliberalismo ao que parece, portanto, prevalecer no futuro prximo do pas.