Histria De Mato Grosso

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Histria de Mato Grosso

Histria de Mato GrossoO PROCESSO DE COLONIZAO DE MATO GROSSO

Introduo

Sabe-se que antes de ser o Estado de Mato Grosso, essa grande rea j foi adentrada por aventureiros espanhis desde 1520, quando pertencia coroa espanhola. Em 1525, o portugus Aleixo Garcia com uma expedio de aproximadamente mil homens,descobriu-se muito ouro, em expedies ao longo dos rios Paraguai e Paran chegando ate a Bolvia, depois por bandeirantes paulistas a partir de 1673. Em 1526, foi vez de Sebastio Caboto que subindo o Paraguai chegou at as aldeias dos guaranis onde diz ter feito uma relao de amizade, (ndios Umutina?). Desde 1932 se tm notcias das Bandeiras paulistas, que partindo de So Vicente, traziam consigo grande contingente de brancos, uma maioria de mamelucos e ndios escravizados, cujo objetivo eram aprisionar ndios para escraviz-los nos cafezais paulistas e outras lides rurais. No esquecer que os alvos eram as Misses jesutas onde o ndio j era civilizado, caso esse disputado tambm por espanhis, j que pelo Tratado de Tordesilhas, Mato Grosso pertencia Espanha. A partir de 1640 a normalizao do trfico de negros que antes foi controlada pelos holandeses, desviando para o nordeste, deu a captura de ndios um comrcio bem lucrativo. Assim, como a regio continuava disputada tambm pelos espanhis, em 1682 vamos encontrar Bartolomeu Bueno da Silva, no local denominado So Gonalo, s margens do Rio Cuiab em busca de ndios e de certa forma tomando posse da regio para a Coroa portuguesa. Manoel de Campos Bicudo e seu filho Antnio Pires de Campos, de 1650 a 1700, reforaram como bandeirantes colonizadores e capturadores de ndios. Entre 1717 a 1718, o paulista Antnio Pires levou para So Paulo uma grande quantidade de ndios coxipons. No trajeto encontra-se com a expedio de Pascoal Moreira Cabral que recebe ntimas informaes, assim ao atingir o rio coxip encontra ouro de aluvio, ali decidiu acampar, fundando o arraial da Forquilha. Ali redigiu tambm uma carta-ata, como Capito-mor, dando posse do Territrio Sua Majestade o Rei de Portugal, era 1719. Em 1722, j residindo e cultivando lavouras de subsistncia, o acompanhante da Bandeira de Pascoal, Miguel Sutil, de sua roa, envia escravos ndios carijs para procurar mel de abelhas, e ao adentrar os campos, encontra pepitas de ouro, as margens ou prximos ao atual Crrego Prainha, centro de Cuiab. Esse local chamou-se Lavras do Sutil e foi apontado como a maior reserva que se teria achado em todo o Brasil. De acordo com o historiador Humboldt, equivaleu a mais da metade da produo aurfera de toda a Amrica na poca. A descoberta desse veio provocou enorme migrao para a Regio. O povoamento de Cuiab se deu por esse fato. Para abastecer os mineradores, surgiram fazendas e roas no chamado Rio Abaixo (Santo Antonio de Leverger) e Serra acima (Chapada dos Guimares), onde eram cultivados; arroz, feijo, milho, mandioca. Os produtos como medicamentos, roupas, ferramentas, bebidas, chegavam das chamadas mones, vindas de So Paulo por vias fluviais. Essas expedies fluviais vinham a Mato Grosso duas vezes por ano, demorando de quatro a seis meses de viagem. As embarcaes eram esculpidas num tronco de rvore, de formato indgena e conduzidas por pilotos conhecedores do trajeto e prticos. Alm das dificuldades oferecidas pela mata, como cobras, mosquitos da malria e bernes, carrapatos, onas, corredeiras e cachoeiras, havia os ndios guaicurus, excelentes cavaleiros, e os paiagus, grandes guerreiros, que no se deixavam aprisionar. Assim que a expedio alcanava o Pantanal, os guaicurus atacavam e depois, rio acima, o paiagus, hbeis no ataque de canoas dentro dgua, se transformavam nos mais temveis.Havia tambm as mones por terra, transportado por mulas, cavalos e carro de boi e ou nas costas de escravos e contratados. Esse material era geralmente carne seca, o que contribuiu por desenvolver tanto em So Paulo e Nordeste a Pecuria e posteriormente ajudou a fixar o colono em Mato Grosso, portanto nossa colonizao (MT) tem muita a ver com o p do boi, pois o garimpeiro ia-se embora, mas o fazendeiro ficava, da surgia o Arraial e o Povoado.Em 1726 com a chegada do Governador da Capitania de So Paulo, Rodrigo Csar de Menezes, transformou Cuiab na sede da Capitania (de So Paulo), em 10 de janeiro de 1727, elevando esse Arraial categoria de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiab. Agora a Vila passou a ter um aspecto do jeito portugus de administrar; com casa do Governador, construo do Pelourinho, (local numa praa ou jardim com um tronco e uma cobertura arredondada para castigarem negros), Senado da Cmara, da Igreja Matriz, etc. Na vinda, trouxe consigo 3000 pessoas em 308 embarcaes fluviais, cuja viagem durou em torno de cinco meses. Em seu governo, foi criado o Regimento e a Intendncia das Minas, com leis de cobrana do quinto (20%) para o governo metropolitano era: - O ouro deveria ser quitado na Casa de Fundio de So Paulo.- Para cuidar das finanas criou os cargos de Provedor da Fazenda Real e Provedor dos Quintos.- Para cuidar da Justia criou o cargo de Ouvidor Geral das Minas de Cuiab.Com o tempo o ouro foi minguando e ajudado pelos altos impostos, a populao foi migrando para Gois, retornaram para So Paulo ou para as terras dos Parecis, (atualmente a Chapada dos Parecis) onde agora se fixavam e tomaram posses de grandes reas de terras para a criao de gado e plantio de lavouras como arroz de sequeiro, milho etc. Com isso o governo brasileiro passou a tomar posse definitiva das terrasdeMatorosso.A origem do nome Mato Grosso

