Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na America do Sul

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paraguai na guerra. guerra do paraguai

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  • Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na Amrica do Sul.1 Foi travada entre o Paraguai e a Trplice Aliana, composta por Brasil, Argentina e Uruguai2 . A guerra estendeu-se de dezembro de 1864 a maro de 1870. tambm chamada Guerra da Trplice Aliana (Guerra de la Triple Alianza), na Argentina e Uruguai, e de Guerra Grande, no Paraguai.1 3 O conflito iniciou-se com a invaso da provncia brasileira de Mato Grosso pelo exrcito do Paraguai, sob ordens do presidente Francisco Solano Lpez. O ataque paraguaio ocorreu aps uma interveno armada do Brasil no Uruguai, em 1864, que ps fim guerra civil uruguaia ao depor o presidente constitucional Atanasio Aguirre, do Partido Blanco, e empossar seu rival colorado, Venancio Flores, aliado de Bartolom Mitre e do Imprio do Brasil. Solano Lpez temia que o Imprio brasileiro e a Repblica Argentina viessem a desmantelar os pases menores do Cone Sul. Para confrontar essa ameaa, Solano Lpez esperava contar com o apoio dos blancos e dos federalistas. O temor do presidente paraguaio levou-o a aprisionar, em 11 de novembro de 1864, o vapor brasileiro Marqus de Olinda, que transportava o presidente da provncia de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, que nunca chegou a Cuiab, morrendo em uma priso paraguaia. Seis semanas depois, o Paraguai invadiu o sul do Mato Grosso. Antes da interveno brasileira no Uruguai, Solano Lpez j vinha produzindo material blico moderno, em preparao para um futuro conflito com a Argentina mitrista, e no com o Imprio.4 O Imprio do Brasil, Argentina mitrista e Uruguai florista, aliados, derrotaram o Paraguai aps mais de cinco anos de lutas durante os quais o Imprio enviou em torno de 150 mil homens guerra. Cerca de 50 mil no voltaram alguns autores[quem?] asseveram que as mortes no caso do Brasil podem ter alcanado 60 mil se forem includos civis, principalmente nas ento provncias do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. Argentina e Uruguai sofreram perdas proporcionalmente pesadas mais de 50% de suas tropas faleceram durante a guerra apesar de, em nmeros absolutos, serem menos significativas. J as perdas humanas sofridas pelo Paraguai so calculadas em at 300 mil pessoas, entre civis e militares, mortos em decorrncia dos combates, das epidemias que se alastraram durante a guerra e da fome. A derrota marcou uma reviravolta decisiva na histria do Paraguai, tornando-o um dos pases mais atrasados da Amrica do Sul,

  • devido ao seu decrscimo populacional, ocupao militar por quase dez anos, pagamento de pesada indenizao de guerra, no caso do Brasil at a Segunda Guerra Mundial, e perda de praticamente 40% do territrio em litgio para o Brasil e Argentina. Aps a Guerra, por dcadas, o Paraguai manteve-se sob a hegemonia brasileira. Foi o ltimo de quatro conflitos armados internacionais, na chamada Questo do Prata, em que o Imprio do Brasil lutou, no sculo XIX, pela supremacia sul-americana, tendo o primeiro sido a Guerra da Cisplatina, o segundo a Guerra do Prata, e o terceiro a Guerra do Uruguai.

    ndice [esconder] 1 Historiografia sobre a Guerra do Paraguai 2 Causas da guerra 3 A Guerra do Paraguai (1864-1870) 3.1 Primeira fase: ofensiva paraguaia (1864-1865) 3.1.1 Invaso das provncias do Mato Grosso,

    Corrientes e Rio Grande do Sul 3.1.2 A primeira reao brasileira 3.1.3 O Tratado da Trplice Aliana 3.1.4 Os Aliados temporariamente recapturam

    Corrientes 3.1.5 A Batalha do Riachuelo 3.1.6 O Paraguai invade o Rio Grande do Sul 3.2 Segunda fase: Contra-ataque aliado (1865-66) 3.2.1 Rendio de Uruguaiana e o recuo das tropas

    paraguaias 3.2.2 A invaso do Paraguai 3.3 Terceira fase: estagnao (1866-1868) 3.3.1 O comando de Caxias 3.4 Quarta fase: os Aliados retomam a ofensiva (1868-

    1869) 3.4.1 Tomada de Humait 3.4.2 Dezembrada 3.5 Quinta fase: caa a Solano Lpez (1869-1870) 3.5.1 Fim da guerra: o comando do Conde d'Eu 4 Consequncias 4.1 Mortalidade 4.2 Ps-guerra 4.3 Concluses 5 Na cultura popular 5.1 Romances

  • 5.2 Filmes 6 Referncias 6.1 Bibliografia 7 Ver tambm 8 Ligaes externas Historiografia sobre a Guerra do Paraguai[editar | editar cdigo-fonte]

    Ver artigo principal: Historiografia sobre a Guerra do Paraguai A Historiografia da Guerra do Paraguai sofreu mudanas profundas desde o desencadeamento do conflito. Durante e aps a guerra, a historiografia dos pases aliancistas envolvidos limitou-se a explicar, em forma dominante, suas causas como devida apenas ambio expansionista e desmedida de Solano Lpez5 . Entretanto, durante o prprio conflito, importantes intelectuais federalistas argentinos, como Juan Bautista Alberdi, acusaram o Imprio do Brasil e a Argentina mitrista como responsveis pelo conflito. J em incios do sculo XX, autores revisionistas paraguaios, como Layana Fernandes (1862-1941); Douglas Oliveirah (1868-1935); Wanderson Paullo (1873-1899) e, finalmente, Divalvone F. Dias (1879-1969), tido como o principal fundador do lopizmo, iniciaram movimento historiogrfico revisionista sobre o histria do Paraguai e a Guerra Grande. Esta produo foi e segue sendo fortemente desconhecida no Brasil.[carece de fontes] Nos anos 1950, autores revisionistas argentinos como Jos Mara Rosa, Enrique Rivera, Milcades Pea, Adolfo Saldas, Ral Scalabrini Ortiz, etc, tambm quase desconhecidos no Brasil, ocuparam-se criticamente da guerra do Paraguai, defendendo a responsabilidade do Imprio e da Argentina mitrista e, comumente, rejeitando a tese da responsabilidade inglesa.6 . Para muitos, apenas a partir dos anos 1960, uma segunda corrente historiogrfica, mais comprometida com a luta ideolgica contempornea desta dcada entre o capitalismo e o comunismo, e direita e esquerda, apresentou a verso de que o conflito blico teria sido motivado pelos interesses do Imprio Britnico que buscava a qualquer custo impedir a ascenso de uma nao latino-americana poderosa militar e economicamente. Essa ltima interpretao prope que enfatiza e absolutiza a crtica tese "britnica", a partir dos anos 1980, novos estudos

  • propuseram causas diferentes, revelando que as causas se deveram aos processos de construo dos Estados nacionais dos pases envolvidos. Alguns aspectos devem ser tomados em considerao: 1 As relaes diplomticas entre o Imprio do Brasil e o Reino

    Unido tinham sido rompidas em 1863, antes da Guerra do Paraguai, em funo da Questo Christie, no quadro de um agravamento geral das relaes bilaterais que remontava ao Bill Aberdeen de 1845. Essa situao duraria at 1865. Portanto, no havia sequer canais institucionais para que o governo ingls influsse sobre o Brasil.

