GRUPO I – CLASSE I – Plenário

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GRUPO I CLASSE I Plenrio

GRUPO I CLASSE I Plenrio

TC-003.478/2006-8 (com 3 anexos)

Natureza: Administrativo

Interessado: Tribunal de Contas da Unio

rgo: Tribunal de Contas da Unio

Advogado constitudo nos autos: no h

SUMRIO: ADMINISTRATIVO. CRITRIOS DE ACEITABILIDADE DO LUCRO E DESPESAS INDIRETAS LDI EM OBRAS DE LINHAS DE TRANSMISSO E SUBESTAES DE ENERGIA ELTRICA. APROVAO DE VALORERS REFERENCIAIS. ORIENTAES S UNIDADES TCNICAS.

Cuidam os autos do Relatrio do Grupo de Trabalho constitudo por fora de determinao do Acrdo 1.566/2005 Plenrio, com o objetivo de propor critrios de aceitabilidade para o Lucro e Despesas Indiretas (LDI) em obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica.

Adoto como Relatrio o trabalho produzido pelo Grupo e referendado pelo Diretor e pelo Titular da Secretaria de Fiscalizao de Obras e Patrimnio da Unio SECOB:

INTRODUO

O Plenrio deste Tribunal, em 05/10/2005, determinou, por meio do subitem 9.3 do Acrdo 1.566/2005, que fosse constitudo Grupo de Trabalho com o objetivo de propor critrios de aceitabilidade para o Lucro e Despesas Indiretas (LDI) em obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica, identificando os itens passveis de serem considerados na composio do LDI, os valores mdios ou medianos praticados e a respectiva faixa de variabilidade, com vistas a subsidiar o trabalho de fiscalizao deste tipo de obra e, mais especificamente, a anlise da razoabilidade dos valores de LDI propostos pelo Consrcio Alusa/Amper, no Contrato n. 4500007623, firmado com a Eletronorte.

Preliminarmente, como medida precursora ao atendimento da determinao do colegiado mximo desta Corte, a Secretaria-Geral de Controle Externo editou a Ordem de Servio - SEGECEX n.01, de 24 de janeiro de 2006, que constituiu Grupo de Trabalho, composto pelos Analistas de Controle Externo Lus Emlio Xavier dos Passos, Eustquio Jos Rodrigues e Marcelo Rocha do Amaral, para apresentar proposta de trabalho para definir os critrios de aceitabilidade do Lucro e Despesas Indiretas em obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica.

Aps apresentao e aprovao da proposta pelo Grupo supracitado, foi constitudo novo Grupo, por meio da Ordem de Servio SEGECEX n. 06, de 16 de maro de 2006, composto pelos analistas Daniel Fernandes da Cunha Gonalves Basto, Marcelo Rocha do Amaral e Rogrio Blass Staub, para execuo dos trabalhos para definir os critrios de aceitabilidade do LDI em obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica.

2 OBJETIVO DO TRABALHO

O principal objetivo deste trabalho propor critrios/parmetros de aceitabilidade para o LDI Lucro e Despesas Indiretas, tambm denominado BDI Bonificao e Despesas Indiretas ou Benefcios e Despesas Indiretas em obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica. Cabe ressaltar que, alm das obras de implantao de linhas de transmisso, o trabalho abrangeu obras de subestaes, que tambm compem o sistema de transmisso de energia eltrica.

Alm disso, procurou-se identificar os elementos passveis de serem includos na composio do LDI, os valores praticados e a respectiva faixa de variabilidade. desses itens.

Embora trate de LDI para obras de linhas de transmisso e de subestaes, o presente trabalho pode fornecer uma referncia genrica, pois sua especificidade limita-se aos valores observados para o setor, sendo os conceitos e a composio do LDI propostos aplicveis a outros tipos de obras.

3 METODOLOGIA

Foram realizadas pesquisas de publicaes sobre LDI, sobre custos de implantao de linhas de transmisso e de subestaes e levantamento de dados junto a empresas estatais da Unio que atuam no setor eltrico.

O levantamento de dados abrangeu visita s empresas Furnas, Chesf, Eletronorte, Eletrosul e Eletrobrs, alm da ANEEL, para obteno das seguintes informaes e documentos:

- estudos e metodologias de clculo de LDI em obras de linhas de transmisso e subestaes desenvolvidos pela empresa;

- critrios de aceitabilidade de percentual e de composio de LDI adotados pela empresa em procedimentos licitatrios;

- contratos recentes de obras de construo de linhas de transmisso e de subestaes firmados na modalidade concorrncia com discriminao do LDI adotado e planilha oramentria da proposta vencedora.

Alm das informaes e documentos, as visitas propiciaram discusses sobre a abordagem dada ao LDI em cada empresa com as reas tcnicas responsveis pela elaborao dos oramentos.

4 LUCRO E DESPESAS INDIRETAS LDI

4.1 Conceito

Vrios conceitos podem ser utilizados para se compreender o LDI. Explicados de formas distintas, tentam definir uma parcela do oramento de obras, em razo da sua segmentao em custos diretos e indiretos.

O Instituto de Engenharia conceitua BDI como o resultado de uma operao matemtica para indicar a margem que cobrada do cliente incluindo todos os custos indiretos, tributos, etc. e logicamente sua remunerao pela realizao de um empreendimento.

Andr Luiz Mendes e Patrcia Reis Leito Bastos definem BDI como a taxa correspondente s despesas indiretas e ao lucro que, aplicada ao custo direto de um empreendimento (materiais, mo-de-obra, equipamentos), eleva-o ao seu valor final.

O TCU, na Deciso 255/1999-Plenrio, definiu o BDI como um percentual aplicado sobre o custo para chegar ao preo de venda a ser apresentado ao cliente.

Compreendida como uma relao matemtica entre os custos indireto e direto para formao do preo da obra, essa incidncia pode ser explicitada pela seguinte frmula:

(

)

(

)

(

)

(

)

100

x

1

100

%

%

1

100

/

%

1

x

100

/

%

1

x

100

/

%

1

-

+

-

+

+

+

=

L

IS

TR

EF

ACC

LDI

onde PV = preo de venda;

CD = custo direto;

LDI = taxa de lucro e despesas indiretas.

Visto o papel do LDI no oramento de uma obra, para que se possa avaliar sua adequada aplicao, faz-se necessria a classificao dos componentes oramentrios em custos diretos e indiretos, bem como a definio daqueles que devem ou no integrar o LDI. Sendo uma relao matemtica que estimar o preo de uma obra, qualquer componente indevido no LDI causar distores na estimativa.

A parcela de custo direto - CD - sobre a qual incidir o BDI definida pelo Instituto de Engenharia como o resultado da soma de todos os custos unitrios dos servios necessrios para a construo da edificao, obtidos pela aplicao dos consumos dos insumos sobre os preos de mercado, multiplicados pelas respectivas quantidades, mais os custos da infra-estrutura necessria para a realizao da obra.

O custo direto, consoante o Sindicato da Indstria da Construo Civil do Estado de So Paulo (Sinduscon/SP), conceituado como a soma de todos os custos parciais obtidos atravs da composio de custos unitrios pela aplicao dos consumos dos insumos representados por materiais, mo-de-obra e equipamentos, multiplicados pelas respectivas quantidades, formatados numa planilha de custo direto ou planilha oramentria.

De forma mais objetiva, consideram-se custos diretos, aqueles que podem ser associados aos aspectos fsicos da obra, detalhados no projeto de engenharia, bem como ao seu modo de execuo, determinados pela organizao operacional e pela infra-estrutura necessria. Assim, custos diretos so aqueles relacionados aos materiais e equipamentos que comporo a obra, alm dos custos operacionais e de infra-estrutura necessrios para sua transformao no produto final, tais como mo-de-obra (salrios, encargos sociais, alimentao, alojamento e transporte), logstica (canteiro, transporte e distribuio de materiais e equipamentos) e outros dispndios derivados, que devem ser discriminados e quantificados em planilhas.

O DNIT considera os seguintes custos diretos:

- Custo Direto dos Servios representa a soma dos custos dos insumos (equipamentos, materiais e mo-de-obra) necessrios realizao dos servios de todos os itens da planilha.

- Custo de Administrao Local representa todos os custos locais que no so diretamente relacionados com os itens da planilha e, portanto, no so considerados na composio dos custos diretos. Inclui itens como: Custo da Estrutura Organizacional (pessoal), Seguros e Garantias de Obrigaes Contratuais e Despesas Diversas.

- Mobilizao e Desmobilizao a parcela de mobilizao compreende as despesas para transportar, desde sua origem at o local aonde se implantar o canteiro da obra, os recursos humanos, bem como todos os equipamentos e instalaes (usinas de asfalto, centrais de britagem, centrais de concreto, etc.) necessrios s operaes que a sero realizadas. Esto, tambm, a includas as despesas para execuo das bases e fundaes requeridas pelas instalaes fixas e para sua montagem, colocando-as em condio de funcionamento. Como, de um modo geral, a desmobilizao de equipamentos e instalaes se faz a fim de transport-los para uma nova obra, no ser prevista parcela especifica para este fim, com vistas a evitar dupla remunerao.

- Canteiro e Acampamento esta rubrica tem por finalidade cobrir os custos de construo das edificaes e de suas instalaes (hidrulicas, eltricas, esgotamento) destinadas a abrigar o pessoal (casas, alojamentos, refeitrios, sanitrios, etc.) e as dependncias necessrias obra (escritrios, laboratrios, oficinas, almoxarifados, balana, guarita, etc.), bem como dos arruamentos e caminhos de servio.

4.2 Despesas Indiretas

Definidos os custos diretos, necessrio se faz apresentar aqueles que no podem ser definidos como tais, e que, associados aos custos diretos e ao lucro, formaro o preo final da obra.

A Eletrobrs diz que o custo indireto compreende todas as despesas no alocveis diretamente execuo da obra. So custos decorrentes, por conseguinte, das necessidades e obrigaes do executor e no diretamente do projeto de engenharia.

Enquanto os custos diretos so objetivos e vinculados especificao do projeto da obra e suas quantificaes, os indiretos so subjetivos e associados ao executor, s suas necessidades operacionais (administrao central, seguros, garantia, caixa), de rentabilidade e obrigaes tributrias. A denominao indiretos se d em razo da sua valorao ser obtida em funo de percentuais dos custos diretos, representando o carter intrnseco ao projeto da obra que tem os custos diretos, diferentemente dos indiretos, que poderiam ser considerados extrnsecos, pois so subseqentes ao projeto j quantificado.

Portanto, consideram-se inadequados aqueles conceitos que definem como indiretos os custos que so associados com objetividade e segurana a uma obra especfica e que, para serem apropriados, precisariam ser rateados, isto , distribudos entre as diversas obras realizadas pela mesma empresa. A falha deste conceito se torna evidente em uma anlise de itens de despesas indiretas, a exemplo dos tributos, cujo valor resultante de uma obra determinada.

So normalmente considerados custos indiretos: despesas financeiras, administrao central, tributos federais (PIS/Cofins, CPMF), tributos municipais (ISS), seguros, riscos e garantias.

4.2.1 Despesas financeiras

Despesas financeiras so gastos relacionados ao custo do capital decorrente da necessidade de financiamento exigida pelo fluxo de caixa da obra e ocorrem sempre que os desembolsos acumulados forem superiores s receitas acumuladas. Nas obras pblicas, as empresas construtoras normalmente necessitam investir capital, pois as entidades contratantes s podem legalmente pagar pelos servios efetivamente realizados (Lei n. 4.320/1964, arts. 62 e 63) e dispem de 30 (trinta) dias para realizar o pagamento. No entanto, a empresa pode equilibrar seu fluxo de caixa com os prazos obtidos junto aos seus fornecedores.

O capital investido pelas empresas pode ser prprio, quando utilizarem recursos que j possuam em seus caixas, ou de terceiros, quando adquiridos junto a operadores financeiros (bancos, financeiras, etc.). No caso do capital prprio, sua remunerao normalmente calculada com o fim de promover sua atualizao monetria. Com relao a capital de terceiros, deve-se analisar qual o custo de oportunidade do capital, ou seja, deve-se apurar qual seria o seu rendimento se o capital de giro tivesse sido aplicado no mercado financeiro naquele perodo. Assim, a Administrao deve resguardar-se de taxas abusivas, pois o preo da obra no pode ser onerado por ineficincia operacional do executor. Dessa forma, a taxa de juros referencial para o mercado financeiro mais adequada a taxa SELIC, taxa oficial definida pelo comit de poltica monetria do Banco Central.

As despesas financeiras podem ser calculadas pela frmula:

(

)

1

1

30

-

+

=

n

j

DF

onde:

- DF a taxa de despesa financeira;

- j a taxa mensal de atualizao monetria ou de juros de referncia;

- n o nmero de dias decorridos entre o centro de gravidade dos desembolsos e a efetivao do pagamento contratual.

Ressalte-se que a competitividade nas licitaes estimula a queda dos preos propostos pelas empresas e faz com que as empresas que possuam capital prprio ou acesso a capital de baixo custo obtenham vantagem nas propostas para obras pblicas.

4.2.2 Administrao Central

Toda empresa possui uma estrutura administrativa com custo e dimenso prprios. A sua representao no LDI de uma obra definida estabelecendo em que proporo esse custo apropriado como despesa de uma obra. Pode ser de forma integral, quando a empresa executa apenas uma obra, de forma parcial, na hiptese de rateio entre vrias obras executadas pela empresa ou, at mesmo, no ser apropriada em uma obra especfica, caso a empresa tenha como alocar esses custos em outras atividades.

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) define Administrao central como a parcela do Preo Total que corresponde quota parte do custo da Administrao central do Executor, a ser absorvida pela obra em tela.

O Instituto de Engenharia define como rateio da administrao central a parcela de despesa da Administrao central debitada a determinada obra segundo os critrios estabelecidos pela direo da empresa. As despesas da Administrao central so aquelas incorridas durante um determinado perodo com salrios de todo o pessoal administrativo e tcnico lotado ou no na sede central, no almoxarifado central, na oficina de manuteno geral, pr-labore de diretores, viagens de funcionrios a servio, veculos, aluguis, consumos de energia, gua, gs, telefone fixo ou mvel, combustvel, refeies, transporte, materiais de escritrio e de limpeza, seguros, etc.

Diversos fatores podem influenciar as taxas de administrao central praticadas pelas empresas, dentre elas podem ser citadas: estrutura da empresa, nmero de obras que a empresa esteja executando no perodo, complexidade e prazo das obras.

Da, se depreende que, por exemplo, uma empresa com maior nmero de obras poder praticar uma taxa de administrao central inferior empresa do mesmo porte com apenas um canteiro.

4.2.3 COFINS/PIS

O Programa de Integrao Social (PIS) foi institudo pela Lei Complementar n. 7, de 7 de setembro de 1970.

O PIS tem como objetivo o financiamento do programa do Seguro-Desemprego e o abono aos empregados que recebem at dois salrios mnimos mensais.

A Contribuio Social para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foi instituda pela Lei Complementar n. 70, de 30 de dezembro de 1991, com a finalidade de financiar as despesas das reas de Sade, Previdncia e Assistncia Social.

At janeiro de 1999, as bases de incidncia do PIS e da COFINS, eram, salvo excees, a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestao de servios, tendo como alquota 0,65% para o PIS e 2% para a COFINS, calculados sobre as referidas receitas.

A partir de fevereiro de 1999, com a edio da Lei n 9.718, de 27 de novembro de 1998, as bases de incidncias do PIS e da COFINS foram ampliadas e passaram a contemplar no somente a receita bruta de vendas e da prestao de servios, mas tambm as demais receitas auferidas pela pessoa jurdica, independente de sua classificao contbil. A alquota do PIS foi mantida em 0,65% e a alquota da COFINS foi majorada para 3%.

Com a Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, foi estabelecido o sistema no cumulativo para o clculo desta contribuio para o PIS, passando a mesma a incidir sobre o valor agregado em cada etapa do processo produtivo. A alquota do tributo foi majorada de 0,65%, para 1,65%.

Com o advento da Lei n 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a apurao no-cumulativa foi estendida tambm para a COFINS, com alterao da alquota de 3% para 7,6%.

A no-cumulatividade de PIS/COFINS, consoante os arts. 10, inciso XX, e 15, inciso V, da Lei n. 10.833/2003, s ser aplicvel s receitas decorrentes da execuo por administrao, empreitada ou subempreitada, de obras de construo civil a partir de 01/01/2007, at a vspera vigoraro as alquotas de 3% e 0,65%. Essa no-cumulatividade significa a possibilidade de se efetuar descontos de crditos obtidos pela empresa, de acordo com o art. 3 da referida norma, sobre os valores resultantes da aplicao das novas alquotas. Cabe ressaltar que as pessoas jurdicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado e as optantes pelo simples no se enquadram no novo sistema de no-cumulatividade, ou seja, permanecem sujeitas s normas da legislao do PIS e da COFINS vigentes anteriormente s Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, consoante o art. 8, incisos II e III, e art. 10, incisos II e III, das referidas leis.

