Guia de doenças, pragas e disturbios fisiologicos do cafeeiro

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Engenheiro AgJnol1lCRE~-M64215'/D

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GUIA PARA IDENTIFICAO DE DEFICINCIAS MINERAIS, TOXIDEZ, DISTRBIOS FISIOLGICOS, . PRAGAS E DOENAS DO CAFEEIRORoberto Antonio Thomaziello. Joo Alves de Toledo Filho. Edson Gil de Oliveira. I. DEFICI~NCIAS MINERAIS

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Um dos principais problemas da cafeicultura atual a nutrio insuficiente ou inadequada dos cafeeiros. Isso, aliado existnciu e tambm implantao de cafezais em terras j cultivadas por 10nKos anos, com baixa fertilidade e muitas vezes erodidas, alm da utilizao cada vez mais acentuada das terras sob vegetao de cerrado, onde o material de origem j pode ser pobre em diversos nutrientes, tem contribudo para a baixa produtividade de grande nmero de lavouras. A principal manifestao desses problemas nutricionais so sintomas foliares caractersticos para cada elemento mineral. Todavia, outros fatores, que no a real carncia de nutrientes, podem contribuir para o aparecimento de sintomas foliares de deficincia. Dentre eles destacamos o afogamento do colo, leso de colo pelo calor, canela de geada, ataque de nematides e cochonilhas no sistema radicular, solos mal drenados, devendo, por isso, serem observados com rigor para no se chegar a diagnsticos errados. As deficincias mais freqentes so nitrognio, fsforo, potssio, clcio, magnsio, zinco, boro, cobre e ferro.NITROG:8;NIO

Sintoma a deficincia mais comum e freqente nos cafezais, o principal elemento limitante da produo da maioria de nossas lavouTnR. Engenheiros-Agrnomos do Projeto Caf, Programa 7 de Fltotecnln, C.O.T. CATI.

A caracterstica do sintoma, tanto para 'folhas novas como para folhas velhas, atingindo o limbo e as nervuras, a perda erescente da cor verde tpica das folhas, que vo amarelecendo, chegando inclusive a ficar quase brancas. Pode haver queda de folhas e seca de ramos.

o fornecimento de N via foliar pode ser realizado atravs de pulverizaes com uria a 1-2%' Os adubos nitrogenados para aplicao ao solo mais recomendados so: sulfato de amnio, nitroclcio e uria. Via foliar recomendil-se principalmente a uria.

FSFOROSintoma Embora a maioria de nossos solos apresente nveis muito baixos de fsforo, o cafeeiro normalmente no tem apresentado sintomas foliares de deficincia e tambm reaes econmicas aplicao de grandes doses de adubos fosfatados. As plantas novas, todavia. so relativamente exigentes em P. O fsforo bastante translocvel e os sintomas de deficincia, quando aparecem, se fazem notar nas folhas velhas. Surgem manchaM amareladas, que posteriormente passam a amarelo-violceas e final. mente violceas pod~ndo tomar todo o limbo foliar. Pode havCl' queda de folhas.

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-

Figura 1. Nitrognio.

O nitrognio extremamente mvel na planta e, por ocasio da granao e maturao dos frutos, essa translocao da folha para o fruto acelerada, sendo ento a poca mais propcia para o aparecimento dos sintomas de deficincia. Cm'reo Deve-se evitar a carncia de nitrognio aplicando-se adubos nitrogenados ao solo, em cobertura, subdividindo a dose total a fim de reduzir perdas por lixiviao, em 3 a 4 parcelas e no perodo daH chuvas. A dose a ser aplicada varia em funo de uma srie de fatores: Lipo de solo, idade da planta, espaamento e carga pendente. De modo j.\"('ral,para cafeeiros adultos, 150 a 200g de N por cova

. Figura 2. Fsforo. Diversas fases dos sintomas da deficincia,

Correo A fonte de P mais comum e utilizada fosfatado ao solo tem sido o Ruperfosfato {) na aplicao de aduho simples, 11. IIlfC'rlOr

Figura 59. Ferrugem. Sintoma na pgina superior.

