Guerra do Paraguai: um conflito anunciado (1852 a 1864)

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  • GUERRA DO PARAGUAI: UM CONFLITO ANUNCIADO (1852 A 1864)

    Ney Iared Reynaldo1

    Resumo

    Nesse artigo, analiso os fatores regionais que, na provncia de Mato Grosso,

    contriburam para a deflagrao da Guerra do Paraguai. A fronteira, aqui privilegiada,

    aborda o sentido territorial e concebida como expresso dinmica da ocupao do

    territorial por distintas sociedades. Assim, compreender a crescente supremacia da

    fronteira-linha, em detrimento da fronteira-zona, no espao banhado pelo rio Paraguai.

    Focalizo, principalmente, os anos de 1852 a 1864, perodo que inicia com a

    liberalizao do rio da Prata navegao internacional, fato que recuperou a navegao

    at o Atlntico para as comunidades ribeirinhas brasileiras e paraguaias que viviam nas

    margens do rio Paraguai. Na Provncia de Mato Grosso (Brasil) e no Departamento de

    Concepcin (Paraguai), foi vivenciada uma experincia de fronteira de conflitos e

    intercmbios durante o perodo colonial (sculo XVIII).

    Introduo

    A dcada de 1850 foi um perodo de importantes mudanas na navegabilidade

    do rio Paraguai. A partir de 1852, ocorreu o retorno da internacionalizao das guas da

    bacia do rio da Prata2, levando as populaes brasileiras e paraguaias que viviam em

    suas margens a fazerem dele melhor uso, ao mesmo tempo, iniciou-se uma disputa entre

    Brasil e Paraguai, no que diz respeito livre circulao de navios brasileiros em toda

    extenso do rio, ou seja, at a sua confluncia com o rio Paran.

    A problemtica da livre navegao no rio Paraguai ligava-se a uma dupla

    questo: de um lado, ela era poltico-estratgica, pois envolvia a defesa, pelo Governo

    Imperial, da via fluvial que melhor daria acesso das provncias litorneas a do Mato

    1 Doutor em Histria pela UNISINOS, docente do Departamento de Histria da Universidade Federal de

    Mato Grosso, Campus Universitrio de Rondonpolis. E-mail: neyhis@yahoo.com.br 2 Quando Rosas assumiu o poder na Provncia de Buenos Aires (Argentina), em 1829, imps o bloqueio

    do rio Paran e usou, como fundamento jurdico, a inexistncia de um tratado definitivo que regulasse a questo do uso dos rios. O resultado dessa poltica foi o isolamento do Paraguai e das provncias interioranas de Corrientes, Entre-Ros e Crdoba, do lado argentino e, parcialmente, de Mato Grosso, j que a Provncia mantinha contato, ainda que deficitrio, com a sede do Imprio, atravs de vias de comunicao fluviais.

  • Grosso; de outro lado, estava presente uma questo econmica, posto que esta provncia

    estava diretamente associada ao comrcio da regio platina.

    Logo aps as independncias, o Brasil pressionou o Paraguai pelo

    estabelecimento de negociaes acerca da livre navegao do rio Paraguai. Segundo

    Kroeber (1967), na segunda metade do sculo XIX, os rios compartilhados entre dois

    ou mais pases passaram a constituir tema das mesas de negociao entre as potncias

    interessadas no escoamento de suas manufaturas e manufaturados de mercadorias

    necessrias3.

    No entanto, esses debates sobre abertura da navegao internacional pelo rio

    Paraguai tinham relao com outra preocupao do Imprio, ou seja, a integridade

    territorial do Estado brasileiro e, por conseguinte, a sua prpria unidade. Visava a

    impedir que a provncia de Mato Grosso viesse a ser tomada por tendncia separatista

    na rea fronteiria com as repblicas platinas, em decorrncia da distncia em relao

    sede do Imprio. Para isso, buscavam marcar presena numa regio considerada

    estratgica para a segurana interna, o que se refletia nos discursos a favor dessa

    abertura e sua importncia poltica e econmica4. A fala do deputado da provncia de

    Mato Grosso, Manoel Monteiro, ilustra como os interesses do Governo central

    encontravam eco na Provncia:

    No ser preciso gastar muito para demonstrar aos Snrs. as vantagens desta liberdade de navegao. Basta saber que a Provncia de Mato Grosso uma das provncias mais longnquas da capital e da costa e que contm em si elementos de prosperidade e grandes riquezas5.

    O rio Paraguai o segundo em extenso fluvial da Amrica do Sul.