Essa mudana na legislao traz uma nova complexidade para o clculo do LDI, j que esses tributos deixam de ser fixos para assumirem percentuais variveis conforme o perfil dos dispndios da empresa. Como a legislao discrimina os dispndios que podem gerar esses crditos (dentre eles bens adquiridos para revenda; bens e servios utilizados como insumos na prestao de servios e na produo ou fabricao de bens ou produtos destinados venda; despesas como aluguis, energia etc), os que no esto relacionados (custo de mo-de-obra, tributos e lucro, por exemplo) no iro ger-los. Assim, as empresas que tm maior participao das operaes geradoras de crdito nas suas atividades levam vantagem na reduo das alquotas efetivas para o PIS e a COFINS. Por exemplo, para as empresas que j esto operando sob o efeito dessa nova forma de clculo, observa-se que na indstria e no comrcio, devido a crditos recebidos, as alquotas efetivamente pagas tm ficado abaixo dos 0,65% e 3%, para as alquotas de PIS e COFINS, respectivamente. No entanto, para empresas prestadoras de servios, que tm na mo-de-obra seu principal insumo, as alquotas geralmente so superiores aos referidos percentuais, pois no possuem muitos crditos para compensar.

A complexidade advm de se estabelecer parmetros para esses valores que so variveis. No caso concreto, as empresas proponentes podero fixar os percentuais de PIS e COFINS para o clculo do seu LDI, pois j conhecem, pela sua estrutura organizacional e pelo tipo de contrato a ser executado, os possveis crditos e valores aproximados das alquotas sob as quais devero trabalhar. Para efeito de oramentao do contratante, esses percentuais devero ser estimados.

Como exerccio para simulao dos efeitos das novas alquotas do PIS e da COFINS no clculo do LDI para obras do setor eltrico, tomou-se como referncia inicial os valores mdios observados na Tabela II (Tpico 9.7 - Faixa de Variao do LDI, deste trabalho). Em seguida, foi necessrio estimar o percentual de crdito que a empresa pode obter para se estabelecer a alquota efetiva.

No caso da construo civil, h estudos que estimam, de forma geral, que o custo da mo-de-obra representa em torno de 40% do custo total de uma obra, enquanto os materiais representam cerca de 60%. No entanto, como h incidncia do LDI sobre o custo direto para a formao do Preo de Venda, o custo com a mo-de-obra representar um percentual menor que 40% em relao ao faturamento. Por exemplo, com a utilizao de um valor mdio de LDI de 22,61% (Tabela II), a mo-de-obra representar um percentual de aproximadamente 33% (0,40 ( 1,2261) do Preo de Venda. De forma geral, esse percentual mais os relativos aos tributos e ao lucro representam a parte do faturamento que no gera crdito para apurao dos valores devidos do PIS e da COFINS. Portanto, ao avaliar esses ltimos percentuais, a parte remanescente do faturamento, teoricamente, corresponderia aos crditos possveis de serem utilizados para determinar a base de clculo e a alquota efetiva desses tributos.

Considerando-se, por hiptese, que 50% dos crditos podero ser descontados (um valor intermedirio entre a expectativa desses benefcios para os setores de indstria e comrcio e para o setor de servios), as alquotas efetivas da COFINS e PIS resultaro em percentuais de 3,8% e 0,825%, respectivamente. Agregando-se aos valores mdios de ISS - 3,5% e CPMF - 0,38%, obtm-se um total de tributos de 8,5%.

Para finalizar, considerando um percentual mdio de lucro de 8%, e somando-se todas essas parcelas (mo-de-obra 33%, tributos 8,5% e lucro 8%), alcana-se um total de 49,5% do faturamento, que no representam crdito para abatimento na apurao do PIS e da COFINS. Isso quer dizer que 50,5% poderiam ser descontados do faturamento para se chegar base de clculo da COFINS e do PIS. Pelo exerccio hipottico, as alquotas efetivas desses tributos, de forma simplificada, resultariam em 3,76% (7,6% x 49,5%) e 0,82% (1,65% x 49,5%) para COFINS e PIS, respectivamente.

Evidentemente, trata-se de uma anlise hipottica e que sofre de valores reincidentes, como as prprias alquotas do PIS e da COFINS. Entretanto, considerado o perfil do setor de construo civil, supe-se que a utilizao possvel de crditos para se estabelecer a taxa efetiva desses tributos no deve ser inferior a 50%. Pode-se notar tambm que uma pequena variao em torno desse percentual no afeta significativamente a estimativa desses tributos no LDI. No caso concreto, o oramentista ter uma melhor condio de estimar esses valores. Como exemplo, adotando uma variao de 5% positiva e negativa em torno da mdia de 50%, com um crdito sobre o faturamento de 45%, as alquotas efetivas da COFINS e do PIS ficam em 4,18% e 0,91%, respectivamente. De outro modo, se esse percentual ficar em 55% as alquotas passam para 3,42% e 0,74%. Ou seja, a apropriao desses tributos somados no LDI, variaria de 4,16% a 5,09%.

Alm disso, interessante notar que, para os casos em que a no-cumulatividade desses tributos j est vigorando, a legislao sobre o assunto ainda no est consolidada. Inmeros atos normativos j foram editados para definir questes ligadas ao clculo dos dois tributos. Como essa nova sistemtica de clculo s entrar em vigor a partir de 01/01/2007 para as receitas decorrentes da execuo por administrao, empreitada ou subempreitada, de obras de construo civil, no possvel prever com exatido como ela funcionar na prtica.

No h como enquadrar o PIS e a COFINS como custos de produo, pois no so gastos obtidos no processo de obteno dos servios e/ou bens que esto sendo executados. Tratam-se, portanto, de despesas indiretas.

De acordo com o que j foi mencionado para distino dos custos diretos e indiretos, o clculo desses tributos, como demonstrado, est relacionado com a empresa e com suas receitas, no sendo conseqncia direta do projeto e da execuo da obra e, sim, da receita dela resultante, confirmando o carter de despesa indireta.

4.2.4 CPMF e ISS

4.2.4.1 CPMF

A Contribuio Provisria sobre Movimentao ou Transmisso de Valores e de Crditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) foi instituda pela Lei n. 9.311, de 24 de outubro de 1996, que considerou como movimentao ou transmisso de valores e de crditos e direitos de natureza financeira qualquer operao liquidada ou lanamento realizado pelas entidades referidas no seu art. 2, que representam circulao escritural ou fsica de moeda e de que resulte ou no transferncia de titularidade dos mesmos valores, crditos e direitos.

O fato gerador da CPMF, conforme o inciso I do art. 2 da Lei n. 9.311/1996, o lanamento a dbito, por instituio financeira, em contas correntes de depsito, em contas correntes de emprstimo, em conta de depsito de poupana, de depsito judicial e de depsitos em consignao de pagamento.

A CPMF possui as seguintes alquotas, de acordo com seu perodo de incidncia:

I - 0,20%, relativamente aos fatos geradores ocorridos no perodo de 23 de janeiro de 1997 a 22 de janeiro de 1999;

II - 0,38%, relativamente aos fatos geradores ocorridos no perodo de 17 de junho de 1999 a 16 de junho de 2000;

III - 0,30%, relativamente aos fatos geradores ocorridos no perodo de 17 de junho de 2000 a 17 de maro de 2001;

IV - 0,38%, relativamente aos fatos geradores ocorridos no perodo de 18 de maro de 2001 a 31 de dezembro de 2007;

4.2.4.2 ISS

O Imposto sobre Servios de Qualquer Natureza (ISS), de competncia dos Municpios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestao de servios relacionados na lista anexa Lei Complementar n. 116/2003, de 01 de agosto de 2003, mesmo que tais servios no se constituam atividade preponderante do prestador do servio.

O contribuinte do ISS o prestador do servio (art. 5 da LC n. 116/2003).

O art. 3 da LC n. 116/2003 estabelece que o servio se considera prestado e o imposto devido no local do estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no local do domiclio do prestador, exceto nas hipteses relacionadas nos itens I a XXII do citado artigo, que indicam o local em que o imposto ser devido.

Considera-se estabelecimento prestador, conforme definio do art. 4 da LC n. 116/2003, o local onde o contribuinte desenvolva a atividade de prestar servios, de modo permanente ou temporrio, e que configure unidade econmica ou profissional, sendo irrelevantes para caracteriz-lo as denominaes de sede, filial, agncia, posto de atendimento, sucursal, escritrio de representao ou contato ou quaisquer outras que venham a ser utilizadas.

Conforme o art. 7 da LC n. 116/2003, a base de clculo do imposto o preo do servio, nela no se incluindo o valor dos materiais fornecidos pelo prestador dos servios previstos nos itens 7.02 e 7.05 da lista de servios anexa lei.

O art. 88 do Ato das Disposies Constitucionais Transitrias, com a redao dada pela Emenda Constitucional n. 37/2002, fixou a alquota mnima do ISS em 2% (dois por cento), ao passo que a alquota mxima foi fixada em 5% (cinco por cento) pelo art. 8, II, da LC n. 116/2003. Os municpios gozam de autonomia para fixar as alquotas do ISS, desde que respeitados esses limites.

Seguindo a mesma linha de raciocnio aplicada classificao do PIS/COFINS, a CPMF e o ISS so tributos que devem ser considerados como despesas indiretas. Estes, como aqueles, no decorrem da especificao do projeto ou da execuo da obra e, tambm, so subseqentes a esses custos diretos, pois tanto a movimentao financeira da empresa, base de clculo da CPMF, quanto as faturas da obra, base de clculo do ISS, englobam as parcelas correspondentes aos custos diretos e indiretos.

4.2.5 Risco, Garantias e Seguros

O Instituto de Engenharia conceitua a taxa de risco do empreendimento como aquela que se aplica para empreitadas por preo unitrio, preo fixo, global ou integral, para cobrir eventuais incertezas decorrentes de omisso de servios, quantitativos irrealistas ou insuficientes, projetos mal feitos ou indefinidos, especificaes deficientes, inexistncia de sondagem do terreno, etc.

Embora o Instituto de Engenharia tenha conceituado o risco para obras comuns, sob a tica do empreendedor, esse no se aplica s obras regidas por contratos administrativos. Para a realizao desses contratos, necessria a existncia prvia de projeto bsico pelo qual os licitantes devem se orientar assumindo os riscos da avaliao e precificao do projeto, dada por preos unitrios e quantitativos especificados. Cabe lembrar que, conforme definido no art. 6, inciso IX, da Lei n. 8.666/1993, o projeto bsico deve contemplar o conjunto de elementos necessrios e suficientes, com nvel de preciso adequado, para caracterizar a obra ou servio, ou complexo de obras ou servios objeto da licitao, que assegurem a viabilidade tcnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento, e que possibilite a avaliao do custo da obra e a definio dos mtodos construtivos e do prazo de execuo. Ou seja, se esses requisitos forem cumpridos a necessidade de modificaes decorrentes de projetos mal feitos ou indefinidos sero minimizados.

Assim, no contrato administrativo, a obra pactuada pelos quantitativos do projeto e os custos unitrios estabelecidos. Quaisquer alteraes dependero de repactuao do contrato, a ser aprovada pela Administrao, no incorrendo o executor em riscos de quantitativos.

Entretanto, existem ocorrncias no previstas em projetos e que podem repercutir no custo da obra e devero ser arcadas pelo contratado. Dentre elas podemos citar: perdas excessivas de material (devido a quebra ou retrabalho), perdas de eficincia de mo-de-obra, greves, condies climticas atpicas, dentre outros.

A taxa de riscos determinada em percentual sobre o custo direto da obra e depende de uma anlise global do risco do empreendimento em termos oramentrios.

Questes que podem ser previamente convencionadas no contrato ou ensejarem solicitao de reequilbrio econmico-financeiro, como a variao cambial (e o seu seguro - hedge) no devem ser enquadradas no LDI.

A fim de se resguardar de incidentes do empreendimento, o licitante pode firmar contrato de seguro, a fim de ser indenizado pela ocorrncia de eventuais sinistros. Dessa forma, o seguro deve corresponder a objetos definidos da obra, pelos quais o empreendedor deseja ser ressarcido no caso de perdas e pode abranger casos de roubo, furto, incndio, perda de mquinas ou equipamentos, dentre outros aspectos das obras civis.

A garantia contratual est prevista no art. 56 da Lei n. 8.666/1993, que estatui poder a Administrao Pblica para exigi-la:

Art. 56 A critrio da autoridade competente, em cada caso, e desde que prevista no instrumento convocatrio, poder ser exigida prestao de garantia nas contrataes de obras, servios e compras. (grifos nossos).

Esta exigncia faz parte das cautelas que a Administrao Pblica pode tomar para assegurar o sucesso da contratao. Trata-se, contudo, de exigncia discricionria, que poder ser requerida nas hipteses em que existirem riscos de leso ao interesse pblico, caso contrrio, a Administrao pblica no necessitar imp-la. A exigncia de garantia deve constar do instrumento convocatrio.

As garantias e os seguros das obrigaes contratuais so custos que resultam de exigncias contidas nos editais de licitao e s podem ser estimadas caso a caso, mediante avaliao do nus econmico-financeiro que poder recair sobre o licitante.

4.3 Lucro

O lucro um conceito econmico que pode ser descrito de diversas formas para representar uma remunerao alcanada em conseqncia do desenvolvimento de uma determinada atividade econmica. Para o setor em comento, execuo de obras civis, so enunciados diversos conceitos, que, em resumo, iro reproduzir essa mesma idia.

O Sinduscon/SP conceitua lucro como:

parcela destinada a remunerar o acervo de conhecimentos acumulados ao longo dos anos de experincia no ramo, capacidade administrativa e gerencial, conhecimento tecnolgico acumulado, treinamento do pessoal, fortalecimento da capacidade de reinvestir em novos projetos e o risco do negcio em si.

O Instituto de Engenharia define lucro como:

parcela destinada a remunerar o custo de oportunidade do capital aplicado, capacidade administrativa, gerencial e tecnolgica adquirida ao longo de anos de experincia no ramo, responsabilidade pela administrao do contrato e conduo da obra por estrutura organizacional da empresa e investimentos na formao profissional do seu pessoal e criar a capacidade de reinvestir no prprio negcio.

O DNIT utiliza o termo margem para definir a parcela que:

complementa a formao do Preo de Venda, sem que possa ser considerada como item de custo, ela , na verdade, uma parcela destinada a remunerar os fatores da produo do Executor que intervm na obra, tais como: custo de oportunidade do capital aplicado nos equipamentos mobilizados na obra; capacidade administrativa e gerencial para a administrao do contrato e a conduo da obra, representada pelas estruturas organizacionais da empresa e pelo conjunto de normas e procedimentos de que se utiliza; conhecimento tecnolgico adquirido atravs de experincias pregressas e pelo investimento em formao, treinamento de pessoal e compra de know how e, finalmente, o risco do negcio. A margem , assim, um excedente sobre o custo orado, atravs do qual o Executor buscar realizar seu Lucro, bem como prover recursos para pagamento de impostos sobre o resultado. (grifo nosso).

O lucro esperado num contrato de obras civis expresso por um percentual sobre o valor do contrato disposto como parcela do LDI. Esse percentual determinante para formao do preo da obra e, embora seja fruto da expectativa de cada licitante, pode ser previsto um padro para cada ramo de atividade econmica. No caso dos contratos administrativos, o prprio histrico de percentuais praticados pode fornecer uma referncia para esse padro.

Desse modo, muitos rgos da Administrao pblica procuram identificar uma tendncia de lucro praticada dentro de suas atividades, com base em estudos disponveis ou em registros de contratos.

A Secretaria de Governo e Gesto Estratgica do Estado de So Paulo, com base em estudos da Fundao Instituto de Pesquisas Econmicas - FIPE, considera que deve ser adotada uma faixa de valores obtida a partir das demonstraes financeiras das empresas do setor, o que limitaria uma possvel variao da taxa de lucro (Estudos de Servios Terceirizados - Publicaes - Verso maio/1999 - Volume I -Prestao de Servios de Limpeza, Asseio e Conservao Predial - Captulo VII - Benefcios e Despesas Indiretas.).

Com base nesse critrio, aquela Secretaria adota para a contratao com rgos da Administrao pblica estadual uma margem de lucro de 7,2%. Esse percentual foi obtido a partir da mdia aritmtica das relaes Lucro/Vendas da demonstrao de resultados financeiros e contbeis das 309 maiores empresas de construo civil (dados obtidos na revista Conjuntura Econmica).

