Higienizao das mos em servios de sade

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  • 1. HIGIENIZAO DAS MOS EM SERVIOS DE SADEAgncia Nacional de Vigilncia Sanitria

2. HIGIENIZAO DAS MOS EM SERVIOS DE SADEAgncia Nacional de Vigilncia Sanitria 1 3. Copyright 2007. Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria permitida a reproduo total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte.Diretor-PresidenteDirceu Raposo de MelloDiretoresJos Agenor lvares da SilvaCludio Maierovitch P. HenriquesMaria Ceclia Martins BritoRedaoCarolina Palhares LimaCntia Faial ParentiFabiana Cristina de SousaFernando Casseb FlosiHeiko Thereza SantanaMagda Machado de MirandaMariana VerottiSuzie Marie GomesCoordenao EditorialFlvia Freitas de Paula LopesLeandro Queiroz SantiProjeto Grfico e CapaPaula SimesFotografia tcnicas de higienizao das mosAlmir WanzellerLuiz Henrique PintoRaimundo Walter SampaioBrasil. Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria.Higienizao das mos em servios de sade/ Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Braslia : Anvisa, 2007.52 p.ISBN 978-85-88233-26-31. Vigilncia Sanitria. 2. Sade Pblica. I. Ttulo. 2 4. Reviso tcnica (Anvisa)Adjane Balbino de AmorimAline Fernandes das ChagasChristiane Santiago MaiaCludia Cristina Santiago GomesRegina Maria Goncalves BarcellosSmia de Castro HatemReviso tcnicaEdmundo Machado Ferraz -Colgio Brasileiro de Cirurgies (CBC)Mirtes Loeschner Leichsenring Hospital das Clnicas - Universidade Estadual de Campinas(Unicamp)Plnio Trabasso - Associao Brasileira dos Profissionais em Controle de Infeco e Epide-miologia Hospitalar (ABIH)Valeska de Andrade Stempliuk Organizao Pan-Americana de Sade (Opas/OMS)ColaboradoresCentro Brasiliense de Nefrologia - Braslia- DFHospital do Corao do Brasil - Braslia- DFHospital Santa Luzia Braslia- DFAndressa Honorato de Amorim (Anvisa)Cssia Regina de Paula Paz (DRAC/SAS/MS)Melissa de Carvalho Amaral 3 5. SUMRIOApresentao 6Introduo 8Higienizao das mos10O que higienizao das mos? 11Por que fazer? 11Para que higienizar as mos? 12Quem deve higienizar as mos?12Como fazer?Quando fazer? 12Insumos necessrios18Equipamentos necessrios 22Tcnicas 26Higienizao simples das mos28Higienizao anti-sptica das mos 36Frico anti-sptica das mos37Anti-sepsia cirrgica das mos 40Outros aspectos da higienizao das mos 47Consideraes finais 49Glossrio50 6. APRESENTAOAtualmente, programas que enfocam a segurana no cuidado dopaciente nos servios de sade tratam como prioridade o temahigienizao das mos, a exemplo da Aliana Mundial paraSegurana do Paciente, iniciativa da Organizao Mundial deSade (OMS), firmada com vrios pases, desde 2004. Embora ahigienizao das mos seja a medida mais importante e reconhe-cida h muitos anos na preveno e controle das infeces nosservios de sade, coloc-la em prtica consiste em uma tarefacomplexa e difcil.Estudos sobre o tema avaliam que a adeso dos profissionais prtica da higienizao das mos de forma constante e na rotinadiria ainda insuficiente. Dessa forma, necessria uma espe-cial ateno de gestores pblicos, administradores dos serviosde sade e educadores para o incentivo e a sensibilizao do 7. profissional de sade questo. Todos devem estar conscientes da importncia dahigienizao das mos na assistncia sade para a segurana e qualidade da aten-o prestada.No sentido de contribuir com o aumento da adeso dos profissionais s boas prticasde higienizao das mos, a Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa/MS)publica as orientaes sobre Higienizao das Mos em Servios de Sade, queoferece informaes atualizadas sobre esse procedimento.Espera-se com esta publicao proporcionar aos profissionais e gestores dos serviosde sade conhecimento tcnico para embasar as aes relacionadas s prticas de hi-gienizao das mos, visando preveno e reduo das infeces e promovendo asegurana de pacientes, profissionais e demais usurios dos servios de sade. Cludio MaierovitchDiretor da Anvisa 8. 