guia de boas prÁticas de acessibilidade na hotelaria

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  • GUIA DE BOAS PRTICAS de Acessibilidade na Hotelaria

  • ndice

    Introduo

    1. Enquadramento 1.1. Polticas e estratgias 1.2. Dimenso estatstica

    2. Tipologias de deficincia / incapacidade / condicionamentos 2.1. Deficincia visual 2.2. Deficincia auditiva 2.3. Deficincia motora 2.4. Deficincia intelectual

    3. Servios / Operaes de Alojamento 3.1. Acesso ao estabelecimento hoteleiro 3.2. Check-in 3.3. Mobilidade no interior 3.4. Check-out

    4. Listagem de necessidades especiais e das respostas especficas 4.1. Reserva 4.2. Acesso ao estabelecimento hoteleiro 4.3. Check-in 4.4. Mobilidade no interior 4.5. Check-out

    5. Anexos 5.1. Recomendaes

    6. Glossrio

    Bibliografia e legislao aplicvel

    Foto de capa: Vilalara Thalassa Resort Promontrio Architects

    GUIA DE BOAS PRTICAS de Acessibilidade na Hotelaria

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  • 4 Guia de Boas Prticas de Acessibilidade na Hotelaria

    O Turismo um bem social, de importncia primordial, que deve estar ao alcance de todos os cidados, sem que nenhum grupo da populao deva ser excludo, independentemente das circunstncias, sejam elas pessoais, sociais, econmicas ou de qualquer outra ndole. Contudo, atualmente, o turismo ainda no uma atividade acessvel a todos os cidados, com especial nfase nas pessoas com mobilidade condicionada ou com outras limitaes de natureza motora, visual, auditiva ou intelectual.

    O desaparecimento ou a atenuao desses impedimentos induzir ao incremento das deslocaes e a uma maior exigncia na prestao de servios tursticos. Esta realidade, conjugada com a promoo de instalaes e servios acessveis, far com que pessoas com mobilidade condicionada e/ou com deficincia se tornem potenciais clientes para o Turismo, constituindo um fator de desenvolvimento econmico significativo.

    O turismo acessvel ou turismo para todos no deve constituir uma questo da exclusiva competncia das autoridades pblicas. A sua promoo e fomento deve ser, tambm, uma prerrogativa dos agentes econmicos do setor (operadores tursticos, agncias de viagens, fornecedores de transporte, alojamento ou gestores dos recursos tursticos) a quem cabe aferir que o turismo para todos , para alm de uma responsabilidade coletiva, uma oportunidade de negcio e uma vantagem competitiva.

    Assim, nos termos da Lei n. 46/2006, de 28 de agosto, importa proporcionar iguais condies a todos os que pretendem usufruir da oferta turstica disponvel, garantindo a ausncia de qualquer prtica ou forma de discriminao, seja ela direta ou indireta.

    A ENDEF Estratgia Nacional para a Deficincia, aprovada pela Resoluo de Conselho de Ministros n. 97/2010, de 14 de dezembro, decorre do Plano de Ao para a Integrao das Pessoas com Deficincias ou Incapacidade (PAIPDI) 2006-2009, bem como das Grandes Opes do Plano para 2010-2013.

    Introduo

  • 5 Guia de Boas Prticas de Acessibilidade na Hotelaria

    Esta Estratgia, que rene um conjunto de medidas de mbito interministerial no respeito pelos princpios subjacentes Conveno sobre os Direitos das Pessoas com Deficincia, apresenta iniciativas plurianuais, distribudas por cinco eixos estratgicos, nas quais o Turismo de Portugal, I.P. participa com o desenvolvimento de diversas aes - das quais se destaca a implementao do presente Guia de Boas Prticas de Acessibilidade na Hotelaria.

    objetivo do Turismo de Portugal, I.P. disponibilizar aos profissionais da hotelaria que prestam servios a clientes com mobilidade condicionada ou com incapacidade, informao tcnica e algumas recomendaes que, atravs de uma maior sensibilizao e conhecimento das necessidades destes clientes, lhes permita uma melhor interao conducente ao incremento da qualidade do atendimento prestado.

    Contudo, este Guia no pretende cobrir exaustivamente todas as necessidades especficas decorrentes dos vrios tipos de deficincia ou incapacidade dos potenciais clientes do sector turstico. De igual modo, no identifica todas as solues de apoio e competncias de atendimento especiais.

    No entanto, afigura-se imprescindvel assegurar a este segmento da procura um maior nvel de autonomia, no pressuposto de que quanto maior for o seu grau de independncia, maior ser a sua satisfao. Assegurando a todos os clientes a utilizao integral das diversas valncias da unidade hoteleira (restaurante, bar, piscina, spa, ginsio, sala de reunies, etc.), to mais eficaz e rentvel ser a sua gesto.

    Por fim, salienta-se que as situaes e recomendaes descritas neste Guia de boas prticas so preferenciais e indicativas e no dispensam a consulta e observncia da legislao aplicvel.

  • Tivoli Victria Hotel Vilamoura - AlgarveAmbientes amplos que permitem a livre circulao de pessoas.

