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GOVERNANA TERRITORIAL E PARTICIPAO SOCIAL: ANLISE DO COLEGIADO DE DESENVOLVIMENTO

TERRITORIAL DO BAIXO AMAZONAS PAR

Lays Diniz dos Santos Daniela Cardoso de Sousa

Izaura Cristina Nunes Pereira Elen Cristina da Silva Pessa

2

Painel 21/002 Experincias de Governana Democrtica

GOVERNANA TERRITORIAL E PARTICIPAO SOCIAL: ANLISE DO COLEGIADO DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL DO BAIXO AMAZONAS

PAR

Isidro-Filho

Lays Diniz dos Santos Daniela Cardoso de Sousa

Izaura Cristina Nunes Pereira Elen Cristina da Silva Pessa

RESUMO

Com o advento do processo de descentralizao poltico administrativo observado nas

ltimas dcadas, a discusso sobre as novas formas de gesto tem ganhado

evidncia, principalmente as governanas baseadas na gesto social. Assim, este

trabalho analisa o Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Baixo Amazonas-

Par, almejando verificar o exerccio de sua gesto participativa, a qual lhe configura

a caracterstica de governana territorial democrtica, bem como avaliar a

participao dos atores envolvidos nesse processo. Para isso, realizou-se pesquisa e

reviso bibliogrfica sobre as categorias de governana e gesto social/participativa,

sendo todas abordadas nesse em relao a atuao do Colegiado, alm de pesquisa

documental junto ao mesmo e entidades governamentais. No Territrio do Baixo

Amazonas, o colegiado articula aes de modo coletivo, demandam e avaliam

polticas pensadas de acordo com suas especificidades, visando o desenvolvimento

sustentvel e mitigao das disparidades existentes. Com base na anlise dos dados,

vislumbra-se uma grande participao da sociedade civil organizada, representadas

por associaes, cooperativas, sindicatos, dentre outras. A participao do poder

pblico nas plenrias, ainda se faz relativamente baixa quando relacionada a

quantidade de municpios que compem o territrio.

3

1. INTRODUO

O Brasil, por um longo perodo, foi um pas marcado por processos

centralizadores de poder, o que pode se evidenciar atravs da anlise de seu percurso

histrico, no qual se implementou golpes militares, governos ditatoriais, entre outras

disposies em detrimento do bem-estar social. Entretanto, nas ltimas dcadas tem

se observado uma mudana significativa nesse cenrio, com o fortalecimento da

democracia e descentralizao de polticas pblicas.

Com isso, novas formas de se pensar a gesto pblica se configuram, aqui se

ressalta a gesto social, a participao e a governana como modelos indispensveis

que devem se fortalecer e gerar o empoderamento da sociedade civil para que assim,

ocorra um estreitamento de relaes entre entes governamentais e sociais, sendo

essa expresso utilizada no s na perspectiva de uma sociedade civil organizada,

mas de forma global.

Outro fator determinante para efetivar a mudana do cenrio socioeconmico

brasileiro, refere-se formulao de iniciativas articuladas na inteno de melhorar a

elaborao e implementao de polticas pblicas, tendo como base as

especificidades de cada regio ou territrio. Assim, busca-se ainda, analisar a

crescente abordagem do desenvolvimento territorial, preconizada por propostas de

reformas no plano governamental e que ganhou contornos mais fulgentes com a

fixao do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF),

do Ministrio do Desenvolvimento Agrrio (MDA) e de sua Secretaria de

Desenvolvimento Territorial (SDT).

Ressalta-se que esse artigo fruto de pesquisas realizadas no mbito do

Ncleo de Extenso em Desenvolvimento Territorial do Baixo Amazonas (NEDET

BAM), o qual foi implementado por meio das parcerias entre a SDT/MDA, CNPQ e a

Universidade Federal do Oeste do Par (UFOPA), como base em uma proposta de

desenvolvimento territorial e fortalecimento do Colegiado de Desenvolvimento

Territorial e das prticas de extenso e pesquisa.

4

Para tanto, esse trabalho est dividindo em trs partes inicias abarcando alm

desta introduo, os objetivos e metodologia utilizada e as concluses. Em um

segundo momento, abrange a discusso terica e analtica realizada a respeito das

categorias de gesto social, governana e sua abordagem territorial, o Colegiado de

Desenvolvimento Territorial do Baixo Amazonas (CODETER BAM), objeto desta

pesquisa, e a explanao a respeito da participao de seus atores.

2. OBJETIVOS

Este trabalho faz uma anlise do Colegiado de Desenvolvimento Territorial do

Baixo Amazonas - Par, buscando verificar o exerccio de sua gesto participativa, a

qual lhe configura a caracterstica de governana territorial democrtica, bem como

traar avaliar a participao dos atores envolvidos nesse processo.

3. METODOLOGIA

3.1. REA DE ESTUDO

Sendo o Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Baixo Amazonas Par

o objeto dessa pesquisa, faz-se necessrio uma breve anlise da rea desse territrio,

que abrange doze municpios, sendo eles, Alenquer, Almeirim, Belterra, Curu, Faro,

Jurut, Monte Alegre, bidos, Oriximin, Prainha, Santarm e Terra Santa.

