Guia de Estudos 2011

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INSTITUTO RIO BRANCOMINISTRIO DAS RELAES EXTERIORES

Concurso de Admisso Carreira de Diplomata

Guia de Estudos2011

GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSO CARREIRA DE DIPLOMATA

Ministro das Relaes Exteriores Embaixador Antnio de Aguiar Patriota

Secretrio-Geral das Relaes Exteriores Embaixador Ruy Nunes Pinto Nogueira

Diretor-Geral do Instituto Rio Branco Embaixador Georges Lamazire

APRESENTAO

O Guia de Estudos do Concurso de Admisso Carreira Diplomtica, verso 2011 visa a orientar e auxiliar o candidato que pretende ingressar na carreira diplomtica. Constam deste Guia: Portaria n 762, de 28 de dezembro de 2010 do Ministro de Estado das Relaes Exteriores;

Edital de 17 de janeiro de 2011 , do Diretor-Geral do Instituto Rio Branco;

Orientao para estudo, contendo programas das disciplinas e exemplos de respostas que mereceram aprovao no concurso anterior, mantidos os textos originais dos candidatos, com eventuais incorrees e/ou deficincias.

Braslia, em 20 de janeiro de 2011.

GUIA DE ESTUDOS PARA O CONCURSO DE ADMISSO CARREIRA DE DIPLOMATA

MINISTRIO DAS RELAES EXTERIORES GABINETE DO MINISTRO

PORTARIA N 762, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2010 O MINISTRO DAS RELAES EXTERIORES, no uso de suas atribuies, e tendo em vista o disposto no art. 87, pargrafo nico, I, da Constituio e nos artigos 1 e 5 do Regulamento do Instituto Rio Branco, aprovado pela Portaria de 20 de novembro de 1998, publicada no Dirio Oficial da Unio de 25 de novembro de 1998, e alterado pela Portaria n 11, de 17 de abril de 2001, publicada no Dirio Oficial da Unio de 25 de abril de 2001, resolve: Art. 1 Esta Portaria estabelece normas e diretrizes para o Concurso de Admisso Carreira de Diplomata de 2011. Pargrafo nico. Demais normas sero objeto de disposio do Edital do Concurso. Art. 2 O Concurso de Admisso Carreira de Diplomata de 2011 constar, na Primeira Fase, de prova objetiva, de carter eliminatrio, constituda de questes de Portugus, de Histria do Brasil, de Histria Mundial, de Geografia, de Poltica Internacional, de Ingls, de Noes de Economia e de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico. Pargrafo nico. Ser estabelecida reserva de vagas na Primeira Fase para candidatos afrodescendentes nos termos do Edital do Concurso. Art. 3 A Segunda Fase constar de prova discursiva eliminatria e classificatria de Portugus. Pargrafo nico. Ser estabelecida nota mnima para a prova de Portugus. Art. 4 A Terceira Fase constar de provas discursivas de Histria do Brasil, de Geografia, de Poltica Internacional, de Ingls, de Noes de Economia e de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico. 1 As seis provas da Terceira Fase tero peso equivalente. 2 Ser estabelecida nota mnima para o conjunto das provas da Terceira Fase. Art. 5 A Quarta Fase constar de provas escritas de Espanhol e de Francs, de carter exclusivamente classificatrio. Pargrafo nico. Para efeitos de classificao, cada uma das provas da Quarta Fase ter peso equivalente a metade do peso de cada uma das provas da Terceira Fase. Art. 6 Sero oferecidas, no Concurso de Admisso Carreira de Diplomata de 2011, 26 (vinte e seis) vagas para a classe inicial da Carreira de Diplomata. Art. 7 O Diretor-Geral do Instituto Rio Branco far publicar o Edital do Concurso. Art. 8 Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicao. Art. 9 Fica revogada a Portaria n. 708, de 30 de novembro de 2010.

CELSO AMORIM

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EDITAL DE 17 DE JANEIRO DE 2011 CONCURSO DE ADMISSO CARREIRA DE DIPLOMATA O DIRETOR-GERAL DO INSTITUTO RIO BRANCO, no uso de suas atribuies legais e regimentais, torna pblico que estaro abertas, de 24 de janeiro a 22 de fevereiro de 2011, as inscries para o Concurso Pblico de Admisso Carreira de Diplomata, nos termos dos artigos 35 e 36 da Lei n 11.440, de 29 de dezembro de 2006, e da Portaria n 762, de 28 de dezembro de 2010. O Concurso obedecer s seguintes normas: 1 DAS DISPOSIES PRELIMINARES 1.1 O Concurso ser realizado pelo Instituto Rio Branco (IRBr), com a colaborao do Centro de Seleo e de Promoo de Eventos da Universidade de Braslia (CESPE/UnB). O texto deste Edital estar tambm disponvel no endereo eletrnico do CESPE/UnB http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, bem como eventuais informaes adicionais sobre o Concurso. 1.2 O Concurso ter quatro fases, especificadas a seguir: a) Primeira Fase: Prova Objetiva, constituda de questes objetivas de Portugus, de Histria do Brasil, de Histria Mundial, de Geografia, de Poltica Internacional, de Ingls, de Noes de Economia e de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico, de carter eliminatrio. b) Segunda Fase: prova escrita de Portugus, de carter eliminatrio e classificatrio. c) Terceira Fase: provas escritas de Histria do Brasil, de Geografia, de Poltica Internacional, de Ingls, de Noes de Economia e de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico, de carter eliminatrio e classificatrio. d) Quarta Fase: provas escritas de Espanhol e de Francs, de carter classificatrio. 1.3 Cada uma das fases ser realizada simultaneamente nas cidades de Aracaju/SE, Belm/PA, Belo Horizonte/MG, Boa Vista/RR, Braslia/DF, Campo Grande/MS, Cuiab/MT, Curitiba/PR, Florianpolis/SC, Fortaleza/CE, Goinia/GO, Joo Pessoa/PB, Macap/AP, Macei/AL, Manaus/AM, Natal/RN, Palmas/TO, Porto Alegre/RS, Porto Velho/RO, Recife/PE, Rio Branco/AC, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, So Lus/MA, So Paulo/SP, Teresina/PI e Vitria/ES. 1.4 VAGAS: 26, sendo 2 vagas reservadas aos candidatos portadores de deficincia. 2 DO CARGO 2.1 A aprovao no Concurso habilitar o candidato a: 1) ingressar em cargo da classe inicial da Carreira de Diplomata (Terceiro Secretrio), de acordo com a ordem de classificao obtida; e 2) matricular-se no Curso de Formao do Instituto Rio Branco, regulamentado pela Portaria n 336 do Ministro de Estado das Relaes Exteriores, de 30 de maio de 2003, publicada no Dirio Oficial da Unio de 12 de junho de 2003. 2.2 REMUNERAO INICIAL NO BRASIL: R$ 12.962,12 (doze mil novecentos e sessenta e dois reais e doze centavos). 2.3 DESCRIO SUMRIA DAS ATRIBUIES DO CARGO: aos servidores da Carreira de Diplomata incumbem atividades de natureza diplomtica e consular, em seus aspectos especficos de representao, negociao, informao e proteo de interesses brasileiros no campo internacional (Lei n 11.440, de 29 de dezembro de 2006). 3 DOS REQUISITOS BSICOS PARA A INVESTIDURA NO CARGO 3.1 Ter sido aprovado no Concurso.2

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3.2 Ser brasileiro nato, conforme o artigo 12, 3, inciso V, da Constituio Federal e artigo 36 da Lei n 11.440, de 29 de dezembro de 2006. 3.3 Estar no gozo dos direitos polticos. 3.4 Estar em dia com as obrigaes do Servio Militar, para os candidatos do sexo masculino. 3.5 Estar em dia com as obrigaes eleitorais. 3.6 Apresentar diploma, devidamente registrado, de concluso de curso de graduao de nvel superior, emitido por instituio de ensino credenciada pelo Ministrio da Educao. No caso de candidatos cuja graduao tenha sido realizada em instituio estrangeira, caber exclusivamente ao candidato a responsabilidade de apresentar, at a data da posse, a revalidao do diploma exigida pelo Ministrio da Educao, nos termos do artigo 48 da Lei de Diretrizes e Bases da Educao (Lei n 9.394, de 20 de dezembro de 1996). 3.7 Haver completado a idade mnima de dezoito anos. 3.8 Apresentar aptido fsica e mental para o exerccio das atribuies do cargo, verificada por meio de exames pr-admissionais, nos termos do artigo 14, pargrafo nico, da Lei n 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 3.9 O atendimento a cada um dos requisitos acima de responsabilidade exclusiva do candidato. 3.10 Ser excludo do Concurso o candidato que no atender a qualquer dos requisitos acima enumerados ou que, quando for o caso, no obtiver a autorizao de que trata o subitem 5.4.1.1 deste Edital. 4 DAS VAGAS DESTINADAS AOS CANDIDATOS PORTADORES DE DEFICNCIA 4.1 Do total de vagas destinadas ao cargo, 5% sero providas na forma do artigo 37, VIII, da Constituio Federal, do artigo 5, 2, da Lei n 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e do Decreto n 3.298, de 20 de dezembro de 1999, alterado pelo Decreto n 5.296, de 2 de dezembro de 2004. 4.1.1 O candidato que se declarar portador de deficincia concorrer em igualdade de condies com os demais candidatos. 4.2 Para concorrer a uma dessas vagas, o candidato dever: a) no ato da inscrio, declarar-se portador de deficincia e estar ciente das atribuies do cargo para o qual pretende se inscrever e de que, no caso de vir a exerc-lo, estar sujeito avaliao pelo desempenho dessas atribuies, para fins de habilitao no estgio probatrio; e b) encaminhar cpia simples do CPF e laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio), emitido nos ltimos doze meses, atestando a espcie e o grau ou nvel da deficincia, com expressa referncia ao cdigo correspondente da Classificao Internacional de Doenas (CID-10), bem como provvel causa da deficincia, na forma do subitem 4.2.1. 4.2.1 O candidato portador de deficincia dever entregar, at o dia 11 de maro de 2011, das 8 horas s 19 horas (exceto sbado, domingo e feriado), pessoalmente ou por terceiro, o laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) e a cpia simples do CPF a que se refere a alnea b do subitem 4.2, na Central de Atendimento do CESPE/UnB, Universidade de Braslia (UnB) Campus Universitrio Darcy Ribeiro, Sede do CESPE/UnB Asa Norte, Braslia/DF. 4.2.1.1 O candidato poder, ainda, encaminhar o laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) e a cpia simples do CPF, via SEDEX ou carta registrada com aviso de recebimento, postado impreterivelmente at o dia 11 de maro de 2011, para a Central3

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de Atendimento do CESPE/UnB Concurso IRBr Diplomata 2011 (laudo mdico), Caixa Postal 4488, CEP 70904-970, Braslia/DF. 4.2.2 O fornecimento do laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) e da cpia simples do CPF, por qualquer via, de responsabilidade exclusiva do candidato. O CESPE/UnB no se responsabiliza por qualquer tipo de extravio que impea a chegada dessa documentao a seu destino. 4.3 O candidato portador de deficincia poder requerer, na forma do subitem 5.4.9 deste Edital, atendimento especial, no ato da inscrio, para o dia de realizao das provas, indicando as condies de que necessita para a realizao destas, conforme previsto no artigo 40, pargrafos 1 e 2, do Decreto n 3.298/99 e suas alteraes. 4.4 O laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) e a cpia simples do CPF tero validade somente para este Concurso Pblico e no sero devolvidos, assim como no sero fornecidas cpias dessa documentao. 4.4.1 A relao dos candidatos que tiveram a inscrio deferida para concorrer na condio de portadores de deficincia ser divulgada na Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, na ocasio da divulgao do Edital de locais e horrio de realizao da Prova Objetiva. 4.4.1.1 O candidato dispor de um dia a partir da data de divulgao da relao citada no subitem anterior para contestar o indeferimento na Central de Atendimento do CESPE/UnB, Universidade de Braslia (UnB), Campus Universitrio Darcy Ribeiro, Sede do CESPE/UnB, Asa Norte, Braslia/DF, pessoalmente ou por terceiro, ou pelo e-mail atendimentoespecial@cespe.unb.br. Aps esse perodo, no sero aceitos pedidos de reviso. 4.5 A inobservncia do disposto no subitem 4.2 acarretar a perda do direito ao pleito das vagas reservadas aos candidatos em tal condio e o no atendimento s condies especiais requeridas. 4.6 Os candidatos que, no ato da inscrio, declararem-se portadores de deficincia, se aprovados e classificados no Concurso, tero seus nomes publicados em lista parte e figuraro tambm na lista de classificao geral. 4.7 Os candidatos que se declararem portadores de deficincia, se no eliminados no concurso, sero convocados para se submeter percia mdica promovida pela Junta Mdica designada pelo Diretor-Geral do Instituto Rio Branco, que verificar sobre a sua qualificao como deficiente ou no, bem como, no estgio probatrio, sobre a incompatibilidade entre as atribuies do cargo e a deficincia apresentada, nos termos do artigo 43 do Decreto n 3.298/99 e suas alteraes. 4.8 Os candidatos devero comparecer percia mdica munidos de documento de identidade e de laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) que ateste a espcie e o grau ou nvel de deficincia, com expressa referncia ao cdigo correspondente da Classificao Internacional de Doenas (CID-10), conforme especificado no Decreto n 3.298/99 e suas alteraes, bem como provvel causa da deficincia, conforme modelo constante do endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011. 4.8.1 Perdero o direito s vagas reservadas os candidatos que, por ocasio da percia mdica de que trata o subitem 4.7, no apresentarem laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) ou que apresentarem laudo que no tenha sido emitido nos ltimos doze meses.

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4.8.2 O laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) ser retido pelo Instituto Rio Branco por ocasio da realizao da percia mdica. 4.8.3 Os candidatos convocados para a percia mdica devero comparecer com uma hora de antecedncia do horrio marcado para o seu incio, conforme edital de convocao. 4.9 A no observncia do disposto no subitem 4.8, a reprovao na percia mdica ou o no comparecimento percia acarretar a perda do direito s vagas reservadas aos candidatos em tais condies. 4.10 O candidato que, tendo-se declarado portador de deficincia, for reprovado na percia mdica por no ter sido considerado deficiente, caso seja aprovado no Concurso, figurar na lista de classificao geral. 4.11 O candidato portador de deficincia reprovado na percia mdica no decorrer do estgio probatrio em virtude de incompatibilidade da deficincia com as atribuies do cargo ser exonerado. 4.12 As vagas definidas no subitem 4.1 que no forem providas por falta de candidatos portadores de deficincia aprovados sero preenchidas pelos demais candidatos, observada a ordem geral de classificao. 5 DAS INSCRIES NO CONCURSO 5.1 As inscries podero ser efetuadas somente via Internet, conforme procedimentos especificados a seguir. 5.1.1 TAXA DE INSCRIO: R$ 150,00. 5.1.2 Ser admitida a inscrio exclusivamente via Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, solicitada no perodo entre 10 horas do dia 24 de janeiro de 2011 e 23 horas e 59 minutos do dia 22 de fevereiro de 2011, horrio oficial de Braslia/DF. 5.1.3 O CESPE/UnB no se responsabilizar por solicitao de inscrio no recebida por motivos de ordem tcnica dos computadores, falhas de comunicao, congestionamento das linhas de comunicao, bem como outros fatores que impossibilitem a transferncia de dados. 5.2 O candidato dever efetuar o pagamento da taxa de inscrio por meio da Guia de Recolhimento da Unio (GRU Cobrana). 5.2.1 A GRU Cobrana estar disponvel no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011 e dever ser impressa para o pagamento da taxa de inscrio aps a concluso do preenchimento da ficha de solicitao de inscrio online. 5.2.1.1 O candidato poder reimprimir a GRU Cobrana pela pgina de acompanhamento do concurso. 5.2.2 A GRU Cobrana pode ser paga em qualquer banco, bem como nas lotricas e Correios, obedecendo aos critrios estabelecidos nesses correspondentes bancrios. 5.2.3 O pagamento da taxa de inscrio dever ser efetuado at o dia 10 de maro de 2011. 5.2.4 As inscries somente sero acatadas aps a comprovao de pagamento da taxa de inscrio. 5.2.5 O comprovante de inscrio do candidato estar disponvel no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, aps o acatamento da inscrio, sendo de responsabilidade exclusiva do candidato a obteno desse documento. 5.2.6 Informaes complementares acerca da inscrio estaro disponveis no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011.5

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5.3 Para os candidatos que no dispuserem de acesso Internet, o CESPE/UnB disponibilizar locais com acesso Internet, localizados nos endereos listados a seguir, no perodo entre 10 horas do dia 24 de janeiro de 2011 e 23 horas e 59 minutos do dia 22 de fevereiro de 2011 (horrio oficial de Braslia/DF), observados os horrios de funcionamento de cada estabelecimento.UF/CIDADE AC/Rio Branco AL/Macei AM/Manaus AM/Manaus LOCAL Cyber Acrebell Battosoft Lan House ENDEREO Avenida das Naes Unidas, n 339 Bosque Travessa Panair, n 127 Vergel

Atlantis I Lan House e Cyber Caf Rua Senador Cunha Melo, n 771 So Jorge Atlantis II Lan House e Cyber Caf Atlantis III Lan House e Cyber Caf Atlantis IV Lan House e Cyber Caf Rua Par, n 136 - Vieiralves N. Sra. das Graas

AM/Manaus

Avenida Andr Arajo, n 79 Aleixo

AM/Manaus AP/Macap BA/Salvador CE/Fortaleza DF/Braslia

Rua Marciano Armond, n 929 Cachurinha

Cyberplay Informtica e Servios Rua General Rondon, n 1.467, Loja 17 Central AS Escritrio Virtual Microlins ICC - Norte - UNB Avenida Ademar de Barros, n 408, Sala 3 Ondina Rua Floriano Peixoto, n 1.040 Centro Campus Universitrio Darcy Ribeiro ICC Ala Norte Rua Neves Armond, n 535 Sala 301 Bento Ferreira (entre a Avenida Cezar Hillal e Avenida Vitria antigo Largo das Compras) Avenida Juscelino Kubitschek, quadra 06 Lote 1/26 n 507 sala 1 Jardim Presidente (prximo ao posto de gasolina) Rua Osvaldo Cruz, n 1.238 Centro Avenida Augusto de Lima, n 1.912 Barro Preto Avenida Capibaribe, n 495 Silvia Regina Avenida Mato Grosso, n 280 Aras Avenida Alcindo Cacela, n 829 Umarizal Avenida Governador Jos Malcher, n 1.274 Nazar

ES/Vitria

Data Control

GO/Goinia

Suport Informtica e Lan House

MA/So Lus MG/Belo Horizonte MS/Campo Grande MT/Cuiab PA/Belm PA/Belm

Microlins Microlins Tano Cyber Lan House Original Papelaria e Servios Ltda. Microlins Microlins

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PA/Belm PA/Belm PB/Joo Pessoa PB/Joo Pessoa PE/Recife PI/Teresina PR/Curitiba

Microlins Microlins Microlins Microlins Praia Cyber Tigre Lan House Microlins Back Bone Lan House

Travessa So Pedro, n 406 Batista Campos Avenida Pedro Miranda, n 1.593 Pedreira Avenida Pedro II, n 601 Centro Avenida Epitcio Pessoa, 3.161 Miramar Rua da Conceio, n 189 Boa Vista Avenida Frei Serafim, n 2.138 Centro Rua Cames, n 601, Polloshop Alto da XV, Loja 280 Avenida das Amricas, n 16.691, Cobertura 303, Recreio dos Bandeirantes Barra da Tijuca Avenida Ayrton Senna, n 1.970 Nepolis Rua Governador Valadares, n 3.540 (prximo a Escola Bela Vista) Conceio Avenida Benjamin Constant, n 586 So Pedro Rua Otvio Rocha, n 151, 2 andar Porto Alegre Travessa Doutor Zulmar de Lins Neves, n 253 Centro, Florianpolis Rua Senador Rollemberg, n 561 So Jos Praa da S, s/n - Centro Sada Anita Garibaldi Praa do Carmo, s/n Centro

RJ/Rio de Janeiro RN/Natal RO/Porto Velho RR/Boa Vista RS/Porto Alegre SC/Florianpolis SE/Aracaju SP/So Paulo

Microlins Microlins Zona Sul Space Net Technet Insite Informtica Khalil Informtica Micro Aid Informtica Acessa So Paulo Metr S Acessa So Paulo Poupatempo S Acessa So Paulo Poupatempo S II - Secretaria da Fazenda Acessa So Paulo SEADE Acessa So Paulo SEADS Arena Lan House

SP/So Paulo

SP/So Paulo SP/So Paulo SP/So Paulo TO/Palmas

Av. Rangel Pestana, n 300, 1 andar Centro Av. Casper Lbero, n 478 Trreo Luz Rua Bela Cintra, n 1.032 Cerqueira Csar Avenida JK, Quadra 106 sul, n 19, Sala 02 Setor Sul

5.3.1 Nos locais listados no subitem anterior, no sero fornecidas informaes nem sero prestados esclarecimentos a respeito do concurso pblico. Para tanto, o candidato dever observar o disposto no subitem 14.5 deste Edital. 5.4 DAS DISPOSIES GERAIS SOBRE A INSCRIO NO CONCURSO PBLICO 5.4.1 Antes de efetuar a inscrio, o candidato dever conhecer o Edital e certificar-se de que preenche todos os requisitos exigidos. No momento da inscrio, o candidato dever

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optar pela cidade de provas. Uma vez efetivada a inscrio no ser permitida, em hiptese alguma, a sua alterao. 5.4.1.1 No ato de inscrio, os candidatos afrodescendentes devero declarar, em campo apropriado, essa condio, com vistas aplicao das disposies previstas no subitem 7.6 deste Edital. 5.4.1.2 O candidato que tiver cnjuge de nacionalidade estrangeira ser inscrito condicionalmente no Concurso e sua eventual aprovao s ser vlida se obtiver a autorizao do Ministro de Estado das Relaes Exteriores ou do Presidente da Repblica, conforme o caso, a que se referem, respectivamente, o artigo 33, 3, e o artigo 34, 3, da Lei n 11.440, de 29 de dezembro de 2006, a ser requerida na forma da legislao em vigor. Esta exigncia aplica-se tambm ao candidato casado com estrangeira, cuja separao judicial ainda no tenha transitado em julgado. 5.4.2 vedada a inscrio condicional (salvo o disposto no subitem 5.4.1.1), a extempornea, a via postal, a via fax ou a via correio eletrnico. 5.4.3 vedada a transferncia do valor pago a ttulo de taxa para terceiros ou para outros concursos. 5.4.4 Para efetuar a inscrio, imprescindvel o nmero de Cadastro de Pessoa Fsica (CPF) do candidato. 5.4.5 As informaes prestadas na solicitao de inscrio sero de inteira responsabilidade do candidato, dispondo o CESPE/UnB e o IRBr do direito de excluir do Concurso Pblico aquele que no preench-la de forma completa e correta. 5.4.6 O valor referente ao pagamento da taxa de inscrio no ser devolvido em hiptese alguma, salvo em caso de cancelamento do certame por convenincia da Administrao Pblica. 5.4.7 No haver iseno total ou parcial do valor da taxa de inscrio, exceto para os candidatos que tenham recebido a Bolsa-Prmio de Vocao para a Diplomacia do Instituto Rio Branco no ano de 2010, que devero realizar a sua inscrio conforme procedimentos descritos neste Edital e no aplicativo de inscrio, e para os candidatos amparados pelo Decreto n 6.593, de 2 de outubro de 2008, publicado no Dirio Oficial da Unio de 3 de outubro de 2008, que devero proceder conforme descrito a seguir. 5.4.7.1 Estar isento do pagamento da taxa de inscrio o candidato que: a) estiver inscrito no Cadastro nico para Programas Sociais do Governo Federal (Cadnico), de que trata o Decreto n 6.135, de 26 de junho de 2007; e b) for membro de famlia de baixa renda, nos termos do Decreto n 6.135, de 2007. 5.4.7.2 A iseno dever ser solicitada mediante requerimento do candidato, disponvel por meio do aplicativo para a solicitao de inscrio, no perodo entre 10 horas do dia 24 de janeiro de 2011 e 23 horas e 59 minutos do dia 22 de fevereiro de 2011 (horrio oficial de Braslia/DF), no endereo eletrnico www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, contendo: a) indicao do Nmero de Identificao Social (NIS), atribudo pelo Cadnico; e b) declarao de que atende condio estabelecida na letra b do subitem 5.4.7.1. 5.4.7.2.1 Os candidatos que no dispuserem de acesso Internet podero utilizar-se dos locais constantes do subitem 5.3 deste Edital para efetuar a solicitao de inscrio com iseno de taxa. 5.4.7.3 O CESPE/UnB consultar o rgo gestor do Cadnico para verificar a veracidade das informaes prestadas pelo candidato.8

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5.4.7.4 As informaes prestadas no requerimento de iseno sero de inteira responsabilidade do candidato, podendo responder este, a qualquer momento, por crime contra a f pblica, o que acarretar sua eliminao do concurso, aplicando-se, ainda, o disposto no pargrafo nico do art. 10 do Decreto n 83.936, de 6 de setembro de 1979. 5.4.7.5 No ser concedida iseno de pagamento de taxa de inscrio ao candidato que: a) omitir informaes e/ou torn-las inverdicas; b) fraudar e/ou falsificar documentao; c) no observar a forma, o prazo e os horrios estabelecidos no subitem 5.4.7.2 deste edital. 5.4.7.6 No ser aceita solicitao de iseno de pagamento de valor de inscrio via postal, via fax ou via correio eletrnico. 5.4.7.7 Cada pedido de iseno ser analisado e julgado pelo rgo gestor do Cadnico. 5.4.7.8 A relao dos pedidos de iseno deferidos ser divulgada at o dia 1 de maro de 2011, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011. 5.4.7.9 O candidato dispor de um dia a partir da data de divulgao da relao citada no subitem anterior para contestar o indeferimento, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011. Aps esse perodo, no sero aceitos pedidos de reviso. 5.4.7.9.1 Os candidatos que tiverem seus pedidos de iseno indeferidos devero acessar o endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011 e imprimir a GRU Cobrana, por meio da pgina de acompanhamento, para pagamento at o dia 10 de maro de 2011, conforme procedimentos descritos neste edital. 5.4.7.10 O interessado que no tiver seu pedido de iseno deferido e que no efetuar o pagamento da taxa de inscrio na forma e no prazo estabelecido no subitem anterior estar automaticamente excludo do concurso pblico. 5.4.8 O comprovante de inscrio dever ser mantido em poder do candidato e apresentado nos locais de realizao das provas. 5.4.9 O candidato, portador de deficincia ou no, que necessitar de atendimento especial para a realizao das provas dever indicar, na solicitao de inscrio, os recursos especiais necessrios e, ainda, enviar, at o dia 11 de maro de 2011, impreterivelmente, via SEDEX ou carta registrada com aviso de recebimento, para a Central de Atendimento do CESPE/UnB Concurso IRBr Diplomata 2011 (laudo mdico), Caixa Postal 4488, CEP 70904-970, Braslia/DF, cpia simples do CPF e laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) que justifique o atendimento especial solicitado. Aps esse perodo, a solicitao ser indeferida, salvo nos casos de fora maior e nos que forem de interesse da Administrao Pblica. A solicitao de condies especiais ser atendida segundo os critrios de viabilidade e de razoabilidade. 5.4.9.1 O laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) e a cpia simples do CPF referidos no subitem 5.4.9 podero, ainda, ser entregues, at o dia 11 de maro de 2011, das 8 horas s 19 horas (exceto sbado, domingo e feriado), pessoalmente ou por terceiro, na Central de Atendimento do CESPE/UnB, na Universidade de Braslia (UnB) Campus Universitrio Darcy Ribeiro, Sede do CESPE/UnB Asa Norte, Braslia/DF. 5.4.9.2 O fornecimento do laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) e da cpia simples do CPF, por qualquer via, de responsabilidade exclusiva do candidato. O CESPE/UnB no se responsabiliza por qualquer tipo de extravio que impea a chegada dessa documentao a seu destino.