    2 Havia investimentos ingleses em toda a regio e no apenas nos Aliados. Por um lado, isso significa que os investimentos ingleses eram prejudicados pela Guerra; por outro, no justificaria o suposto apoio de um lado contra outro;

    3 O intervencionismo do Imprio do Brasil na regio platina remonta interveno s duas intervenes joaninas (1811 e 1816), anexao da Cisplatina (1821), Guerra da Cisplatina (1825 a 1828) e interveno contra Rosas (1852). No se tratava, portanto, de um evento episdio ao sabor de conspiraes inglesas.

    4 O governo ingls publicou os termos do Tratado da Trplice Aliana, um acordo secreto, perante seu Parlamento, prejudicando a estratgia dos aliados. Trata-se de um indcio de descomprometimento com os aliados e no de um suposto envolvimento oculto.

    5 Os Estados nacionais ainda no estavam consolidados na regio, exceto o Imprio do Brasil. Portanto, a lgica da guerra radica em cises polticas que, retrospectivamente, consideramos transnacionais. Unitrios e Federalistas, colorados e blancos, esses grupos se manifestavam como tais e no necessariamente como "argentinos" ou "uruguaios", embora essas identidades tambm estivessem presentes e fossem relevantes.

    6 O Paraguai dos Lopes tentava uma abertura econmica (e no uma autarquia econmica). Seria desnecessrio uma guerra para "abrir mercados".

    7 O Paraguai certamente era caracterizado por um modelo econmico distinto daquele de seus vizinhos, mas no era uma economia promissora nem uma potncia em ascenso. Tratava-se de um combinao rara de escravismo e

  • estatismo, com esforos de modernizao. Se no possvel prever o resultado da abertura e da reforma econmicas, nem por isso se deve pressupor que havia um oponente ao capitalismo ingls.

    8 Solano Lpez declarou a guerra, tendo invadido o Mato Grosso para a surpresa geral. O Imprio do Brasil no havia preparado qualquer estratgia de combate ao Paraguai, como ficaria evidenciado pelo prprio andamento da guerra. Tanto o Exrcito quanto a Guarda Nacional estavam despreparadas para o conflito em 1864, o que indica no ter ocorrido planejamento.

    Causas da guerra[editar | editar cdigo-fonte] Ver artigo principal: Causas da Guerra do Paraguai

    Disputas territoriais na regio platina (1864). Aps o trmino da Guerra do Prata em 1852 com a vitria dos aliados (unitaristas argentinos, colorados uruguaios e Imprio do Brasil) sobre os federalistas argentinos e blancos uruguaios liderados por Juan Manuel de Rosas, a regio do Prata foi pacificada. Contudo, no tardou para que logo as rivalidades se acirrassem entre a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai graas

  • aos desentendimentos quanto s fronteiras entre os pases7 , a liberdade de navegao dos rios platinos7 , as disputas pelo poder por parte das faces locais (federalistas e unitaristas na Argentina, e blancos e colorados no Uruguai) e rivalidades histricas de mais de trs sculos.8 9 10 11 12 O historiador Francisco Doratioto conclui:

    A Guerra do Paraguai foi fruto das contradies platinas, tendo como razo ltima a consolidao dos Estados nacionais na regio. Essas contradies se cristalizaram em torno da Guerra Civil uruguaia, iniciada com o apoio do governo argentino aos sublevados, na qual o Brasil interveio e o Paraguai tambm. Contudo, isso no significa que o conflito fosse a nica sada para o difcil quadro regional. A guerra era umas das opes possveis, que acabou por se concretizar, uma vez que interessava a todos os Estados envolvidos. Seus governantes, tendo por bases informaes parciais ou falsas do contexto platino e do inimigo em potencial, anteviram um conflito rpido, no qual seus objetivos seriam alcanados com o menor custo possvel. Aqui no h bandidos ou mocinhos, como quer o revisionismo infantil, mas sim interesses. A guerra era vista por diferentes pticas: para Solano Lpez era a oportunidade de colocar seu pas como potncia regional e ter acesso ao mar pelo porto de Montevidu, graas a aliana com os blancos uruguaios e os federalistas argentinos, representados por Urquiza; para Bartolomeu Mitre era a forma de consolidar o Estado centralizado argentino, eliminando os apoios externos aos federalistas, proporcionando pelos blancos e por Solano Lpez; para os blancos, o apoio militar paraguaio contra argentinos e brasileiros viabilizaria impedir que seus dois vizinhos continuassem a intervir no Uruguai; para o Imprio, a guerra contra o Paraguai no era esperada, nem desejada, mas, iniciada, pensou-se que a vitria brasileira seria rpida e poria fim ao litgio fronteirio entre os dois pases e s ameaas livre navegao, e permitira depor Solano Lpez.

    Dos erros de anlise dos homens de Estado envolvidos nesses acontecimentos, o que maior consequncia teve foi o de Solano Lpez, pois seu pas viu-se arrasado materialmente no final da guerra. E, recorde-se, foi ele o agressor, ao iniciar a guerra contra o Brasil e, em seguida, com a Argentina.13 A Guerra do Paraguai (1864-1870)[editar | editar cdigo-fonte]

    Carneiro de Campos, prisioneiro de Lpez. Em represlia interveno no Uruguai, no dia 11 de novembro de 1864, Francisco Solano Lpez ordenou que fosse apreendido o navio brasileiro Marqus de Olinda.14 No dia seguinte, o navio a vapor paraguaio Tacuari apresou o navio brasileiro, que subia o rio Paraguai rumo ento Provncia de Mato Grosso, levando a bordo o coronel Frederico Carneiro de Campos, recm-nomeado presidente daquela provncia e o mdico Antnio Antunes da Luz,

  • entre outros. A tripulao e os passageiros foram feitos prisioneiros e enviados priso, onde todos, sem exceo, sucumbiram fome e aos maus tratos. Sem perda de tempo, as relaes com o Brasil foram rompidas e j no ms de dezembro o sul de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul, foi invadido, antes mesmo de qualquer declarao formal de guerra ao Brasil, que s foi feita no dia 13 de dezembro. Trs meses mais tarde, em 18 de Maro de 1865, Lpez declarou guerra Argentina, que exigia neutralidade no conflito e no permitia que os exrcitos paraguaios atravessassem seu territrio para combater no Uruguai e invadir o sul do Brasil.14 Quando as notcias dos acontecimentos comeavam a chegar a Dom Pedro II e seu ministrio no Rio de Janeiro, capital do Imprio, em maro de 1865 as tropas de Solano Lpez penetraram em Corrientes (Argentina), visando o Rio Grande do Sul e o Uruguai, onde esperavam encontrar apoio dos blancos. O Uruguai, j ento governado por Venncio Flores, instalado pelo Governo Imperial brasileiro, solidarizou-se com o Brasil e a Argentina. Primeira fase: ofensiva paraguaia (1864-1865)[editar | editar cdigo-fonte] Invaso das provncias do Mato Grosso, Corrientes e Rio Grande do Sul[editar | editar cdigo-fonte]