Em 1734 a Vila Real do Senhor do Bom Jesus de Cuiab estava quase despovoada, foi que os irmos Fernando e Artur Paes de Barros, em busca dos ndios Parecis, descobriram um veio aurfero nas margens do rio Galera, no vale do Guapor onde deram o nome de Minas do Mato Grosso por ter uma rea de mata fechada grossa como era chamada na poca. Nas margens desse rio e pela regio surgiram diversos arraiais de mineradores, os chamados garimpos.

Criao da Capitania de Mato Grosso

A descoberta do ouro trouxe para c um governo metropolitano (de Portugal), a migrao da populao para outros locais e capitanias, bem como as constantes invases dos espanhis, foraram a criao da Capitania de Mato Grosso, desmembrando, portanto da Capitania de So Paulo em 09 de maio de 1748 e para govern-lo foi nomeado o fidalgo portugus, Antonio Rolim de Moura, sendo o primeiro capito-general dessa capitania.

A Sociedade Mato-grossense na poca

Era formada por homens livres e escravos. Os livres estavam subdivididos em Primeira Classe; Ricos (fazendeiros, grandes comerciantes, e altos funcionrios do Estado Portugus), Classe mdia (formada por profissionais liberais, professores, pequenos comerciantes, militares de mdia patente e etc.), a Terceira Classe os Pobres, era formada por homens livres pobres, soldados, mineiros e pequenos agricultores. Os desclassificados, os escravos eram formados por negros africanos e ndios que trabalhavam nos servios urbanos e rurais. s vezes fugiam e formavam quilombos, como o quilombo do Piolho ou Quariter no Guapor no Sculo XVIII, composto por negros, ndios Cabixis e pelos cafuzos caburs. A forma de governo era a monarquia, cujo poder pertencia rainha Teresa de Benguela. A economia do quilombo era voltada para a subsistncia, com o plantio do milho, mandioca e de animais domsticos. Alm desses quilombos, podemos citar o do Rio Manso, o Mutuca, Pindaituba e o do Rio Seputuba, o Mata-cavalo e outros. (*)

Fim do Perodo Colonial

Com a chegada de D. Joo VI ao Brasil em 1808, a decadncia do ouro em Vila Bela da Santssima Trindade ento capital da Provncia e as dificuldades diversas, fez os moradores mudarem-se para Cuiab. Para isso foi nomeado o novo governador; Joo Carlos Oeynhausen, que preferiu morar em Cuiab considerado um bom governador na poca. Entre seus feitos; criou o Curso Superior de Anatomia, Companhia de Minerao e Escola de Aprendizes de Marinheiros. O ltimo Capito General foi Francisco de Paula Magessi de Carvalho que ao preferir morar tambm em Cuiab causou descontentamento na populao de Vila Bela, que destituram Magessi, Cuiab passou a ser governada por uma Junta Governista, e o mesmo ocorrendo em Vila Bela, assim Mato Grosso passou a ter dois governos. Movido por interesse econmico, D. Pedro I, decidiu que Cuiab seria de fato a capital de Mato Grosso (antes era Vila Bela da Santssima Trindade).