    Considerado um dos mais majestosos e de mais segura navegao do mundo,

    indubitavelmente a melhor e a mais fcil entrada da provncia de Mato Grosso6 por

    formar um estiro, correndo na direo norte-sul. Percorre mais de dois mil quilmetros,

    antes de desaguar na bacia do Prata, situando-se dois teros de sua extenso em 3 KROEBER, C. B. La navegacin de los ros en la historia argentina. Buenos Aires: Paidos, 1967, p.

    105. 4 Para maiores esclarecimentos sobre a questo da integridade territorial que envolvia a conservao de

    Mato Grosso, veja-se BECKER, B. K.; EGLER, C. A. G. O Brasil: uma nova potncia na economia-mundo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1993, p. 61.

    5 MONTEIRO, M. Discurso. Sesso de 09/03/1843, Annaes do Parlamento do Imprio, t. 2, p. 154. 6 FONSECA, J. S. da. Viagem ao redor do Brasil (1875-1878). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exrcito,

    1952, p. 120-121.

  • territrio brasileiro (1.693 km2)7. A seguir, num curto trecho de seu percurso, divide o

    Brasil do Paraguai, para, antes de juntar-se ao rio Paran, transitar apenas em territrio

    paraguaio. Ao longo da parte do rio que separa os dois pases se constituiu, at o final

    da Guerra do Paraguai, uma rea de disputa e de intercmbios, na qual nossa anlise vai

    se concentrar (ver figura 1).

    7 De acordo com ACADEMIA DA ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (ADESG). Navegao fluvial.

    Rio de Janeiro: Biblioteca do Exrcito, 1940, p. 109, o rio Paraguai considerado rio de baixada, sua profundidade mdia de 2,5 a 4 metros. navegvel em 90% do seu curso, o que permitiu o trfego de embarcaes de cinco ps de calado, pesando at 280 toneladas. Passa por Cceres no Mato Grosso indo desaguar no Rio Paran, aproximadamente a quarenta quilmetros ao norte da cidade de Corrientes, na Argentina. Sua jurisdio est dividida entre os 4 pases, estando 375 quilmetros compreendidos entre a sua confluncia com o rio Paran e a boca do rio Pilcomayo, de jurisdio entre Paraguai e Argentina; 553 quilmetros entre a boca do Pilcomayo e a do rio Apa, de jurisdio paraguaia; 336 quilmetros entre a boca do rio Apa e a do Rio Negro, de jurisdio repartida entre o Brasil e o Paraguai; 48 quilmetros entre a boca do rio Negro e o marco Setentrional, que serve de limite entre o Brasil e a Bolvia, de jurisdio comum aos dois pases; e 1.238 quilmetros compreendendo o marco brasileiro-boliviano e suas nascentes, de jurisdio do Brasil.

  • Figura 1 - Localizao da rea sob litgio antes de 1862. Fonte: Elaborado pelo autor com base em Corra (1980, p. 42).

    Os desentendimentos entre brasileiros e paraguaios em relao a essa rea tm

    sua origem no Tratado de Santo Ildefonso (1777). A principal discordncia diz respeito

    a uma clusula deste Tratado que reconhecia ser espanhol um territrio de mais de

    duzentos quilmetros que j era ocupado pelos luso-brasileiros. Na fase independente, a

    deciso de Juan Manuel de Rosas de bloquear os trechos argentinos dos rios da bacia do

    Prata navegao internacional colocou Brasil e Paraguai lado a lado na luta pela livre

  • navegao. Aps a derrota de Rosas em fevereiro de 1852, entretanto, paraguaios e

    brasileiros viram novamente o quanto seus interesses eram conflitivos no que diz

    respeito ao rio Paraguai e posse das terras por ele banhadas. O Governo brasileiro,

    como vitorioso, sentiu-se no direito de garantir a livre navegao dos rios Paran e

    Paraguai, ocupando ou apoiando a ocupao de pontos estratgicos8. Por sua vez, os

    paraguaios, que passaram a restringir o livre trnsito no trecho do rio que passava

    exclusivamente por seus domnios, justificavam o controle livre navegao do rio

    Paraguai, alegando questo de soberania.

    A unidade poltico-administrativa do Brasil na qual o rio Paraguai nasce e

    percorre seu trajeto brasileiro o atual estado de Mato Grosso. No perodo imperial, era

    a provncia do Mato Grosso que vivenciava diretamente as questes fronteirias e a

    disputa pela navegabilidade do rio Paraguai. Considerando o novo contexto que se

    instalara no ano de 1852, Augusto J. M. Leverger9, presidente da provncia de Mato

    Grosso, decidiu-se pela ocupao do Fecho dos Morros no lado oriental do rio Paraguai,

    rea de suma importncia para pretenses geoestratgicas do Estado brasileiro. Tal ato

    indignou o Governo paraguaio, que evocava o poder legtimo sobre o local contestado.

