guia para a seguran§a e saude no trabalho

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Guia para a segurança e saude no trabalho

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  • HOTELARIA

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  • 3Bom para as empresasSendo um dos sectores mais regulados da economia portuguesa, a hospitality industry no deixa por isso de ser um sector sujeito a riscos especfi cos sejam eles fsicos, biolgicos ou psicossociais que precisam, escala micro e macro, de ser diagnosticados e controlados. Nos ltimos cinco anos a evoluo das preocupaes com a segurana e sade dos trabalhadores foi considervel.

    Em toda a Europa o negcio da hotelaria assumiu que a preveno destes riscos lhe interessava duplamente: pelos benefcios de manter o local de trabalho seguro e saudvel e pela minorizao dos custos. As unidades hoteleiras que nascem neste novo sculo so a maior demonstrao do peso e rigor destas preocupaes: absoluto controlo do ar interior, ambientes controlados termicamente, manipulao de qumicos com procedimentos altamente protocolados, riscos de incndio reduzidos ao nfi mo, planos de emergncia detalhados ao pormenor.

    Porventura, a realidade portuguesa, ciente j da necessidade de informar e preparar os seus trabalhadores para a necessidade de higiene, segurana e sade no trabalho, est ainda a braos com a vontade de aperfeioar, melhorar. E precisamente neste contexto que se afi gurou relevante AHP a edio deste Manual, juntamente com a produo do fi lme e do website (www.guiasst-ahp.com.pt), instrumentos desenvolvidos em parceria com a Autoridade Nacional para as Condies do Trabalho, dedicados aos nossos Associados empenhados em construir estratgias de Segurana e Sade, melhorando, tambm por essa via, a performance das suas unidades hoteleiras.

    Tomemos como nossas as sbias palavras da campanha da Agncia Europeia para a Segurana e Sade no Trabalho: Healthy workplaces: good for you, good for business.

    Cristina Siza Vieira

    Presidente da Direco Executiva da Associao da Hotelaria de Portugal - AHP

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  • 4Trabalhadores seguros e saudveis para uma boa hospitalidadeNa Unio Europeia, a cada trs minutos e meio morre algum por causas relacionadas com o trabalho. Isto signifi ca que morrem por ano 5.720 pessoas em acidentes de trabalho (Eurostat) e 159.500 de doena profi ssional (OIT). Em Portugal, de acordo com as estatsticas disponveis, morre pelo menos uma pessoa por dia devido a acidentes ou doenas profi ssionais. Sabemos que so muitos mais os que morrem por doenas relacionadas com o trabalho, ou os que fi cam incapacitados ou morrem com cancros e outras doenas adquiridas por exposio profi ssinal ou agravadas pelo trabalho e que nunca foram diagnosticados como profi ssionais. um erro pensar que estas coisas s acontecem aos outros e que nunca acontecero no nosso local de trabalho ou empresa. A realidade outra, e na maioria dos casos, com um mnimo de investimento e medidas adequadas, estas situaes podem ser evitadas.

    Uma boa gesto da segurana e sade no trabalho, para alm de salvar vidas humanas um bom investimento para as empresas porque evita aos empregadores gastos com absentismo, substituio de trabalhadores e, sobretudo, quebras na produo, bem como falta de qualidade nos servios prestados, devido a trabalho realizado por trabalhadores cuja sade no lhes permite fazer mais e melhor, porque no se sentem bem de sade nem motivados para o trabalho. O bem-estar e a sade dos trabalhadores o principal factor de competitividade das empresas porque trabalhadores saudveis e motivados produzem mais e com menos erros, o que se refl ecte na qualidade do produto e na imagem da empresa junto dos clientes.

    Em suma, prticas de trabalho mais seguras so mais efi cientes e permitem s empresas economizar custos e mais importante ainda, podem evitar acidentes e sofrimento e at salvar vidas humanas.

    A indstria de hotelaria e turismo tem um grande peso na economia do pas e proporciona centenas de milhar de empregos a portugueses e a imigrantes de diversas origens.

    Os desafi os que se colocam ao sector so muitos, no quadro de uma competio

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  • 5turstica global. Os riscos inerentes reduo de custos so vrios, em particular o no valorizar devidamente os trabalhadores do sector, de quem depende, em grande parte, a qualidade do servio. Da que, numa estratgia de gesto bem alicerada, se deva ter em conta o factor humano, a sua formao, estabilidade, segurana e sade.

    Neste sector, ainda existe um nmero aprecivel de pessoas que no se apercebe da importncia dos riscos profi ssionais e at os considera praticamente inexistentes. Todavia, embora com menor visibilidade do que noutros sectores de actividade, existem riscos muito concretos no sector que, no sendo eliminados ou controlados, podem ter consequncias mais ou menos graves para os trabalhadores, para os clientes e para as empresas.