O Territrio do Baixo Amazonas, abrange uma rea de, aproximadamente,

317.273,50 Km, com uma populao total de 678.936 habitantes, sendo que

271.161 vivem na rea rural, correspondendo a 39,94% do total. Possui 23.659

agricultores familiares, 36.787 famlias assentadas, 20 comunidades quilombolas e 20

terras indgenas. Seu ndice de Desenvolvimento Humano mdio 0,71. (SIT/MDA,

2015).

5

Fonte: Projeto NEDET- BAM, 2014.

Esse territrio possui um carter visivelmente rural, sendo que o mesmo,

durante o perodo de atuao do Programa Territrios Rurais, foi enquadrado como

um dos cinco territrios rurais implementados no estado do Par, no entanto,

atualmente se configura como Territrio da Cidadania, assim como os outros

territrios rurais que se encaixavam nos critrios estabelecidos para escolha no novo

Programa, os quais so baixo IDH, maior concentrao de agricultores familiares e

assentamentos da reforma agrria, concentrao de populaes quilombolas,

indgenas e de pescadores, entre outros.

3.2. MATERIAIS E MTODOS

Inicialmente, realizou-se pesquisa e anlise bibliogrfica das categorias

tericas de governana e gesto social, prezando-se pela utilizao de obras dos

principais tericos das reas, como base para fundamentao e compreenso da

temtica, sendo todas abordadas neste trabalho com relao ao Colegiado de

Desenvolvimento Territorial (CODETER BAM/PA).

Em um segundo momento, efetuou-se pesquisa documental junto ao

CODETER BAM/PA, atravs da qual, foi possvel ter acesso s atas, listas de

6

frequncia e relatrios das cinco plenrias efetivadas durante o perodo de 2014 a

2015, sendo que 4 dessas ocorreram no municpio de Santarm e uma em Moju dos

Campos, no Estado do Par. Essa metodologia foi seguida com o intuito de observar

a forma de gesto e participao dentro do colegiado.

Alm dos documentos citados acima, buscou-se explorar outros documentos,

como os produzidos pelo Ministrio do Desenvolvimento Agrrio no mbito de sua

Secretaria de Desenvolvimento Territorial, do Conselho Nacional de Desenvolvimento

Rural Sustentvel e do Programa Territrios da Cidadania, e do Ncleo de Extenso

em Desenvolvimento Territorial (NEDET).

Aps coletados todos os dados, executou-se a sua anlise e sistematizao,

para observar a participao dos atores no colegiado. Desse modo, utilizou-se da

estatstica descritiva, em que primeiramente foi elaborado o percentual de participao

dos grupos que compem o colegiado (sociedade civil e poder pblico) referente aos

dias que compareceram nas plenrias, no perodo de 2014-2015, mas apesar de

terem ocorrido cinco plenrias, totalizaram-se oito dias, devido algumas se fazerem

em mais de um dia. Logo, a partir do percentual de frequncia de cada grupo nas

plenrias, elaborou-se a mdia da participao por grupo (associaes, cooperativas,

sindicatos, poder pblico e outras entidades), resultando numa anlise geral da

participao nas plenrias.

4. GESTO SOCIAL PARTICIPATIVA

Durante um longo perodo o Brasil esteve margem de um governo

centralizador de poder, antidemocrtico e supressor dos direitos constitucionais, em

funo da ditadura militar que se implementou no pas, no decorrer dos anos de 1964

a 1985. Alm desse, outro fator contribuiu para esse cenrio: a crise econmica do

Estado, com o endividamento pblico decorrente das dvidas adquiridas no exterior.

De acordo com Arajo (2010) a partir disso o Estado se fez menos presente

economicamente em benefcio da sociedade e, com o avano da onda liberal, as

privatizaes, corte de gastos pblicos, entre outras iniciativas so justificados em

7

favor do pagamento da dvida estabelecida, sendo assim, muitas polticas pblicas

so descontinuadas e se colocam como no prioritrias para o governo.

Essa conjuntura comea a mudar nos fins da ditadura militar e incio da dcada

de 1990, com o advento de um processo de redemocratizao e descentralizao

poltico-administrativo do pas, onde novas formas de gesto se evidenciam na

formulao e implementao de polticas pblicas, buscando a reduo das

desigualdades socioeconmicas, aproximao dos entes da sociedade civil junto aos

governamentais, e uma maior participao desses atores (ARAJO, 2010).

Nessa perspectiva, uma dessas novas prticas de gesto, que vem ganhando

maior visibilidade, a gesto social. No entanto, apesar da grande disseminao de

conhecimento sobre essa temtica nas ltimas dcadas, alguns autores afirmam que

a gesto social ainda um conceito em construo, devido a utilizao de suas

abordagens portericos em alguns momentos de forma diversificada e por outros

consonantes, fazendo-se necessrio uma maior contextualizao do assunto.

Com isso, busca-se compreender a gesto social de acordo, principalmente,

com as perspectivas de Guilherme Tenrio, atuante desde 1990 no Programa de

Estudos em Gesto Social - PEGS, vinculado Escola Brasileira de Administrao

Pblica e de Empresas - EBAPE da Fundao Getlio Vargas FGV, e de Tnia

Fischer, grande estudiosa da rea que liga a questo da gesto social com a do

desenvolvimento.

Tenrio (2005) aborda a gesto social, inicialmente, por meio do estudo de

quatro categorias de palavras, sendo elas, Estado- sociedade, capital- trabalho,

gesto estratgica e gesto social, alm de utilizar a de cidadania deliberativa como

a que exerce relao direta com as anteriores, ainda opta por uma metodologia de

inverso das primeiras para sociedade- Estado e trabalho- capital.