    A reao paraguaia foi imediata, a ponto de organizar uma fora tarefa militar para

    expulsar os mato-grossenses. O incidente, ainda que tenha sido resolvido pelas vias

    diplomticas, alertou o Gabinete Imperial da frgil estrutura da defesa no sul de Mato

    Grosso e serviu como um indicativo de que, naquela rea, poderia iniciar-se uma guerra

    entre os dois pases10.

    A tese desenvolvida que, antes mesmo do conflito com o Paraguai (1864-

    1870), j existiam elementos que evidenciavam instabilidade na Provncia e que eles

    poderiam ser referidos como condicionantes necessrios para a ecloso da Guerra do

    Paraguai. Assim sendo, pode-se afirmar que os mato-grossenses, situados na regio de

    fronteira, estavam cientes de que a invaso iria acontecer a qualquer momento, s

    8 A livre navegao era de interesse comercial e estratgico para o Brasil, pois a conexo entre as bacias

    do Prata e Paraguai era o caminho mais rpido entre o Rio de Janeiro e Mato Grosso. 9 Augusto Joo Manoel Leverger (1802-1880), natural de Saint-Mal, Bretanha, Frana, atuou por longos

    anos na poltica mato-grossense. Aps ter sido nomeado para o seu primeiro mandato como Presidente da Provncia, em 1851, permaneceu mais de seis anos no poder. Retornou por duas vezes como vice-presidente e depois novamente como presidente. Em 1865, por ocasio da invaso paraguaia, defendeu Cuiab, fez construir fortificaes em Melgao. O Governo Imperial, por decreto de 7 de julho de 1865, concedeu-lhe o ttulo de baro. A convite do Imperador Pedro II, exerceu misses diplomticas no Paraguai. MENDONA, R. Dicionrio biogrfico mato-grossense. Cuiab: Instituto Histrico e Geogrfico de Mato Grosso, 1971, p. 86-87.

    10 A invaso do Fecho dos Morros, no lado paraguaio e suas implicaes geoestratgicas para o Imprio brasileiro e navegao do rio Paraguai para provncia de Mato Grosso, ser analisada no captulo 4.

  • restava saber quando, pois, quanto ao local, j se supunha ser pelo rio Paraguai. Grande

    maioria dos habitantes da Provncia estava consciente dos preparativos paraguaios para

    um conflito, e a guerra era sentida como anunciada.

    O ano de 1852, se deu a liberalizao da navegao na bacia do Prata e o final,

    de 1864, ocorreu a invaso paraguaia no sul de Mato Grosso. Nesse perodo, cresceu a

    importncia da navegao no rio Paraguai para os brasileiros, tanto no que diz respeito a

    aspectos econmicos, quanto ao tempo despendido e segurana do transcurso. S para

    exemplificar, uma viagem de Cuiab a Corumb levava em mdia de 50 a 60 dias,

    enquanto que, pelo rio Paraguai, essa distncia era vencida pela metade do tempo.

    Identificando a fronteira

    O conceito de fronteira fundamental do ponto de vista terico, v-se a

    necessidade de esclarecer qual o conceito de fronteira a que est apropriando. Embora

    esse conceito seja difuso, tanto na retrica diplomtica como em grande parte dos

    ensaios sociais e estudos histricos, uma de suas caractersticas a duplicidade:

    fronteira foi e , simultaneamente, um objeto/conceito e um objeto/metfora11. Parece

    haver consenso, de uma parte, de que h fronteiras fsicas, territoriais e, de outra,

    fronteiras culturais, simblicas12. Em verdade, ambas as modalidades se misturam13.

    A fronteira aqui abordada se configura preferencialmente em seu significado

    territorial. Ela ser vista como expresso da dinmica que imprime a ocupao de um

    determinado territrio por distintas sociedades. Com o conceito de fronteira, busca-se

    compreender, por um lado, a construo histrico-econmica de um espao e, por outro,

    as relaes que se estabelecem entre as sociedades que disputam e, ao mesmo tempo,

    compartilham esse espao14.

