História Da Igreja Antiga

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O texto fala da historia da Igreja Catolica desde seus primrdios ate os tempos atuais. Em texto simples e fcil, faz seus fieis adeptos conhecerem a instituio qual pertencem.

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<p>71</p> <p>HISTRIA DA IGREJA ANTIGA</p> <p>SUMRIO</p> <p>1 caractersticas fundamentais da igreja primitiva61.1 Dos 30 anos provveis da paixo de Jesus, a 313 (edito de Milo)61.2 Primeira antinomia: particularismo judaico e universalismo71.3 Segunda antinomia: carisma x instituio91.4 Terceira antinomia: igreja, pequeno rebanho de eleitos ou multido de santos e pecadores? Como fugir do rigorismo sem cair no laxismo?111.5 Quarta antinomia: forte sentido de unidade e frequentes e tambm fortes dissenses na igreja primitiva131.6 infiltraes racionalistas: Gnosticismo151.7 Heresias161.7.1 Maniquesmo161.7.2 Montanismo161.7.3 Heresias trinitrias171.7.4 Cisma181.8 Quinta antinomia: entre escatologismo e encarnacionismo, entre ruptura e abertura191.9 As Perseguies201.9.1 As causas201.9.2 Principais fontes sobre as perseguies231.9.3 As Catacumbas241.9.4 O nmero dos mrtires261.9.5 As duas fases da perseguio271.9.5.1 Primeira fase das perseguies281.9.5.2 Segunda fase das perseguies (de Severo a Diocleciano)30</p> <p>2 A guinada constantiniana e seu significado342.1 A contraposio dos historiadores antigos e dos atuais342.2 Constantino, o grande, primeiro imperador cristo362.3 Efeitos negativos da guinada constantiniana392.4 Tentativa de um julgamento histrico (anlise crtica atual)412.5 Reao pag422.6 Primeiras controvrsias do sculo IV: rio44</p> <p>3 As controvrsias trinitrias e cristolgicas nos scs. Iv vii453.1 O arianismo depois do Conclio de Nicia453.2 Apolinrio de Laodicia e o Conclio de feso (431)493.3 utiques e o Conclio de Calcednia (451)533.4 Tentativas de acordo: ltimas controvrsias cristolgicas57</p> <p>4 conclios ecumnicos na histria60</p> <p>5 controvrsias sobre a graa: pelagianismo e semi-pelagianismo615.1 Gnese, Protagonistas, Lugares comuns do Pelagianismo615.2 Polmica agostiniana a vitria cabal645.3 Polmica posterior: o agostinianismo rgido, o semipelagianismo, o agostinianismo moderado675.4 Alguns aspectos da vida da igreja nos primeiros Sculos: vida sacramental, costumes...70</p> <p>1 caractersticas fundamentais da igreja primitiva</p> <p>1.1 Dos 30 anos provveis da paixo de Jesus, a 313 (edito de Milo)</p> <p>Fim das perseguies em geral e incio da aliana entre a igreja e imprio, a histria eclesistica desenvolve em trs pontos fundamentais: sua difuso nos limites do imprio, e tambm fora desses limites; a longa luta do estado romano para sobreviver; seu desenvolvimento interno, doutrina, constituio, culto, tenses, sempre presentes que num certo sentido at a favorece.Sobre o primeiro ponto, basta recordar isto: no se tratou de um movimento de massa, mas sim de uma ao capilar e por parte de cada convertido, tambm leigos. O cristianismo como ver melhor neste estudo adiante, mesmo carregando consigo por dcadas muito elemento herdado do mundo hebraico assume rapidamente as caractersticas de uma religio compatvel com a instituio e tradies de povos variados, como recorda-nos o autor annimo da carta a Diogneto (segunda metade do Sc. II): Os cristos no se distinguem dos outros homens nem pelo territrio nem pela lngua nem pela roupa. Eles no moram em cidades separadas, no usam uma lngua prpria nem levam uma vida diferente... adaptam-se aos costumes do pas no vestir-se, na alimentao e em tudo o mais... (cap. 5). Aderiu nova religio no apenas gente de condio humilde como artesos, comerciantes, escravos, mas tambm pessoas das classes abastadas, mesmo da alta nobreza romana e at da famlia imperial dos Flvio. A expanso ocorreu concomitantemente no Oriente e Ocidente, mas no