guia de sobrevivncia dos professores contratados

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  • Federao Nacional dos Professores

    DO(A) PROFESSOR(A) E EDUCADOR(A) CONTRATADO(A) E DESEMPREGADO(A)

    GUIADE SOBREVIVNCIA

    Em luta contra a precariedade e o desemprego!

  • ndiceA precariedade no uma inevitabilidade!

    O que este Guia de Sobrevivncia?

    Contratao (Lei n. 59/2008, de 11 de Setembro) Forma do contrato Apresentao Perodo experimental Caducidade e compensao por caducidade Denncia do contrato a termo Vencimentos Faltas e Licenas Frias

    Concursos Estrutura dos concursos Notas complementares sobre os concursos Professores com habilitao prpria

    Estatuto da Carreira Docente Prova de ingresso Perodo probatrio Avaliao do desempenho Formao contnua Outras reas de trabalho docente Regio Autnoma da Madeira Regio Autnoma dos Aores AEC do 1 CEB Ensino Particular e Cooperativo e ainda

    Subsdio de Desemprego: um direito conquistado pela luta

    Movimento SindicalA FENPROF e os seus SindicatosCGTP-INFCSAP (Frente Comum)

    Endereos sindicais e outros contactos teis

    Ficha de sindicalizao

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  • DO(A) PROFESSOR(A) E EDUCADOR(A) CONTRATADO(A) E DESEMPREGADO(A)

    GUIADE SOBREVIVNCIA

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    A precariedade no uma inevitabilidade!

    Ano aps ano, os concursos so um ritual que anuncia mais precariedade, uma tentativa de fugir permanente ameaa do desemprego. A cada ano que passa, a estabilidade, a carreira

    e os direitos que s a vinculao garante, parecem mais distantes e as formas de instabilidade refinam-se, aumen-tam e agravam-se. Pela lei, os concursos para entrada num quadro j s acontecem em cada quatro anos; a antecipao para 2011, um compromisso que o ME teve de assumir perante a FENPROF, ameaa perder-se com as opes do governo em congelar admisses na Ad-ministrao Pblica. Exigindo a concretizao do com-promisso, por aqui vai uma luta de que, haja o (PEC) que houver, a FENPROF no desistir. Para ela so precisos os professores; imprescindveis sero os contratados.Este ano, os concursos para contratao e para a bolsa de recrutamento ficam marcados pela obstinao in-justificvel do ME em manter a avaliao na graduao profissional, o que um factor acrescido de tremendas desigualdade e discriminao. Os contratos, hoje, so mais precrios do que nunca; o peso das apreciaes subjectivas para a renovao ou a oferta de escola tm mais relevncia do que nunca e at os recibos verdes ilegais, permitidos por muitos municpios na contratao para as AEC, passaram a entrar no quotidiano dos docen-tes contratadosO presente GUIA DE SOBREVIVNCIA para o/a docente contratado/a ou desempregado/a, pretende ser um pe-queno manual informativo num emaranhado complexo de situaes em que so fomentadas as divises artificiais e as discriminaes. Mas pretende, tambm, ser um apelo interveno, luta!, de cada colega contratado/a ou desempregado/a pelo seu direito ao futuro, futuro comum com todos os/as outros/as a quem a precariedade esma-ga a vida.O discurso sobre a estabilidade que os governantes adoptam parece ter um significado singular... Significa, por exemplo, poder ficar at quatro anos numa escola, eventualmente reconduzido/a - ou no - por critrios onde fermenta a subjectividade, onde espreita o clientelismo e sempre sem entrar no quadro para que no haja ingres-so na carreira.Ficar contratado quer dizer ter (muito) menos direitos. Desde logo, ganhar, na melhor das hipteses, por um ndice (151) substancialmente inferior ao que devia ser o

    do 1 escalo da carreira (167). No ltimo ano lectivo, o ME usou 15.000 docentes contratados para trabalharem em lugares que correspondem a necessidades perma-nentes do sistema, lugares que deveriam ser de quadro; usou mais 10.000 para necessidades transitrias; mais de 15.000 para as AEC, actividades que s no so curricu-lares porque, tal como esto, permitem floreados custa da explorao de dezenas de milhar de jovens professo-res. Tantos milhares a contrato e, contudo, entre 2007 e 2010 aposentaram-se cerca de 15.000 professores mas s 396 lograram entrar em quadro Nas escolas, nem sequer a estpida regra dos 2 para 1 vigora!A instabilidade que afecta os professores, afecta, inevita-velmente, o funcionamento das escolas e o ensino. Mal pagos, colocados longe, inseguros quanto ao futuro, pa-gando elevados custos pessoais e familiares, os docentes contratados enfrentam uma situao difcil: quem governa obriga-os a isso.A precariedade no uma situao transitria. resultado de polticas aprofundadas por vrios governos, agravado nos ltimos. So polticas que fomentam dependncias, reduzem despesas com mo-de-obra (qualificada), sem olhar s consequncias, desvalorizam socialmente os profissionais, degradam a Escola Pblica. Por tudo isto, temos de estar disponveis para as rejeitar e combater!Os professores contratados tm o direito a ser professo-res de corpo inteiro, a trabalharem com estabilidade, a usufrurem de um salrio digno e igual ao do seu colega do quadro que tem o mesmo tempo de servio. O gover-no nem equaciona isso, mas at tm direito a projectar a sua vida com perspectivas de segurana no emprego!H uma luta, uma importantssima luta, que preciso fazer em torno destas questes. Ningum a faz e muito menos a ganhar sozinho! H que conjugar esforos com a FENPROF, conhecendo e dando fora s suas justas propostas. E, j agora, sua enorme persistncia na defe-sa de uma profisso dignificada e valorizada, desde logo liberta dos malefcios da precariedade.