    So, por um lado os riscos tradicionais relacionados com a iluminao, o ambiente trmico, a utilizao de equipamentos de trabalho e outros, mas so tambm os novos riscos emergentes resultantes de novas exigncias do mercado global, novas formas de organizao do trabalho, novas formas de contratao, novos grupos de trabalhadores, novos equipamentos e novos produtos.

    fundamental que as empresas invistam numa boa organizao do trabalho e em formao profi ssional adequada. Trabalhadores informados e motivados e com boas condies de segurana e bem-estar no trabalho melhoram seguramente a qualidade do servio prestado e a produtividade das empresas.

    Manuela CaladoTcnica da Autoridade para as Condies do Trabalho (ACT)

    Coordenadora do Ponto Focal e Nacional da Agncia Europeia para a Segurana e Sade no Trabalho

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  • 1ENQUADRAMENTO JURDICO DA SEGURANA E SADE

    NO TRABALHO1. ENQUADRAMENTO JURDICO DA SEGURANA E SADE NO TRABALHO1.1 PRINCPIOS GERAIS DA PREVENO

    1.1.1 Exemplos de aplicao prtica dos prncipios gerais da preveno no sector da hotelaria

    1.2 AS OBRIGAES GERAIS DOS EMPREGADORES 1.2.1 Avaliao de Riscos

    1.3 OBRIGAES DO TRABALHADOR INDEPENDENTE1.4 AS OBRIGAES DOS TRABALHADORES1.5 INFORMAO 1.6 FORMAO 1.7 ORGANIZAO DOS SERVIOS DE SEGURANA E SADE NO TRABALHO 1.8 A PARTICIPAO DOS TRABALHADORES1.9 O TRABALHO TEMPORRIO 1.9.1 Obrigaes da empresa utilizadora em matria de SST

    1.9.2 Obrigaes da empresa de trabalho temporrio em matria de SHST

    1.9.3 A perspectiva da segurana e sade para o trabalhador temporrio e para o cliente do hotel

    1.10 ACIDENTES DE TRABALHO 1.10.1 Enquadramento legal

    1.10.2 Notifi cao dos acidentes

    1.11 AS DOENAS PROFISSIONAIS 1.12 RISCOS PROFISSIONAIS NA HOTELARIA 1.12.1 LMERT - Leses Msculo-esquelticas relacionadas com o trabalho

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  • CAPITULO 1

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    1. ENQUADRAMENTO JURDICO DA SEGURANA E SADE NO TRABALHOO regime jurdico da promoo da segurana e sade no trabalho (Lei n. 102/2009, de 10 de Setembro) resulta da transposio da Directiva 89/391/CEE, de 12 de Junho, comummente designada por Directiva Quadro e da adopo dos princpios da Conveno 155 da OIT, hoje vertidos para o Cdigo do Trabalho e que tem como objectivo promover no espao europeu a melhoria da segurana e sade dos trabalhadores, atravs da consagrao de princpios gerais que visam a preveno dos riscos profi ssionais e a promoo da segurana e sade dos trabalhadores. Estes princpios que vo desde a eliminao e avaliao dos factores de risco profi ssional, formao, consulta e participao dos trabalhadores, constituem as linhas mestras a observar pelos empregadores com vista melhoria das condies de trabalho.

    1.1 PRNCIPIOS GERAIS DA PREVENO

    Os princpios gerais da preveno so a pedra de toque de toda a fi losofi a da segurana e sade no trabalho. So eles que enformam as regras que do corpo ao normativo de segurana e sade no trabalho e s directrizes que as empresas devem cumprir para garantir a segurana e sade dos que l trabalham.

    1.1.1 Exemplos de aplicao prtica dos princpios gerais da preveno no sector da hotelaria

    Apresentam-se a ttulo exemplifi cativo alguns casos prticos de aplicao dos princpios gerais da preveno.

    PRINCPIO GERAL EXEMPLO DE APLICAO PRTICA NA HOTELARIA

    Evitar os riscos O trabalho numa recepo sobejamente conhecido! Sabe-se que uma iluminncia (intensidade) e luminncia (refl exo) desadequadas so factores de risco importantes e extremamente fceis de controlar em projecto. Deste modo, a concepo deste tipo de posto de trabalho deve sempre ter em conta estes factores.

    Avaliar os riscos que no possam ser evitados

    A movimentao manual de cargas inevitvel na hotelaria. Neste sentido, deve a entidade empregadora saber exactamente o tipo de cargas e o peso que as mesmas tm, com o objectivo de implementar as medidas de preveno mais adequadas.

    Combater os riscos na origem A cozinha de um hotel , por norma, um stio onde existe gua e gordura. Inevitavelmente o piso ser escorregadio. A forma de combater o risco de queda ao mesmo nvel, na sua origem, passa por aplicar piso anti-derrapante neste tipo de local.

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  • ENQUADRAMENTO JURDICO DA SEGURANA E SADE NO TRABALHO

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    Adaptar o trabalho ao homem, especialmente no que se refere concepo dos postos de trabalho, bem como escolha dos equipamentos de trabalho e dos mtodos de trabalho e de produo, tendo em vista, nomeadamente, atenuar o trabalho mont