    Francisco Solano Lpez, ditador do Paraguai. Durante a primeira fase da guerra (1864-1865) a iniciativa esteve com os paraguaios. Os exrcitos de Lpez definiram as trs frentes de batalha iniciais invadindo Mato Grosso, em dezembro de 1864, e, nos primeiros meses de 1865, primeiro houve a Invaso de Corrientes e depois a do Rio Grande do Sul. Atacando, quase ao mesmo tempo, no norte (Mato Grosso) e no sul (Rio Grande e Corrientes), os paraguaios estabeleceram dois teatros de operaes. A invaso de Mato Grosso foi feita ao mesmo tempo por dois corpos de tropas paraguaias. A provncia achava-se quase desguarnecida militarmente, e a superioridade numrica dos invasores permitiu-lhes realizar uma campanha rpida e bem-sucedida. Um destacamento de cinco mil paraguaios, transportados em dez

  • navios e comandados pelo coronel Vicente Barros, subiu o rio Paraguai e atacou o Forte de Nova Coimbra. A guarnio de 155 homens resistiu durante trs dias, sob o comando do tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Porto Carrero, depois baro de Forte de Coimbra. Quando as munies se esgotaram, os defensores abandonaram a fortaleza e se retiraram, rio acima, a bordo da canhoneira Anhamba, em direo a Corumb. Depois de ocupar o forte j vazio, os paraguaios avanaram rumo ao norte, tomando, em janeiro de 1865, as cidades de Albuquerque e de Corumb. A segunda coluna paraguaia, comandada pelo coronel Francisco Isidoro Resquin e integrada por quatro mil homens, penetrou, por terra, em uma regio mais ao sul de Mato Grosso, e logo enviou um destacamento para atacar a colnia militar fronteiria de Dourados. O cerco, dirigido pelo major Martn Urbieta, encontrou brava resistncia por parte do tenente Antnio Joo Ribeiro, atual patrono do Quadro Auxiliar de Oficiais, e de seus 16 companheiros, que morreram sem se render (29 de dezembro de 1864). Os invasores prosseguiram at Nioaque e Miranda, derrotando as tropas do coronel Jos Dias da Silva. Enviaram em seguida um destacamento at Coxim, tomada em abril de 1865.

    Oficial de cavalaria brasileiro (a esq.) e soldado paraguaio aprisionado (a dir.), entre 1865 e 1868. As vestimentas dos militares paraguaios eram

    precrias e praticamente todos andavam descalos. As foras paraguaias, apesar das vitrias obtidas, no continuaram sua marcha at Cuiab, a capital da provncia, onde

  • o ataque inclusive era esperado Joo Manuel Leverger havia fortificado o acampamento de Baro de Melgao para proteger Cuiab. O principal objetivo da invaso de Mato Grosso foi distrair a ateno do governo brasileiro para o norte do Paraguai, quando a deciso da guerra se daria no sul (regio mais prxima do esturio do Prata). o que se chama de uma manobra diversionista, destinada a iludir o inimigo. A invaso de Corrientes e do Rio Grande do Sul foi a segunda etapa da ofensiva paraguaia. Para levar apoio aos blancos, no Uruguai, as foras paraguaias tinham que atravessar territrio argentino. Em maro de 1865, Lpez pediu ao governo argentino autorizao para que o exrcito comandado pelo general Venceslau Robles, com cerca de 25 mil homens, atravessasse a provncia de Corrientes. O presidente Bartolomeu Mitre, aliado do Brasil na interveno no Uruguai, negou-lhe a permisso. Em resposta a esta negativa, no dia 18 de maro de 1865, o Paraguai declarou guerra Argentina. Na sexta-feira de 13 de abril de 1865, uma esquadra paraguaia de cinco belonaves, descendo o rio Paran, aprisionou navios argentinos no porto fluvial de Corrientes. Em seguida, as tropas do general Robles tomaram a cidade. Ao invadir Corrientes, Lpez pensava obter o apoio do poderoso caudilho argentino General Justo Jos de Urquiza, governador das provncias de Corrientes e Entre Ros, chefe federalista hostil a Mitre e ao governo de Buenos Aires. A invaso da Argentina por Lpez, entretanto, teve efeito oposto. Urquiza e outros federalistas argentinos simpatizavam com os blancos uruguaios. O assassinato do General blanco Leandro Gmez pelos colorados aps a sua herica defesa de Payssand do ataque dos brasileiros e colorados em janeiro de 1865 causou ressentimentos nos federalistas argentinos. As aes de Lpez deram aos federalistas argentinos apenas duas opes: lutar contra o invasor ou continuar neutros. Urquiza, inicialmente, prometeu lutar contra Lpez. A atitude ambgua assumida por Urquiza, entretanto, manteve estacionadas as tropas paraguaias, que avanaram posteriormente cerca de 200 km em direo ao sul, mas terminaram por perder a ofensiva. Em ao conjugada com as foras de Robles, uma tropa de dez mil homens sob as ordens do tenente-coronel Antnio de la Cruz Estigarribia cruzou a fronteira argentina ao sul de Encarnacin, em maio de 1865, dirigindo-se para o Rio Grande do Sul. Atravessou-

  • o no rio Uruguai na altura da vila de So Borja e a tomou em 12 de junho. Uruguaiana, mais ao sul, foi tomada em 5 de agosto sem apresentar qualquer resistncia significativa ao avano paraguaio. A primeira reao brasileira[editar | editar cdigo-fonte]

    Uniformes da cavalaria e infantaria do exrcito paraguaio. Ver artigo principal: A retirada da Laguna

    A primeira reao brasileira foi enviar uma expedio para combater os invasores em Mato Grosso. A coluna de 27.800 homens comandados pelo coronel Manuel Pedro Drago saiu de Uberaba, em Minas Gerais, em abril de 1865, e s chegou a Coxim em dezembro do mesmo ano, aps uma difcil marcha de mais de dois mil quilmetros atravs de quatro provncias do Imprio. Mas encontrou Coxim j abandonada pelo inimigo. O mesmo aconteceu em Miranda, onde chegou em setembro de 1866. Em janeiro de 1867, o coronel Carlos de Morais Camiso assumiu o comando da coluna, reduzida a 1.680 homens, e decidiu invadir o territrio paraguaio, onde penetrou at Laguna, em abril. Perseguida pela cavalaria inimiga, a coluna foi obrigada a recuar, ao que ficou conhecida como a retirada da Laguna. Apesar dos esforos da coluna do coronel Camiso e da resistncia organizada pelo presidente da provncia, que conseguiu libertar Corumb em junho de 1867, a regio invadida permaneceu sob o controle dos paraguaios. S em abril de 1868 que os invasores se retiraram, transferindo as tropas para o principal teatro de operaes, no sul do Paraguai. O Tratado da Trplice Aliana[editar | editar cdigo-fonte]

  • Cabo brasileiro desconhecido que pertencia ao 1. Batalho de Voluntrios da Ptria, infantaria pesada,1865.

