guia academico direito tributario

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<ul><li><p>1Tributo</p><p>Tributo instituto diferenciado, posto que fere de maneira direta os princpios fundamentais da liberdade, pois no poder o contribuinte exercer liberdade de escolha quanto ao pa-gamento, e da propriedade, porque reduz o patrimnio do contribuinte, acerca do carter material. </p><p>1. Conceito: Tributo toda prestao pecu-niria compulsria, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que no constitua sano de ato ilcito, instituda em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (art.3 do CTN), ou seja: a) obriga-o ex lege: obrigao o vnculo abstrato, de contedo patrimonial, pelo qual o sujeito passivo v-se compelido a dar, a fazer, a no fazer ou a suportar algo em favor do sujeito ativo. Como obrigao ex lege, tem seu nascedouro na lei, sendo, portanto, obriga-trio o pagamento pelo sujeito passivo. Vale lembrar que vedado, em nosso ordenamento tributrio, o chamado tributo in natura; aquele que permite o pagamento com a mercadoria comercializada, bem como proibido o tributo in labore, que o pagamento com o trabalho do sujeito passivo em favor do fisco. Nessa vereda, de se afirmar que a capacidade tributria passiva no depende da capacidade civil do sujeito passivo (art. 126, I do CTN); basta, portanto, realizar o fato imponvel para estarmos diante da obrigao de levar dinheiro aos cofres pblicos; b) obrigao em moeda (ou cujo valor nela se possa exprimir): o conceito legal de tributo determina que seu pagamento deva ser realizado apenas em dinheiro corrente. Todavia, utiliza a expresso ou cujo valor nela se possa exprimir, abrindo margem ao aceite de coisa em pagamento, excepcionalmente, e desde que expressa-mente previsto em lei. Por tal realidade, com o advento da LC 104/01, acrescentou ao artigo 156 do CTN o inciso XI, permitindo a dao em pagamento em bens imveis, na forma e condies estabelecidas em lei; c) o tributo no se constitui sano por ato ilcito: o tributo apenas poder atingir fatos imponveis lcitos, previstos em lei, portanto se conclui que jamais poder representar penalidade pela prtica de ato ilcito. Denota-se dizer que o fato imponvel do imposto de renda auferir renda de qualquer natureza, razo pela qual ainda </p><p>que a renda seja arrecadada por meio de prticas ilcitas, o fato imponvel lcito (renda de qualquer natureza), portanto ir incidir na tributao. Frisa-se, ainda, que sano por ato ilcito pode ser considerado a multa, com carter monetrio, que deve ser aplicada quando diante de atos ilcitos. Conclui-se que multa no tributo, razo pela qual no se aplicam os princpios tributrios a elas. Quanto aos objetivos, tambm divergem o tributo e a multa. O primeiro preocupa-se, primordialmente, com a arrecadao e a segunda, com a preveno e sano. Importante asseverar que o desinte-resse s origens remotas do valor tributado, a chamada teoria do non olet, expresso esta que significa no tem cheiro; d) obrigao cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada: a autoridade administrativa dever cobrar o tributo de forma pr-estabelecida em lei, ou seja, dever seguir rigorosamente os padres legais, sob pena de nulidade da cobrana, por tal razo, o ato vinculado devendo seguir os rigores da lei. A forma de cobrana tributria se d por atividade administrativa vinculada denominada lanamento fiscal.</p><p>Espcies tributrias</p><p>Compreendem os Impostos; Taxas; Contribuies de melhoria (art.5 do CTN). Seguindo orientao pacfica do STF, compreendem, alm das trs espcies: emprstimos compulsrios; contribui-es especiais.