    Sendo assim, essa noo indica algo mais do que a simples demarcao

    territorial. Mas um espao geogrfico, onde Estados e sociedades esto

    incorporando/disputando territrios e onde se esto imprimindo processos sociais e

    11 GRIMSON, A. Fronteras, nacionales e identidades: la Periferia como centro. Buenos Aires: Ciccus,

    2000, p. 211. 12 Ibid., p. 212. 13 Cf. CHESNEAUX, J. Hacemos tabla rasa del pasado? a propsito de la historia y de los

    historiadores. Ciudad del Mxico: Siglo Veintiuno, 1981. 14 Segundo o gegrafo Milton Santos, espao considerado, em ltima instncia, uma totalidade social,

    ou seja, um conjunto de formas produzidas pela interao de mltiplas variveis ao longo da histria, moldadas por relaes sociais e expressas pelas suas aes (SANTOS, M. Da totalidade ao lugar. So Paulo: Hucitec, 1979, p. 17-35).

  • organizao institucional, os quais pressupem a vinculao dinmica de sociedades

    distintas, rea de contato de formaes sociais diversas15.

    Ao tratarmos de um espao em que historicamente se fazem presentes disputas

    ou tenses16, como o que compreende as terras junto ao rio Paraguai, defende-se que

    nele, concomitantemente, se processam intercmbios comerciais, sociais e culturais, o

    que permite concluir que os dois tipos de fronteira identificados por Chesneuax (1981),

    ali, no so excludentes. O que pode haver, em momentos e circunstncias distintas, a

    prevalncia de um tipo sobre o outro. No caso da fronteira analisada, a situao de

    disputa e tenso tendeu a crescer e a se agravar.

    Percorrendo a historiografia

    A reviso historiogrfica sobre os antecedentes da Guerra do Paraguai permite

    perceber que o tema proposto ainda no foi analisado pela histria regional mato-

    grossense. Por conseguinte, abordagem que a historiografia nacional faz da Guerra do

    Paraguai sempre privilegiou, tanto em suas origens como nos desdobramentos, aspectos

    que afetavam diretamente os interesses nacionais e internacionais. Nesse sentido, sua

    contribuio regional permite a possibilidade de incluso de novos dados na

    interpretao histrica acerca da Guerra.

    A historiografia regional contribui com vrios estudos. De maneira geral, ela

    privilegia o perodo colonial principalmente. Consagra, para Mato Grosso, o papel de

    provncia importante para dificultar a chegada dos inimigos estrangeiros s regies mais

    importantes do Brasil17. Trata do processo de ocupao do interior do Brasil como ato

    estimulado pelo prprio movimento expansionista da Coroa, reservando a Mato Grosso

    o papel de guardio ou consolidador das fronteiras no sculo XVIII, enfim de antemural

    protetor para regies mais desenvolvidas, como Minas Gerais ou So Paulo18.

    15 CHESNEAUX, J. Hacemos tabla rasa del pasado? a propsito de la historia y de los historiadores. Ciudad del

    Mxico: Siglo Veintiuno, 1981. 16 VILAR, P. Iniciacin al vocabulario del anlisis histrico. Barcelona: Critica Grijalbo, 1982, p. 147-148. 17 SILVA, J. V. da. Mistura de cores: poltica de povoamento e populao na Capitania de Mato Grosso - sculo

    XVIII. Cuiab: Editora da Universidade Federal de Mato Grosso, 1995. 18 A expresso antemural, surgiu pela primeira vez nas exploraes do capito-general Antonio Rolim de Moura

    Tavares, em 1751, quando de sua chegada a Mato Grosso. O termo reaparece como ttulo da obra do visconde de Taunay. TAUNAY, A. dE. Augusto Leverger, Almirante Baro de Melgao, antemural do Brasil em Matto-Grosso, com um complemento da lavra de Virgilio Correa Filho. So Paulo: Melhoramentos, 1931.

  • No que se refere economia mato-grossense, a crise da minerao no

    provocou a estagnao, mas sim um rearranjo das foras produtiva, pois a manuteno

    de certos elementos representativos do mercado interno teria levado a uma substituio

    de importaes, em especial a substituio dos gneros de abastecimento19.

    Nesse aspecto, Lenharo (1982) argumenta como Mato Grosso foi se integrando

    a um mercado inter-regional com a venda de gado vacum aos mercados de Gois, So

    Paulo, Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Para ele, no perodo de 1852 e 1864, essas

    atividades se fortaleceram com o deslocamento do eixo econmico que vinculava Mato

    Grosso ao Gro-Par e Maranho para o que o vinculava ao Prata (rio Paraguai).

    Sustenta a tese de que o capital acumulado na poca do auge minerador, junto com a

    explorao da mo de obra escrava, foi reinvestido nas atividades agrcolas, pecurias e

    no comrcio intra e inter-regional.