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5.4.9.3 A candidata que tiver necessidade de amamentar durante a realizao das provas, alm de solicitar atendimento especial para tal fim, dever encaminhar, para a Central de Atendimento do CESPE/UnB, cpia autenticada em cartrio da certido de nascimento da criana, at o dia 11 de maro de 2011, e levar um acompanhante, que ficar em sala reservada e ser o responsvel pela guarda da criana. A candidata que no levar acompanhante no poder permanecer com a criana no local de realizao das provas. 5.4.9.3.1 O CESPE/UnB no disponibilizar acompanhante para guarda de criana. 5.4.9.4 A cpia simples do CPF e o laudo mdico (original ou cpia autenticada em cartrio) valero somente para este Concurso, no sero devolvidos e no sero fornecidas cpias dessa documentao. 5.4.9.5 A relao dos candidatos que tiveram o seu atendimento especial deferido ser divulgada no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, na ocasio da divulgao do Edital de locais e horrio de realizao da Prova Objetiva. 5.4.9.5.1 O candidato dispor de um dia a partir da data de divulgao da relao citada no subitem anterior para contestar o indeferimento, na Central de Atendimento do CESPE/UnB Universidade de Braslia (UnB), Campus Universitrio Darcy Ribeiro, Sede do CESPE/UnB, Asa Norte, Braslia/DF; pessoalmente ou por terceiro, ou pelo e-mail atendimentoespecial@cespe.unb.br. Aps esse perodo, no sero aceitos pedidos de reviso. 5.4.10 O candidato dever declarar, na solicitao de inscrio, que tem cincia e aceita que, caso aprovado, dever entregar os documentos comprobatrios dos requisitos exigidos para o cargo por ocasio da posse. 6 DA PRIMEIRA FASE: PROVA OBJETIVA 6.1 A Prova Objetiva, de carter eliminatrio, abranger as seguintes disciplinas: Portugus, Histria do Brasil, Histria Mundial, Geografia, Poltica Internacional, Ingls, Noes de Economia e Noes de Direito e Direito Internacional Pblico. 6.2 Data e horrio: a Prova Objetiva ser aplicada na data provvel de 10 de abril de 2011, em duas etapas: a primeira s 10 horas (horrio oficial de Braslia/DF), com durao de 2 horas e 30 minutos; e a segunda s 15 horas (horrio oficial de Braslia/DF), com durao de 3 horas e 30 minutos. 6.2.1 Na data provvel de 30 de maro de 2011, os locais de realizao da Prova Objetiva sero publicados no Dirio Oficial da Unio, e divulgados na Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011. So de responsabilidade exclusiva do candidato a identificao correta de seu local de realizao da prova e o comparecimento no horrio determinado. 6.2.2 O CESPE/UnB poder enviar, como complemento s informaes citadas no subitem anterior, comunicao pessoal dirigida ao candidato, por e-mail ou pelos Correios, sendo de sua exclusiva responsabilidade a manuteno/atualizao de seu correio eletrnico e a informao de seu endereo completo e correto na solicitao de inscrio, o que no o desobriga do dever de observar o Edital a ser publicado, consoante o que dispe o subitem 6.2.1 deste Edital. 6.3 Caractersticas: a Prova Objetiva, cuja elaborao caber ao CESPE/UnB, ser constituda de 65 questes objetivas, sendo 13 questes de Portugus, 12 questes de Ingls, 11 questes de Poltica Internacional, 10 questes de Histria Mundial, 5 questes de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico, 5 questes de Noes de Economia, 5 questes de Histria do Brasil e 4 questes de Geografia.10

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6.3.1 As questes sero do tipo mltipla escolha e do tipo CERTO ou ERRADO. 6.3.2 Cada questo do tipo mltipla escolha ter cinco opes (A, B, C, D e E) e uma nica resposta correta, de acordo com o comando da questo. Haver, na folha de respostas, para cada questo deste tipo, cinco campos de marcao correspondentes s cinco opes: A, B, C, D e E, devendo o candidato preencher apenas aquele correspondente resposta julgada correta, de acordo com o comando. 6.3.2.1 Para obter pontuao em cada questo de mltipla escolha, o candidato dever marcar um, e somente um, dos cinco campos da folha de respostas correspondentes s opes da questo. 6.3.3 Cada questo do tipo CERTO ou ERRADO ser constituda de quatro itens. O julgamento de cada item ser CERTO ou ERRADO, de acordo com o comando da questo. Haver, na folha de respostas, para cada item, dois campos de marcao: o campo designado com o cdigo C, que deve ser preenchido pelo candidato caso julgue o item CERTO, e o campo designado com o cdigo E, que deve ser preenchido pelo candidato caso julgue o item ERRADO. 6.3.3.1 Para obter pontuao em cada item de cada questo do tipo CERTO ou ERRADO, o candidato dever marcar um, e somente um, dos dois campos da folha de respostas correspondentes a esse item. 6.3.4 O candidato dever transcrever as respostas das questes da Prova Objetiva para a folha de respostas, que ser o nico documento vlido para a correo da prova. O preenchimento ser de inteira responsabilidade do candidato, que deve proceder em conformidade com as instrues especficas contidas neste Edital e na folha de respostas. Em hiptese alguma haver substituio da folha de respostas por erro de preenchimento do candidato. 6.3.5 Sero de inteira responsabilidade do candidato os prejuzos advindos do preenchimento indevido da folha de respostas. Sero consideradas marcaes indevidas as que estiverem em desacordo com este Edital e/ou com as instrues contidas na folha de respostas, tais como marcao rasurada ou emendada e/ou campo de marcao no preenchido integralmente. 6.3.6 O candidato no dever amassar, molhar, dobrar, rasgar, manchar ou, de qualquer modo, danificar a sua folha de respostas, sob pena de ter a correo de sua prova prejudicada pela impossibilidade de realizao da leitura ptica. 6.3.7 O candidato responsvel pela conferncia de seus dados pessoais, em especial seu nome, seu nmero de inscrio e o nmero de seu documento de identidade. 6.3.8 No ser permitido que as marcaes na folha de respostas sejam feitas por outras pessoas, salvo em caso de candidato a quem tenha sido deferido atendimento especial para a realizao das provas. Nesse caso, o candidato ser acompanhado por fiscal do CESPE/UnB devidamente treinado. 6.3.9 O CESPE/UnB divulgar a imagem da folha de respostas dos candidatos que realizaram a Prova Objetiva, exceto dos candidatos eliminados na forma do subitem 14.16.1, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, aps a data de divulgao do resultado final da Prova Objetiva. A referida imagem ficar disponvel at quinze dias corridos da data de publicao do resultado final do Concurso Pblico. 6.3.9.1 Aps o prazo determinado no subitem anterior, no sero aceitos pedidos de disponibilizao da imagem da folha de respostas. 7 DOS CRITRIOS DE AVALIAO DA PROVA OBJETIVA11

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7.1 A folha de respostas ser corrigida por meio de processamento eletrnico. 7.2 A nota em cada questo do tipo mltipla escolha, feita com base nas marcaes da folha de respostas, ser igual a: 1,00 ponto, caso a resposta do candidato esteja em concordncia com o gabarito oficial definitivo da prova; 0,20 ponto negativo, caso a resposta do candidato esteja em discordncia com o gabarito oficial definitivo da prova; 0,00, caso no haja marcao ou caso haja mais de uma marcao. 7.3 A nota em cada item de cada questo do tipo CERTO ou ERRADO, feita com base nas marcaes da folha de respostas, ser igual a: 0,25 ponto, caso a resposta do candidato esteja em concordncia com o gabarito oficial definitivo da prova; 0,25 ponto negativo, caso a resposta do candidato esteja em discordncia com o gabarito oficial definitivo da prova; 0,00, caso no haja marcao ou caso haja marcao dupla. 7.4 Ser calculada, para cada candidato, a nota final na Prova Objetiva (NFPO) como sendo igual soma algbrica das notas obtidas em todas as questes e itens que a compem. 7.5 Ser eliminado do Concurso o candidato que obtiver NFPO inferior a 26. 7.6 Os candidatos no eliminados na forma do subitem 7.5 sero ordenados de acordo com a nota final na Prova Objetiva (NFPO), e os classificados at a 300 posio na listagem geral, at a 20 posio na listagem dos que se declararam portadores de deficincia, de acordo com o disposto no subitem 4.2 deste Edital, e at a 30 posio na listagem dos que se declararam afrodescendentes, de acordo com o disposto no subitem 5.4.1.1 deste Edital, respeitados os empates na ltima colocao, sero considerados aprovados na Primeira Fase e sero convocados para a prova da Segunda Fase, em Edital a ser publicado no Dirio Oficial da Unio, na data provvel de 3 de maio de 2011, do qual constaro igualmente os locais de realizao da prova. 7.7 Os candidatos no convocados para a Segunda Fase na forma do subitem 7.6 deste Edital sero eliminados e no tero classificao alguma no concurso. 7.8 Todos os clculos citados neste Edital sero considerados at a segunda casa decimal, arredondando-se para cima, se o algarismo da terceira casa decimal for igual ou superior a cinco. 8 DOS RECURSOS REFERENTES PROVA OBJETIVA 8.1 Os gabaritos oficiais preliminares das questes da Prova Objetiva sero divulgados na Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, at as 18 horas da data provvel de 12 de abril de 2011. 8.2 O candidato que desejar interpor recurso contra os gabaritos oficiais preliminares das questes objetivas dispor de dois dias teis, a contar do dia subsequente ao da divulgao desses gabaritos, no horrio das 9 horas do primeiro dia s 18 horas do ltimo dia (horrio oficial de Braslia/DF), ininterruptamente, conforme datas determinadas nesses gabaritos. 8.3 Para recorrer contra os gabaritos oficiais preliminares das questes objetivas, o candidato dever utilizar os modelos de formulrios disponveis no Sistema Eletrnico de Interposio de Recurso (http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011) e seguir as instrues ali contidas. 8.4 O candidato dever ser claro, consistente e objetivo na elaborao de seu recurso. Sero preliminarmente indeferidos recursos extemporneos, inconsistentes e/ou fora de qualquer uma das especificaes estabelecidas neste Edital. 8.5 O recurso no poder conter, em outro local que no o apropriado, qualquer palavra ou marca que o identifique, sob pena de ser preliminarmente indeferido.

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8.6 Se do exame de recursos resultar anulao de questo ou de item de questo integrante da prova, a pontuao correspondente a essa questo ou ao item ser atribuda a todos os candidatos, independentemente de terem recorrido. Se houver alterao, por fora de impugnaes, de gabarito oficial preliminar de questo ou de item de questo integrante da prova, essa alterao valer para todos os candidatos, independentemente de terem recorrido. 8.7 Todos os recursos sero analisados e as justificativas das alteraes de gabarito sero divulgadas no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011 no momento da divulgao do gabarito definitivo. No sero encaminhadas respostas individuais aos candidatos. 8.8 No ser aceito recurso via postal, via fax e/ou via correio eletrnico ou entregue fora do prazo. 8.9 Em nenhuma hiptese sero aceitos pedidos de reviso de recurso ou de recurso de gabarito oficial definitivo, bem como recurso contra o resultado final. 8.10 Recursos cujo teor desrespeite a banca sero preliminarmente indeferidos. 9 DA SEGUNDA FASE: PROVA ESCRITA DE PORTUGUS 9.1 Data e horrio: a prova escrita de Portugus ser aplicada na data provvel de 8 de maio de 2011, s 14 horas (horrio oficial de Braslia/DF), nos locais determinados pelo Edital de convocao a que se refere o item 7.6. Esta prova ter a durao de 5 horas. 9.2 Caractersticas: a prova de Portugus, de carter eliminatrio e classificatrio, consistir de redao sobre tema geral, com a extenso mnima de 80 linhas e mxima de 120 linhas (valor: 60 pontos), e de dois exerccios de interpretao, de anlise ou de comentrio de textos, com a extenso mnima de 15 linhas e mximo de 25 linhas cada um (valor de cada exerccio: 20 pontos). 9.3 Ser apenada a redao que desobedecer extenso mnima de linhas, deduzindo-se 1,00 ponto para cada linha que faltar para atingir o mnimo exigido. Ser atribuda nota 0 (zero) redao que no se atenha ao tema proposto ou que obtenha pontuao 0 (zero) na avaliao da correo gramatical e da propriedade da linguagem. 9.4 A avaliao da prova escrita de Portugus ser feita da seguinte forma. 9.4.1 A redao da prova de Portugus escrita valer 60,00 pontos e ser avaliada segundo os critrios a seguir: 9.4.1.1 A organizao do texto e o desenvolvimento do tema valero 30,00 pontos, sendo: a) 10 pontos para apresentao/impresso geral do texto, legibilidade, estilo e coerncia; b) 10 pontos para capacidade de argumentao (objetividade, sistematizao, pertinncia das informaes); c) 10 pontos para capacidade de anlise e reflexo. 9.4.1.2 A correo gramatical e a propriedade da linguagem valero 30,00 pontos. 9.4.2 Cada um dos dois exerccios valer 20 pontos, e sua avaliao ser feita da seguinte forma: a) 10 pontos para apresentao e desenvolvimento do tema; b) 10 pontos para correo gramatical e a propriedade da linguagem. 9.5 O candidato que entregar a redao ou algum dos exerccios em branco ou com qualquer forma de identificao diferente da permitida ser eliminado e no ter sua prova corrigida. 9.6 A nota do candidato na Prova Escrita de Portugus (NPEP) ser igual soma das notas obtidas na redao e nos exerccios.13

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9.7 Aprovao: sero considerados aprovados na Segunda Fase do Concurso os candidatos que obtiverem NPEP igual ou superior a 60 (sessenta). 9.8 Resultado provisrio: o resultado provisrio da Segunda Fase ser divulgado via Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, at as 18 horas da data provvel de 6 de junho de 2011. 9.9 Recursos: a forma e o prazo para a vista de provas e a interposio de recurso contra o resultado provisrio na Segunda Fase sero divulgados quando da publicao deste resultado. 9.10 Resultado definitivo: O resultado dos recursos, portanto, o resultado final da Segunda Fase, ser anunciado at as 18 horas da data provvel de 20 de junho de 2011 e enviado para publicao no Dirio Oficial da Unio, em Edital que convocar os candidatos aprovados para as provas da Terceira e Quarta Fases do Concurso. 10 DA TERCEIRA FASE: PROVAS ESCRITAS DE HISTRIA DO BRASIL, DE GEOGRAFIA, DE POLTICA INTERNACIONAL, DE INGLS, DE NOES DE ECONOMIA E DE NOES DE DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PBLICO 10.1 A Terceira Fase constar de seis provas escritas, a serem realizadas de acordo com o seguinte calendrio: - data provvel de 25 de junho de 2011: Histria do Brasil; - data provvel de 26 de junho de 2011: Ingls; - data provvel de 2 de julho de 2011: Geografia; - data provvel de 3 de julho de 2011: Poltica Internacional; - data provvel de 9 de julho de 2011: Noes de Direito e Direito Internacional Pblico; - data provvel de 10 de julho de 2011: Noes de Economia. 10.2 As provas da Terceira Fase tero a durao de 4 horas cada uma, com incio s 9 horas (horrio oficial de Braslia/DF). 10.3 Caractersticas: as provas da Terceira Fase, de carter eliminatrio e classificatrio, tero as seguintes caractersticas: 10.3.1 As provas de Histria do Brasil, de Geografia, de Poltica Internacional, de Noes de Economia e de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico consistiro, cada uma, de quatro questes discursivas, duas das quais com o valor de 30 (trinta) pontos cada uma e duas com o valor de 20 (vinte) pontos cada uma, totalizando, assim, 100 (cem) pontos para cada prova. 10.3.1.1 Nas provas de Histria do Brasil, de Geografia e de Poltica Internacional, as respostas s duas questes com o valor de 30 (trinta) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 90 linhas, e as respostas s duas questes com o valor de 20 (vinte) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 60 linhas. 10.3.1.2 Nas provas de Noes de Economia e de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico, as respostas s duas questes com o valor de 30 (trinta) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 60 linhas, e as respostas s duas questes com o valor de 20 (vinte) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 40 linhas. 10.3.2 A prova de Ingls, com o valor mximo de 100 (cem) pontos, constar de traduo de um texto do ingls para o portugus (valor 20 pontos); traduo de um texto do portugus para o ingls (valor 15 pontos); redao de um resumo, em ingls, a partir de um texto escrito em lngua inglesa (valor 15 pontos); e redao, em ingls, a respeito de tema geral, com extenso mnima de 45 linhas e mximo de 60 linhas (valor 50 pontos). 10.3.2.1 Ser apenada a redao que desobedecer extenso mnima de linhas, deduzindo14

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se 1,00 ponto para cada linha que faltar para atingir o mnimo exigido. Ser atribuda nota 0 (zero) redao a respeito de tema geral que no se atenha ao tema proposto ou que obtenha pontuao 0 (zero) na avaliao da correo gramatical e da propriedade da linguagem. 10.4 O candidato que no comparecer a uma das seis provas, ou entregar uma prova em branco ou com qualquer forma de identificao diferente da permitida, ser eliminado e no ter qualquer das provas corrigidas. 10.5 Aprovao: sero considerados aprovados na Terceira Fase do Concurso os candidatos que tenham alcanado a nota mnima de 360 (trezentos e sessenta) pontos na soma das pontuaes obtidas nas seis provas desta fase. 10.6 Resultado provisrio: o resultado provisrio das provas da Terceira Fase ser divulgado via Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, at as 18 horas da data provvel de 29 de julho de 2011. 10.7 Recursos: a forma e o prazo para a vista de provas e a interposio de recurso contra o resultado provisrio na Terceira Fase sero divulgados quando da publicao desse resultado. 10.8 Resultado definitivo: o resultado dos recursos, portanto, o resultado final da Terceira Fase, ser divulgado via Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, at as 18 horas da data provvel de 11 de agosto de 2011 e enviado para publicao no Dirio Oficial da Unio. 11 DA QUARTA FASE: PROVAS ESCRITAS DE ESPANHOL E DE FRANCS 11.1 A Quarta Fase constar de provas escritas de Espanhol e de Francs, de carter classificatrio, com o valor de 50 (cinquenta pontos) cada prova. 11.2 As provas escritas de Espanhol e Francs sero realizadas, simultaneamente, na data provvel 10 de julho de 2011, s 14 horas (horrio oficial de Braslia/DF), e tero a durao de 4 horas. 11.3 Todos os candidatos aprovados na Segunda Fase devero fazer as provas da Quarta Fase. 11.3.1 Apenas os candidatos aprovados na Terceira Fase tero corrigidas suas provas da Quarta Fase. 11.4 O candidato que no comparecer s provas da Quarta Fase, ou que as entregar em branco ou com qualquer forma de identificao diferente da permitida, ser eliminado do Concurso. 11.5 Caractersticas da prova de Espanhol: a prova de Espanhol constar de dez questes relativas a textos em lngua espanhola, com o valor de 5 pontos por questo. As respostas s questes devero conter frases completas em espanhol e observar a extenso exigida no comando de cada questo. A avaliao das respostas, que devero ser em lngua espanhola, se pautar pelos seguintes critrios: a) correo gramatical; b) compreenso textual; c) organizao e desenvolvimento de ideias; d) qualidade da linguagem. 11.6 Caractersticas da prova de Francs: a prova de Francs constar de dez questes relativas a texto em lngua francesa, com o valor de 5 pontos por questo. As respostas s questes devero conter frases completas em francs e observar a extenso exigida no comando de cada questo. A avaliao das respostas, que devero ser em lngua francesa, se pautar pelos seguintes critrios: a) correo gramatical; b) compreenso textual; c) organizao e desenvolvimento de ideias; d) qualidade da linguagem.

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11.7 Resultado provisrio: o resultado provisrio das provas da Quarta Fase ser divulgado via Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, at as 18 horas da data provvel de 12 de agosto de 2011. 11.8 Recursos: a forma e o prazo para a vista de provas e a interposio de recurso contra o resultado provisrio da Quarta Fase sero divulgados quando da publicao desse resultado. 11.9 Resultado definitivo: o resultado dos recursos, portanto, o resultado final da Quarta Fase, ser divulgado via Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, at as 18 horas da data provvel de 22 de agosto de 2011 e enviado para publicao no Dirio Oficial da Unio. 12 DA APROVAO E CLASSIFICAO FINAL NO CONCURSO 12.1 A nota final no Concurso ser a igual soma das notas obtidas nas provas da Segunda, da Terceira e da Quarta fases. 12.2 A classificao final no Concurso, que determinar a ordem de ingresso dos aprovados na classe inicial da Carreira de Diplomata, corresponder ordem decrescente das notas finais no concurso. 12.3 O edital de Resultado Final do Concurso contemplar a relao dos candidatos aprovados, ordenados de acordo com os valores decrescentes da nota final no Concurso, observados os critrios de desempate na ltima posio, dentro dos quantitativos previstos no quadro abaixo, de acordo com o Anexo II do Decreto n 6.944/2009. 12.3.1 Caso no haja candidato portador de deficincia aprovado at a classificao estipulada no quadro a seguir, sero contemplados os candidatos da listagem geral em nmero correspondente, observada rigorosamente a ordem de classificao, os critrios de desempate e o limite de candidatos definido pelo Decreto n 6.944/2009.Geral 57 Portadores de deficincia 3 Total 60

12.4 Os candidatos no classificados no nmero mximo de aprovados de que tratam os subitens 12.3 e 12.3.1 deste edital, ainda que tenham atingido nota mnima, estaro automaticamente reprovados no Concurso. 12.3 O resultado final do Concurso ser divulgado na Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011 e publicado no Dirio Oficial da Unio na data provvel de 23 de agosto de 2011. 13 DOS CRITRIOS DE DESEMPATE 13.1 Em caso de empate na nota final no Concurso, ter preferncia o candidato que, na seguinte ordem: a) tiver idade superior a sessenta anos, at o ltimo dia de inscrio nesta seleo, conforme artigo 27, pargrafo nico, do Estatuto do Idoso; b) obtiver a maior nota na prova escrita de Portugus da Segunda Fase; c) obtiver a maior soma de notas nas seis provas da Terceira Fase; d) obtiver a maior nota na Prova Objetiva (Primeira Fase). 13.1.1 Persistindo o empate, ter preferncia o candidato mais idoso. 14 DAS DISPOSIES GERAIS 14.1 Aceitao das normas deste Edital: A inscrio implica o conhecimento e a aceitao, pelo candidato, de todos os prazos e normas estabelecidos pelo presente Edital. O candidato que fizer declarao falsa ou inexata, ou que no satisfizer s condies exigidas, poder ter sua inscrio cancelada a qualquer momento, por deciso do Diretor-Geral do IRBr,

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publicada no Dirio Oficial da Unio. Cancelada a inscrio, sero anulados todos os atos dela decorrentes. 14.2 de inteira responsabilidade do candidato acompanhar todos os atos, editais e comunicados referentes a este concurso pblico que sejam publicados no Dirio Oficial da Unio e/ou divulgados na Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011. 14.3 Os programas das provas do Concurso esto detalhados no Anexo deste Edital. 14.4 No sero fornecidas, por telefone, informaes a respeito de locais e de horrios de aplicao das provas, informaes quanto posio do candidato no Concurso, bem como no ser expedido qualquer documento comprobatrio de sua classificao, valendo, para esse fim, a publicao da homologao do Concurso. 14.4.1 O candidato dever observar rigorosamente os comunicados e os editais a serem publicados no Dirio Oficial da Unio e divulgados na Internet no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011. 14.5 O candidato poder obter informaes referentes Prova Objetiva junto Central de Atendimento do CESPE/UnB, localizada na Universidade de Braslia (UnB) Campus Universitrio Darcy Ribeiro, Sede do CESPE/UnB Asa Norte, Braslia/DF, por meio do telefone (61) 3448-0100 ou via Internet, no endereo eletrnico http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011, ressalvado o disposto no subitem 14.4 deste Edital. 14.5.1 O candidato que desejar relatar ao CESPE/UnB fatos ocorridos durante a realizao do Concurso dever faz-lo junto Central de Atendimento do CESPE/UnB, postando correspondncia para a Caixa Postal 4488, CEP 70904-970, encaminhando mensagem pelo fax de nmero (61) 3448-0110 ou enviando e-mail para sac@cespe.unb.br. 14.6 No sero identificadas, para efeito de correo, as provas da Segunda, da Terceira e da Quarta Fases. 14.7 Os candidatos tero direito vista das provas e, se desejarem interpor recurso contra os resultados provisrios da Segunda, da Terceira e da Quarta Fases, disporo de dois dias teis, conforme datas determinadas nos editais de divulgao desses resultados, no horrio das 9 horas do primeiro dia s 18 horas do ltimo dia (horrio oficial de Braslia/DF), ininterruptamente. 14.7.1 O candidato dever utilizar o Sistema Eletrnico de Interposio de Recurso (http://www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011), e seguir as instrues ali contidas. 14.7.2 No ser aceito recurso via postal, via fax ou via correio eletrnico ou entregue fora do prazo. 14.7.3 O candidato dever ser claro, consistente e objetivo na elaborao de seu recurso; sero preliminarmente indeferidos recursos extemporneos, inconsistentes e/ou fora de qualquer uma das especificaes estabelecidas neste Edital ou em outros editais que vierem a ser publicados. 14.7.4 O recurso no poder conter, em outro local que no o apropriado, qualquer palavra ou marca que o identifique, sob pena de ser preliminarmente indeferido. 14.7.5 Em nenhuma hiptese sero aceitos pedidos de reviso de recurso ou recursos contra o resultado final da Primeira, da Segunda, da Terceira e da Quarta Fases. 14.7.6 Recursos cujo teor desrespeite a banca sero preliminarmente indeferidos. 14.8 A legibilidade condio indispensvel para a correo de todas as provas.