</p><p>1. Imposto: prestao pecuniria exigida dos particulares, via administrativa, a ttulo definitivo e sem contrapartida, tendo por finalidade manter as atividades do Estado e a satisfao das ne-cessidades pblicas, cuja obrigao tem por fato gerador uma situao independente de qualquer atividade estatal especfica relativa ao contribuinte. O fundamento do imposto tem validade no poder de imprio da entidade tributante, nascendo sempre de fatos regidos pelo Direito Privado.1.1. Competncia dos impostos: a) impostos federais (art.153 da CF): Imposto sobre Im-portao (II); Imposto sobre a Exportao (IE); Imposto sobre a Renda e Proventos (IR); Imposto de Produtos Industrializados (IPI);Imposto sobre Operaes Financeiras (IOF); Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR);Imposto sobre grandes fortunas (IGF); b) impostos estaduais e do Distrito Federal (art.155 da CF): Imposto sobre Transmisso Causa Mortis e Doaes (ITCMD);Imposto sobre Operaes Mercantis (ICMS); Imposto sobre Propriedade de Veculos </p><p>Automotores (IPVA); c) impostos municipais e do Distrito Federal (arts. 156 e 147 in fine da CF): Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU); Imposto sobre Transmisso Inter Vivos (ITBI); Imposto sobre Servios (ISS); d) Distrito Federal (arts. 155, capute 147da CF):pode criar os impostos estaduais e municipais, chamada competncia impositiva dobrada; e) impostos residuais: a Unio tam-bm possui a competncia impositiva residual, pois sempre poder criar imposto, limitando-se, apenas, aos impostos e no a qualquer tributo, devendo ser institudos mediante lei complementar, que sejam no-cumulativos e no tenham fato gerador ou base de clculo prprios dos impostos discriminados na CF; f) impostos extraordinrios (art. 154, II CF): a Unio, outrossim, pode instituir impostos extraordinrios na iminncia ou no caso de guerra externa, compreendidos ou no em sua competncia tributria. 1.2. Classificao dos impostos: a) pesso-ais: so aqueles impostos que estabelecem diferenas tributrias dependendo da condi-o prpria do contribuinte. Ex.: IR; b) reais: aqueles que no levam em considerao as condies do contribuinte, isto , incide de forma igual para todas as pessoas. Ex.: IPTU; c) diretos: quando numa s pessoa se renem as condies de contribuinte de direito (aquele que responsvel pelo cumprimento de todas as obrigaes tributrias previstas na legisla-o, porque foi ele quem praticou o fato gera-dor do tributo) e de fato (aquele sobre quem recai o nus do imposto). Ex.: IR; d) indiretos: quando, na relao jurdico-tributria que se forma entre o Estado e o sujeito passivo, o mesmo paga o tributo correspondente e se ressarce cobrando de terceiro, por meio da incluso do imposto no preo. Aquele que paga o imposto e mantm a relao pessoal e direta com o Estado denomina-se contribuinte de direito; o terceiro estranho relao jurdico-tributria, embora vinculado ao fato gerador, denominado de contribuinte de fato (porque de fato foi ele quem suportou o nus do imposto). o fenmeno econmico da transladao ou repercusso dos tributos (ICMS, IPI). O CTN estabelece que a repetio dos chamados impostos indiretos s possvel quando o contribuinte de direito no tiver repassado ao contribuinte de fato a carga econmica do tributo ou quando, tendo havido tal repasse, o contribuinte de direito estiver expressamente </p><p>DIREITO TRIBUTRIO</p></li><li><p>2autorizado pelo contribuinte de fato a ingressar com o pedido de repetio (art.166).