Economia de Mato Grosso

Produziam do Ouro de aluvio e da Cana-de-acar que era produzidas em engenhos feitos de madeira e movidos a trao animal, com baixa produtividade. A mo-de-obra era escrava. Fabricavam acar, rapadura e aguardente e se localizavam principalmente ao longo do rio Cuiab. Plantavam pequenas lavouras de subsistncia, como mandioca para o uso natural, fabricao de farinha, polvilho para tapioca beijus, bolos, plantio de feijes. No sculo XIX surgem as usinas, com mquinas acar, aguardente e lcool, e continuando ao longo do rio Cuiab e agora tambm na regio de Cceres. Essa economia entra em decadncia em 1930 com as dificuldades de transportes, falta de tcnicos e de mquinas e a perseguio das oligarquias pelos revolucionrios e etc. A Erva-mate foi tambm uma grande fonte de renda no perodo imperial, que ao arrendar terras para um estrangeiro argentino que fundou a Companhia Matte Laranjeira, que monopolizou a extrao da erva-mate no estado, adquirindo uma enorme fortuna. Possua controle sobre as terras arrendadas, sobre os produtos colhidos e industrializadas, pelo menos construiu portos, estradas e ferrovias. A produo era industrializada na Argentina. A Poaia era encontrada no meio da mata fechada ao longo dos rios Paraguai, Bugres, Rio Branco, e vrios afluentes. Era exportada para a Europa onde era usada na fabrico de medicamentos. A planta consiste numa formao herbcea, achada em reboleiras, donde se retiravam as razes. A borracha extrada nas regies das bacias do Paraguai e Amazonas, consiste na retirada do ltex da casca da rvore e levadas para grandes centros e ou exportadas para a fabricao de pneus e etc. Desde o perodo colonial at o sculo XX. A Pecuria. Surgida no sculo XVIII como atividade subsidiria s tarefas mineradoras, dos campos cuiabanos se alastrou pelo Pantanal e Pocon desenvolvendo uma grande indstria do charque, comercializado no pas e exportado. A primeira charquearia instalou-se em Cceres no local chamado Descalvado. O bovino mais usado era da raa caracu ou zebu. (Bos taurus).Outros produtos agrcolas considerados de subsistncia, j mencionados foram o arroz, milho, mandioca, frutas e caf.Com o governo de Getlio Vargas a parti de 1930, articulas-se o rompimento do grande isolamento do estado e a idia de construir um mercado consumidor dos produtos industriais. Para isso comea uma poltica de colonizao, e em1950 so criados as colnias agrcolas de Dourados, (MS), Taquari-Mirim e Joo Alberto (Nova Xavantina), MT. Em 1960 acelerada a colonizao e a populao passa de 348.657em 1930 para 910.262 habitantes. Em 1960 o governo por meio de incentivos fiscais e crditos financeiros facilitam e permitem a instalao de grandes latifndios, onde hoje MS, principalmente de empresrios do Centro-Sul. Cria a SUDECO - Superintendncia do Centro-Oeste e SUDAM - Superintendncia do Desenvolvimento da Amaznia, e os fazendeiros passam a desmatar o cerrado e as matas, com o uso de tratores e alta tecnologia no preparo, plantio e colheita para o cultivo do arroz e criao pecuria de raa, principalmente a nelore, e em seguida o plantio racional da soja na dcada de 70. Mato Grosso entra na era da modernizao da agricultura e consolida seu papel de periferia da indstria nacional. Nesse nterim foram abertas grandes rodovias de integrao, como a BR 364 e a Cuiab-Santarm, dando suporte financeiro para instalaes de Bancos como o Banco da Amaznia e o Banco do Brasil, com linhas de financiamentos com diversas facilidades de pagamentos, instalaram-se rgos de Assistncia Tcnicas ao agro pecuarista; nos escritrios da EMATER - Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural, hoje EMPAER enfim, Mato Grosso passou a ser visto pelos governos Federais com bons olhos e no como desprezo de antes. Em 1977, Mato Grosso dividido e ficando o sul do estado com o nome de Mato Grosso do Sul. Como a colonizado pela metrpole comeou por l bem como a proximidade de So Paulo e outros maiores centros, aliados a um solo de alta e mdia fertilidade, deixou este estado em melhores condies financeiras, que ajudou e perdura at hoje seu destaque econmico em relao a Mato Grosso. Mas com o sistema poltico-educacional que se implantam atualmente, no tardaremos em ultrapass-lo, at mesmo por que o estado tem maior rea territorial. pesquisas bibliogrficas a respeito, para uma melhor compreenso dos assuntos nas pautas. CEFAPRO - Tangar da Serra, 02 de junho de 2007. Prof. Felisberto Pereira da Cruz