final do terceiro sculo o maior nmero de cristos ficou na parte oriental do imprio (sia Menor, Macednia, Sria, Armnio primeira nao crist). Tambm a frica norte ocidental (regio de Cartago), o Egito, a Glia meridional possuam slidas e numerosas comunidades cristas. Lembremos que a frica deu igreja um contributo relevante no campo intelectual atravs de escritores valorosos. No terceiro sculo as comunidades mais importantes eram as de Roma (com cerca de 50.000 cristos numas populao de meio milho de habitantes), Cartago, Alexandria, Antioquia, Ed essa. Na Itlia, depois que a comunidade romana nasceu, logo surgiram comunidades no centro e ao sul j no primeiro sculo (Pussoli, Cpua, Npoles e com toda probabilidade Pompia e Herculano ante do ano 70); j no fim do quarto sculo, sobre uma populao total do imprio romano de cerca de 50 milhes, os cristos chegavam a 5 7 milhes, dos quais 2 3 no ocidente e 3 4 no oriente. interessante perceber que apenas no final do primeiro milnio pode-se falar de uma Europa quase inteira crist, com 15 milhes de batizados sobre 18 milhes habitantes.</p> <p>1.2 Primeira antinomia: particularismo judaico e universalismo</p> <p>Jesus Cristo declarou que no veio suprimir a lei mosaica, mas complement-la e reforar sua validade (no passar um s yota da lei at que se tudo cumpra), porm na ltima ceia proclamou uma nova aliana, o Novo Testamento e, depois da ressurreio, deu aos apstolos um mandato universal.Mesmo que o anncio de um Novo Testamento implicasse o fim o Velho Testamento, a superao da legislao mosaica ao menos nos pontos onde ela no se limitava a confirmar e defender os preceitos naturais e o comeo de uma nova comunidade onde os convertidos do judasmo entrar-se-o num mesmo plano do cristo, composto exclusivamente de hebreus, no compreendeu imediatamente o alcance das palavras de Jesus. A cultura que impregnava o cristo gerava certo orgulho nacional (bairrismo), onde o elemento religioso tinha preponderncia mxima interpretao literal das profecias messinicas que confirmavam a perenidade e universalidade do trono de Davi levava os apstolos e os primeiros discpulos a considerar a igreja estreitamente ligada sinagoga e a acreditar que a adeso ao patrimnio religioso e cultural de Israel e constitua premissa indispensvel para ingressar nessa nova comunidade.Concretamente no recebia o batismo se no fosse circuncidado antes, bem como observar todos os preceitos judaicos em Deuteronmio e Levtico.As descobertas de Qumram (11 grutas na regio oeste do Mar Morto, do Monte Nebo, onde foram encontrados milhares de fragmentos de manuscritos) mostraram que o judasmo era bastante dividido em vrias correntes coisas que no imaginvamos existia uma forte afinidade de uma dessas correntes, os essnios, com a vida e a doutrina da primeira comunidade crist de Jerusalm. Entre outras coisas forte oposio classe dirigida, com acentos que lembram a polmica antifarisaica de Jesus e sua concepo espiritualizante da lei, a personalidade do fundador, o mestre de justia, perseguido pelo sumo sacerdote; uma vida comunitria rigorosa, com lder escolhido democraticamente, noviciado bienal, fervorosa espera escatolgica, nacionalismo exasperado, tudo isso porm com uma maior caridade pelos outros.Os Atos dos Apstolos e os passos de S. Paulo ilustram com riqueza de detalhes a superao gradual desta mentalidade. Depois do discurso de Estevo (At 7, 1-54), que faz entrever o fim do lugar privilegiado de Israel na nova economia, o fato decisivo marcado pela estranha viso de Pedro, que foi comovido a comer carne de animais considerados ilcitos pelos hebreus; logo aps vem narrada a catequese do centurio pago Cornlio, sobre quem desce visivelmente o Esprito Santo, mesmo antes do batismo. Pedro, espantado, quase a contra gosto, exclama: Quem pode negar o batismo queles que receberam o Esprito Santo