    Corra Filho (1994), atento ao aspecto poltico-administrativo, fornece pistas

    de como a economia de contrabando foi se organizando na fronteira e de como foram se

    estabelecendo as trocas comerciais, no sculo XIX, com um Paraguai isolado e ps-

    independente na ditadura de Francia e da poltica de abertura de Carlos A. e Francisco

    S. Lpez20. J, Alves (1984), o capital do comrcio da poca da minerao constituiu a

    formao da casa comercial em Mato Grosso. Sustenta, ainda, que, com a abertura da

    navegao do rio Paraguai, em 1852, o capital financeiro foi introduzido na Provncia

    por meio desses estabelecimentos comerciais.

    Do ponto de vista da produo bibliogrfica nacional, poucos so os estudos

    que recuperam as investigaes realizadas em mbito regional. Mesmo assim, temos as

    contribuies de alguns autores. Para Menezes (1981) os antecedentes do conflito

    estavam em jogo, questes de poltica local, que inclusive a justificaram para seus

    protagonistas21.

    Doratioto (2004) um dos poucos autores atualmente que tm se preocupado em

    fazer uma anlise mais cuidadosa do ponto de vista regional do conflito, trazendo

    detalhes, ainda que parciais, sobre a provncia de Mato Grosso22.

    19 LENHARO, A. Crise e mudana na frente oeste da colonizao. Cuiab: Editora da Universidade

    Federal de Mato Grosso, 1982. 20 CORRA FILHO, V. Histria de Mato Grosso. Vrzea Grande: Fundao Julio Campos, 1994. 21 MENEZES, A. da M. Solano Lopez, o partido Blanco e a Guerra do Paraguai. Nova Orleans:

    Tulane University, 1981. 22 DORATIOTO, F. F. M. Maldita guerra: nova histria da Guerra do Paraguai. So Paulo: Companhia

    das Letras, 2004.

  • Quanto a historiografia paraguaia acerca dos antecedentes do conflito e a

    invaso do Mato Grosso. De incio, percebe-se que grande parte da produo

    historiogrfica tradicional paraguaia atribui o territrio que compreendia a

    capitania/provncia de Mato Grosso como extenso de territrio guarani. Autores como

    Pereira (1962)23, Sandino (1963)24 e Marco (1965)25, se utilizavam de fontes oficiais

    paraguaias, tais como as cartas confidenciais do presidente Francisco Solano Lpez

    trocadas com seus comandados, tendo duas delas apresentado um traado do vale do

    Paraguai que conservava o estabelecido no tratado de Madri, de 175026.

    Tambm se utilizavam do determinismo geogrfico. O historiador paraguaio

    Gonzlez (1862), na segunda metade do sculo XIX e a servio de seu Governo,

    justificava o controle total da navegao do rio Paraguai em Mato Grosso para beneficio

    da Repblica do Paraguai, por acreditar que a prpria natureza e curso do rio depunha

    a favor de tal princpio27.

    Sobre invaso militar do Mato Grosso pelo Paraguai, a historiografia

    paraguaia a justifica como necessria e que o pas estava preparado para enfrentar o

    Imprio brasileiro. Entre os exemplos, Benites (1906), narra os preparativos e os

    ataques-relmpagos em Mato Grosso, bastante comemorados depois, em Assuno28.

    Baez (1990) reconhece a necessidade dos Lpez de mudar a imagem de um Paraguai

    autossuficiente e isolado, para um Paraguai mais atento aos acontecimentos em seu

    entorno, sobretudo, com o Imprio brasileiro29.

    Dentre os outros autores paraguaios e estrangeiros, como Box (1936), revela os

    diferentes contatos que vinham ocorrendo entre os brasileiros e os paraguaios nas

    atividades de comrcio e navegao no rio Paraguai. No tocante s relaes de fronteira,

    23 PEREIRA, C. Solano Lpez y su drama. Buenos Aires: Ediciones de la Patria Grande, 1962, p. 7-8. 24 SANDINO, F. B. Las pierdas territoriales del Paraguay. Asuncin: La imprenta Nacional, 1963. 25 MARCO, M. A. de. La Guerra del Paraguay. Buenos Aires: Planeta, 1965. 26 No lbum Grfico de la Republica del Paraguay, cuja Primeira Edio de 1910, Mato Grosso

    tambm tratado como um territrio usurpado pelos luso-brasileiros, pois sua ocupao desrespeitava a prpria doutrina que defendia o uti possidets. Segundo seus autores, esse texto ensina que os paraguaios eram donos por direito das terras alm do Apa, por se tratar de uma herana jesutica que, aps a sua expulso, teriam sido incorporadas ao patrimnio paraguaio. Tese, alis, tambm defendida por Francisco Solano Lpez.