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14.9 O candidato dever comparecer ao local designado para a realizao das provas com antecedncia mnima de uma hora do horrio fixado para o seu incio, munido de caneta esferogrfica de tinta preta, fabricada em material transparente, de comprovante de inscrio, do comprovante de pagamento da taxa de inscrio e de documento de identidade original. 14.10 No ser admitido ingresso de candidato no local de realizao das provas aps o horrio fixado para o seu incio. 14.11 Sero considerados documentos de identidade: carteiras expedidas pelos Comandos Militares, pelas Secretarias de Segurana Pblica, pelos Institutos de Identificao e pelos Corpos de Bombeiros Militares; carteiras expedidas pelos rgos fiscalizadores de exerccio profissional (Ordens, Conselhos etc.); passaporte brasileiro; certificado de reservista; carteiras funcionais do Ministrio Pblico; carteiras funcionais expedidas por rgo pblico que, por lei federal, valham como identidade; carteira de trabalho; carteira nacional de habilitao (somente modelo com foto). 14.11.1 No sero aceitos como documentos de identidade: certido de nascimento, CPF, ttulo de eleitor, carteira de motorista (modelo sem foto), carteira de estudante, carteira funcional sem valor de identidade nem documentos ilegveis, no identificveis e/ou danificados. 14.12 Caso o candidato esteja impossibilitado de apresentar, no dia de realizao das provas, documento de identidade original, por motivo de perda, roubo ou furto, dever ser apresentado documento que ateste o registro da ocorrncia em rgo policial, expedido h, no mximo, noventa dias, ocasio em que ser submetido identificao especial, compreendendo coleta de dados, de assinaturas e de impresso digital em formulrio prprio. 14.12.1 A identificao especial ser exigida, tambm, do candidato cujo documento de identificao apresente dvidas relativas fisionomia ou assinatura do portador. 14.13 Por ocasio da realizao das provas, o candidato que no apresentar documento de identidade original, na forma definida no subitem 14.11 deste Edital, ser automaticamente excludo do Concurso. 14.14 Ser eliminado do Concurso o candidato que, durante a realizao das provas, for surpreendido portando aparelhos eletrnicos, tais como bip, telefone celular, walkman, agenda eletrnica, notebook, palmtop, receptor, gravador, mquina de calcular, mquina fotogrfica, controle de alarme de carro etc., bem como relgio de qualquer espcie, culos escuros ou quaisquer acessrios de chapelaria, tais como chapu, bon, gorro, protetor auricular etc. e, ainda, lpis, lapiseira e/ou borracha. 14.14.1 O CESPE/UnB recomenda que o candidato no leve nenhum dos objetos citados no subitem anterior no dia de realizao das provas. 14.14.2 O IRBr e o CESPE/UnB no se responsabilizaro por perda ou extravio de objetos ou de equipamentos eletrnicos ocorridos durante a realizao das provas. 14.14.3 No dia de realizao das provas, o CESPE/UnB poder submeter os candidatos ao sistema de deteco de metal. 14.15 O candidato dever permanecer obrigatoriamente no local de realizao das provas por, no mnimo, uma hora aps o incio das provas. 14.15.1 A inobservncia do subitem anterior acarretar a no correo das provas e, consequentemente, a eliminao do candidato no Concurso Pblico.

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14.16 O candidato somente poder retirar-se do local de realizao das provas levando o caderno de provas no decurso dos ltimos quinze minutos anteriores ao horrio determinado para o trmino das provas. 14.16.1 Ter suas provas anuladas e ser automaticamente eliminado do Concurso o candidato que, durante a sua realizao: a) for surpreendido dando ou recebendo auxlio para a execuo das provas; b) utilizar-se de livros, mquinas de calcular ou equipamento similar, dicionrio, notas ou impressos que no forem expressamente permitidos ou que se comunicar com outro candidato; c) for surpreendido portando aparelhos eletrnicos, tais como bip, telefone celular, walkman, agenda eletrnica, notebook, palmtop, receptor, gravador, mquina de calcular, mquina fotogrfica, controle de alarme de carro etc., bem como relgio de qualquer espcie, culos escuros ou quaisquer acessrios de chapelaria, tais como chapu, bon, gorro, protetor auricular etc. e, ainda, lpis, lapiseira e/ou borracha; d) faltar com o devido respeito para com qualquer membro da equipe de aplicao das provas, com as autoridades presentes ou com os demais candidatos; e) fizer anotao de informaes relativas s suas respostas no comprovante de inscrio ou em qualquer outro meio, que no os permitidos; f) no entregar o material das provas ao trmino do tempo destinado para a sua realizao; g) afastar-se da sala, a qualquer tempo, sem o acompanhamento de fiscal; h) ausentar-se da sala, a qualquer tempo, portando a folha de respostas e/ou o caderno de respostas das questes discursivas; i) descumprir as instrues contidas no caderno de provas, na folha de respostas ou no caderno de respostas das questes discursivas; j) perturbar, de qualquer modo, a ordem dos trabalhos, incorrendo em comportamento indevido; k) utilizar ou tentar utilizar meios fraudulentos ou ilegais para obter aprovao prpria ou de terceiros, em qualquer etapa do Concurso Pblico; l) impedir a coleta de sua assinatura; m) for surpreendido portando caneta fabricada em material no transparente; n) for surpreendido portando anotaes em papis, que no os permitidos; o) for surpreendido portando qualquer tipo de arma e/ou se negar a entregar a arma Coordenao; p) recusar-se a ser submetido ao detector de metal; q) for surpreendido por falsa identificao pessoal; e r) recusar-se a transcrever o texto apresentado durante a aplicao das provas, para posterior exame grafolgico. 14.17 Exige-se traje apropriado nos dias de realizao das provas. 14.18 No ser admitido o ingresso de candidatos nos locais de realizao das provas aps o horrio fixado para o seu incio. 14.19 No sero aplicadas provas, em hiptese alguma, fora das datas e dos locais predeterminados em Edital e/ou em comunicado. 14.20 No haver segunda chamada para a realizao das provas. O no comparecimento a qualquer das provas implicar a eliminao automtica do candidato. 14.21 No haver, por qualquer motivo, prorrogao do tempo previsto para a aplicao das provas em razo de afastamento de candidato da sala de provas.19

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14.22 Se, a qualquer tempo, for constatado, por meio eletrnico, estatstico, visual ou grafolgico ou por investigao policial, ter o candidato utilizado processos ilcitos, sua prova ser anulada e ele ser eliminado do Concurso. 14.23 No dia de realizao das provas, no sero fornecidas, por qualquer membro da equipe de aplicao da prova e/ou pelas autoridades presentes, informaes referentes ao contedo da provas e/ou aos critrios de avaliao e de classificao. 14.24 O prazo de validade do Concurso ser de noventa (90) dias, a contar da data de publicao do resultado final, sem possibilidade de prorrogao. 14.25 O candidato dever manter atualizado seu endereo perante o CESPE/UnB, at data de divulgao dos resultados finais das provas, por meio de requerimento a ser enviado Central de Atendimento do CESPE/UnB, e, aps essa data, perante o IRBr, se aprovado. Sero de exclusiva responsabilidade do candidato os prejuzos advindos da no atualizao de seu endereo. 14.26 Os candidatos aprovados e classificados dentro do nmero de vagas oferecidas sero convocados para se submeterem a exame pr-admissional, conforme subitem 3.8. 14.27 Os casos omissos sero resolvidos pelo IRBr, com a colaborao do CESPE/UnB quando necessrio.

GEORGES LAMAZIREDiretor-Geral

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Orientao para estudo (Inclui programas para as provas do Concurso e exemplos de provas do Concurso anterior)

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PROVA OBJETIVA

A prova objetiva, de carter eliminatrio, visa a testar, de modo amplo, a capacidade de compreenso e a cultura dos candidatos, com base nos programas das provas discursivas que constituem a segunda e a terceira fases do Concurso e no programa de Histria Mundial estabelecido pelo edital reproduzido neste Guia de Estudos. No Concurso de 2011 a prova objetiva ser constituda de 65 questes objetivas de Portugus, de Histria do Brasil, de Histria Mundial, de Geografia, de Poltica Internacional, de Ingls, de Noes de Economia e de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico. Em virtude do carter interdisciplinar da prova, uma questo poder contemplar conhecimentos relativos a mais de uma disciplina.

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PORTUGUS A prova de Portugus, de carter eliminatrio e classificatrio, constar de redao sobre tema de ordem geral, com a extenso de 80 a 120 linhas (valor: 60 pontos), e de dois exerccios de interpretao, de anlise ou de comentrio de textos, com a extenso de 15 a 25 linhas cada um (valor de cada exerccio: 20 pontos). Programa (Primeira e Segunda Fases): 1. Lngua Portuguesa: modalidade culta usada contemporaneamente no Brasil. 1.1 Sistema grfico: ortografia, acentuao e pontuao; legibilidade. 1.2 Morfossintaxe. 1.3 Semntica. 1.4 Vocabulrio. 2. Leitura e produo de textos. 2.1 Compreenso, interpretao e anlise crtica de textos em lngua portuguesa. 2.2 Conhecimentos de Lingustica, Literatura e Estilstica: funes da linguagem; nveis de linguagem; variao lingustica; gneros e estilos textuais; textos literrios e no literrios; denotao e conotao; figuras de linguagem; estrutura textual. 2.3 Redao de textos dissertativos dotados de fundamentao conceitual e factual, consistncia argumentativa, progresso temtica e referencial, coerncia, objetividade, preciso, clareza, conciso, coeso textual e correo gramatical. 2.3.1 Defeitos de contedo: descontextualizao, generalizao, simplismo, obviedade, parfrase, cpia, tautologia, contradio. 2.3.2 Vcios de linguagem e estilo: ruptura de registro lingustico, coloquialismo, barbarismo, anacronismo, rebuscamento, redundncia e linguagem estereotipada.

Orientao para a prova de Portugus A prova de Portugus afere o domnio, por parte do candidato, da norma culta na modalidade escrita da lngua portuguesa, sua competncia de leitura e anlise crticas, bem como a capacidade de sntese e de organizao de idias. A prova apresenta textos curtos que servem de base para uma redao (com o valor de 60 pontos) sobre tema suscitado pelos textos e para dois exerccios de interpretao (com o valor de 20 pontos cada um). Produto do complexo processo de domnio da lngua escrita, no nvel exigido pelo concurso, a redao deve revelar a maturidade intelectual do candidato. Este dever demonstrar pensamento crtico, proveniente da capacidade de incorporar e inter-relacionar leituras prvias, sem afastar-se do tema proposto. Ser avaliada a habilidade do candidato de redigir dissertao coerente e coesa, que exponha com fluncia e adequao informaes e argumentos fundamentados e logicamente encadeados. A aplicao de frmulas prontas, fruto de adestramento precrio e simplista, enfaticamente desaconselhada e ser penalizada.

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As questes de interpretao devem ser respondidas de forma direta e objetiva, o que no desobriga o candidato de estruturar sua resposta, elaborando texto coerente, apoiado em raciocnio slido. So critrios de avaliao nessas questes a objetividade, a preciso, a clareza e a conciso, alm naturalmente do adequado uso da lngua portuguesa. A legibilidade condio indispensvel para a correo da prova escrita de Portugus. Prova de 2010 PARTE I REDAO Leia os trechos abaixo, que tm carter meramente motivador, e, com base nos fatores histricos, socioeconmicos, polticos e culturais que deram origem atual configurao da sociedade brasileira, disserte sobre a projeo internacional do Brasil. Extenso: de 600 a 650 palavras (valor: 60 pontos) Sou antes um espectador do meu sculo do que do meu pas: a pea para mim a civilizao, e se est representando em todos os teatros da humanidade, ligados hoje pelo telgrafo. Uma afeio maior, um interesse mais prximo, uma ligao mais ntima, faz com que a cena, quando se passa no Brasil, tenha para mim importncia especial, mas isto no se confunde com a pura emoo intelectual [...]. A abolio no Brasil me interessou mais do que todos os outros fatos de que fui contemporneo; a expulso do imperador me abalou mais profundamente do que todas as quedas de tronos ou catstrofes nacionais que acompanhei de longe [...]. Em tudo isto, porm, h muito pouca poltica; [...] o que h o drama humano universal de que falei, transportado para nossa terra.Joaquim Nabuco. Minha Formao. 10. ed. Braslia: Ed. Universidade de Braslia, 1981, p. 41.

A tentativa de implantao da cultura europeia em extenso territrio, dotado de condies naturais, se no adversas, largamente estranhas sua tradio milenar, , nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em consequncias. Trazendo de pases distantes nossas formas de convvio, nossas instituies, nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente, muitas vezes, desfavorvel e hostil, somos, ainda hoje, uns desterrados em nossa terra. Podemos construir obras excelentes, enriquecer nossa humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar perfeio o tipo de civilizao que representamos: o certo que todo o fruto de nosso trabalho ou de nossa preguia parece participar de um sistema de evoluo prprio de outro clima e outra paisagem. Assim, antes de perguntar at que ponto poder alcanar bom xito a tentativa, caberia averiguar at onde temos podido representar aquelas formas de convvio, instituies e ideias de que somos herdeiros.Srgio Buarque de Holanda. Razes do Brasil. 26. ed. So Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 31.

Nenhum pas escapa a seu destino e, feliz ou infelizmente, o Brasil est condenado grandeza. A ela condenado por vrios motivos, por sua extenso territorial, por sua massa demogrfica, por sua composio tnica, pelo seu ordenamento socioeconmico e,24

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sobretudo, por sua incontida vontade de progresso e desenvolvimento. [...] Ou aceitamos nosso destino como um pas grande, livre e generoso, sem ressentimentos e sem preconceitos, ou corremos o risco de permanecer margem da histria, como povo e como nacionalidade. [...] Em uma palavra: a poltica internacional do Brasil tem como objetivo primordial a neutralizao de todos os fatores externos que possam contribuir para limitar o seu poder nacional.Rodrigo Amado (Org.). Arajo Castro. Braslia: Ed. Universidade de Braslia, 1982, p. 212 (com adaptaes).

Pelas suas dimenses territoriais e de populao, pelos recursos naturais de que dispe e pelo impulso de sua histria, nosso pas est destinado a uma crescente projeo no mundo. No nos podemos esquivar deste mandato, que no deliberamos, mas que nos postulado pelo que somos e pelo que podemos ser. Devemos preparar-nos para assumi-lo, procurando expressar essa projeo segundo critrios pautados pela tolerncia, pelo esprito de conciliao, pelo respeito aos direitos alheios e pela conformidade com as tradies e a cultura [...].Azeredo da Silveira. Discurso pronunciado por ocasio do Dia do Diplomata, em 20/4/1977. In: Anurio do IRBr, 1977.

JOO PAULO MARAO (50,55/60) Em decorrncia das especificidades histricas na formao da sociedade brasileira, o Brasil tornou-se importante nao nas relaes internacionais contemporneas. A transposio da cultura europeia para o territrio colonial e a formao social miscigenada originaram a caracterstica brasileira de pas universalista e diversificado. O processo de desenvolvimento de ideias autnomas acerca das idiossincrasias do Brasil permitiu a consolidao das instituies e da economia nacional, o que garante independncia e respeito perante outros pases. A universalidade da cultura brasileira o aspecto subjetivo que confere imponncia e aceitao do pas no mundo atual. A sociedade brasileira formou-se por meio da miscigenao cultural e da adaptao da civilizao europeia ao territrio nacional. Esse processo compreendido, por muitos intelectuais do pas, como criador de uma civilizao brasileira. A sociedade constituda aps a independncia da nao resultou da combinao de ideias vindas da Europa e de influncias inerentes estrutura socioeconmica da colnia. As contradies decorrentes dessa organizao social eram vistas, inicialmente, como problemticas; no entanto, pensadores como Gilberto Freyre revelaram que a diversidade cultural e a adaptabilidade eram caractersticas que conferiam originalidade ao povo brasileiro. Joaquim Nabuco, em Minha Formao, revela o aspecto universal da sociedade brasileira apenas em momentos especficos da histria do pas. Essa perspectiva aponta para uma ideia eurocentrista de cultura. O Brasil, na tica de Nabuco, estaria na periferia da civilizao. Diferentemente desse pensamento, pode-se compreender que os valores europeus que se tornaram universais so tambm ideais humanitrios e, por essa razo, foram apreendidos pela sociedade formada aps a difuso dessas ideias dentro do pas. Combinados os valores humanitrios e a diversidade cultural brasileira, percebe-se que, a partir da dcada de 1920, surgiu um pensamento crtico autnomo brasileiro, que iniciou a projeo de um pas destinado grandeza. Formao Econmica do Brasil, de Celso Furtado, importante exemplo do pensamento desenvolvimentista que possibilitaria a

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ascenso do Brasil como potncia, quando fossem superados os entraves econmicos e a dependncia internacional herdados do passado. A consolidao desse pensamento, na segunda metade do sculo XX, permitiu uma prtica poltica voltada para o desenvolvimento econmico e o fortalecimento das instituies democrticas no pas. Como resultado, o Brasil encontra-se capacitado para atuar globalmente com independncia econmica. A caracterstica universalista da sociedade brasileira proporciona uma participao autnoma e contributiva nos principais debates internacionais em temas que envolvem a humanidade como um todo. O pas no enfrenta restries de fundo ideolgico em negociaes com pases de diversas ndoles culturais, polticas ou religiosas. Da mesma maneira, no h, contra o Brasil, presso causada pela dependncia econmica internacional. Esses fatores so fundamentais para que o pas tenha crescente participao nas relaes internacionais, principalmente em temas humanitrios, como meio ambiente, proliferao nuclear e direitos humanos. O reconhecimento do Brasil como nao livre de ideologias e de interesses imediatistas consensual contemporaneamente, conforme exemplificam a atual controvrsia iraniana e o problema humanitrio no Haiti, situaes em que o pas se apresenta como principal interlocutor internacional. A projeo global do Brasil deve ser compreendida sob a perspectiva da universalidade da cultura brasileira. Desde a formao colonial, o pas constituiu-se pela adaptao da cultura europeia e pelo desenvolvimento de meios autnticos de estrutura social. A cultura brasileira compreende os valores universais difundidos pela Europa e est aberta diversidade cultural, que foi caracterstica da formao do pas. Dessa forma, ao atuar globalmente, o Brasil revela-se capacitado para ser reconhecido como nao respeitvel por todos os pases, sem rivalidades ou ideologias conflitantes com outros povos. Os aspectos do passado que eram vistos como entraves na formao do pas, como a miscigenao e a dependncia econmica, tornaram-se, no sculo XXI, as principais vantagens para a projeo do Brasil no mundo.

PARTE II EXERCCIO I Com base na leitura do trecho abaixo, discorra acerca do conceito de equilbrio de antagonismos, sobretudo com referncia noo de diversidade cultural. Extenso: de 100 a 150 palavras (valor: 20 pontos) O que se sente em todo esse desadoro de antagonismos so as duas culturas, a europeia e a africana, a catlica e a maometana, a dinmica e a fatalista, encontrando-se no portugus, fazendo dele, de sua vida, de sua moral, de sua economia, de sua arte um regime de influncias que se alternam, se equilibram ou se hostilizam. Tomando em conta tais antagonismos de cultura, a flexibilidade, a indeciso, o equilbrio ou a desarmonia deles resultantes, que bem se compreende o especialssimo carter que tomou a colonizao do Brasil, a formao sui generis da sociedade brasileira, igualmente equilibrada nos seus comeos e, ainda hoje, sobre antagonismos [...]. Considerada de modo geral, a formao brasileira tem sido, na verdade, [...] um processo de equilbrio de antagonismos.Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala. 13. ed. Braslia: Ed. Universidade de Braslia, 1963, p. 72-3, 116 (com adaptaes).

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RICARDO FAGAN PASIANI (15,82/20) Em Casa Grande e Senzala, constata-se o equilbrio de antagonismos na formao da sociedade brasileira desde os primrdios da colonizao. Gilberto Freyre atenta para o momento inicial de surgimento da famlia patriarcal, em que se determinou a polarizao de classes no mbito da economia aucareira. Desde esse momento, embora senhores e escravos passassem a exercer papis sociais opostos, haveria espao para a interpenetrao cultural entre eles. Dois processos pareciam ocorrer em paralelo no mbito da sociedade patriarcal. De um lado, a referncia cultural do senhor de engenho encontrava-se na Europa, especialmente em Portugal. De outro, os negros escravizados traziam da frica cultura bastante rica e consolidada. Embora essa distino fosse evidente, a convivncia desses dois plos sociais em um mesmo espao impulsionava processo de miscigenao. O equilbrio de antagonismos, que no se restringe mera coexistncia de culturas distintas em um mesmo ambiente, resultou na formao peculiar da sociedade brasileira.

PARTE II EXERCCIO II Interprete e comente o seguinte trecho do fragmento de texto abaixo: h casos em que a memria dos obsquios aflige, persegue e morde, como os mosquitos; mas no regra. Extenso: de 100 a 150 palavras (valor: 20 pontos) Nenhum obsquio, por nfimo que seja, esquece ao beneficiado. H excees. Tambm h casos em que a memria dos obsquios aflige, persegue e morde, como os mosquitos; mas no regra. A regra guard-los na memria, como as joias nos seus escrnios; comparao justa, porque o obsquio muita vez alguma joia, que o obsequiado esqueceu de restituir.Machado de Assis. Esa e Jac. Cap. LXXVI. In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

GUSTAVO HEYSE MARCHETTI (17,11/20) Em sua fase realista, Machado de Assis escreveu contos e romances cuja caracterstica marcante a crtica de costumes. O escritor carioca fez uso da ironia, a fim de criticar a elite brasileira do final do sculo XIX. No trecho de Esa e Jac, o narrador, Aires, faz comentrio acerca de prtica bastante comum na sociedade brasileira da poca, que a troca de favores. O favor teve como origem a famlia patriarcal, cuja caracterstica bsica o personalismo ibrico, nota Srgio Buarque de Holanda, em Razes do Brasil. A famlia patriarcal tornou-se o paradigma para grande parte das relaes na sociedade brasileira, o que fez que o clientelismo, a proteo, a relao de compadrio e a troca de favores fossem considerados normais. Esperava-se que, quando se fizesse um favor, o favorecido retribusse com outro obsquio. A necessidade de retribuio no atormentava aqueles indivduos acostumados com a troca de favores. ***27

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HISTRIA DO BRASIL A prova de Histria do Brasil consistir de quatro questes discursivas, duas das quais com o valor de 30 (trinta) pontos cada uma e duas com o valor de 20 (vinte) pontos cada uma. As respostas s questes com o valor de 30 (trinta) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 90 linhas; as respostas s questes com o valor de 20 (vinte) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 60 linhas. HISTRIA DO BRASIL (Primeira e Terceira Fases): 1 O perodo colonial. A configurao territorial da Amrica Portuguesa. O Tratado de Madri e Alexandre de Gusmo. 2 O processo de independncia. Movimentos emancipacionistas. A situao poltica e econmica europia. O Brasil sede do Estado monrquico portugus. A influncia das ideias liberais e sua recepo no Brasil. A poltica externa. O Constitucionalismo portugus e a Independncia do Brasil. 3 O Primeiro Reinado (1822-1831). A Constituio de 1824. Quadro poltico interno. Poltica exterior do Primeiro Reinado. 4 A Regncia (1831-1840). Centralizao versus descentralizao: reformas institucionais. O Ato Adicional de 1834 e revoltas provinciais. A dimenso externa. 5 O Segundo Reinado (1840-1889). O Estado centralizado; mudanas institucionais; os partidos polticos e o sistema eleitoral; a questo da unidade territorial. Poltica externa: as relaes com a Europa e os Estados Unidos da Amrica; questes com a Inglaterra; a Guerra do Paraguai. A questo da escravido. Crise do Estado Monrquico. As questes religiosa, militar e abolicionista. Sociedade e cultura: populao, estrutura social, vida acadmica, cientfica e literria. Economia: a agroexportao; a expanso econmica e o trabalho assalariado; as polticas econmicofinanceiras; a poltica alfandegria e suas conseqncias. 6 A Primeira Repblica (18891930). A proclamao da Repblica e os governos militares. A Constituio de 1891. O regime oligrquico: a poltica dos estados; coronelismo; sistema eleitoral; sistema partidrio; a hegemonia de So Paulo e Minas Gerais. A economia agroexportadora. A crise dos anos 20 do sculo XX: tenentismo e revoltas. A Revoluo de 1930. A poltica externa: a obra de Rio Branco; o pan-americanismo; a II Conferncia de Paz da Haia (1907); o Brasil e a Grande Guerra de 1914; o Brasil na Liga das Naes. Sociedade e cultura: o Modernismo. 7 A Era Vargas (1930-1945). O processo poltico e o quadro econmico financeiro. A Constituio de 1934. A Constituio de 1937: o Estado Novo. O contexto internacional dos anos 1930 e 1940; o Brasil e a Segunda Guerra Mundial. Industrializao e legislao trabalhista. Sociedade e cultura. 8 A Repblica Liberal (1945-1964). A nova ordem poltica: os partidos polticos e eleies; a Constituio de 1946. Industrializao e urbanizao. Poltica externa: relaes com os EUA; a Guerra Fria; a Operao Pan-Americana; a poltica externa independente; o Brasil na ONU. Sociedade e cultura. 9 O Regime Militar (1964-1985). A Constituio de 1967 e as modificaes de 1969. O processo de transio poltica. A economia. Poltica externa: relaes com os EUA; o pragmatismo responsvel; relaes com a Amrica Latina, relaes com a frica; o Brasil na ONU. Sociedade e cultura. 10 O processo democrtico a partir de 1985. A Constituio de 1988. Partidos polticos e eleies. Transformaes econmicas. Impactos da globalizao. Mudanas sociais. Manifestaes culturais. Evoluo da poltica externa. MERCOSUL. O Brasil na ONU.

