guattari, félix. revolução molecular

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ffi Rmana deSant'Anna 0 CanibalismoAmoroso- A ansa .0ACondi9aodaMulher- MartaSup!lcy hn: AContestal;aoHomossexual - Guy Hocqueng e ElegiaEr6ticaRomana- Veyne. AFun9aodoOrgasmo - Wilhelm UNICEF Tucker OsPapelsSexu81s - Porneia- Aline Rousselle N (DeslConhecida_ Mari/ena RepressaoSexual - Essa ossaChaui . P,' Klossowski .Sade, MeuPr6xlmou 7e;reogramaEducacional _ Fundaf;ao Sexoe Juventude- m rCarlosChagas Sexo eP.oder- Diversos _Daniel Guerin UrnEnsaloa gRevO e ImagensFemininas_ Vivencia- Hlst6na, exuaIFunda9aoCarlosChagasFelix Guattari MOLECULAR:PULSA(:OES POLiTICAS DO DESEJOSeleriio. pre/acio e traduriio:Suely Belinha Rolnik1a edi,ao 1981edi9ao,'p'iiie.Q1985Copyright Encres -Bditions Titulo original emfrances: La RevolutIOn MoMculalre prefacio e notas:Suely Belinha Rolnikcom a de:_ Miriam Chnaiderman e Domingos Paulo Infante:comentfuios sobre prefilcio e notas.Regina Braga Favre, Marilda Pedreira, Marcia deAlmeida eJose Gatti:revisao._ Marilda Pedreira e Marise Raven Vianna:algumas - Marilene Carone:referencias ao original alemao dos textos de Freud.- Nobil Bonduki:referencias as de Marx._ Walter Almeida Junior:referencia acibemetica.,fudicePrefacio 7Capa:Que Mascara!Revisiio tipografica :Jose E. AndradeHeitor F. da CostaIG5Editora Brasilianse S.A.R.General Jardim,16001223- Slio Paulo - SPFone (011) 231-1422III1.I - REVOLUCAO MOLECULAR POR TODA PARTESomos todos grupelhos 12As lutas do desejo e a psicaniilise 20Devir mulher 34Tres milhoes de perversos no banco dos reus 38Cheguei ate a encontrar travestis felizes 43Gangues em Nova Iorque 46As creches e a 50MilhOes e milhOes de Alices no ar . . . . . . . . . . . . . . 56Devirmalandro, bicha 64A autonomia possivel 70II - DA ANALISE INSTITUCIONAL AESQUIZOANALISE: NA TRILHA DA MUTACAootim dos fetichismos 76A transversalidade 88A transferencia 106Mary Barnes ou 0 Edipo antipsiquiiitrico 114A trama da rede 124Antipsiquiatria e antipsicaniilise 128!j6FELIX GUATIARIPistas para uma esquizoanlilise - os oito principios 138Telegrama - maquina I 142III - DESCARTAVEIS TEORICOSo amor de Swann como colapso semi6tico .Fala,ao em torno de velhas estruturase novos sistemas .o inconsciente maquinico e a revolu,ao molecular .Micropolitica do fascismo .ocapital como integral das forma.,oes de poder .o capitalismo mundial integrado e a revolu,lIo molecular .Telegrama - maquina II...........................Referencias dos artigos apresentados .lndice de siglas ...................................146157165173191211227228230IlPrefacioFelix Guattari - militante/analista/teorico - slio muitos e mui-tas podem ser suas apresental;Oes.A biografia de Guattari segue atrajetoriadasingu!aridadedoscamposporoodeeleseproduz. Guattari eurndos nomes dahisto-ria. Reduzir esta viagem"rizomatica"infinita acertezadeurnportosegura - polltico/analitico/te6rico -, de coordenadas fixas, seria per-der aquilo que de melhor Guattari tern para nos dar.as textos escolhidos, ao longo de sua obra, publicada ou inedita,saocomourndianadedecircunstancias, dedeslocamentos nestes tres campos.DoGuattari politico, vamosacompanhandodiversos lances de molecular: no movimento dos homossexuais e das mulheres,o"devir mulher"domachoquecadaurndenossomas; nos subur-bios nova-iorquinos, a autogestao de hospitais e