</p><p>2.Taxa: o tributo cuja incidncia depende de atuao especfica e relacionada ao prprio contribuinte, podendo ocorrer em decorrncia da prestao de um servio pblico ou com o exerccio do poder de polcia. A tarifa o preo pblico pago pela utilizao de servios facultativos que a Administrao Pblica ou seus delegados colocam disposio da po-pulao (a diferena entre taxa e preo pblico encontra-se na Smula 545 do STF). Nesse prisma, a taxa um tributo que tem como fato gerador uma atuao estatal especfica relativa ao contribuinte, tornando-se, com isso, um tributo vinculado (no podendo ter base de clculo prpria de impostos, consoante art. 145, 2, da CF). A pessoa competente para instituir e cobrar taxas a pessoa jur-dica de Direito Pblico que seja efetivo para a realizao da atividade qual se vincule o fato gerador respectivo (art. 80 do CTN). So modalidades de taxas: a) taxa de servio: tem por hiptese de incidncia um servio pblico especfico e divisvel, ou seja: 1) especficos/singulares: so os servios que alcanam as pessoas individualmente consideradas, referindo-se diretamente a determinada pes-soa (uti singuli). Tais servios so dotados de divisibilidade; 2) divisveis: a possibilidade de o contribuinte aferir a utilizao efetiva ou potencial, individualmente considerada. No Brasil, a taxa pode ser cobrada de quem efe-tivamente utiliza-se do servio pblico ou de quem tem a disponibilidade do servio pblico divisvel; b) taxa de polcia: a taxa de polcia decorre do regular exerccio de atividades ad-ministrativas fundadas no mencionado poder, que pode ser definido como a faculdade que possui o Estado de restringir ou condicionar o exerccio de direitos individuais em razo do interesse pblico e social.</p><p>3. Contribuio de Melhoria: tem por hiptese de incidncia uma atuao estatal diretamente referida ao contribuinte, tendo como fato ge-rador a valorizao do imvel do contribuinte em razo de obra pblica. Os beneficirios diretos da obra arcam com seu custo, total ou parcialmente, tornando-se, portanto, tributo vinculado, ressaltando que, mencionado tribu-to, s pode consistir em obra pblica, conforme determina o artigo 145, III, da CF. Ressaltando que obra pblica a edificao, a ampliao ou a reforma total de um bem imvel pertencente ou incorporado ao patrimnio pblico, necessi-tando que essa obra pblica cause valorizao imobiliria, entre a obra pblica e a valorizao imobiliria deve haver uma relao de causa-lidade. Somente pode haver a cobrana do mencionado tributo depois que a obra pblica estiver concluda, quando, s ento, se perce-ber o quanto valorizou o imvel, em funo de sua realizao. Sua base de clculo e alquota devem ser apontadas em lei, sendo que a base de clculo possvel da contribuio de melhoria o quantum da valorizao experimentada </p><p>pelo imvel em decorrncia da obra pblica reali-zada em suas imediaes e alquota possvel da contribuio de melhoria um percentual desse quantum. Assim, fica claro que esse um tributo social, pois visa devolver sociedade uma parte do enriquecimento sem causa, j que o dono do imvel valorizado por uma obra pblica, custeada pela sociedade, paga a contribuio de melhoria. Finalmente, tem competncia para instituir e cobrar contribuio de melhoria pessoa poltica (Unio, Estados, DF e Municpios) que tem atribuio para a realizao dos trabalhos. </p><p>4. Emprstimos Compulsrios: conforme deter-mina a hiptese de incidncia, podero assumir quaisquer formas que correspondam s espcies de tributo, sendo imposto, taxa ou contribuio de melhoria, porm normalmente, os emprstimos compulsrios acabam revestindo-se da natureza de imposto. Somente pode instituir emprstimos compulsrios a Unio, por meio de lei complemen-tar, e, quando o fizer, dever permanecer dentro de seu campo de competncia tributria e a aplicao dos recursos provenientes desse tributo deve ser vinculada despesa que o fundamentou, conforme determina o artigo 148, pargrafo nico da CF. Para atender a despesas extraordinrias, decorrentes de calamidade pblica, de guerra externa ou sua iminncia; nesses casos no se aplica o princpio da anterioridade, pois as situaes expostas nesse inciso so urgentes e de graves propores, ou seja, so incompatveis com a cobrana no exer-ccio financeiro seguinte. No caso de investimento pblico de carter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, b, a aplicao do princpio da anterioridade obrigatria por expressa previso constitucional. A restituio do emprstimo compulsrio obri-gatria e, para tanto, a lei instituidora dever fixar o prazo e as condies do resgate. A restituio dever ocorrer em moeda, no seu valor integral e atualizado, para no caracterizar confisco.