A histria de Mato Grosso, no perodo "colonial" importantssima, porque durante esses 9 governos o Brasil defendeu o seu perfil territorial e consolidou a sua propriedade e posse at os limites do rio Guapor e Mamor. Foram assim contidas as aspiraes espanholas de domnio desse imenso territrio. Proclamada a nossa independncia, os governos imperiais de D. Pedro I e das Regncias ( 1 Imprio) nomearam para Mato Grosso cinco governantes e os fatos mais importantes ocorridos nesses anos ( 7/9/1822 a 23/7/1840) foram a oficializao da Capital da Provncia para Cuiab (lei n 19 de 28/8/1835) e a "Rusga" (movimento nativista de matana de portugueses, a 30/05/1834). Proclamada a 23 de julho de 1840 a maioridade de Dom Pedro II, Mato Grosso foi governado por 28 presidentes nomeados pelo Imperador, at Proclamao de Repblica, ocorrida a 15/11/1889. Durante o Segundo Imprio (governo de Dom Pedro II), o fato mais importante que ocorreu foi a Guerra da Trplice Aliana, movida pela Repblica do Paraguai contra o Brasil, Argentina e Uruguai, iniciada a 27/12/1864 e terminada a 01/03/0870 com a morte do Presidente do Paraguai, Marechal Francisco Solano Lopez, em Cerro-Cor. Os episdios mais notveis ocorridos em terras matogrossenses durante os 5 anos dessa guerra foram: a) o incio da invaso de Mato Grosso pelas tropas paraguaias, pelas vias fluvial e terrestre; b) a herica defesa do Forte de Coimbra.; c) o sacrifcio de Antnio Joo Ribeiro e seus comandados no posto militar de Dourados. d) a evacuao de Corumb; e) os preparativos para a defesa de Cuiab e a ao do Baro de Melgao; f) a expulso dos inimigos do sul de Mato Grosso e a retirada da Laguna; g) a retomada de Corumb; h) o combate do Alegre; Pela via fluvial vieram 4.200 homens sob o comando do Coronel Vicente Barrios, que encontrou a herica resistncia de Coimbra ocupado por uma guarnio de apenas 115 homens, sob o comando do Tte. Cel. Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero. Pela via terrestre vieram 2.500 homens sob o comando do Cel. Isidoro Rasquin, que no posto militar de Dourados encontrou a bravura do Tte. Antnio Joo Ribeiro e mais 15 brasileiros que se recusaram a rendio, respondendo com uma descarga de fuzilaria ordem para que se entregassem. Foi ai que o Tte. Antnio Joo enviou ao Comandante Dias da Silva, de Nioaque, o seu famoso bilhete dizendo: "Ser que morro mas o meu sangue e de meus companheiros ser de protesto solene contra a invaso do solo da minha Ptria" A evacuao de Corumb, desprovida de recursos para a defesa, foi outro episdio notvel, saindo a populao, atravs do Pantanal, em direo a Cuiab, onde chegou, a p, a 30 de abril de 1865.

