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<p>MINISTRIO DA SADE Secretaria de Ateno Sade Departamento de Ateno Especializada</p> <p>Hemocomponentes</p> <p>Guia para o uso de</p> <p>Srie A. Normas e Manuais Tcnicos</p> <p>Braslia - DF 2008</p> <p> 2008 Ministrio da Sade. Todos os direitos reservados. permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que no seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens dessa obra da rea tcnica. A coleo institucional do Ministrio da Sade pode ser acessada, na ntegra, na Biblioteca Virtual em Sade do Ministrio da Sade: http://www.saude.gov.br/bvs Srie A. Normas e Manuais Tcnicos Tiragem: 1. edio 2008 5.000 exemplares Elaborao, distribuio e informaes: MINISTRIO DA SADE Secretaria de Ateno Sade Departamento de Ateno Especializada Coordenao da Poltica Nacional de Sangue e Hemoderivados Esplanada dos Ministrios, bloco G, sala 946 CEP: 70.058-900, Braslia DF Telefones: (61) 3315-2428 Fax: (61) 3315-2290 E-mail: sangue@saude.gov.br Home Page: www.saude.gov.br Impresso no Brasil / Printed in Brazil Ficha Catalogrfica Brasil. Ministrio da Sade. Secretaria de Ateno Sade. Departamento de Ateno Especializada. Guia para o uso de hemocomponentes / Ministrio da Sade, Secretaria de Ateno Sade, Departamento de Ateno Especializada. Braslia : Ministrio da Sade, 2008. 140 p. : il. (Srie A. Normas e Manuais Tcnicos) ISBN 978-85-334-1531-7 1. Hemocomponentes. 2. Transfuso de sangue. 3. Diretrizes teraputicas. I. Ttulo. II. Srie. CDU 612.1Catalogao na fonte Coordenao-Geral de Documentao e Informao Editora MS OS 2008/0970</p> <p>Ttulos para indexao: Em ingls: Guide for the use of blood components Em Espanhol: Gua para el uso de hemocomponentes</p> <p>SUMRIO</p> <p>APRESENTAO ............................. 5 1 INTRODUO............................. 9 2 ARSENAL TERAPUTICO NO SUPORTE HEMOTERPICO 2 .1 A produo dos hemocomponentes....... 2 .1 .1 Concentrado de hemcias ......... 2 .1 .2 Concentrado de plaqueta......... 2 .1 .3 Plasma.................. 2 .1 .4 Crioprecipitado.............. 2 .1 .5 Concentrado de granulcitos....... 3 O USO CLNICO DE HEMOCOMPONENTES. 3 .1 Concentrado de hemcias ...... 3 .1 .1 Indicaes e contra-indicaes 3 .1 .2 Dose e modo de administrao 3 .2 Concentrado de plaquetas..... 3 .2 .1 Indicaes e contra-indicaes 3 .2 .2 Dose e modo de administrao............................................................................................................................................. 13. 15. 18. 18. 19. 20. 21. 25. 29. 29. 32. 32. 32. 37</p> <p>3 .3 Plasma............... 3 .3 .1 Indicaes e contra-indicaes 3 .3 .2 Dose e modo de administrao 3 .4 Crioprecipitado........... 3 .4 .1 Indicaes e contra-indicaes 3 .4 .2 Dose e modo de administrao 3 .5 Concentrado de granulcitos.... 3 .5 .1 Indicaes e contra-indicaes 3 .5 .2 Dose e modo de administrao</p> <p> .........</p> <p> .........</p> <p> .........</p> <p> .........</p> <p> .........</p> <p> .........</p> <p> ................</p> <p> ................</p> <p> ................</p> <p> ................</p> <p> ......................</p> <p> ......................</p> <p> ......................</p> <p> . 38. 38. 43. 45. 45. 46. 48. 48. 49. 53. 55. 58. 61. 65. 66. 67. 69. 71. 72. 72. 73. 73</p> <p>4 TRANSFUSO DE HEMOCOMPONENTE EM PEDIATRIA. 4 .1 Transfuso de sangue total (ST)......... 4 .2 Transfuso de concentrado de hemcias (CH).. 4 .3 Transfuso de plaquetas............ 4 .4 Transfuso de plasma fresco congelado (PFC) .. 4 .5 Transfuso de crioprecipitado.......... 4 .6 Transfuso de concentrado de granulcitos (CG)</p> <p>5 PROCEDIMENTOS ESPECIAIS PARA OS HEMOCOMPONENTES. 5 .1 Desleucocitao.................... 5 .2 Irradiao........................ 5 .3 Lavagem com soluo salina.............. 5 .4 Fenotipagem de antgenos eritrocitrios ......... 