    27 GONZALEZ, Jorge D. B. Matto-Grosso, es paraguayo. El Semanario, Asuncin, n. 123, 20 out. 1862. 28 BENITEZ, G. Anales Diplomtico y Militar de la Guerra del Paraguay. Asuncin: Estabelecimiento

    Tipogrfico de Muoz Hunos, 1906. t. 1. 29 BAEZ, C. Antonio Carlos Lpez: estruturao del Estado Paraguayo. Asuncin: Shaumann, 1990, p.

    98-105.

  • afirma que teria existido, por parte de comerciantes e exportadores, uma oposio

    ao blica, por ser prejudicial s atividades econmicas na regio30.

    J, Rivarola (1958) traz relato sobre as atividades comerciais desenvolvidas

    com os mato-grossenses por meio da Vila Real de Concepcin e o desdobramento

    poltico ocasionado pela transferncia deste posto de comrcio para o porto de Itapu,

    mais ao sul31.

    Chaves (1968) focaliza o Governo de Carlos A. Lopez, destacando as inmeras

    denncias que ele realizou em relao criao das colnias militares e s intenes do

    Governo Imperial brasileiro no que diz respeito livre navegao do rio Paraguai32.

    O historiador norte-americano Williams (1969), analisa a Histria paraguaia,

    sustentando que, mesmo com a ditadura francista, houve um contnuo intercmbio

    comercial com o rio da Prata e o Brasil, realizado principalmente em Pilar, Concepcin

    e Itapu. Para ele, apesar de sua estrutura produtiva e do seu restrito mercado interno, a

    economia paraguaia no podia manter-se totalmente isolada33.

    Os preparativos de um conflito

    Como se pode observar, os conflitos entre a provncia de Mato Grosso e o

    Paraguai no sculo XIX ainda pode ser estudado a partir de outros referenciais e marcos

    temporais. O que se buscou fazer foi pensar a disputa por territrio entre mato-

    grossenses e paraguaios sobre o enfoque regional tendo como foco as guas do rio

    Paraguai. Para tal, recuou-se s dcadas iniciais do sculo XIX para entender melhor o

    significado das mudanas nas relaes aps ano de 1854, momento em que o Paraguai

    adotou uma nova poltica para navegao no rio.

    Tornado nao independente em 1811, o Paraguai teve, at a dcada de 1850, os

    argentinos como seus principais inimigos. Mas isto no significou que as relaes com

    o Brasil fossem plenamente pacficas, j que a Coroa portuguesa no reconheceu a sua

    independncia e o Imprio brasileiro s o fez em 1844. Ao longo desse perodo, foram

    tomadas decises importantes pelo governo vizinho que afetaram as relaes de comrcio

    na fronteira norte do Mato Grosso. Dentre elas, destacamos o fechamento das fronteiras

    30 BOX, P. H. Los Orgenes de la Guerra del Paraguay contra la Triple Alianza. Asuncin: La

    Colmena, 1936. 31 PAOLI, J. B. R. La Economia Colonial. Assuno: Litocolor, 1986. 32 CHAVES, J. C. El Presidente Lpez. Buenos Aires: Depalma, 1968. 33 WILLIAMS, J. H. The Rise and fall of the Paraguayan Republic, 1800-1840. Austin: Institute of

    Latin American Studies, The University of Texas, 1969.

  • paraguaias com o Brasil, determinado pelo presidente Jos Gaspar Rodriguez Francia em

    1820; a alterao depois dessa poltica por Carlos Antonio Lpez, em 1840, alm da

    restrio ao uso internacional do trecho paraguaio do rio Paraguai, em 1854.

    As disputas acerca do controle das guas do rio Paraguai no eram novas.

    Remontavam expanso portuguesa aos territrios espanhis no sculo XVIII,

    especialmente aps a descoberta das minas de Cuiab e a necessidade do imprio luso

    de construir caminhos que favorecessem a legitimao da posse daquelas terras que,

    pelo Tratado de Tordesilhas, pertenciam aos seus vizinhos ibricos. A novidade no

    sculo XIX que a disputa pela navegao no rio Paraguai est relacionada com a nova

    relao de foras que se construa dos dois lados da fronteira no contexto da formao

    dos estados nacionais.

