histÓria do adventismo

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HISTRIA DO ADVENTISMO POR LUIZ NUNES SALT- IAENE

SumrioI - Histria do adventismo e sua natureza II - Histria da igreja adventista e sua natureza - Introduo geral III - Contexto religioso e filosfico em que surgiu o adventismo IV - O reavivamento do adventismo V - O movimento adventista VI - O movimento millerita VII - Depois do desapontamento VIII - A pgina impressa IX - O nascimento de uma organizao X - A reforma da sade XI - Comeando o sistema educacional XII - A expanso do adventismo - 1868 - 1885 XIII - Justia pela f - Minnepolis - 1888 XIV - A reorganizao da igreja - 1888 - 1903 XV - A crise do pantesmo XVI - A crise do pantesmo - Dr. Kellogg - 1901 - 1907 XVII - A obra na Amrica do Sul XVIII - Nossa estrutura organizacional XIX - Grupos dissidentes XX - Tendncias do adventismo

I HISTRIA DO ADVENTISMO E SUA NATUREZA

PORQUE ESTUDAR A HISTRIA DO ADVENTISMO?A Ns no participamos da filosofia existencialista para quem o passado sem sentido, s interessando ao homem o presente. Logo, fazer Histria para eles no tem razo de ser, pois esta nada tem a esclarecer do presente, nem diz nada de relevante ao homem hodierno. 1 Para estes o significado da Histria jaz sempre no presente. 2 Podemos concordar com a idia de que o homem envolvido com a histria no presente, no pode captar o seu sentido. 3 Mas cremos que Deus, que est fora da Histria e que a preside, providencialmente, pode revelar seu sentido ao homem, e o fez. O cristo v as contingncias e acidentes da histria como a trama e a urdidura do pano que Deus, em Sua providncia, est tecendo (Dr. Pollard, citado por J. Schwantes, em Significado bblico da histria, 18). 4 Queremos entender como Deus dirigiu, est dirigindo e dirigir nossa Histria, sem abdicar de Sua soberania, nem negar nossa liberdade. a Para ns o passado tem valor esclarecedor e orientador do prprio passado e nos habilita a agir no presente face as nossas crises eclesisticas e desafios. b O significado final da histria deve ter um propsito de redeno, que concretizado por Deus na Histria mesma (E. Rust). (1) Este propsito de redeno presente pelos benefcios adquiridos na cruz. (2) Este propsito de redeno futuro, pois seu pleno benefcio s ser alcanado no porvir. B Quem somos ns? A alma do movimento adventista.

1 Precisamos entender nosso passado com suas motivaes, vicissitudes e realizaes para que diante das crises e perigos dos sculos ou do presente, possamos ter um direo segura. 2 Precisamos estudar nossa identidade como povo, sem mantermos, ou aceitarmos conceitos restritivos. a Alguns nos encaram como uma inovao tardia, vinda para o mundo religioso no sculo XIX. Somos declarados como entidade separatista e tardia. b Isto nos tem colocado, injustamente, fora da Reforma Protestante do sculo XVI, quando ns nos vemos como uma continuao dela (C.S., 83). E nos vemos no s como continuadores, mas como aqueles que a conduziro ao seu clmax. 3 Precisamos recuar nosso horizontes, e vermo-nos como uma parte inseparvel de toda histria, como o final seguimento de sua verdade. a Somos a ltima linha de testemunhas de Deus para alcanarmos o fim da era crist. b O ltimo seguimento das 7 fases da Igreja de Deus, como revelado em Apocalipse 2, 3, e interpretado por A.A, pp. 586, 587. 4 Precisamos entender a relao do povo remanescente e a Igreja invisvel. a Igreja Universal Comunidade de crentes que confessam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Compe-se de todos os que verdadeiramente crem em Cristo. (1) Remanescente: Um povo chamado para fora, nos ltimos dias, do corpo universal, devido apostasia, para anunciar a Trplice Mensagem Anglica a todo o mundo. (2) Esta viso da igreja d profundidade e perspectiva nossa misso e mensagem. Prov mais poder e apelo para nossa misso do testemunhar a todos os homens, e nos protegem do conceito restritivo de que somos uma inovao tardia e que surgimos no sculo XIX como entidade separatista.

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(a) Duas conseqncias lgicas surgem desta viso de igreja: 1) Destruir todo senso inconfessvel de complexo de superioridade (triunfalismo) e ufanismo. 2) No esquecer nossa identidade doutrinria e proftica, eclesiolgica e missiolgica. (b) Esta viso de igreja com a nossa anuncia s duas verdades bsicas, atravs das quais o mundo cristo nos reconhece como uma igreja crist, e so elas: 1) A eterna preexistncia e completa divindade de Cristo. 2) Seu ato de expiao foi completo na cruz. 5 Somos a consumao de todos os reavivamentos e reformas da histria crist. a Porque as igrejas reformadas falharam em completar a obra, ns estamos aqui para faz-la. Nossa finalidade a final misso. b Ns temos um lugar especfico a ocupar no plano de Deus, no conflito dos sculos. (1) Ns somos a testemunha final da cadeia de arautos da verdade salvadora. (2) Nossa luz cumulativa, nossos privilgios conforme a eleio, nos fazem responsveis diante de Deus e dos homens da tocha da grande comisso. Somos o ltimo movimento mundial de misso.