8INTRODUO 9. Em 1846, Ignaz Semmelweis, mdico hngaro, reportou a reduo no nmero demortes maternas por infeco puerperal aps a implantao da prtica de higieni-zao das mos em um hospital em Viena. Desde ento, esse procedimento temsido recomendado como medida primria no controle da disseminao de agentesinfecciosos.A legislao brasileira, por meio da Portaria n. 2.616, de 12 de maio de 1998, e daRDC n. 50, de 21 de fevereiro 2002, estabelece, respectivamente, as aes mnimasa serem desenvolvidas com vistas reduo da incidncia das infeces relacionadas assistncia sade e as normas e projetos fsicos de estabelecimentos assistenciaisde sade.Esses instrumentos normativos reforam o papel da higienizao das mos comoao mais importante na preveno e controle das infeces em servios de sade.Entretanto, apesar das diversas evidncias cientficas e das disposies legais, nota-seque grande parte dos profissionais de sade ainda no segue a recomendao deSemmelweis em suas prticas dirias.A Organizao Mundial de Sade (OMS), por meio da Aliana Mundial para a Se-gurana do Paciente, tambm tem dedicado esforos na elaborao de diretrizes eestratgias de implantao de medidas visando adeso prtica de higienizaodas mos. 9 10. 10 HIGIENIZAO DAS MOS 11. O QUE HIGIENIZAO DAS MOS? a medida individual mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagaodas infeces relacionadas assistncia sade. Recentemente, o termo lavagemdas mos foi substitudo por higienizao das mos devido maior abrangnciadeste procedimento. O termo engloba a higienizao simples, a higienizao anti-sptica, a frico anti-sptica e a anti-sepsia cirrgica das mos, que sero abordadasmais adiante.POR QUE FAZER?As mos constituem a principal via de transmisso de microrganismos durante aassistncia prestada aos pacientes, pois a pele um possvel reservatrio de diversosmicrorganismos, que podem se transferir de uma superfcie para outra, por meio decontato direto (pele com pele), ou indireto, atravs do contato com objetos e super-fcies contaminados.A pele das mos alberga, principalmente, duas populaes de microrganismos: ospertencentes microbiota residente e microbiota transitria. A microbiota residen-te constituda por microrganismos de baixa virulncia, como estafilococos, corine-bactrias e micrococos, pouco associados s infeces veiculadas pelas mos. maisdifcil de ser removida pela higienizao das mos com gua e sabo, uma vez quecoloniza as camadas mais internas da pele.A microbiota transitria coloniza a camada mais superficial da pele, o que permitesua remoo mecnica pela higienizao das mos com gua e sabo, sendo elimi-nada com mais facilidade quando se utiliza uma soluo anti-sptica. representada,tipicamente, pelas bactrias Gram-negativas, como enterobactrias (Ex: Escherichiacoli), bactrias no fermentadoras (Ex: Pseudomonas aeruginosa), alm de fungos evrus.Os patgenos hospitalares mais relevantes so: Staphylococcus aureus, Staphylococ-cus epidermidis, Enterococcus spp., Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella spp., Ente-robacter spp. e leveduras do gnero Candida. As infeces relacionadas assistncia sade geralmente so causadas por diversos microrganismos resistentes aos anti-microbianos, tais como S. aureus e S. epidermidis, resistentes a oxacilina/meticilina;Enterococcus spp., resistentes a vancomicina; Enterobacteriaceae, resistentes a cefa-losporinas de 3 gerao e Pseudomonas aeruginosa, resistentes a carbapenmicos.11 12. As taxas de infeces e resistncia microbiana aos antimicrobianos so maiores emUnidades de Terapia Intensiva (UTI), devido a vrios fatores: maior volume de traba-lho, presena de pacientes graves, tempo de internao prolongado, maior quanti-dade de procedimentos invasivos e maior uso de antimicrobianos.PARA QUE HIGIENIZAR AS MOS?A higienizao das mos apresenta as seguintes finalidades: Remoo de sujidade, suor, oleosidade, plos, clulas descamativas e da microbiota da pele, interrompendo a transmisso de infeces veiculadas ao contato. Preveno e