No cabe neste, detalhar esmiuadamente essas categorias, torna-se

relevante apenas a explicao de que o autor empregou a permutao das palavras

na tentativa de ressaltar a importncia e o protagonismo da sociedade civil e do

trabalho nessas relaes, sem a inteno de minimizar o papel do Estado e do capital,

8

acrescentando-se posteriormente mais uma, a de sociedade-mercado, buscando

abranger o debate.

A cidadania deliberativa significa para Tenrio (2005, p. 105) de modo direto

que a legitimidade das decises polticas deve ter origem em processos de

discusso, orientados pelos princpios da incluso, do pluralismo, da igualdade

participativa, da autonomia e do bem comum.

Nesse contexto, a gesto social tida como uma forma de gerncia, onde os

participantes exercem a tomada de deciso com relao na ao a ser desenvolvida,

de forma coletiva, nenhum desempenhando maior influncia que o outro e o adjetivo

social, correspondente a esse conceito, ganha um carter de local onde as relaes

se efetivam com todos atores tendo direito a voz e participao (TENRIO, 2005)

Enquanto para Fischer e Melo (2006, p. 17) a gesto social pode ser definida

como aquela orientada para o social (enquanto finalidade) e pelo social (enquanto

processo), norteada por princpios de tica e solidariedade. Assim a autora concebe

que ao se acrescentar tal adjetivo gesto, est implcito sua razo de ser, que a

sociedade e os impactos causados por ela.

Buscando-se compreender melhor a gesto social, Tenrio (1998) realiza uma

anlise entre essa e a gesto estratgica, a qual, conforme o autor, realizada com

base em um funcionamento tecnocrtico determinado pelo mercado empresarial,

existindo uma imposio do Estado sob a sociedade e portando uma estrutura

hierrquica visvel, onde um dos gestores possui autoridade em funo dos outros,

visando uma competncia tcnica e pr-determinada, havendo para cada problema

apenas uma soluo correta.

A gesto social, por sua vez, vem contrapor essa concepo de gesto

estratgica na medida em que tenta substituir a gesto tecnoburocrtica, monolgica,

por um gerenciamento mais participativo, dialgico, no qual o processo decisrio

exercido por meio de diferentes sujeitos sociais (TENRIO, 1998, p. 16). Observa-se

que enquanto na gesto estratgica prevalece o monlogo e o lucro, na gesto social

o dilogo e a participao.

9

Reafirmando as concepes j contextualizadas, Frana Filho (2008) assegura

que na gesto social o Estado no o nico dirigente na tentativa de suprir as

reivindicaes da sociedade, sendo que a prpria, por meio de diversas formas de

auto-organizao, em especial o associativismo, pode exercer esse papel,

contribuindo para a democratizao das decises.

Nota-se com o estabelecimento dessa gesto, que a sociedade civil ganha

papel de grande relevncia na tomada de decises, realizando um estreitamento de

relaes com o Estado e gerando a aproximao do poder pblico com o corpo

social,para que assim, haja uma melhor efetivao das polticas pblicas, pensadas

segundo a realidade socioeconmica da escala pretendida.

Seguindo esse raciocnio que Fischer(2006) trabalha com as expresses

gesto do desenvolvimento social e gesto social do desenvolvimento territorial por

acreditar que a gesto social no resultado de processos descontextualizados, mas

sim ancorados territorialmente e orientados para o desenvolvimento.

Essa viso tem se fortificado e tornado cada vez mais presente na realidade

brasileira, devido as iniciativas do governo em enquadrar as polticas pblicas ou

programas na perspectiva dessa gesto, um exemplo disso observado com a

implantao do Programa Territrios da Cidadania - PTC, 2008, o qual se insere a

importncia da participao social na juno de aes entre o governo, estados e

municpios para alcanar os objetivos propostos pelo programa.

A gesto social dos Territrios da Cidadania, de acordo com PTC (2010)

realizada por meio de trs instncias, sendo elas, o Comit Gestor Nacional; Comit

de Articulao Estadual e o Colegiado Territorial, os quais sero abordados

posteriormente nos prximos tpicos.

Depreende-se ento, que a gesto social se vincula a ideia de que a sociedade

pode e deve exercer o seu protagonismo no processo de deciso e deliberao de

aes que objetivem a melhoria da qualidade de vida e ou do desenvolvimento

socioeconmico de maneira sustentvel, tendo em vista que esses atores possuem o

conhecimento da realidade e dos problemas em seu entorno, podendo assim,

favorecer a eficincia administrativa e o xito na finalidade das polticas pblicas.

10

5. CARACTERIZAO DA GOVERNANA E SEU ASPECTO TERRITORIAL

Acompanhando o processo de disseminao da gesto social e o novo cenrio

em formao, as concepes de governana tambm se estabelecem no Brasil.

Segundo Schiavinato (2009, p. 6) o conceito emergiu junto com a ideia de

descentralizao e cujo o momento era de crise do capitalismo, globalizao e de

reestruturao do Estado (Estado mnimo) . Ou seja, manifestou-se basicamente no

mesmo perodo em que aconteceu o processo de redemocratizao, que

proporcionou maior protagonismo aos atores da sociedade civil.