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Prova de 2010 QUESTO 1 Analise as relaes Brasil-Argentina nas trs ltimas dcadas do sculo XIX. Extenso mxima: 90 linhas (valor: 30 pontos) DANIEL FERREIRA MAGRINI (29/30) O fim da Guerra do Paraguai marca nova fase nas relaes entre Brasil e Argentina. Destruda a ameaa paraguaia ordem bipolar na bacia do Prata, os dois pases retomaram tenses e rivalidades que antecederam a Trplice Aliana. Nesse sentido, tanto Brasil quanto Argentina buscaram a articulao com os vizinhos sul-americanos para conter o rival, o que provocou alteraes em certos aspectos da poltica externa de ambos. Com a proclamao da Repblica em 1889, o panorama de tenso no profundamente alterado, apesar de algumas mudanas evidenciadas na Questo de Palmas (Misiones). O prolongamento da permanncia das tropas brasileiras no Paraguai durante o Gabinete Rio Branco (1871-1875) sinal das transformaes em direo retomada da rivalidade. Esse ltimo marco de intervencionismo brasileiro na regio platina durante o Segundo Reinado justificou-se, no mbito das relaes internacionais, pelo receio do avano das pretenses argentinas na regio do Chaco. Assim, esse acontecimento de carter intervencionista indica a nova postura do Brasil de retraimento vigilante na poltica externa, preocupada principalmente com a conteno da influncia argentina. Do lado argentino, a postura brasileira vista como direcionador de uma abordagem diferente: consolidada por Bartolom Mitre, a Argentina no adotar posio expansionista tendo em vista a reconstruo do antigo Vice-Reino do Rio da Prata, como antes, mas buscar a aproximao com os demais Estados hispnicos para conter o Brasil. Os dois primeiros cenrios desses desdobramentos foram as negociaes para definio de limites e as iniciativas panamericanistas. At ento, o Imprio do Brasil insistira no uti possidetis e adotara postura firme de no ceder territrio nas negociaes de limites com seus vizinhos; com o objetivo de evitar tenses que os aproximassem da Argentina unificada, o Brasil assume maior flexibilidade e diminui o ritmo, chegando at a cogitar a antes rejeitada idia de arbitragem. Resultado disso foi a subsistncia de diversas questes limtrofes at a Repblica Velha. O Brasil tambm tira proveito das divergncias de fronteira entre Argentina e Chile para se aproximar desse ltimo. No mbito panamericano, a iniciativa pende para a Argentina, que busca aliana entre os pases hispanoamericanos com base na viso bolivarista. A diplomacia brasileira responde com esforos para evitar a formao de coalizo anti-brasileira. Desses dois palcos internacionais, pode-se depreender as articulaes diplomticas em torno da rivalidade das duas potncias platinas. No mbito econmico, a modernizao dos dois pases no contexto perifrico do capitalismo industrial do sculo XIX coaduna-se com a realidade do eixo geopoltico. As duas economias guardam pouca complementaridade e, se exercem o mesmo papel de fornecedoras de matrias-primas agrcolas para os mercados centrais, seus principais produtos de exportao no so concorrentes: o Brasil exportador de caf principalmente para os Estados Unidos, enquanto a Argentina exporta carne e trigo para a Europa. No entanto, observa-se, em certa medida, disputa entre os dois vizinhos pelos investimentos europeus na Amrica do Sul, sobretudo nos setores de infraestrutura de exportao. Se essa29

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perspectiva indicaria o recrudescimento da rivalidade, cabe ressaltar tambm a demanda por emprstimos dos dois: o Brasil obteve, no final do Imprio, emprstimo vultoso de 20 milhes de libras esterlinas; tanto Brasil quanto Argentina saem da Guerra do Paraguai bastante endividados. No sentido contrrio da relao causal das tenses Brasil-Argentina, a falta de cooperao entre os dois vizinhos afastou qualquer perspectiva de negociao conjunta no momento de crise dos dois, na dcada de 1890, porquanto o Brasil buscou maximizar isoladamente seus ganhos com o universalismo e a poltica de prestgio pautada nas viagens de D. Pedro II e a Argentina concentrou-se nos benefcios auferidos da relao ntima com o Reino Unido. A proclamao da Repblica no Brasil provocou certos desdobramentos diferenciados na relao bilateral e na articulao em torno do retraimento vigilante brasileiro. A Argentina o primeiro pas a reconhecer o novo regime brasileiro e as divergncias em relao forma de Governo singular do Brasil no contexto americano so desfeitas. A presena do Brasil na Conferncia Panamericana de Washington sinaliza mudana na poltica externa brasileira: da poltica pragmtica firme do Imprio, passa-se ao americanismo ideolgico flexvel. O novo regime, instvel no plano interno, procura melhorar as relaes no eixo continental no plano externo. Se novamente a poltica panamericanista indcio da configurao das relaes Brasil-Argentina, as negociaes de limites tambm no deixam de adquirir novos contornos. A indefinio das fronteiras na regio de Misses, a oeste do estado de Santa Catarina, razo para as negociaes do chanceler Quintino Bocaiva com a potncia vizinha, o que culmina com a assinatura do Tratado de Montevidu. Esse acordo, entretanto, no ratificado pelo Congresso Nacional sob recomendao do prprio Bocaiva; com efeito, cedia metade da regio em litgio Argentina, o que no satisfazia os interesses brasileiros. A recusa do Congresso brasileiro marca no somente o fortalecimento da instncia parlamentar nos negcios estrangeiros, como tambm fornece subsdio para afirmar-se a continuidade da rivalidade entre Brasil e Argentina. Outros eixos sinalizam mudanas alm do panamericano e fronteirio, mas subsiste a tenso em torno do sistema bipolar platino. Durante a Revolta da Armada, o presidente Floriano Peixoto procura Buenos Aires para a aquisio de uma esquadra a fim de combater os revoltosos no Rio de Janeiro, o que negado pela Argentina. Esse ocorrido evidencia que o grau de cooperao ensaiado aps a queda da Monarquia no se traduziu em desconstruo do modelo de tenso nas relaes entre Brasil e Argentina: o vizinho platino no estava disposto a ceder parcela do poderio naval em prol da estabilizao da Repblica brasileira. No eixo econmico, a simultaneidade entre o Encilhamento brasileiro e a crise da Bolsa argentina no gerou concertao entre o dois, obrigando-os aceitao de acordos draconianos com seus credores (funding loan de Campos Sales). A falta de cooperao e seus prejuzos nas negociaes com credores no final do sculo XIX no foi lio aprendida nas crises da dvida da dcada de 1980. A estabilizao do regime republicano brasileiro com Campos Sales aponta novos rumos para as relaes entre Brasil e Argentina, sem romper, contudo, com o paradigma da rivalidade. A resoluo da Questo de Misses (Palmas) pelo arbitramento do presidente norte-americano Glover Cleveland em favor do Brasil desponta a figura do Baro de Rio Branco na diplomacia brasileira. Sob a perspectiva argentina, a concluso desse litgio expe a aproximao do Brasil com os Estados Unidos, que seria fortalecida por Rio Branco durante sua chancelaria e j fora prenunciada pelo Acordo Blaine-Mendona de 1891 e pela30

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contratao da esquadra de papel por Floriano para combater a Revolta da Armada. Nesse sentido, a Questo de Palmas prvia do recrudescimento das tenses com a Argentina nas primeiras dcadas do sculo XX. A partir desses argumentos, pode-se verificar a caracterizao das relaes entre Brasil e Argentina nas trs ltimas dcadas do sculo XIX sob o eixo do retorno da rivalidade entre os dois vizinhos platinos. O fim da Guerra do Paraguai marco da retomada das tenses no sistema bipolar do Cone Sul, em que se apresentam articulaes no mbito continental e aspectos econmicos. A proclamao da Repblica provocou laos diretos entre os dois Estados; no entanto, a lgica regional geopoltica prevaleceu sobre obstculos econmicos comuns e semelhanas internas. O paradigma da rivalidade levado, aps o intervalo da Trplice Aliana, como fio condutor das relaes entre os dois pases at o perodo seguinte, no qual ganha nova dimenso.

QUESTO 2 A classe mdia urbana brasileira, cuja formao incipiente ocorreu na Primeira Repblica, teve crescimento quantitativo na passagem do sculo XX para o XXI. A respeito da formao da classe mdia brasileira nas primeiras dcadas do sculo XX, redija um texto dissertativo em que sejam estabelecidas as relaes entre os seguintes aspectos: - expanso da classe mdia, ascenso da economia cafeeira e atividades governamentais nas primeiras dcadas do sculo XX no Brasil; - imigrao europeia e impactos no ambiente urbano das primeiras grandes urbes brasileiras, tais como So Paulo e Rio de Janeiro; - expectativas da nova classe mdia do incio do sculo XX e vida poltica nacional. Extenso mxima: 90 linhas (valor: 30 pontos) LEONARDO BASTOS AZEVEDO (28/30) A classe mdia urbana brasileira teve a sua conformao condicionada por dois grandes aspectos: a existncia do complexo cafeeiro paulista e seus multiplicadores; a industrializao insipiente e o surgimento de atividades citadinas mais complexas, inicial e predominantemente no Rio de Janeiro e em So Paulo. Destarte, vale dividir a anlise desses fatores em trs conjuntos relacionados: a ascenso da economia cafeeira, das elites a ela relacionadas e sua produo poltica; a imigrao europia e seus impactos; os anseios dessas novas camadas mdias urbanas no incio do sculo XX, essencialmente relacionados aos projetos polticos de ento. O fortalecimento da economia cafeeira, na segunda metade do sculo XIX, trouxe configurao socioeconmica do Brasil mudanas essenciais, que podem ser analisadas diferena de um sistema anterior: o complexo aucareiro. A nova economia cafeeira iria muito alm de uma ilha autossuficiente, segundo anlise de Celso Furtado. Ao contrrio de um sistema fechado, sem circulao de renda e sem a criao de demandas externas, como o era o sistema aucareiro, a nova economia do caf vai absorver, gradualmente, mo de obra livre, e gerar demandas de produtos por parte dessa nova classe, bem como do prprio setor. O controle da produo, por sua vez, encontrava-se, nesse momento, interiorizado no pas, e no mais ligado companhia das ndias Ocidentais ou a outros financistas. Do controle da produo, passar-se-ia ao estabelecimento de demandas polticas de uma classe31

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que no mais aceitaria a coadjuvncia poltica: a relativa decadncia do Nordeste aucareiro deixaria um vcuo de poder primeiramente ocupado pela elite cafeeira fluminense, e posteriormente pelos cafeicultores do oeste paulista. A participao na nova configurao poltica e a extenso da economia, incluindo-se nesse sistema o novo trabalhador livre, levariam a um processo de acelerao da dinmica urbana. A construo de ferrovias permitiu, assim, no apenas o transporte da produo at o porto de Santos, mas o estabelecimento, pelos cafeicultores, de moradias urbanas. A esse estabelecimento seguiram-se reformas naturalmente imprescindveis: companhias de gs; bondes; telgrafos; servios financeiros e casas comerciais. A economia cafeeira estendeu efeitos multiplicadores que foram alm da constituio de uma elite poltica e econmica e conformaram tambm uma nova classe urbana, ligada aos servios j descritos. Cabe, ainda, relacionar a economia cafeeira s primeiras indicaes de um processo de industrializao no Brasil. A passagem da produo cafeeira do Vale do Paraba para o Oeste paulista serve de fundamento de anlise para essas indicaes. Como modelos macroanalticos, que comportam excees, pode-se caracterizar a produo cafeeira fluminense em menos avanada: baseada em terras de baixa fertilidade, que exigiram a expanso das propriedades at o limite do referido vale, essa produo era amplamente sustentada por mo de obra escrava e pelo transporte do caf em mulas. O segundo modelo, implantado sobre as terras roxas, mais produtivas, conheceria mo de obra predominantemente livre e transporte ferrovirio. expanso da produo, limitada posteriormente pelas quedas do preo do caf, seguir-se-ia o desvio de parte dos capitais para atividades industriais, a saber a txtil. Essa nova elite cafeeira, que dominaria o sistema poltico nacional at as trs primeiras dcadas do sculo XX, sob a poltica dos Estados, promoveria um movimento de atrao de imigrantes para o trabalho nas lavouras. Inicialmente oprimidos pelo regime de semi-servido do colonato, e impossibilitados, em sua maioria, de comprar as suas propriedades (a Lei de Terras, promulgada em 1850, reconhecia ento que iminente libertao dos escravos deveria seguir a imposio de limites aquisio de lotes, de forma a manter um excedente de trabalhadores), parte desses imigrantes desenvolveriam atividades urbanas. Em So Paulo, a maioria italiana foi absorvida pela insipiente industrializao; no Rio de Janeiro, posteriormente, reproduzir-se-ia aquele modelo. A imigrao japonesa constituiria cintures de produo agrcola, que abasteciam as cidades diretamente. De uma forma ou de outra, porm, os imigrante trariam mais do que suas culturas familiares: um modelo de organizao social de impacto urbano. Para outros autores, a imigrao italiana traria tambm os primeiros mpetos de organizao operria. Essas novas camadas mdias urbanas, portanto, no se encontravam impassveis diante das modificaes por que o pas passava. Mais educadas do que a grande massa camponesa, mais desvencilhadas das polticas dos grandes coronis, e reconhecendo o projeto poltico de dominao oligrquico, elas estariam na base de movimentos polticos das segunda e terceira dcadas do sculo XX. Essa nova classe: condenava o agrarismo, que sustentava as oligarquias cafeeiras, e muitas vezes defendia um projeto industrializante; condenava o alijamento poltico em que se encontrava, viabilizado pela poltica dos governadores e pelas fraudes nas eleies; sofria com as polticas econmicas de valorizao do caf, que desvalorizavam a moeda nacional e impediam a importao de produtos essenciais.

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Com mais acesso informao, tais camadas conseguiram reconhecer, ademais, a existncia de outros setores sociais cujas demandas, se no totalmente convergentes com as suas aspiraes, ao menos no divergiam no propsito de se opor s elites polticas do perodo. Foram eles: o movimento operrio, que se organizava a partir da dcada de 1920; o movimento tenentista, projeto modernizador; oligarquias dissidentes, que no haviam participado da configurao poltica de ento. As camadas mdias urbanas e esses setores conseguiriam, posteriormente, realizar parte de suas expectativas: o fim da Repblica oligrquica e a ascenso de um Estado de compromisso que promoveria a industrializao e a modernizao do pas. Outrossim, mudariam, depois, as suas demandas, bem com as suas formas de participao da vida poltica nacional.

QUESTO 3 Considerando que a energia foi um dos importantes insumos que motivaram a ao internacional do Brasil em diferentes momentos do sculo XX, em especial na dcada de 70, disserte acerca das motivaes da poltica externa no governo Geisel relacionadas ao setor energtico. Extenso mxima: 60 linhas (valor: 20 pontos) MATEUS DRUMOND CAIADO (20/20) A poltica externa do Pragmatismo Ecumnico e Responsvel engendrada pelo Ministro Azeredo da Silveira foi amplamente influenciada pela Crise do Petrleo de 1973, a qual exps o dficit e a dependncia energtica do Brasil. Dessa maneira, a insero internacional do Brasil foi influenciada pela pragmtica busca por reverso desse quadro, tendo sido auxiliada por concomitante esforo de poltica interna. Frente ao contexto de restrio sistmica, fruto do conflito entre rabes e israelenses que elevou o preo do petrleo, imps-se ao Brasil a necessidade de aprofundar os laos com o Oriente Mdio e a frica, de maneira a garantir a sustentabilidade energtica do crescimento econmico do Pais. As relaes bilaterais com o Oriente Mdio encontravam-se estagnadas desde a visita de Dom Pedro II regio. Nesse sentido, o Brasil passou a apoiar o pleito dos pases rabes contra o expansionismo israelense, o que possibilitou aproximao poltica e comercial. Exemplifica essa aproximao o voto do Brasil favorvel resoluo da Assembleia Geral da ONU que considerava o sionismo como forma de racismo. O aprofundamento das relaes bilaterais com a frica j havia sido percebido como estratgico pela Diplomacia do Interesse Nacional do governo Mdici. J na gesto Geisel busca-se aprofundar ainda mais a aproximao, tendo o Brasil condenado o apartheid, na ONU, e reconhecido, antes de todos os outros pases, a independncia angolana feita pelo MPLA. Apesar da necessidade de garantir o suprimento de petrleo economia brasileira dependente desse insumo devido adoo nica do modelo rodoviarista formulou-se tambm a necessidade de a poltica externa promover tanto a diversificao das fontes de energia, quanto a diversificao das parcerias comerciais, como meio de garantir recursos (advindos das exportaes) para a importao do petrleo pelo Brasil.33

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No contexto da diversificao da matriz energtica brasileira, a energia nuclear foi eleita como prioritria, tanto por prover energia ao desenvolvimento autnomo nacional, quanto pela sua sensibilidade no aspecto militar. Dessa forma, aps a recusa americana de transferir tecnologia nuclear ao Brasil por meio do Acordo de 1972, o qual levou construo de Angra I, o Brasil firma, em 1975, Acordo de Cooperao Nuclear com a RFA. Esse acordo previa transferncia de tecnologia e construo de usinas nucleares no Brasil, tendo rendido a construo de Angra II. No que tange a diversificao de parcerias comerciais, destaca-se a busca por supervits comerciais como meio de facilitar a importao de petrleo e diminuir o peso dos emprstimos para tanto. Em tal contexto, efetuou-se o reconhecimento da Repblica Popular da China (RPC), em 1974, fruto da percepo do carter estratgico de seu grande mercado consumidor. Ademais, intensificou-se o relacionamento comercial com os pases socialistas do Leste Europeu. Cabe ressaltar que a preponderncia da temtica energtica na poltica externa do pragmatismo ecumnico e responsvel apoiou-se em priorizao do tema no relacionamento regional e na poltica interna. As negociaes acerca da construo da hidreltrica binacional de Itaipu, a qual, em 1979, veio a ser compatibilizada com projetos argentinos, demonstram o peso do fator energtico no relacionamento regional. O lanamento do II PND, que previa investimentos em petrleo e fontes alternativas, dentre as quais destaca-se o prolcool, demonstra a congruncia entre a poltica externa e interna. A crise do petrleo de 1979, imps restrio sistmica ao crescimento autosustentado brasileiro. A insero internacional do Brasil, nesse sentido, passou a responder ao imperativo de garantir os fluxos de petrleo para o Brasil (aproximao com frica e Oriente Mdio) e diversificar tanto a matriz (acordo nuclear com a RFA) quanto os parceiros comerciais (aproximao com a RPC e leste europeu). QUESTO 4 Discorra sobre a relao entre a insero internacional de segurana e a poltica exterior do Brasil no perodo compreendido entre 1945 e 1990. Extenso mxima: 60 linhas (valor: 20 pontos)

HENRI PFEIFFER LOPES (17/20) A poltica exterior de qualquer pas, conquanto almeje objetivos especficos, jamais pode se distanciar da meta fundamental de garantir a prpria segurana nacional. Entre 1945 e 1990, a poltica exterior do Brasil esteve fortemente vinculada ao projeto desenvolvimentista do Estado brasileiro, mas no foi uma exceo a esse postulado do realismo poltico. Ao invs de conceber as metas de segurana e desenvolvimento como campos estanques, o pensamento formulado tanto por civis quanto por militares brasileiros concebia um alto grau de complementaridade entre ambos os objetivos. O pensamento brasileiro compreendia a existncia de uma relao dialtica entre segurana e desenvolvimento, em que uma meta no poderia se realizar sem a outra, sendo este o principal aspecto da relao entre a insero internacional de segurana e a poltica exterior do Brasil.

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O pensamento civil acerca dessa relao costuma ser relegado a segundo plano diante do pensamento mais estruturado dos militares, cujo foco de irradiao foi a Escola Superior de Guerra (ESG) e seu maior fruto foi a doutrina de segurana nacional. O pensamento civil, por outro lado, foi mais descentralizado, no sendo o ISEB, por exemplo, to hegemnico entre os civis quanto a ESG entre militares. Entre os produtos do pensamento civil esto obras que criticaram o modelo econmico liberal e afirmaram que o Estado deveria atuar de forma mais destacada em prol do desenvolvimento da economia como forma de garantir a segurana nacional, tal qual props Helio Jaguaribe em O nacionalismo no Brasil atual. Os frutos do pensamento dos civis e dos militares, no entanto, no foram apenas desdobramentos tericos, tendo influenciado concretamente iniciativas da poltica externa. Nos anos 1950, o maior exemplo de vinculao entre insero internacional de segurana e a poltica externa de ideal desenvolvimentista do Brasil foi a Operao Panamericana. A OPA lanada em um contexto em que o eixo da poltica externa ainda bilateral-americanista. Em especial aps a II Guerra, o alinhamento com os EUA foi tomado como a principal garantia de segurana do Brasil e do Hemisfrio Ocidental diante do cenrio internacional marcado pela emergente guerra fria, concepo consagrada, por exemplo, por ocasio da celebrao do TIAR em 1947. A OPA, proposta pelo governo JK, marcou uma primeira mudana no discurso brasileiro sobre a segurana hemisfrica. O governo JK buscou relacionar a segurana do continente frente ascenso do comunismo internacional garantia de melhores condies de vida e desenvolvimento econmico aos povos da Amrica. De parcos resultados no curto prazo, os postulados da OPA chamaram a ateno dos EUA aps a revoluo cubana, influenciando o governo Kennedy a lanar a Aliana para o Progresso. A transio do paradigma liberal-americanista para a ideia de globalismo na poltica externa brasileira nos anos 1960 no poderia deixar de influir sobre a concepo nacional da relao entre segurana e desenvolvimento. Nesse contexto, o peso maior nessa relao pendeu para o lado do desenvolvimento, reforando a ideia desenvolvida pela OPA. Se desenvolvimento era a condio fundamental para que o pas garantisse a sua segurana internacional e ordem domstica, cumpria diversificar os eixos de poltica externa pelos quais o Brasil deveria buscar os recursos que necessitava. Passou-se a vislumbrar que uma insero de segurana associada aos EUA limitava as possibilidades do Brasil no meio internacional e, conquanto o pas permanecesse aliado superpotncia ocidental, ele deveria ser capaz de promover a insero de segurana de forma autnoma, para o que precisaria industrializarse e estabelecer contatos polticos e econmicos com outros parceiros. Essas proposies consubstanciadas na poltica externa independente perduraram hegemnicas at 1990, mesmo diante de preferncias ideolgicas especficas de certos perodos do regime militar. O governo Castelo Branco, por exemplo, ainda que politicamente tenha representando um passo fora da cadncia, no pode se furtar, na rea econmica ao menos, a uma diversificao de parceiros, pois havia uma tendncia de universalismo inevitvel. A relao entre desenvolvimento e segurana voltou a se reequilibrar no perodo militar, principalmente em relao ordem interna, mas, no que se refere poltica externa, a concepo dos militares foi prxima dos civis. A poltica exterior, portanto, relacionava-se segurana nacional por meio do vnculo entre segurana e desenvolvimento, concepo compartilhada tanto por civis quanto por

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militares e ajustada conforme as alteraes percebidas no paradigma brasileiro de insero internacional.

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HISTRIA MUNDIAL (Prova Objetiva)

HISTRIA MUNDIAL (Primeira Fase): 1 Estruturas e ideias econmicas. Da Revoluo Industrial ao capitalismo organizado: sculos XVIII a XX. Caractersticas gerais e principais fases do desenvolvimento capitalista (desde aproximadamente 1780). Principais ideias econmicas: da fisiocracia ao liberalismo. Marxismo. As crises e os mecanismos anticrise: a Crise de 1929 e o New Deal. A prosperidade no segundo ps-guerra. O Welfare State e sua crise. O Ps-Fordismo e a acumulao flexvel. 2 Revolues. As revolues burguesas. Processos de independncia na Amrica. Conceitos e caractersticas gerais das revolues contemporneas. Movimentos operrios: luditas, cartistas e Trade Unions. Anarquismo. Socialismo. Revolues no sculo XX: Rssia e China. Revolues na Amrica Latina: os casos do Mxico e de Cuba. 3 As relaes internacionais. Modelos e interpretaes. O Concerto Europeu e sua crise (1815-1918): do Congresso de Viena Santa Aliana e Qudrupla Aliana, os pontos de ruptura, os sistemas de Bismarck, as Alianas e a diplomacia secreta. As rivalidades coloniais. A questo balcnica (incluindo antecedentes e desenvolvimento recente). Causas da Primeira Guerra Mundial. Os 14 pontos de Wilson. A Paz de Versalhes e a ordem mundial resultante (1919-1939). A Liga das Naes. A teoria dos dois campos e a coexistncia pacfica. As causas da Segunda Guerra Mundial. As conferncias de Moscou, Teer, Ialta, Potsdam e So Francisco e a ordem mundial decorrente. Bretton Woods. O Plano Marshall. A Organizao das Naes Unidas. A Guerra Fria: a noo de bipolaridade (de Truman a Nixon). Os conflitos localizados. A dtente. A segunda Guerra Fria (ReaganBush). A crise e a desagregao do bloco sovitico. 4 Colonialismo, imperialismo, polticas de dominao. O fim do colonialismo do Antigo Regime. A nova expanso europia. Os debates acerca da natureza do Imperialismo. A partilha da frica e da sia. O processo de dominao e a reao na ndia, China e Japo. A descolonizao. A Conferncia de Bandung. O NoAlinhamento. O conceito de Terceiro Mundo. 5 A evoluo poltica e econmica nas Amricas. A expanso territorial nos EUA. A Guerra de Secesso. A constituio das identidades nacionais e dos Estados na Amrica Latina. A doutrina Monroe e sua aplicao. A poltica externa dos EUA na Amrica Latina. O Pan-Americanismo. A OEA e o Tratado do Rio de Janeiro. As experincias de integrao nas Amricas. 6 Ideias e regimes polticos. Grandes correntes ideolgicas da poltica no sculo XIX: liberalismo e nacionalismo. A construo dos Estados nacionais: a Alemanha e a Itlia. Grandes correntes ideolgicas da poltica no sculo XX: democracia, fascismo, comunismo. Ditaduras e regimes fascistas. O novo nacionalismo e a questo do fundamentalismo contemporneo. O liberalismo no sculo XX. 7 A vida cultural. O movimento romntico. A cultura do imperialismo. As vanguardas europias. O modernismo. A ps-modernidade.

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GEOGRAFIA A prova de Geografia consistir de quatro questes discursivas, duas das quais com o valor de 30 (trinta) pontos cada uma e duas com o valor de 20 (vinte) pontos cada uma. As respostas s questes com o valor de 30 (trinta) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 90 linhas; as respostas s questes com o valor de 20 (vinte) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 60 linhas. GEOGRAFIA (Primeira e Terceira Fases): 1 Histria da Geografia: 1.1 Expanso colonial e pensamento geogrfico. 1.2 A Geografia moderna e a questo nacional na Europa. 1.3 As principais correntes metodolgicas da Geografia. 2 A Geografia da Populao. 2.1 Distribuio espacial da populao no Brasil e no mundo. 2.2 Os grandes movimentos migratrios internacionais e intranacionais. 2.3 Dinmica populacional e indicadores da qualidade de vida das populaes. 3 Geografia Econmica. 3.1 Globalizao e diviso internacional do trabalho. 3.2 Formao e estrutura dos blocos econmicos internacionais. 3.3 Energia, logstica e re-ordenamento territorial ps-fordista. 3.4 Disparidades regionais e planejamento no Brasil. 4 Geografia Agrria. 4.1 Distribuio geogrfica da agricultura e pecuria mundiais. 4.2 Estruturao e funcionamento do agronegcio no Brasil e no mundo. 4.3 Estrutura fundiria, uso da terra e relaes de produo no campo brasileiro. 5 Geografia Urbana. 5.1 Processo de urbanizao e formao de redes de cidades. 5.2 Conurbao, metropolizao e cidades-mundiais. 5.3 Dinmica intraurbana das metrpoles brasileiras. 5.4 O papel das cidades mdias na modernizao do Brasil. 6 Geografia Poltica. 6.1 Teorias geopolticas e poder mundial. 6.2 Temas clssicos da Geografia Poltica: as fronteiras e as formas de apropriao poltica do espao. 6.3 Relaes Estado e territrio. 6.4 Formao territorial do Brasil. 7. Geografia e gesto ambiental. 7.1 O meio ambiente nas relaes internacionais: avanos conceituais e institucionais. 7.2 Macro diviso natural do espao brasileiro: biomas, domnios e ecossistemas 7.3 Poltica e gesto ambiental no Brasil.