reduo das infeces causadas pelas transmisses cruzadas.QUEM DEVE HIGIENIZAR AS MOS?Devem higienizar as mos todos os profissionais que trabalham em servios de sa-de, que mantm contato direto ou indireto com os pacientes, que atuam na mani-pulao de medicamentos, alimentos e material estril ou contaminado.COMO FAZER? QUANDO FAZER?As mos dos profissionais que atuam em servios de sade podem ser higienizadasutilizando-se: gua e sabo, preparao alcolica e anti-sptico.A utilizao de um determinado produto depende das indicaes descritas abaixo:USO DE GUA E SABOIndicao Quando as mos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com sanguee outros fluidos corporais. Ao iniciar o turno de trabalho. Aps ir ao banheiro. Antes e depois das refeies.12 13. Antes de preparo de alimentos. Antes de preparo e manipulao de medicamentos. Nas situaes descritas a seguir para preparao alcolica.USO DE PREPARAO ALCOLICAIndicaoHigienizar as mos com preparao alcolica quando estas no estiverem visivelmen-te sujas, em todas as situaes descritas a seguir:Antes de contato com o pacienteObjetivo: proteo do paciente, evitando a transmisso de microrganismos oriundosdas mos do profissional de sade.Exemplos: exames fsicos (determinao do pulso, da presso arterial, da tempera-tura corporal); contato fsico direto (aplicao de massagem, realizao de higienecorporal); e gestos de cortesia e conforto.Aps contato com o pacienteObjetivo: proteo do profissional e das superfcies e objetos imediatamente prxi-mos ao paciente, evitando a transmisso de microrganismos do prprio paciente.Antes de realizar procedimentos assistenciais e manipular dispositivosinvasivosObjetivo: proteo do paciente, evitando a transmisso de microrganismos oriundosdas mos do profissional de sade.Exemplos: contato com membranas mucosas (administrao de medicamentos pe-las vias oftlmica e nasal); com pele no intacta (realizao de curativos, aplicaode injees); e com dispositivos invasivos (cateteres intravasculares e urinrios, tuboendotraqueal).Antes de calar luvas para insero de dispositivos invasivos que no re-queiram preparo cirrgicoObjetivo: proteo do paciente, evitando a transmisso de microrganismos oriundosdas mos do profissional de sade.Exemplo: insero de cateteres vasculares perifricos.13 14. Aps risco de exposio a fluidos corporaisObjetivo: proteo do profissional e das superfcies e objetos imediatamente prxi-mos ao paciente, evitando a transmisso de microrganismos do paciente a outrosprofissionais ou pacientes.Ao mudar de um stio corporal contaminado para outro, limpo, durante ocuidado ao pacienteObjetivo: proteo do paciente, evitando a transmisso de microrganismos de umadeterminada rea para outras reas de seu corpo.Exemplo: troca de fraldas e subseqente manipulao de cateter intravascular.Ressalta-se que esta situao no deve ocorrer com freqncia na rotina profissional.Devem-se planejar os cuidados ao paciente iniciando a assistncia na seqncia: stiomenos contaminado para o mais contaminado.Aps contato com objetos inanimados e superfcies imediatamenteprximas ao pacienteObjetivo: proteo do profissional e das superfcies e objetos imediatamente prxi-mos ao paciente, evitando a transmisso de microrganismos do paciente a outrosprofissionais ou pacientes.Exemplos: manipulao de respiradores, monitores cardacos, troca de roupas decama, ajuste da velocidade de infuso de soluo endovenosa.Antes e aps remoo de luvasObjetivo: proteo do profissional e das superfcies e objetos imediatamente prxi-mos ao paciente, evitando a transmisso de microrganismos do paciente a outrosprofissionais ou pacientes.As luvas previnem a contaminao das mos dos profissionais de sade e ajudam areduzir a transmisso de patgenos. Entretanto, elas podem ter microfuros ou perdersua integridade sem que o profissional perceba, possibilitando a contaminao dasmos.Outros procedimentosExemplos: manipulao de invlucros de material estril. 