O estudo publicado pela Associao Brasiliense de Construtores ASBRACO (Estudo sobre composio de BDI, obtido diretamente junto a Associao Brasiliense de Construtores - ASBRACO em maio de 2000) considera como margem de lucro o valor de 7,2%.

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte, no Sistema de Custos Rodovirios - SICRO-2(2003), considera uma margem de lucro de 7,2% na composio do BDI, sendo 5,0% de lucro lquido, 1,2% de IRPJ e 1,0% de CSLL.

Com base nos estudos anteriormente citados, poder-se-ia considerar que uma margem de lucro entre 7,0% e 8,5% estaria perfeitamente adequada aos valores atualmente praticados no mercado da construo civil.

Embora os diversos estudos citados procurem estabelecer uma faixa de variao considerada aceitvel para o percentual de lucro praticado pelas empresas em licitaes pblicas, lembramos que trata-se apenas de uma faixa de referncia, no havendo previso legal para que essa seja fixada ou limitada.

Este raciocnio encontra supedneo na interpretao de artigos da Constituio que disciplinam a ordem econmica, bem como na correspondente legislao regulamentadora.

A Constituio Federal, no seu art. 173, 4, condena o abuso do poder econmico, exteriorizado pela dominao dos mercados, pela eliminao da concorrncia e pelo aumento arbitrrio dos lucros:

Art. 173.

4 - A lei reprimir o abuso do poder econmico que vise dominao dos mercados, eliminao da concorrncia e ao aumento arbitrrio dos lucros. (grifos nossos).

A fim de regulamentar o dispositivo constitucional, foi editada a Lei n. 8.884/1994, que, no inciso IIII do seu art. 20, tipifica a conduta de aumentar arbitrariamente os lucros como infrao da ordem econmica:

Art. 20. Constituem infrao da ordem econmica, independentemente de culpa, os atos sob qualquer forma manifestados, que tenham por objeto ou possam produzir os seguintes efeitos, ainda que no sejam alcanados:

...

III - aumentar arbitrariamente os lucros;... (grifo nosso)

Observa-se que no h condenao prtica de lucros ou qualquer definio que considere o que seja lucro abusivo ou aceitvel, o que se condena o aumento arbitrrio, que caracterize abuso de poder econmico.

Acerca do aumento arbitrrio de lucros GASTO ALVES DE TOLEDO explica que:

o aumento dos lucros em si mesmo considerado no incompatvel com uma sadia atividade econmica, apenas quando arbitrrio o mesmo deve ser combatido.

Dos citados dispositivos, verifica-se que no h, nos textos constitucional e legal, condenao ao poder econmico, mas sim ao seu abuso. Sobre o assunto, CARLOS JACQUES VIEIRA GOMES leciona que a deteno de poder econmico, alm de lcito em si, constitui fato comum no atual estgio do sistema capitalista, deve o direito voltar-se para o controle do exerccio abusivo do poder econmico.

O ordenamento jurdico vigente no pas, fundado nos princpios da livre iniciativa e da livre concorrncia, assegura empresa a liberdade para agir e conquistar mercados, para estabelecer os preos pelos quais vai vender seus produtos e servios, sendo vedados o abuso do direito, o uso arbitrrio da condio de agente econmico e a obteno de vantagens ilcitas, na medida em que impe a toda a coletividade condies que lhe so absolutamente desfavorveis.

Vale observar, ainda, a disposio do pargrafo nico do art. 21 da Lei n. 8.884/1994:

art. 21. Pargrafo nico. Na caracterizao da imposio de preos excessivos ou do aumento injustificado de preos, alm de outras circunstncias econmicas e mercadolgicas relevantes, considerar-se-:

I - o preo do produto ou servio, ou sua elevao no justificados pelo comportamento do custo dos respectivos insumos, ou pela introduo de melhoria de qualidade.

II - o preo do produto anteriormente produzido, quando se tratar de sucedneo resultante de alteraes no substanciais.

III - o preo de produtos e servios similares, ou sua evoluo, em mercados competitivos comparveis.

IV - a existncia de ajuste ou acordo, sob qualquer forma, que resulte em majorao de bem ou servio ou dos respectivos custos. (grifos nossos).

Resta ainda claro que para a caracterizao do aumento arbitrrio de lucros ser levado em considerao o grau de concentrao econmica do setor eventualmente acusado daquela prtica.

No foram identificados outros dispositivos legais que impusessem limitao aos lucros ou que conceituassem o que seriam lucros abusivos ou excessivos. A Lei n. 1.521/1951, ao tipificar no seu art. 4, alnea b, o crime de usura pecuniria ou real, quantificou como excessivo o lucro patrimonial que exceda o quinto do valor corrente ou justo da prestao feita ou prometida. Contudo, tal definio s se aplica aos casos de abuso da premente necessidade, inexperincia ou leviandade de outra parte. Trata-se, por conseguinte, de negcio jurdico eivado de vcio de leso, nos termos do art. 157 do Cdigo Civil, passvel de anulao.

art. 4, b. obter, ou estipular, em qualquer contrato, abusando da premente necessidade, inexperincia ou leviandade de outra parte, lucro patrimonial que exceda o quinto do valor corrente ou justo da prestao feita ou prometida. (grifo nosso).

A Lei n. 8.666/1993, no seu art. 43, IV, ao estabelecer o critrio de julgamento dos preos praticados na licitao, considera como parmetro o preo de mercado. Por conseguinte, sendo o preo proposto pelo licitante, incluindo o BDI, compatvel com o preo de mercado estimado pela Administrao, no h que se falar em lucro excessivo.

Suponhamos uma empresa que, ao otimizar a utilizao de seus fatores de produo, minimize seus custos totais. Ao participar de um procedimento licitatrio, essa empresa dever, necessariamente, reduzir sua margem de lucro ou poder ser selecionada para prestar servios Administrao, mesmo que sua margem de lucro atinja percentual considerado elevado? A reduo poder ser cogitada, caso desconhea o mercado. Porm, como na maioria das vezes, sendo empresa de mercado, detentora de informaes, utilizar de sua vantagem na otimizao dos custos para maximizar seu lucro por meio da diferena entre a receita e o custo de produo. Isto lcito e aceitvel.

Ademais, se utilizarmos o conceito de lucro anteriormente mencionado e considerarmos que o lucro representa a remunerao de fatores como o custo de oportunidade do capital aplicado, capacidade administrativa, gerencial e tecnolgica adquirida ao longo de anos de experincia no ramo, responsabilidade pela administrao do contrato e conduo da obra por estrutura organizacional da empresa e investimentos na formao profissional do seu pessoal e criar a capacidade de reinvestir no prprio negcio, e no somente da atividade econmica da empresa, ficar evidente a rdua tarefa de se definir um percentual mximo para a aceitao do lucro.

Diante do exposto, consideramos que no h, pela mera anlise do percentual de juros praticados, como caracteriz-lo como excessivo ou abusivo, tambm no se podendo limitar o lucro praticado pelo empreendedor se no for constatado abuso de poder econmico decorrente de seu aumento abusivo.

Mais importante que estabelecer limitao de lucros definir adequadamente os itens que devem integrar o LDI, bem como assegurar que o procedimento licitatrio permita a seleo da proposta mais vantajosa para a Administrao Pblica.

5 DESPESAS QUE NO DEVEM SER INCLUDAS NO LDI

Vistos os principais componentes do LDI e, em razo da sua incidncia sobre os custos diretos para formao do preo da obra, importante evitar a incluso de itens inadequados, cujas caractersticas predominantes determinem sua classificao como custos diretos, ou no se classifiquem como custos diretos ou indiretos, como os tributos sobre o lucro e a renda, que no devem ser computados no preo da obra.

Como se depreende dos j lanados conceitos de custos diretos e indiretos, a distino entre eles essencial nesse mtodo de formao de preo de obra, pelo qual se utiliza o LDI. Este critrio, alm de facilitar a medio e a fiscalizao dos itens executados, possibilita Administrao evitar indesejveis impactos que eventuais aditivos para mudana de especificaes de materiais e/ou equipamentos, por exemplo, possam acarretar no preo final da obra sem que aumento nos custos indiretos de fato tenha ocorrido.

Como exemplo, a administrao local, a mobilizao/desmobilizao e a instalao do canteiro, so itens que, embora no representem servios unitrios, so custos diretos e devem ser apropriados como tais no oramento da obra, pois decorrem diretamente da sua execuo.

H tambm elementos que, por sua natureza, no devem estar embutidos no preo da obra e, portanto, no podem compor o LDI. Entre eles esto o Imposto de Renda da Pessoa Jurdica (IRPJ) e a Contribuio Social sobre o Lucro Lquido (CSLL).

Embora tenha sido verificado que algumas empresas e entidades pblicas, ao elaborarem os seus oramentos, incluem alguns deles, ou at todos, como parte do LDI, considera-se inadequada essa prtica.

Nas prximas linhas so analisadas cada uma dessas despesas quanto a sua adequada classificao.

5.1 Imposto de Renda da Pessoa Jurdica (IRPJ) e Contribuio Social sobre o Lucro Lquido (CSLL):

O IRPJ e a CSLL so tributos que tm como fato gerador a obteno de resultados positivos (lucros) pelas empresas em suas operaes industriais, comerciais e de prestao de servios, alm do acrscimo patrimonial decorrente de ganhos de capital (receitas no-operacionais).

A base de clculo do IRPJ e da CSLL o lucro real, presumido ou arbitrado, correspondente ao perodo de incidncia, e deve ser determinado observando-se a legislao vigente na data da ocorrncia do fato gerador (Lei n. 9.430/1996, art. 1, c/c o art. 28).

Quanto sua natureza, esses tributos so classificados como tributos diretos.

No ordenamento jurdico brasileiro, existem tributos que por sua natureza permitem a transferncia do respectivo encargo financeiro para terceiros, e outros que no permitem. Este fenmeno chamado de repercusso econmica dos tributos, ou seja, o contribuinte de jure ou de direito ao pagar o tributo sofre um nus econmico que procurar transladar para outra pessoa, o contribuinte de fato. Este, ao suport-lo, consuma o fenmeno da trajetria do nus econmico do tributo, isto , sua repercusso.

A repercusso econmica do tributo um critrio utilizado por grande parte da doutrina especializada, pela quase totalidade da jurisprudncia dos tribunais superiores ptrios, e, sobretudo, pelo legislador do Cdigo Tributrio Nacional para classificao dos tributos como diretos ou indiretos.

O professor Luiz Emygdio F. da Rosa Junior descreve:

Observando-se o fenmeno econmico da translao ou repercusso dos tributos, impostos diretos so aqueles que, por sua natureza, no comportam a transferncia da carga tributria do contribuinte obrigado por lei ao seu pagamento (contribuinte de direito) para o contribuinte de fato (pessoa no obrigada por lei ao pagamento). Em outras palavras, os impostos diretos no se prestam repercusso, pelo que o contribuinte de direito suporta em definitivo a carga tributria, sem transferi-la para outra pessoa. Impostos indiretos so aqueles que se prestam, por sua natureza, repercusso, podendo o nus tributrio ser transferido pelo contribuinte designado pela lei (contribuinte de direito) para outra pessoa que suportar, em definitivo, e ao final do processo econmico de circulao de riquezas, a carga tributria (contribuinte de fato). Por esse critrio so impostos diretos o IR, o IPTU, o ITR etc., enquanto so impostos indiretos o IPI, o ICMS etc.

Hugo de Brito Machado esclarece que:

pode-se dizer que o tributo direto quando o respectivo nus financeiro suportado pelo prprio contribuinte; e indireto quando esse nus transferido para terceiros. Em outras palavras, o tributo direto quando a pessoa legalmente obrigada a seu pagamento suporta efetivamente o nus. Diz-se que indireto quando a pessoa legalmente obrigada a seu pagamento transfere o nus correspondente para terceiros.

A Secretaria da Receita Federal (SRF), a prpria administradora desses tributos, utiliza a repercusso econmica em seus estudos e trabalhos, como visto abaixo:

A teoria econmica abriga a tradicional classificao dos tributos, segundo a incidncia efetiva da taxao, em diretos e indiretos. Na incidncia direta o gravame financeiro imposto pelo Estado direta e integralmente assumido pelo contribuinte, que tem sua renda reduzida pelo exato valor da exao. Na incidncia indireta, surge a figura de um intermedirio (contribuinte de direito) que, embora se encontre na obrigao de apurar e antecipar o pagamento do tributo devido, no o suporta, pois tem a faculdade de reaver de outro agente econmico (contribuinte de fato) o valor repassado aos cofres pblicos.

O tributo paradigmtico do primeiro caso (incidncia direta) o imposto de renda das pessoas fsicas, em que o contribuinte recolhe ao errio uma frao de sua renda, reduzindo seu bem-estar na proporo do montante subtrado. No por acaso que as polticas tributrias de cunho redistributivo apoiam-se basicamente nesse imposto, pois fica garantido, ao menos teoricamente, que o contribuinte no poder transferir a outrem carga tributria que lhe imposta. Portanto, uma vez definida (como praxe em quase todos os pases) uma estrutura progressiva de taxao (tabela progressiva de alquotas), garante-se uma tributao progressiva em relao renda auferida.

De outra espcie o tributo indireto. Em geral a incidncia indireta tem como alvo os atos negociais praticados pelas pessoas jurdicas. O valor do imposto pago antecipadamente por uma empresa recuperado, em geral, pela incorporao do custo tributrio ao preo negociado nas transaes com terceiros. Se o terceiro tambm uma pessoa jurdica, o processo de transferncia de custo se repete de tal sorte que assumir o nus tributrio o consumidor final do bem ou servio transacionado. Praticamente todos os impostos pagos pelas empresas, sejam sobre a venda de mercadorias, folha de pagamentos, ativos, etc., so, integral ou parcialmente, agregados ao preo e suportados por quem d o destino final ao produto/servio.

Este estudo limita-se anlise da incidncia indireta sobre a venda de mercadorias e servios ou, de forma equivalente, sobre o faturamento.

(...)

Considerando que os tributos analisados tm incidncia indireta (PIS/COFINS, IPI e ICMS) e so, portanto, regressivos em relao renda total, prope-se investigar as caractersticas da incidncia em relao ao consumo das famlias. Tendo em vista que cada tributo tem estrutura de alquotas e grau de abrangncia prpria, de se esperar que produza efeitos distintos sobre as famlias, resultando em cargas tributrias diferenciadas. O principal desafio dessa abordagem estimar, em uma economia complexa como a brasileira, o impacto final de cada tributo no consumo nas diversas faixas de renda..

Em outros estudos, a SRF explicita que o IR um tributo direto:

Embora a lei que institua o tributo defina, entre outras coisas, o fato gerador e o sujeito passivo da obrigao tributria, persiste o problema da identificao do real receptor da carga tributria. Seguiremos, aqui, a abordagem usualmente adotada em que os tributos considerados indiretos so integralmente repassados aos consumidores finais de bens e servios.

(...)

Neste cmputo, limitar-nos-emos, quanto tributao direta (sobre os rendimentos), ao imposto de renda e s contribuies para a seguridade social e, quanto tributao indireta (sobre o consumo), ao ICMS, IPI, COFINS e PIS. Esta limitao prende-se tanto a questes de ordem prtica (falta de dados relativos aos impostos patrimoniais e ao Imposto sobre a Prestao de Servios - ISS) como falta de uma anlise mais rigorosa quanto ao efeito translao, descrito na Seo 02.2, de alguns tributos indiretos como o IOF.

Os conceitos de tributao direta e indireta utilizados de forma recorrente no texto devem ser assim entendidos:

Tributao Direta: refere-se s incidncias tributrias que guardam relao direta com a renda do contribuinte. (...)

Tributao Indireta: refere-se s incidncias tributrias que no visam a fonte de renda do contribuinte, gravando a circulao de mercadorias, a prestao de servio ou o faturamento das empresas. No presente contexto eqivale tributao sobre o consumo.

(...)

Entretanto, ao considerar a abordagem aqui adotada, e para captar com maior preciso os efeitos reais da tributao direta e indireta, deve-se levar em conta o seguinte:

a) A tributao direta tem como principal apelo o sempre desejvel princpio da justia fiscal, pois individualiza o contribuinte, tributando-o segundo sua real capacidade contributiva...

b) A tributao indireta, que em sua forma mais racional, limita-se aos impostos sobre o valor agregado, apresenta o atrativo da simplicidade e universalidade...

(...)

Para se determinar a carga fiscal sobre o consumo, necessrio considerar no apenas os tributos que, por sua natureza econmica e jurdica, so transferidos aos preos (impostos sobre valor agregado) como tambm aqueles que, independentemente da incidncia legal, findam por onerar o produto final, recaindo de fato sobre o consumidor. O primeiro passo consiste na identificao de ambos tipos de incidncia e na determinao, quando possvel, da alquota aplicada. (grifos nossos).

