História do Brasil - Apostila Pré-Vestibular Vetor

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<p>Pr-Vestibular Comunitrio Vetor Calendrio das aulas de Histria do Brasil em 2006: 1a Parte do Curso - Aulas com durao de duas horas: Aula no. 1 - Apresentao e reflexo sobre o vestibular / As grandes navegaes Aula no. 2 - O descobrimento do Brasil e as primeiras dcadas da Colnia Aula n o. 3 - A implantao do colonialismo na Amrica portuguesa Aula no. 4 - O Brasil e as relaes internacionais Aula no. 5 - A economia mineradora Primeira aula especial: Passeio pelo centro histrico do Rio de Janeiro Aula no. 6 - As reformas pombalinas e as conjuraes coloniais Aula no. 7 - A poca joanina Aula no. 8 - A Independncia e o Primeiro Reinado Aula no. 9 - O perodo regencial Aula no. 10 - A afirmao do Imprio Aula no. 11 - O auge do Imprio Aula no. 12 - Decadncia do Imprio Segunda aula especial: Vdeo Aula no. 13 - O surgimento da Repblica Aula no. 14 - A Repblica oligrquica Aula no. 15 Rebelies da Repblica Velha Aula no. 16 A crise dos anos 20 2a parte do curso - aulas com durao de uma hora: Aula no. 17 - A Revoluo de 1930 Aula no. 18 - Os governos Vargas: governo constitucional e movimentos polticos Terceira aula especial: Msica e Histria Aula no. 19 - Estado Novo Aula no. 20 - A Repblica de 1945 Aula no. 21 - A Repblica populista, nacionalismo econmico Aula no. 22 - A Repblica populista, internacionalizao da economia Aula no. 23 A crise da repblica populista Aula no. 24 - O golpe de 64 Aula no. 25 - Ditadura, panorama poltico Aula no. 26 - Ditadura, panorama econmico Aula no. 27 - Decadncia da ditadura Aula no. 28 - Redemocratizao Aula no. 29 - Planos econmicos, recesso e misria Aula no. 30 - A aventura de Fernando Collor Aula no. 31 - O triunfo do neoliberalismo Aula no. 32 - Fechamento do curso</p> <p>Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 1 - As grandes navegaes 1. Introduo: As grandes navegaes marcam um perodo da Histria europia onde os horizontes se alargam enormemente. achado o fim do continente africano, entra-se em contato com civilizaes do Oriente e do Extremo Oriente e no sculo XVI, uma expedio espanhola liderada pelo portugus Ferno de Magalhes comprovaria que o mundo redondo atravs da viagem da circunavegao. No se deve perder de vista, no entanto, o sentido de toda essa expanso martima. O objetivo central dos europeus era obter riquezas. 2. Transio da Idade Mdia Idade Moderna: . A Baixa Idade Mdia: A Idade Mdia sculos V ao XV marcada pelo sistema social feudal na Europa. A Idade Mdia dividida em duas, a Alta Idade Mdia sculos V ao X e a Baixa Idade Mdia sculos X ao XV. Nessa segunda parte as invases estrangeiras diminuem bastante, levando a populao e a produo a aumentarem na Europa. Isso leva a um comrcio maior, ao surgimento de feiras e cidades, o chamado Renascimento comercial e urbano. O feudalismo se expande dentro e fora da Europa, um exemplo conhecido o das Cruzadas para o Oriente Mdio, outra rea de expanso a pennsula ibrica. . Do feudalismo ao Antigo Regime: Com o crescimento vertiginoso das cidades, do comrcio e do artesanato, a relao feudal entre senhor e servo que era de grande explorao a este ltimo vai perdendo sentido, principalmente quando os servos comeam a fugir para as cidades. A servido e o feudalismo entram em sua crise final no sculo XIV, chegando logo ao seu fim. A sociedade feudal d lugar sociedade de Antigo Regime na Europa Ocidental a partir do sculo XV. No Antigo Regime, os nobres e o alto clero perdem poder, mas ainda so os grupos dominantes da sociedade. As monarquias passam agora a ser centralizadas, com grande poder na mo dos reis. Existe, ainda, uma classe que surgira na Baixa Idade Mdia: a burguesia. Esta no tem o poder sobre o Estado, mas ter grande