14 15. IMPORTANTE Use luvas somente quando indicado. Utilize-as antes de entrar em contato com sangue, lquidos corporais,membrana mucosa, pele no intacta e outros materiais potencialmente infec-tantes. Troque de luvas sempre que entrar em contato com outro paciente. Troque tambm durante o contato com o paciente se for mudar de um stiocorporal contaminado para outro, limpo, ou quando esta estiver danificada. Nunca toque desnecessariamente superfcies e materiais (tais como telefo-nes, maanetas, portas) quando estiver com luvas.Observe a tcnica correta de remoo de luvas para evitar a contaminao dasmos.Lembre-se: o uso de luvas no substitui a higienizao das mos!USO DE ANTI-SPTICOSEstes produtos associam detergentes com anti-spticos e se destinam higienizaoanti-sptica das mos e degermao da pele.Indicao:Higienizao anti-sptica das mos Nos casos de precauo de contato recomendados para pacientes portado- res de microrganismos multirresistentes. Nos casos de surtos.Degermao da pele No pr-operatrio, antes de qualquer procedimento cirrgico (indicado para toda equipe cirrgica). Antes da realizao de procedimentos invasivos. Exemplos: insero de ca- teter intravascular central, punes, drenagens de cavidades, instalao de dilise, pequenas suturas, endoscopias e outros. 15 16. IMPORTANTEDe acordo com os cdigos de tica dosprofissionais de sade, quando estes co-locam em risco a sade dos pacientes,podem ser responsabilizados por imper-cia, negligncia ou imprudncia.GUA 16 17. 17 18. INSUMOS NECESSRIOS 19. GUAA gua utilizada em servios de sade deve ser livre de contaminantes qumicose biolgicos, obedecendo aos dispositivos da Portaria n. 518/GM, de 25 de mar-o de 2004, que estabelece os procedimentos relativos ao controle e vigilnciada qualidade deste insumo.Os reservatrios devem ser limpos e desinfetados, com realizao de controlemicrobiolgico semestral. SABESNos servios de sade, recomenda-se o uso de sabo lquido, tipo refil, devidoao menor risco de contaminao do produto. Este insumo est regulamentadopela resoluo ANVS n. 481, de 23 de setembro de 1999.Recomenda-se que o sabo seja agradvel ao uso, possua fragrncia leve e noresseque a pele. A adio de emolientes sua formulao pode evitar resseca-mentos e dermatites.A compra do sabo padronizado pela instituio deve ser realizada segundo osparmetros tcnicos definidos para o produto e com a aprovao da Comissode Farmcia e Teraputica (CFT) e da Comisso de Controle de Infeco Hospita-lar (CCIH). Para confirmar a legalidade do produto, pode-se solicitar ao vendedora comprovao de registro na Anvisa/MS.AGENTES ANTI-SPTICOSSo substncias aplicadas pele para reduzir o nmero de agentes da microbio-ta transitria e residente.Entre os principais anti-spticos utilizados para a higienizao das mos, desta-cam-se: lcoois, Clorexidina, Compostos de iodo, Iodforos e Triclosan. 20. As caractersticas dos principais anti-spticos utilizados para a higienizao das mosesto descritas no quadro a seguir:Quadro 1: Espectro antimicrobiano e caractersticas de agentes anti-spticos utiliza-dos para higienizao das mos.Bactrias BactriasGrupoGram- Gram-MicobactriaFungos Virus Velocidade de Comentriospositivas negativasao lcoois +++ +++ +++++++++Rpida Concentrao tima: 70%; no apresenta efeito residual.Clorexidina+++++ +++++ Intermediria Apresenta efeito re- (2% ou 4%)sidual; raras reaes alrgicas. Compostos Causa queimadurasde Iodo+++ +++ +++ +++++ Intermediria na pele; irritantes quando usados na higienizao anti- sptica das mos. Irritao de peleIodforos+++ +++ + ++++Intermediria menor que a de compostos de iodo; apresenta efeito residual; aceitabili- dade varivel. Triclosan +++++ +-+++ Intermediria Aceitabilidade vari- vel para as mos.+++ excelente++bom+ regular- nenhuma atividade antimicrobiana ou insuficiente.Fonte: Adaptada de CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Guideline for hand hygie-ne in health-care settings: recommendations of the Healthcare Infection Control Practices AdvisoryCommittee and HICPAC/SHEA/APIC/IDSA Hand Hygiene Task Force. MMWR v. 51, n. RR-16, p. 1-45,Outubro/2002. 