Dessa forma, verifica-se que esses tributos (IRPJ e CSLL) apresentam o mesmo fato gerador, obteno de resultados positivos (lucros), praticamente a mesma base de clculo e possuem a mesma natureza tributria, quando se trata da repercusso econmica.

Alm disso, se esses tributos fossem repassados, o contribuinte de fato seria a prpria Administrao. Ora, isso seria um forma disfarada e no prevista em lei de Incentivo Fiscal, ferindo a isonomia entre empresas de diferentes ramos.

Um outro aspecto a ser analisado a questo da repercusso da alterao da carga tributria do IRPJ e da CSLL para o pleito de recomposio do equilbrio econmico-financeiro conforme preceitua o art. 65, II, alnea d e o 5 do mesmo artigo da Lei n. 8.666/1993, in verbis:

Art. 65. Os contratos regidos por esta lei podero ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos:

(...)

II - por acordo das partes:

(...)

d) para restabelecer a relao que as parte pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuio da Administrao para a justa remunerao da obra, servio ou fornecimento, objetivando a manuteno do equilbrio econmico-financeiro inicial do contrato, na hiptese de sobreviverem fatos imprevisveis, ou previsveis porm de conseqncias incalculveis, retardadores ou impeditivos da execuo do ajustado, ou ainda, em caso de fora maior, caso fortuito ou fato do prncipe, configurando lea econmica extraordinria e extracontratual.

(...)

5 Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, bem como a supervenincia de disposies legais, quando ocorridas aps a data da apresentao da proposta, de comprovada repercusso nos preos contratados, implicaro a reviso destes para mais ou para menos, conforme o caso.

Apesar de a alterao da carga tributria ensejar reviso dos preos contratados, o professor Maral Justen Filho ressalta que no caso do alterao da carga do IR no caberia recomposio, conforme descrito abaixo:

O 5 alude, expressamente, instituio ou supresso de tributos ou encargos legais como causa de reviso dos valores contratuais. O dispositivo seria desnecessrio mas interessante a expressa determinao legal. O fato causador do rompimento do equilbrio econmico-financeiro pode ser a instituio de exaes fiscais que onerem, de modo especfico, o cumprimento da prestao pelo particular. Assim, por exemplo, imagine-se a criao de contribuio previdenciria sobre o preo de comercializao de um certo produto agrcola. O fornecedor da Administrao Pblica ter que arcar com o pagamento de uma nova contribuio, a qual inexistia no momento da formulao da proposta. necessrio, porm, um vnculo direto entre o encargo e a prestao. Por isso, a lei que aumentar a alquota do imposto de renda no justificar alterao do valor contratado. O imposto de renda incide sobre o resultado das atividades empresariais, consideradas globalmente (lucro tributvel). O valor percebido pelo particular ser sujeito, juntamente com o resultado de suas outras atividades, incidncia tributria. Se a alquota for elevada, o lucro final poder ser inferior. Mas no haver relao direta de causalidade que caracterize rompimento do equilbrio econmico-financeiro. (e no aumentar o custo)

A forma prtica de avaliar se a modificao da carga tributria propicia desequilbrio da equao econmico-financeira reside em investigar a etapa do processo econmico sobre o qual recai a incidncia.

Ou seja, a materialidade da hiptese de incidncia tributria consiste em certo fato signo-presuntivo de riqueza. Cabe examinar a situao desse fato signo-presuntivo no processo econmico. Haver quebra da equao econmico-financeira quando o tributo (institudo ou majorado) recair sobre atividade desenvolvida pelo particular ou por terceiro necessria execuo do objeto da contratao. Mais precisamente, cabe investigar se a incidncia tributria configura-se como um custo para o particular executar sua prestao. A resposta positiva a esse exame impe o reconhecimento da quebra do equilbrio econmico-financeiro.

Diversa a situao quando a incidncia recai sobre a riqueza j apropria pelo particular, incidindo economicamente sobre os resultados extrados da explorao.

Assim, a elevao do ICMS produz desequilbrio sobre contratos que imponham ao particular, como requisito de execuo de sua prestao, a necessidade de participar de operaes relativas circulao de mercadorias. O mesmo se diga quando se eleva o IPVA se a execuo da prestao envolver necessariamente a utilizao de veculos automotores. Mas a instituio de imposto sobre a renda apresenta outro contorno, eis que a incidncia se d sobre os resultados obtidos pelo particular na explorao de um empreendimento. [grifos nossos].

Alm disso, existe a questo da imprevisibilidade de o lucro se realizar, pois como este ser determinado em funo de um conjunto de obras executadas pela empresa pode acontecer que a empresa tenha prejuzo no exerccio financeiro em questo e no tenha IRPJ e CSLL a pagar. Andr Mendes e Patrcia Bastos ressaltam esse aspecto conforme abaixo:Mostra-se bastante lgica essa no-incluso do imposto de renda no BDI, j que por no ser um imposto que incide especificamente sobre o faturamento, no pode ser classificado como despesa indireta decorrente da execuo de determinado servio.

Se a contratante concordar em pagar determinada taxa percentual do imposto de renda embutida no LDI, estar pagando um gasto que na verdade imprevisvel, podendo coincidir ou no com o valor pactuado como despesa indireta.

Ademais, pode at ser que ao final do exerccio o desempenho financeiro negativo de outras obras da contratada suplante o lucro obtido com a obra da contratante, e aquela, de acordo com a atual legislao fiscal, no recolha imposto de renda. Assim, teria sido ressarcido contratada o valor de uma despesa que, na verdade, no se efetivara.

(...)

Como a legislao que instituiu a CSLL determina que a incidncia seja sobre o lucro lquido do exerccio, excluda a proviso para o imposto de renda, no se pode, contabilmente, definir este gasto como sendo despesa indireta resultante da execuo de alguma obra.

Dessa forma, assim como o IRPJ, no adequado incluir o CSLL no BDI do oramento da construo civil, j que ele no est atrelado ao faturamento decorrente da execuo de determinado servio, mas ao desempenho financeiro da empresa como um todo.

interessante apresentar a estrutura da Demonstrao de Resultado do Exerccio - DRE (Anexo I deste trabalho), segundo o art. 187 da Lei n. 6.404/1976, onde se verifica claramente a distino entre tributos que incidem sobre o faturamente (PIS, COFINS, ISS, por exemplo), alterando o resultado operacional da empresa, dos tributos que s incidem sobre o resultado do exerccio (IRPJ e CSLL), que ao final do ano, depois de consideradas todas as atividades da empresa, podem at no serem devidos caso o conjunto de obras vier a trazer prejuzo.

Estudos da Secretaria de Governo e Gesto Estratgica do Estado de So Paulo e da Associao Brasiliense de Construtores (ASBRACO) tambm no consideram o imposto de renda como integrante do BDI.

Ora, conforme exposto nos pargrafos acima, o IRPJ e a CSLL, por serem tributos diretos, no permitem a transferncia do seu encargo financeiro para outra pessoa, ou seja, a pessoal legalmente obrigada ao seu pagamento suportar efetivamente o nus. Dessa forma, considera-se inadequada a incluso do IRPJ e da CSLL na composio do LDI.

Cabe ressaltar que este Tribunal j se pronunciou sobre a incluso indevida desses tributos na composio do LDI, como por exemplo no Acrdo 1.595/2006-Plenrio no item 9.5.11 transcrito abaixo:

9.5. determinar Petrobras que:

(...)

9.5.11. exclua dos seus oramentos parcelas relativas ao IRPJ e CSLL, bem como oriente as licitantes, em seus editais, que tais tributos no devero ser includos no BDI, por se constiturem em tributos de natureza direta e personalstica, que onera pessoalmente o contrato, no devendo ser repassado ao ofertado, conforme, inclusive, concluses do setor jurdico da estatal, mediante o DIP SEJUR/DITRIB 37216/97 e DIP/Jurdico/JFT 4391/03.

5.2 Administrao Local:

A Administrao Local consiste em despesas incorridas para manuteno das equipes tcnica e administrativa e da infra-estrutura necessrias para a consecuo da obra. Entre as despesas que normalmente so alocadas nesse item, encontram-se: gastos relativos a pessoal (engenheiros, mestres, encarregados, almoxarifes, vigias, pessoal de recursos humanos e demais mos-de-obra no computadas nas planilhas de custos unitrios dos servios) e despesas administrativas (contas de telefone, luz e gua, cpias, aluguis), dentre outros.

A Administrao Local, conforme definido pelo DNIT no Sistema de Custos Rodovirios 2 - SICRO 2:Compreende o conjunto de atividades realizadas no local do empreendimento pelo Executor, necessrias conduo da obra e administrao do contrato. exercida por pessoal tcnico e administrativo, em carter de exclusividade. Seu custo representado pelo somatrio dos salrios e encargos dos componentes da respectiva equipe, que inclui pessoal de servios gerais e de apoio. Segundo a metodologia adotada, esto includos tambm na administrao local, os mestres e encarregados gerais, visto que os nveis inferiores da hierarquia esto includos diretamente nas Composies de Atividades e Servios. Este custo depende da estrutura organizacional que o Executor vier a montar para a conduo de cada obra e de sua respectiva lotao de pessoal. No existe modelo rgido para esta estrutura. As peculiaridades inerentes a cada obra determinaro a estrutura organizacional necessria para bem administr-la.

Os itens que integram a Administrao Local, apesar de comporem o custo direto, no esto associados diretamente a uma composio de servio do empreendimento. Cabe, portanto, ressaltar que o custo direto pode ser visto de modo stricto senso e lato senso. De maneira restrita pode-se considerar o custo direto como aquele em que esto inseridos os servios que integraro o produto final. De forma ampla, o custo direto, alm dos custos anteriormente descritos, englobar aqueles que, apesar de no especificamente associados ao produto final, esto diretamente ligados execuo dos servios de construo civil como um todo. O estudo de Andr Luz Mendes e Patrcia Bastos exemplifica essas situaes:

Assim, por exemplo, o item de servio alvenaria contempla os custos de mo-de-obra do pedreiro e do servente (alm dos materiais aplicados), mas os custos com o encarregado de pedreiros ou com o mestre-de-obras (que supervisionaram o trabalho) sero computados no componente administrao local.

(...)

Sabe-se que a estrutura da administrao local varia de acordo com as caractersticas de cada obra. H entretanto algumas atividades bsicas que so inerentes execuo da administrao de qualquer projeto:

a) trnsito entre obras ( transporte no trajeto entre o escritrio central e o local da obra, do engenheiro de obras, de documentos em geral, de pequeno suprimento de materiais, etc;

b) direo tcnica dos servios ( definio, junto aos operrios, do ritmo de andamento dos servios e da forma de execuo;

c) atendimento a clientes ( elaborao de relatrios para esclarecimento aos clientes sobre o andamento e a qualidade dos servios e atendimento nas visitas para medio dos servios executados;

d) fiscalizao da qualidade dos materiais e servios ( conferncia da qualidade dos materiais que foram recebidos no canteiro e superviso das condies de estocagem e de distribuio ao local de aplicao dos materiais;

e) controle do consumo da mo-de-obra ( fiscalizao da quantidade de horas gastas com cada servio, observando a produtividade e o andamento geral dos servios e comparando com o cronograma fsico-financeiro da obra;

f) pedido antecipado de insumos ( solicitao de material para o canteiro de obras, tomando como base o planejamento existente e o andamento real dos servios;

g) programao e fiscalizao dos servios ( distribuio de tarefas e fiscalizao da qualidade de execuo dos servios;

h) apontamento das horas trabalhadas ( conferncia e contabilizao das horas trabalhadas pelos operrios, para efeito de pagamento de salrios;

i) recebimento e controle de estoque de materiais ( recebimento de materiais entregues, conferncia da quantidade e da descrio de cada material analisando a nota fiscal e o pedido interno, documentao da entrada e da sada de materiais no canteiro e controle do estoque de materiais;

j) equipe de limpeza contnua ( efetuar a limpeza permanente da construo e do canteiro de obras;

k) equipe de carga e descarga ( descarregar os materiais entregues no canteiro de obras e carregar aqueles que iro ser transportados para fora do canteiro.

No mesmo sentido, em estudo apresentado no site do Sinduscon-SP (Nova Conceituao do BDI ) foi proposto que o item Administrao Local no mais integrasse o BDI:

1 ADMINISTRAO LOCAL Prope-se passar a compor a planilha de Custo Direto e no mais o BDI.

Todas as despesas havidas ou incorridas direta ou indiretamente em torno do ambiente da obra para a consecuo do produto final sero considerados CUSTOS DIRETOS.

A Administrao Local compreende as seguintes atividades bsicas:

Chefia da obra engenheiro responsvel;

Administrao do Contrato;

Engenharia e Planejamento;

Segurana do Trabalho;

Produo mestre de obra e encarregados;

Manuteno dos equipamentos;

Gesto de Materiais;

Gesto de Recursos Humanos;

Administrao da obra.

Assim, as despesas da Administrao Local e a sua manuteno, Alimentao e Transporte do pessoal administrativo e de produo da obra, EPI e uniformes, controle tecnolgico e ensaios, ferramentas e equipamentos no contemplados na composio de custos unitrios, devero fazer parte da Planilha de Oramento e no mais na composio do BDI.

Essas despesas faro parte da Planilha de Oramento em itens independentes da composio de custos unitrios, especificados como Administrao Local, podendo-se adotar as seguintes alternativas:

Preos compostos analiticamente;

Custo mensal ou horrio de mo-de-obra administrativa ou tcnica;.

Custos mensal reembolsvel;

Custo mensal ou total de manuteno do canteiro de obras;

Verba;

Mdulo de Verba.

Estudo semelhante foi apresentado no site do Sinduscon-BA, onde tambm defendida a insero da Administrao Local no custo direto e no no BDI.

importante destacar, alm da alocao da administrao local nos custos diretos, a abrangncia deste item. Os custos diretos so geralmente quantificados em planilhas de valores unitrios dos servios. Nos casos em que isso no possvel, os custos associados diretamente execuo da obra devem estar alocados em algum subitem do item administrao local. Por exemplo, alm de todas as despesas administrativas e de infra-estrutura necessrias, a administrao local deve abrigar os custos derivados da mo-de-obra, que no foram apropriados nas planilhas de custos unitrios, usualmente os encargos complementares como alimentao, transporte, alojamento, EPI (equipamentos de proteo individual) e ferramentas.

importante esse destaque, pois em deliberaes do TCU que versam sobre contratos de obras, verificou-se a orientao de desonerar o LDI dos respectivos contratos com a excluso de custos a esses assemelhados. Confirma-se, dessa forma, a orientao de evitar, no clculo do LDI, o cmputo de qualquer custo que possa ser associado diretamente execuo da obra, impedindo a incidncia indevida ou em duplicidade desses elementos sobre os demais custos diretos calculados para a obra.

Vale ressaltar que a incluso da Administrao Local ou de algum elemento que a devesse integrar eleva o percentual do LDI, o que, em casos de repactuao de preos ou de mudanas de especificao de algum item da obra, pode elevar o preo da obra de forma inadequada. Como exemplo, cite-se o caso da mudana de especificao de um piso cermico comum para granito. Essa mudana no trar mais trabalho para o engenheiro, para o mestre ou o almoxarife (cujos custos esto inseridos na Administrao Local). Afetar apenas o custo direto da composio referente ao servio de assentamento do piso (o material, a mo-de-obra e os equipamentos envolvidos no servio) e o preo final. Caso a Administrao Local esteja no LDI, haver um aumento do preo da obra sem um correspondente aumento de trabalho para o engenheiro, o mestre ou o almoxarife, por exemplo.

5.3 Instalao de Canteiro e Acampamento e Mobilizao e Desmobilizao:

Denomina-se de Canteiro e Acampamento ao conjunto de instalaes destinadas a apoiar as atividades de construo. Compreende nmero expressivo de elementos, com caractersticas bastante diferenciadas, que, embora no se incorporem fisicamente ao empreendimento, representam parcela significativa do custo de investimento e, como tal, devem ser criteriosamente orados.

No existem padres fixos para esse tipo de instalaes. Elas so funo do porte e das peculiaridades do empreendimento, das circunstncias locais em que ocorrer a construo e das alternativas tecnolgicas e estratgicas para sua realizao.

O Acampamento se constitui de um local onde as pessoas que iro executar a obra ficaro alojadas e tero apoio de certas instalaes para o seu conforto e segurana.

J o Canteiro compreende as instalaes fsicas das unidades tcnicas, administrativas e de apoio da obra como por exemplo: escritrio de engenharia, almoxarifado, refeitrio, sanitrios, ambulatrio, laboratrios, sistemas de abastecimento de gua, luz, oficina de manuteno de equipamentos, central de concreto, armao, carpintaria, entre outros.