deservic;osdedesin-toxica9lioeaocupa9aodoespa90social pelasganguesdenegroseporto-riquenhos, sugerindoaemergenciadeumanovasubjetividadecoletiva;nas creches, 0reconhecimento de urn "devir crianc;a", expul-sando 0 corpo resignado da infantiliza9ao; nos meios de comunica9aodemassa, aproliferaC;aodasradios-livresinterferindonas ondas detodaaEuropa, ouaindaosproprios partidospoliticosesindicatoscomo solo possivel de revo!u90es moleculares.Do Guattari analista, acompanhamos aquele da psicaniliise se me-tamorfoseando - da psicoterapia institucional aesquizoaniliise -,eaquele do encontro com outras experiencias deruptura neste campo,que irao se articular numa rede internacional. -Do Guattari teorico, acompanhamos momentos do trabalhominucioso de conceitos no encontro comMarx, comFreud, com8 FELIXGUATIARI REVOLUI;.l..O MOLECULAR 9Proust, com os estruturalistas e com muitos oulros. Vamos assistindo ade uma teoria do' desejono campo social, onde economiapoliticaeeconomialibidinalsaoinseparaveis. Aeconomialibidinale a subjetividade da economia politica. 0 inconsciente e "maquinico"- 0que nao tem nada aver seja com mecinico, seja com maquinetasperversas- inconsciente da de"maquinasdedesejo" nocampo social. Volati1iza-se a barra pesada que separa um campo pri-vadododesejo deumcampopublicodotrabalhorentabilizado, darealidade e da luta. A dos "fluxos esquizo"na economia dodesejoeamolapropulsorade pessoallsocial, dehist6ria.Saoesses"fluxosesquizo"queapsicanausetem0 meritodesuscitar e. no entanto, sao precisamente eles que, de acordo com De-leuze/Guattari, ela buscaexorcizar. dos "fluxos es-quizo"comode deumtipode"agenciamentocoletivo de tornado destino universal: drama edipiano daneurose em familia ou entre pessoas conjugalizadas.apartir da qual se interpreta 0que cmperra e0 que possibilita a repro- desteagenciamento. Analisedeumsujeito possessivo pessoal,individuado, persono1ogico, privado, na busca deumobjetoperdido.ra a esquizoanAlise, e precisamente para estes"fluxos esquizo"que ela busca abrir caminhos. Atualidade dos "fluxos esquizo" comode novos "agenciamentos coletivos de Coletadosde singularidade deumprocesso de deagencia-mentos de desejo no interior dos quais se analisa0que emperra e 0 quepossibilita sua potencialidadetransformadora. Analisedeumaindi- dinintica sem sujeito, de umafuncional de fluxossociais, materiais e de signos que sao a objetividade do desejo. Analisedeumdevir.Embarcandonestaviagem, vislumbramos 0 quantoestas trespraticasseimplicam:political dedesejoldequestao. Cadadeslocamentodede Guattari, numa delas,gerandonasoutrasduasumGuattaridefasado, subjetividadedesfo-cada, "fluxosnon-sens, e necessariamente des-locamentos locais demolecular: "maquina deguerra"I"maquina de desejo"Imaquina teorica.Por brotarem dos "fluxos esquizo" , por teremde inventarpalavras-desde-a-desordem, por serem pistas dede singularidade. os textos preservam estanos por ondea leitura os encontra. Instrumentos para novas mutac;:oos, novos "agen-ciamentos coletivos denova subjetividade, novas"linhasde fuga", nuncaiguais aquelas queos geraram. Tambema insti-daleituraesacudidapelamolecular. 