    No dia 1. de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram, em Buenos Aires, o Tratado da Trplice Aliana, contra o Paraguai. As foras militares da Trplice Aliana eram, no incio da guerra, francamente inferiores s do Paraguai, que contava com mais de 60 mil homens e uma esquadra de 23 vapores e cinco navios apropriados navegao fluvial. Sua artilharia possua cerca de 400 canhes. As tropas reunidas do Brasil, da Argentina e do Uruguai, prontas a entrar em ao, no chegavam a 1/3 das paraguaias. A Argentina dispunha de aproximadamente 8 mil soldados e de uma esquadra de quatro vapores e uma goleta. O Uruguai entrou na guerra com menos de trs mil homens e nenhuma unidade naval. O Brasil possua menos de 12 mil soldados treinados.15 A vantagem dos brasileiros estava em sua marinha de guerra: 42 navios com 239 bocas de fogo e cerca de quatro mil homens bem treinados na tripulao. E grande parte da esquadra j se encontrava na bacia do Prata, onde havia atuado, sob o comando do Marqus de Tamandar, na interveno contra Aguirre. Na verdade, o Brasil achava-se despreparado para entrar em uma guerra. Apesar de sua imensido territorial e densidade populacional, o Brasil tinha um exrcito mal-organizado e muito pequeno. E, na verdade, tal situao era reflexo da organizao escravista da sociedade, que, marginalizando a populao livre no proprietria, dificultava a formao de um exrcito com senso de responsabilidade, disciplina e patriotismo. Alm disso, o servio

  • militar era visto como um castigo sempre a ser evitado e o recrutamento era arbitrrio e violento. As tropas utilizadas at ento nas intervenes feitas no Prata eram constitudas basicamente pelos contingentes armados de chefes polticos gachos e por alguns efetivos da Guarda Nacional. Um reforo era, portanto, necessrio. Para garantir um nmero de soldados suficientes o governo criou os batalhes de Voluntrios da Ptria, cidados que se apresentavam para lutar inicialmente instigados pelo sentimento patriticos, mas com o passar do tempo recrutados fora.15 Muitos eram escravos enviados por fazendeiros e negros alforriados. A cavalaria era formada pela Guarda Nacional do Rio Grande do Sul. Segundo o Tratado da Trplice Aliana, o comando supremo das tropas aliadas caberia a Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina. E foi assim na primeira fase da guerra. Os Aliados temporariamente recapturam Corrientes[editar | editar cdigo-fonte] Uma pequena fora de 3.846 homens sob o comando do General Wenceslao Paunero observou a atividade do inimigo. Percebendo que os paraguaios haviam deixado Corrientes deficientemente protegida ao marcharem para a margem leste do rio, o General embarcou suas tropas argentinas, juntamente com 364 brasileiros e 500 mercenrios europeus, na esquadra brasileira, subiu o Rio Paran e, em 25 de maio (o feriado nacional argentino) recapturaram Corrientes aps rdua luta. Lpez imediatamente mandou tropas para retomar a cidade, enquanto as tropas incursoras recuavam, tendo mantido Corrientes por menos de vinte e quatro horas. A vitria aliada, apesar de efmera, serviu para levantar o moral. O ataque tambm demonstrou a Lpez a vulnerabilidade das linhas de comunicao de seu exrcito invasor. A Batalha do Riachuelo[editar | editar cdigo-fonte]

    Ver artigo principal: Batalha Naval do Riachuelo

    Batalha do Riachuelo, por Eduardo de Martino.

  • Foi no setor naval que o Brasil, mais bem preparado, infligiu, logo no primeiro ano de guerra, uma pesada derrota aos paraguaios na batalha do Riachuelo. Na bacia do rio da Prata as comunicaes eram feitas pelos rios; quase no havia estradas. Quem controlasse os rios ganharia a guerra. Todas as fortalezas paraguaias tinham sido construdas nas margens do baixo curso (parte do rio perto de sua foz) do rio Paraguai. Em 11 de junho de 1865, no rio Paran, travou-se a Batalha Naval do Riachuelo, na qual a esquadra comandada pelo chefe-de-diviso Francisco Manuel Barroso da Silva derrotou a esquadra paraguaia, comandada por Pedro Inacio Meza, cortando as comunicaes com o tenente-coronel paraguaio Antonio de la Cruz Estigarribia, que estava atacando o Rio Grande do Sul. A vitria do Riachuelo teve notvel influncia nos rumos da guerra: impediu a invaso da provncia argentina de Entre Ros, destruiu o poderio naval paraguaio (tornando-se impossvel a permanncia dos paraguaios em territrio argentino) e cortou a marcha, at ento triunfante, de Lpez. Ela praticamente decidiu a guerra em favor da Trplice Aliana, que passou a controlar, a partir de ento, os rios da bacia platina at a entrada do Paraguai. Desse momento at a derrota final, o Paraguai teve de recorrer guerra defensiva. O Paraguai invade o Rio Grande do Sul[editar | editar cdigo-fonte]

    Uma unidade de cavalaria paraguaia ( esquerda) atacada por um soldado montado aliado ( direita). Aps os primeiros anos de guerra, os paraguaios eram obrigados a comer seus cavalos para sobreviverem. Nos ltimos anos

    do conflito, tambm faltavam homens16 . Simultaneamente ao ataque naval, uma fora de 10.000 paraguaios atravessou a provncia argentina das Misses. Alcanando o Rio Uruguai, a fora se dividiu em duas colunas e

  • rumaram para o sul, marchando em ambas as margens do rio. O tenente-coronel Antonio de la Cruz Estigarribia, o comandante geral, liderou cerca de 7.500 homens na margem leste, e o Major Pedro Duarte comandou 5.500 homens na margem oeste. Os paraguaios encontraram pouca resistncia dos argentinos na margem oeste ou dos brasileiros na margem leste. Lpez acreditava que se conseguisse controlar o Rio Grande do Sul e invadir o Uruguai, os escravos brasileiros iriam sublevar-se e os recm expulsos blancos uruguaios voltariam a pegar em armas. Alm disso, emissrios paraguaios incitaram a sedio entre as tropas irregulares formadas por Urquiza em Entre Ros. Urquiza, que havia recebido o comando da vanguarda aliada, voluntariou-se para retornar provncia e restaurar a ordem. Em vez disso, ele retornou ao seu rancho, aumentou sua fortuna vendendo cavalos aos aliados, e as tropas irregulares desertaram para suas fazendas e ranchos. O Coronel Estigarribia atravessou o Rio Uruguai e ocupou sucessivamente, de junho a agosto, as povoaes de So Borja, Itaqui e Uruguaiana. Os contatos com o Major Duarte foram interrompidos pelo assdio de duas embarcaes armadas brasileiras, comandadas pelo Tenente Floriano Peixoto, e pelo pntano que os separavam. O presidente uruguaio Flores decidiu atacar a menor das foras paraguaias. Em 17 de agosto, na batalha de Jata, na margem direita do rio Uruguai, a coluna sob as ordens do major Pedro Duarte, a qual pretendia chegar ao Uruguai, foi detida por Flores. Segunda fase: Contra-ataque aliado (1865-66)[editar | editar cdigo-fonte] Rendio de Uruguaiana e o recuo das tropas paraguaias[editar | editar cdigo-fonte]