Na expectativa dos inimigos chegarem a Cuiab, autoridades e povo comearam preparativos para a resistncia. Nesses preparativos sobressaia a figura do Baro de Melgao que foi nomeado pelo Governo para comandar a defesa da Capital, organizando as fortificaes de Melgao. Se os invasores tinham inteno de chegar a Cuiab dela desistiram quando souberam que o Comandante da defesa da cidade era o Almirante Augusto Leverger - o futuro Baro de Melgao -, que eles j conheciam de longa data. Com isso no subiram alm da foz do rio So Loureno. Expulso dos invasores do sul de Mato Grosso- O Governo Imperial determinou a organizao, no tringulo Mineiro, de uma "Coluna Expedicionria ao sul de Mato Grosso", composta de soldados da Guarda Nacional e voluntrios procedentes de So Paulo e Minas Gerais para repelir os invasores daquela regio. Partindo do Tringulo em direo a Cuiab, em Coxim receberam ordens para seguirem para a fronteira do Paraguai, reprimindo os inimigos para dentro do seu territrio. A misso dos brasileiros tornava-se cada vez mais difcil, pela escassez de alimentos e de munies. Para cmulo dos males, as doenas oriundas das alagaes do Pantanal matogrossense, devastou a tropa. Ao aproximar-se a coluna da fronteira paraguaia, os problemas de alimentos e munies se agravava cada vez mais e quando se efeito a destruio do forte paraguaio Bela Vista, j em territrio inimigo, as dificuldades chegaram ao mximo. Decidiu ento o Comando brasileiro que a tropa seguisse at a fazenda Laguna, em territrio paraguaio, que era propriedade de Solano Lopez e onde havia, segundo se propalava, grande quantidade de gado, o que no era exato. Desse ponto, aps repelir violento ataque paraguaio, decidiu o Comando empreender a retirada, pois a situao era insustentvel. Iniciou-se a a famosa "Retirada da Laguna", o mais extraordinrio feito da tropa brasileira nesse conflito. Iniciada a retirada, a cavalaria e a artilharia paraguaia no davam trguas tropa brasileira, atacando-as diariamente. Para maior desgraa dos nacionais veio o clera devastar a tropa. Dessa doena morreram Guia Lopes, fazendeiro da regio, que se ofereceu para conduzir a tropa pelos cerrados sul mato-grossenses, e o Coronel Camiso, Comandante das foras brasileiras. No dia da entrada em territrio inimigo (abril de 1867), a tropa brasileira contava com 1.680 soldados. A 11 de junho foi atingido o Porto do Canuto, s margens do rio Aquidauana, onde foi considerada encerrada a trgica retirada. Ali chegaram apenas 700 combatentes, sob o comando do Cel. Jos Thoms Gonalves, substitudo de Camiso, que baixou uma "Ordem do dia", concluda com as seguintes palavras: "Soldados! Honra vossa constncia, que conservou ao Imprio os nossos canhes e as nossas bandeiras".

A retirada da Laguna foi, sem dvida, a pgina mais brilhante escrita pelo Exrcito Brasileiro em toda a Guerra da Trplice Aliana. O Visconde de Taunay, que dela participou, imortalizou-a num dos mais famosos livros da literatura brasileira. A retomada de Corumb foi outra pgina brilhante escrita pelas nossas armas nas lutas da Guerra da Trplice Aliana. O presidente da Provncia, ento o Dr. Couto de Magalhes, decidiu organizar trs corpos de tropa para recuperar a nossa cidade que h quase dois anos se encontrava em mos do inimigo. O 1 corpo partiu de Cuiab a 15.05/1867, sob as ordens do Tte. Cel. Antnio Maria Coelho. Foi essa tropa levada pelos vapores "Antnio Joo", "Alfa", "Jaur" e "Corumb" at o lugar denominado Alegre. Dali em diante seguiria sozinha, atravs dos Pantanais, em canoas, utilizando o Paraguai -Mirim, brao do rio Paraguai que sai abaixo de Corumb e que era confundido com uma "boca de baa". Desconfiado de que os inimigos poderiam pressentir a presena dos brasileiros na rea, Antnio Maria resolveu, com seus Oficiais, desfechar o golpe com o uso exclusivo do 1 Corpo, de apenas 400 homens e lanou a ofensiva de surpresa. E com esse estratagema e muita luta corpo a corpo, consegui o Comandante a recuperao da praa, com o auxlio, inclusive, de duas mulheres que o acompanhavam desde Cuiab e que atravessaram trincheiras paraguaias a golpes de baionetas. Quando o 2 Corpo dos Voluntrio da Ptria chegou a Corumb, j encontrou em mos dos brasileiros. Isso foi a 13/06/1867. No entanto, com cerca de 800 homens s suas ordens o Presidente Couto de Magalhes, que participava do 2 Corpo, teve de mandar evacuar a cidade, pois a varola nela grassava, fazendo muitas vtimas. O combate do Alegre foi outro episdio notvel da guerra. Quando os retirantes de Corumb, aps a retomada, subiam o rio no rumo de Cuiab, encontravam-se nesse portox "carneando" ou seja, abastecendo-se de carne para a alimentao da tropa eis que surgem, de surpresa, navios paraguaios tentando uma abordagem sobre os nossos. A soldadesca brasileira, da barranca, iniciou uma viva fuzilaria e aps vrios confrontos, venceram as tropas comandadas pela coragem e sangue frio do Comandante Jos Antnio da Costa. Com essa vitria chegaram os da retomada de Corumb Capital da Provncia (Cuiab), transmitindo a varola ao povo cuiabano, perdendo a cidade quase a metade de sua populao. Terminada a guerra, com a derrota e morte de Solano Lopez nas "Cordilheiras" (Cerro Cor), a 1 de maro de 1870, a notcia do fim do conflito s chegou a Cuiab no dia 23 de maro, pelo vapor "Corumb", que chegou ao porto embandeirado e dando salvas de tiros de canho. Dezenove anos aps o trmino da guerra, foi o Brasil sacudido pela Proclamao da Repblica, cuja notcia s chegou a Cuiab na madrugada de 9 de dezembro de 1889.

