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  • GRECO, E. 1991. Sulle citt coloniali dellOccidente Greco antico. In: Les Grecs et lOccident. Actes du Colloque de la Villa Krylos. cole Franaise de Rome, 1995. (Collection de Lcole Franaise de Rome 208). Original em italiano. [traduo: Daniela Bessa Puccini; reviso Labeca.]

    No uma novidade que a cidade colonial grega, ou melhor, a tentativa de definir um tipo de Idealtypus de cidade colonial, no que concerne estrutura social e organizao espacial, tenha ocupado um lugar cada vez mais central nos estudos mais recentes.

    Se olhamos para o problema do ponto de vista urbanstico, que ser a abordagem aqui tratada, se passou da quase total ignorncia (e quando esta no podia ser evitada, uma pequena escorregada no sentido de uma mistificante subestima) da tradio dos estudos inaugurada por Von Gerkan, por exemplo, centrada na prioridade do modelo jnico-milsio, s conquistas mais recentes, que, para citar um texto emblemtico que fez escola neste campo, foram resumidas nos captulos sobre as nouvelles recherches com as quais Roland Martin renovou o seu clebre livro LUrbanisme dans la Grce antique.

    Progressivamente est se consolidando um complexo de cnones (s vezes verdadeiros topoi) que constituem um tipo de rede de referncias, cujas malhas so de tal modo largas que podem conter sejam regras quanto excees (sem que a rede seja colocada em discusso).

    Deste modo, do momento em que a cidade colonial representa um captulo (ou um pargrafo segundo pontos de vista mopes e obtusamente conservadores) de uma Histria da Urbanstica grega geral, no seria m ideia fazer algumas observaes preliminares a este respeito, sem recorrer, ao menos inicialmente, a definies sutis ou a distines de reas especficas: partimos do pressuposto da unicidade do fenmeno polis na sua grandssima variedade de configuraes, nas diferentes latitudes; mas insistimos tambm que no correto partir da ideia estereotipada de cidade, aquela que nos foi passada das fontes e da arqueologia (a cidade grega de poca clssica), para definir o perodo arcaico em termos de fase preparatria e o perodo helenstico como decadncia ou momento de transmisso da ideia de cidade a outras civilizaes.

    O que vem a ser formalizado, na histria dos estudos sobre a cidade? Uma primeira e fundamental repartio cronolgica: antes das guerras persas vs. depois das guerras persas.

  • Antes: o caos, o espontanesmo, a cidade organizada kat ton archaion

    tropon1, como diz Aristteles (Pol. 1330 b, 25). Francamente tenho muita dificuldade em entender o que se quer dizer com

    espontanesmo e caoticidade j que os critrios pr-estabelecidos (que so claramente descritivos, formalistas) no refletem o desenvolvimento poltico/social correspondente.

    Ainda mais difcil aceitar que o homem arcaico vivia consciente de ser preparatrio e experimental no que diz respeito perfeio de poca clssica, sonho dos romnticos e idealistas, impassveis galanteadores do milagre (embora, ai meu Deus, como seria intil L. Gernet e os gregos sem milagre!). Parece inacreditvel - mas com aquele grande e indiscutvel profissionalismo que talvez merecesse sorte melhor - que escolas (de arquitetos, especialmente) retornam (ainda!) a Hipodamos e a arquitetura da democracia (Demokratie und Arkitektur o titulo das Atas de um recente simpsio).

    Sim, porque o V sculo a.C. o momento das inovaes, das grandes transformaes, que giram todas ao redor do pobre Hipodamos (que em tantos aspectos no o culpado), sobre as costas de quem (embora Aristteles Pol. 1267b, 22-30 o descreva como um incurvel presunoso) colocam um peso muito maior do que aquele que ele pretendia carregar. Hipodamos o terico certo, mas tambm aquele que na realidade material praticamente teria traduzido em termos urbansticos os conceitos da cidade democrtica.

    Uma pena que os nossos arquitetos (que talvez sonham, deste modo, como j o fez Wilamovitz, de abster-se das agruras do presente) no tenham aprofundado adequadamente, antes de lanar-se no precipcio das suas reconstrues absolutamente fantasiosas, o conceito de democracia na Grcia antiga e no se perguntavam se ento devia a fortiori existir uma relao entre esquema social (ideal) e sua representao material; pena que tenham lido e citam o grande Asheri sem ter entendido o que o historiador de Jerusalm diz (embora o tom seja propositadamente paradoxal).

    Especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, as colnias comearam a figurar na histria dos estudos. verdade, mesmo antes se falava delas; mas a implantao urbana aperfeioada de Selinonte, segundo Von Gerkan, devia ser sucessivo ao 409 a.C. (data da destruio cartaginesa), devia ser aquela da cidade reconstruda, porque no podia ser anterior ao V sculo a.C., seno o esquema do estudioso no se manteria em p. (Agora todos ns sabemos que a implantao urbana de Selinonte no posterior metade do sculo VI a.C.). Mas finalmente os primeiros dados das escavaes confirmaram a arcaicidade

    1 N.T. Do grego, de acordo com um modo, um modelo arcaico.

  • das implantaes urbanas das colnias. Aparece, portanto, um novo ponto estabelecido, que dificilmente pode ser colocado em discusso: a cidade colonial surge em reas vazias ou sem preexistncias condicionadoras; , como se pretende, uma cidade fundada que se contrape metrpole, feita de cidades no fundadas mas que cresceram por aglutinao (aleatrias e espontneas), no planificadas (porque so constitudas antes que se desenvolvesse a planificao ou, para ser mais claro, antes que se realizasse a centralizao de um poder poltico que fosse capaz de impor e de fazer respeitar aquela planificao). As reflexes resultantes conduzem naturalmente a uma empresa grega que no momento da fundao da colnia, como nos demonstram as experincias recentes mais esclarecedoras (p. ex. Mgara Hiblia) que j tem suficientemente clara a articulao basilar do espao nos seus trs componentes: idia, hiera, demosia khra. Os trs elementos compem um quadro da sociedade arcaica do sculo VIII a.C. - isto significa dizer que, no momento inicial da plis, de algum modo determinada, mesmo que em linhas gerais, a definio dos espaos nos quais a cidade viver a sua histria sucessiva com todos os seus conflitos e as suas transformaes, mesmo que respeitando, quando acontecimentos destrutivos no tenham determinado mudanas radicais, aqueles que permanecem essencialmente como limites de propriedade.

    suficientemente desenvolvido o nosso conhecimento dos assentamentos gregos da metrpole para observar analogias ou avaliar diferenas entre as organizaes sociais e territoriais dos mbitos de provenincia e aqueles do Ocidente?

    A pergunta, para dizer a verdade retrica, de tempos em tempos reproposta; se dermos uma olhada na situao arqueolgica dos stios a partir dos quais partiram contingentes coloniais que fundaram cidades importantssimas, a resposta no pode ser seno negativa.

    No sabemos nada da Calcdica, Lefkandi conhecida especialmente pelas necrpoles, Ertria se desenvolveu depois da fundao das colnias eubicas (especialmente calcdicas) do Ocidente (Pitecusa, Cumas, Rgio, Zancle), no se pode comparar a situao de Corinto com aquela de Siracusa nem a de Esparta com a de Tarento, nem podemos relacionar as cidades rdias e cretenses a Gela e Agrigento; muito pouco se pode dizer de Mgara para compreender Mgara Hiblia e ainda menos Selinonte (exceto, talvez, a topografia dos locais de culto selinuntinos, que parecem ter como modelo aquela da metrpole grega), assim como em relao aos aqueus de Sbaris, Crotona, Metaponto, Poseidnia, Caulnia, cujas respectivas metrpoles Elis, Bura, Ege, Ripe, para ns no so mais do que topnimos.

  • O que dizer dos primeiros habitantes de Lcris, que provavelmente eram

    somente habitantes de pequenas aldeias antes de fundar Epizefiri? Mas, independentemente do nvel de conhecimento dos stios arqueolgicos, j podemos apontar para uma primeira concluso, se levarmos em conta as muitas informaes adquiridas recentemente: em relao metrpole, a cidade colonial representa um modo absolutamente novo de conceber o espao urbano e a organizao territorial; ela se transforma por meio de dezenas de experincias, todas diferentes umas das outras, mesmo que alguma semelhana entre elas leve alguns a falar em escola de urbanismo colonial- em um laboratrio colossal do qual surgir a forma urbana de poca clssica.

    Observemos agora alguns dos aspectos mais macroscpicos do fenmeno, para no dar um tom axiomtico s nossas afirmaes.

    O modo de habitar dos gregos, se assim podemos dizer, sem dvida um dos problemas em que vale a pena fixarmos a nossa ateno. Recentemente M. Brunet concluiu uma radical e contundente reviso crtica do posicionamento sustentado com autoridade por R. Osborne sobre este tema, nas suas diversas publicaes. A afirmao que gerou toda a discusso essencialmente a seguinte: a Grcia Antiga uma sociedade que vive nas cidades e nas vilas. Para o ingls no h dvida alguma, esta uma regra que no admite exceo. As regras, como sempre, so difceis de se defender quando se tornam categorias rgidas,que muito pouco tem a ver com a histria.

    Entretanto, e sem entrar no mrito da polmica neste aspecto, mesmo reconhecendo o valor de grande parte das observaes de Brunet, se deve fazer uma distino ao menos do ponto de vista cronolgico: quando M. Brunet critica Osborne de seguir sem questionamentos Aristteles (e Finley), no se pode esquecer que o filsofo (posterior a Tucdides, no nos esqueamos) sublinha que viver kat komas o archaios tropos da Hlade.

    Visto que a polmica sobre o Atenocentrismo de Osborne se concentra sobretudo em poca clssica e helenstica (na tica, em Tasos, em Delos-Renia etc.), importante no perder de vista este aspecto; sem dvida posteriormente ao V sculo dificil seguir Osborne. Mas qual a situao em poca arcaica?

    Dificilmente, creio, a form