II HISTRIA DA IGREJA ADVENTISTA INTRODUO GERAL

CONTEXTO HISTRICO DO MOVIMENTO ADVENTISTAA Em torno do sculo XV as pessoas e os governos estavam interessados em saber como ficar mais ricos. Seria aumentando a quantidade de terras ou a quantidade de dinheiro? A sociedade feudal fora baseada na riqueza de posse de terra. Enquanto uma sociedade que se baseava na riqueza da posse de dinheiro emergia lentamente. 1 Um pas rico tal como um homem rico, deve ser um pas com muito dinheiro; e juntar ouro e prata num pas deve ser a mais rpida forma de enriquec-lo (Adam Smith, 1776). a A palavra de ordem era: vender o mximo e importar o mnimo.

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b Deu-se assim o incio a uma revoluo comercial. c Neste contexto e sob este prisma se pode entender e interpretar melhor os acontecimentos histricos diversos. (1) Como as cruzadas que visavam reabrir o Mar Mediterrneo Oriental s embarcaes ocidentais com finalidades comercias. (2) Como as viagens martimas que objetivavam encontrar uma rota alternativa s ndias (oriente todo) com vistas a fomentar o comrcio no ocidente. (3) Com este mesmo objetivo se deram as viagens de descobrimento e colonizao de: Portugal, Espanha, frana, Inglaterra, Holanda. A ordem era trazer ouro, prata e outros bens para aumentar a riqueza com base no lucro. Surge no horizonte da histria a burguesia. B O sculo XVI foi caracterizado pelo humanismo (antropocntrico) . O homem o centro, o sujeito o padro de tudo. Com isso comeou a se valorizar o que no homem havia de maior valor sua razo. Isso nos conduz ao Iluminismo, no sculo XVIII. Foi a poca do racionalismo de Descartes. Deu-se a liberdade do pensamento. Com uma mo eles abalaram o absolutismo secular dos reis e com a outra a autoridade religiosa de Roma. 1 Por este processo propagam-se as idias liberais, que defendiam o direito do indivduo liberdade poltica e de expresso. 2 Nesta poca surgiu a doutrina dos trs poderes fundamentais: a Executivo b Legislativo c Judicirio (1) Cada um existia para limitar o poder do outro. 3 Com o livro Contrato Social, de Jean-Jacques Rousseau, se desenvolveu a concepo de que a soberania reside no povo. C Desta forma estavam prontos os ingredientes para as revolues liberais:

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1 A Revoluo Americana a realizao prtica dos pensamentos filosficos liberais do sculo XVIII, de Descartes, de John Locke, Montesquieu, Voltaire, Rousseau e outros. a A guerra da Independncia Americana (1776 1783). b Segunda Guerra de Independncia Americana (1812 1814). c Guerra de Secesso (1861 1865). 2 Revoluo Francesa (1789) e outras. 3 Este foi o caminho que os dominados encontraram para ter direito aos bens de produo o Capital. a Assim ascendeu no cenrio social a classe burguesa que aliada ao povo, ento, contra os colonizadores ou contra a nobreza defendiam as idias de: (1) Igualdade de todos os homens; (2) Liberdade Democracia; (3) Repblica Soberania do povo atravs de seus delegados; (4) Federalismo Sistema poltico que se constitui de vrios estados numa federao; (5) Capitalismo. 4 Foi neste ambiente que surgiu e deu os primeiros passos o Movimento Adventista. D Napoleo Bonaparte e a Europa Durante quinze anos Napoleo Bonaparte procurou propagar atravs de guerra o ideal republicano na Europa. E se anunciava como lder do estado dominante da Europa. 1 sua sede insacivel de poder o levou a exercer seu domnio em reas distantes como Oriente Prximo e Egito. a E ainda o conduziram s portas do Vaticano quando o general Berthier estabelece a Repblica Romana, em 1798, aprisionando o papa Pio Vi, que morreu no exlio. 2 Depois de 15 anos de guerra, Napoleo foi confinado numa ilha do Atlntico Sul, Santa Helena, onde veio a falecer.

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3 Ento a Europa tentou construir uma sociedade ordeira, livre dos excessos trazidos pela revoluo francesa. a Sob a liderana do Prncipe Matternich da ustria, e sob a inspirao de Edmund Burke, os estadistas europeus decidiram encorajar instituies que trouxessem estabilidade para a sociedade ordeira que desejavam. b Entre elas estava a Igreja Catlica, cuja influncia e prestgio gradualmente aumentaram. E Quando o Adventismo comeou? 1 Os adventistas do 7 dia crem que suas origens esto num longnquo passado. a No, somente, no movimento de 1830 a 1840 nos EUA, porm mais alm. b Alm, em Wesley e no movimento reavivacionista do sculo XVIII. c Alm, nos grandes reformadores protestantes. d Alm, nos grupos dissidentes anteriores, como os valdenses e lolardos (sociedade semimonstica da Idade Mdia, 1.300, para tratamento de doentes e enterro de mortos, que se originou na Anturoia; seguidores de Wycliffe nos sculos XIV e XV). e Alm, na Igreja Primitiva cltica da Irlanda e da Esccia. f Alm, nos mrtires do VI, V, IV e III sculos. Nossas origens esto fundadas em: (1) Columba Mrtir do VI sculo; (2) Patrcio Mrtir do V sculo; (3) Ulfilas Mrtir do IV sculo; (4) Justino, Perptua e Felicitas; (5) Policarpo, Bispo de Smirna. g Alm, esto nos apstolos e Jesus Cristo.