como ns? (At 10s). Porm a mentalidade arcaica era bastante enraizada para desaparecer rapidamente, e provocou longo e doloroso contraste, culminando no Conclio de Jerusalm, no ano 50, que teoricamente reconheceu a tese defendida por Paulo sobre a no necessidade de observar a lei mosaica, na prtica aceitou a proposta de Tiago Menor, para evitar cises na igreja sugeriu aos pagos convertidos absteno de sangues dos animais sufocados e das carnes oferecidas em sacrifcios aos dolos ou idolotitos (At 15, 1-35). Mais tarde Paulo reprovou Pedro publicamente por ainda ceder s tendncias de fanticos defensores das antigas tradies e no aplicar lealmente as decises do Conclio (incidente de Antioquia, exposto em Gl 2, 11-21: a salvao vem de Cristo no de prticas da lei mosaica). Paulo tinha present a necessidade de salvaguardar a caridade e evitar qualquer ato que escandalizasse algum, porm particularmente no considerava obrigatrio seguir os ditames do Concilio (cf. Cor 8, 1-13; 10, 23). Ainda no Apocalipse vemos a condenao a quem come idolotitos (2, 14. 20). Na mesma linha vai a Didaque, escrita provavelmente no fim do primeiro sculo: Se suportares o julgo do Senhor, sers perfeito; se no podes, faa o que puderes. Quanto aos alimentos, observa aquilo que puderes, mas abstenha-te absolutamente das carnes imoladas aos dolos, pois isto seria prestar culto a deuses mortos (VI. dois).O processo de separao e independncia do judasmo ou, em outras palavras, a ocidentalizao do cristianismo, foi muito lento. Por dcadas prevaleceu a influncia judaica. Na comunidade de Jerusalm o partido de Tiago Menor, fortemente judaizante, conservou poder decisrio por muitos anos. Recordemos, por este mesmo motivo, as comunidades de Antioquia e Damasco.A destruio de Jerusalm no ano 70 no resolveu o problema, mas j diminuiu a fora das correntes judaizantes os cristos da cidade mesmo por interesse praticam, a separar claramente seu destino do de seus conterrneos, fugindo do pas antes mesmo do assdio a Jerusalm. Percebe-se de maneira exasperada o velho e o novo testamento para liberar o cristianismo de qualquer infiltrao espria. Contribuiu para a diferenciao e o deslocamento da festa semanal do sbado dia sagrado para Israel para o domingo, que recordava aos cristos a ressurreio de Cristo. Discute-se muito sobre a data ou perodo em que essa mudana realmente aconteceu no comeo do sc. II. Mas a separao completa com o mundo e a cultura hebraica realizou-se em Alexandria, entre o fim do sc. II e o incio do sc. III por mrito de Clemente (150 215), que foi o primeiro que tentou apresentar o cristianismo com linguagem e conceitos helensticos, particularmente nas obras Protretico, pedagogo e Stromata. J. Daniel ou diz que no tem nenhuma benevolncia com os elementos judaicos que o Evangelho carrega consigo; para ele parece que a veste judaica cai por si como uma pele morta e aparece um cristo novo, semelhante externamente em tudo aos outros alexandrinos, porm animados por esprito diferente. O cristianismo no mais o simples cumprimento das profecias judaicas, antes disso a verdadeira sabedoria, anunciada pelos sbios gregos. Esta aberto o caminho para uma maior aceitao do cristianismo pela cultura Greco-romano.A separao entre a igreja e a sinagoga, que dogmaticamente sublinhou a inadequao da economia antiga e a necessidade da f em Cristo Redentor como nico caminho de salvao, na prtica salvou o universalismo dela, que no se identifica com nenhum padro cultural nem etnia especfica, e deve encarnar-se em qualquer poca, em novo contexto histrico. Este resultado altamente positivo custa muito caro, a recproca que acabou opondo a igreja e a sinagoga, ainda depois, atravs dos sculos. Se os judeus consideram os cristos como perigosos concorrentes, como usurpadores de um patrimnio que no lhes pertencia, os cristos por sua vez jogaram sobre todo o povo judeu, sem nenhuma distino, a responsabilidade da morte de Cristo, e acabaram por consider-la malditos. Nos sculos sucessivos o abismo torna-se cada vez maior.