20 21. PAPEL-TOALHAO papel-toalha deve ser suave, possuir boa proprie-dade de secagem, ser esteticamente aceitvel e noliberar partculas. Na utilizao do papel-toalha,deve-se dar preferncia aos papis em bloco, quepossibilitam o uso individual, folha a folha.IMPORTANTENa aquisio de produtos anti-spticos,deve-se verificar se estes esto registradosna Anvisa/MS. As informaes sobre os pro-dutos registrados na Anvisa/MS utilizadospara a higienizao das mos esto dispo-nveis no endereo eletrnico: http://www.anvisa.gov.br/scriptsweb/index.htm. 21 22. EQUIPAMENTOS NECESSRIOS 23. LAVATRIOSSempre que houver paciente (acamado ou no), exa-minado, manipulado, tocado, medicado ou tratado, obrigatria a proviso de recursos para a higienizaodas mos (por meio de lavatrios ou pias) para uso daequipe de assistncia. Nos locais de manuseio de insu-mos, amostras, medicamentos, alimentos, tambm obrigatria a instalao de lavatrios / pias.Os lavatrios ou pias devem possuir torneiras ou co-mandos que dispensem o contato das mos quandodo fechamento da gua. Deve ainda existir provisode sabo lquido, alm de recursos para secagem dasmos. No lavabo cirrgico, o acionamento e o fecha-mento devem ocorrer com cotovelo, p, joelho ou c-lula fotoeltrica.Para os ambientes que executem procedimentos inva-sivos, cuidados a pacientes crticos ou que a equipe deassistncia tenha contato direto com feridas, deve exis-tir, alm do sabo j citado, proviso de anti-spticojunto s torneiras de higienizao das mos. 23 24. Todos esses lavatrios devem ter fcil acesso e atender proporo abaixo definida: Quarto ou enfermaria: 1 (um) lavatrio externo pode servir a, no mximo, 4 (quatro) quartos ou 2 (duas) enfermarias. UTI: deve existir um lavatrio a cada 5 (cinco) leitos de no isolamento. Berrio: 1 (um) lavatrio a cada 4 (quatro) beros. Ambientes destinados realizao de procedimentos de reabilitao e cole- ta laboratorial: 1 (um) lavatrio a cada 6 (seis) boxes. Unidade destinada ao processamento de roupas: 1 (um) lavatrio na rea suja (banheiro) e 1 (um) lavatrio na rea limpa.DISPENSADORES DE SABO E ANTI-SPTICOSPara evitar a contaminao do sabo lquido e do produto anti-sptico, tm-se asseguintes recomendaes: Os dispensadores devem possuir dispositivos que facilitem seu esvaziamen- to e preenchimento. No caso dos recipientes de sabo lquido e anti-sptico ou almotolias no serem descartveis, deve-se proceder limpeza destes com gua e sabo (no utilizar o sabo restante no recipiente) e secagem, seguida de desinfeco com lcool etlico a 70%, no mnimo uma vez por semana ou a critrio da CCIH. No se deve completar o contedo do recipiente antes do trmino do pro- duto, devido ao risco de contaminao. Para os produtos no utilizados em recipientes descartveis, devem-se man- ter os registros dos responsveis pela execuo das atividades e a data de manipulao, envase e de validade da soluo fracionada. A validade do sabo, quando mantida na embalagem original, definida pelo fabricante e deve constar no rtulo. A validade do produto fora da embalagem do fabricante ou fracionado deve ser validada para ser estabelecida, ou seja, pode ser menor que aquela definida pelo fabricante, pois o produto j foi manipulado; essa validade pode ser monitorada, por exemplo, pelo uso de testes que apurem o pH, a concen- trao da soluo e a presena de matria orgnica. Deve-se optar por dispensadores de fcil limpeza e que evitem o contato direto das mos. Escolher, preferencialmente, os do tipo refil. Neste caso, a limpeza interna pode ser feita no momento da troca do refil. 