influncia junto a este. 3. Portugal, do surgimento expanso martima: . O surgimento de Portugal: Na guerra de Reconquista na pennsula ibrica, nobres da Europa lutam contra os mouros muulmanos que dominam a pennsula desde o sculo VIII. Vrias so as casas nobres que fazem essa luta, uma delas a de Borgonha que funda o condado de Portucalense. Em 1139, esse condado declarado pas livre sob o nome de Portugal. Tratava-se neste momento de uma monarquia feudal, onde os senhores feudais eram poderosos, apesar da forte centralizao da monarquia portuguesa. . A vocao comercial: Logo, a regio ganharia importncia comercial, por ser entreposto martimo entre as duas principais regies mercantis da Europa, as cidades do Norte da Itlia e a regio de Flandres que hoje abarca a Holanda, a Blgica e parte do Norte da Frana. Isso, em um momento onde a viagem por terra era perigosa e custosa. Ficar ascendente neste momento a burguesia no pas. . Revoluo de Avis (1385): O reino de Castela, no entanto, considerava Portugal como um condado vassalo. Em uma disputa de trono, a grande nobreza portuguesa almejando mais poder alia-se ao rei de Castela contra um pretendente ao trono portugus, Joo de Avis, que aliado da pequena nobreza, burgueses e artesos portugueses. Este ltimo vence, dando total independncia a Portugal e pondo fim ao feudalismo no pas. . Expanso martima: Como Portugal foi o primeiro pas europeu a ter uma monarquia absoluta ainda no sculo XIV, vai ser o primeiro a se expandir ao mar, havendo para tal um grande incentivo da Coroa. A expanso tem incio em 1415 com a tomada de Ceuta cidade muulmana no Norte da frica e atendia aos interesses da nobreza e da burguesia. Portugal parte ento s ilhas atlnticas e ao continente africano em busca de riquezas, em especial, de metais. . Tratado de Tordesilhas: O segundo pas europeu a se expandir para o Atlntico foi a Espanha. Esta s unificada em 1469 descobriu a Amrica em 1492, pensando no perodo que aquelas terras eram o Oriente. Em 1494, Portugal e Espanha dividem o mundo em dois atravs do Tratado de Tordesilhas. . O comrcio indiano: Portugal tem grande sucesso nessa expanso martima inicial. Acha minas de ouro e prata na frica, desenvolvendo ali tambm um importante comrcio. Ainda, em 1498, descobre o caminho para as ndias, regio onde haver os principais entrepostos comerciais portugueses no ultramar. Esse o perodo de maior prosperidade na histria de Portugal. De 1500 a 1520, chegam em Portugal 200 kg de ouro africano por ano. At 1530, Portugal ter o monoplio sobre o ouro africano e sobre o comrcio indiano. Esse monoplio mais um fator de lucro para os comerciantes lusos e para o Estado portugus.</p> <p>Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 2 - O descobrimento do Brasil e as primeiras dcadas da colnia 1. Introduo: Em 2000 o governo brasileiro fez uma ampla programao de comemorao dos 500 anos de descobrimento do Brasil. Colocam-se, ento duas perguntas: ser que o Brasil comeou a ser colonizado em 1500? E ser que a colonizao um motivo para se comemorar? A resposta primeira pergunta est logo a seguir, a resposta segunda ficou clara no prprio calendrio das comemoraes, onde em cada evento havia junto uma manifestao indgena rememorando a dor dos povos nativos trazida pela colonizao portuguesa. 2. O perodo pr-colonial (1500-1530): . O descobrimento e o comrcio indiano: Aps a assinatura do Tratado de Tordesilhas, Portugal continua dando destaque ao comrcio com as ndias. Em uma dessas viagens, a frota de Pedro lvares Cabral, aporta no litoral da Amrica, reconhece o territrio e segue a sua viagem para a ndia. . O escambo de pau-brasil: Expedies feitas pela costa brasileira em 1501 e 1502 contatam naquele tempo que a nica riqueza local era o pau-brasil, uma madeira tinteira. Esse passa a ser explorado em contrato de monoplio e no explorado de fato pelos portugueses, mas comprado aos ndios sob forma de escambo. . A presena estrangeira: Mais que os portugueses, neste perodo e mesmo depois do incio da colonizao, estavam pressentes outros estrangeiros no territrio da Amrica portuguesa, em especial os franceses, que eram os principais compradores do pau-brasil dos ndios. 