Com relao ao aspecto da globalizao, caracterizado por Arajo (2010) pelo

encadeamento de uma homogeneizao, em sentido de colocar em padres globais

os aspectos econmicos, sociais, produtivos e culturais, estimulou conforme

Gonalves (2005, p.4) a discusso sobre os novos meios e padres de articulao

entre indivduos, organizaes, empresas e o prprio Estado, deixando clara a

importncia da governana em todos os nveis

Segundo Diniz (1995, apud GONALVES, 2005) o Banco Central se consolida

como principal precursor do tema ao refletir a expresso governance, buscando

melhorar o debate sobre o que torna o Estado eficiente, proporcionando a abrangncia

da ao Estatal focada em carter puramente econmico para um que abarca as

extenses sociais e polticas, acentuando assim, a maneira como exercido o poder

governamental.

Por se tratar de um conceito relativamente novo, tambm aplicado em campos

e denotaes variadas, muito ainda se desconhece ou causa confuso de sentidos.

Portanto, busca-se nesse, tratar das concepes sobre governana, na perspectiva

utilizada, e suas distines com o termo governabilidade, devido essas apreciaes

se fazerem derivadas, causando dificuldades na realizao da diferenciao,

pretendendo-se ainda destacar a relao da abordagem territorial nessa formao.

A governabilidade pode ser entendida a partir de trs caractersticas imanentes

a ela, as quais so, na abordagem de Diniz (1995 apud Gonalves,2005) capacidade

governamental na deteco de problemas e formulao de polticas, visando sua

11

soluo; habilidade de administrao de recursos ou aes que viabilizem a execuo

e implementao dessas polticas e a capacidade de liderana do Estado. Desse

modo, o uso da expresso governabilidade est relacionada ao Estado e s

atribuies necessrias para o exerccio de seu poder.

J a governana com base em Santos (1997) vai para alm do plano Estatal,

seus mecanismos gerenciais e administrativos e seu funcionamento eficaz, incluindo

os demais padres de articulao e cooperao existentes da sociedade em todas as

esferas, ou seja, no se integra apenas as tradicionais e mais conhecidas vinculaes

de interesses como por exemplo, partidos polticos e grupos de presso, mas tambm,

redes informais, associaes, cooperativas, dentre outros, constituindo-se assim, nos

meios e processos para o alcance de resultados positivos.

Outra relao de grande importncia a entre governo e governana, sobre a

qual Rosenau (2000, p. 15- 16) expe que:

Governana um fenmeno mais amplo que governo; abrange as instituies governamentais, mas implica tambm mecanismos informais, de carter no-governamental, que fazem com que as pessoas e as organizaes dentro da sua rea de atuao tenham uma conduta determinada, satisfaam suas necessidades e respondam s suas demandas.

Rosenau (2000) entende o governo como aquele que possui autoridade formal

e fora de polcia, garantindo a implementao de polticas instauradas, enquanto a

governana possui como fins objetivos comuns que nem sempre se apresentam com

responsabilidades legais, fundadas formalmente e no precisam, em geral, do uso de

poder policial para se impor.

Necessita-se salientar, que a governana no uma proposta de ao prpria

e somente da sociedade civil, buscando espaos mais significativos de participao e

poder, mas sim a unio dessa com o Estado, objetivando maiores solues s

deficincias vivenciadas por todos. Entretanto, torna-se inegvel a importncia das

iniciativas dos atores no-estatais para o desenvolvimento da ideia e da prtica da

governana (GONALVES, 2005).

Observa-se que a fixao do modelo de governana e o fortalecimento da

participao social, alm das novas formas de gesto de polticas pblicas que vem

surgindo nas ltimas dcadas, com olhar especial para a trabalhada nesse, a gesto

12

social, possuem como objetivo principal propiciar o desenvolvimento de forma

sustentvel, por meio de procedimentos descentralizados.

Com o advento da abordagem territorial do desenvolvimento no Brasil, a qual

foi impulsionada, inicialmente, em funo dos processos de descentralizao de

polticas, da implantao do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura

Familiar- Pronaf, em 1996, do Ministrio do Desenvolvimento Agrrio- MDA, em 1999,

e posteriormente, no ano de 2003, de sua Secretaria de Desenvolvimento Territorial -

SDT, ocorre significativa valorizao dessa escala, ocasionando no aumento de

diversas polticas pblicas e programas voltados para esse mbito.

O MDA (2005) enfatiza a abordagem territorial como uma estratgia justificvel

na busca pelo desenvolvimento dos territrios rurais de forma sustentvel, tendo em

vista que essa modalidade considera os territrios rurais para alm da agricultura, pois

o que os define so suas caractersticas espaciais e no seu setor econmico

predominante; essa escala territorial se apresenta ainda, como a melhor opo devido

a amplitude da escala estadual e por sua vez as limitaes da municipal; um terceiro

ponto o recente processo de descentralizao das polticas pblicas, o qual tem

atribudo novas competncias ao local, enfim, a ltima justificativa pelo o territrio

se caracterizar como espao propiciador de iniciativas voltadas ao desenvolvimento,

uma vez que os laos de proximidade efetivados entre os atores envolvidos facilitam

sua melhor mobilizao e articulao em busca dos objetivos.

Seguindo esse carter desenvolvimentista, novas governanas territoriais

foram criadas, como exemplo, cita-se aqui o Colegiado de Desenvolvimento Territorial

- CODETER, como uma de grande importncia na iniciativa de gerar desenvolvimento

e mitigar as disparidades socioeconmicas presentes no territrio.

