hipertensão na gravidez

Download Hipertensão na gravidez

Post on 11-Aug-2015

41 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

Hipertenso na GravidezManual de Orientao

Federao Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrcia

Editores Soubhi Kahhale Marcus Vasconcelos

Coordenador do Projeto Manuais da FEBRASGO Alberto Soares Pereira Filho 1997

DIRETORIA Presidente Hildoberto Carneiro de Oliveira Secretrio Executivo Osmar Teixeira Costa Vice-Secretrio Executivo Antonio Hlio Oliani Vice-Presidente Regio Norte Manoel de Almeida Moreira Vice-Presidente Regio Nordeste Arnaldo Afonso Alves de Carvalho Vice-Presidente Regio Centro-Oeste Resalla Salum (in memoriam) Vice-Presidente Regio Sul Heitor Hentschel

Comisso de Educao Continuada Hildoberto Carneiro de Oliveira Osmar Teixeira Costa Ivan Lemgruber Comisso Nacional Especializada de Hipertenso na Gravidez Presidente Soubhi Kahhale Vice-Presidente Nilson Ramires de Jess Secretrio Marcus Vasconcellos

Autores Ana Maria Feitosa Porto Anbal Euzbio Fades Latham Antoni Carlos Vieira Cabral Eliane Aparecida Alves Geraldo Duarte Henrique Vitor Leite Jacob Arkader Jos Carlos Peraoli Jos Geraldo Lopes Ramos Luis Carlos Santos Luiz Camano Marcelo Zugaib Marcos Vianna Lacersa de Almeida Marcus Jos do Amaral Vasconcellos Marilza Vieira Cunha Rudge Maristela Carbol Patta Mauricio Guilherme Campos Viggiano Melania Ramos de Amorim Carvalho Nelson Sass Nilson Ramires de Jesus Nilton Hideto Takiuti Salvio Freire Sergio Martins Costa Sergio Pereira da Cunha Soubhi Kahhale Suzana Maria Pires do Rio Vardeli Alves de Moraes Victor Hugo de Melo Wladimir Guimares Correa Taborda

PREFCIO As principais razes que nortearam a Comisso Nacional Especializada de Hipertenso na Gravidez na confeco deste Manual foram duas: prosseguir o projeto idealizado pela comisso de Educao Continuada da FEBRASGO, j vitorioso com os manuais anteriores, e utilizar um instrumento importante na tentativa de diminuir as altas cifras de mortalidade materna e perinatal decorrentes da hipertenso arterial na gestao. Junto com seus mais de 25 cursos itinerantes, com o seu Boletim que j percorre seu quarto ano de edio, e com os projetos multicntricos em andamento, nossa Comisso pretende concluir seu primeiro mandato com esta contribuio, certamente de utilidade para o dia a dia do colega que atende gestante portadora da sndrome hipertensiva. A forma que a presidncia da Comisso encontrou para a redao do Manual foi convidar representantes de vrios servios nacionais que lidam com a hipertenso de maneira competente, e principalmente, aqueles grupos que contriburam ativamente para o bom andamento de nosso trabalho. O tema foi dividido em 16 captulos, e os textos recebidos dentro do prazo estipulado. A recomendao para que as contribuies fossem objetivas e prticas seguida. O presidente e o secretrio da Comisso receberam estes textos, e em trabalho muito facilitado pela qualidade do material, uniformizaram a redao em pequenos pontos, alm de ordenar os captulos da forma mais didtica possvel. Com esta reviso final, o contedo do Manual passou a ser responsabilidade de todo um grupo que vem tentando contribuir para um melhor atendimento da grvida hipertensa. A direo da Comisso Nacional Especializada gostaria de abraar a todos os colegas que prestarem prontamente sua ajuda. Fica aqui registrada ao sincero agradecimento ao Laboratrio KNOLL, que no s patrocina esta obra, como tambm vem acreditando h mais de 6 anos na nossa luta pela gestante brasileira.Comisso Nacional de Hipertenso FEBRASGO

CONTEDO

Mortalidade Material e Perinatal Conceitos e Classificao Aspectos Fisiopatolgicos Fatores Predisponentes Testes Preditivos Preveno da Pr-eclmpsia Propedutica Materna Avaliao da Vitalidade Fetal Avaliao da Maturidade Fetal Tratamento Clnico Tratamento Obsttrico Teraputica Anti-Hipertensiva Uso dos Corticosterides Eclmpsia Sndrome HELLP Conduta Conservadora nas Formas Graves

Mortalidade Maternal e Perinatal

Hipertenso na GravidezJacob Arkader Universidade Federal Fluminense Marcus Vasconcellos Universidade do Rio de Janeiro