- 4kg/1.000

J

Em lavouras carregadas, o perodo de aplicao de dezembro a abril, em nmero de 5, com intervalo de 30 dias uma da outra. Em lavouras com pouca carga e em regies mais baixas, com predominncia de altas temperaturas, os tratamentos devem ser iniciados em funo do desenvolvimento da doena, podendo at ser dispensados.MANCHA-A UREOLADA

Agente causal: Pseudomonas garae (Amaral, Teixeira e Pinheiro) Sintomas Aparecem com freqncia nas folhas das plantas jovens. Caracterizam-se pelo aparecimento de manchas de colorao parda, circundadas por um grande halo amarelo, tendendo a se localizar nas margens do limbo, dando s folhas um contorno irregular. As folhas novas apresentam p.ontuaes escuras e formato totalmente irregular. Nas lavouras severamente atacadas h grande desfolha, podendo ocorrer a seca de ramos.Figura 61. Cafeeiro sob ao da mancha aureolada.

Importncia

econmica

.

Atrasa o desenvolvimento do cafeeiro, causando deHrolhll~ acentuadas em plantas adultas e em mudas no viveiro. A manl'l1ll -aureolada tm sido uma constante nos ltimos anos nllH "(',dl)oM midas sujeitas a ventos. TransmissoCondies climticas de frio e umidade vimento da doena. As leses nos bordos favorecem o deHlHlVol das folhas, devido no

atrito entre elas por ao do vento, abrem caminho infeco. ControleEm lavouras j instaladas proteger as plantas. no campo, uso de quebra-ventos pam

Pi~ma

fiO. Mandta1111

:Illf('olada.

Em viveiros, efetuar a proteo das mudas contm 11aiio ifolatall

Figura 69. Rosc\iniosc.

4 F (Captafol) 50 PM (Captafol)80 PM (Caplafol) 74

Transmisso O fungo constitui parte da rIora natural dos tcrr('noR, (\ Mt' desenvolve bem em toeml o rnfZeIol remanescentes de derrubndnA,quando esse mlllerinl ('lIft'l\ t'lI1 dt'('ompoRii\o. '/6

0,2~h

a 0,4% a 0,25%

1"lIng-icidas ellpricOR -

0,3% a 0,5%

-

-

0,2% a 0,4%0,15%

}.;xceHMo de umidade menlo do fungo.

e baixa

insolno

fa VOl'el~ern () dcsenvolvi-

Imp01'tncia

econmica econmica nfl

Controle Recomenda-se proceder eliminao de tOCORe razes, alm da correo da acidez do solo. Erradicao das plantas atacadas e aplicao de 500 a 700g de ('al virg-em, ou 2kg de calcrio por cova, logo aps a erradicao. () replantio nessas covas poder ser feito 4 a 6 meses aps a eliminao das plantas atacadas. MANCHA-DE-LEO

At o momento trala-Re de doena sem expresso cultura do caf. MANCHA-ANULAR Agente causal: vrus

Sintomas Nas folhas aparecem manchas de cor verde amarelada, sendo que no centro existe um ponto claro, circundando por, um anel estreito, de colorao verde-escuro. Geralmente as manchas acompanham as nervuras principal e secundrias e tm uma forma alongada, com limites sinuosos. Nos frutos em estado cereja verifica-se crculos regulares mais plidos que o resto do fruto ou ento verdadeiros anis claros.

A~ente causal: provavelmente causado por vrus Sintomas Nas folhas aparecem pequenas manchas redondas de cor verde maiMclara que o resto da folha, assemelhando-se mancha de leo, 1':Rsasmanchas raramente ultrapassam o dimetro de 1 a 3 milmetros. Nas folhas novas nota-se um encrespamento e perda de turgescncia. Na maioria dos frutos de plantas doentes observam-se leses arredondadas, deprimidas e bastante uniformes. Em geral os frutos so menores que os das plantas sadias e alguns se tornam necrticos e caem, especialmente quando a planta se acha bastante afetada pela doena.