Origem do Nome:

Na busca de ndios e ouro, Pascoal Moreira Cabral e seus bandeirantes paulistas fundaram Cuiab a 8 de abril de 1719, num primeiro arraial, So Gonalo Velho, situado nas margens do rio Coxip em sua confluncia com o rio Cuiab. Em 1o. de janeiro de 1727, o arraial foi elevado categoria de vila por ato do Capito General de So Paulo, Dom Rodrigo Csar de Menezes. A presena do governante paulista nas Minas do Cuiab ensejou uma verdadeira extorso fiscal sobre os mineiros, numa obsesso institucional pela arrecadao dos quintos de ouro. Esse fato somado gradual diminuio da produo das lavras aurferas, fizeram com que os bandeirantes pioneiros fossem buscar o seu ouro cada vez mais longe das autoridades cuiabanas. Em 1734, estando j quase despovoada a Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiab, os irmos Fernando e Artur Paes de Barros, atrs dos ndios Parecis, descobriram veio aurfero, o qual resolveram denominar de Minas do Mato Grosso, situadas nas margens do rio Galera, no vale do Guapor.

Os Anais de Vila Bela da Santssima Trindade, escritos em 1754 pelo escrivo da Cmara dessa vila, Francisco Caetano Borges, citando o nome Mato Grosso, assim nos explicam: Saiu da Vila do Cuiab Fernando Paes de Barros com seu irmo Artur Paes, naturais de Sorocaba, e sendo o gentio Pareci naquele tempo o mais procurado, [...] cursaram mais ao Poente delas com o mesmo intento, arranchando-se em um ribeiro que desgua no rio da Galera, o qual corre do Nascente a buscar o rio Guapor, e aquele nasce nas fraldas da Serra chamada hoje a Chapada de So Francisco Xavier do Mato Grosso, da parte Oriental, fazendo experincia de ouro, tiraram nele trs quartos de uma oitava na era de 1734. Dessa forma, ainda em 1754, vinte anos aps descobertas as Minas do Mato Grosso, pela primeira vez o histrico dessas minas foi relatado num documento oficial, onde foi alocado o termo Mato Grosso, e identificado o local onde as mesmas se achavam. Todavia, o histrico da Cmara de Vila Bela no menciona porque os irmos Paes de Barros batizaram aquelas minas com o nome de Mato Grosso. Quem nos d tal resposta Jos Gonalves da Fonseca, em seu trabalho escrito por volta de 1780, Notcia da Situao de Mato Grosso e Cuiab, publicado na Revista do Instituto Histrico e Geogrfico Brasileiro de 1866, que assim nos explica a denominao Mato Grosso: [...] se determinaram atravessar a cordilheira das Gerais de oriente para poente; e como estas montanhas so escalvadas, logo que baixaram a plancie da parte oposta aos campos dos Parecis (que s tem algumas ilhas de arbustos agrestes), toparam com matos virgens de arvoredo muito elevado e corpulento, que entrando a penetr-lo, o foram apelidando Mato Grosso; e este o nome que ainda hoje conserva todo aquele distrito. Caminharam sempre ao poente, e depois de vencerem sete lguas de espessura, toparam com o agregado de serras [...]. Pelo que desse registro se depreende, o nome Mato Grosso originrio de uma grande extenso de sete lguas de mato alto, espesso, quase impenetrvel, localizado nas margens do rio Galera, percorrido pela primeira vez em 1734 pelos irmos Paes de Barros. Acostumados a andar pelos cerrados do chapado dos Parecis, onde apenas havia algumas ilhas de arbustos agrestes, os irmos aventureiros, impressionados com a altura e porte das rvores, o emaranhado da vegetao secundria que dificultava a penetrao, com a exuberncia da floresta, a denominaram de Mato Grosso. Perto desse