</p><p>5. Contribuies Parafiscais: so tributos arre-cadados por pessoas diversas daquelas que os instituram; isso ocorre quando h delegao da capacidade tributria ativa com a conseqente utilizao do montante arrecadado pela entidade autorizada. A esse fenmeno d-se o nome para-fiscalidade. Conforme sua hiptese de incidncia, a contribuio parafiscal poder revestir-se da na-tureza de imposto ou de taxa, sendo instituda pela Unio com base nos artigos 149 e 195 da CF. </p><p>6. Contribuies Sociais: so classificadas em contribuio social de interveno no domnio econmico e contribuio social de interesse de categorias econmicas ou profissionais, destinada a propiciar a organizao dessas categorias, for-necendo recursos financeiros para a manuteno de entidade associativa. Para a instituio de contribuies sociais devem ser observados os princpios da legalidade e da anterioridade, con-forme determina a CF. As contribuies sociais de interveno no domnio econmico possuem carter extrafiscal e as de interesse de categorias econmicas ou profissionais e de seguridade social possuem carter parafiscal. A Unio pode criar, </p><p>por meio de lei ordinria, taxas ou impostos relacionados a quaisquer desses fins, dentro do seu campo de competncia. Com isso, tais contribuies no caracterizam nova espcie de tributo, mas taxas ou impostos de finalidade especfica.</p><p>7. Contribuies para a Seguridade Social: so importantes espcies de contribuio social, disciplinada pelo art. 195, I, II e III, 6 e ainda pelos arts. 165, 5 e 194, VII, da CF. So tributos destinados ao custeio da Seguridade Social, financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos oramentos da Unio, dos Estados, do DF e dos Municpios.</p><p>Classificao dos tributos</p><p>1.Classificao dos Tributos: a) quanto competncia impositiva: 1) Federais: cria-dos pela Unio (II; IE; IR; IPI; ITR; IOF; IGF); 2) Estaduais: criados pelos Estados e DF (ITCMD; ICMS; IPVA); 3)Municipais: criados pelos Municpios e DF (IPTU; ITBI; ISS); b) quanto ao exerccio da competncia: 1) privativos: a competncia para criao atribuda a determinado ente com carter de exclusividade. Ex. Impostos, emprstimos compulsrios e contribuies especiais; 2)comuns: a competncia para criao atri-buda indiscriminadamente a todos os entes polticos. Ex. Taxas e contribuies de melho-ria; 3)residuais: a CF atribui exclusivamente Unio competncia para instituir tributos ainda no previstos. Ex. novos impostos; c) quanto ao objetivo da tributao: 1) fiscais: finalidade arrecadatria (IR; IPVA; ICMS); 2) extrafiscais: finalidade interventiva (IPI; IOF; CIDE); 3) parafiscais: finalidade de arrecadar para atividades especficas. Ex. Contribuies sociais e cooperativas; d) quanto hiptese de incidncia: 1) vinculados: cobrana de-pende de atividade estatal especfica relativa ao contribuinte (Taxas e contribuio de melho-ria); 2) no vinculados: cobrana independe de atividade estatal especfica relativa ao con-tribuinte. Ex. Impostos; e) quanto ao destino da arrecadao: 1) arrecadao vinculada: os recursos arrecadados podem ser utilizados em atividades determinadas. Ex. Emprstimo Compulsrio, custas e emolumentos; 2) arrecadao no vinculada: os recursos arrecadados somente podem ser utilizados em qualquer despesa prevista no oramento. Ex. Impostos; f) quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da hiptese de incidncia: 1)reais: incidem objetivamente sobre as coisas, desprezando aspectos subjetivos. Ex...</p></li></ul>