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  • 7 Guia de Boas Prticas de Acessibilidade na Hotelaria

    Existem a nvel nacional e internacional instrumentos que constituem referncias fundamentais no mbito da temtica da defesa dos direitos das pessoas com deficincia/incapacidade ou com mobilidade condicionada:

    1. Enquadramento

    1.1. Polticas e Estratgias

    No caso especfico da atividade turstica, o Turismo constitui um direito de TODOS, conforme se prescreve no art. 7. do Cdigo Mundial de tica do Turismo, que defende que TODOS devem ter a possibilidade de aceder, direta e pessoalmente, descoberta das riquezas do planeta e preconiza que qualquer pessoa deve ter acesso fcil e autnomo aos equipamentos e servios tursticos, independentemente das suas caractersticas ou limitaes de mobilidade.

    Art. 71 Constituio da Repblica Portuguesa

    Assegurar o reconhecimento dos direitos e deveres das pessoas com deficincia

    Conveno sobre os Direitos das Pessoas com Deficincia da ONU (Julho 2009)

    Promover e proteger os direitos fundamentais

    e garantir condies de vida dignas s pessoas

    com deficincia

    Plano de Ao Europeu 2004-2010 da

    Comisso Europeia

    Estratgia da Unio Europeia para a

    Deficincia 2010-2020 Compromisso renovado a favor de uma Europa

    sem barreiras para pessoas com deficincia

    Plano de Ao a favor das Pessoas com

    deficincia 2006-2015 do Conselho da Europa

    Pretende responder s necessidades das

    pessoas com deficincia e incapacidade com servios inovadores e de qualidade

  • 8 Guia de Boas Prticas de Acessibilidade na Hotelaria

    A Administrao Pblica em Portugal tem vindo a prestar cada vez mais ateno aos direitos das pessoas com mobilidade condicionada ou com deficincia/incapacidade, promovendo diversos programas relacionados com esta temtica e que assumem uma importncia estratgica para o desenvolvimento e reconhecimento do Turismo para Todos:

    a) Plano de Ao para a Integrao das Pessoas com Deficincias ou Incapacidade (I PAIPDI 2006-2009): O Plano veio definir os eixos prioritrios, as estratgias e respetivas medidas, com vista a promover a poltica nacional de preveno, habilitao, reabilitao e participao.

    O PAIPDI tinha por subjacentes a Lei de Bases do Regime da Preveno, Habilitao, Reabilitao e Participao das Pessoas com Deficincia (Lei n. 38/2004, de 18 de agosto) e as Grandes Opes do Plano 2005-2009, no que se refere s medidas para "Mais e Melhor Poltica de Reabilitao" enquadradas na Opo "Reforar a Coeso Social, Reduzindo a Pobreza e Criando mais Igualdade de Oportunidades".

    Os objetivos constantes do Plano traduzem-se na criao de medidas de ao destinadas a desenvolver os seguintes princpios:

    Promoo dos direitos humanos e do pleno exerccio da cidadania; Integrao das questes da deficincia e da incapacidade nas polticas pblicas; Acessibilidade a servios, equipamentos e produtos; Qualificao dos recursos humanos / formao dos profissionais

    b) Na sequncia do Plano Nacional para a integrao das Pessoas com Deficincias ou Incapacidade (PAIPDI), surge a Estratgia Nacional para a Deficincia (ENDEF - 2011-2013), que define um conjunto de medidas de mbito interministerial, no respeito pelos princpios subjacentes Conveno da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficincia, com destaque para cinco eixos estruturantes:

    1. Deficincia e multidiscriminao 2. Justia e exerccio de direitos 3. Autonomia e Qualidade de vida4. Acessibilidades e Design para todos5. Modernizao Administrativa e Sistema de Informao

  • 9 Guia de Boas Prticas de Acessibilidade na Hotelaria

    No que diz respeito realidade nacional e segundo os dados oficiais disponveis, existem 634.408 pessoas com algum tipo de incapacidade, numa populao (residente) de 10,3 milhes de indivduos. Ou seja, 6,1% da populao tem uma deficincia. Deste total, o universo masculino representa 53% e o feminino 47%.

    Distribuio da populao com deficincia em Portugal, por tipo de deficincia (%)

    Auditiva 13,2

    25,7

    24,6

    11,2

    2,4

    23,0

    Visual

    Motora

    Intelectual

    Paralisia CerebralOutra Deficincia

    Fonte: INE

    1.2. Dimenso estatstica

    Desagregando por tipologia de deficincia, a taxa de incidncia da deficincia visual a mais elevada, representando 1,6% do total de populao, com a mesma proporo entre homens e mulheres. Os indivduos com deficincia auditiva registam uma percentagem mais baixa (0,8%), apresentando, tambm, valores relativos muito semelhantes entre os dois sexos: 0,9% de homens e 0,8% de mulheres.

    A deficincia motora regista uma maior diferenciao nos valores entre os dois sexos. Nas mulheres esta proporo de 1,3%, nos homens eleva-se a 1,8%. No conjunto da populao, a proporo de indivduos com alguma deficincia enquadrada nesta tipologia cifra-se em 1,5%.

    A populao com deficincia intelectual situa-se nos 0,7%, representando 0,8% na populao masculina e 0,6% na populao feminina.