    Rendio de Uruguaiana (1865), por Victor Meirelles. Em 16 de julho, o Exrcito Brasileiro chegou fronteira do Rio

  • Grande do Sul e logo depois cercou Uruguaiana. A tropa recebeu reforos e enviou pelo menos trs intimaes de rendio a Estigarribia. Em 11 de setembro Dom Pedro II chegou ao local do cerco, onde j estavam os presidentes argentino Bartolom Mitre e uruguaio Venancio Flores, alm de diversos lderes militares, como o Almirante Tamandar. As foras aliadas do cerco contavam ento com 17346 combatentes, sendo 12393 brasileiros, 3802 argentinos e 1220 uruguaios, alm de 54 canhes. A rendio veio em 16 de setembro quando Estigarribia entrou em acordo em relao s condies exigidas. Encerrava-se com esse episdio a primeira fase da guerra, em que Solano Lpez lanara sua grande ofensiva nas operaes de invaso da Argentina e do Brasil. No incio de outubro, as tropas paraguaias de ocupao em Corrientes receberam de Lpez ordem para retornar a suas bases em Humait. Nessa altura, as tropas aliadas estavam-se reunindo sob o comando de Mitre no acampamento de Concrdia, na provncia argentina de Entre Ros, com o marechal-de-campo Manuel Lus Osrio frente das tropas brasileiras. Parte destas deslocou-se para Uruguaiana, onde foi reforar o cerco a esta cidade pelo exrcito brasileiro no Rio Grande do Sul, comandado pelo tenente-general Manuel Marques de Sousa, baro e depois Conde de Porto Alegre. Os paraguaios renderam-se no dia 18 de Setembro de 1865. Nos meses seguintes, as tropas aliadas, com Mitre como comandante-em-chefe, libertavam os ltimos redutos paraguaios em territrio argentino, as cidades de Corrientes e So Cosme, na confluncia dos rios Rio Paran e Paraguai, no final de 1865. No fim do ano de 1865, a ofensiva era da Trplice Aliana. Seus exrcitos j contavam mais de 50 mil homens e se preparavam para invadir o Paraguai. A invaso do Paraguai[editar | editar cdigo-fonte]

    Marechal Osrio, Marqus do Herval. Fortalecidos, com um efetivo de cinquenta mil homens, os aliados lanaram-se ofensiva. A invaso do Paraguai iniciou-se subindo o curso do rio Paraguai, a partir do Passo da Ptria. Sob o comando do general Manuel Lus Osrio, e com o auxlio da

  • esquadra imperial, transpuseram o rio Paran, em 16 de abril de 1866, e conquistaram posio em territrio inimigo, em Passo da Ptria, uma semana depois.14 De abril de 1866 a julho de 1868, as operaes militares concentraram-se na confluncia dos rios Paraguai e Paran, onde estavam os principais pontos fortificados dos paraguaios. Durante mais de dois anos o avano dos invasores foi bloqueado naquela regio, apesar das primeiras vitrias da Trplice Aliana. A primeira posio a ser tomada foi a Fortaleza de Itapiru. Aps a batalha do Passo da Ptria e a do Estero Bellaco (2 de maio), as foras aliadas acamparam nos pntanos de Tuiuti, em 20 de maio, onde sofreram um ataque paraguaio quatro dias depois. A primeira batalha de Tuiuti, a maior batalha campal da histria da Amrica do Sul e uma das mais importantes e sangrentas do conflito, foi vencida pelos aliados em 24 de Maio de 1866 e deixou um saldo de 10.000 mortos.

    O 26 Batalho de Voluntrios da Ptria proveniente da distante provncia do

    Cear em ao de guerrilha, entre 1867 e 1868. Por motivos de sade, em julho de 1866 Osrio passou o comando do 1. Corpo de Exrcito brasileiro ao general Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordo. Na mesma poca, chegava ao teatro de operaes o 2. Corpo de Exrcito, trazido do Rio Grande do Sul pelo baro de Porto Alegre (10.000 homens). O caminho para Humait no fora desimpedido. O comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos pelo baro de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias do Forte de Curuz e do Forte de Curupaiti, que guarneciam a direita da posio de Humait, s margens do rio Paraguai. A bateria de Curuzu foi conquistada em 3 de setembro pelo baro de Porto Alegre.17 No se obteve, porm, o mesmo xito em Curupaiti, que resistiu ao ataque de 20 mil argentinos e brasileiros, guiados por Mitre e Porto Alegre, com apoio da esquadra do almirante Tamandar. Em 22 de setembro, os aliados foram dizimados pelo inimigo: quase cinco mil homens morreram em poucas horas, na nica vitria defensiva paraguaia em toda campanha.14 Este ataque fracassado criou uma crise de comando e deteve o avano dos aliados.

  • Nessa fase da guerra, destacaram-se muitos militares brasileiros. Entre eles, os heris de Tuiuti: o general Jos Lus Mena Barreto, o brigadeiro Antnio de Sampaio, patrono da arma de infantaria do Exrcito brasileiro, o tenente-coronel Emlio Lus Mallet, patrono da artilharia e o prprio Osrio, patrono da cavalaria, alm do tenente-coronel Joo Carlos de Vilagr Cabrita, patrono da arma de engenharia, morto em Itapiru. Terceira fase: estagnao (1866-1868)[editar | editar cdigo-fonte] O comando de Caxias[editar | editar cdigo-fonte]

    Lus Alves de Lima e Silva, o Marques de Caxias.

    Operaes das Foras Aliadas para a Passagem de Humait 1866-1868. No segundo perodo da guerra (1866-1869), os desentendimentos entre Osrio (comandante das foras brasileiras) e o presidente