3. A colonizao de fato: . A motivao da colonizao: A partir de 1530, a Coroa portuguesa se decide pela colonizao do Brasil. Os motivos para tal so: a presena crescente de estrangeiros na colnia; a descoberta de ouro e prata na Amrica espanhola; o fim do monoplio portugus no comrcio indiano e a conseqente crise deste comrcio. . O sistema de capitanias hereditrias: Em 1532, tomou-se a deciso de dividir a colnia em 14 capitanias hereditrias, doadas a nobres portugueses que teriam a obrigao de povoar, proteger e desenvolver seus territrios. A grande nobreza e a burguesia portuguesa no se interessaram pelo empreendimento, deixando-o pequena nobreza. O sistema de capitanias no foi um sucesso porque os colonos no eram poderosos o suficiente para lutar contra os estrangeiros e os ndios. No tinham tambm um farto capital para investir na colnia. Mesmo assim, o sistema continuou a existir at fins do sculo XVIII. . O governo central: Em 1549, a Coroa portuguesa decide implantar um governo central na colnia com medo da perda do territrio para os franceses e aps a notcia da descoberta da mina de Potosi pelos espanhis em 1545, a maior mina de prata do mundo na atual Bolvia. A capitania da Bahia foi comprada pela Coroa portuguesa e l se estabeleceu o governo-geral, em paralelo ao poder dos donos das capitanias. . As cmaras municipais: Outra esfera de poder na colnia que prevalece em todo o perodo colonial o das cmaras municipais, que existiam apenas nas cidades mais importantes. Seus membros, os vereadores, eram constitudos pelos homens bons, grandes proprietrios de escravos e terras. Em um momento posterior e em cidades mais mercantis, as cmaras foram ocupadas por grandes comerciantes. Eram importantes centros de poder e de deciso na colnia e algumas vezes se confrontavam com a Coroa. . Os cristos-novos: Importantes na colonizao portuguesa na Amrica foram os cristos-novos, judeus convertidos foradamente ao cristianismo. Mais ainda aps a instaurao da Inquisio em Portugal em 1547, quando estes passam a ser duramente perseguidos na metrpole. . A questo indgena: Havia por volta de 3 milhes de ndios na Amrica portuguesa em 1500. Os ndios brasileiros no tinham sociedades to complexas como astecas ou incas, mas tinham o controle de uma agricultura itinerante, a coivara, que iria ser adotada em parte pelos portugueses. Segundo a ideologia da colonizao, a catequizao dos ndios era o principal motivo da colonizao. Inicialmente, os portugueses fizeram comrcio com os ndios, mas com as grandes plantaes, comeam a utilizar a mo-de-obra indgena fora. O trabalho compulsrio obrigatrio indgena utilizado majoritariamente em toda a colnia at 1600, na maioria das vezes, em forma de trabalho escravo. Depois disso, com a reduo da populao nativa, o trabalho indgena passa a ser substitudo pelo trabalho escravo africano nas regies centrais da colonizao e o brao indgena fica restrito s regies perifricas, onde ainda h muitos ndios. A Coroa portuguesa, logo no incio da colonizao, proibiu a escravido dos ndios, o que era letra morta at a poca pombalina. Mesmo assim, a escravido dos ndios sempre foi liberada em casos de guerra justa. Houve grande resistncia indgena a essas formas de trabalho compulsrio, sendo emblemtica a Confederao dos Cariris.