Prova de 2010 QUESTO 1 Fenmeno relevante do incio do sculo XXI, as migraes internacionais globalizaram-se a partir da segunda metade do sculo XX. Acerca desse assunto, redija um texto dissertativo atendendo, necessariamente, ao que se pede a seguir. - Apresente as principais causas do movimento migratrio global e os principais fluxos da migrao internacional. - Relacione o fenmeno da migrao internacional do incio do presente sculo com a questo dos direitos humanos. Extenso mxima: 90 linhas (valor: 30 pontos)

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GUSTAVO HEYSE MARCHETTI (30/30) As migraes internacionais sempre foram fenmeno relevante nas sociedades humanas. A partir do fim da Segunda Guerra Mundial, e em especial ao final do sculo XX e incio do XXI, essa dinmica tem-se intensificado e globalizado por causas diversas socioeconmicas, polticas, tecnolgicas e ambientais. So causas antigas e contemporneas que tm impelido o movimento migratrio global seja entre os pases do Sul e do Norte seja entre os pases do Sul. No advento deste sculo, encontra-se no mago do debate migratrio a questo dos direitos humanos, haja vista o recrudescimento da xenofobia. Destacam-se tambm as migraes foradas, cujo papel, segundo a Organizao das Naes Unidas, tem sido cada vez mais significativo nos fluxos migratrios globais. De um lado, para a viso de mundo marxista, toda migrao seria forada. Em Por uma outra globalizao, Milton Santos aponta que as causas do movimento migratrio global estariam vinculadas lgica do capital, que seria excludente, pois escolheria espaos e populaes beneficiadas, forando pessoas a se deslocarem para uma regio ou um pas economicamente mais dinmico. Por outro lado, a percepo liberal entende que o fenmeno migratrio estaria relacionado a decises individuais, ao livre-arbtrio do indivduo. As pessoas tomariam a deciso de migrar no sob constrangimento das dinmicas do capital, mas, sim, fundamentadas em fatores de atrao e de repulso de pases e regies. Para essa escola de pensamento, as migraes foradas seriam resultado de fatores diversos, como guerras, conflitos internos, desastres ambientais etc. A partir da segunda metade do sculo XX, diferentes fatores tm intensificado o movimento migratrio global. A disparidade socioeconmica entre as sociedades o principal fator de estmulo a essa dinmica. A migrao econmica resultado das diferenas de renda per capita, de qualidade de vida, de oportunidades, fazendo que muitas pessoas saiam do seu lugar de origem em busca de uma vida melhor. O tipo de migrao clssica, nesse aspecto, a do Sul em direo ao Norte, onde as sociedades tm ndices de Desenvolvimento Humano (IDH) que leva em conta, alm da renda, dimenses como educao e sade bastante altos em comparao com as sociedades do Sul. Os principais fluxos migratrios entre o Sul e o Norte so: dos pases da Amrica Latina, em particular, dos pases da Amrica Central e Caribe para os Estados Unidos; da frica Subsaariana, do Magreb e do Oriente Mdio para a Europa Ocidental; da Europa Oriental para a Europa Ocidental; de pases do Leste da sia para a Amrica do Norte, a Oceania e o Japo. notvel que essas correntes migratrias acontecem entre regies que tm ou tiveram forte vinculo econmico e poltico, como das antigas colnias africanas para as ex-metrpoles europeias ou da regio de influncia americana para os EUA. Entretanto, com a nova diviso internacional do trabalho, verifica-se crescente fluxo migratrio entre os pases do Sul, em especial, entre as periferias e as semi-periferias. Em virtude do crescimento econmico assimtrico entre os pases em desenvolvimento, as economias regionais mais dinmicas atraem cada vez mais imigrantes de pases vizinhos, como so os casos da frica do Sul que recebe emigrantes de Moambique, Nambia, Suazilndia e tambm dos pases do Golfo Prsico que, em razo do aumento do preo do petrleo, atraem mo-de-obra da ndia e de pases africanos para trabalhar na indstria petrolfera e nos grandes canteiros de obra da regio. O fenmeno da migrao internacional tem provocado desinteligncias entre as naes. Com o crescimento dos fluxos migratrios, parte das sociedades que recebem os migrantes tem defendido, mediante a organizao em torno de partidos cujo programa38

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atende a demandas xenfobas, medidas mais robustas no tratamento da questo. Em parte devido ao medo da perda do emprego ou simplesmente do outro, esses movimentos tm ganhado espao poltico nos governos europeus. Com uma agenda poltica cujo objetivo criminalizar o imigrante, esses grupos nacionalistas tm conseguido aprovar medidas de endurecimento, como a proibio dos minaretes na Sua, a criminalizao do imigrante sem papel na Itlia e a proibio do uso do vu na Frana. Em mbito regional, a aprovao pela Unio Europeia da chamada diretiva de retorno, com tratamento policial do migrante, tem levantado o debate sobre a questo da defesa dos direitos humanos pelos pases de origem do imigrante. Nos EUA, a atuao de milcias na fronteira como o Minuteman e a construo de muro para impedir a entrada de imigrantes ilegais, bem como a adoo de medidas repressivas pelos estados Arizona, por exemplo tm estremecido as relaes com os pases latino-americanos e dividido a populao americana. importante destacar tambm o fenmeno da migrao forada, evidente violao dos direitos humanos. Ela ocorre tanto por motivos antigos (guerras, conflitos tnicos e religiosos) quanto contemporneos (mudana climtica). A figura do refugiado tem ganhado cada vez mais destaque no contexto das migraes e recebido o amparo de organizaes internacionais, como a ONU, por intermdio do ACNUR. Os refugiados iraquianos na Sria ou na Alemanha e dos afegos no Paquisto e no Ir so os exemplos contemporneos mais dramticos. Embora as migraes Sul-Norte ainda constituam grande parte do fluxo migratrio global, gerando problemas como a xenofobia e a fuga de crebros, o movimento migratrio Sul-Sul tem ganhado destaque, sendo mais significativo hoje, se levarmos em considerao as migraes foradas. A questo dos direitos humanos est evidentemente bastante imbricada com a dos direitos humanos, bem como com a crescente necessidade dos pases desenvolvidos por mo-de-obra, haja vista a queda de seu saldo vegetativo.

QUESTO 2 Se, em grande medida, a industrializao tardia do Brasil pode ser atribuda ausncia de combustveis fsseis abundantes em nosso territrio terrestre, as perspectivas para o futuro parecem, ao contrrio, bastante promissoras. A esse respeito, discorra, sucintamente, sobre as opes de energias renovveis e no renovveis do Brasil, conjecturando sobre a fonte que dever constituir, em breve, o eixo de nossa matriz energtica. Extenso mxima: 90 linhas (valor: 30 pontos)

RUBENS DIONISIO DE CAMARGO CAMPANA (30/30) Tradicionalmente, o Brasil esteve submetido a limitaes energticas que impediram um ciclo de industrializao precoce, que, em pases como a Alemanha, foi possibilitado pela presena de energia fssil barata. O Brasil no rico em carvo mineral, e a descoberta de petrleo em Lobato, nos anos 1930, apesar de ter resultado em euforia, no foi seguida de importante explorao terrestre. No incio do sculo XXI, no entanto, o Brasil depara-se com diversas opes de investimentos energticos, que podem vir a dar maior robustez a uma matriz j extensa e diversificada. No caso hidreltrico, a bacia amaznica representa o maior potencial39

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energtico, embora a utilizao ainda seja baixa em comparao a outras bacias. O melhor planejamento e a tecnologia disponvel atualmente permitem evitar a necessidade de reas de alagamentos extensas como anteriormente evitando um caso como o de Balbina e obras como as das usinas do Rio Madeira, Santo Antnio e Jirau, devem produzir no futuro o equivalente a meia Itaipu. No Rio Xingu, a Usina de Belo Monte outra obra importante, e prev-se atualmente a possibilidade de parcerias para a construo de usinas na bacia amaznica a montante do territrio brasileiro, com capital nacional, ou nas fronteiras, seguindo o modelo binacional. A integrao da rede eltrica com o Sul aumentar a segurana do sistema e abastecer a regio concentrada. A quase saturao da Bacia do So Francisco no impede que novas usinas sejam instaladas, como as previstas no Programa de Acelerao do Crescimento (PAC); com menor aproveitamento at agora, no entanto, os investimentos no Nordeste devem concentrar-se na Bacia do Parnaba. No Sul, a grande utilizao da Bacia do Paran tambm no impede investimentos, visto que as variaes altimtricas dessa bacia garantem grande eficincia em relao rea alagada. Pequenas Centrais Hidreltricas, de menor impacto relativo, j esto em construo, como Mau, no Paran. No campo da extrao de petrleo, a vigorosa explorao da Bacia de Campos, iniciada na dcada de 1970, agora prossegue com a descoberta de novas reas e o aprofundamento da tecnologia. A regio que compe as reservas do petrleo da camada do pr-sal apresenta-se com enorme potencial, estendendo-se do litoral do Esprito Santo at o litoral de Santa Catarina. notvel tambm a potencialidade das novas reas do ps-sal, e a tecnologia de explorao em camadas profundas permite que o Brasil busque novas oportunidades de investimento na frica, como j ocorre em vrios pases lusfonos. A extrao de gs apresenta tambm grande potencial; a extrao no Campo de Jpiter pode, em longo prazo, garantir a auto-suficincia, se associada tambm s reservas de Urucu. A extrao do gs natural no espao martimo oferece novas possibilidades, como a instalao de usinas off shore, dado o menor custo dos cabos de energia em comparao instalao de dutos. Por fim, o projeto do Anel Energtico da Amrica do Sul, parte da IIRSA, visa ligar os pases produtores de gs do continente, como Bolvia, Venezuela e Peru, aos consumidores, como o Brasil. O prprio duto Brasil-Bolvia pode ser ampliado, segundo estudos recentes. Controlador de todas as etapas necessrias para a gerao de energia nuclear, o Brasil combina esse recurso tecnolgico com a presena de reservas de urnio, principalmente as de Caetit. O potencial de enriquecimento do Brasil ainda baixo, mas a cooperao com a Argentina pode ser estendida rumo suficincia para os dois pases, no futuro. O projeto de Angra III representa importante passo no planejamento energtico brasileiro. A extrao de carvo mineral concentra-se no Sul, especialmente em Cricima, mas o baixo teor de carbono do carvo brasileiro limita a eficincia dessa fonte. A energia elica, que ganha destaque com o PAC, pode ser importante rea de inovao para reforar a matriz limpa e recebe investimentos no Rio Grande do Sul e no Cear. A principal vantagem da matriz brasileira sua caracterstica relativamente limpa e altamente renovvel. Para alm da gerao eltrica, o etanol brasileiro refora essas caractersticas, sendo a eficiente produo da cana um ponto central, que se associa com a eficincia garantida pela tecnologia resultado na melhor relao entre energia, biomassa40

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e captura de carbono entre os biocombustveis. Tambm investe hoje o Brasil em tecnologias novas de biodiesel e inovaes tecnolgicas para o etanol. No futuro, o Brasil deve constituir sua matriz energtica de maneira variada, com destaque para a hidroeletricidade e para os biocombustveis, duas reas em que o pas possui enormes vantagens e que so fontes limpas e renovveis. O pr-sal e a possibilidade de um biocombustvel produzido a partir da soja tambm tero impacto extremamente positivo. Por fim, o longo prazo deve exigir a nuclearizao, embora o eixo atual deva ser o hdrico/petrolfero.

QUESTO 3 No livro Brasil: territrio e sociedade no limiar do sculo XXI, Milton Santos e Maria Laura Silveira propem uma nova regionalizao para o territrio brasileiro contemporneo. Apresente as unidades regionais identificadas pelos autores, comente as caractersticas que distinguem cada uma dessas regies e explique as relaes existentes entre elas. Extenso mxima: 60 linhas (valor: 20 pontos)

GUILHERME LOPES LEIVAS LEITE (20/20) Para Milton Santos e Maria Laura Silveira, existem quarto macrorregies no Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e regio concentrada, que engloba o Sul e o Sudeste. A lgica dessa regionalizao foi a polarizao histrica do centro dinmico do pas e sua relao com reas deprimidas, periferias e fronteiras. A desconcentrao incompleta da economia brasileira fez que essa diviso ainda impere; as dinmicas atuais, porm, complexificam os fluxo e redirecionam os vetores, de modo que se pode observar, em certos espaos, uma nova regionalizao do territrio brasileiro. A regio concentrada constituda pelos Estados do Sul e Sudeste e caracteriza-se pela densidade de sistemas tcnicos, dinamismo econmico-industrial, a polaridade e integrao ordem econmica global. Passa, por um lado, por processo de desconcentrao concentrada, com a reterritorilizao intrarregional das indstrias. Sintomtico o dado de que So Paulo e Rio Grande do Sul estavam entre os cinco Estados cujo nmero de empresas mais aumentou, ambos de industrializao tradicional. Assim, trata-se do espao do mandar brasileiro, que articula e coordena as demais regies. As principais metrpoles, So Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, segundo o ltimo REGIC, apresentam abrangncia significativa para alm dos limites estaduais, muitas vezes a despeito de cidades mais prximas. rea tradicionalmente deprimida, a regio Nordeste consiste em regio de ocupao antiga, com grandes rugosidades econmicas, bem como sociais, mas que sofre surto muito recente de industrializao. A chamada guerra dos lugares e as economias de aglomerao possibilitam certo transbordamento de capitais da regio concentrada. O modelo de industrializao, no entanto, alienado da tecnologia e pouco integrado ao espao que ocupa. As rugosidades, por sua vez, dificultam a fluidez do capital e a maior interiorizao do desenvolvimento. A articulao entre Nordeste e Norte tem ocorrido, nos ltimos anos, por meio da integrao fsica, com a construo de linhes que ligam Tucuru ao sistema CHESF, a interligao do gasoduto a ligaes rodovirias e ferrovirias ainda projetadas. Com o41

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Centro Oeste, por sua vez, passa a ter pontos de contato em sua hinterlndia, com a expanso da soja s franjas da Caatinga na regio do Bico do Papagaio, entre Maranho, Piau e o sul baiano. Contrastando as rugosidades nordestinas, encontra-se a Regio Norte, zona de fronteiras brasileira. De ocupao rarefeita e concentrada, constitui anecmeno superpovoado na expresso de Bertha Becker. exceo de Manaus, o eixo oeste de Belm goza de presena industrial quase insignificante, apenas com enclaves mineradoras extrativistas totalmente desterritorializados. A falta de sistemas tcnicos impede a desconcentrao mais contundente para a regio, mas novas potencialidades hidreltricas tornam-na foz dos excedentes de capital da rea core brasileira. O Centro-Oeste tambm expande sua fronteira agrcola na Amaznia setentrional e oriental. A regio Centro-Oeste a regio mais articulada regio concentrada, uma vez que seu dinamismo atual decorre, em grande parte, do transbordamento populacional e financeiro do Sul e do Sudeste. A ocupao ocorreu pela chamada dispora sulina, que deu dinamismo ao agronegcio aps a adaptao tcnica da soja ao Cerrado. , por sua vez, alvo prioritrio da drenagem de capitais, consistindo em uma periferia integrada. Apresentam-se, assim, duas tendncias que levam reflexo da regionalizao brasileira. Por um lado, o dinamismo do agronegcio e a importncia de Braslia e Goinia estariam permitindo uma acumulao primitiva de capital e crescimento de modo a integrar a regio Centro-Oeste regio concentrada, conformando-se a ideia de regio Centro-sul, conforme Pedro Geiger. Por outro, a expanso do Centro-Oeste s franjas do Norte e do Nordeste parece mais ser o transbordamento do capital e da lgica da regio concentrada que uma integrao birregional mais igualitria. Milton Santos tende a concordar com Edward Soja na ideia de que o capitalismo necessita no s da diferena de classes e da explorao de uma sobre a outra, mas tambm da explorao entre regies e espaos. A regionalizao de Santos parece seguir essa lgica, a regio concentrada polariza e coordena as demais regies, deprimidas, como o Nordeste, ou de fronteira, ocupada, no caso do Centro-Oeste, e em processo de fechamento, na Amaznia. A nova dinmica capitalista parece reforar a centralizao da rea core, enquanto integra sob sua lgica e seus ditames a regio Centro-Oeste, descaracterizando-a.

QUESTO 4 Apesar de o Brasil possuir um territrio de dimenses continentais, as manchas de elevada fertilidade natural de seu solo so escassas. Descreva quais so as principais culturas agrcolas que, historicamente, exploraram estas vantagens comparativas, e de que forma isto tem influenciado a evoluo de nossa formao econmico-social. Extenso mxima: 60 linhas (valor: 20 pontos) JOO EDUARDO GOMIDE DE PAULA (20/20) As manchas de elevada fertilidade natural verificadas no territrio foram exploradas pelas mais tradicionais culturas brasileiras: a cana de acar e o caf, especialmente o do Oeste Paulista. As expanses dessas duas culturas foram, respectivamente, essenciais para definio do modelo de colonizao nacional e, ainda, para a expanso da fronteira agrcola, para a industrializao e para a urbanizao, no inicio do sculo XX.42

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O solo de massap verificado na Zona da Mata nordestina, especialmente em Pernambuco, solo com elevada deposio de matria orgnica associado aos regimes de cheias e baixas dos cursos fluviais mendricos presentes no litoral nordestino. A elevada produtividade da cana de acar nessa regio viabilizou a explorao comercial da Colnia e a sua insero no comrcio Atlntico. A sociedade gerada nessa regio teve como figura central o Senhor de Engenho, o grande proprietrio que coordenava o regime de produo baseado no latifndio, na mo de obra escrava e na monocultura da cana. De acordo com Srgio Buarque de Hollanda, essa estrutura social altamente concentradora de riquezas moldou as bases de nossa sociabilidade cordial, paternalista e excludente. Ainda para o autor, o patrimonialismo no trato da res publica teria sus razes profundas no modelo social erigido sobre os frteis solos de massap. De maneira similar, essa sociedade agrria e patriarcal consolidou, ao menos no Nordeste, o padro de urbanizao concentrado no litoral, que somente comeou a ser modificado com a explorao aurfera e, especialmente, com a interiorizao promovida pelo caf. Igualmente relevante que esse padro produtivo legou as bases para o modelo fundirio nordestino altamente concentrado na Zona da Mata e disperso no Agreste e no Serto, locais em que ainda hoje persiste a agricultura de subsistncia. Os solos baslticos do Oeste Paulista e Norte do Paran, cuja origem remonta s atividades vulcnicas no Mesozico, chamados de terra roxa em derivao da alcunha terra rossa que lhe foi dada pelos imigrantes italianos, serviram de suporte para o caf. Essa cultura agrcola foi fundamental para a industrializao, urbanizao e interiorizao do Brasil, tendo empregado amplamente mo de obra imigrante. Ao contrrio da cana de acar, o caf no tinha produo autrquica, demandando insumos e favorecendo a construo de infraestruturas de apoio. O caf estimulou a indstria direta ou indiretamente por meio da transferncia de capitais auferidos com essa cultura para a indstria. Ao contrrio dos Senhores de Engenho, os empresrios do caf habitavam nas cidades e reinvestiram seus lucros na expanso industrial, especialmente em So Paulo. Alm disso, a comercializao do caf gerou externalidades significativas como: ferrovias, armazns, criao de casas bancrias e comerciais. A expanso do caf para acompanhar os solos frteis permitiu a crescente interiorizao do territrio que se integrava ao exterior por meio das estradas de ferro. Complementarmente, a utilizao do trabalho imigrante permitiu a incorporao de novos padres de consumo e lanou as sementes do mercado interno nacional. Mesmo aps a relativa decadncia do caf com a Crise de 1929, essa cultura continuaria sua trajetria de expanso para atingir Londrina e Maring, nas dcadas de 1940 e 1950. Alm do crescimento de So Paulo, o caf foi fundamental para a dinamizao do Noroeste do Paran. Guardadas suas respectivas diferenas, a cana de acar e o caf foram basilares para a formao econmica e social brasileira. A primeira cultura viabilizou economicamente a empresa colonial, ao passo que a segunda criou as condies materiais e financeiras da sociedade urbana e industrial contempornea. Os solos frteis de massap e a terra roxa ajudam a compreender a dinmica de expanso territorial dessas culturas.

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POLTICA INTERNACIONAL A prova de Poltica Internacional consistir de quatro questes discursivas, duas das quais com o valor de 30 (trinta) pontos cada uma e duas com o valor de 20 (vinte) pontos cada uma. As respostas s questes com o valor de 30 (trinta) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 90 linhas; as respostas s questes com o valor de 20 (vinte) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 60 linhas. POLTICA INTERNACIONAL (Primeira e Terceira Fases): 1 Relaes internacionais: conceitos bsicos, atores, processos, instituies e principais paradigmas tericos. 2 A poltica externa brasileira: evoluo desde 1945, principais vertentes e linhas de ao. 3 O Brasil e a Amrica do Sul. 3.1 Integrao na Amrica do Sul. 3.2 O MERCOSUL: Origens do processo de integrao no Cone Sul: objetivos, caractersticas e estgio atual de integrao. 3.3 A Iniciativa de Integrao da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA). 3.4 A Unio SulAmericana de Naes: objetivos e estrutura. 3.5 O Conselho de Defesa da Amrica do Sul. 4 A poltica externa argentina; a Argentina e o Brasil. 5 A poltica externa norte-americana e relaes com o Brasil. 6 Relaes do Brasil com os demais pases do hemisfrio. 7 A Poltica externa francesa e relaes com o Brasil. 8 Poltica externa inglesa e relaes com o Brasil. 9 Poltica externa alem e relaes com o Brasil. 10 A Unio Europia e o Brasil. 11 Poltica externa russa e relaes com o Brasil. 12 A frica e o Brasil. 13 A poltica externa da China, da ndia e do Japo; relaes com o Brasil. 14 Oriente Mdio: a questo palestina; Iraque; Ir. 15 A Comunidade dos Pases de Lngua Portuguesa. 16 A agenda internacional e o Brasil: 16.1 O multilateralismo de dimenso universal: a ONU; as Conferncias Internacionais; os rgos multilaterais. 16.2 Desenvolvimento. 16.3 Pobreza e aes de combate fome. 16.4 Meio ambiente. 16.5 Direitos Humanos. 16.6 Comrcio internacional e Organizao Mundial do Comrcio (OMC). 16.7 Sistema financeiro internacional. 16.8 Desarmamento e noproliferao. 16.9 Terrorismo. 16.10 Narcotrfico. 16.11 A reforma das Naes Unidas. 17 O Brasil e o sistema interamericano. 18 O Brasil e a formao dos blocos econmicos. 19 A dimenso da segurana na poltica exterior do Brasil. 20 O Brasil e as coalizes internacionais: o G-20, o IBAS e o BRIC. 21 O Brasil e a cooperao sul-sul.