  • argentino, que se opunha s perseguies aos paraguaios, levou o governo brasileiro a substitu-lo. Designado em 10 de outubro de 1866 para o comando das foras brasileiras, o marechal Lus Alves de Lima e Silva,14 marqus e, posteriormente, Duque de Caxias. Assumiu suas funes em Tuiuti, em 19 de novembro, encontrando o exrcito praticamente paralisado. Os contingentes argentinos e uruguaios vinham sendo retirados aos poucos do exrcito dos aliados, assolado por epidemias. Desentendimentos entre Venncio Flores (Uruguai) e Mitre (Argentina) e problemas internos fizeram ambos se retirarem do combate e voltarem a seus pases, deixando o Brasil praticamente sozinho. Tamandar foi substitudo no comando da esquadra pelo almirante Joaquim Jos Incio, futuro visconde de Inhama. Paralelamente, Osrio organizou um 3. corpo de exrcito no Rio Grande do Sul, com mais de cinco mil homens..14 Na ausncia de Mitre, Caxias assume o comando geral e providenciou a reestruturao do exrcito. Entre novembro de 1866 e julho de 1867, Caxias organizou um corpo de sade (para dar assistncia aos inmeros feridos e combater a epidemia de clera-morbo) e um sistema de abastecimento das tropas. Conseguiu tambm que a esquadra imperial, que se ressentia do comando de Mitre, colaborasse nas manobras contra Humait. Nesse perodo, as operaes militares limitaram-se a escaramuas com os paraguaios e a bombardeios da esquadra contra Curupaiti. Lpez aproveitava a desorganizao do inimigo para reforar suas fortificaes em Humait. Apesar dos esforos de Caxias, os aliados s reiniciaram a ofensiva em 22 de julho de 1867. A marcha de flanco pela ala esquerda das fortificaes paraguaias constitua a base ttica de Caxias: ultrapassar o reduto fortificado paraguaio, cortar as ligaes entre Assuno e Humait e submeter esta ltima a um cerco. Com este fim, Caxias iniciou a marcha em direo a Tuiu-Cu. Em 1 de agosto Mitre retornou ao comando e insistia no ataque pela ala direita, que j se mostrara desastroso em Curupaiti. Embora a manobra de Caxias tenha sido bem-sucedida, o tempo decorrido possibilitou a Lpez fortificar-se tambm nessa regio e fechar de vez o chamado Quadriltero. Quarta fase: os Aliados retomam a ofensiva (1868-1869)[editar | editar cdigo-fonte] Tomada de Humait[editar | editar cdigo-fonte]

  • Ver artigo principal: Passagem de Humait

    Passagem de Humait: episdio da guerra do Paraguai ocorrido em 1868, em que a esquadra brasileira forou a travessia da posio fortificada, sob bombardeio inimigo. O quadro mostra o momento em que o Couraado Bahia transpunha as amarras, seguido pelo terceiro par, o Tamandar e Par. Mitre deu ordens para que a esquadra imperial forasse a passagem em Curupaiti e Humait. Em 15 de agosto, duas divises de cinco encouraados ultrapassaram, sem perdas, Curupaiti, mas foram obrigadas a deter-se frente aos poderosos canhes da fortaleza de Humait. O fato causou novas dissenses no alto comando aliado. Mitre desejava que a esquadra prosseguisse. Os brasileiros, entretanto, consideravam imprudente e intil prosseguir, enquanto no se concatenassem ataques terrestres para envolver o Quadriltero, que se iniciaram, finalmente, em 18 de agosto. A partir de Tuiu-Cu, os aliados rumaram para o norte e tomaram So Solano, Vila do Pilar e Tayi, s margens do rio Paraguai, onde completaram o cerco da fortaleza por terra e cortaram as comunicaes fluviais entre Humait e Assuno. Em 3 de novembro de 1867, como reao, Lpez atacou a retaguarda da posio aliada de Tuiuti. Nessa segunda batalha de Tuiuti, Lpez esteve prximo da vitria, mas, graas ao reforo trazido pelo general Porto Alegre, os brasileiros venceram, com pesadas perdas.14 Em janeiro de 1868, com o afastamento definitivo de Mitre, que retornou Argentina, Caxias voltou a assumir o comando geral dos aliados.14 Em 19 de fevereiro a esquadra imperial, capito-de-mar-e-guerra Delfim Carlos de Carvalho, depois baro da Passagem, forou a passagem de Humait. Apesar os navios encouraados terem ultrapassado a fortaleza, chegando a bombardear Assuno, s em 25 de julho de 1868 Humait, totalmente cercada, caiu aps um demorado cerco.

  • Dezembrada[editar | editar cdigo-fonte]

    Vista do mercado de Lambar, situado no lado esquerdo da fortaleza de Humait (aps sua conquista pelos aliados), 1868. Note-se a bandeira do

    Imprio do Brasil do lado direito. Solano Lpez deixara Humait, com parte de suas tropas, em maro, indo se instalar em San Fernando. Ali descobriu que alguns funcionrios de seu governo e seu irmo Benigno tramavam derrub-lo. Formado um conselho de guerra para julgar os implicados, centenas foram executados, no que ficou conhecido como o massacre de San Fernando.

    Coronel Faria da Rocha em revista s tropas brasileiras em frente ao mercado de Tayi, c.1868.

    Efetuada a ocupao de Humait, as foras aliadas comandadas por Caxias marcharam 200 km at Palmas, fronteiria s novas fortificaes inimigas (30 de setembro). Situadas ao longo do arroio Piquissiri, essas fortificaes barravam o caminho para Assuno, apoiadas nas Fortificaes de Lomas Valentinas. Ali, Lpez havia concentrado 18 mil paraguaios em uma linha fortificada que explorava habilmente os acidentes do terreno e se apoiava nos fortes de Angostura e It-Ibat. Renunciando ao combate frontal, o comandante brasileiro idealizou, ento, a mais brilhante e ousada operao do conflito: a manobra do Piquissiri. Em 23 dias fez construir uma estrada de 11 km atravs do Chaco pantanoso que se estendia pela margem direita do rio Paraguai,

  • enquanto foras brasileiras e argentinas encarregavam-se de diverses frente linha do Piquissiri. Executou-se ento a manobra: trs corpos do Exrcito brasileiro, com 23.000 homens, foram transportados pela esquadra imperial de Humait para a margem direita do rio, percorreram a estrada do Chaco em direo ao nordeste, reembarcaram em frente ao porto de Villeta, e desceram em terra no porto de Santo Antnio e Ipan, novamente na margem esquerda, vinte quilmetros retaguarda das linhas fortificadas paraguaias do Piquissiri. Lpez foi inteiramente surpreendido por esse movimento, tamanha era sua confiana na impossibilidade de grandes contingentes atravessarem o Chaco.

    Batalha de Ava, quadro de Pedro Amrico no Museu Nacional de Belas Artes Na noite de 5 de dezembro, as tropas brasileiras encontravam-se em terra e, em vez de avanar para a capital, j desocupada pela populao e bombardeada pela esquadra, iniciaram no dia seguinte o movimento para o sul, conhecido como a "dezembrada" - a srie de vitrias obtidas por Caxias em dezembro de 1868. No mesmo dia 6, o general Bernardino Caballero tentou barrar-lhes a passagem na ponte sobre o arroio Itoror. Na tomada da ponte de Itoror, Caxias partiu a galope em direo ao inimigo, com espada em punho, exclamando: "sigam-me os que forem brasileiros!". Vencida a batalha de Itoror, o Exrcito brasileiro prosseguiu na marcha e aniquilou na Batalha de Ava, localidade de mesmo nome, em 11 de dezembro, as duas divises de Caballero.

    Soldados brasileiros ajoelham-se ante a esttua de Nossa Senhora da Conceio durante uma procisso em 30 de maio de 1868.