5 .5 Aquecimento de hemocomponentes..........</p> <p>6 TRANSFUSO MACIA........................ 75 7 TRANSFUSO DE CONCENTRADO DE HEMCIAS EM PACIENTES CRTICOS................................ 85 8 EXPANSORES PLASMTICOS..................... 95 8 .1 Colide natural......................... 97 8 .2 Colides semi-sintticos................... 100 9 REAES TRANSFUSIONAIS IMEDIATAS............... 107 10 COMIT TRANSFUSIONAL..................... 117 REFERNCIAS............................. 123 EQUIPE TCNICA........................... 135</p> <p>APRESENTAO</p> <p>A Coordenao da Poltica Nacional de Sangue e Hemoderivados (CPNSH) do Ministrio da Sade com a misso de elaborar polticas que promovam o acesso da populao ateno hematolgica e hemoterpica com segurana e qualidade desenvolve suas aes em consonncia com os princpios e diretrizes do Sistema nico de Sade (SUS). Na busca constante da integralidade, universalidade e eqidade na disponibilizao dos servios hematolgicos e hemoterpicos, a CPNSH vem implementando estratgias na busca da melhoria contnua dos servios de hemoterapia. Nesta linha, o Programa de Qualificao dos Servios de Hemoterapia, alm de gerar melhorias tcnicas e gerenciais, propem-se tambm a atingir todas as especialidades mdicas com vistas ao aperfeioamento da qualidade da assistncia hemoterpica prestada. Para tanto, o Guia para o Uso de Hemocomponentes que, aliado s outras estratgias de ao governamental, tem o propsito de colaborar para o aumento da segurana transfusional por meio do uso mais qualificado dos hemocomponentes, minimizando os efeitos inerentes da utilizao destes, e, conseqentemente, ampliar o acesso da populao queles produtos, uma vez que esperada uma reduo na prescrio mdica. Para que o presente Guia pudesse refletir o que h de mais atual na literatura nacional e internacional sobre o tema e a experincia de profissionais atuantes na rea foi indispensvel a participao da Hemorrede Nacional pblica e privada, da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria, da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, do Colgio Brasileiro de Hematologia, da Associao de Medicina Intensiva Brasileira e da Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Dentro desta construo coletiva, esperamos que este Guia torne-se ferramenta importante e cotidiana de consulta para os prescritores de transfuses, na diversificada realidade de desenvolvimento de nosso Pas, considerando que incipiente a formao hemoterpica nas grades curriculares dos cursos de medicina. Assim, daremos mais um passo para o fortalecimento da qualidade na assistncia hemoterpica brasileira. GUILHERME GENOVEZ Coordenador da Poltica Nacional de Sangue e Hemoderivados</p> <p>7</p> <p>1 INTRODUO</p> <p>A transfuso de sangue e hemocomponentes uma tecnologia relevante na teraputica moderna. Usada de forma adequada em condies de morbidade ou mortalidade significativa, no sendo prevenida ou controlada efetivamente de outra maneira, pode salvar vidas e melhorar a sade dos pacientes. Porm, assim como outras intervenes teraputicas, pode levar a complicaes agudas ou tardias, como o risco de transmisso de agentes infecciosos entre outras complicaes clnicas. O uso de sangue e hemocomponentes uma prtica cara para SUS, que necessita e utiliza tecnologia de ponta e recursos humanos altamente especializados, e tem seu fornecimento diretamente relacionado doao voluntria. Tais particularidades, tornam indispensvel a racionalizao na utilizao dos hemocomponentes, considerando sempre a segurana do doador, do receptor e a disponibilidade de acesso. Com o propsito de refletir uma medicina transfusional de ponta sero abordados nesta verso o arsenal teraputico disponvel, as indicaes e contra-indicaes dos hemocomponentes, a transfuso peditrica, as principais condutas frentes s reaes