    Com o declnio da minerao em Mato Grosso e a diminuio da importncia

    econmica da mesma para o Imprio portugus nas ltimas dcadas do XVIII, o

    comrcio regional entre Mato Grosso e a regio da Vila Real de Concepcin tornou-se a

    principal atividade econmica mato-grossense. Ainda que no fosse uma atividade

    comercial expressiva em termos de rendimentos para a Coroa portuguesa, dado que boa

    parte dela dava-se por meio do contrabando, do ponto de vista geopoltico cumpria o

    importante papel de garantir a posse desse territrio to cobiado. Regio perifrica para

    os interesses espanhis, tal qual o Mato Grosso era para os portugueses, Concepcin

    dependia do comrcio legal e ilegal com os luso-brasileiros que, por seu lado, muito

    apreciavam seus clientes fronteirios.

    Este comrcio regional criou relaes de poder que precisaram ser redefinidas a

    partir da dcada de 1820. Rodriguez Francia, em 1820, proibiu o comrcio de

    paraguaios com os povoados luso-brasileiros ribeirinhos do rio Paraguai, dando

    prosseguimento sua poltica de defender-se de todos aqueles que ameaassem sua

    autoridade e reprimir qualquer suspeita de rebeldia e sublevao, buscando, tambm,

    fortalecer a posio de Assuno como centro poltico-econmico-militar da nao

    paraguaia.

    Os comerciantes de Assuno consideravam o comrcio de Concepcin com os

    luso-brasileiros prejudicial aos seus interesses. Acusavam, tambm, de que a pouca

    vigilncia do comrcio pelas guas do rio Paraguai facilitava o roubo e contrabando do

    gado paraguaio para terras mato-grossenses. Sem entrar no mrito destas e de outras

    acusaes, importa destacar que o crescimento de Concepcin dava-se sem o efetivo

    controle da capital. E isso no interessava aos comerciantes de Assuno, que no

  • lucravam com a intermediao das mercadorias, e nem ao governo paraguaio, temeroso

    que as idias liberais que acompanhavam esse comrcio pudessem incentivar revoltas.

    Apesar do fechamento das fronteiras, os contatos ilegais entre paraguaios e

    mato-grossenses permaneceram. Mas ao longo dos anos, isso representou diminuio

    dos lucros e aumento das perdas e custos para os comerciantes em Mato Grosso. Depois

    do fechamento da fronteira com a provncia do Mato Grosso, o comrcio oficial dos

    paraguaios com os brasileiros somente realizou-se atravs do porto de Itapu, localizado

    em Misiones, junto ao rio Paran. Esse local de intercmbio, situado em ponto distante

    da provncia, beneficiou mais aos comerciantes da provncia brasileira de Rio Grande de

    So Pedro. E, do lado paraguaio, os comerciantes de Assuno foram favorecidos.

    Com a morte de Rodriguez Francia e a subida ao poder de Carlos A. Lpez, em

    1840, a situao passou por mudanas. Na medida em que as relaes entre paraguaios e

    argentinos se complicavam, Carlos Lpez buscava aproximao com o governo

    brasileiro, ciente de que s teria a perder se estivesse em conflito com as duas naes

    mais fortes da regio ao mesmo tempo. O reconhecimento da independncia paraguaia

    pelos brasileiros, em 1844, foi resultado dessa aproximao.

    O interesse brasileiro em reconhecer o Paraguai como nao era criar obstculos

    aos interesses portenhos de garantir o controle do importante caminho do Cone Sul: a

    bacia do Rio da Prata. Nessa conjuntura, a defesa poltica da independncia paraguaia

    representava uma estratgia encontrada pela diplomacia do Imprio para garantir a

    internacionalizao dos rios Paran e Paraguai.

    Quando Carlos Antonio Lopez proclamou guerra a Buenos Aires em 1845, o

    Brasil passou a acompanhar atentamente a conjuntura no Prata, temeroso de que uma

    vitria argentina pudesse repercutir inclusive em disputas territoriais com o Imprio.

    Mesmo no tendo formalmente declarado aliana com os paraguaios, tropas brasileiras

    chegaram a ser colocadas de prontido em 1850, para uma reao caso os argentinos

    cumprissem a promessa de invadir o Paraguai. Com a destituio de Juan Manoel de

    Rosas em 1852 do governo da provncia de Buenos Aires, a abertura fluvial pelo rio

    Paran, junto com o rio Paraguai, significou uma nova alternativa de escoamento de

    produtos naturais e recebimento de mercadorias para brasileiros e paraguaios.

