guia ilustrado de 25 aves de lisboa

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1. Guia ilustrado de 2. 2 3 O fascnio das aves surge naturalmente ao repararmos no canto melodioso de um melro ao fim do dia, no voo acrobtico das andorinhas em busca de gua e de terra, nas manchas velozes de estorninhos sobrevoando a cidade, nas formas incrveis e dspares dos ninhos. Ao identificarmos algumas espcies diferentes, comeamos a distingui-las de outras cujos cantos, cores e formas no reconhecemos Surge ento o anseio por descobrir do que se trata! Para isso, ser preciso observar a ave detalhadamente, conhecer os seus comportamentos, saber os habitats onde ocorre e ter consigo a ferramenta indispensvel: um guia de aves. Para iniciar-se na observao de aves, no preciso ir longe Mesmo morando numa cidade como Lisboa, a encontrar habitats distintos e como observador principiante no deixar de se surpreender com a diversidade da avifauna em meio urbano. Porque no comear pelo jardim mais prximo, o seu prprio quintal ou a sua rua? Depois poder visitar outros jardins, fazer um percurso em Monsanto ou na zona ribeirinha e ver como a avifauna diferir entre locais. As melhores alturas do dia para a observao de aves so o nascer e o pr do sol, alturas em que estaro mais ativas, sendo por isso mais visveis e audveis. Em dias com vento ou precipitao estaro mais reservadas e por isso a observao ser menos produtiva. Deve evitar-se fazer barulho e manter-se sempre uma certa distncia, de forma a no perturbar as aves e no danificar o seu ambiente, principalmente durante a poca de nidificao. Se usar roupas de cores discretas, caminhar calmamente e aproveitar elementos da paisagem para conseguir uma camuflagem, ter melhores resultados. Para conseguir observar algumas espcies ou certos detalhes da colorao da plumagem, vai necessitar de binculos, uma ferramenta que se tornar essencial medida que for progredindo. Um caderno de campo ser til para registar as espcies observadas, apontar caractersticas dos habitats visitados, descrever comportamentos peculiares ou outros aspectos que queira lembrar. Ao observar uma ave, repare no local exato onde se encontra e no seu comportamento: se est a flutuar na gua, a cantar no topo de uma rvore, a vocalizar durante a noite, a comer sementes no solo o primeiro passo para a sua identificao, pois poder desde logo excluir as espcies que Vinte e cinco aves de Lisboa Apresentao Lisboa acolhe uma grande biodiversidade nos seus variados ambientes: a zona ribeirinha do esturio do Tejo, o Parque Florestal de Monsanto, os parques e jardins dispersos por toda a cidade, os inmeros bairros e pequenos logradouros, as ruas mais movimentadas A classe das aves sem dvida uma das mais representadas, de entre a diversidade faunstica que aqui ocorre. Por toda a cidade encontram boas condies de alimentao, locais de nidificao e refgio. Este relevante grupo de animais muito importante para a manuteno dos ecossistemas e para a nossa qualidade de vida. Contribui, entre outros aspetos, para a polinizao das flores, para o controlo de pragas e para a disperso de sementes, sendo a sua presena apreciada por muitos que desfrutam do seu canto, admiram a sua plumagem colorida e surpreendem-se com as suas to distintas formas. Todos nos apercebemos da existncia das aves nossa volta mas nem sempre nos apercebemos da sua variedade. S em Lisboa foram registadas mais de 140 espcies entre 2005 e 2010, desde aves aquticas e limcolas, passando pelas aves de rapina diurnas e noturnas, at aos inmeros passeriformes. Naturalmente no Parque Florestal de Monsanto que a diversidade maior, no s por constituir uma floresta relativamente grande, mas tambm devido aos diversos nichos que o compem: zonas de clareira, lagos, construes em runas, matas J na zona ribeirinha ocorrem espcies tpicas de ambientes marinhos e estuarinos. Ali podemos surpreender-nos com a presena de aves que no associamos a uma cidade, como flamingos ou colhereiros, que procuram alimento remexendo o lodo. O Guia Ilustrado de Vinte e Cinco Aves de Lisboa convida-o a conhecer as caractersticas, os hbitos e onde observar 25 espcies comuns em Lisboa. Algumas delas sero certamente conhecidas, outras poder vir a descobri-las Vinte e cinco aves de Lisboa Porque e como observar aves 3. 