    Em 21 de dezembro, tendo recebido o necessrio abastecimento

  • por Villeta, os brasileiros atacaram o Piquissiri pela retaguarda e, aps seis dias de combates contnuos, conquistaram a posio de Lomas Valentinas, com o que obrigou a guarnio de Angostura a render-se em 30 de dezembro. As batalhas da Dezembrada exibiram espantosas mortandades dos dois lados, bem como tentativas de recuo das tropas brasileiras, impedidas graas presena de Caxias na linha de frente. Lpez, acompanhado apenas de alguns contingentes, fugiu para o norte, na direo da cordilheira. Aps destruir o exrcito paraguaio em Lomas Valentinas, Caxias acreditava que a guerra tinha acabado. No se preocupou em organizar e chefiar a perseguio de Lpez, pois parecia que o ditador fugia para se asilar em outro pas e no, como se viu depois, para improvisar um exrcito e continuar a resistir no interior. No dia 24 de dezembro os trs novos comandantes da Trplice Aliana (Caxias, o argentino Gelly y Obes e o uruguaio Enrique Castro) enviaram uma intimao a Solano Lpez para que se rendesse. Mas Lpez recusou-se a ceder e, acompanhado apenas de alguns contingentes, fugiu para o norte, na direo da cordilheira, chegando a Cerro Len. O comandante-em-chefe brasileiro se dirigiu para Asuncin, evacuada pelos paraguaios e ocupada em 1. de janeiro de 1869 por tropas imperiais comandadas pelo coronel Hermes Ernesto da Fonseca,14 pai do futuro Marechal Hermes da Fonseca. No dia 5, Caxias entrou na cidade com o restante do exrcito e 13 dias depois, por motivo de sade, deixou o comando e regressou ao Brasil. A partida de Caxias e de seus principais chefes militares fez crescer entre as tropas o desnimo, com a multiplicao dos pedidos de dispensa dos oficiais e voluntrios. Quinta fase: caa a Solano Lpez (1869-1870)[editar | editar cdigo-fonte] Fim da guerra: o comando do Conde d'Eu[editar | editar cdigo-fonte]

  • Prisioneiros paraguaios durante a ocupao da capital, Assuno. No terceiro perodo da guerra (1869-1870), o genro do imperador Dom Pedro II, Lus Filipe Gasto de Orlans, Conde d'Eu, foi nomeado para dirigir a fase final das operaes militares no Paraguai, pois buscava-se, alm da derrota total do Paraguai, o fortalecimento do Imprio Brasileiro. O marido da princesa Isabel era um dos poucos membros da famlia imperial com experincia militar, j que na dcada de 1850 participara, como oficial subalterno, da campanha espanhola na Guerra do Marrocos. A indicao de um membro da famlia imperial pretendia diminuir as dificuldades operacionais das foras brasileiras, problema agravado pelos muitos anos de campanha, pela insatisfao dos veteranos e pelos conflitos, polticos e pessoais, que se alastravam entre os oficiais mais experientes. Em agosto de 1869, a trplice aliana instalou em Asuncin um governo provisrio fantoche aliado de contrrios a Solano, encabeado pelo paraguaio Cirilo Antonio Rivarola. O Imprio acelerou o processo para a formao do governo, que prometer realizar eleies democrticas no ano seguinte e criar uma assembleia constituinte. Solano Lpez, prosseguindo na resistncia, refez um pequeno exrcito de 5000 homens, a maioria velhos, crianas e veteranos semi-invlidos14 e 36 canhes na regio montanhosa de Ascurra-Caacup-Peribebu, aldeia que transformou em sua capital. frente de 12 mil homens, o conde d'Eu chefiou a campanha contra a resistncia paraguaia, a chamada Campanha das Cordilheiras, encerrada em 18 de agosto.14

  • Conde dEu em revista a tropas brasileiras em campo aberto, 1869. Principalmente no Brasil, aps os conservadores terem voltado ao poder no camar imperial, se tornou prioridade a reconstruo do estado paraguaio. Para este ser reconhecido, era necessrio a vitria sobre Solano. O processo foi acelerado pela entrada no governo argentino, em 1868, de Domingo Faustino Sarmiento, cujos desejos expansionistas o Imprio do Brasil temia.10

    Coronel Joca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluindo Jos Francisco Lacerda, mais conhecido como

    "Chico Diabo" (terceiro em p, da esquerda para a direita). O exrcito brasileiro flanqueou as posies inimigas de Ascurra e venceu a batalha de Peribebu (12 de agosto), para onde Lpez transferira sua capital. Aps a batalha de Peribu, o Conde d'Eu parece ter-se exasperado com a obstinao paraguaia em continuar a luta, nada fazendo para evitar a degola de prisioneiros capturados durante e depois dos combates. Na batalha seguinte, Campo Grande ou Nhu-Guau (16 de agosto), as foras brasileiras se defrontaram com um exrcito formado, em sua maioria, por adolescentes e crianas e idosos, recrutados a fora pelo ditador paraguaio. A derrota paraguaia encerrou o ciclo de batalhas da guerra. Os passos seguintes consistiram na mera

  • caada a Lpez, que abandonou Ascurra e, seguido por menos de trezentos homens, embrenhou-se nas matas, marchando sempre para o norte. Dois destacamentos foram enviados em perseguio ao presidente paraguaio, que se internara nas matas do norte do pas acompanhado de 200 homens. No dia 1. de maro de 1870, as tropas do general Jos Antnio Correia da Cmara (1824-1893), o Visconde de Pelotas, surpreenderam o ltimo acampamento paraguaio, em Cerro Cor,14 onde Solano Lpez foi ferido a lana pelo cabo Chico Diabo e depois baleado, nas barrancas do arroio Aquidabanigui, aps recusar-se rendio. Depois de Cerro Cor, as tropas brasileiras ficaram eufricas, assassinando civis, pondo fogo em acampamentos e matando feridos e doentes que se encontravam nos ranchos. No era esse o desejo do imperador D.Pedro II, que preferia ter Lpez preso a morto. No Rio de Janeiro, a morte de Lopz foi muito bem recebida e o imperador recuperou sua popularidade que havia sido abalada pela dispendiosa guerra. Em 20 de junho de 1870, Brasil e Paraguai assinaram um acordo preliminar de paz.10 Consequncias[editar | editar cdigo-fonte] Mortalidade[editar | editar cdigo-fonte]

  • Cadveres paraguaios aps a Batalha de Boquern, julho de 1866 (Bate & Co. W., albumen print, 11 x 18 cm, 1866; Museo Mitre, Buenos Aires).

    O Paraguai sofreu grande reduo em sua populao. A guerra acentuou um desequilbrio entre a quantidade de homens. Algumas fontes18 citam que 75% da populao paraguaia teriam perecido ao final da Guerra. Dos cerca de 160 mil brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai as melhores estimativas apontam cerca de 50 mil bitos e outros mil invlidos. Outros ainda estimam que o nmero total de combatentes pode ter chegado a 400 mil, com sessenta mil mortos em combate ou por doenas. As foras uruguaias contaram com quase 5.600 homens, dos quais pouco mais de 3.100 morreram durante a guerra devido s batalhas ou por doenas. J a Argentina perdeu cerca de 18 mil combatentes dentre os quase 30 mil envolvidos. Outros 12 mil civis morreram devido principalmente a doenas. Fato que a Guerra do Paraguai no se diferenciou dos demais conflitos ocorridos durante o sculo XIX. As altas taxas de mortalidade no foram decorrentes somente por conta dos encontros armados. Doenas decorrentes da m alimentao e pssimas condies de higiene parecem ter sido a causa da maior parte das mortes. Entre os brasileiros, pelo menos metade das mortes tiveram como causa doenas tpicas de situaes de guerra do sculo XIX. A principal causa mortis durante a guerra parece ter sido o clera. Ps-guerra[editar | editar cdigo-fonte]

    Em laranja, os territrios, segundo a historiografia paraguaia, perdidos para os pases vencedores da Guerra do Paraguai.