Prova de 2010 QUESTO 1 Avalie os elementos de continuidade e inovao da poltica externa brasileira atual e estabelea paralelos e contrastes com vises de mundo prevalecentes em perodos anteriores, como o da Poltica Externa Independente e o do Pragmatismo Responsvel. Extenso mxima: 90 linhas (valor: 30 pontos)

FABIANO BASTOS MORAES (29/30) A poltica externa brasileira atual, delineada a partir da ascenso de Luiz Incio Lula da Silva presidncia da Repblica, marcada, em linhas gerais, pela nfase nas relaes44

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Sul-Sul, pela busca de diversificao de parcerias e pela desideologizao, o que quer dizer que se busca orient-la menos por afinidades poltico-ideolgicas do que pela preocupao em transformar as relaes exteriores em plo ativo no desenvolvimento scio-econmico nacional. Essas caractersticas, observadas abstratamente, no constituem exatamente novidade na histria da poltica externa brasileira. Ao contrrio, tais diretrizes possuem pontos de contatos claros com os conceitos principais presentes em dois outros momentos da insero internacional brasileira: a Poltica Externa Independente (PEI), que data do incio da dcada de 1960, durante os governos Jnio Quadros e Joo Goulart, e o Pragmatismo Responsvel e Ecumnico, implementado em meados da dcada de 1970 pelo presidente Ernesto Geisel. No entanto, uma vez que o contexto nacional e internacional das dcadas de 1960 e 1970 bastante diverso daquele dos anos 2000, aquelas idias mestras, embora ainda observveis, sofreram modificaes, sobretudo no que diz respeito a sua aplicao, de onde provm importantes diferenas entre a poltica externa de Quadros/Goulart e Geisel, por um lado, e aquela de Lula, por outro. A PEI constituiu grande novidade poca de seu anncio e implementao. De fato, at ento a poltica externa brasileira permanecera, grosso modo, no mbito ideolgico e civilizacional do Ocidente, compreendido como a Europa e as Amricas, do que do prova o americanismo da poltica externa republicana (seja ele ideolgico ou pragmtico) e a oscilao do Brasil, nas dcadas de 1920 e 1930, entre a Europa e a Amrica. A PEI, ao contrrio, buscou projetar o pas em outras arenas, nas quais a insero e a presena brasileiras fossem mais importantes, levando-se em conta o interesse nacional. Contrariamente ao Pragmatismo Responsvel e s polticas posteriormente implantadas, a PEI possua uma retrica e um simbolismo bastante politizados, o que satisfatoriamente demonstrado pela condecorao do lder rebelde cubano Ernesto Che Guevara. Encerrada aquela experincia pelo golpe militar de 1964, a poltica externa brasileira retomou a insero ideolgica via a teoria dos crculos concntricos, da poca da presidncia Castelo Branco. Posteriormente, as idias de diversificao e da busca de parcerias orientada pelo interesse nacional foi retomando espao, at ganhar nova e slida expresso com o Pragmatismo Responsvel do perodo Geisel (1974-79). Conforme indica o nome daquela forma de insero internacional, tratava-se ento de pensar a presena externa brasileira de maneira pragmtica, tendo em vista o interesse nacional, mas sem descuidar de seu carter responsvel leia-se, sem os arroubos retricos do perodo Quadros/Goulart. Anote-se que data dessa poca o adensamento das relaes com os pases africanos (simbolicamente, importante notar que o Brasil foi o primeiro pas a reconhecer a independncia de Angola, apesar da disparidade ideolgica ento verificvel entre ambos os pases), rabes (em 1975, na ONU, o Brasil se alinhou ao pleito, caro aos pases rabes, de considerar o sionismo uma forma de racismo) e asiticos (data desse perodo o reconhecimento da China comunista). Em suma, embora PEI e Pragmatismo Responsvel possuam as mesmas diretrizes bsicas, os contextos interno e externo em que se manifestaram fazem com que a realizao daquelas idias assuma formas diferentes. Ou, como disse um intrprete de ambas, trata-se de idias afins aplicadas em mundos diferentes. A mesma anlise pode ser estendida, cum grano salis, para a poltica externa do governo Lula (2003-2010). So palpveis, na insero internacional brasileira concebida por aquele presidente, as diretrizes bsicas da PEI e do Pragmatismo Responsvel, a saber: diversificao de parcerias (tendo em vista menos aspectos ideolgicos do que o interesse nacional e o desenvolvimento) e nfase na insero Sul-Sul (capaz de render mais45

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dividendos, no sentido acima exposto). No entanto, dadas as caractersticas do Brasil e da arena global no incio do sculo XXI, tais conceitos assumiram formas diversas. A primeira idia a ter em mente que o Brasil, durante a dcada de 1990, quitou suas hipotecas internacionais no campo dos Direitos Humanos, do Meio-Ambiente e do uso da tecnologia nuclear, e isso marca de forma indelvel a atual insero brasileira. Para ficar em um exemplo, a aceitao, por parte do Brasil, da agenda internacional dos Direitos Humanos se manifesta na atual poltica externa brasileira por meio do conceito de noindiferena, pelo qual o Brasil busca exercer solidariedade ativa em relao a pases que passam por crises humanitrias, mesmo que tais pases no se encontrem na esfera imediata do interesse nacional, compreendido em sentido estrito. Tal solidariedade se manifestou, por exemplo, no engajamento do Brasil em misses de paz sob a bandeira da ONU (por exemplo, no Haiti) ou na utilizao de recursos do Fundo IBAS para combate pobreza em pases como Guin-Bissau, Sri Lanka e nos territrios palestinos. Desnecessrio dizer que essa atuao foi possvel tanto pela vontade dos formuladores da poltica externa brasileira quanto pelo fato de o Brasil gozar de posio internacional relativa mais favorvel neste incio do sculo XXI do que nas dcadas de 1960 e 1970, o que lhe permite ter presena internacional mais forte. Outro ponto em que a insero Sul-Sul do governo Lula se diferencia daquela dos governos Quadros/Goulart e Geisel na importncia dada cooperao internacional, rea em que tambm comparece o elemento de solidariedade. Assim, o Brasil tem realizado operaes de cooperao trilateral (com pases europeus na frica; com os EUA na Amrica Central e no Caribe) para ajudar pases em desenvolvimento, por exemplo, a melhorar sua produtividade agrcola com o auxlio de tcnicos da EMBRAPA. Tem-se verificado, igualmente, a cooperao na formao de capital humano, sobretudo dos pases africanos, seja com o envio de equipes de treinamento brasileiras, seja com a recepo de estudantes universitrios estrangeiros em nossas instituies de ensino. Os dividendos advindos dessa forma de insero Sul-Sul so, por um lado, maior respeito e prestgio internacionais; por outro, no que tange cooperao em agricultura, o Brasil, parte ajudar a melhorar a situao em pases necessitados, visa commoditizao de produtos como o etanol de cana-de-acar. Por fim, a insero Sul-Sul brasileira durante o governo Lula buscou, ao contrrio do que ocorreu em perodos anteriores, se manifestar de forma multilateral. Buscou, igualmente, institucionalizar-se. A soma dessas duas tendncias explica a pletora de grupos fundados pelo Brasil, como o IBAS, o BRIC, a UNASUL, a CELAC, a ASPA. Tais organizaes procuram perenizar o dilogo e as relaes firmadas pelo Brasil na esfera Sul-Sul, tornandoas imunes s conjunturas polticas, que poderiam interromp-las ou torn-las mais rarefeitas. Em suma, o governo Lula, em sua atuao externa, pode ser dito um continuador, ou, melhor ainda, um herdeiro das idias-mestras da PEI e do Pragmatismo Responsvel, desde que se acrescente que os formuladores da poltica externa presente atualizaram aquelas idias em confronto com as novas realidades nacionais e internacionais. Assim, como visto, a insero Sul-Sul foi tingida pelos princpios da solidariedade e da noindiferena, o que quer dizer que o prprio conceito de interesse nacional foi revisto e ampliado luz da importncia da agenda dos Direitos Humanos na poltica externa brasileira. Outrossim, o Brasil buscou multilateralizar e institucionalizar sua insero Sul-Sul, tendo em vista a perenizao desses laos e a importncia deles para o desenvolvimento nacional. Mutatis mutandis, pode ser dito da poltica externa de Lula, em comparao PEI e46

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ao Pragmatismo Responsvel, o que foi dito na anlise comparativa das duas doutrinas de insero internacional dos anos 1960 e 1970 acima mencionadas: as idias so basicamente as mesmas, mas sua manifestao, haja vista as alteraes internas e externas observadas, bastante diferente.

QUESTO 2 A partir de uma perspectiva da mudana global do clima como uma questo de desenvolvimento, comente: a) a evoluo da posio brasileira no processo preparatrio da COP-15 e durante a Conferncia; b) desafios e vantagens, do ponto de vista domstico e internacional, que o pas ter nas prximas negociaes multilaterais sobre o tema. Extenso mxima: 90 linhas (valor: 30 pontos) FREDERICO OLIVEIRA DE ARAJO (27/30) As mudanas do clima so um fenmeno que atinge indistintamente o mundo inteiro, mas com efeitos especialmente nocivos sobre os pases insulares e os de menor desenvolvimento relativo. A diplomacia brasileira tem sido elemento-chave nas negociaes sobre o clima, particularmente desde a Rio-92, mas de forma crescente nos ltimos anos. Isso se deve maior legitimidade do Brasil para adotar uma postura pr-ativa, afianada tanto em credenciais internas (polticas de combate ao desmatamento, adoo de uma matriz produtiva limpa, sistema nacional de unidades conservao) quanto em credenciais externas: participao no regime ambiental internacional, inclusive com compromissos voluntrios ambiciosos, articulao de sua diplomacia dos biocombustveis em favor do desenvolvimento de terceiros pases e da reduo das emisses de CO2 no globo. Assim, o Brasil promove hoje as principais iniciativas tendentes a contornar o problema das mudanas do clima, no s fazendo a sua parte, mas tambm como diria San Tiago Dantas contribuindo com idias, propondo mecanismos inovadores e instrumentos eficazes, segundo o princpio das responsabilidades comuns, porm diferenciadas. No processo preparatrio da COP-15, o Brasil j vinha se engajando ativamente desde as conferncias das partes anteriores. Para no recuar muito, tomemos o caso da COP-13, realizada em Bali, quando se formou grupo de trabalho para intensificar as negociaes sobre um segundo perodo de compromisso (2013-2017) a vigorar aps o 1 perodo do Protocolo de Quioto. Em Bali, o Brasil anunciou a elaborao de um Plano Nacional de Mudanas Climticas (PNMC), no mbito domstico, que serviria de exemplo para a comunidade internacional. Aguardado com bastante expectativa, o PNMC foi lanado no Brasil e divulgado em Copenhague, onde o Pas exps seus compromissos voluntrios. Ainda em Bali, o Brasil participara ativamente da proposta de criao de um fundo de ajuda aos pases de menor desenvolvimento que tm maiores dificuldades em reduzir suas emisses de gases geradores de efeito estufa (GGEE). Na COP-14, realizada na Polnia, a diplomacia brasileira enfatizou, com grande interesse, a proposta de Reduo de Emisses por Desmatamento e Degradao (REDD), sempre destacando que os pases desenvolvidos tm a obrigao estabelecida na Eco-92 de transferir tecnologia e ajuda financeira aos pases em desenvolvimento para que estes47

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possam cumprir sua parte no combate ao aquecimento global. Particularmente, o Brasil tem vantagens quanto reduo das emisses de CO2, pois, segundo o IPCC, 25% das emisses no mundo so causadas por desmatamento; no caso do Brasil, essa cifra chegaria a 70%, o que prova que nossa matriz produtiva (industrial, etc) relativamente limpa. Ademais, o Brasil j vem conseguindo reduzir o desmatamento em 50% nos ltimos anos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), reconhecidos pela ONU. Portanto, o Brasil tem vantagens comparativas em relao a outros pases, no que tange reduo das emisses de carbono. Segundo o Embaixador Everton Vieira Vargas, durante o processo de preparao da COP-15, o Brasil defendeu a proposta de um fundo global de combate s mudanas do clima, com aporte de recursos extras, a espelho do j existente Fundo Amaznia no que foi apoiado pela Unio Europia. Os EUA, entretanto, no acolheram a proposta. Divergncias dessa natureza demarcam a persistncia de clivagens Norte-Sul, apenas parcialmente superada (se tanto) no Acordo de Copenhague de 2009. Este acordo, de carter no vinculante, foi negociado por Brasil, frica do Sul, ndia, China (BASIC), alm dos EUA, e endossado por outros pases, enquanto algumas naes europias limitaram-se a tomar nota. Embora no suficiente, o governo brasileiro entende que o Acordo de Copenhague um passo importante para o esforo internacional de combate s mudanas do clima; nos seus termos, os pases desenvolvidos comprometem-se a transferir US$ 100 bilhes at 2020, para os pases em desenvolvimento, alm de comprometerem-se de forma no obrigatria com a reduo das emisses em 20% at 2020 e em 80% at 2050. Ao longo da COP-15, o Brasil atuou como articulador de consensos, obtendo um resultado possvel em tema to polarizado e permeado de clivagens, sempre primando, de forma principiolgica, pela observncia dos preceitos reconhecidos na Conveno-Quadro de Mudana do Clima. No bojo daquelas discusses, a Ministra Dilma Roussef comunicou UNFCCC todos os compromissos voluntrios brasileiros, em termos de combate ao desmatamento e de reduo das emisses, em nmeros que so mensurveis, reportveis e verificveis. No entanto, persistem importantes desafios a superar, tanto no mbito domstico quanto no plano internacional, para as prximas negociaes. No cenrio mundial, ainda h divergncias sobre a reviso, por exemplo, do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), o qual tambm nasceu de uma idia originalmente brasileira. Permanecem clivagens mesmo dentro do mundo desenvolvido: enquanto os EUA no querem engajar-se em metas obrigatrias e apegam-se ao mecanismo de mercado de carbono, a Unio Europia, por sua vez, parece disposta a aderir a metas mais ambiciosas, desde que outros pases desenvolvidos tambm o faam, porm. Alm disso, conquanto o governo Obama represente o retorno dos EUA mesa de negociaes sobre o tema, no se acena para a assinatura do Protocolo de Quioto, imputando-se ao Senado norte-americano sua eventual rejeio numa lgica possivelmente explicvel nos termos da two-level game theory de Robert Putnan. Ento, o Brasil ter de empenhar sua energia diplomtica e sua j demonstrada capacidade de articular consensos para as prximas negociaes multilaterais, particularmente na Conferncia Rio+20, em 2012, que o Brasil sediar. No plano domstico brasileiro, tambm existem desafios, como divergncias interministeriais, em que pese importncia, transparncia e ao carter ambicioso da Poltica Nacional de Meio Ambiente em geral, e do PNMC em particular. Outra necessidade conscientizar o setor produtivo do Pas, para que a ao da diplomacia brasileira no plano

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internacional, em consonncia com a sociedade civil (alis, j incorporada ao debate, haja vista a delegao brasileira em Copenhague), seja feita de forma eficazmente harmoniosa. Em concluso, v-se que o Brasil detm credenciais internas e externas que o habilitam a assumir postura pr-ativa, com enorme legitimidade, nas discusses sobre a diplomacia ambiental e, em especial, quanto s mudanas do clima. Ser, portanto, fundado em suas vantagens que o Brasil vir por superar seus desafios.

QUESTO 3 O Brasil e a Argentina estabeleceram, a partir da dcada passada, uma importante cooperao bilateral no campo nuclear. Quais os principais marcos institucionais (e caractersticas) dessa cooperao? Extenso mxima: 60 linhas (valor: 20 pontos)

RUBENS DIONISIO DE CAMARGO CAMPANA (20/20) A integrao promovida por Brasil e Argentina foi precedida por intensa construo de confiana em reas sensveis, em uma colaborao que prossegue mesmo quando o dnamo da poltica passa a ser a economia ou a poltica. No mbito da segurana, o que Moniz Bandeira chama de neutralidade imperfeita do Brasil no conflito das Malvinas passo importante, mas seria a cooperao bilateral no campo nuclear um dos marcos mais essenciais do relacionamento. Essa cooperao inicia-se j simultaneamente convergncia promovida pelos governos Sarney e Alfonsn, quando firmado o primeiro acordo nuclear entre os dois pases, colocando fim ao que muitos consideram um dos principais motivos da rivalidade entre os dois regimes militares anteriores a possibilidade de uma corrida armamentista. Outros acordos nesse tema seguir-se-iam no final da dcada de 1980, acordos esses que culminam no grande marco dessa cooperao, a criao da Agncia Brasileiro-Argentina de Controle e Contabilidade de Materiais Nucleares, a ABACC, de 1991. A ABACC inova por estabelecer um novo instituto de controle mtuo o Tratado de No- Proliferao prev a possibilidade de arranjos regionais que reforam o regime de noproliferao, como no sistema interamericano, representado pelo Tratado de Tlatelolco mas a agncia cria um sistema de dupla contabilidade, ao qual apenas Brasil e Argentina se submetem. O Acordo Quadripartite, entre Brasil, Argentina, ABACC e Agncia Internacional de Energia Atmica, estabelece um dos mais estritos regimes de controle em matria nuclear do mundo. Os dois pases tambm atuam conjuntamente em todos os eixos do regime internacional de no-proliferao: o universal, representado pelo TNP, o regional, por Tlatelolco, e o de controle de materiais, sendo ambos membros do Nuclear Suppliers Group. O Brasil tambm vigoroso defensor da implementao do artigo sexto do TNP, defendendo o desarmamento em iniciativas como a Coalizo para a Nova Agenda, defesa essa na qual acompanhado pela Argentina. Os 13 passos propostos por Celso Amorim na iniciativa Global Zero, em Paris, em 2000, prevem medidas concretas para as potncias nucleares. Os dois pases caminham juntos na denncia dos problemas notveis do regime,

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legitimados por participarem do que foi a primeira zona livre de armas nucleares e por iniciativas como o Acordo Tripartite. Uma outra dimenso ainda dessa cooperao a integrao das cadeias de produo de energia nuclear, sendo a Argentina um parceiro estratgico do Brasil no projeto de alcanar a suficincia na obteno de urnio enriquecido, o que pode ser conquistado na forma de uma suficincia conjunta. Brasil e Argentina cooperaram para evitar que a desconfiana levasse a proliferao e a possvel destruio mtua, e hoje atuam com coordenao em temas como energia nuclear e proliferao.

QUESTO 4 Jochen Prantl considera que o contexto internacional caracteriza-se, atualmente, pela multipolaridade sem multilateralismo. Com base nessa assertiva, comente: a) o papel do Brasil no mbito dos diversos grupos negociadores que integra; b) naquilo que se refere aos grupos UNASUL, CELAC, BRICs, IBAS, AFRAS e ASPA, descreva as caractersticas de cada um deles e identifique a importncia que podem ter na dimenso SulSul da poltica externa brasileira. Extenso mxima: 60 linhas (valor: 20 pontos) MARIA EUGENIA ZABOTTO PULINO (17/20) O Brasil integra, atualmente, diversos foros internacionais de negociao e deliberao. Nos ltimos anos, a diplomacia brasileira passou a participar dos mais diversos regimes internacionais, sobre os mais variados temas. A estratgia de participar para transformar se reflete na postura propositiva do pas, que congrega diferentes atores nos foros de cuja criao fez parte. A via da negociao tem sido constantemente privilegiada e estimulada pela poltica externa brasileira, que optou por trocar a esttica da confrontao pela dinmica da cooperao, nas palavras do Presidente Lula. A multipolaridade sem multilateralismo, denunciada por Jochen Prantl, uma das principais crticas da diplomacia brasileira ao sistema internacional ps-Guerra Fria. O multilateralismo, nas palavras do Chanceler Celso Amorim, a expresso jurdica da multipolaridade. O poder econmico, poltico e at mesmo militar vem se mostrando cada vez mais descentralizado, enquanto que os foros decisrios continuam representando a antiga ordem do ps-Segunda Guerra Mundial. A participao e incentivo ao G-20 Financeiro pela poltica externa brasileira, especialmente aps a crise econmica de 2008, faz parte da estratgia de reformar e reformular os grupos decisrios. O G-8 no mais representa os atores mais relevantes no cenrio econmico global e, portanto, preciso incluir as novas economias emergentes nas instncias de elaborao dos diversos regimes internacionais. Uma das importantes inovaes da poltica externa brasileira atual so os foros e alianas Sul-Sul de cooperao e concertao. O pas no apenas pretende aumentar a participao dos pases em desenvolvimento nos grupos que tradicionalmente abrigam apenas pases desenvolvidos, mas prope alianas entre os pases em desenvolvimento e os de menos desenvolvimento relativo. Nessa categoria existem grupos regionais, como a UNASUL e a CEALAC, inter-regionais, como a ASA e a ASPA, e alianas de geometria varivel, como o BRIC e o IBAS. No que se refere aos primeiros, possvel perceber um esforo de50

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ampliao da cooperao sul-americana e da Amrica Latina e Caribe. A UNASUL, criada em 2008 e sucessora da CASA (2004), pretende consolidar-se como um foro essencialmente poltico e promover a cooperao em segurana, sade, finanas e outras reas. A CEALAC, ainda em processo de gestao, quer expandir a cooperao e a concertao para toda a Amrica Latina e Caribe. Esses foros buscam no apenas a integrao, mas tambm a coordenao de posies que fortaleam a insero internacional da regio. A ASPA (Cpula Amrica do Sul-Pases rabes) e a ASA (Amrica do Sul-frica), antigo AFRAS, so cpulas inter-regionais que promovem a cooperao e concertao poltica em diversos eixos temticos, de cincia e tecnologia a temas sociais. A ASPA foi criada em 2005 (Braslia) e teve sua segunda cpula presidencial em 2009, em Doha. A ASA nasceu em 2006 e teve tambm uma segunda cpula presidencial em 2009 (Isla Margarita). Ambos os grupos tm forte aspecto cultural, a exemplo da BibliASPA, mas tambm apontam para o surgimento de uma nova geografia comercial global. O IBAS (ndia, Brasil e frica do Sul) e o BRIC (Brasil, Rssia, ndia e China) so as chamadas alianas de geometria varivel, significando a flexibilidade na formao de alianas tanto em sua composio quanto em seu tema. O IBAS surgiu em 2003, mesmo ano da formao do G-20 Comercial, e se destaca pelo carter de solidariedade perifrica, exercida por meio do Fundo IBAS de combate fome e misria. O BRIC, acrnimo criado pelo economista-chefe da Goldman Sachs, consolidou-se posteriormente em um grupo de concertao e cooperao. O foro simboliza os novos tijolos da economia global. A diversificao dos grupos decisrios dos quais o Brasil faz parte sinaliza a projeo internacional acentuada do pas em vrios temas e em vrias regies. A maioria dos foros de concertao mencionados defendem uma ampla reforma dos pilares do sistema internacional, de forma a que o multilateralismo normativo reflita a multipolaridade real. ***

INGLS A prova de Ingls, com o valor mximo de 100 (cem) pontos, constar de quatro partes: traduo de um texto do ingls para o portugus (valor 20 pontos); verso de um texto do portugus para o ingls (valor 15 pontos); resumo de um texto (valor 15 pontos); e redao a respeito de tema de ordem geral, com extenso de 45 a 60 linhas (valor 50 pontos). Ser apenada a redao que desobedecer extenso mnima de palavras, deduzindose 1 ponto para cada linha que faltar para atingir o mnimo exigido. Ser atribuda nota 0 (zero) redao, caso o candidato no se atenha ao tema proposto ou obtenha pontuao 0 (zero) na avaliao da correo gramatical. A legibilidade condio essencial para a correo da prova.

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Programa (Primeira e Terceira Fases): INGLS (Primeira e Terceira Fases): Primeira Fase: 1 Compreenso de textos escritos em lngua inglesa. 2 Itens gramaticais relevantes para compreenso dos contedos semnticos. Terceira Fase: 1 Redao em lngua inglesa: expresso em nvel avanado; domnio da gramtica; qualidade e propriedade no emprego da linguagem; organizao e desenvolvimento de ideias. 2 Verso do Portugus para o Ingls: fidelidade ao texto-fonte; respeito qualidade e ao registro do texto-fonte; correo morfossinttica e lexical. 3 Traduo do Ingls para o Portugus: fidelidade ao texto-fonte; respeito qualidade e ao registro do texto-fonte; correo morfossinttica e lexical. 4 Resumo: capacidade de sntese e de reelaborao em Ingls correto.

Orientao para estudo 1. Traduo Translation, Part A (20 pontos) A traduo do Ingls para o Portugus deve ser feita de forma fidedigna, respeitando a qualidade e o registro do texto original. Subtrai-se 1 (um) ponto para cada um dos seguintes erros: falta de correspondncia ao(s) texto(s)-fonte, erros gramaticais, escolhas errneas de palavras e estilo inadequado. Erros de pontuao ou de ortografia sero apenados em 0,5 (meio) ponto. 2.Verso Translation, Part B (15 pontos) A verso do Portugus para o Ingls deve ser feita de forma fidedigna, respeitando a qualidade e o registro do texto original. Subtrai-se 1 (um) ponto para cada um dos seguintes erros: falta de correspondncia ao(s) texto(s)-fonte, erros gramaticais, escolhas errneas de palavras e estilo inadequado. Erros de pontuao ou de ortografia sero apenados em 0,5 (meio) ponto. 3. Resumo Summary (15 pontos) O candidato deve apresentar capacidade de reelaborar, de forma concisa e coerente, o texto proposto. So critrios de avaliao a objetividade, a preciso, a clareza e a conciso do texto, alm naturalmente da correo e propriedade no uso da lngua inglesa.

4. Redao - Compostition (50 pontos) Os candidatos devem demonstrar conhecimento avanado de Ingls e capacidade de us-lo em redao bem estruturada. A distribuio dos 50 pontos faz-se da seguinte maneira: Correo gramatical (20 pontos) Avaliam-se a correo e a propriedade no emprego da linguagem. Deduz-se 1 (um) ponto para cada erro, com exceo das falhas de pontuao ou de ortografia, s quais corresponde deduo de 0,5 (meio) ponto por ocorrncia. A atribuio de nota zero no quesito correo gramatical implica, automaticamente, nota zero para a redao como um 52

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todo. Do mesmo modo, ser atribuda nota zero s redaes que demonstrarem baixo padro de conhecimento da lngua inglesa. Organizao e desenvolvimento de idias (20 pontos) Sero considerados, principalmente, os itens a seguir: a) capacidade de raciocnio e de expresso clara em Ingls; b) pertinncia das idias e da eventual exemplificao em relao ao tema; c) adequada organizao formal da redao, com adequada paragrafao. Os candidatos devem esforar-se para apresentar redao interessante. A originalidade no ser exigida, mas ser avaliada positivamente, da mesma forma que o uso adequado de exemplos. Sero severamente punidas as redaes decoradas e simplesmente adaptadas ao tema proposto. A redao que fugir a esse tema ser punida com nota zero. Qualidade de linguagem (10 pontos) Atribuem-se pontos ao candidato pelo correto uso de Ingls idiomtico, por construes variadas e pelo emprego de vocabulrio amplo e preciso. Os candidatos que usarem construes de cunho meramente elementar na redao recebero nota zero no quesito, em especial quando esse recurso for utilizado para evitar erros.

Prova de 2010 TRANSLATION (Total: 35 marks) PART A (20 marks) Translate into Portuguese the following excerpt adapted from Eleanor Roosevelts speech which opened a series of United Nations seminars at Brandeis University on December 17th, 1954: You hear people say, Why hasnt the United Nations done this or that? The United Nations functions just as well as the member nations make it function, no better or worse. So the first thing to look at is the kind of machinery that was set up, and what it was meant to do. Now we have to cast our minds back to the time when the Charter was first planned. The war was not over, and this was a dream an idea to set up an organization, the object of which was to keep peace. Great tracts of the world had first-hand knowledge of war on their doorsteps. We did not know what it was like, either to be occupied or to be bombed. We need to use our imaginations, because we really must grasp what the nations felt then and still feel. What happened, of course, was that peace has never been found, so this organization has had to face questions that were not on its mind at the outset. But talk itself can have great value. You have to envisage it as a bridge, to think of the General Assembly as a place where bridges are built between peoples.

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FREDERICO OLIVEIRA DE ARAUJO (18/20) Ouvem-se pessoas dizendo: Por que as Naes Unidas no tm feito isso ou aquilo?. A Organizao das Naes Unidas funciona to bem quanto seus membros a fazem funcionar, nem melhor nem pior. Ento, a primeira coisa a observar o tipo de engrenagem que foi concebida e o que ela foi incumbida de fazer. Agora, ns devemos nos concentrar na poca em que a Carta foi planejada. A guerra no havia acabado, e o sonho era este: a idia de estabelecer uma organizao, cujo objetivo era manter a paz. Muitas partes do mundo tinham um conhecimento em primeira-mo a respeito da guerra, cujo flagelo chegava sua soleira. Ns no sabamos o que era isso, ser invadido ou ser bombardeado. Ns precisamos usar nossa imaginao, porque realmente devemos captar o que as naes sentiam naquele momento e o que ainda sentem. O que aconteceu, evidentemente, foi que jamais se alcancou a paz, e assim a ONU tem-se obrigado a enfrentar questes que no estavam no seu iderio no momento de sua fundao. Mas o dilogo, por si mesmo, pode ser de grande valor. Deve-se conceber a ONU como uma ponte; a Assemblia Geral, como um lugar onde se constroem pontes entre os povos.

PART B (15 marks) Translate into English the following excerpt adapted from a lecture delivered by Ambassador Celso Amorim as guest speaker at the Portuguese Ministry of Foreign Affairs Diplomatic Seminar on 5th January, 2009: A reforma das Naes Unidas pea-chave da agenda de mudanas. O multilateralismo a expresso normativa da multipolaridade. O mundo multipolar que emerge neste sculo deve encontrar seu paralelismo lgico no reforo das instituies multilaterais. A reforma da ONU, em particular de seu Conselho de Segurana, decorre da necessidade de aumentar a legitimidade, transparncia e representatividade nas suas decises. Mesmo sem resolver todos os problemas (como o do veto, por exemplo), um Conselho ampliado enviaria aos Estados-membros uma mensagem de confiana na capacidade da ONU de se adaptar aos novos tempos. O Brasil fez uma clara opo pelo multilateralismo. A contribuio brasileira Minustah no Haiti constitui uma demonstrao concreta desse compromisso. Reflete a nossa no-indiferena diante de uma situao difcil vivida por uma nao com a qual temos muitas afinidades. Coaduna-se, ademais, com os princpios de ao coletiva para prevenir ameaas paz e segurana internacionais.