Figura 71. Mancha-anular.

Importncia

eco1Wmica econmica para a cafeicultura.

Doena sem importncia TrlfnsmissoFigura 70. Mancha-de-leo.

Ambientes

midoH Ho maiH favorveis 77

doena.

76

MAN(,IIA AM l.mICANAAJ{l'lItl' ('awml: (Um pJwlia Swlolllu .'1 M/I(!(~1ULritrco[or flal'/a - Maubl. (Berk, d Curl.)

Controle Saac. ou No Brasil no exisle rel'onH'mlaii.ode controle. Na Costa Rira. indicada a aplicao de ArRenill\.ode chumbo a 3kg/ha do produ\.o comercial, em 3 aplicaes. Es~ms aplicaes devem ser aSHol'iadaH com sulfato de zinco, uma vez que o produto acima induz deficillda de zinco ao cafeeiro. FUMAGINA Agente causal: Capnodium b1'asilriensis (Putt.) Sintomas A doena aparece sempre associada a um ataque de cochonilhas. Essas excretam uma substncia adocicada ao longo das folhas e dos ramos, que serve de nutrio ao fungo, provocando o aparecimento da fumagina. As folhas e ramos ficam cobertos de uma pelcula preta, que faz lembrar fuligem. Pode parasita r o cafeeiro no campo ou mudas no viveiro.

et RanKel)

As folhas atacadas apresentam manchas circulares visveis em anil/as as pg-inas da folha, sendo lisas e planas na parte superior I' 1iJ{l'irament.e deprimidas na pgina inferior. Essas manchas so dI' ('or uniforme, pardo-clara, apresentando em condies de umidade I' I.l'ml>cra\.ura elevadas pequenas cabeas amarelo-claras, que so III-!formas de reproduo do fungo, responsveis pela disseminao (111doena. Em estado avanado da doena, o tecido afetado pode de:i"render-~e, deixando perfuraes nas folhas.

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Figura 72. Mancha-americana.

I tl/1JOrtnciaeconmica Praticamente no apresenta surtos generalizados, no apresenIlIndo nenhuma importncia econmica. A sua ocorrncia restrita 1\ uma ou outra planta dentro da lavoura e, em So Paulo, somente ()('orre em cafeeiros do litoral.'I'ra.?1smissoFigura 73, Fumagina,

AtravR de respingos da chuva.78

J II/l)(H'lu('1(l, econumica

(.; uma doena sem expresso'I' /,(Iu.'w1issll

econmica no Brasil.

LITERATURA CONSULTADACIIEBABI, A. & GONLVES, J. C. Deficincias minerais Campinas, CATI, Ago. 1970. 28p. (Boletim tcnico, 56) COSTA, T. et alii. Cultura do caf. CALLI, F. et alii. Manual de fitopatologia. no cafooiro

A disseminao das cochonilhas espalha tambm o fungo. Controle O controle das cochonilhas elimina as condies favorveis ao desenvolvimento do fungo, eliminando a doena.

Campinas, CATI, 1977. p.50-82. So Paulo, Ceres, 1968. 640p.

(;ALLO, D. et alii. Manual de entomologia: pagas das plantas e seu cO/lt.roll! So Paulo, Ceres, 1970. 858p. Ill~INRICH, W. O. & ABRAIfO, J. Pragas e doenas do cafeeiro. So Paulo, Instituto Biolgico, 1966. 44p. LORDELLO, L. G. E. Nematides Nobel, 1973. 197p. das plantas cultivadas 2. ed. So Paulo,

RIO DE JANEIRO. Instituto Brasileiro do Caf. Grupo Executivo de Rado nalizao da Cafeicultura. Cultura de Caf no Brasil: manual de rOl.(I mendaes. Rio de Janeiro, IBC/GERCA, 1974. 261p.

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