6. O COLEGIADO DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL DO BAIXO AMAZONAS PAR (CODETER BAM/PA)

No final d dcada de 1990, ocorre a criao do Conselho Nacional de

Desenvolvimento Rural Sustentvel (CNDRS)que o rgo colegiado estruturante do

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Ministrio do Desenvolvimento Agrrio, sendo uma das primeiras manifestaes no

sentido de buscar um espao plural de articulao, objetivando polticas mais eficazes

dentre a diversidade regional existente no Brasil, e principalmente do rural, que por

muito tempo foi considerado como local atrasado, onde as polticas no atingiam a

sua realidade, assim, o conselho se embasa no trip do desenvolvimento rural,

reforma agrria e agricultura familiar (MDA, 2016).

A partir do ano de 2003 esse Conselho sofre uma alterao na sua

nomenclatura, perante o decreto de n 4.854, passando a se denominar de

CONDRAF, devendo-se essa mudana ao fato de se buscar enfatizar as polticas de

responsabilidade do MDA trabalhadas neste conselho que so referentes a reforma

agrria e a agricultura familiar. Este rgo tem como principais atribuies: apoiar as

redes de colegiados; considerar como foco de polticas os territrios; incentivar o

desenvolvimento rural; avaliar, monitorar e adequar as polticas pblicas, diante da

realidade da regio; diminuir as desigualdades sociais e econmicas; e subsidiar e

aprimorar os mecanismos de fiscalizao e controle social na dinmica estadual,

territorial e municipal; entre outras disposies.

O CONDRAF, propem o desafio da realizao de uma gesto social nos

territrios, na inteno de dar luz ao surgimento de espaos de dilogos e

planejamento, que se qualifiquem como fruns ou colegiados horizontalizados,

fomentando a representatividade e o controle social de polticas pblicas, onde aes

so pactuadas em prol do desenvolvimento, execuo da cidadania e cooperao

entre os grupos sociais e os municpios (MDA, 2014).

O CODETER, segundo a resoluo n 48 e 52 do CONDRAF, possui

direcionamentos voltados para articulao de aes, visando a gesto e o

planejamento da regio de forma coletiva, incluso social e pluralidade,

monitoramento de polticas, fortalecimento das institucionalidades territoriais, bem

como a construo de redes possibilitadoras da interao e integrao territorial, alm

da execuo de medidas que priorizem a participao de grupos, anteriormente

marginalizados (indgenas, quilombolas, produtoras rurais, entre outros).

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Ademais, o colegiado constitudo pelas seguintes instncias: Plenrio, Ncleo

diretivo e cmaras temticas. O plenrio seu rgo de deliberao mxima, pois

nele que as decises, estratgias e as articulaes de forma equitativa e plural do

territrio se direcionam para o desenvolvimento territorial. J ao ncleo diretivo, cabe

coordenar as tomadas de deciso ou encaminhamentos realizados em plenrio. Logo,

o ncleo tcnico est relacionado a parte tcnica do colegiado e por ltimo temos as

cmaras temticas ou comits de acompanhamento, cujos papeis variam conforme a

realidade e demanda de cada territrio, ressaltando que este criado junto a instncia

do plenrio (Resoluo n 48 e 52, 2004-2005)

Conforme a resoluo n 48 do CONDRAF, o colegiado territorial formado

paritariamente, onde a sociedade civil organizada, composta por sindicatos,

associaes, cooperativas entres outros, deve preencher no mnimo 50% das vagas

do colegiado, j o poder pblico conta com no mximo de 50%, desta, procurando

dessa forma uma maior representao e equidade entre as esferas civis e pblica.

OCODETER se mostra como executor de uma gesto social/participativa,

prezando pela pluralidade e intersetorialidade. Neste sentido, a implantao desses

colegiados em territrios amaznicos, especificamente, no Baixo Amazonas- PA, so

considerados marcos de grande significncia, dado ao desenvolvimento predatrio

decorrente desde a poca da colonizao seguida pela perniciosa marginalizao de

grupos sociais.

O Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Baixo Amazonas (CODETER) um espao de articulao, discusso, cooperao, planejamento, controle social, deliberao de aes do territrio do Baixo Amazonas relativas ao sistema de produo familiar, a infraestrutura, a educao, a cultura, a sade aos direitos humanos, garantindo, desta forma, o desenvolvimento sustentvel das atuais e futuras geraes. (CODETER BAM, 2014)

Como exposto acima, por meio do regimento interno do CODETER- BAM, esse,

tem como objetivo identificar e discutir as demandas da regio, encaminhando-as em

forma de medidas, projetos ou polticas, apoiando a socializao entre as entidades

do territrio a fim de possibilitar a transparncia de informaes e a partilha de

conhecimentos, buscando ainda, incentivar a sustentabilidade e a incluso social,

propondo e implementando projetos baseados na agroecologia; alm de monitorar e

planejar politicas visadas pelo territrio.

15

Esse colegiado foi rearticulado em 2014 por meio de uma iniciativa da

Secretaria de Desenvolvimento Territorial no mbito do Ministrio de Desenvolvimento

Agrrio, que vislumbrou a implementao de Ncleos de Extenso em

Desenvolvimento Territorial- NEDET, em diversos territrios, sendo o do Baixo

Amazonas, um dos contemplados, tendo a Universidade Federal do Oeste do Par

vinculada a esse NEDET, o qual possui a finalidade assessorar o colegiado, de forma

tcnica e administrativa, nos processos de monitoramento e avaliao de polticas

pblicas que visam o desenvolvimento territorial sustentvel.