transfusionais imediatas e o importante papel dos comits transfusionais na prtica hemoterpica. Neste contexto, a elaborao destas diretrizes servir de auxlio para os mdicos prescritores na escolha do momento e do hemocomponente mais adequado para uma transfuso. Com intuito de ser um Guia de uso rotineiro na prtica da medicina transfusional seu contedo tem formato com explanaes concisas e destaque para as principais e mais atuais referncias nos temas abordados. Esperamos que este documento sirva de estmulo para que o grupo mdico discuta, de forma crtica, segura e com bases cientficas, a utilizao da teraputica transfusional, entendendo quais as diretrizes para tal conduta so relevantes frente ao risco inerente do uso do sangue e que o mesmo oriundo do ato voluntrio e solidrio da populao brasileira.</p> <p>11</p> <p>2 ARSENAL TERAPUTICO NO SUPORTE HEMOTERPICO</p> <p>Os hemocomponentes e hemoderivados se originam da doao de sangue por um doador. No Brasil, este processo est regulamentado pela Lei n 10.205, de 21/3/2001, e por regulamentos tcnicos editados pelo Ministrio da Sade. Toda doao de sangue deve ser altrusta, voluntria e no-gratificada direta ou indiretamente, assim como o anonimato do doador deve ser garantido. Para a obteno destes produtos, os servios de hemoterapia so estruturados em rede, com nveis de complexidade diferentes, a depender das atividades que executam. Servios mais completos executam todas as etapas do ciclo do sangue, que correspondem captao de doadores, triagem clnica, coleta de sangue, ao processamento de sangue em hemocomponentes, s anlises sorolgicas e imunohematolgicas no sangue do doador, ao armazenamento e distribuio destes produtos e transfuso. As tcnicas de processamento atuais permitem o armazenamento de diferentes hemocomponentes em condies adequadas para preservao de suas caractersticas teraputicas, possibilitando que o receptor receba, em menor volume, somente hemocomponentes dos quais necessita, o que minimiza os riscos inerentes teraputica transfusional. Deste modo, a partir de uma nica doao, vrios pacientes podero ser beneficiados de forma mais segura.</p> <p>2.1 A produo dos hemocomponentesHemocomponentes e hemoderivados so produtos distintos. Os produtos gerados um a um nos servios de hemoterapia, a partir do sangue total, por meio de processos fsicos (centrifugao, congelamento) so denominados hemocomponentes. J os produtos obtidos em escala industrial, a partir do fracionamento do plasma por processos fsicoqumicos so denominados hemoderivados. A figura 1 apresenta os produtos originados a partir do sangue total. Existem duas formas para obteno dos hemocomponentes. A mais comum a coleta do sangue total. A outra forma, mais especfica e de maior complexidade, a coleta por meio de afrese1.Afrese um procedimento caracterizado pela retirada do sangue do doador, seguida da separao de seus componentes por um equipamento prprio, reteno da poro do sangue que se deseja retirar na mquina e devoluo dos outros componentes ao doador.1</p> <p>15</p> <p>No Brasil, as bolsas de sangue total coletadas devem ser 100% processadas de acordo com a Resoluo da Diretoria Colegiada da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria RDC n 24, de 24/1/2002. O processamento feito por meio de centrifugao refrigerada, por processos que minimizam a contaminao e proliferao microbiana, nos quais se separa o sangue total em hemocomponentes eritrocitrios, plasmticos e plaquetrios. Figura 1 . Produtos originados a partir do sangue total</p> <p>Fonte: adaptado de Brasil (1998).</p> <p>Em funo das diferentes densidades e tamanhos das clulas sanguneas, o processo de centrifugao possibilita a separao do sangue total em camadas (figura 2), sendo que as hemcias ficam depositadas no fundo da bolsa. Acima delas forma-se o buffy-coat (camada leucoplaquetria), ou seja, uma camada de leuccitos e plaquetas. Acima do buffy-coat fica a camada de plasma que contm plaquetas dispersas.