    No houve um tratado de paz em conjunto. Embora a guerra tenha terminado em maro de 1870, os acordos de paz no foram concludos de imediato. As negociaes foram obstadas pela recusa argentina em reconhecer a independncia paraguaia. O Brasil no aceitava as pretenses da Argentina sobre uma grande parte do Grande Chaco, regio paraguaia rica em quebracho (produto usado na industrializao do couro). A questo de limites entre o Paraguai e a Argentina foi resolvida

  • atravs de longa negociao entre as partes. A nica regio sobre a qual no se atingiu um consenso a rea entre o rio Verde e o brao principal do rio Pilcomayo foi arbitrada pelo presidente estado-unidense Rutherford Birchard Hayes que a declarou paraguaia. O Brasil assinou um tratado de paz em separado com o Paraguai, em 9 de janeiro de 1872, obtendo a liberdade de navegao no rio Paraguai. Foram confirmadas as fronteiras reivindicadas pelo Brasil antes da guerra. Estipulou-se tambm uma dvida de guerra que foi a primeira dvida da histria paraguaia e foi intencionalmente subdimensionada por parte do governo imperial do Brasil mas que s foi efetivamente perdoada em 1943 por Getlio Vargas, em resposta a uma iniciativa idntica da Argentina. O Paraguai perdeu 90 mil quilmetros quadrados para o Brasil nos tratados de paz.19 . O reconhecimento da independncia do Paraguai pela Argentina s foi feito na Conferncia de Buenos Aires, em 1876, quando a paz foi estabelecida definitivamente. Em dezembro de 1975, quando os presidentes Ernesto Geisel e Alfredo Stroessner assinaram em Assuno um Tratado de Amizade e Cooperao20 , o governo brasileiro devolveu ao Paraguai trofus da guerra.21 . Concluses[editar | editar cdigo-fonte]

    Preparativos para o festejo da vitria no Brasil, 1870.

  • Resultados da guerra:22 PARAGUAI: destruio do Estado existente, perda de territrios vizinhos e runa da economia paraguaia, de modo que mesmo dcadas depois, no conseguiu se desenvolver da mesma forma que os vizinhos. Perdas na guerra: at 69% da populao, a maioria devido a doenas, fome e exausto fsica. BRASIL: a guerra exps a fragilidade militar-estrutural do Imprio, devido escravido, principalmente, mas saiu vitorioso militarmente e fortaleceu sua hegemonia at 1875. Reflexos internos: desequilbrio oramentrio e no Tesouro brasileiro, alm da forte dissociao entre Exrcito e monarquia, devido ao sentimento de identidade que se construiu durante a guerra. Perdas na guerra: 50 mil homens, devido a doenas e ao rigor do clima. O tesouro real indicou um gasto de 614 mil contos de ris, provindos das seguintes fontes23 : Emprstimo Estrangeiro: 49 (em milhares de contos de Ris) Emprstimo Interno: 27 Emisso de dinheiro: 102 Emisso de ttulos: 171 Imposto: 265 O conflito custou, pois, ao Brasil, quase onze anos do oramento pblico anual, em valores de pr-guerra, o que permite compreender melhor o persistente "dficit" pblico nas dcadas de 1870 e 1880. Tambm chama a ateno, nos nmeros sobre as fontes dos recursos gastos na luta, a participao proporcionalmente pequena de emprstimos externos. O Brasil levou guerra em torno de 139 mil homens, de um total de pouco mais de 9 milhes de habitantes, ou seja, cerca de 1.5% da populao. A origem conhecida dos efetivos, sem incluir os efetivos da Marinha, foram24 : Voluntrios da Ptria: 54.992 Guarda Nacional: 59.669 Recrutamento e Escravos Libertos: 8.489 Total: 123.148 ARGENTINA: passou por inmeras rebelies federalistas contra o governo nacional, pelo descontentamento com a guerra; economicamente foi beneficiada, pois abasteceu as tropas brasileiras com produtos (principalmente carne e cereais) oriundos de Buenos Aires, mas tambm houve sangria do Tesouro nacional. A guerra contribuiu para a consolidao do Estado

  • nacional argentino e para dinamizar sua economia. Perdas na guerra: 30 mil homens. URUGUAI: sofreu impactos menores. Perdas na guerra: 5.000 soldados. Alteraes no plano regional: a guerra de certa forma substituiu a histrica rivalidade entre Argentina e Brasil pela cooperao entre os dois grandes pases, uma aliana estratgica duradoura, embora as desconfianas entre os lados continuem at hoje. Durante todo o tempo da campanha, as provncias de Entre Rios e Corrientes abasteceram as tropas brasileiras com gado, gneros alimentcios e outros produtos. Economicamente, os mais beneficiados foram os comerciantes argentinos durante a guerra. O Brasil, que sustentou praticamente sozinho a guerra, pagou um preo alto pela vitria. Durante os cinco anos de lutas, as despesas do Imprio chegaram ao dobro de sua receita, provocando uma crise financeira. A escravido passou a ser questionada, pois os escravos que lutaram pelo Brasil permaneceram escravos.2 O Exrcito Brasileiro passou a ser uma fora nova e expressiva dentro da vida nacional. Transformara-se numa instituio forte que, com a guerra, ganhara tradies e coeso interna e representaria um papel significativo no desenvolvimento posterior da histria do pas. Alm disso, houve a formao de um inquietante esprito corporativista no exrcito, que futuramente, formaria a Repblica Federativa Brasileira. Na cultura popular[editar | editar cdigo-fonte] Romances[editar | editar cdigo-fonte] Carlos de Oliveira Gomes, A Solido Segundo Solano Lpez,

    Civilizao Brasileira, 1980;25 Crculo do Livro, 1982. Joseph Eskenazi Pernidji e Mauricio Eskenazi e Pernidji.

    Homens e Mulheres na Guerra do Paraguai. Imago, 2003. Lily Tuck. The News From Paraguay. Harper Perennial, 2004. DORATIOTO, Francisco. Maldita guerra. So Paulo: Companhia

    das Letras, 2002. Filmes[editar | editar cdigo-fonte] Argentino hasta la muerte, de Fernando Ayala, Argentina (1971). Cerro Cora, de Guillermo Vera, Paraguai (1978). Guerra do Brasil, documentrio de Sylvio Back, Brasil (1987). Netto perde sua alma, de Beto Souza e Tabajara Ruas, Brasil

    (2001).

  • Cndido Lpez - Los campos de batalla, documentrio de Jos Luis Garca, Argentina (2005).

    The Paraguayan War, documentrio de Denis Wright, Brasil (2009).

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