Nesse mesmo ano foram estruturadas as cmaras temticas do CODETER

BAM, onde com base na anlise da ata da segunda plenria de 2014, se constituram

em cmaras de Cultura e Turismo; Regularizao Fundiria, Agrria e Ambiental;

Educao no Campo; Casa Familiar Rural; Pesca Aquicultura e Agricultura Familiar e

de incluso produtiva.

Atravs dessa nova composio de cmaras temticas, visualiza-se uma

conjuntura favorvel construo de potencializaes ou polticas pblicas voltadas

as especificidades regionais e econmicas do territrio, consolidadas por meio da

gesto social participativa e do firmamento dessa governana Colegiada, em prol do

desenvolvimento territorial sustentvel.

6.1. PARTICIPAO DOS ATORES ENVOLVIDOS

A participao social se qualifica nessa arena democrtica e de governana,

que o colegiado, como forma de intervir diretamente na realidade do seu territrio.

De acordo com o 29 Boletim do Instituto Plis (2008), a participao da sociedade

nos dilogos sobre aes, programas e polticas pblicas realiza o controle social,

sendo esse crucial para que se tenha efeitos maiores sobre a populao local, alm

fiscalizar a alocao de recursos pblicos (SERAFIM; TEIXEIRA, 2008).

O protagonismo social se reflete na participao dos entes da sociedade e sua

diversidade na tomada de deciso, que anteriormente, era restrita e direcionava-se

apenas ao governo, no entanto, o estado democrtico incorporado a partir da

16

constituio de 1988, compartilha a gesto local, municipal, territorial com a sociedade

civil organizada e nesse contexto que o CODETER BAM, vem propondo o

aprimoramento de aes e dos entes nessa dinmica de decises no territrio.

O colegiado do Baixo Amazonas composto de associaes, cooperativas,

sindicatos, movimentos sociais, poder pblico entre outros, desta forma,

caracterizando-se em ao estratgica, tanto para o controle social e o

desenvolvimento da regio e de suas potencialidades, quanto para a aproximao da

realidade desta sociedade com o governo, para polticas pblicas mais eficazes,

sendo tambm por isso, que se utiliza o territrio no apenas em sentido de

delimitao de espao, mas para facilitar o processo de articulao.

Durante o ano de 2014-2015 ocorreram cinco plenrias, que debateram desde

a rearticulao do CODETER-BAM, a apresentao da assessoria do Ncleo de

Extenso Territorial do Baixo Amazonas da Universidade Federal do Oeste do Par -

(NEDET BAM-UFOPA), demandas de cada municpio, estruturao das cmaras

temticas, atualizao do regime interno do rgo, debate sobre a matriz de

programas do territrio da cidadania e entre outras aes.

Ademais, nessas plenrias que se evidncia a governana democrtica e sua

diversidade, no territrio do Baixo Amazonas os atores envolvidos no colegiado,

refletem a pluralidade da Amaznia e de suas relaes sociais institudas no decorrer

do tempo, consolidadas por meio de lutas em busca de cidadania e incluso social,

como o caso de associaes quilombolas, de mulheres e trabalhadoras rurais e dos

agricultores familiares.

Para analisar a participao dos atores envolvidos nesse processo, buscou-se

observar a frequncia dos mesmos em cada plenria, visando assim delinear a real

representatividade da sociedade civil e do poder pblico. Abaixo, visualiza-se a

frequncia da participao destes nas cincos plenrias ocorridas.

A) ASSOCIAES

No colegiado visualiza-se um grande nmero de associaes participantes,

sendo estas organizaes de cunho coletivo como de produtores e de extrativismo

rural, de quilombolas e mulheres, que almejam direitos, oportunidades e melhores

17

condies de vida. No colegiado participam 28 associaes, onde a que tem maior

participao a Associao de Quilombolas de Prainha com 87,5% de frequncia nas

plenrias, seguida com 62,5% pela Associao dos Pequenos Produtores Rurais

Extrativista da Pesca Artesanal de Alenquer - ASPROEXPA, porm, observa-se a

ausncia de associaes do municpio de Faro, conforme demonstrado no quadro

abaixo.

Quadro 1. Frequncia das Associaes

ASSOCIAES CIDADE FREQUNCIA

%

ASSOCIAO HORTOFLORESTAL Monte Alegre 37,5

AOMT-BAM Associao das Organizaes de Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas

Santarm 12,5

ASFEBEL Associao Feminina de Belterra Belterra 25

ASPROEXPA Associao dos Pequenos Produtores Rurais Extrativista da Pesca Artesanal