24 25. PORTA-PAPEL-TOALHAO porta-papel-toalha deve ser fabricado, preferencialmente, com material que nofavorea a oxidao, sendo tambm de fcil limpeza. A instalao deve ser de talforma que ele no receba respingos de gua e sabo. necessrio o estabelecimento de rotinas de limpeza e de reposio do papel. SECADOR ELTRICONo processo de higienizao das mos, no indicado o uso de secadores eltricos,uma vez que raramente o tempo necessrio para a secagem obedecido, alm dehaver dificuldade no seu acionamento. Eles podem, ainda, carrear microrganismos.O acionamento manual de certos modelos de aparelho tambm pode permitir arecontaminao das mos.LIXEIRA PARA DESCARTE DO PAPEL-TOALHAJunto aos lavatrios e s pias, deve sempre existir recipiente para o acondicionamen-to do material utilizado na secagem das mos. Este recipiente deve ser de fcil lim-peza, no sendo necessria a existncia de tampa. No caso de se optar por mant-lotampado, o recipiente dever ter tampa articulada com acionamento de aberturasem utilizao das mos. 25 26. TCNICAS 27. As tcnicas de higienizao das mos podem variar,dependendo do objetivo ao qual se destinam. Podemser divididas em: Higienizao simples das mos. Higienizao anti-sptica das mos. Frico de anti-sptico nas mos. Anti-sepsia cirrgica ou preparo pr-operatrio dasmos.A eficcia da higienizao das mos depende da dura-o e da tcnica empregada.IMPORTANTEAntes de iniciar qualquer uma dessas tcnicas, ne-cessrio retirar jias (anis, pulseiras, relgio), pois sobtais objetos podem acumular-se microrganismos. 27 28. HIGIENIZAO SIMPLES DAS MOSFinalidadeRemover os microrganismos que colonizam as camadas superficiais da pele, assimcomo o suor, a oleosidade e as clulas mortas, retirando a sujidade propcia perma-nncia e proliferao de microrganismos.Durao do procedimento: 40 a 60 segundos. IMPORTANTE No caso de torneiras com contato manual para fechamento, sempre utilize pa-pel-toalha. O uso coletivo de toalhas de tecido contra-indicado, pois estas permanecemmidas, favorecendo a proliferao bacteriana. Deve-se evitar gua muito quente ou muito fria na higienizao das mos, a fimde prevenir o ressecamento da pele.28 29. 1. Abrir a torneira e molhar as mos, evitando encos- tar-se pia.2.Aplicar na palma da moquantidade suficiente desabo lquido para cobrirtodas as superfcies dasmos (seguir a quantida-de recomendada pelo fa-bricante). 30. 3.Ensaboar as palmas das mos,friccionando-as entre si.4. Esfregar a palma da mo direita contra o dorso da mo esquerda entrelaando os dedos e vice-versa.5. Entrelaar os dedos e friccionar os espaos interdigitais. 31. 6. Esfregar o dorso dos dedos de uma mo com a palma da mo oposta, segu- rando os dedos, com movimento de vai-e-vem e vice-versa. 32. 7. Esfregar o polegar direito, com o auxlio da palma da mo es- querda, utilizando-se movimento circular e vice-versa. 33. 8. Friccionar as polpas digitais e unhas da mo esquerda contra a palma da mo direita, fechada em concha, fazendo movimento circular e vice-versa.9. Esfregar o punho esquerdo, com o auxlio da palma da mo direita, utilizando movimento circular e vice-versa. 34. 10. Enxaguar as mos, retirando osresduos de sabo. Evitar contatodireto das mos ensaboadas coma torneira. 35. 11. Secar as mos com papel-toalha descartvel, iniciando pelas mose seguindo pelos punhos. Desprezar o papel-toalha na lixeira pararesduos comuns. 36. HIGIENIZAO ANTI-SPTICADAS MOSFinalidadePromover a remoo de sujidades e de micror-ganismos, reduzindo a carga microbiana dasmos, com auxlio de um anti-sptico.Durao do procedimento: 40 a 60 segundos.TcnicaA tcnica de higienizao anti-sptica igualquela utilizada para higienizao simples dasmos, substituindo-se o sabo por um anti-sp-tico. Exemplo: anti-sptico degermante. 37. FRICO ANTI-SPTICA DAS MOS(COM PREPARAES ALCOLICAS)FinalidadeReduzir a carga microbiana das mos (no h remoo de sujidades). A utilizaode gel alcolico a 70% ou de soluo alcolica a 70% com 1-3% de glicerina podesubstituir a higienizao com gua e sabo quando as mos no estiverem visivel-mente sujas.Durao do Procedimento: 20 a 30 segundos. IMPORTANTE Para evitar ressecamento e dermatites, no higienize as mos com gua e sabo imediatamente antes ou depois de usar uma preparao alcolica. Depois de higienizar as mos com preparao alcolica, deixe que elas sequem completamente (sem utilizao de papel-toalha).37 38. 