A mobilizao e desmobilizao so constitudas pelo conjunto de providncias e operaes que o Executor dos servios tem que efetivar a fim de levar seus recursos, em pessoal e equipamento, at o local da obra e, inversamente, para faz-los retornar ao seu ponto de origem, ao trmino dos trabalhos. No momento em que se necessita desses valores, para inclu-los no oramento, uma srie de parmetros relativos s circunstncias reais em que se daro a mobilizao e a desmobilizao so ainda desconhecidas, pois dependem de particularidades inerentes empresa que vier a se encarregar dos servios. Esse obstculo s poder ser contornado atravs da admisso de algumas hipteses que supram a deficincia apontada.

As empresas, geralmente, aps transportarem os seus equipamentos para uma obra, ao fim desta, buscam desloc-los para uma nova obra. Ento, comum que constituam ptios de equipamentos em locais prximos s obras concludas para que aguardem uma remobilizao para outra obra.

Para se calcular os gastos com mobilizao, alm da questo da origem e do destino, devem ser consideradas a estimativa de fora de trabalho a ser deslocada e os custos de mobilizao de equipamentos.

Como os itens de Instalao de Canteiro e Acampamento e Mobilizao e Desmobilizao so passveis de serem orados analiticamente e como, contabilmente, so gastos incorridos no processo de obteno de bens e servios destinados venda, podem ser inseridos no custo direto, em um item independente da composio dos custos unitrios.

As mesmas observaes tecidas Administrao Local quanto ao impacto de uma eventual repactuao de preos ou mudana na especificao de algum material/equipamento valem para a Instalao de Canteiro e Acampamento e a Mobilizao e Desmobilizao, casos esses itens sejam considerados no LDI.

6 DESPESAS REFERENTES AQUISIO DE EQUIPAMENTOS

Situao peculiar quanto aplicao do LDI, surge na aquisio de bens (equipamentos e materiais) que correspondam a um percentual significativo do preo global da obra, na qual a incidncia da mesma composio de LDI paga para servios pode gerar distores no preo final do insumo, razo pela qual consideramos que a composio de LDI aplicvel, neste caso, deve ser mais restrita que aquela referente prestao de servios.

Primeiramente, durante os estudos de viabilidade e anteprojetos, ou seja, antes mesmo de se realizar a licitao para contratao do empreendimento, o gestor deve estudar a possibilidade de adquirir os equipamentos em separado com o objetivo de proceder o parcelamento do objeto previsto no art. 23, 1, da Lei n. 8.666/1993. Esse dispositivo legal dispe que:

1 As obras, servios e compras efetuadas pela administrao sero divididas em tantas parcelas quantas se comprovem tcnica e economicamente viveis, procedendo-se licitao com vistas ao melhor aproveitamento dos recursos disponveis no mercado e ampliao da competitividade, sem perda da economia de escala.

O prprio Tribunal j se pronunciou diversas vezes sobre essa questo, como nos Acrdos 159/2003-Plenrio, 446/2005-Plenrio e o 1601/2004-Plenrio que reproduzimos trecho in verbis:

...constitui irregularidade grave a falta de licitao autnoma, sem o parcelamento do objeto da licitao quanto compra de equipamentos, conforme preconizado no art. 23, 1, da Lei n. 8.666/1993...

Assim, quando existir parcela de natureza especfica que possa ser executada por empresas com especialidades prprias e diversas ou quando for vivel tcnica e economicamente, o parcelamento em itens se impe, desde que seja vantajoso para a Administrao. Uma das vantagens que se pode apontar que a administrao estar evitando de pagar LDI sobre LDI, ou seja, o LDI da empresa fabricante de equipamentos/materiais e o da empresa construtora que incidir sobre aquele.

Um outro benefcio que, realizando uma licitao autnoma para aquisio de equipamentos/materiais, poder haver um ampliao da competitividade e a administrao ter a possibilidade de obter preos mais vantajosos.

Caso tal parcelamento no se comprove tcnica ou economicamente vivel, com base em estudos fundamentados, a aquisio dos equipamentos e materiais poder ser realizada juntamente com a execuo da obra. Neste caso, o administrador pblico no seu oramento deve adotar para compra dos equipamentos/materiais uma taxa de LDI diferenciada em relao aos adotados para os servios de engenharia e deve exigir dos licitantes a composio das suas taxas para comparao com o que foi orado.

No que tange aos itens do LDI passveis de serem cobrados, no caso da aquisio de equipamentos/materiais por intermdio dos empreiteiros, inicialmente cabe uma ressalva em relao aos tributos. Em que pese ter sido observado o ICMS em composies da Chesf, quando da adoo de um LDI diferenciado para equipamentos/materiais, este no um tributo passvel de cobrana. Primeiramente, porque empresas construtoras no se enquadram como contribuintes deste imposto, conforme se depreende dos artigos 3, V, e 4 da Lei Complementar n. 87/1996. Alm disso, o valor deste tributo j est embutido no custo dos equipamentos/materiais a serem adquiridos, ou seja, a administrao ao pagar empreiteira pelo bem, o valor do ICMS j est inserido no preo pago. Pelo exposto, verifica-se que a discriminao desse imposto na composio do LDI est incorreta, pois a sua cobrana no devida.

Quanto Administrao Central e ao Lucro, nesta situao, entende-se que seus percentuais devem ser inferiores em relao aos estabelecidos para a execuo da obra, tendo em vista que a natureza desta operao tem complexidade menor, exigindo menos esforo e tecnologia para sua realizao do que os demais servios prestados.

Tambm deve-se considerar que as atividades precpuas da construtora so servios de engenharia e o fornecimento de equipamentos uma atividade acessria. Portanto, sua estrutura e seus recursos tecnolgicos so dedicados prestao de servios e tm seus custos estimados para isso. A intermediao para fornecimento de equipamentos uma tarefa residual, que no deve onerar os custos operacionais da empreiteira e, em conseqncia, seu impacto no custo de administrao central previsto no LDI deve ser mnimo.

Assim sendo, o LDI resultante calculado para aquisio de equipamentos ser menor que o calculado para a prestao de servios.

Portanto, o gestor deve avaliar a forma mais vantajosa de adquiri-los, se diretamente, junto ao fabricante ou fornecedor, ou atravs da intermediao da contratada, a fim de identificar qual alternativa se revela tcnica e economicamente mais adequada. importante esclarecer que a possibilidade de discricionariedade fica bastante limitada quando uma das alternativas se apresentar mais onerosa.

7 FRMULA DO LDIPara que se obtenha a taxa que corresponda ao LDI necessrio dispor de uma frmula que reflita adequadamente a incidncia de cada um de seus componentes sobre os custos diretos.

Para o clculo do LDI considera-se a seguinte frmula:

(

)

(

)

(

)

(

)

100

1

100

1

100

/

1

100

/

1

100

/

1

100

/

1

x

I

L

R

DF

AC

LDI

-

-

+

+

+

+

=

onde AC = taxa de rateio da Administrao Central;

DF = taxa das despesas financeiras;

R = taxa de risco, seguro e garantia do empreendimento;

I = taxa de tributos;

L = taxa de lucro.

As taxas no numerador incidem sobre os custos diretos e as taxas no denominador, sobre o preo de venda (faturamento).

Sero definidos, a seguir, os principais aspectos envolvidos no clculo do LDI em empresas do setor eltrico brasileiro.

8 LDI NAS EMPRESAS DO SETOR ELTRICO BRASILEIRO

8.1 Eletrosul Centrais Eltricas S.A.

Identificou-se que a Eletrosul contrata suas obras de subestaes e de linhas de transmisso em licitaes do tipo menor preo, sob regime de empreitada por preo global, podendo incluir o fornecimento de equipamentos.

O preo total orado e o proposto contemplam o lucro e todos os tributos, encargos sociais, previdencirios e trabalhistas incorridos pela contratada, no sendo indicado o percentual de BDI praticado, tampouco a sua composio.

8.2 CHESF Companhia Hidro Eltrica do So Francisco

Nos contratos analisados, a CHESF contratou obras de subestaes e de linhas de transmisso em licitaes do tipo menor preo, sob regime de empreitada por preo global, que incluem o fornecimento dos equipamentos. Contudo, houve casos em que a CHESF contratou apenas os servios, adquirindo os equipamentos separadamente.

Tanto a CHESF, para fins de oramento, quanto os fornecedores, para fins de proposta, preenchem planilha com o detalhamento do LDI, cuja frmula e composio so descritas a seguir.

8.2.1 Composio de LDI

A CHESF adota a seguinte composio de LDI detalhada:

Administrao Central (AC)Salrios e Encargos

Material de Escritrio

Material de Limpeza

Passagens Dirias

Despesas com comunicao

gua e Energia

Administrao Local (AL)Salrios e Encargos

Alimentao

Material de Escritrio

Material de Limpeza

Aluguis

Medicina e segurana do trabalho

Despesas com comunicao

Mobilizao e desmobilizao

Transporte/condues

Manuteno equipamentos escritrio

Ferramentas

gua e Energia

Rateio das verbas fixas

Encargos Financeiros (EF)

Tributos (T)IRPJ

ISS

PIS

COFINS

CPMF

CSLL

Lucro (L)

Alguns itens podem variar de licitao a licitao, a depender do servio e da estrutura de custos do fornecedor.

Em contrataes de obras, nas quais a representatividade dos equipamentos tenha maior participao relativa no valor total, foram observadas composies de LDI diferenciadas para os servios de engenharia e para o fornecimento desses bens. Em relao ao LDI estabelecido para o fornecimento de equipamentos, quando o contratado atua apenas como um intermedirio entre o fabricante e a administrao pblica, sua composio consistiu apenas do lucro e dos tributos incidentes sobre a transao.

8.2.2 Frmula do LDI

A Frmula utilizada pela CHESF para o clculo do LDI dada por:

LDI (%) = AC(%) + AL (%) + EF (%) + T(%) + Lucro (%)

Trata-se de um somatrio dos itens que compem o LDI. Diverge da frmula proposta no item 7, medida que naquela, por ser um produto das taxas, h a incidncia de um item sobre o outro, o que forneceria um percentual de LDI superior.

Nota-se, tambm, a presena na frmula de itens que se considera no dever integrar o LDI, tais como Administrao Local e tributos como o IRPJ e a CSLL. A incluso da Administrao Local na frmula se deve ao fato de a empresa utilizar as definies da PINI nas Tabelas de Composio de Preos para Oramentos. TCPO. O IRPJ e a CSLL tm sua incluso considerada inadequada por serem tributos diretos, que no permitem a transferncia do encargo financeiro para outra pessoa, isto , a pessoa legalmente obrigada ao seu pagamento dever suportar efetivamente o nus.

8.2.3 Valores praticados em licitaes

Nos contratos analisados foram praticados os valores relacionados na Tabela III.

8.3 FURNAS Centrais Eltricas S.A.

Nas licitaes realizadas pela empresa publicado nos editais apenas o oramento dos custos diretos sem o LDI. No entanto, as propostas devem contemplar tanto os custos diretos quanto o LDI, ou seja, o preo total da obra. Em FURNAS, o detalhamento do LDI ocorre apenas para fins de oramentao e controle interno. Com os custos diretos e a composio de LDI, a empresa tem o seu preo total da obra para comparar com os valores praticados no certame.

As licitaes analisadas foram realizadas sob o regime de empreitada global, na qual o preo total contempla o lucro e todos os custos, despesas, tributos e encargos sociais e trabalhistas incorridos pela contratada. Furnas no realiza licitaes que incluam fornecimento conjunto de servios e equipamentos. Estes so adquiridos em processo licitatrio separado.

8.3.1 Composio de LDI

Para fins de elaborao de oramentos, FURNAS adota a seguinte composio de LDI e faixa de variao dos itens:

ItemDiscriminao

1.Administrao Central

2.Encargos Financeiros

2.1.Encargos referentes ao perodo de processamento dos pagamentos

2.2.Financiamento Obra

2.3.Proteo dos preos dos insumos por anualidade do reajuste

3.Taxa de Risco

4.Impostos e Seguros

Percentuais Fixos

4.1.PIS

4.2.COFINS

4.3.CPMF

Percentuais Variveis

4.4.CSLL

4.5.IRPJ

4.6.ISSQN

4.7.GARANTIA CONTRATUAL

5.Lucro

8.3.2 Frmula do LDI

A Frmula adotada por FURNAS para o clculo do LDI dada por:

(

)

LDI

CD

PV

+

=

1

Onde:

ACC% = Administrao Central da Contratada

EF% = Encargos Financeiros

TR% = Taxa de Risco

IS% = Impostos e Seguros

PIS

COFINS

CPMF

CSLL

IRPJ

ISSQN

Garantias

L% = Lucro

Furnas aloca o item Administrao Local como parte do custo direto, em sintonia com a proposta contida neste trabalho. A frmula considerada pela empresa inclui, contudo, tributos diretos como o IRPJ e a CSLL, cujo encargo deve ser suportado pela pessoa legalmente obrigada ao pagamento, no sendo permitida a transferncia do encargo financeiro para outra pessoa.

8.3.3 Valores praticados em licitaes

Os valores fornecidos por Furnas encontram-se consolidados na Tabela IV, e variam entre 24,50% e 33,84%.

8.4 Eletrobrs Centrais Eltricas Brasileiras S.A.

No mbito do acordo de cooperao tcnica firmado entre a ANEEL e a Eletrobrs, em outubro de 2002, com o objetivo de conceber um banco de dados de custos de linhas de transmisso e de subestaes, visando a gerao e a atualizao dos custos padres de transmisso, foram desenvolvidos estudos que levaram reviso e reformulao das diretrizes para elaborao de oramentos de ilhas de transmisso e de subestaes. Participaram dos trabalhos Eletrosul, Furnas, Chesf, Eletronorte e CEPEL, alm da prpria Eletrobrs.

De acordo com esses estudos, o custo total de uma obra dado pela soma dos custos diretos, indiretos e eventuais.

O custo indireto compreende o total das despesas no alocveis diretamente execuo da obra, e envolve, segundo a Eletrobrs, apenas os custos referentes Administrao Central.

O item denominado eventuais calculado atravs de um ndice percentual sobre o custo direto e destina-se a cobrir imprevistos que virtualmente possam ocorrer durante a execuo do projeto ou construo, entre os quais sobressaem: gastos com indenizaes de danos causados aos proprietrios de terrenos ao longo da faixa de passagem da linha, desvios de estradas, relocao de linhas de transmisso e redes de distribuio ou telecomunicaes, etc.

Cabe ressaltar que a Eletrobrs no realiza contrataes de obras, servios e ou equipamentos, os conceitos abordados referem-se a custos modulares, visando auxiliar a ANEEL na elaborao de oramentos para os leiles do setor eltrico.

8.5 Eletronorte Centrais Eltricas do Norte do Brasil S.A.

A Eletronorte contrata suas obras de linhas de transmisso e de subestaes para execuo sob regime de empreitada por preo unitrio, contudo, na seleo da proposta considerado o menor preo global.

O licitante discrimina o preo para a execuo do empreendimento objeto da licitao, o qual dever incluir todos os impostos e taxas vigentes para a execuo do empreendimento objeto da licitao, bem como os custos diretos e indiretos inerentes, tais como os a seguir indicados, porm sem se limitar aos mesmos: despesas com pessoal (inclusive obrigaes sociais, viagens e dirias), despesas administrativas, administrao, lucro e outras despesas necessrias a boa realizao dos servios. Quaisquer tributos, custos e despesas diretas ou indiretas omitidos da Proposta ou incorretamente cotados sero considerados como inclusos nos preos, no sendo considerados, em caso de adjudicao, pleitos de acrscimos.

O licitante vencedor firma declarao (contudo, sem efetuar a discriminao por itens) informando o percentual de LDI praticado no preo ofertado, o qual inclui todos os custos de administrao central, taxas, emolumentos, impostos, contribuies, seguros, benefcios e materiais de consumo necessrios para a execuo das obras civis e montagem eletromecnica, com fornecimento parcial de materiais, para ampliao da obra.

9 CRITRIOS DE ACEITABILIDADE PARA OS ELEMENTOS QUE COMPEM O LUCRO E AS DESPESAS INDIRETAS

9.1 Contexto

Primeiramente, se faz necessrio apresentar o contexto deste trabalho para compreender as inferncias que sero feitas sobre os valores dos componentes do LDI.

O estabelecimento de critrios de aceitabilidade para os elementos que compem o lucro e as despesas indiretas deve ser visto de forma relativa, se nos ativermos ao significado do termo aceitabilidade de preos no contexto da contratao pblica.

Critrio de aceitabilidade, observando pela tica da contratao pblica, um termo empregado pela Lei de Licitaes para atuar como mais um instrumento de controle da eficcia dos procedimentos de licitao e execuo dos contratos realizados pela administrao pblica. um atributo de controle do gestor.