Alenquer 62,5

ACPRRE Associao Comunitria de Produtores Rurais do Rio Erepecuru Oriximin

Oriximin 25

ARCAFAR Associao de Casas Familiares Rurais do Par

Oriximin 50

AMTMO Associao de Mulheres Trabalhadoras do Municpio de bidos

bidos 25

AMTMO Associao de Mulheres Trabalhadoras do Municpio de Oriximin

Oriximin 37,5

AMUTRANTS (Nomenclatura no identificada) Terra Santa 50

APACC Associao Paraense de Apoio as Comunidades Carentes

Terra Santa 25

AMTJU Associao de Mulheres Trabalhadoras de Juruti

Juruti 37,5

AFACEMPRE - (Nomenclatura no identificada) Santarm 12,5

ASS. M. QUILOMBO PRAINHA Prainha 87,5

AUMMA Associao Unio de Mulheres de Monte Alegre

Monte Alegre 12,5

ACPRUM Associao Comunitria dos Produtores Rurais do Miriti

Alenquer 12,5

18

ASSOCIAES CIDADE FREQUNCIA

%

ACOGLEC Associao Comunitria da Gleba Curumucuri

Juruti 25

AMUTAL Associao de Mulheres trabalhadoras do Municpio de Almeirim

Almeirim 37,5

ADDLTJ (Nomenclatura no identificada) Juruti 25

APRUSAN Associao de produtores Rurais de Santarm

Moju dos Campos

25

AMBECA (Nomenclatura no identificada) Curu 12,5

ASMC (Nomenclatura no identificada) Curu 12,5

APACRCC (Nomenclatura no identificada) Terra Santa 12,5

ARCA Associao de Rdios Comunitrias do Municpio de Alenquer

Alenquer 12,5

AMJU Associao dos Arteses do Municpio de Juruti Juruti 50

ABCC-CA (Nomenclatura no identificada) Curu 12,5

AMTC (Nomenclatura no identificada) Curu 25

ASMOC (Nomenclatura no identificada) Moju dos Campos

12,5

APRAS Associao dos Produtores Rurais Assentados no Soc

Juruti 25

Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.

B) COOPERATIVAS

As cooperativas so formas de organizao que priorizam a cooperao e a

solidariedade, em que os membros possuem interesses comuns, prestando servios

a sociedade em geral, e possibilitando a incluso de pequenos produtores para auferir

renda. No quadro 02, observa-se a participao destas cooperativas no Colegiado,

como a Cooperativa Agropecuria de Pequenos Produtores Rurais de Juruti -

COOPAJ e a Cooperativa da Agricultura Familiar de Moju dos Campos -COFAM de

Belterra apresentando 75% de frequncia participativa, respectivamente.

19

Quadro 02- Frequncia das Cooperativas

COOPERATIVAS MUNICPIOS FREQUNCIA

%

COOPROMOBEL-(Nomenclatura no identificada) Belterra 37,5

COOPRUSAN- Cooperativas dos Produtores Rurais de Santarm

Santarm 50

COOPARU- Cooperativa Agroextrativista de Cachoeira do Aru

Santarm 12,5

COOPATA- Sociedade Cooperativa Dos Aquicultores do

Tapajs Santarm

50

COOPAJ- Cooperativa Agropecuria de Pequenos Produtores Rurais de Juruti

Juruti 75

COOPVOA-(Nomenclatura no identificada) 12,5

COOFAM- Cooperativa da Agricultura Familiar de Moju dos Campos

Moju dos Campos 75

COOMAPLAS- Cooperativa Mista Agroextrativista do Tapajs Santarm 25

COPEREX-Cooperativa Agroextrativista do Oeste do Par Oeste do Par 12,5

COOPLAN- (Nomenclatura no identificada) Belterra 25

AMAZOMONTE- Cooperativa Agroextrativista Amazomonte Alenquer 25

COOPAFS- Cooperativa dos Produtores da Agricultura Familiar de Santarm

Santarm 12,5

OCB- Organizao de Cooperativas do Brasil Par 12,5

CAAM-(Nomenclatura no identificada) Alenquer 12,5

COOPTOA-(Nomenclatura no identificada) Santarm 12,5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.

C) SINDICATOS

Os Sindicatos so manifestaes de lutas, tanto por direitos trabalhistas,

quanto pela incluso social e oportunidades econmicas, estas simbolizaram grandes

conflitos em meados de 1980 e 1990, e ainda se evidenciam at os dias atuais,

principalmente os que reivindicavam pela reforma agrria, regularizao fundiria e a

incluso social, alcanando grandes vitrias a partir da constituio de 1988.

No territrio do Baixo Amazonas cada municpio possui um Sindicato dos

Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais - STTRs, ainda contando com Sindicatos dos

Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar-SINTRAF, que apoia as

atividades da agricultura familiar.

20

No quadro 03, apresenta-se a participao no mbito das plenrias, em que o

STTR de Curu possui assiduidade mxima, seguida pelos de Belterra, Monte Alegre

e Juruti com 75%, posteriormente, os de bidos e Oriximin com 62,5%,

caracterizando-se, assim, como os STTRs mais presentes. Constata-se ainda, a

ausncia de representatividades dos municpios de Almeirim e Terra Santa.

Quadro 03- Frequncia dos Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Baixo Amazonas

SINDICATOS CIDADE FREQUNCIA

%

STTR-Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Alenquer 12,5

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Almeirim 0

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Belterra 75

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Faro 50

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Curu 100

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Monte Alegre 75

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais bidos 62,5

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Oriximin 62,5

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Prainha 12,5

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Santarm 50

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Juruti 75

STTR- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Terra santa 0

STTR Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Moju dos Campos

37,5

SINTTRAF - Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Famlia rural

Oeste do Par 50

Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.