A justificativa deste material de hipertenso na gravidez uma s: as altas cifras de mortalidade materna e perinatal que se relacionam com estas sndromes. As duas ltimas dcadas foram palco de uma grande virada na apresentao destes indicadores de sade. A hemorragia e a infeco perderam o primeiro lugar para a hipertenso na casualidade da morte materna. Tambm na mortalidade perinatal ela passou a ser responsabilizada pelas maiores cifras registradas na pas. Em relao a mortalidade materna, nosso pas, segundo avaliao da Organizao Mundial de Sade para as Amricas, ocupa uma desconfortvel posio entre os pases de alta mortalidade: 140/100.000 nascidos vivos. O ideal seria alcanarmos cifras de Canad e Estados Unidos com menos de 10 / 100.000 nascidos vivos. Estes nmeros so confirmados pelos dados do Ministrio da Sade. Um grande avano pretendido para os prximos anos seria a publicao de taxas comparveis ao Uruguai, Chile ou Cuba, onde medidas de sade singelas colocaram as cifras entre 20 e 40 / 100.000 nascidos vivos. As principais unidades da Federao, onde teoricamente deveriam estar os principais recursos de sade do pas, mostram que a hipertenso vem desafiando todas as medidas preventivas que se possam adotar. No Rio Grande do Sul, em trabalho publicado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre 1982 e 1992, na grande Porto Alegre, aconteceu uma queda importante na mortalidade materna global, mas a hipertenso manteve um patamar, passando do terceiro para o primeiro lugar. A Secretaria Municipal de Sade do Rio de Janeiro publica seus indicadores para o ano de 1995, e apesar de se notar uma queda de 70 para 40 / 100.000 nascidos vivos, nota-se que a hipertenso apresenta taxa de 25,6%. Cabe relatar que mortes que receberam o rtulo de complicaes respiratrias, cardiovasculares ou renais, ocuparam o terceiro lugar com 20%, e certamente entre estas esto vrias pacientes com agravamentos de hipertenso na gestao. A Universidade de So Paulo publica estatstica que tambm coloca a sndrome hipertensiva como causa principal de perdas maternas durante o ciclo grvido-puerperal. O importante para uma anlise crtica fundamentada, a tese de doutoramento realizada na Universidade Federal de So Paulo, onde os autores (Sass e Camano) referem que 95% das mortes maternas ocorridas entre 1985 e 1995 naquele importante servio de obstetrcia do pas, poderiam ser perfeitamente evitadas. Um dos vrtices do tringulo bsico da assistncia sade havia falhado: o profissional de sade, a paciente ou o sistema de sade. Em relao a mortalidade perinatal (MPN), a situao no muito diferente. O Brasil registra cifras de 50 a 80 / 1.000 nascimentos, que quando comparados com os 10 / 1.000 dos pases nrdicos nos faz refletir sobre o assunto. Em dados do Ministrio da Sade (1997 1985) podemos notar que algumas causas importantes de mortalidade infantil vm decrescendo: diarria (30 para 17%) sarampo (0,9 para 0,5%) pneumonia (16 para 11%). Mas as causas perinatais cresceram de 28 para 45%. Se considerarmos que a principal causa de hipoxia periparto a hipertenso, facilmente conclumos que aqui est a maior causa de mortalidade perinatal do pas. Esta constatao comum em todas as regies nacionais. Os estados onde os registros admitem consulta, mostram que no Esprito Santo, 48% da MPN foi por hipertenso (tese de mestrado em 1994); no Rio de Janeiro as cifras esto entre 41 e 58% segundo dados da Secretaria Estadual de Sade (1994); e no Rio Grande do Sul tambm ocupam o primeiro lugar da MPN (Secretaria Estadual de Sade em 1993). Acreditamos que com o seguimento s normas deste manual, e com a instituio de medidas simples e baratas como a aferio da presso arterial, ou a correta e pronta disponibilidade do MgSO4 possamos reduzir estes ndices.

Conceitos e Classificao

Hipertenso na GravidezSoubhi Kahhale Nilton Hideto Takiuti Marcelo Zugaib Universidade de So Paulo

A Comisso de Terminologia do Colgio Americano de Obstetras e Ginecologistas (Hughes, 1972), aps ampla reviso do tema e das classificaes existentes, atualizou a classificao das sndromes hipertensivas na gravidez (Tabela 1) sendo a mais difundida e aceita pelos servios obsttricos. Tabela 1 Classificao das sndromes hipertensivas na gravidez A - Hipertenso induzida pela gravidez 1 - Pr-eclmpsia leve e grave 2- Eclmpsia B - Hipertenso crnica de qualquer etiologia C - Pr-eclmpsia ou eclmpsia associada hipertenso crnica D - Hipertenso transitria E - Doenas hipertensivas no classificveis (Comisso de Terminologia do Colgio Americano de Obstetras e Ginecologistas, 1972).

A citada Comisso define: PR-ECLMPSIA A pr-eclmpsia o desenvolvimento de hipertenso, com proteinria significante e/ou edema de mos e face. Ocorre aps a 20a semana de gravidez, ou anteriormente a esse perodo na molstia trofoblstica. A preclmpsia predominantemente uma patologia da primigesta. ECLMPSIA A eclmpsia o aparecimento de convulses numa paciente com pr-eclmpsia. Devem ser excludas epilepsia e outras doenas convulsivas. HIPERTENSO Os critrios para diagnstico da hipertenso numa mulher grvida. so: elevao de 30 mmHg ou mais nos nveis habituais de presso arterial sistlica; ou elevao de 15 mmHg ou mais nos nveis habituais de presso arterial diastlica; ou presso arterial sistlica de pelo menos 140 mmHg; ou presso arterial diastlica de pelo menos 90 mmHg. Estas cifras devem ser confirmadas decorrido um perodo de pelo menos seis horas, com a paciente em repouso. PROTEINRIA A proteinria significante definida como pelo menos 0,3 g/l em urina de 24 horas, ou 1 g/l (1+ ou mais pelo mtodo quantitativo de fita) em amostra simples. EDEMA GESTACIONAL

O edema gestacional o excessivo acmulo generalizado de lquidos nos tecidos, demonstrado por edema marcado de + at ++++, ou mais, aps um repouso de doze horas no leito, ou pelo aumento de peso de 2.275 g (5 libras) numa semana. HIPERTENSO CRNICA A hipertenso crnica a presena de hipertenso persistente anterior g