</p> <p>16</p> <p>Figura 2 . Separao do sangue total em camadas aps a centrifugao</p> <p>Fonte: Brasil (1998).</p> <p>Solues anticoagulantes-preservadoras e solues aditivas so utilizadas para a conservao dos produtos sanguneos, pois impedem a coagulao e mantm a viabilidade das clulas do sangue durante o armazenamento. A depender da composio das solues anticoagulantes-preservadoras, a data de validade para a preservao do sangue total e concentrados de hemcias pode variar. O sangue total coletado em soluo CPDA-1 (cido ctrico, citrato de sdio, fosfato de sdio, dextrose e adenina) tem validade de 35 dias a partir da coleta e de 21 dias quando coletado em ACD (cido ctrico, citrato de sdio, dextrose), CPD (cido ctrico, citrato de sdio, fosfato de sdio, dextrose) e CP2D (citrato, fosfato e dextrose-dextrose). As solues aditivas so utilizadas para aumentar a sobrevida e a possibilidade de armazenamento das hemcias por at 42 dias em 4 2C. Um exemplo de soluo aditiva o SAG-M composto por soro fisiolgico, adenina, glicose e manitol.</p> <p>17</p> <p>2.1.1 Concentrado de hemciasO concentrado de hemcias (CH) obtido por meio da centrifugao de uma bolsa de sangue total (ST) e da remoo da maior parte do plasma. Seu volume varia entre 220ml e 280ml. Assim como o ST, o concentrado de hemcias deve ser mantido entre 2C e 6C e sua validade varia entre 35 e 42 dias, dependendo da soluo conservadora. Os concentrados de hemcias sem soluo aditiva devem ter hematcrito entre 65% e 80%. No caso de bolsas com soluo aditiva, o hematcrito pode variar de 50% a 70%. Os CH podem ser desleucocitados com a utilizao de filtros para leuccitos ou desplamatizados pela tcnica de lavagem com soluo salina fisiolgica preferencialmente em sistema fechado.</p> <p>2.1.2 Concentrado de plaquetaO concentrado de plaquetas (CP) pode ser obtido a partir de unidade individual de sangue total ou por afrese, coletadas de doador nico. Cada unidade de CP unitrios contm aproximadamente 5,5 x 1010 plaquetas em 50-60ml de plasma, j as unidades por afrese contm pelo menos 3,0 x 1011 plaquetas em 200-300ml de plasma (correspondente de 6 a 8 unidades de CP unitrios). Dois mtodos diferentes so utilizados para a obteno de plaquetas pela centrifugao de sangue total. O primeiro consiste na centrifugao do sangue em duas etapas. Na primeira etapa, feita uma centrifugao leve, em que se obtm o plasma rico em plaquetas (PRP); este plasma novamente centrifugado, desta vez em alta rotao, para a obteno do concentrado de plaquetas (CP). O segundo mtodo baseia-se na extrao do buffy coat, ou camada leucoplaquetria, geralmente com a utilizao de extratores automatizados de plasma e com o uso de bolsas top and bottom. O sangue total submetido centrifugao, visando separao da camada leucoplaquetria. O plasma sobrenadante transferido para uma bolsa-satlite, pela sada superior (top) da bolsa e o concentrado de hemcias extrado pela sada inferior (bottom) da bolsa. A camada leucoplaquetria permanece na bolsa original.</p> <p>18</p> <p>O buffy coat de cada bolsa pode ser agrupado com outros por meio de metodologia estril, seguido de sedimentao ou centrifugao para a separao e transferncia das plaquetas para uma bolsa-satlite, onde ficam armazenadas em pool. Este mtodo possibilita a reduo no teor de leuccitos de aproximadamente 90% (1 log).</p> <p>2.1.3 PlasmaO plasma fresco congelado (PFC) consiste na poro acelular do sangue obtida por centrifugao a partir de uma unidade de sangue total e transferncia em circuito fechado para uma bolsa satlite. Pode ser obtido tambm a partir do processamento em equipamentos automticos de afrese. constitudo basicamente de gua, p...</p>