BRUNO BARBOSA AMORIM PARGA (13,5/15) Reform of the United Nations is the key piece of the agenda of change. Multilateralism is the normative expression of multipolarity. The multipolar world which has been emerging in this century must find its logical parallel in the strengthening of multilateral institutions. UN reform, and particularly Security Council reform, stems from the need of enhancing legitimacy, transparency and representativity in its decisions. Even if it would not solve every problem (take, for example, that of the veto), an enlarged Council54

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would send member States a message of trust in the ability of the UN to adapt to the new times. Brazil has made a clear option for multilateralism. The Brazilian contribution to Minustah in Haiti means a concrete demonstration of this commitment. It reflects our "nonindifference" towards a difficult situation faced by a nation with which we have plenty of affinity. It is coherent with the principles of collective action in order to prevent threats to international peace and security, as well.

SUMMARY (Total: 15 marks) Write a summary in your own words not over 200 words in length of the following excerpt adapted from Gwynne Dyers Future Tense: the coming world order? (Toronto: Random House, 2004). The United Nations as constituted in 1945 was a profoundly cynical organization; more explicitly so even than the League of Nations. It accepted without demur that its member states enjoyed absolute sovereignty and would never be forced to submit to intervention in their internal affairs (with the sole and uncertain exception that acts of genocide might trigger international intervention). The UN Charter made no moral or practical distinction between the most law-abiding democracies and the most repressive dictatorships. How could it, when more than half its members were dictatorships themselves? The UN was not about love, or justice, or freedom, although words of that sort are sprinkled freely through the preamble to the UN Charter; it was about avoiding another world war. The problem that the surviving governments faced in 1945 was this: the existing international system is bankrupt in an era of weapons of mass destruction. The world cannot afford to allow countries armed with nuclear weapons to go to war with each other. It can certainly never again go through one of those generalized great-power melees that in the past were the main way of adjusting the international system to accommodate the changing balance between the great powers. If we fight that kind of war just once more, the whole northern hemisphere will fry. We therefore have to change the system. In fact, we have to outlaw war. Because outlaw war sounds like a naive slogan on a protesters banner, people fail to grasp how radical a change it was for the great powers of the world to sign up to such a rule in 1945. Since the first city-states of Mesopotamia five thousand years ago, war had been a legitimate tool of statecraft, with no long-lasting opprobrium attached to waging aggressive war so long as you were successful. Empires rose and fell, the militarily competent prospered. Now, all of a sudden, its over. Since 1945, according to the UN Charter, it has been illegal to wage war against another country except in two tightly defined circumstances. One is that you have just been attacked, and are fighting back pending the arrival of international help. The other exception arises when the Security Council authorizes various member states to use military force on its behalf to roll back an aggression, or to enforce its decisions on a strictly limited number of other questions. And thats it. Apart from these exceptions, international war that is, war waged by a sovereign government across an international border is illegal. It is illegal to attack a country because it is sitting on territory that previously belonged to your country. It is even illegal to attack a country because it is ruled by a wicked dictator who oppresses his own people. The rules had to be written like that because to allow exceptions on these counts would have left loopholes big enough to drive a tank through.55

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Making war illegal does not mean that all wars have stopped, any more than making murder illegal has stopped all killings, but it has transformed the context in which wars take place. The United Nations does not always act to roll back a successful aggression, because that requires getting past the vetoes wielded by all five permanent members of the Security Council and then finding member states willing to put their troops at risk on the ground, but it almost never recognizes border changes accomplished by war. There is also, however, much that the United Nations cannot do. First and foremost, it cannot act against a perceived interest of any of the great powers, for in order to get them all to sign up it had to offer them a special deal: vetoes that allow the United States, Russia, Britain, France and China to block any UN action they don't like. Its neither fair nor pretty, but how else were the founders of the UN going to get the great powers to sign up and what use would the organization be if some of them were outside it? Likewise, the United Nations cannot intervene in a sovereign state or at least it could not until recently even to stop the most horrendous violations of human rights. Despite such limitations, the UN is a central and indispensable part of the modern world. It is the institution through which a politically conscious global society first came into existence, and its specialized organs are still the arena in which most of the worlds large-scale deals are made on matters ranging from telecommunications frequencies and trade to public health and the environment. It is the organizer and command centre for many of the peacekeeping missions that hold old enemies apart and try to minimize the level of violence in failed states, and the source of legal authority for many peacekeeping missions it does not directly control. Most important by far, it is the repository of the new international law which bans the use of aggressive military force, even by the great powers. It is not generally realised how important this law is because it has so often been broken, especially by the really big powers. Nonetheless, most of the wars that have not involved veto-wielding superpowers have tended not to last very long before international diplomatic intervention puts a halt to them. The Security Council busies itself with appeals for a ceasefire and offers of peace-keeping troops. This has made it hard for those involved to go on fighting. So wars have rarely ended in decisive victories, and territory has almost never changed hands in a legal and permanent way. These very significant constraints may also explain why nuclear weapons have not been used in war for the past 59 years. Of course, these same constraints can feel very burdensome if you happen to be the greatest power in the world, with overwhelming superiority in both nuclear and conventional weapons. You might even wind up filled with frustration and fury because all these Lilliput nations are trying to use the rules of the United Nations to tie you down like Gulliver. The best measure of any institution's real importance is how much its enemies hate it. US neo-cons, for instance, hate the UN a lot. They portray it one moment as an irrelevant excrescence and the next as an arrogant, uncaring organization of great power. The United Nations, though, was not created to fight evil wherever it appears. It was designed primarily to stop the kind of straightforward cross-border aggression that had triggered both the First and the Second World Wars, but must not be allowed to cause a Third. So, since the vetowielding permanent members of the Security Council stand to lose everything themselves in another world war, they have generally been able to act in a surprisingly coordinated and decisive manner at the UN when events elsewhere threatened to drag them into such a conflict. Available at: www.gwynnedyer.com.56

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Retrievedon 24/3/2010

GUILHERME LOPES LEIVAS LEITE (14/15) The United Nations were instituted not as a means to end all conflicts, but as a way to prevent a global war in a nuclear age. Thenceforth, no longer could problems be solved by the hitherto legitimate means of warfare as it would mean the extinction of humankind. Therefore, a pragmatic system was created in order to limit widespread war. War was forbidden expect by two tightly defined circumstances: self-defense and Security Council authorization. Not contemplating other possibilities, laudable as they might be, was necessary to ensure its respect. The system is far from perfect, particularly since the five permanent members of the Council have veto power and, thus, hardly will the UN act against these countries interests. Notwithstanding, the organization has greatly contributed to the international community with its peacekeeping operations and legal framework banning the use of force. Yet, the UNs main contribution was to prevent the use of nuclear weapons among great powers. Its flexibility and pragmatic nature have permitted a coordinated effort from the permanent members of the Security Council, as they are the ones most concerned with a possible Third World War.

COMPOSITION (Total: 50 marks) It will be no surprise to those who follow UN affairs that the end of the Cold War has been the single most formative experience in the existence of the Security Council. There are many ways to demonstrate this. The simplest is to count the absolute number of Council resolutions. For the period 1946-1989 the annual average number of resolutions passed was fifteen; since then the average has been more than sixty. The Council has moved from roughly one decision a month to one per week. This is indeed a dramatic change. Peter Wallensteen e Patrick Johansson's. Security Council decisions in perspective. In: Malone, D.M. ed. The United Nations Security Council: from the Cold War to the 21st Century. London: International Peace Academy, 2004 (Adapted). In what other ways have the Security Councils actions changed since the end of the Cold War? Why? (Length: 350-450 words)

JOS JOAQUIM GOMES DA COSTA FILHO (45/50) The demise of the Soviet Union marks a watershed in the history of the UN Security Council. Not only has the amount of resolutions increased in the aftermath of the Cold War, but the substance of its decision has also changed. Peacekeeping operations have been enhanced, new topics have been introduced at the top of the agenda of the council and stiffer verification mechanisms have been concocted in light of the changing global scenario. An agenda for peace, a UN report published at the beginning of the 1990s, stressed the new features of armed conflicts and urged states to improve the peacekeeping operations capacity to tackle the daunting challenges posed by the new scenario.57

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Thenceforth, the Security Council, aware of the complexity of the burgeoning number of intrastate conflicts, has aimed at diversifying the roles played by peace operations. Peacemaking and peacebuilding activities are now as important as monitoring prior peace deals. The changing nature of armed conflicts since the end of the Cold War has demanded brand new responses from the Security Council. Another major change is the discussion of topics which are not related to the traditional concept of security. This concept has evolved from a strict military bias to a more diverse understanding. The new concept of securitization, which was consolidated by Barry Buzan, entails not only the military domain but also the societal, environmental and economic realms. Any threat may be securitized by states and put at the top of their political agenda. Accordingly, the Security Council has held meeting on climate change and human rights. Finally, the Security Council has improved its verification tools through recent decisions such as resolutions 1373 and 1540. The latter refers to the proliferation of weapons of mass destruction and the former is related to terrorism. Both established specific committees to oversee their implementation by UN member-states. Countries have to submit national reports to the committees scrutiny. This change was spurred by the 2001 terrorist assaults in the United States and the political will of some permanent members. The international scenario engendered by the end of the Cold War has rendered the UN Security Council more pro-active inasmuch as new challenges have demanded a streamlined approach. A broader agenda, multifaceted peace operations and new verification mechanisms are important changes in its actions.

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NOES DE ECONOMIA A prova de Noes de Economia consistir de quatro questes discursivas, duas das quais com o valor de 30 (trinta) pontos cada uma e duas com o valor de 20 (vinte) pontos cada uma. As respostas s questes com o valor de 30 (trinta) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 60 linhas; as respostas s questes com o valor de 20 (vinte) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 40 linhas. Programa (Primeira e Terceira Fases): NOES DE ECONOMIA (Primeira e Terceira Fases): 1. Microeconomia. 1.1. Demanda do Consumidor. Preferncias. Equilbrio do consumidor. Curva de demanda. Elasticidade-preo e elasticidade-renda. 1.2. Oferta do Produtor. Fatores de produo. Funo de produo. Elasticidade-preo da oferta. Rendimentos de fator. Rendimentos de escala. Custos de produo. 1.3. Concorrncia Perfeita, Monoplio e Oligoplio. Comportamento das empresas. Determinao de preos e quantidades de equilbrio. 2. Macroeconomia. 2.1. Contabilidade Nacional. Balano de Pagamentos: estrutura e interpretao dos resultados dos diferentes componentes do Balano. Medidas da atividade econmica. Conceitos e58

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clculo do deficit pblico. 2.2. Determinao da renda, do produto e dos preos. Oferta e demanda agregadas. Consumo, investimento, poupana e gasto do governo. Exportao e importao. Objetivos e instrumentos de poltica fiscal. 2.3. Teoria monetria. Funes da moeda. Criao e distribuio de moeda. Oferta da moeda e mecanismos de controle. Procura da moeda. Papel do Banco Central. Objetivos e instrumentos de poltica monetria. Moeda e preos no longo prazo. Sistema bancrio e intermediao financeira no Brasil. 2.4. Emprego e renda. Determinao do nvel de emprego. Indicadores do mercado de trabalho. Distribuio de renda no Brasil. 3. Economia internacional. 3.1. Teorias clssicas do comrcio. Vantagens absolutas e comparativas. Pensamento neoclssico. 3.2. A crtica de Prebisch e da Cepal. Deteriorao dos termos de troca. 3.3. Macroeconomia aberta. Os fluxos internacionais de bens e capital. Regimes de cmbio. Taxa de cmbio nominal e real. A relao cmbio-juros. 3.4. Comrcio internacional. Efeitos de tarifas, quotas e outros instrumentos de poltica governamental. Principais caractersticas do comrcio internacional ao longo das dcadas. Sistema multilateral de comrcio: origem e evoluo. As rodadas negociadores do GATT. A Rodada Uruguai. A Rodada Doha. 3.5. Poltica comercial brasileira. Negociaes comerciais regionais. Integrao econmica na Amrica do Sul. Protecionismo e liberalizao. 3.6. Sistema financeiro internacional. Padro-ouro. Padro dlar-ouro. Fim da conversibilidade. Crises econmico-financeiras nos ltimos 20 anos. Governana internacional e os novos atores estatais e no-estatais. Caractersticas dos fluxos financeiros internacionais. 4. Histria econmica brasileira. 4.1. A economia brasileira no Sculo XIX. A economia cafeeira. 4.2. Primeira Repblica. Polticas econmicas e evoluo da economia brasileira. Crescimento industrial. Polticas de valorizao do caf. 4.3. A crise de 1929 e as dcadas de trinta e quarenta. Industrializao restringida. Substituio de importaes. 4.4. A dcada dos cinquenta. O Plano de Metas. 4.5. O Perodo 1962-1967. A desacelerao no crescimento. Reformas no sistema fiscal e financeiro. Polticas antiinflacionrias. Poltica salarial. 4.6. O perodo do milagre econmico (1968-1973) e o segundo PND. 4.7. Os anos oitenta. Crise da dvida. A interrupo do financiamento externo e as polticas de ajuste. Acelerao inflacionria e os planos de combate inflao. 5. Economia Brasileira. 5.1. Os anos noventa. Abertura comercial e financeira. A indstria, a inflao e o balano de pagamentos. A estabilidade econmica. 5.2. A economia brasileira na ltima dcada. Avanos e desafios. 5.3. Pensamento econmico e desenvolvimentismo no Brasil. A viso de Celso Furtado.

Prova de 2010 QUESTO 1 O comrcio internacional fator integrante do processo de globalizao. Ao longo de muitos anos, na maioria dos pases, observamos um processo de abertura ao comrcio internacional, seja por meio do sistema multilateral de comrcio, seja por meio de maior integrao regional, ou ainda por meio de reformas de programas domsticos. O comrcio e a globalizao, de maneira geral, trouxeram benefcios a muitos pases e aos seus cidados. O comrcio permitiu a essas naes o benefcio da especializao e a produo em escalas maiores e, portanto, mais eficientes. Elevou a produtividade, permitiu a difuso de

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conhecimento e de tecnologia e aumentou o escopo das opes disponveis aos consumidores. Porm, a maior integrao economia global no necessariamente popular, e os benefcios da globalizao no chegaram da mesma forma a todos os setores da sociedade. OMC. Relatrio da Organizao Mundial do Comrcio 2009. a) Com base no excerto acima e nas teorias clssica e neoclssica do comrcio internacional, explique as razes que levariam diferentes pases a comerciar entre si. Em sua resposta, discorra sobre as diferentes teorias, assinale suas limitaes e reflita sobre a natureza da insero de um pas no comrcio internacional luz das referidas teorias. b) Com base no arcabouo analtico da CEPAL, discuta os efeitos da deteriorao dos termos de troca para a insero de um pas no comrcio internacional. Explique a viso cepalina sobre o desenvolvimento desigual da economia mundial. Extenso mxima: 60 linhas (valor: 30 pontos) JOANA DANGELO MARTINS DE MELO (30/30) a) A teoria clssica do comrcio internacional tem seu marco inicial com a teoria das vantagens absolutas de Adam Smith. Segundo Smith, o comrcio entre pases ocorre quando um pas tem vantagem absoluta (menor custo de produo) na produo de um determinado bem e outro pas, na produo de outro. Os pases devem se especializar na produo do bem no qual tm vantagem absoluta e troc-lo pelo bem em que no tenham essa vantagem. Segundo a teoria de Smith, caso um pas tivesse vantagem absoluta na produo de todos os bens, ocorreria autarquia. David Ricardo modificou a teoria ao explicar que, na verdade, os pases comercializam por terem vantagens comparativas na produo de bens, no vantagens absolutas. Um pas tem vantagem comparativa quando tem menor custo de oportunidade (ou menor preo relativo) para produzir determinado bem. Essas diferenas entre os pases, para Ricardo, so explicadas pelas diferenas tecnolgicas. A teoria de Hecksher-Ohlin aprofunda a anlise de Ricardo ao argumentar que as vantagens comparativas derivam da dotao dos fatores de produo dos pases. Assim, o pas deveria especializar-se na produo do bem que usa intensivamente o fator de produo abundante naquele pas. De acordo com as teorias clssicas e neoclssicas, dadas as vantagens absolutas ou comparativas, o livre-comrcio traria benefcios para todos os pases envolvidos, uma vez que os ganhos de produtividade com a especializao seriam repassados a todos pela queda nos preos dos produtos. Assim, os pases em desenvolvimentos deveriam especializar-se na produo de produtos primrios (segundo Smith por terem custos de produo mais baixos; segundo Ricardo por produzirem esses produtos de forma mais eficiente do que produziriam manufaturados, e segundo Hecksher e Ohlin, por terem abundncia em terras e mo-deobra). Os pases desenvolvidos, por outro lado, deveriam especializar-se na produo de manufaturados. Os dois tipos de pases trocariam os produtos, com benefcios para a economia como um todo. b) Os limites das teorias clssicas e neoclssicas foram identificados pela Cepal. A especializao dos dois grupos de pases implicava o desenvolvimento desigual da economia60

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mundial, que era dividida entre pases centrais e pases perifricos. A periferia sofria com a deteriorao dos termos de trocas (DTT). Os produtos primrios, por apresentarem baixa elasticidade-renda no tinham seu consumo expandido em tempos de aumento da renda mundial na mesma proporo da expanso da renda, enquanto os produtos manufaturados tinham alta elasticidade renda. Ademais, as estruturas de mercado nos pases perifricos, com abundncia de mo-de-obra, impediam que os ganhos de produtividade fossem repassados para os salrios, enquanto nos pases centrais, o contrrio acontecia; os ganhos de produtividade no eram repassados para os preos e, sim, retidos pelos produtores, aumentando a renda da economia. Isso forava os pases perifricos a precisarem expandir cada vez mais suas exportaes para conseguirem comprar a mesma quantidade de manufaturados importados, o que, muitas vezes, no conseguiam, dadas as condies dos mercados, levando a crises estruturais do balano de pagamentos dos pases perifricos. A partir dessa viso, a Cepal defende a industrializao induzida pelo Estado, j que as condies do livre mercado no favoreciam o desenvolvimento industrial perifrico. Caberia ao Estado, por meio de polticas comerciais de proteo a determinados setores e investimento em infraestrutura, garantir as condies de desenvolvimento industrial, para romper com o ciclo vicioso do livre-comrcio. Essa viso da Cepal, foi implementada em pases como Brasil e Argentina, e ficou conhecida como processo de substituio de importaes.

QUESTO 2 Os anos 1900-1913, chamados de Era de Ouro por Winston Fritsch, tm sido considerados, na literatura, como anos de prosperidade da economia brasileira, aps um longo perodo de estagnao que havia se estendido por quase toda a dcada de noventa do sculo anterior. A respeito desse perodo, comente: a) Que fatores externos deram origem a esse ciclo de prosperidade, considerando-se que o preo do caf, principal item de exportao brasileiro, encontrava-se em queda? b) De que maneira condies externas mais favorveis foram, em ltima instncia, responsveis pelo abandono das polticas monetrias restritivas em vigor no governo de Campos Salles? c) Em que sentido seria vlido afirmar que a evoluo da economia brasileira nesse perodo criou condies para a expanso da indstria brasileira durante a Primeira Guerra Mundial? Extenso mxima: 60 linhas (valor: 30 pontos)

GUSTAVO MEIRA CARNEIRO (30/30) O perodo entre 1900 e 1913 foi de grande prosperidade para o Brasil, aps o perodo de desestruturao da primeira dcada da Repblica. Nessa dcada, na tentativa de sanar o problema da falta de meio circulante derivado do fim da escravido, promoveu-se a expanso da emisso monetria que levou chamada crise do encilhamento. O governo Campos Salles, em 1898, foi responsvel pela estabilizao da economia, graas obteno do funding loan com a casa Rotschild e a polticas de austeridade e contrao da economia. O ajuste promovido por Campos Salles foi importante para permitir o crescimento econmico da primeira dcada do sculo XX.61

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Fatores externos foram determinantes para esse perodo de expanso da economia brasileira. Um deles foi o prprio funding loan de 1898, que permitiu uma situao favorvel no balano de pagamentos durante o perodo, at 1913 e o comeo da I Guerra Mundial. Com o ajuste promovido pelo governo Campos Salles e com o fundind loan, o pas teve um importante crescimento da entrada de capitais, graas ao momento de expanso econmica vivido na Europa (Belle poque na Frana, expanso na Inglaterra e na Alemanha). Esse bom momento da economia mundial, aliado ao novo momento da indstria nos pases centrais, ajudou o Brasil tambm na balana comercial, pois mesmo que o preo do caf no fosse favorvel, as exportaes de borracha tiveram grande expanso, permitindo o alvio na balana comercial. O bom momento do setor externo, com abundncia de capitais estrangeiros levou o Brasil a, em 1906, adotar o padro-ouro, seguindo o formato de poltica econmica dos pases centrais (que tinha grande sucesso ento). O Brasil fez isso por meio da criao da Caixa de Converso baseada na experincia recente da Argentina. No mesmo ano de 1906, tem destaque a realizao do Convnio de Taubat, que definiu que o governo promoveria a compra dos excedentes de caf para manter os preos por meio de emprstimos externos e que faria um imposto em ouro sobre o caf exportado para pagar o servio das dvidas, alm de determinar que os Estados buscassem desincentivar a produo cafeeira. A realizao do acordado em Taubat, assim, foi muito facilitada pelo bom momento internacional, na medida em que havia abundncia de capitais, o que permitiu o sucesso das polticas de valorizao do caf, que contriburam para a expanso econmica j no final da dcada. A adoo do padro-ouro pelo Brasil fez que o pas ficasse ainda mais atrelado situao do setor externo. Nesse momento de abundncia da entrada de divisas (tanto pelo comrcio quanto por emprstimos e investimentos), a existncia da Caixa de Converso foi fundamental para que isso se refletisse em expanso monetria, na medida em que a oferta de moeda estava atrelada s reservas em ouro do pas. Dessa forma, a abundncia de capitais numa situao de padro-ouro levou a um abandono, ainda mais evidente do que primeira metade da dcada, das polticas restritivas de Campos Salles. A adoo do padro-ouro no Brasil, assim como em outros pases perifricos, mostrou-se problemtica no final do perodo em discusso, assim como na segunda tentativa, no governo de Washington Luiz. Isso porque, ao contrrio do que ocorria nos pases centrais, nos pases perifricos a conta de capitais tinha um comportamento prcclico, ou seja, quando havia uma reduo do supervit comercial, os capitais tambm escasseavam, levando perda rpida de reservas. Esse processo ocorreu no Brasil e contribuiu para o momento recessivo vivido pelo pas concomitantemente ao incio da I Guerra Mundial. A evoluo da economia do Brasil no perodo 1900-1913 teve impacto importante na criao de condies para a expanso da indstria no pas durante a I Guerra. Entre os fatores em que esse perodo contribuiu pode-se citar a acumulao de capital possibilitada pela expanso da economia e pela entrada de capitais. A abundncia de capitais, aliada poltica monetria menos restritiva permitiram, tambm, juntamente com a maior capacidade de importao, a entrada de mquinas e a instalao de capacidade na indstria (ainda muito incipiente), que seria usada durante a I Guerra Mundial em razo da dificuldade de importar. Outros fatores, como o crescimento das cidades, a imigrao e o crescimento de atividades relacionadas economia do caf, como as bancrias e as de comrcio exterior,

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tambm podem ser citados como importantes para o crescimento da indstria durante a I Guerra Mundial. A chamada Era de Ouro do Brasil no incio do sculo XX, assim, foi fortemente influenciada pelo setor externo, o eixo dinmico da economia, que beneficiou-se do bom momento da economia mundial de ento e ajudou a criar condies para o surto industrial da I Guerra.

QUESTO 3 Considerando que a taxa de cmbio uma varivel fundamental em uma economia aberta, e que sua determinao pode-se dar de formas distintas: a) Explique a determinao da taxa de cmbio em regimes de cmbio fixo e flutuantes. b) Comente o papel das reservas internacionais nos dois regimes. Extenso mxima: 40 linhas (valor: 20 pontos) GUSTAVO MEIRA CARNEIRO (20/20) A taxa de cmbio pode ser determinada de maneiras distintas de acordo com o modelo de poltica cambial adotado pelos pases. Os dois principais regimes de determinao da taxa de cmbio so o de cmbio fixo e o de cmbio flutuante. Em um regime de cmbio fixo, a taxa de cmbio determinada pelo governo e a autoridade monetria deve garantir a manuteno dessa taxa por meio de sua atuao no mercado. Nesse regime, portanto, a autoridade monetria deve agir como agente price maker, aumentando ou reduzindo a quantidade de divisas por meio de compra ou venda, de forma a manter a taxa de cmbio fixa. Assim, havendo presses para a desvalorizao da moeda local, por exemplo, as autoridades monetrias devem atuar vendendo divisas estrangeiras em troca de moeda local, de maneira a conter as presses. Percebe-se, dessa forma, que as reservas internacionais tm papel fundamental no caso do regime de cmbio fixo, aumentando nos momentos em que h presso de valorizao da moeda local e diminuindo no caso oposto. Cabe destacar, ainda, que devido necessidade de manter um equilbrio entre as quantidades de moeda local e estrangeira compatvel com a taxa de cmbio fixada, a autoridade monetria incapaz de fazer poltica monetria eficazmente (considerando um regime de liberdade de capitais). Em um regime de cmbio flutuante, a taxa de cmbio determinada pela oferta e demanda de moedas no mercado cambial. Esse mercado rene agentes que demandam moeda estrangeira (importadores, por exemplo) e que a ofertam (exportadores, por exemplo), mas, ao contrrio do que ocorre no regime de cmbio fixo, com o cmbio flutuante a autoridade monetria participa do mercado como qualquer agente. Um regime de taxa de cmbio flutuante permite um ajuste automtico do balano de pagamentos (com tendncia a desvalorizao em caso de dficit), diferentemente do regime de cmbio fixo, o que teoricamente tornaria as reservas internacionais pouco necessrias com cmbio flutuante (j que, ao contrrio do cmbio fixo, no necessrio us-las para ajustar o balano de pagamentos). Na realidade, contudo, observa-se aquilo que alguns economistas chamam de medo de flutuar, ou seja, a tendncia de que, mesmo em regimes de cmbio flutuante, as autoridades monetrias mantenham reservas importantes e intervenham no mercado para impedir uma alta volatilidade da taxa de cmbio. Cabe destacar, ainda, que em um regime63

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de taxas de cmbio flutuante a autoridade monetria tem capacidade de fazer poltica monetria eficaz (considerando um regime de liberdade de capitais), j que a taxa de cmbio no precisa ser mantida e pode ajustar-se a um novo equilbrio. Nota-se, assim, que existem diferenas importantes entre regimes cambiais fixos e flutuantes, desde o papel das reservas internacionais at a capacidade de utilizar a poltica monetria de maneira eficaz. Uma distino interessante aquela que percebe na taxa de cmbio fixa uma forma de manter a estabilidade de preos e facilitar a formao de expectativas na economia internacional, ao preo de aumentar a vulnerabilidade ao exterior (incluindo perda de capacidade de fazer poltica monetria), enquanto as taxas flutuantes reduzem essa vulnerabilidade, mas apresentam maior dificuldade para a formao de expectativas devido volatilidade dos preos.