</p> <p>Pr-vestibular comunitrio Vetor Histria do Brasil - Aula no 3 - A implantao do colonialismo na Amrica portuguesa 1. Introduo: s a partir de 1550 que a estrutura colonial se impe de fato na Amrica portuguesa. Trata-se de uma sociedade nova, diferente da europia. Uma sociedade baseada no trabalho escravo, tanto o indgena como o africano, e com a produo eminentemente voltada para fora. Era a sociedade escravista colonial. 2. A estrutura colonial: . A explorao da cana-de-acar: O objetivo da metrpole portuguesa e dos comerciantes portugueses ao colonizar o Brasil era conseguir aqui produtos de alto valor no mercado europeu, de preferncia metais, de acordo com os princpios mercantilistas. Apesar da procura, no foi achado inicialmente nenhum metal precioso no Brasil. Diante dessa ausncia, a Coroa e os colonizadores tentaram outros produtos valorizados no mercado europeu, o de maior sucesso certamente foi a cana-de-acar. O acar da cana tinha um grande valor na Europa e adaptou-se bem ao clima brasileiro, em especial ao nordestino, onde passou a ser cultivado largamente, tornando-se o litoral nordestino a regio central de colonizao nos sculos XVI e XVII. Outros produtos agrcolas eram tambm produzidos para a exportao, como o tabaco e o anil. . O modelo da plantagem: A plantagem ou plantation era a unidade produtora da cana e de outros produtos para exportao. Eram em geral, grandes propriedades com a maior parte das terras com produo de cana, mas havendo tambm outras produes dentro da fazenda voltadas para a subsistncia. Prevalecia o trabalho escravo. Havia uma casa de mquinas, o engenho, que funcionava com fora animal ou hidrulica. O dono da fazenda era o senhor de engenho. . Exclusivo colonial e monoplios: Os senhores de engenho brasileiros vendiam sua produo para comerciantes aqui instalados que s podiam vend-la para Portugal, era o exclusivo comercial. Alm disso, os grandes comerciantes portugueses monopolizavam o comrcio de certas cidades, baixando o preo dos produtos coloniais por eles comprados e aumentando os produtos portugueses vendidos para a colnia. . O trfico de escravos: Nas reas centrais, onde foram implantadas as estruturas coloniais, comea a faltar brao indgena com o tempo, devido morte em massa desses e tambm fuga para o interior do territrio. Diante disso, decide-se usar o brao africano escravo, que passou a ser usado em massa. Ao total, trouxeram-se 3,6 milhes de africanos para trabalhar como escravos no Brasil e 12 milhes como um todo para a Amrica. Para cada um que chegava no Brasil, pode-se contar outro morto na terrvel viagem. A partir de 1600, esse tipo de mo-de-obra vai ser a mais usada na colnia. Os portugueses no capturavam os cativos na frica, mas compravam escravos de comerciantes africanos. As sociedades africanas continham escravos antes dos europeus chegarem e com a grande demanda gerada pelo trfico atlntico de escravos, essas sociedades passam a multiplicar em vrias vezes as capturas feitas, transformando-as em sociedades plenamente escravistas, as vezes com 70% da populao escrava e exportando escravos para todo o mundo. No Brasil tambm, o escravo africano ou afro-descendente vira uma figura freqente na colnia, constituindo 50% da populao colonial no XVIII. O trfico de escravos gerava ainda grande riqueza para os traficantes, trfico esse dominado inicialmente por Portugal e, depois, por cidades coloniais como Rio e Salvador. . O sistema de sesmarias: A princpio todas as terras portuguesas no Novo Mundo eram do Rei e com as capitanias hereditrias, algumas terras se tornam particulares. A Coroa e os capites donatrios das capitanias doavam terras a particulares por meio de sesmarias. As sesmarias eram terras compradas a um preo relativamente baixo, onde o comprador deveria povoar e colonizar a terra. O problema que para ser sesmeiro, era preciso ter influncia junto ao Rei ou ca...</p>