    Nesta luta ningum pode ficar de fora!Cada um parte indispensvel do todo!

    O Secretariado Nacional

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    O que este Guia de Sobrevivncia?

    Nasce a partir de um trabalho desenvolvido por colegas do SPGL/FENPROF. Foi tendo actualiza-es e melhorias ao longo dos ltimos anos.A FENPROF faz aqui uma actualizao do texto

    porque h aspectos da legislao entretanto alterados e porque foi entendido que era preciso reforar a apresen-tao das posies e propostas sindicais em relao a matrias de grande interesse para a vida dos/as colegas contratados/as. entendimento da FENPROF que o que de mais importante se joga nas vidas dos/as professores/as contratados/as est nos efeitos da sua prpria disponi-bilidade de intervir e lutar pelo seu prprio futuro; da fora de que forem capazes.Este GUIA no uma fonte que substitua o obrigatrio conhecimento directo, directamente interpretado da legis-lao. Este GUIA no tem pretenses enciclopedistas: h reas, pontos de vista e situaes que no tm aqui o tra-tamento que os implicados desejariam. Este GUIA no est acabado: a partir do que j est para trs, passando agora por este documento, a FENPROF continuar a rever o seu contedo, encontrando mesmo suportes que facilitem a consulta por todos at por quem ainda no compreendeu a(s) importncia(s) de ser sindicalizado/a e o acesso a informao actualizada.Este GUIA pretende ser um documento de apoio com in-formaes que podem ser importantes, mas no cumprir a sua funo se no conseguir tambm ser mais um factor de esclarecimento e de mobilizao para a luta com que os/as professores/as contratados/as podem e devem inter-vir para melhorar a situao em que se encontram.Amide, sente-se a falta de uma conscincia mais profun-da da situao em que vivem os/as colegas contratados/as ou desempregados/as. Falta tambm o conhecimento das propostas da FENPROF e da aco que tem desenvolvido nesta frente de trabalho e de luta contra a precariedade e o desemprego.No explicando tudo, nessas faltas tambm se explica a ainda insuficiente disponibilidade de muitos/as para a transformao das coisas, isto , para ir luta por um futuro melhor.A questo que a FENPROF cr ser central na vida e no futuro dos/as professores/as contratados/as a precarie-dade a que esto sujeitos/as. A FENPROF tem propos-tas que defendem condies de estabilidade para os/as milhares de colegas a quem ela negada. A FENPROF tem propostas e, sempre que as condies polticas, mesmo que adversas, o permitem, apresenta-as ao poder polti-co. Mas isto no chega: indispensvel a presso dos/as

    colegas contratados/as em luta para que o poder poltico seja obrigado a discutir e a considerar as propostas justas e equilibradas que a FENPROF defende!

    A FENPROF defende:

    A anualidade dos concursos para ingresso em quadros; A antecipao dos concursos para 2011, compromis-so assumido pelo ME; O carcter nacional dos concursos, com critrios que defendam a clareza e a transparncia na seriao dos candidatos o que obriga, entre outras regras, a acabar com a mistura entre graduao profissional e classifica-es da avaliao do desempenho; O princpio fundamental, mas no respeitado pelos sucessivos governos, de que, tambm nas escolas, a necessidades permanentes tm de corresponder situa-es de trabalho estveis; Honestidade na abertura de lugares de quadro, de acordo com as reais necessidades das escolas e do sistema; Melhoria das condies de trabalho e de promoo do sucesso das aprendizagens, com reflexos naturais na abertura de lugares; Criao de regras de vinculao que, de forma prxi-ma do que est regulamentado na legislao geral do trabalho, estabeleam que ao fim de trs anos de servi-o o ME assume um compromisso de estabilidade para com o docente a quem recorreu por via da contratao; Fim dos impedimentos de concurso impostos aos professores de habilitao prpria, colegas de quem o ME continua a necessitar mas que exclui das fases nacionais do concurso; Criao de condies para a profissionalizao dos professores de habilitao prpria, de acordo com os parmetros para o exerccio da profisso que o prprio ME define; Alterao do modelo das AEC no 1. CEB com a integrao de reas no currculo e a colocao nos agrupamentos dos professores necessrios para o seu desenvolvimento; At l, contratao dos professores das AEC de acordo com as condies seguidas para a contratao nas escolas.

    Vale a pena lutar por propostas como estas. Vale a pena lutar com a FENPROF!