QUESTO 4 Considere que dois pases apresentem o mesmo nvel de risco para o mercado financeiro internacional. A taxa de cmbio igual a dois, ou seja, so necessrias duas unidades monetrias do pas A para comprar uma unidade monetria do pas B. No pas A, a taxa de juros de 20% ao ano, enquanto, no pas B, a taxa de juros de 0% ao ano. Com base nessa situao, responda s seguintes questes. a) Suponha que determinado investidor possua 200 unidades monetrias do pas A. Aps um ano, quanto ele ter em unidades monetrias do pas A se investir todo seu dinheiro nesse pas? b) Caso esse mesmo investidor decida aplicar seu dinheiro no pas B, quanto ele ter disponvel para aplicar em moeda do pas B? Quanto ele ter, aps um ano, em unidades monetrias do pas B? c) Qual dever ser a taxa de cmbio para que esse investidor fique indiferente entre aplicar seu dinheiro, no perodo de um ano, no pas A ou no pas B? Extenso mxima: 40 linhas (valor: 20 pontos)

GUSTAVO MEIRA CARNEIRO (20/20) a) Considerando que o investidor possui 200 unidades monetrias (u.m.) do pas A e que a taxa de juros nesse pas de 20% ao ano (a.a.), caso ele invista todo o seu dinheiro nesse pas, sua quantidade de u.m. aps um ano ser: 200 x 1,2 = 240 unidades monetrias. b) Caso o mesmo investidor do exerccio anterior decida investir seu dinheiro todo no pas B, ele dever, em primeiro lugar, trocar suas unidades monetrias do pas A por unidades monetrias do pas B taxa de cmbio praticada no mercado. Considerando-se que so necessrias duas unidades monetrias de A para comprar uma de B, qual seja, que a taxa de cmbio de unidades monetrias de A em relao s de B igual a 2 (2 Au.m./Bu.m.), e que o investidor possui 200 u.m. de A, deduz-se que ele possui 100 u.m. de B, aps a converso, disponveis para aplicar no pas B. Dado que a taxa de juros do pas B igual a 0% a.a., caso o investidor aplique seu dinheiro (100 u.m. de B) nesse pas pelo prazo de um ano, no final desse perodo ele64

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ter a mesma quantidade de unidades monetrias de B, qual seja, 100. Percebe-se, portanto, que, em comparao com o investimento no pas A, o investimento no pas B apresenta menor atratividade o que fica evidente j na anlise das taxas de juros do que no pas A, considerando-se uma expectativa de que a taxa de cmbio permanea constante nesse perodo de um ano. c) Considerando dadas as taxas de juros em A (20%) e B (0%), e o fato de que o investidor possui 200 u.m. de A disponveis, para que ele fique indiferente entre aplicar o dinheiro em A e B, o que deve ocorrer um movimento da taxa de cmbio, no perodo de um ano, que compense o diferencial de juros entre os dois pases. Assim, seria preciso que ocorresse uma desvalorizao de 20% na taxa de cmbio de Au.m./Bu.m. entre o momento em que o investidor coloca seu dinheiro no pas B e o momento em que ele o retira e transforma em u.m. de A novamente, ou seja, deve haver uma taxa de cmbio esperada diferente. O resultado do investimento de 200 u.m. de A a juros de 20% a.a. seriam 240 u.m. de A. Para que se obtenha o mesmo resultado investindo no pas B, considerando um cmbio inicial de 2 Au.m./Bu.m. (o que transforma 200 u.m. de A em 100 u.m. de B), preciso que, ao final de um ano, a taxa de cmbio torne-se 2,40 Au.m./Bu.m. (de modo que 100 u.m. de B tornem-se equivalentes a 240 u.m. de A). Dessa forma, uma desvalorizao de 20% na taxa de cmbio Au.m./Bu.m. no perodo de um ano tornaria o investidor indiferente entre aplicar suas 200 u.m. de A no pas A ou no pas B. Nota-se, portanto, que seria necessria uma mudana na taxa de cmbio no perodo de um ano que iguale o diferencial de taxas de juros entre os pases, sob a hiptese de um risco equivalente entre ambos os pases. Como a diferena entre as taxas de juros era de 20%, seria necessria uma desvalorizao de 20% no cmbio Au.m./Bu.m. para atingir a indiferena entre as aplicaes.

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NOES DE DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PBLICO A prova de Noes de Direito e Direito Internacional Pblico consistir de quatro questes discursivas, duas das quais com o valor de 30 (trinta) pontos cada uma e duas com o valor de 20 (vinte) pontos cada uma. As respostas s questes com o valor de 30 (trinta) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 60 linhas; as respostas s questes com o valor de 20 (vinte) pontos tero, cada uma, a extenso mxima de 40 linhas. A banca examinadora levar em conta, sobretudo, o poder de argumentao do(a) candidato(a). Assim, eventual citao de tal ou qual autor deve ser evitada. O interesse dos examinadores avaliar o entendimento do(a) candidato(a) sobre o problema formulado. Ele(a) deve pautar sua resposta pela objetividade, clareza e preciso.

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Programa (1 e 3 Fases) NOES DE DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PBLICO (Primeira e Terceira Fases): I Noes de direito e ordenamento jurdico brasileiro. 1 Normas jurdicas. Caractersticas bsicas. Hierarquia. 2 Constituio: conceito, classificaes, primado da Constituio, controle de constitucionalidade das leis e dos atos normativos. 3 Fatos e atos jurdicos: elementos, classificao e vcios do ato e do negcio jurdico. Personalidade jurdica no direito brasileiro. 4 Estado: caractersticas, elementos, soberania, formas de Estado, confederao, repblica e monarquia, sistemas de governo (presidencialista e parlamentarista), estado democrtico de direito. 5 Organizao dos poderes no direito brasileiro. 6 Processo legislativo brasileiro. 7 Princpios, direitos e garantias fundamentais da Constituio Federal de 1988 (CF/88). 8 Noes de organizao do Estado na CF/88: competncias da Unio, dos Estados-membros e dos municpios; caractersticas do Distrito Federal. 9 Atividade administrativa do Estado brasileiro: princpios constitucionais da administrao pblica e dos servidores pblicos, controle de legalidade dos atos da Administrao. 10 Responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro. II Direito internacional pblico. 1 Carter jurdico do direito internacional pblico (DIP): fundamento de validade da norma jurdica internacional; DIP e direito interno; DIP e direito internacional privado (Lei de Introduo ao Cdigo Civil). 2 Fontes do DIP: Estatuto da Corte Internacional de Justia (artigo 38); atos unilaterais do Estado; decises de organizaes internacionais; normas imperativas (jus cogens). 3 Sujeitos do DIP: Estados [conceito; requisitos; territrio; populao (nacionalidade, condio jurdica do estrangeiro, deportao, expulso e extradio); governo e capacidade de entrar em relaes com os demais Estados; surgimento e reconhecimento (de Estado e de governo); sucesso; responsabilidade internacional; jurisdio e imunidade de jurisdio; diplomatas e cnsules: privilgios e imunidades]; organizaes internacionais (definio, elementos constitutivos, classificao, personalidade jurdica), Organizao das Naes Unidas (ONU); Santa S e Estado da Cidade do Vaticano; Indivduo. 4 Soluo pacfica de controvrsias internacionais (artigo 33 da Carta da ONU): meios diplomticos, polticos e jurisdicionais (arbitragem e tribunais internacionais). 5 Direito internacional dos direitos humanos: proteo (mbito internacional e regional); tribunais internacionais; direito internacional humanitrio; direito do refugiado. 6 Direito da integrao: noes gerais; MERCOSUL e Unio Europeia (gnese, estrutura institucional, soluo de controvrsias). 7 Direito do comrcio internacional: conhecimentos elementares; Organizao Mundial do Comrcio (gnese, estrutura institucional, soluo de controvrsias). 8 Cooperao jurdica internacional em matria penal.

Prova de 2010 QUESTO 1 A Corte Internacional de Justia proferiu, h 14 anos, parecer consultivo por meio do qual, pela primeira vez, um tribunal internacional especificou limites jurdicos s armas nucleares. Sem necessariamente discutir detalhes dessa deciso, comente como a ameaa e o uso de armas nucleares so regulados pelo direito relativo ao uso da fora, tal como consagrado pela Carta das Naes Unidas e pelos princpios de direito internacional humanitrio aplicveis em conflitos armados.66

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Extenso mxima: 60 linhas (valor: 30 pontos) RUBENS DIONISIO DE CAMARGO CAMPANA (29/30) Quando testemunhou a exploso da primeira bomba nuclear no deserto de Los Alamos, Robert Oppenheimer diz ter se lembrado de um verso das escrituras hindus: Agora eu me torno a Morte, o Destruidor de Mundos. No mesmo ano, eram celebradas as assinaturas da Carta de So Francisco, configurando o regime contemporneo do Direito Internacional acerca do uso da fora. Desde ento, a regulao jurdica internacional sobre as armas nucleares passou por notvel adensamento, como nos temas da no-proliferao e do controle de materiais fsseis, mas as hipteses de efetivo uso de armas dessa natureza devem ser analisadas luz da atual proscrio da guerra e do direito internacional humanitrio hoje em vigor. A Carta de So Francisco torna, como regra geral, ilegal o uso da fora, no sendo a agresso ou a ameaa dela meio legtimo de soluo de controvrsias. So reservadas duas hipteses a legtima defesa e a possibilidade de o Conselho de Segurana fazer uso de suas prerrogativas legais para manter a paz. O instituto da legtima defesa pressupe que a fora deve ser usada em medida proporcional, sem objetivo de conquista do Estado agressor, mas buscando apenas repelir a continuidade do ato ilegal. Abre-se, nessa hiptese, o uso de armas nucleares como possibilidade de resposta simtrica a um ataque nuclear prvio medida que, primeira vista, no poderia ser considerada ilegal de imediato, sendo necessria a anlise do caso concreto para avaliao acerca do fato de se essa resposta justificvel dada a dimenso extrema do instrumento usado para afastar a agresso em curso. A outra possibilidade de uso da fora baseia-se no captulo 7 da Carta da ONU, segundo o qual o objetivo maior de manuteno da paz, atribudo como dever ao Conselho de Segurana, presume que esse possa autorizar aes militares que representem interesse coletivo por segurana. A autorizao do uso de armas nucleares, nesse caso, tambm hiptese, uma vez que a paz pode possivelmente ser atingida apenas por meio de fora altura da utilizada pelo Estado violador do Direito Internacional. Mais uma vez, esse caso extremo de possibilidade restrita: no possvel vislumbrar de imediato caso em que a destruio nuclear seja o nico caminho paz. Mais importante do que isso, no entanto, ponderar se o uso de armas nucleares poderia estar em acordo com o direito internacional humanitrio, uma vez estabelecido que o uso ou a ameaa do uso de tais armas ilegal, estando limitado a consideraes muito restritas. O Direito da Haia, como conhecido o conjunto de convenes que versam sobre os meios e mtodos utilizados em conflitos, estabelece claros limites ao instrumental blico vlido. No h, no entanto, no arcabouo jurdico desses tratados, consideraes sobre o uso de bombas nucleares embora o uso dessas claramente caminhe contra o objetivo central desse direito, que visa reduzir o sofrimento desnecessrio. Embora no sejam ilegais frente ao Direito da Haia, as bombas nucleares possuem bvia possibilidade de violar o outro pilar do jus in bello o chamado Direito de Genebra, que visa garantir que certas categorias de pessoas sejam poupadas dos conflitos. Aqui, adentra-se no ramo jurdico internacional que garante a impossibilidade da fora nuclear legtima: a exploso nuclear no poupa indivduos com base nos preceitos ratione personae e ratione oficio consagrados em Genebra. Nota-se tambm que no jus in bello j no vigora clusula si

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omnes a violao do direito humanitrio no autoriza que outros Estados em conflito faam o mesmo. A proteo das partes que no participam do combate imperativa, sendo hoje considerada parte de um estrito ncleo do direito que no aceita relativizao. Cristalizadas como norma de jus cogens, hoje no possvel vislumbrar sua violao sem que o Estado incorra em ilcito. Essa ponderao percebida no parecer consultivo da CIJ: a vontade soberana dos Estados no convergiu para que o uso de armas nucleares se tornasse ilegal por tratado ou outra fonte de Direito Internacional, mas seu uso resultaria em conseqente violao provvel do Direito de Genebra. QUESTO 2 Contencioso do Algodo Publicao da Lista de bens para retaliao Foi publicada hoje (8 de maro) a lista final de bens, aprovada pelo Conselho de Ministros da CAMEX, que tero suas alquotas de imposto de importao majoradas para os Estados Unidos da Amrica (EUA), conforme autorizao do rgo de Soluo de Controvrsias da Organizao Mundial do Comrcio (OMC) de 19 de novembro de 2009, no contencioso EUA Subsdios ao Algodo (DS267). A OMC tambm foi notificada hoje da mesma lista. O valor total de retaliao atingido com a lista de bens de US$ 591 milhes. O restante do valor de retaliao a que tem direito o Brasil US$ 238 milhes (perfazendo o total autorizado de US$ 829 milhes) ser aplicado nos setores de propriedade intelectual e servios. O valor da retaliao autorizado ao Brasil e determinado pelos rbitros da OMC o segundo maior da histria da OMC e decorre do descumprimento, pelos EUA, das determinaes dos painis e do rgo de Apelao da OMC, que, por quatro vezes, confirmaram a incompatibilidade dos subsdios norte-americanos para seus produtores e exportadores de algodo com as regras multilaterais de comrcio. As contramedidas autorizadas podero vigorar enquanto os EUA mantiverem a atual situao de descumprimento dessas regras. Assessoria de Imprensa Palcio Itamaraty. Nota n. 106, 8/3/2010 (com adaptaes). Tendo em vista os numerosos contenciosos dos quais o Brasil participou na OMC (tais como CE subsdios ao acar, Canad aeronaves, CE classificao aduaneira de frangos) e as medidas que o pas considerou tomar no caso do algodo, discorra sobre a eficcia do sistema de soluo de controvrsias da OMC. Extenso mxima: 60 linhas (valor: 30 pontos) MICHAEL NUNES LAWSON (25/30) O sistema de soluo de controvrsias (SSC) da OMC geralmente enaltecido na doutrina internacionalista pela sua efetividade. De fato, o Entendimento sobre Soluo de Controvrsias (ESC), um dos resultados da Rodada Uruguai, apresentou inmeros avanos com relao soluo de controvrsias praticada sob a gide do GATT. Com o ESC, os Membros da OMC passaram a possuir o direito de ter a sua queixa examinada (direito a um painel), algo que no ocorria no GATT. No entanto, mais do que ao direito a um painel, a eficcia do SSC da OMC costuma ser associada existncia de uma fase de implementao da deciso final (dos painis ou do rgo de Apelao), ao contrrio, por exemplo, do que68

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ocorre na Corte Internacional de Justia, onde a atividade jurisdicional esgota-se com a prolao da sentena. A fase de implementao tem incio com a adoo, pelo rgo de Soluo de Controvrsias, do relatrio proferido pelos painis ou pelo rgo de Apelao. Tal fase, centrada nos artigos 21 e 22 do ESC, constituda de uma srie de mecanismos que visam a assegurar que a deciso seja implementada pela parte perdedora (ou seja, que a medida julgada ilegal seja posta em conformidade com os acordos da OMC). Havendo controvrsia entre as partes quanto a se a deciso foi de fato implementada pelo perdedor da disputa, o ESC coloca disposio dos litigantes o chamado painel de cumprimento (art. 21:5) para realizar essa determinao. Entendendo esse painel que houve descumprimento, a parte vencida v-se diante da possibilidade de oferecer compensao vencedora, medida temporria, enquanto providencia o cumprimento da deciso. Caso no haja acordo quanto a compensao (que o que comumente sucede), a parte vencedora pode recorrer ao ltimo remdio da OMC contra o descumprimento, a suspenso de concesses. A suspenso de concesses, ou retaliao, autoriza o vencedor da controvrsia a impor barreiras ao comrcio do vencido (que de outra forma seriam proibidas), com vistas a compeli-lo ao cumprimento da deciso. Nesse sentido, a retaliao tambm uma medida temporria. A imposio de retaliao cerca-se de uma srie de controles, dispostos no art. 22 do ESC. Assim, deve ela incidir preferencialmente sobre o mesmo setor objeto da controvrsia; caso se comprove que teria maior eficcia, a retaliao pode incidir sobre outro setor no mesmo acordo, ou sobre outro acordo (art. 22:3). Ainda, a retaliao deve ser equivalente ao prejuzo experimentado (art. 22:4). Na hiptese de haver controvrsia quanto aos controles mencionados, as partes podem recorrer arbitragem. No contencioso entre Brasil e EUA sobre subsdios ao algodo, todo esse procedimento foi percorrido, tendo os rbitros, por fim, determinado os parmetros da retaliao autorizada ao Brasil. O instituto da suspenso de concesses (e o SSC da OMC em geral) no derroga a regra de que, em direito internacional, a implementao do direito cabe aos prprios Estados. Isso decorrncia da estrutura descentralizada da sociedade internacional, em que inexiste um rgo central que monopolize a fora. Nesse passo, na fase de implementao, o ESC cinge-se, em verdade, a regulamentar, para que no haja abuso, o recurso s contramedidas. Autorizada por fim a retaliao, voltam, em larga medida, a atuar as relaes de fora. Considerando que, entre Brasil e EUA por exemplo, h fluxos comerciais significativos, em ambas as direes, a retaliao torna-se um instrumento eficaz, visto que o Brasil tem poder de barganha. Diferente seria se o pas autorizado a retaliar fosse um pas pequeno, com fluxos comerciais pouco representativos. Em razo disso, j se props que a OMC estabelea algum mecanismo coletivo de implementao das decises. Por fim, mencione-se que o SSC, principalmente para pases como o Brasil, tem sido eficaz para a formulao de regras comerciais. Face aos impasses da Rodada Doha, o recurso ao SSC tem-se revelado til para a explicitao de normas que pases como os EUA relutam em aceitar, como ocorreu no contencioso referente aos subsdios ao algodo. O direito judicirio, nesse sentido, tem expandido o direito escrito nos acordos.

QUESTO 3 Para que o Brasil se vincule a determinado tratado, necessria a aprovao preliminar do Congresso Nacional nas hipteses constitucionalmente previstas. Isto posto, responda: para69

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que o Brasil se desvincule, necessrio, por igual, a aprovao congressional prvia? Fundamente sua resposta. Extenso mxima: 40 linhas (valor: 20 pontos) GUSTAVO MEIRA CARNEIRO (20/20) De acordo com a Constituio Federal de 1988, para que o Brasil vincule-se a determinado tratado, nos casos em que este acarrete encargos ou compromissos gravosos Unio, necessria a aprovao do Congresso Nacional. Essa aprovao ocorre por meio de processo iniciado na Cmara dos Deputados, passando por sua Comisso de Relaes Exteriores, Comisso de Constituio e Justia e comisses temticas afetas ao tema do tratado; aprovado em plenrio, o tratado segue para comisses anlogas no Senado Federal (podendo haver voto terminativo por acordo de lderes na Comisso de Relaes Exteriores) e, caso aprovado, toma forma de decreto legislativo que autoriza a ratificao pelo Poder Executivo. A necessidade de aprovao congressional para que o Brasil possa ratificar e vincular-se a um tratado traz tona a discusso do caso oposto, em que o pas venha a desvincular-se de um tratado. Embora seja fonte de discusso entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo, pode-se afirmar que a aprovao do Congresso no necessria para que o Brasil se desvincule de um tratado. A base para essa afirmao reside no fato de que a prpria Constituio Federal de 1988 reserva ao Poder Executivo a competncia de promover as relaes exteriores do Brasil. Ao fazer tal previso, a Constituio brasileira garante ao Executivo a autonomia das decises concernentes poltica exterior do pas, respeitados os princpios elencados em seu artigo 4 e ressalvada a necessidade de aprovao do Congresso Nacional para tratados que acarretem encargos ou compromissos gravosos Unio. A no necessidade de aprovao congressional para a desvinculao de tratados fica mais clara quando se atenta para outros aspectos da aprovao de tratados. Cabe destacar, primordialmente, que, embora seja necessria, a aprovao do Congresso no suficiente para vincular o Brasil no plano internacional, j que isso depende da ratificao e de seu depsito, que so atos discricionrios do Presidente da Repblica. Dessa forma, a prpria aprovao do tratado pelo Congresso no apresenta obrigao para que o Brasil se vincule ao tratado, sendo essa deciso dependente do Poder Executivo. Nesse sentido, torna-se lgico que, assim como a vinculao, a desvinculao do tratado seja decidida de forma discricionria pelo Executivo, ao qual cabe manter as relaes do Brasil com o exterior. Por representar, ento, um ato soberano do Brasil em suas relaes com outros pases, a desvinculao de um tratado, assim, como sua vinculao, depende apenas da discricionaridade do Poder Executivo, no necessitando de aprovao congressional. Cabe destacar, contudo, que o fato de no ser necessria a aprovao congressional no significa que o Congresso Nacional no possa manifestar-se a respeito da desvinculao de um tratado. Essa manifestao, contudo, seria apenas um gesto poltico, no implicando obrigao para o Poder Executivo com relao aos atos internacionais. Nota-se, dessa forma, que o fato de a ratificao e, logo, a vinculao do Brasil a um tratado depender da aprovao do Congresso Nacional no implica que a desvinculao tambm dependa. A desvinculao, assim como a vinculao, so atos soberanos do Brasil e competem ao Poder Executivo, conforme disposio constitucional.

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QUESTO 4 Leia a nota verbal abaixo transcrita e atenda ao que se pede a seguir. Circular de 19/11/1989 ndice: Proclamao da Repblica. Pede reconhecimento. Aos Governos estrangeiros, Em 19 de novembro de 1889 Sr. Ministro, O Exrcito, a Armada e o Povo decretaram a deposio da dinastia imperial e, consequentemente, a extino do sistema monrquico representativo; foi institudo um governo provisrio, que j entrou no exerccio das suas funes e que as desempenhar enquanto a nao soberana no proceder escolha do definitivo pelos seus rgos competentes; este governo manifestou ao Sr. D. Pedro de Alcntara a esperana de que ele fizesse o sacrifcio de deixar, com sua famlia, o territrio do Brasil e foi atendido; foi proclamada provisoriamente e decretada como forma de governo da nao brasileira a repblica federativa, constituindo as provncias os Estados Unidos do Brasil. O governo provisrio, como declarou na sua proclamao de 15 do corrente, reconhece e acata todos os compromissos nacionais contrados durante o regime anterior, os tratados subsistentes com as potncias estrangeiras, a dvida pblica, interna e externa, os contratos vigentes e mais obrigaes legalmente estatudas. No governo provisrio, de que chefe o Sr. Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, tenho a meu cargo o Ministrio das Relaes Exteriores e por isso que me cabe a honra de dirigir-me a Vossa Excelncia, assegurandolhe que o mesmo governo deseja manter as relaes de amizade que tm existido entre os dois pases e pedindo o reconhecimento da repblica dos Estados Unidos do Brasil. Aproveito com prazer esta oportunidade para oferecer a Vossa Excelncia as seguranas da minha mais alta considerao. Quintino Bocaiva Com o benefcio de mais de um sculo de desenvolvimentos jurdicos sobre o tema, analise, com base nas normas e nos princpios de direito internacional atualmente existentes, o pedido de reconhecimento formulado por Quintino Bocaiva em 1889. Extenso mxima: 40 linhas (valor: 20 pontos)

RUBENS DIONISIO DE CAMARGO CAMPANA (20/20) O instituto do reconhecimento de governo passou por notvel evoluo histrica, podendo o pedido formulado por Quintino Bocaiva ser analisado luz do DIP contemporneo. O Primeiro aspecto notvel do texto encontra-se na referncia ao povo como elemento que participou da ruptura do regime constitucional Bocaiva aqui expressa a crena de que o apoio popular um dos determinantes da legitimidade dos governos. Essa71

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crena foi expressa de modo inequvoco na doutrina Tobar e depois reafirmada na doutrina Betancourt: resultados de uma Amrica Latina instvel, esses pronunciamentos afirmavam que s poderiam ser reconhecidos os governos que dispusessem de apoio majoritrio da populao, preferencialmente expresso democraticamente. Nota-se ainda hoje essa preocupao com o contedo dos governos, demonstrada por Bocaiva no to comum o reconhecimento de regimes baseados estritamente na violncia. Um segundo aspecto de destaque a declarao acerca da manuteno dos compromissos externos. Essa declarao desnecessria e eminentemente poltica, uma vez que o titular dos direitos e deveres no plano internacional a Repblica ou Imprio do Brasil no se alterou, sendo total a continuidade de sua personalidade jurdica. No houve o fenmeno da sucesso de Estados, que poderia implicar alteraes dos vnculos compromissais frente ao DIP. Um terceiro aspecto diz respeito ao pedido de reconhecimento expressado na declarao ela faz meno ao reconhecimento na forma de um pedido expresso formalmente, o que possivelmente resulta do fato de que Bocaiva esperava dos outros Estados uma declarao de reconhecimento igualmente formal. Nota-se aqui a preocupao dos formuladores da doutrina Estrada. Segundo essa doutrina, o reconhecimento formal de governos era notvel forma de interveno em assuntos internos. Percebe-se hoje a reduo da importncia antes atribuda a essa forma de reconhecimento, prevalecendo o reconhecimento tcito, pelo qual a mera continuidade do relacionamento entre os Estados indica que o outro sujeito reconhece naquele governo o titular do monoplio legtimo da fora. O reconhecimento de governo ato unilateral discricionrio, e nota-se hoje a tendncia ao reconhecimento implcito e presena de alguma preocupao com o contedo da relao entre governo e povo. Em todo o caso, havendo continuidade das bases fticas territrio e povo como ocorreu em 1889, no h mudana nas obrigaes.

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QUARTA FASE A Quarta Fase constar de provas escritas de Espanhol e de Francs, de carter classificatrio, com o valor de 50 (cinquenta pontos) cada prova. ESPANHOL A prova de Espanhol constar de 10 questes de leitura e compreenso de textos em lngua espanhola, na modalidade culta contempornea. A avaliao das respostas, que devero ser em lngua espanhola, se pautar pelos seguintes critrios: a) correo gramatical; b) compreenso textual; c) organizao e desenvolvimento de ideias; d) qualidade da linguagem.

FRANCS A prova de Francs constar de 10 questes de leitura e compreenso de textos em lngua francesa, na modalidade culta contempornea. A avaliao das respostas, que devero ser em lngua francesa, se pautar pelos seguintes critrios: a) correo gramatical; b) compreenso textual; c) organizao e desenvolvimento de ideias; d) qualidade da linguagem.

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