</p> <p>1.3 Segunda antinomia: carisma x instituio</p> <p>A igreja fundada por Jesus, como aparece no Evangelho, apia-se numa autoridade que lhe vem do alto, no de uma investidura terrena; tal autoridade dada do alto para certos indivduos, que por si s em nada diferem dos demais fiis: e.g. os doze so bem diferenciados dos outros discpulos. Em At. e epistolas paulinas a estruturao geral aparece bem clara: bispos e presbteros, mesmo sem distino precisa, tm juntado a si, se bem que subordinados, os diconos, de funo prevalentemente assistencial-caritativa. Portanto, bem provvel que nos primeiros tempos todos os sacerdotes recebessem a plenitude da ordem, isto , todos fossem consagrados bispos, se bem que isto no nos autoriza a supor que na prtica todos gozassem da mesma autoridade. Em outras palavras, distino entre episcopado e simples presbiterado, ambos participes do mesmo sacramento mesmo quem em grau diferente, no seria fruto de uma disposio do prprio Cristo, mas sim uma iniciativa da igreja, como uma evoluo da histria gradual, esta opinio, at comum, apia-se alm do mais, na elaborao complexa de alguns textos do Conclio de Trento, que de maneira pensada recusou-se a definir que essa distino fosse vontade divina direta, De iure divino.No perodo apostlico a escritura nos apresenta os dirigentes das igrejas geralmente no plural; cada comunidade era provavelmente dirigida pelo collegium chamado presbitrio (cf. 1Tm 4,14), semelhante as comunidades judaicas, governadas por um conselho de ancios. No perodo ps-apostlico (segundo sculo) a direo das igrejas assumiu a forma monrquica; esta evoluo no bem clara em Clemente Romano onde, escrevendo aos legtimos chefes estabelecidos por Deus (Deus, Cristo, apstolos, bispos seus sucessores), sem precisar-se a autoridade episcopal era confiada a um indivduo ou a vrias pessoas dessa comunidade. J em Incio de Antioquia, morto em Roma em 107 a linguagem bem clara e precisa. Sigam todos os bispos como Jesus segue o Pai, e o colgio dos presbteros como aos apstolos; quanto aos diconos, venerai-os como a lei de Deus. Nada se faa sem o bispo... onde est o bispo, a est a igreja... sem o bispo se quer lcito batizar ou celebrar a gape, mas aquilo que ele aprova graa de Deus (esmirnenses, VIII). Muito se discute sobre a evoluo do episcopado, da forma colegial monrquica; uma explicao provvel, mas discutvel, atrelada a certa tendncia a explicar fatos passados luz de uma evoluo posterior, forando um pouco os documentos e textos que o tal colgio presbiteral das comunidades primitivas fosse submisso ao apstolo que fundou cada igreja local que considerado o verdadeiro chefe dessa comunidade. Assim se explicaria melhor a uniformidade da evoluo, seja a rapidez com que se processou, em cerca de cinqenta anos, tanto que antes de Incio no faltam acenos s comunidades regidas por um s bispo (Timteo e Tito nas cartas paulinas aparecem como bispos monrquicos de feso e Creta, Tiago Menos chamado por historiadores da antiguidade bispo de Jerusalm os anjos das sete igrejas da sia de que fala Ap 1, 2; 2-3 provavelmente seus bispos, Egesipo e Irineu de Lio aparecem no fim do sc. II na lista dos bispos das primeiras igrejas de origem apostlica). De qualquer maneira parece que o episcopado em si representa a continuao da misso dos apstolos na vida da igreja.Junto a esta slida hierarquia bem distinta onde a autoridade transmitida publicamente mediante investidura oficial dada por Deus atravs da mediao da igreja encontrou nas primeiras comunidades pessoas dotadas de poderes extraordinrios em vrios campos, dados por Deus plenamente sem mediao nenhuma e sem lista deles so para o bem com...</p>