mato fundaram as Minas de So Francisco Xavier e toda a regio adjacente, pontilhada de arraiais de mineradores, ficou conhecida na histria como as Minas do Mato Grosso. Posteriormente, ao se criar a Capitania por Carta Rgia de 9 de maio de 1748, o governo portugus assim se manifestou: Dom Joo, por Graa de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, [...] Fao saber a vs, Gomes Freire de Andrade, Governador e Capito General do Rio de Janeiro, que por resoluto se criem de novo dois governos, um nas Minas de Gois, outro nas de Cuiab [...]. Dessa forma, ao se criar a Capitania, como meio de consolidao e institucionalizao da posse portuguesa na fronteira com o reino de Espanha, Lisboa resolveu denomin-las to somente de Cuiab. Mas no fim do texto da referida Carta Rgia, assim se ex-prime o Rei de Portugal [...] por onde parte o mesmo governo de So Paulo com os de Pernambuco e Maranho e os confins do Governo de Mato Grosso e Cuiab [...]. Apesar de no denominar a Capitania expressamente com o nome de Mato Grosso, somente referindo-se s minas de Cuiab, no fim do texto da Carta Rgia, denominado plenamente o novo governo como sendo de ambas as minas, Mato Grosso e Cuiab. Isso ressalva, na realidade, a inteno portuguesa de dar Capitania o mesmo nome posto anos antes pelos irmos Paes de Barros. Entende-se perfeitamente essa inteno. Todavia, a consolidao do nome Mato Grosso veio rpido. A Rainha D. Mariana de ustria, ao nomear Dom Antonio Rolim de Moura como Capito General, na Carta Patente de 25 de setembro de 1748, assim se expressa: [...]; Hei por bem de o nomear como pela presente o nomeio no cargo de Governador e Capito General da Capitania de Mato Grosso, por tempo de trs anos [...]. A mesma Rainha, no ano seguinte, a 19 de janeiro, entrega a Dom Rolim a suas famosas Instrues, que determinariam as orientaes para a administrao da Capitania, em especial os tratos com a fronteira do reino espanhol. Assim nos diz o documento:

[...] fui servido criar uma Capitania Geral com o nome de Mato Grosso [...] 1o - [...] atendendo que no Mato Grosso se requer maior vigilncia por causa da vizinhana que tem, houve por bem determinar que a cabea do governo se pusesse no mesmo distrito do Mato Grosso [...]; 2o - Por se ter entendido que Mato Grosso a chave e o propugnculo do serto do Brasil [...]. E a partir da, da Carta Patente e das Instrues da Rainha, o governo colonial mais longnquo, mais ao oriente em terras portuguesas na Amrica, passou a se chamar de Capitania de Mato Grosso, tanto nos documentos oficiais como no trato dirio por sua prpria populao. Logo se assimilou o nome institucional Mato Grosso em desfavor do nome Cuiab. A vigilncia e proteo da fronteira oeste era mais importante que as combalidas minas cuiabanas. A prioridade era Mato Grosso e no Cuiab. Com a independncia do Brasil em 1822, passou a ser a Provncia de Mato Grosso, e com a Repblica em 1899, a denominao passou a Estado de Mato Grosso. As Minas do Mato Grosso, descobertas e batizadas ainda em 1734 pelos irmos Paes de Barros, impressionados com a exuberncia das 7 lguas de mato espesso, dois sculos depois, mantendo ainda a denominao original, se transformaram no continental Estado de Mato Grosso. O nome colonial setecentista, por bem posto, perdurou at nossos dias.

Histria de Mato Grosso

O estado de Mato Grosso foi ocupado durante o perdo colonizao do Brasil atravs das expedies dos Bandeirantes e do Tratado de Madri de 1751.