0 queseriauma leitura molecular?Ler como num encontro amoroso do tipo daquele que canta Cae-tano-llcapte-me, rapre-me, adapte-me, it's up to me, camaleao", oude que fala Deleuze."procedimento de pick-me-up" ou de pick-up ou"dupla captura" ou "duplo raubo". "Nupcias-entre-dois-reinos","mipcias-contra-natureza", onde se cria urn Hbloco de evolUf;ao a-para-lela". Ou seja,0autor naa eurn de mim, en mais ele nao somasum, 0que implica quenem ele e um, nem eu sou mim. Entre nos hizonas-de-transparencia, quecolocamemcontactosubjetividades - singulares de fluxos sociais, materiais edesignos -,criandoumaarea-de-intimidade-e-desejoondeumeoutrose meta-morfoseiam. Nuncaparalelamente. Hatambementrenos zonas-de-opacidade necessariamente intemas/ extemas, criando ou-deserto, "fluxos esquizo", "pensamento semimagem", "gagueirana linguagem".Seleilor, negoestasareas devazio, sejaculpando0 autor -acusando-o de atentado ao pudor politicolanalitico/teorico - seja meculpando, fincomaisdoquedepressa0 Mastrodealgumabandeiranomeando a terra e sua posse,transformo vazio em area de repeti'r3.ocega, de estereotipada, de-linhasdesedentarismo, oudeLinha dura. Prisioneiro do imaginario, mantenho-me iguala mim e 0autor comoEsterilidade de leitura. Mime-tismo. Leitura molar onde se produzem palavras-de-ordem.Se, de outro modo,nestasareas-de-vazio adomovimento, aleiturase tornaa do contactocomos"fluxos esquizo"que vao-setransformando em"linhas de fuga ou de\"coeficiente de, "devir mulher", "denrminoritario", "potencianomade", enfim, de historia. Li-bertapara0 acessoaoreal, adquironovasnovas armas, medesnaturo. Nunca sou mesmo, nunca0 autor emesmo para mim."NUpcias-contra-natureza".Metamorfose. Leitura molecular ondeseproduzem palavras-desde-a-desordem.Ospartidarios da linha dura, ditadura dacerteza. fazemdopensamentoumadeda historia. LOgica de cafetao,totem do capital, macho-totem.Os navegantesdas linhas de fuga, tribodaincerteza, fazemdopensamento uma"potencianomade", engrenagemde "rna-quinadeguerra". Guerra que e necessariamente vitoriosa pois que e a .dos deslocamentos da historia. Isto e irremediavel e nao tem nada avercom progresso, tampouco com cafetoes. Nao hiI nada demais sublimeno humano do que suapermanente.Seu "devir mulher".omovimento e sempre contra-corrente, contra-sentido, contra-cuI-tura, contra-natureza. Movimento de homens desnaturados. Potenciadesnaturante.Minha leitura - - e tenden-ciosa. Emerge da singularidade de urn encontro cuja trajet6rianofinal da decada de 60. Naqlie1e momentonoBrasil os "fluxosesquizo"perderam, marcadamente, seudireito acidadania. Foramdesnaturalizados. Quando os"fluxos esquizo"saoaoexilio,impedidosdeseremmaterialde denovos agenciamentoscoletivosdedesejo, de"';remlugar deaberturapara pessoal/social, passama giraremtomadesi mesmos, emcircuitofechado. Humilhados, adoecem, tomando-seesquizofreniade asilo,loucura ou morte.Exilada aqui, anistio-me naoprimeiro efeito do encontro com Guattari foi a dadignidade. Direitoamedesnaturar, direitoaodesejo, direitoao en-contro possivel. Oireito a dasdireito abuscadas palavras-desde-a-desordem, contra adesta busca.Direito acidadania, adignidade dos "fluxos esquizo".Quem e entiio Felix Guattari?por indagar 0que fezefaz, eacabamos nos deslocandoparaoutrada questao:"quem sao os Felix Guattari quecadaleitura encontra?", ou: "paraonde este encontro desnatura?"; ou ainda: "qual0 clevir decadaurnneste encontro?".Asrespostaspara estasperguntass6 podemser produzidasnaviagemsingulardecada leitor. Cada urnqueseapresente, comseucamaleao, encontrando snas proprias zonas-de-transparencia, criandosuas pr6prias areas-de-intimi