    Nos anos seguintes liberao da navegao, as casas comerciais de importao

    e exportao constituram-se no centro dinmico da regio platina e das discusses

    fronteirias entre Mato Grosso e Paraguai. E as tenses voltaram. J em 1853, nas

    discusses sobre a elaborao de um novo tratado de comrcio e navegao com o

  • Brasil, os paraguaios passaram a exigir que fosse considerada, para efeito de

    negociao, a reviso de antigos tratados, o que poria termo a questes pendentes que

    vinham se arrastando desde o final do sculo XVIII - qual seja o j mencionado

    problema de livre navegao com os pases limtrofes. Em 1854, a situao tendeu a se

    agravar e o Paraguai passou a colocar obstculos livre navegao, onerando e

    dificultando o trnsito de navios brasileiros pelo rio homnimo no trecho em que esse

    percorre seu territrio. A assinatura do Tratado de Amizade e Comrcio entre as duas

    naes em 1856 deveria resolver a questo do uso das guas que serviam de fronteira,

    mas isto no ocorreu.

    Mesmo com os esforos diplomticos, houve um crescente aumento de tenso,

    dadas as aes de desrespeito de parte a parte aos acordos. Quando o governo da

    provncia de Mato Grosso decidiu, logo nos primeiros anos de vigncia do tratado, pela

    ocupao militar da fronteira meridional com os paraguaios (ainda que no fosse uma

    ocupao macia dada s precariedades das foras militares na provncia), deu mostras

    de que no confiava naquilo que fora firmado.

    Acompanhar toda a movimentao paraguaia na fronteira, de modo a no serem

    pegos de surpresa por qualquer ao dos vizinhos, passou a ser uma das tarefas

    principais dos governos mato-grossenses. Para a elite poltica dirigente mato-grossense,

    o acirramento das tenses com a Repblica vizinha significou ganhos polticos e

    econmicos. A provncia passou a receber maior ateno do governo imperial que, a

    partir de ento, destinava-lhe maiores recursos financeiros e apoio em geral.

    Notcias circularam em Mato Grosso de que o Paraguai preparava-se para uma

    guerra. Por sua vez, no Paraguai, crescia o temor de que os brasileiros iriam atac-los.

    Quando, no incio da dcada de 1860, o general Francisco Solano Lopez comea a

    traar seus planos de ataque e defesa contra a provncia de Mato Grosso, tambm ganha

    fora no lado paraguaio a campanha de reivindicao dos territrios historicamente

    pertencentes que teriam sido usurpados pelo Brasil. O bloqueio do rio Paraguai,

    determinado por Solano Lopez j presidente, em 1863, foi forte indicativo de que as

    desconfianas tinham atingido nveis irreversveis.

    Da at a ecloso da guerra, em dezembro de 1864, foram cerca de um ano e

    meio em que a idia de um conflito iminente foi deixando de ser apenas matria de

    jornais, assunto de espionagem e planejamento militar, para tornar-se algo presente no

    cotidiano da provncia. O comrcio com o Departamento paraguaio de Concepcin foi

  • novamente bloqueado, as dificuldades para navegar nos rios Paraguai e Paran

    aumentaram, os produtos escassearam e os preos elevaram.

    As trocas de acusao se intensificavam e iam alm dos documentos provinciais

    e diplomticos. Latifundirios brasileiros acusavam paraguaios de acobertarem escravos

    foragidos e contrabandistas de gado. Paraguaios, por seu turno, respondiam acusando

    que seu territrio era constantemente invadido e depredado por capites-do-mato e

    homens a mando dos mato-grossenses com o objetivo de recuperar escravos e gado.

    Enfim, o significado da fronteira cada vez mais perdia representatividade.

    Medidas mais contundentes foram tomadas. Soldados brasileiros presos no lado

    paraguaio, fugitivos ou a servio dos latifundirios, eram julgados de acordo com as leis

    paraguaias. Quando, em novembro de 1863, Solano Lopez se recusa a atender ao pedido

    de extradio de cinco militares da provncia de Mato Grosso, presos enquanto caavam

    escravos fugidos, estava claro que as medidas diplomticas eram cada vez menos

    eficazes.

    As autoridades provinciais sabiam que o Governo paraguaio preparava-se

    logisticamente para invadir Mato Grosso, em resposta aos constantes desrespeitos aos

    limites territoriais. A estratgia adotada ento foi de se preparar para o enfrentamento,

    militar e diplomaticamente na busca das alianas com a Argentina e o Uruguai. As

    relaes contraditrias entre as duas naes ao longo do sculo XIX levaro ecloso

    de um conflito no qual mato-grossenses e paraguaios, ao longo de seis anos, perderam

    vidas, dinheiro e redimensionou o futuro poltico de seus governos. A guerra era

    iminente e a invaso do seu territrio estava sendo planejada. Mais importante que o

    Imprio, nessa tese foi defender que a provncia sentia o clima de guerra. E a questo

    central nesse momento, era saber qual o envolvimento, os efeitos e a participao da

    provncia de Mato Grosso, na preparao para essa guerra.

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