Tipos de expediesForam feitas diversas expedies entre elas as entradas e bandeiras, as entradas foram financiadas por Portugal partiam de qualquer lugar do Brasil e no ultrapassavam o Tratado de Tordesilhas. As bandeiras foram financiadas pelos paulistas somente eles foram ao oeste, ultrapassando Tordesilhas, inclusive.

Os motivos pelos quais ocorreram as expedies para oeste do Brasil so diversos, a coroa portuguesa precisava ocupar as terras a oeste para se defender da ocupao espanhola de oeste para leste e preservar o Tratado de Tordesilhas. As expedies feitas pelos paulistas foram de carater principal econmico como a procura por indgenas que era uma mo-de-obra mais barata que a escrava ocorridas em 1718 e 1719, a minerao em 1719 com o propsito de explorao de ouro e pedras preciosas. As mones em 1722 foram realizadas a fim de estabelecer a troca de mercadoria de consumo com o ouro nas reas de minerao...

FundaoDurante as bandeiras, uma expedio chegou ao Rio Coxip em busca dos ndios Coxipons e logo descobriram ouro nas margens do rio, alterando assim o objetivo da expedio. Em 1719 foi fundado o Arraial da Forquilha, as margens do rio Coxipons formando o primeiro grupo de populao organizado na regio (atual cidade de Cuiab). A regio de Mato Grosso era subordinada a Capitania de So Paulo governada por Rodrigo Csar de Meneses, para intensificar a fiscalizao da explorao do ouro e a renda ida para Portugal, o governador da capitania muda-se para o Arraial e logo a eleva categoria de vila chamando de Vila Real do Bom Jesus de Cuiab.

Governadores coloniaisA partir de 1748, Mato Grosso e Gois so desmembradas da capitania de So Paulo, criada ento a capitania de Mato Grosso e os seguintes governantes:

Antnio Rolim de Moura de 1751 a 1765, fundou a primeira capital Vila Bela da Santssima Trindade.

Joo Pedro Cmara de 1765 a 1769,

Lus Pinto de Sousa Coutinho de 1769 a 1772, expulsou os jesutas e fundou vrios fortes e povoados.

Lus de Albuquerque de Melo Pereira e Cceres de 1772 a 1789.

Joo de Albuquerque de Melo Pereira e Cceres de 1789 a 1796.

Caetano Pinto de Miranda Montenegro de 1796 a 1802.

Manuel Carlos de Abreu e Meneses de 1802 a 1807.

Joo Carlos Augusto d'Oeynhausen e Gravembourg (Marqus de Aracati) de 1807 a 1819, iniciou a transferncia da capital de Vila Bela para Cuiab.

Francisco de Paula Magessi de Carvalho (Baro de Vila Bela) de 1819 e 1821.

A mudana da capital foram por motivos de distncia e dificuldade de comunicao com os grandes centros do Brasil, o processo de transferncia foi iniciada no governo de Joo Carlos Augusto d'Oeynhausen e Gravembourg e grande parte da administrao foi transferida no governo de Francisco de Paula Magessi de Carvalho que por dificuldades na administrao, a capital retornou a Vila Bela, somente em 1825 por um decreto de Dom Pedro I a capital ficou definitivamente em Cuiab.

Provncia de Mato GrossoUm ano antes da proclamao de Independncia do Brasil todas as capitanias se tornaram provncias. O primeiro acontecimento poltico da poca foi a Rusga, em que os grupos polticos liberais e conservadores que queriam reformas polticas, sociais e administrativas. Em 1864 inicia a Guerra do Paraguai, Paraguai fazia fronteira com Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul), Mato Grosso participou com soldados e protegendo as fronteiras do Estado.

Diviso do estadoDepois de uma pequena diviso do estado durante a revolta Constitucionalista onde o sul aproveitou a situao e formou um pequeno governo durante 90 dias, em 1977 o governo federal decretou a diviso do Estado de Mato Grosso, formando ento Mato Grosso e Mato Grosso do Sul devido a "dificuldade em desenvolver a regio diante da grande extenso e diversidade".

Em 1943 a rea localizada a noroeste, com pequena rea do estado do Amazonas s margens do rio Madeira, passou a constituir o territrio do Guapor, que atualmente constitui o estado de Rondnia.

Alm disso, do mesmo ano de 1943 a 1946, uma pequena poro do territrio matogrossense a localizada a sudoeste, constituiu o territrio de Ponta Por.