1. Aplicar na palma da mo quantidade suficiente do produto para cobrir todas as superfcies das mos (seguir a quanti- dade recomendada pelo fabricante).2.Friccionar as palmas das mos entre si.3. Friccionar a palma da mo direita con- tra o dorso da mo esquerda entrela- ando os dedos e vice-versa.4. Friccionar a palma das mos entre si com os dedos entrelaados. 39. 5. Friccionar o dorso dos dedos de uma mo com a palma da mo oposta, segurando os dedos e vice-versa. 6. Friccionar o polegar esquerdo, como auxlio da palma da mo direita,utilizando-se movimento circular evice-versa.7.Friccionar as polpas digitais e unhasda mo direita contra a palma da moesquerda, fazendo um movimentocircular e vice-versa.8.Friccionar os punhos com movimentoscirculares.9.Friccionar at secar. No utilizar papel-toalha. 40. ANTI-SEPSIA CIRRGICA OU PREPARO PR-OPERA-TRIO DAS MOSFinalidadeEliminar a microbiota transitria da pele e reduzir a microbiota residente, alm deproporcionar efeito residual na pele do profissional.As escovas utilizadas no preparo cirrgico das mos devem ser de cerdas macias edescartveis, impregnadas ou no com anti-sptico e de uso exclusivo em leito un-gueal e subungueal.Para este procedimento, recomenda-se:Anti-sepsia cirrgica das mos e antebraos com anti-sptico degermante.Durao do Procedimento: de 3 a 5 minutos para a primeira cirurgia e de 2 a 3minutos para as cirurgias subseqentes (sempre seguir o tempo de durao reco-mendado pelo fabricante). 40 41. 1. Abrir a torneira, molhar as mos, antebraos e cotovelos. 42. 2. Recolher, com as mos em concha, o anti-sp- tico e espalhar nas mos, antebrao e cotovelo. No caso de escova impregnada com anti-spti- co, pressione a parte da esponja contra a pele e espalhe por todas as partes. 43. 3. Limpar sob as unhas com as cerdas da escova ou com limpador de unhas. 44. 4. Friccionar as mos, observando espaos interdigitais e antebrao por no mnimo 3 a 5 minutos, mantendo as mos acima dos cotovelos. 45. 5. Enxaguar as mos em gua corrente, no sen- tido das mos para cotovelos, retirando todo resduo do produto. Fechar a torneira com o cotovelo, joelho ou ps, se a torneira no possuir fotosensor. 46. 6. Enxugar as mos em toalhas ou compressas estreis, com movimentos compressivos, iniciando pelas mos e seguindo pelo ante- brao e cotovelo, atentando para utilizar as diferentes dobras da toalha/compressa para regies distintas. 47. OUTROS ASPECTOS DAHIGIENIZAO DAS MOS Mantenha as unhas naturais, limpas e curtas. No use unhas postias quando entrar em contato direto com os pacientes. Evite utilizar anis, pulseiras e outros adornos quandoassistir ao paciente. Aplique creme hidratante nas mos, diariamente,para evitar ressecamento na pele. 48. 48 49. CONSIDERAES FINAISAs legislaes citadas nesta publicao podem ser encontradasno endereo eletrnico: http://www.anvisa.gov.br/legis/index.htmA bibliografia e a verso digital deste material encontram-sedisponveis no site da Anvisa (www.anvisa.gov.br) / reas de Atu-ao / Servios de Sade / Publicaes / Higienizao das mosem servios de sade.49 50. GLOSSRIO 51. Anti-sptico degermanteSabo (detergente) contendo um agente anti-spti-co em sua formulao; se destina degermao dapele. Exemplo: Clorexidina degermante a 4%; PVPIa 10%.Detergentes So compostos que apresentam ao de limpeza(Exemplo: surfactantes). O termo sabo usadopara se referir a estes detergentes nesta publicao.Efeito residual ou persistente definido como efeito antimicrobiano prolongadoou estendido que previne ou inibe a proliferao ousobrevida de microrganismos aps aplicao do pro-duto.Preparao alcolica para asmosPreparao contendo lcool, preferencialmente a70%, sob a forma gel ou soluo, com emolientes,destinada aplicao nas mos para reduzir o n-mero de microrganismos viveis.Servio de SadeEstabelecimento destinado ao desenvolvimento deaes de ateno sade da populao, em regimede internao ou no, incluindo ateno realizadaem consultrios e domiclios.