A Lei n. 8.666/1993 estabelece vrias regras, em especial quanto aos contratos de obras, para controle dos preos de contratao e acompanhamento de sua execuo. Desde a necessidade de projeto bsico e oramento detalhado em custos unitrios (artigo 7) at a fixao de critrios de aceitabilidade dos preos unitrios e global (artigo 40, inciso X), as regras visam que a administrao estime bem os valores que sero contratados.

Assim, quando se trata de critrios de aceitabilidade, a norma est regrando o gestor para que este estabelea o seu controle, que particular para cada caso. Para isso, ele se orienta a partir de um oramento-base, onde o LDI responde por uma parte da formao dos preos. Portanto, no se pode tratar de oramentao de obra e aceitabilidade de preos sem calcular analiticamente o LDI assim como se faz com os custos diretos.

Esse controle se estende da licitao execuo do contrato. Ao ter como objetivo acolher a proposta mais vantajosa para a administrao na licitao, importante certificar, aps essa etapa, que a vantagem inicialmente obtida se manter at o final da execuo do contrato. A aceitabilidade dos preos ir repercutir no acompanhamento contratual e em eventuais alteraes nos seus quantitativos. A cada variao dos quantitativos, afetado o custo direto do contrato, refletindo no preo final pela incidncia do LDI. Da a importncia de se avaliar o LDI, da mesma forma que se examina os outros componentes do oramento da obra.

Estimar o LDI dos proponentes na formao de preos para apresentao das proposta tarefa complementar para avaliao do oramento. Considerando como parte mais objetiva dessa avaliao a cotao dos valores dos insumos, equipamentos e mo-de-obra (dados vinculados diretamente parte de engenharia), a questo mais subjetiva relativa estimativa do LDI (valores atribudos ao lucro, administrao financeira e operacional e encargos tributrios da empresa).

Se considerarmos que a parte de engenharia deve ser similar entre as concorrentes, por se tratar de especificao tcnica, relacionada ao projeto da obra, a parte relativa ao LDI no segue, necessariamente, uma homogeneidade entre as empresas proponentes.

Diferentemente dos custos diretos de engenharia, o LDI tem menos a ver com o projeto e mais com as caractersticas da empresa executora e com a legislao tributria aplicada. O que vai preponderar para a formao do LDI, alm dos encargos tributrios definidos por lei, so as caracterstiscas da empresa como estrutura gerencial, logstica, tecnolgica, financeira e a estratgia escolhida de mercado, especificamente para a obra pretendida.

Dessa forma, pelas caractersticas de cada empresa, se apresentam seus custos administrativos, capacidade financeira, estratgias e necessidades de lucratividade em cada contrato.

Em razo da formao dos critrios de aceitabilidade ser uma atribuio do contratante e ter influncia direta e particular do projeto da obra, no se pode estabelecer parmetros para o LDI, de forma genrica, para que estes substituam os critrios de aceitabilidade de LDI em uma contratao. A rigor, o que se pretende encontrar uma variao de referncia dos componentes do LDI para que sirva de parmetro s anlises de adequabilidade dos critrios de aceitabilidade a serem praticados em cada contrato.Considerando, ainda, que os percentuais relativos aos tributos so fixos para cada contrato (so obtidos pela legislao tributria aplicada a cada caso, conforme os bens e servios contratados e a localidade da prestao ou fornecimento), somente os demais componentes do LDI sero examinados quanto a sua variabilidade.

A seguir, ao comentar os itens que compem o LDI, sero apresentadas duas faixas de valores percentuais para cada item: uma, reproduzindo os valores observados pela pesquisa realizada junto s empresas contratantes do setor eltrico, j citadas; outra, indicando uma referncia sugerida para esses valores, resultante das avaliaes procedidas no presente estudo. Posteriormente, esses percentuais sero tratados estatisticamente para uma melhor adequao dos seus valores realidade de mercado. Esse tratamento necessrio, pois no seria coerente a simples aplicao da frmula do LDI aos valores mnimos e apresentados. Ao ser aplicada a frmula aos mnimos e mximos de cada item do LDI obter-se-ia percentuais de LDI extremos muito baixos e muito elevados, respectivamente, distorcendo, assim, dos valores observados ou dos propostos como referncia.

Abaixo apresenta-se tabela com os itens que podero compor o LDI e sobre os quais sero tecidos comentrios ( exceo dos tributos que so definidos em lei):

Descrio

Garantia

Risco

Despesas Financeiras

Administrao Central

Lucro

Tributos

COFINS

PIS

ISS

CPMF

9.2 Garantia

A despesa estimada para esse item decorre da necessidade de apresentao da garantia contratual, quando exigida na licitao, que geralmente corresponde a 5% do valor do contrato, podendo alcanar, no mximo, 10%. Portanto, a estimativa para este custo ser uma frao do valor da garantia contratual, dependendo do modo de fixao da garantia (fiana-bancria, seguro-garantia ou cauo).

Cabe esclarecer que a Garantia foi observada apenas na composio de LDI de Furnas, e que a sua cobrana em obras civis em geral no usual. Como no caso especfico deste trabalho est sendo abordada as prticas no setor eltrico, essa despesa ser considerada.

9.2.1 Faixa de Variao Observada

MnimoMximoMdia

0,00%1,20%0,65%

A mdia observada na pesquisa para esse custo foi de 0,65% no LDI, que teoricamente corresponderia a um prmio de 13% do valor de garantia, caso ela corresponda a 5% do valor do contrato.

O valor mximo verificado foi de 1,20%, correspondente, nesse caso, a um prmio de 24% do valor da garantia, permanecendo o clculo com base em 5% do valor do contrato da obra.

9.2.2 Faixa de variao de referncia

MnimoMximo

(garantia contratual de 5%)Mximo

(garantia contratual de 10%)

0,00%0,2% ao ano0,4% ao ano

Referncias de instituies operadoras de seguros indicam que o prmio pela garantia situa-se no intervalo percentual de 0,45% a 4,0% ao ano sobre o valor da aplice, conforme a classificao obtida pela empresa junto instituio seguradora. Isso corresponde a uma variao de 0,0225% a 0,2% sobre o valor do contrato, para as garantias equivalentes a 5% desse valor e, uma variao de 0,045% a 0,4%, quanto a garantia atingir 10% do valor contratado. Portanto, o percentual atribuvel garantia no LDI depende do prazo de execuo da obra, da classificao de risco da empresa e da negociao do prmio com a seguradora. Desse modo, a referncia indicada observa base de clculo anual.

9.3 Taxa de risco

Embora sirva como proviso para ocorrncias no previstas em projetos e que podem repercutir no custo da obra, a taxa de risco representa uma margem de reserva e no pode ser muito significativa. Os valores que foram observados nos contratos pesquisados so razoveis e podem servir como referncia.

9.3.1 Faixa de variao observada

MnimoMximoMdia

0,00%2,00%1,00%

9.3.2 Faixa de variao de referncia

MnimoMximoMdia

0,00%2,00%1,00%

9.4 Despesas financeiras

As despesas financeiras decorrem do custo de capital necessrio que a empresa tem que dispor para execuo da obra. Eventuais necessidades de desembolso sem a contrapartida de saldo de caixa proveniente dos pagamentos do contrato iro acarretar um custo financeiro que ser calculado em funo da taxa de remunerao desse capital (juros ou custo de capital prprio) e do perodo de sua alocao (em dias), quando necessria.

Esse capital uma necessidade especfica para aquele contrato, chamado, muitas vezes, de caixa da obra. Seu montante varivel de acordo com as fases da obra, perfil operacional da empresa, caractersticas dos gastos da obra e sincronia com os recebimentos de contraprestao.

Existem vrios fatores que podem reduzir esses custos ou, at, inverter o fluxo e gerar supervit financeiro.

A parte das despesas da obra relativa aos fornecedores da empreiteira pode ter prazo de pagamento igual ou superior aos dos recebimentos programados para o contrato. O gerenciamento de compras da empresa procura otimizar esse fluxo de caixa para tornar a maior parcela possvel das despesas com custo zero de capital.

Outra influncia a taxa de remunerao desse capital. A taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidao e Custdia), mdia ponderada pelo volume das operaes de financiamento por um dia, lastreadas em ttulos pblicos federais, uma taxa bsica utilizada como referncia, pois as taxas de juros cobradas pelo mercado so balizadas pela mesma. Ela pode servir como parmetro para remunerao deste encargo.

H a possibilidade tambm da empreiteira ter acesso a capitais com custo de TJLP (taxa de juros de longo prazo), inferior SELIC (atualmente a TJLP est 8,15% ao ano, enquanto a SELIC est no patamar de 15,25% ao ano - taxa obtida no ms de junho/2006).

Dessa forma, considera-se que pode no haver custo de capital ou, at supervit financeiro. Havendo necessidade de aporte de recursos, recomenda-se a referncia da taxa SELIC para clculo do custo do capital, devendo-se calcular o perodo mdio da necessidade de alocao desse capital. Para referncia mxima, ser indicada a taxa SELIC para 30 dias, cotao de junho de 2006.

9.4.1 Faixa de variao observada

MnimoMximoMdia

0,00%3,52%2,10%

9.4.2 Faixa de variao de referncia

MnimoMximoMdia

0,00%1,28%0,64%

9.5 Administrao central

Os custos relativos administrao central so os mais complexos entre os indiretos. A gama de fatores que podem ser computados nesse item grande. So todos os relativos manuteno das atividades operacionais da empresa construtora. Custos administrativos, financeiros e comerciais, que j foram citados no tpico especfico.

A magnitude e distribuio desses custos dependem do perfil e estrutura de cada empresa.

O que vai importar, na estimativa para orar um contrato de obra, de que forma esses custos iro ser apropriados no contrato.

Para uma empresa executora de um contrato somente, este deve suportar todo o seu custo. Em compensao, as despesas da administrao central devem ser as menores possveis para possibilitar a realizao de lucro operacional.

Nos casos mais comuns, a empreiteira administra mais de um contrato de obra e, ento, esses custos devem ser apropriados na forma de rateio proporcional aos contratos por ela executados, considerados o valor, o perodo de execuo e as necessidades operacionais.

Excepcionalmente, a considerao desses custos em determinado contrato pode ser mnima, caso a estrutura da empresa permita que sua administrao central possa ser suportada por outros contratos e, estrategicamente, ela reduza a sua apropriao em um contrato especfico, com intuito de ganhar competitividade na proposta de preos.

9.5.1 Faixa de variao observada

Normalmente, as empresas fazem a apropriao desses custos distribuda entre os seus contratos. Dentre os contratos pesquisados, os valores indicados nos oramentos so os seguintes:

MnimoMximoMdia

2,00%13,05%4,48%

9.5.2 Faixa de variao de referncia

Como visto, a estipulao do custo de administrao central em um contrato depende de sua situao e estratgia. Assim, poder uma empresa at mesmo no atribuir esse custo a um contrato. Em contrapartida, no h limite-teto para esse custo, j que so vrias as hipteses de causas incidentes, podendo-se justificar vrios nveis percentuais. Entretanto, considerando os contratos pesquisados (descartado o maior valor registrado), o percentual mximo de 8% situa-se prximo a outras referncias de custo citadas na bibliografia utilizada neste trabalho. Para a mdia ser adotado o percentual de 4% (mdia aritmtica de 0 e 8) por se aproximar da mdia de 4,13% (percentual mdio dos valores pesquisados tratado estatisticamente - Tabelas I e VII), sinalizando a coerncia, portanto, com os dados obtidos na pesquisa.

MnimoMximoMdia

0,00%8,00%4,00%

9.6 Lucro

Considerados os custos diretos e indiretos necessrios para a realizao da obra, o lucro o acrscimo final no oramento para remunerao da empreiteira para a execuo do contrato da obra.

Para a determinao do lucro a empresa vai considerar dois fatores: a expectativa de retorno do projeto analisado e a sua estratgia comercial.

O que esperado comumente na fixao dos lucros para estimar o valor de um contrato de obra a utilizao da expectativa de retorno de um projeto (execuo da obra) para a empresa, comparada com investimentos alternativos e com a oportunidade do contrato pretendido. Para esse resultado esperado, normalmente realizada uma avaliao financeira, de acordo com a condio da empresa.

Dependendo da escolha da estratgia comercial, a empresa pode ser bem agressiva na proposta de preos, relegando a segundo plano o retorno do investimento considerado para o contrato. Quanto menor for a taxa percentual exigida para anlise sobre o retorno do investimento, maior ser a competitividade de proposta.

As motivaes para perseguir o sucesso em uma licitao em detrimento da remunerao possvel pela execuo da obra variam: a empresa pode estar interessada na obra especfica por sinergia com suas atuais atividades; pode haver interesse em quebrar barreiras impostas pelos concorrentes no mercado para o tipo de obra a ser executada; pode haver interesse em incrementar o portfolio de execuo de obras da empresa; pode haver interesse na formao de um novo fluxo de caixa advindo do contrato e que pode contribuir com outros tipos de ganho para a empresa, entre outras.

Esses exemplos podem traduzir ganhos indiretos atuais para empresa ou mesmo ganho futuro, na tica de longo prazo para o mercado. Assim, possvel que empresas atuem com margem de lucro mnima em propostas para concorrer nas contrataes de obras, desde que bem estimados os custos diretos e indiretos.

Comentadas hipteses de estipulao de lucros excepcionalmente reduzidos deve-se desconsiderar, por sua vez, a formao de lucros elevados. Primeiro, porque espera-se que a concorrncia obtida para as licitaes faa com que o mercado iniba os excessos em funo da perda de competitividade que eles geram. Em segundo lugar, caso no funcione a regulao pelo mercado, deve a administrao zelar por proposta vantajosa, evitando excessos nos preos praticados.

No h norma que fixe ou limite o percentual de lucro das empresas. Para verificar e classificar um valor como excessivo, a administrao dever trabalhar com parmetro de referncia, tecnicamente justificado e baseado em prtica observada no mercado, para, caso o valor analisado extrapole o parmetro, seja examinada a causa e, auxiliada pela anlise da adequabilidade dos custos diretos, a administrao possa negociar a readequao da margem de lucro proposta, ainda que vencedora de um certame.

Assim, mesmo sem estipular um valor-teto para o lucro, considera-se os percentuais atribudos nos contratos observados como normais ao compar-los com os dados apresentados nos estudos contidos nas bibliografia citada.

9.6.1 Faixa de variao observada

MnimoMximoMdia

0,00%11,44%8,58%

9.6.2 Faixa de variao de referncia

A recomendao de percentuais de referncias para a indicao do lucro no LDI ser melhor discutida no tpico seguinte onde os dados sofrero tratamento estatstico.

9.7 Faixa de variao do LDI

Agregando-se os valores comentados para cada item e acrescentando os tributos, estipulados, para esse exemplo, em COFINS (3,00%), PIS (0,65%), ISS (variando de 2 a 5% a depender do municpio) e CPMF (0,38%), apresenta-se a seguir tabelas demonstrativas do LDI, tomando-se como base, na primeira situao, os valores observados na pesquisa, em segunda condio, os valores sugeridos como referncia, ambos tratados estatisticamente.

Para os valores observados na pesquisa (dados obtidos em Furnas e na Chesf), primeiramente, foram eliminados aqueles que no deveriam constar no LDI, como por exemplo IRPJ, CSLL e Administrao Local. Os tributos que tiveram valores divergentes dos que estabelece a legislao foram corrigidos de forma a espelhar a situao real. Cabe esclarecer que o item Riscos (que foi observado em apenas um oramento de LDI) no foi considerado neste primeiro momento para avaliar a variao dessa taxa nas empresas pesquisadas. Os itens e valores observados na pesquisa - j ajustados, conforme o caso - esto elencados na Tabela V.

Depois (na parte inferior da mesma Tabela V) foram avaliados os pontos que representam observaes discrepantes (outliers), ou seja, percentuais de LDI extremos que no representam adequadamente o conjunto de valores, mas podem afetar significativamente o resultado da anlise. Para tal, foi aplicada a ferramenta do Desenho esquemtico (Box plot), na qual calculado o intervalo interquartil da distribuio, representado pela diferena entre o 3 (Q3) e o 1 quartil (Q1), ou seja, (Q3 Q1), procurando eliminar os pontos que estiverem abaixo de Q1 1,5x(Q3-Q1) ou acima de Q3 + 1,5x(Q3-Q1).

A partir dos dados da Tabela V, foi eliminado da amostra o item 16, por representar ponto extremo que no representa adequadamente o conjunto de dados. Em que pese o item 17 estar um pouco acima do valor obtido como mximo, este foi mantido por no se afastar muito dos valores observados. Nesse momento, foi definida a amostra final de dados, com 24 itens, para a qual foram calculados os valores de mdia e desvio padro.