4 5 no ocupem esse habitat, no exibam esse comportamento e/ou no consumam esse alimento. Tenha ateno postura da ave em repouso ou a vocalizar, ao tipo de voo (rpido, planado, com movimentos bruscos), se est sozinha ou se desloca em bando. O tamanho, forma e colorao da plumagem so os aspetos seguintes a ter em conta. Uma ave com cores vivas atrair mais o olhar do que uma pardacenta. Mas a plumagem das aves pode variar com a idade e ser diferente entre machos e fmeas. Muitas aves exibem cores contrastantes em determinadas regies do corpo, pelo que deve procurar visualizar a cor do peito e do dorso, eventuais manchas coloridas nas asas, barras contrastantes na cauda, coroas na cabea Observe tambm atentamente a forma do bico e das patas, considere o comprimento e posio da cauda, compare o tamanho com outras aves que lhe estejam prximas. Lembre-se que algumas espcies so residentes, enquanto outras, as aves migratrias, apenas ocorrem nalgumas pocas do ano, o que tambm um dos factores a ter em conta na identificao das espcies. Por ltimo, importante referir que todas as aves so protegidas pela legislao nacional. As 25 espcies aqui apresentadas tm um estatuto de ameaa Pouco Preocupante, no entanto, h populaes noutras regies do mundo que esto em declnio, o que torna a sua conservao muito relevante. Apesar do nosso fascnio pela observao de aves, no nos devemos esquecer que o seu bem estar mais importante do que a nossa vontade de as observar. A nossa contribuio pode passar muito simplesmente pela adoo de uma conduta responsvel! Pardal Grosso, para partir gros Pisco Fino, para capturar insetos Peneireiro Com gancho, para rasgar carnePato Achatado, para filtrar Pilrito Estreito, para debicar Fronte ou testa Coroa Nuca Manto Dorso Uropgio Cauda Penas caudais ou rectrizes Penas da asa ou remiges Tarso Garra Abdmen ou ventre Flanco Coberturas das remiges Peito Garganta Bico Narinas Asa Gaivota Curvado e afiado, para pescar e rasgar Pato Com membranas, para nadar Falco Com garras, para caar Coruja Com garras e pelos, para caar durante a noite Passeriforme Finas, para se agarrar aos ramos Pica-pau Com dedos opostos, para trepar Pombo Para caminhar e saltitar As patas e a sua funo Os bicos e a sua funo 4. 6 7 Nome comum Nome popular ou vulgar. Diferente nas vrias lnguas e pode variar de regio para regio. Nome cientfico nico para cada espcie e igual em todo o mundo. Constitudo por dois nomes em latim, o primeiro corresponde ao gnero, o segundo espcie. Famlia Grupo taxonmico que compreende um ou mais gneros. Ordem Grupo taxonmico que compreende uma ou mais famlias. Como usar este guia Pgina-tipo Comprimento Distncia do bico cauda, em centmetros. Nome comum Nome cientfico Pgina Pato-real Anas platyrhynchos 8 guia-dasa-redonda Buteo buteo 9 Peneireiro-vulgar Falco tinnunculus 10 Pilrito Calidris alba 11 Guincho-comum Larus ridibundus 12 Gaivota-dasa-escura Larus fuscus 13 Pombo-domstico Columba livia 14 Rola-turca Streptopelia decaocto 15 Coruja-das-torres Tyto alba 16 Andorinho-preto Apus apus 17 Andorinha-das-chamins Hirundo rustica 18 Alvola-branca Motacilla alba 19 Carria Troglodytes troglodytes 20 Pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula 21 Rabirruivo-preto Phoenicurus ochruros 22 Melro-preto Turdus merula 23 Toutinegra-de-barrete-preto Sylvia atricapilla 24 Felosa-comum Phylloscopus collybita 25 Chapim-real Parus major 26 Chapim-azul Parus caeruleus 27 Gaio-comum Garrulus glandarius 28 Pardal Passer domesticus 29 Pintassilgo Carduelis carduelis 30 Chamariz Serinus serinus 31 Periquito-de-colar Psittacula krameri 32 Como usar este guia ndice de espcies Envergadura Medida das asas abertas, em centmetros. Fenologia Uma espcie pode ser residente , invernante ou estival . Escala comparativa Figura do pombo, a cinzento, (ver pg. 14) para melhor perceo do tamanho real da ave. Dimorfismos Diferenas morfolgicas observveis entre machos e fmeas . Caractersticas distintivas Aspetos que se destacam, teis na identificao das espcies. Nas pginas finais do guia poder registar as suas observaes anotando a data e o local em que avistou as espcies descritas. 5. 8 9 Anseriformes Onde e quando pode ser visto? Pode ser visto o ano inteiro, nos lagos dos parques e jardins da cidade e em Monsanto, sendo a maior parte residente. A populao aumenta com a chegada de aves invernantes, pelo que se torna mais abundante durante o outono e inverno. Curiosidades Aps o perodo de reproduo os patos renovam todas as suas penas (eclipse). Nesta altura, o macho torna-se muito semelhante fmea, apenas se distin- guindo por ter o bico mais esverdeado. Esta espcie pode por vezes cruzar-se com outras, dando origem a indivduos hbri- dos com padres de colorao estranhos. Formam novos casais todos os anos, e cerca de 19% da populao de machos acasalam com outros machos. 50 cm - 65cm 90 cm - 98cm Anatidae Pato-real Anas platyrhynchos Identificao o mais comum e conhecido dos patos. O macho distingue-se pela sua plumagem mais colorida: tem a cabea verde iridescente, com o bico amarelo e um anel branco no pescoo; o dorso acinzentado. Na fmea a plumagem mais uniforme, em tons de castanho. Ambos apresentam nas asas algumas penas azuis, o espelho alar, que permite distingui-los de outros patos com plumagem parecida, sobretudo devido aos bandos serem muitas vezes compostos por indivduos de diferentes espcies. Vocalizao Emite muito frequentemente o tpico qu-qu, quer em voo, quer pousado ou a nadar. Alimentao Prefere vegetao aqutica e pequenos invertebrados que obtm nos fundos dos lagos, no entanto omnvoro, podendo tambm consumir pequenos anfbios e peixes. Nidificao Constri o ninho com ervas na primavera, no solo, escondido na vegetao, ou em cavidades naturais. A fmea cuida sozinha das crias que a seguem por todo o lado em fila. Cabe