Para os itens Administrao Central, Garantia, Despesas Financeiras, Lucro e para o prprio valor total de LDI (os tributos no foram considerados, pois so valores fixos definidos em lei, exceo do ISS que pode variar a depender do municpio) foram definidos intervalos e a ocorrncia dos valores pesquisados em cada intervalo. Aps isso, foi realizado um estudo envolvendo dois tipos de distribuies estatsticas, a Distribuio Normal e a Distribuio Gamma, e feito um comparativo das probabilidades acumuladas da ocorrncia dos valores em cada intervalo para as duas distribuies com o comportamento dos valores da amostra (vide anexo a este trabalho Tabelas e Grficos especficos para cada um dos itens).

Os intervalos foram redefinidos de forma a que todos possussem pelo menos 5 eventos com o objetivo de aplicar o Teste Qui-Quadrado conforme descrito abaixo:

1 Passo: Subdividir o eixo x em K intervalos I1, I2, ..., IK tal que cada intervalo contenha pelo menos 5 valores da amostra x1, ..., xn. Determinar o nmero bj dos valores da amostra no intervalo Ij (j = 1, ..., K). Se um valor da amostra cair em um limite comum de 2 intervalos, somar 0,5 para cada um dos valores bj correspondentes.

2 Passo: Usando a funo F(x), computar a probabilidade pj que o valor aleatrio X considerado assuma qualquer dos valores no intervalo Ij (j = 1, ..., K). Calcular ej = npj (Esse o nmero de valores da amostra teoricamente esperados no Ij se a hiptese for verdadeira).

2

)

(

2

1

2

1

)

(

s

m

p

s

-

-

=

x

e

x

F

- Funo da Distribuio Normal

)

(

)

(

)

/

(

1

a

b

a

b

a

G

=

-

-

x

e

x

x

F

, onde b

m

a

=

, m

s

b

2

=

e

-

-

=

G

0

1

)

(

dx

e

x

x

a

a

- Funo da Distribuio Gama

OBS: O clculo dessas funes foi realizado por meio do programa Excel.

3 Passo: Calcular o desvio

j

2

j

j

1

j

2

e

)

e

-

(b

X

=

=

4 Passo: Escolher um nvel de significncia ( (5%, 1% ou outro desejado - no caso deste estudo foi de escolhido 5%).

5 Passo: Determinar a soluo c da equao:

P(X2 ( c) = 1 - (Utilizando o tabela da distribuio Qui-Quadrada (no foi utilizada a tabela, pois o clculo foi realizado diretamente no programa Excel, mas, de qualquer forma, a tabela est presente na Table 6 - fl. 175 do Anexo 2 do Volume Principal) com K - 1 graus de liberdade. Se Xo2 ( c, no rejeitar a hiptese. Se Xo2 > c, a hiptese deve ser rejeitada. Com base nesse passos foram realizados os clculos e elaboradas as Tabelas e Grficos especficos para cada um dos itens, que encontram-se anexos. Verifica-se que a hiptese foi aceita para todos os itens tanto para a Distribuio Normal como para a Gamma. Dessa forma, decidiu-se por utilizar a Distribuio Normal para balizar os clculos de mnimos e mximos dos valores observados na pesquisa (com 95% de probabilidade de chance dos valores se encontrem entre esses mximos e mnimos). Foi utilizada a funo Inverso da Normal (INV.NORM) do programa Excel para se obter os valores de mximos e mnimos. Abaixo esto apresentados esses valores:

Tabela I - Faixa de variao observada consolidada

DescrioMnimoMximoMdia

Garantia0,00*

1,50

0,65

Despesas Financeiras0,37

3,79

2,08

Administrao Central1,29

6,96

4,13

Lucro3,86

13,34

8,60

Tributos6,03

9,03

7,62

COFINS3,00

3,00

3,00

PIS0,65

0,65

0,65

ISS2,00

5,00

3,59

CPMF0,38

0,38

0,38

Total19,51

31,34

25,42

*Considerado o valor zero, pois no possvel ter valor negativo, com base nos clculos presentes na Tabela VII, alm do que o valor encontra-se muito prximo de zero.

J para os valores de referncia foi adotado um outro tratamento estatstico. Com base nas faixas de variao de referncia apresentada no tpico anterior foi elaborada uma planilha com os valores mnimos e mximos e foram calculados as mdias e desvio padro de cada item. Foram gerados 100 nmeros aleatrios para cada um deles (funo ALEATRIO do programa Excel). Com base nesses nmeros foram efetuados clculos para se obter 100 simulaes distintas para os valores de cada item e do LDI total (utilizando a frmula da Inversa da Normal - INV.NORM do Excel e tendo como probabilidade os nmeros aleatrios gerados). A partir dessas simulaes foi possvel se calcular nova mdia e desvio padro, assim como estabelecer novos limites mnimos e mximos para cada um dos itens do LDI e para o seu percentual total (tendo como referncia essas novas informaes geradas e utilizando novamente a frmula da Inversa da Normal - INV.NORM, s que agora com uma probabilidade de 95% de chance daqueles valores simulados encontrarem-se entre os mnimos e mximos definidos inicialmente).

Para esses clculos foi admitida a taxa de Risco. Para o valor mnimo do Lucro foi adotado o percentual da Tabela I e para o mximo foi estabelecido o percentual de 10%, tendo em vista que: em que pese ser possvel alguma empresa adotar lucro zero algo bem raro de acontecer e esse valor pode estar mascarado em outra despesa ou custo do oramento; e, como difcil se estabelecer um teto para o lucro, conforme defendido neste trabalho, decidiu-se por estabelecer o percentual mximo mais observado na pesquisa, que foi de 10%.

Tabela II - Faixa de variao de referncia consolidada

DescrioMnimoMximoMdia

Garantia0,00

0,42

0,21

Risco0,00*

2,05

0,97

Despesas Financeiras0,00*

1,20

0,59

Administrao Central0,11

8,03

4,07

Lucro3,83

9,96

6,90

Tributos6,03

9,03

7,65

COFINS3,00

3,00

3,00

PIS0,65

0,65

0,65

ISS2,00

5,00

3,62

CPMF0,38

0,38

0,38

Total16,36

28,87

22,61

*Considerado o valor zero, pois no possvel ter valor negativo, com base nos clculos efetuados na Tabela VIII em meio eletrnico - disquete acostado contracapa do Volume Principal (Arquivo Tabela VIII - LDI de Referncia), alm do que os valores so muito prximos a zero.

10 CONCLUSO

Diversos estudos procuram desenvolver mtodos de clculo de custos indiretos para oramentao de obras. No entanto, no existe uma norma ou metodologia nica e consensual para realizar o clculo do LDI, nem para definir os componentes que devam integr-lo.

Neste trabalho, procurou-se abordar este tema luz dos princpios e dispositivos legais que regem as licitaes e contratos administrativos, considerando a necessidade do gestor em estimar e controlar adequadamente os preos das obras e servios a serem contratados. Mais especificamente, o objeto deste trabalho est relacionado a contratos de obras de linhas de transmisso e subestaes. Para isso, foram estudados casos reais relativos s empresas estatais do setor eltrico brasileiro.

A partir dos mtodos adotados pelas empresas do setor eltrico, dos casos estudados e da anlise da natureza dos diversos itens normalmente utilizados para seu clculo, avaliou-se a adequada composio do LDI, com o objetivo de apresentar uma metodologia de clculo, fundamentando a pertinncia de cada um dos seus componentes.

Em razo disso, houve uma avaliao de cada um dos itens da composio do LDI observados nos mtodos das empresas estudadas, ou nos estudos pesquisados, o que resultou na recomendao de excluso de alguns desses itens, tais como: Administrao Local, Mobilizao e Desmobilizao, IRPJ e CSLL.

Em seqncia, houve a preocupao de identificar uma faixa de variabilidade para os valores dos componentes do LDI, com a indicao, se possvel, de nveis de aceitabilidade. Apesar disso, julgou-se no ser possvel definir critrios de aceitabilidade, assim entendidos como limites rgidos, para o LDI e seus diversos componentes, mas somente parmetros de referncia, a partir das faixas de variao observadas nos casos estudados e de ajustes efetuados pela equipe.

Tal posio se justifica em funo dos fatores que determinam os valores de cada componente.

Os percentuais variveis dos elementos que compem o LDI, com exceo dos tributos, cujas alquotas so definidas em lei, guardam estreita relao com caractersticas particulares de cada empresa, em especial, aquelas consideradas no momento em que se realiza a oramentao, tais como porte e situao financeira da empresa, nmero de obras em execuo, representatividade do porte e da natureza da obra para a empresa, logstica necessria, necessidades operacionais, atratividade estratgica do contrato, dentre outros aspectos. Assim, o oramento proposto por uma empresa pode variar conforme seu perfil e interesse na obra.

Um valor de referncia, contudo, no deve ser desconsiderado. Pelo contrrio, uma referncia necessria para possibilitar que o gestor, por exigncia legal, estime o oramento, uma vez que este no possui as caractersticas de uma empresa e precisa se orientar por um padro que simule sua estrutura de custos. Isso no significa que no haja discrepncias nas propostas apresentadas. Porm, maiores divergncias da referncia adotada somente podero ser justificadas caso identificadas as caractersticas ou as causas que as originaram.

Entende-se, ento, que limitar a faixa de variao do LDI no necessrio, visto que a aceitabilidade, pelo gestor, s se dar em seqncia, com a anlise conjunta dos custos direto e indireto que formaro o preo da obra.

Para tanto, a estimativa do LDI ser aplicada estimativa dos custos diretos para fornecer o preo da obra, resultado esse para o qual pertinente e necessria a utilizao de critrios de aceitabilidade.

To importante quanto estabelecer critrios de aceitabilidade para o LDI e para seus componentes definir com preciso e clareza os elementos que devero integr-lo, de forma a torn-lo mais enxuto, buscando, assim, alocar como custo direto o maior nmero possvel de itens. Esse procedimento facilita o acompanhamento dos servios executados na obra e evita repercusses indesejadas no seu preo total, decorrentes de eventuais aditamentos contratuais, pois quaisquer aumentos dos custos diretos ampliariam as distores causadas por um LDI inadequado.

Por isso, dedicou-se parte do trabalho a definir, dentre os componentes usualmente utilizados no clculo dos custos indiretos, conforme os critrios e tipos de obras observados, tanto os que so considerados adequados para composio do LDI, quanto os que no so recomendados para esse clculo.

Uma vez analisada uma referncia para o LDI e para seus componentes, conclui-se que para adequada oramentao de uma obra preciso que se tenha com o LDI os mesmos cuidados exigidos para os custos unitrios diretos, de modo que o oramento estimado seja detalhado, conforme previsto no art. 6, IX, f, c/c os arts. 7, 2, e 40, X, da Lei n. 8.666/1993, e reflita uma realidade de mercado, de acordo com o art. 43, IV, da citada Lei. Assim, como se deve determinar o detalhamento dos custos unitrios, h necessidade de se exigir dos licitantes o detalhamento de sua composio de LDI e dos respectivos percentuais praticados, no s para realizao de crtica dos componentes considerados pelos licitantes, mas tambm para a formao de uma memria de valores que permita Administrao pblica, considerando as peculiaridades de cada obra e empresa, realizar oramentos com preciso cada vez maior.

Esse oramento estimado constitui, na realidade, o critrio de aceitabilidade de preos a ser utilizado pelo gestor no processo licitatrio. Portanto, a aceitabilidade do LDI no pode ser vista de maneira isolada, mas deve ser avaliada conjuntamente com os demais custos unitrios para formao do preo de aquisio da obra ou do servio a serem contratados.

Apesar de o escopo original do trabalho referir-se somente a obras de linhas de transmisso, os trabalhos foram estendidos para obras de subestaes, estruturas comumente associadas quelas. Cabe registrar que, atualmente, as empresas pesquisadas executam maior nmero de contratos de subestaes do que de linhas de transmisso, por uma peculiaridade do mercado que realiza leiles para contratao de novos empreendimentos de linhas de transmisso e de subestaes, que no so necessariamente ganhos pelas estatais do setor eltrico. Residualmente, cabe a essas empresas desenvolver atividades de modernizao, manuteno e ampliao relacionados estrutura j existente.

Esse aspecto poderia sugerir o estabelecimento de critrios diferentes de clculo de LDI para obras de linhas de transmisso e de subestaes. Apesar das peculiaridades de cada obra, a pesquisa efetuada indicou que os custos dos servios podem ser tratados de maneira homognea, envolvendo, normalmente, as mesmas empresas participantes, e cujas estimativas de custos so realizadas pelo mesmo setor das empresas contratantes.

Vale destacar que a diferena de LDI passa a ser significativa no para o tipo de obra, se de Linhas de Transmisso ou de Subestaes, mas quando se discrimina a compra de equipamentos dos servios de engenharia. Considerando-se que, em mdia, o valor dos equipamentos corresponde a um percentual expressivo dos custos das obras de linha de transmisso e de subestaes, essencial discriminar essa diferena para avaliar a melhor soluo entre um contrato global, abrangendo servios e bens (equipamentos e materiais), sob responsabilidade da construtora, ou a aquisio direta dos equipamentos junto ao fornecedor e a contratao em separado dos servios de engenharia correspondentes.

Nas empresas pesquisadas verificou-se que a aquisio direta de bens junto ao fabricante ou fornecedor, tem-se revelado mais vantajosa. No caso da CHESF, identificou-se que, em casos em que essas aquisies foram realizadas por intermdio do empreiteiro, havia a prtica de um LDI com composio diferenciada, constitudo apenas de lucro e de tributos. Ou seja, para esses casos, existe uma adaptao na composio do LDI, eliminando-se o item administrao central e reduzindo o percentual de lucro.

Diante dos estudos realizados, conclui-se que possvel e necessrio que o gestor estabelea critrios de aceitabilidade de preos para cada contratao. Para tanto, faz-se necessria a utilizao de referncias tcnicas, bem com o conhecimento das prticas de mercado, obtidas a partir do histrico de contrataes anteriores.

No sentido de aperfeioar a sistemtica de formao de critrios, importante que as propostas de preos contenham o detalhamento de seus custos indiretos, com a especificao dos componentes do LDI. Esse detalhamento pode ser til, ainda, no caso em que o gestor necessite negociar os preos para homologar uma licitao ou, tambm, no caso em que a negociao ocorra em eventual aditamento ao contrato.

Portanto, dentro do escopo definido pela Ordem de Servio SEGECEX n. 06, de 16 de maro de 2006, este estudo pretende fornecer referncias para direcionar a atuao do gestor ou para a avaliao dos seus atos na utilizao adequada dos instrumentos previstos nas normas que regem licitaes e contratos administrativos.

11 PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO

Em face do exposto, encaminhamos os autos considerao superior, com as seguintes propostas:

I. Que as seguintes premissas acerca dos componentes de Lucros e Despesas Indiretas - LDI passem a ser utilizadas como referenciais pelas unidades tcnicas do Tribunal quando dos trabalhos de fiscalizao em obras pblicas:

I.1 Os tributos IRPJ e CSLL no devem integrar o clculo do LDI, nem tampouco a planilha de custo direto, por se constiturem em tributos de natureza direta e personalstica, que oneram pessoalmente o contratado, no devendo ser repassado contratante;

I.2 Os itens Administrao Local, Instalao de Canteiro e Acampamento e Mobilizao e Desmobilizao, visando a maior transparncia, devem constar na planilha oramentria e no no LDI;

I.3 O gestor pblico deve exigir dos licitantes o detalhamento da composio do LDI e dos respectivos percentuais praticados;

I.4 O gestor deve promover estudos tcnicos demonstrando a viabilidade tcnica e econmica de se realizar uma licitao independente para a aquisio de equipamentos/materiais que correspondam a um percentual expressivo das obras de linhas de transmisso e de subestaes, com o objetivo de proceder o parcelamento do objeto previsto no art. 23, 1, da Lei n. 8.666/1993; caso seja comprovada a sua inviabilidade, que aplique um LDI reduzido em relao ao percentual adotado para o empreendimento, pois no adequada a utilizao do mesmo LDI de obras civis para a compra daqueles bens.

II. Aprovar os valores abaixo listados como faixa referencial para o LDI em obras de linhas de transmisso e subestaes.

DescrioMnimoMximoMdia

Garantia0,00

0,42

0,21

Risco0,00

2,05

0,97

Despesas Financeiras0,00

1,20

0,59

Administrao Central0,11

8,03

4,07

Lucro3,83

9,96

6,90

Tributos6,03

9,03

7,65

COFINS3,00

3,00

3,00

PIS0,65

0,65

0,65

ISS2,00

5,00

3,62

CPMF0,38

0,38

0,38

Total16,36

28,87

22,61

I. determinar Secob que oriente as Secretarias de Controle Externo para verificarem, no mbito das fiscalizaes realizadas nos prximos exerccios, o cumprimento das premissas contidas nos itens I.1 a I.4 supra.

II. Encaminhar cpia da deliberao que vier a ser proferida, acompanhada de cpia deste relatrio:

- SECEX-MT para subsidiar os trabalhos do TC -003.658/2003-1;

- s empresas CHESF Companhia Hidro Eltrica do So Francisco, Eletrosul Centrais Eltricas S.A., Eletronorte Centrais Eltricas do Norte do Brasil S.A., FURNAS Centrais Eltricas S.A., e Eletrobrs Centrais Eltricas Brasileiras S.A., para subsidiar procedimentos a serem adotados em futuras contrataes. o Relatrio.

VOTO

Como se pode depreender do Relatrio que precede este Voto, os presentes autos tratam dos estudos e das concluses do Grupo de Trabalho constitudo com o objetivo de propor critrios de aceitabilidade para o Lucro e Despesas Indiretas (LDI), em obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica.

Preliminarmente, foi necessrio definir com clareza os elementos que deveriam integrar o LDI, de forma a se evitar repercusses indesejadas no preo total contratado.

Tal etapa foi de extrema importncia, pela sua abrangncia, pois levou elaborao das premissas acerca dos componentes do LDI, a serem observadas pelas unidades tcnicas quando da realizao de todos os trabalhos de fiscalizao em obras pblicas a cargo desta Corte. Nesse particular, parece-me necessrio dar cincia s unidades jurisdicionadas ao Tribunal de tais procedimentos.

Essa questo, h muito tempo, demandava um estudo mais aprofundado, j que tem sido preocupao crescente do Tribunal a possibilidade de distores nos valores contratados com a administrao pblica, em decorrncia tanto de incluses indevidas de itens como despesas indiretas como tambm da falta de discriminao dos componentes de tais despesas.

Nesse sentido, podem inclusive ser citadas deliberaes do Plenrio em que esses problemas foram suscitados: Acrdos 1125/2005, 1180/2005, 1324/2005, 1595/2006, 1578/2006, 865/2006, 1045/2006, 1387/2006, 1578/2006, 1592/2006, 1622/2006, 2063/2006, 62/2007.

Cabe ressaltar, por oportuno, que a no-cumulatividade do PIS/COFINS, prevista inicialmente para ser aplicvel s receitas decorrentes da execuo por administrao, empreitada ou subempreitada, de obras de construo civil a partir de 01/01/2007, consoante o art. 10, inciso XX, da Lei n. 10.833/2003, somente ser aplicvel a partir de 01/01/2009, nos termos do art. 7 da Lei n. 11.434, de 28/12/2006.

Especificamente sobre as obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica, objeto do presente processo, o Grupo de Trabalho apresentou uma variao de referncia dos componentes do LDI que poder servir de base s anlises de adequao dos critrios de aceitabilidade a serem praticados em cada contrato. Nada obstante, reconhece a equipe que a formao dos critrios de aceitabilidade uma atribuio do contratante e tem influncia prpria do projeto de cada obra.

Com essas consideraes, acolho as concluses do grupo, parabenizando a SECOB pelo consistente trabalho tcnico apresentado, e VOTO no sentido que o Tribunal adote o Acrdo que ora submeto apreciao deste Plenrio.

Sala das Sesses Ministro Luciano Brando Alves de Souza, em 14 de maro de 2007.

GUILHERME PALMEIRA

Ministro-Relator

ACRDO N 325/2007 - TCU - PLENRIO

1. Processo n. TC-003.478/2006-8 (com 3 anexos)

2. Grupo: I; Classe de Assunto: I- Administrativo

3. Interessado: Tribunal de Contas da Unio

4. Relator: Ministro Guilherme Palmeira

5. Representante do Ministrio Pblico: no atuou

6. Unidade: Secretaria de Fiscalizao de Obras e Patrimnio da Unio SECOB7. rgo: Tribunal de Contas da Unio8. Advogado constitudo nos autos: no h

9. Acrdo:

VISTOS, relatados e discutidos estes autos do Relatrio do Grupo de Trabalho, constitudo por fora de determinao do Acrdo 1.566/2005 Plenrio, com o objetivo de propor critrios de aceitabilidade para o Lucro e Despesas Indiretas (LDI) em obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica.

ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da Unio, reunidos em Sesso Plenria, ante as razes expostas pelo Relator, em:

9.1. orientar as unidades tcnicas do Tribunal que, quando dos trabalhos de fiscalizao em obras pblicas, passem a utilizar como referenciais as seguintes premissas acerca dos componentes de Lucros e Despesas Indiretas - LDI:

9.1.1. os tributos IRPJ e CSLL no devem integrar o clculo do LDI, nem tampouco a planilha de custo direto, por se constiturem em tributos de natureza direta e personalstica, que oneram pessoalmente o contratado, no devendo ser repassado contratante;

9.1.2. os itens Administrao Local, Instalao de Canteiro e Acampamento e Mobilizao e Desmobilizao, visando a maior transparncia, devem constar na planilha oramentria e no no LDI;

9.1.3. o gestor pblico deve exigir dos licitantes o detalhamento da composio do LDI e dos respectivos percentuais praticados;

9.1.4. o gestor deve promover estudos tcnicos demonstrando a viabilidade tcnica e econmica de se realizar uma licitao independente para a aquisio de equipamentos/materiais que correspondam a um percentual expressivo das obras, com o objetivo de proceder o parcelamento do objeto previsto no art. 23, 1, da Lei n. 8.666/1993; caso seja comprovada a sua inviabilidade, que aplique um LDI reduzido em relao ao percentual adotado para o empreendimento, pois no adequada a utilizao do mesmo LDI de obras civis para a compra daqueles bens;

9.2. aprovar os valores abaixo listados como faixa referencial para o LDI em obras de linhas de transmisso e subestaes:

DescrioMnimoMximoMdia

Garantia0,00

0,42

0,21

Risco0,00

2,05

0,97

Despesas Financeiras0,00

1,20

0,59

Administrao Central0,11

8,03

4,07

Lucro3,83

9,96

6,90

Tributos6,03

9,03

7,65

COFINS3,00

3,00

3,00

PIS0,65

0,65

0,65

ISS2,00

5,00

3,62

CPMF0,38

0,38

0,38

Total16,36

28,87

22,61

9.2. encaminhar cpia da presente deliberao, acompanhada do Relatrio e Voto que a fundamentam SECEX-MT para subsidiar os trabalhos do TC-003.658/2003-1 e s empresas CHESF Companhia Hidro Eltrica do So Francisco, Eletrosul Centrais Eltricas S.A., Eletronorte Centrais Eltricas do Norte do Brasil S.A., FURNAS Centrais Eltricas S.A., e Eletrobrs Centrais Eltricas Brasileiras S.A., para subsidiar procedimentos a serem adotados em futuras contrataes;

9.3. determinar SEGECEX que d conhecimento s unidades jurisdicionadas ao Tribunal das premissas acerca dos componentes de Lucros e Despesas Indiretas LDI, contidas no item 9.1 supra, que passaro a ser observadas por esta Corte, quando da fiscalizao de obras pblicas.

10. Ata n 9/2007 Plenrio

11. Data da Sesso: 14/3/2007 Extraordinria

12. Cdigo eletrnico para localizao na pgina do TCU na Internet: AC-0325-09/07-P

13. Especificao do qurum:

13.1. Ministros presentes: Walton Alencar Rodrigues (Presidente), Marcos Vinicios Vilaa, Valmir Campelo, Guilherme Palmeira (Relator), Ubiratan Aguiar, Benjamin Zymler, Augusto Nardes e Aroldo Cedraz.

13.2. Auditor convocado: Augusto Sherman Cavalcanti.

13.3. Auditor presente: Marcos Bemquerer Costa.

WALTON ALENCAR RODRIGUESGUILHERME PALMEIRA

Presidente Relator

Fui presente:

LUCAS ROCHA FURTADO

Procurador-Geral

EMBED Equation.3

Neste trabalho ser usado indistintamente tanto o termo LDI como BDI.

Instituto de Engenharia. Metodologia de clculo do oramento de edificaes composio do custo direto e do BDI/LDI. Disponvel em HYPERLINK http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html. Acesso em 03/05/2006.

MENDES, Andr Luiz e BASTOS, Patrcia Reis Leito. Um aspecto polmico dos oramentos de obras pblicas: Benefcios e Despesas Indiretas (BDI). Revista do Tribunal de Contas da Unio. Braslia, v. 32, n.88, abr/jun 2001.

Instituto de Engenharia. Metodologia de clculo do oramento de edificaes composio do custo direto e do BDI/LDI. Disponvel em HYPERLINK http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html. Acesso em 03/05/2006.

Sindicato da Indstria da Construo Civil do Estado de So Paulo. Nova Conceituao do BDI. Disponvel em HYPERLINK "http://www.sindusconsp.com.br/downloads/BDI_Eventos_IE_PROPOSTAS_E_RECOMENDACOES.DOC"http://www.sindusconsp.com.br/downloads/BDI_Eventos_IE_PROPOSTAS_E_RECOMENDAES.DOC. Acesso em 30.03.2006.

Brasil, Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes. Diretoria Geral. Manual de custos rodovirios. 3. ed. - Rio de Janeiro, 2003. pp. 7/8.

Reviso das diretrizes para elaborao de oramentos de linhas de Transmisso. Diviso de Engenharia de transmisso Eletrobras S.A. 2005. p. 19.

Brasil, Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes. Diretoria Geral. Manual de custos rodovirios. 3. ed. - Rio de Janeiro, 2003. p. 8.

Instituto de Engenharia. Metodologia de clculo do oramento de edificaes composio do custo direto e do BDI/LDI. Disponvel em HYPERLINK http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html. Acesso em 03/05/2006.

Limmer, Carl V. Planejamento, Oramentao e Controle de Projetos e Obras. Ed. LTC, 1 edio, 1997, pgs. 101 e 104

7.02 Execuo, por administrao, empreitada ou subempreitada, de obras de construo civil, hidrulica ou eltrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfurao de poos, escavao, drenagem e irrigao, terraplanagem, pavimentao, concretagem e a instalao e montagem de produtos, peas e equipamentos (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de servios fora do local da prestao dos servios, que fica sujeito ao ICMS).

7.03 Elaborao de planos diretores, estudos de viabilidade, estudos organizacionais e outros, relacionados com obras e servios de engenharia; elaborao de anteprojetos, projetos bsicos e projetos executivos para trabalhos de engenharia.

Instituto de Engenharia. Metodologia de clculo do oramento de edificaes composio do custo direto e do BDI/LDI. Disponvel em HYPERLINK http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html. Acesso em 03/05/2006.

Sindicato da Indstria da Construo Civil do Estado de So Paulo. Nova Conceituao do BDI. Disponvel em HYPERLINK "http://www.sindusconsp.com.br/downloads/BDI_Eventos_IE_PROPOSTAS_E_RECOMENDACOES.DOC"http://www.sindusconsp.com.br/downloads/BDI_Eventos_IE_PROPOSTAS_E_RECOMENDAES.DOC. Acesso em 30.03.2006.

Instituto de Engenharia. Metodologia de clculo do oramento de edificaes composio do custo direto e do BDI/LDI. Disponvel em HYPERLINK http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html http://www.institutodeengenharia.org.br/IE_documentos.html. Acesso em 03/05/2006.

Esta lei trata da transformao do Conselho Administrativo de Defesa Econmica (Cade) em Autarquia, dispe sobre a preveno e a represso s infraes contra a ordem econmica e d outras providncias.

TOLEDO, Gasto Alves de. O Direito Constitucional Econmico e sua Eficcia. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. p221.

GOMES, Carlos Jacques Vieira. Ordem Econmica Constitucional e Direito Antitruste. Srgio Antnio Fabris Editor: Porto Alegre, 2004, p.90.

Lei 8.666/93, Art.43, IV verificao da conformidade de cada proposta com os requisitos do edital e, conforme o caso, com os preos correntes no mercado ou fixados por rgo oficial competente, ou ainda com os constantes do sistema de registro de preos, os quais devero ser devidamente registrados na ata de julgamento, promovendo-se a desclassificao das propostas desconformes ou incompatveis. (grifos nossos)

Os argumentos utilizados neste ponto tem como base um estudo desenvolvido pela 1 SECEX denominado Anlise sobre a incluso do IRPJ e CSLL nos oramentos e nos preos propostos pelas licitantes no mbito da Administrao Pblica (fls. 176/209 Anexo II).

Esta lei dispe sobre a legislao tributria federal (especialmente IRPJ), as contribuies para a Seguridade Social (especialmente CSLL), o processo administrativo de consulta e d outras providncias.

Manual de Direito Financeiro & Direito Tributrio, 16 edio, ed. Renovar, pgs.358 e 359.

Curso de Direito Tributrio, 25 edio, ed., Malheiros, pg.201.

Estudo realizado pela Receita Federal A Progressividade no Consumo - Tributao Cumulativa e sobre o Valor Agregado - www.receita.fazenda.gov.br/TextConcat/Default.asp?Pos=1&Div=Historico/EstTributarios/TopicosEspeciais/Progressividade/

Estudo realizado pela Receita Federal Carga Tributria sobre os Salrios - http://www.receita.fazenda.gov.br/Historico/EstTributarios/cargatributaria/default.htm

Filho, Maral Justen. Comentrios Lei de Licitaes e Contratos Administrativos. 10 edio, ed. Dialtica, pg. 532, 2004.

MENDES, Andr; BASTOS, Patrcia Reis Leito, Um Aspecto Polmico dos Oramentos de Obras Pblicas: benefcios e Despesas Indiretas (BDI). In: Revista do Tribunal de Contas da Unio TCU, v. 32, n( 88, Braslia, abr./jun. 2001, p. 13 28.

Estudos de Servios Terceirizados Publicaes Verso maio/1999 Volume I Prestao de Servios de Limpeza, Asseio e Conservao Predial - Captulo VII Benefcios e Despesas Indiretas.

Estudo sobre composio de BDI, obtido diretamente junto a Associao Brasiliense de Construtores ASBRACO em maio de 2000.

DNIT Sicro 2. Manual de Custos Rodovirios Volume 1 Metodologia e Conceitos. pg 12, 2003.

MENDES, Andr; BASTOS, Patrcia Reis Leito, Um Aspecto Polmico dos Oramentos de Obras Pblicas: benefcios e Despesas Indiretas (BDI). In: Revista do Tribunal de Contas da Unio TCU, v. 32, n( 88, Braslia, abr./jun. 2001, p. 13

Estudo no site do Sinduscon-SP Nova Conceituao do BDI. Pg. 5 http://www.sindusconsp.com.br/downloads/BDI_EVENTO_IE_PROPOSTAS_E_RECOMENDACOES.doc

Estudo no site do Sinduscon-BA Metodologia de Clculo do Oramento de Edificaes Composio do Custo Direto e do BDI/LDI., www.sinduscon-ba.com.br/docs/bdildi.pdf.

Deciso 1332/2002 - TCU - Plenrio. Ver tambm Manual de Custos Rodovirios - Vol. 1 - Metodologia e Conceitos do DNIT (2003) que na pg. 12 cita a mesma Deciso deste Tribunal para justificar a mudana na metodologia de clculo do LDI.

DNIT Sicro 2. Manual de Custos Rodovirios Volume 1 Metodologia e Conceitos. pg 13, 2003.

DNIT Sicro 2. Manual de Custos Rodovirios Volume 1 Metodologia e Conceitos. pg 16, 2003.

Frmula elaborada pela equipe com base nas frmulas de Furnas e na frmula do trabalho de MENDES, Andr; BASTOS, Patrcia Reis Leito, Um Aspecto Polmico dos Oramentos de Obras Pblicas: benefcios e Despesas Indiretas (BDI). In: Revista do Tribunal de Contas da Unio TCU, v. 32, n( 88, Braslia, abr./jun. 2001, p. 26.

ANEEL Agncia Nacional de Energia Eltrica

BRASIL, Reviso das Diretrizes para Elaborao de Oramentos de Linhas de Transmisso OLT, Diviso de Engenharia de Transmisso Eletrobras S.A. Fevereiro, 2005

BRASIL, Diretrizes para Elaborao de Oramentos de Subestaes, Diviso de Engenharia de Transmisso Eletrobras S.A. 2005

BUSSAB, Wilton, MORETTIN, Pedro. Estatstica bsica. 4. ed. So Paulo: Atual, 1987. p. 34 a 39.

KREYSZING, Erwin. Introductory Mathematical Statistics - Principles and Methods. New York: Wiley, p. 249-250

Pelo fato da Planilha ser extensa est gravado arquivo Tabela VIII - LDI de Referncia no disquete acostado contracapa do Volume Principal com os clculos e simulaes efetuados.

Documento1

(

)

(

)

(

)

(

)

100

x

1

100

%

%

1

100

/

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LDI

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_1236066957.unknown

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