D) OUTRAS ENTIDADES

Neste tpico est incluso tanto, organizaes da esfera civil quanto do setor

pblico que participam das plenrias do CODETER-BAM, como mostra o quadro 04,

que abarcam as Casas Familiares Rurais - CFR dos municpios, Centro de Apoio a

Projetos de Ao Comunitria CEAPAC, entre outros. Logo, observa-se em grande

nmero as instituies do municpio de Santarm, porm o destaque fica por conta da

Federao dos Trabalhadores na Agricultura do Baixo Amazonas - FETAGRI BAM,

21

com 75%, seguida pela Colnia de Pescadores de Juruti- Z-42 e a Casa Familiar Rural

de bidos com 62,5% de frequncia cada.

Quadro 04- Frequncia de outras entidades

OUTRAS ENTIDADES MUNICPIO FREQUNCIA

%

CEAPAC -Centro de Apoio a Projetos de Ao Comunitria Santarm 12,5

FEAGLE - Federao Agroextrativista da Gleba Lago Grande Santarm 50

FETAGRI-BAM- Federao dos Trabalhadores na Agricultura do Baixo Amazonas

Moju dos Campos

75

FETAGRI-BAM - Federao dos Trabalhadores na Agricultura do Baixo Amazonas

Monte Alegre 37,5

FETAGRI-BAM -Federao dos Trabalhadores na Agricultura do Baixo Amazonas

bidos 50

FETAGRI-BAM - Federao dos Trabalhadores na Agricultura do Baixo Amazonas

Santarm 12,5

GDA - Grupo de Defesa da Amaznia Santarm 12,5

PSA - Projeto Sade e Alegria Santarm 12,5

Z-42- Colnia de Pescadores Juruti 62,5

IPAM- Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaznia Santarm 50

CMDRS- Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentvel

Oriximin 25

CFR- Casa Familiar Rural bidos 62,5

CFR- Casa Familiar Rural Juruti 25

CFR- Casa Familiar Rural Santarm 50

CEFT-BAM- Centro de Estudo e Formao dos Trabalhadores do Baixo Amazonas

Alenquer 25

CEFT-BAM- Centro de Estudo e Formao dos Trabalhadores do Baixo Amazonas

Juruti 50

CEFT-BAM- Centro de Estudo e Formao dos Trabalhadores do Baixo Amazonas

bidos 12,5

CEFT-BAM- Centro de Estudo e Formao dos Trabalhadores do Baixo Amazonas

Oriximin 12,5

CEFRUTAP- Central deFrutas do Tapajs Moju dos Campos

12,5

EKOAR- Empresa de Assessoria e Consultoria Ambiental e Empresarial da Amaznia

Santarm 12,5

ONG NYMENDAJU Manaus - AM 12,5

IDEFLOR- Santarm 50

PAE MADALENA Curu 50

22

OUTRAS ENTIDADES MUNICPIO FREQUNCIA

%

Z-33-Colnia de Pescadores Almeirim 12,5

CEFT-BAM- Centro de Estudo e Formao dos Trabalhadores do Baixo Amazonas

Santarm 25

ASSENTAMENTO SALGADO Curu 25

Z-20- Colnia de Pescadores Santarm 12,5

CFR- Casa Familiar Rural Belterra 12,5

TERRA LEGAL Santarm 12,5

BANCO DA AMAZNIA Santarm 12,5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.

E) PODER PBLICO

As organizaes do poder pblico contam com prefeituras, cmaras municipais,

secretarias, dos municpios que compem o territrio, alm de rgo federais como o

MDA, estaduais e municipais expostos no quadro 05, tendo uma maior participao a

Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural-EMATER de Santarm e a

Secretaria de Meio Ambiente de Moju dos Campos - SEMAM com 87,5% de

frequncia nas plenrias.

Quadro 5 Frequncia do Poder Pblico

INSTITUIO MUNICPIO FREQUNCIA

%

EMATER- Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural Santarm 87,5

SAGRI- Secretria de Agricultura Santarm 25

CMARA MUNICIPAL Belterra 12,5

CMARA MUNICIPAL bidos 25

SEMAB- Secretria Municipal de Desenvolvimento Rural e Abastecimento

bidos 25

SEMAP- Secretria Municipal de Agricultura e incentivo Produo Familiar

Santarm 25

SEMAGRI- Secretria Municipal de Agricultura Belterra 37,5

SEMAGRI- Secretria Municipal de Agricultura Monte Alegre 62,5

SEMAGRI- Secretria Municipal de Agricultura Oriximin 25

SEMEDE- Secretria Municipal de Educao e Desporto Santarm 12,5

SEMAM- Secretria de Meio Ambiente Moju 87,5

SEMAM- Secretria de Meio Ambiente Prainha 12,5

23

INSTITUIO MUNICPIO FREQUNCIA

%

PREFEITURA Santarm 12,5

CEPLAC-Comisso Executiva dePlanejamento de Lavoura Cacaueira Santarm 12,5

SECRETARIA DE PRODUO Prainha 37,5

SDT/MDA- Secretria de Desenvolvimento Territorial/ Ministrio do Desenvolvimento Agrrio Nacional 50

CMARA MUNICIPAL Moju dos Campos 12,5

SEDAP- Secretria de Desenvolvimento Agropecurio e da Pesca Santarm 25

SEMAGRI- Secretria Municipal de Agricultura Moju dos Campos 25

EMATER- Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural Belterra 25

EMATER- Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural Moju dos Campos 50

EMBRAPA- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria Santarm 12,5

SERVIO FLORESTAL BRASILEIRO Santarm 25

MDS- Ministrio do Desenvolvimento Social Santarm 12,5

SEMTRAS- Secretaria Municipal de Trabalho e Assistncia Social

Moju dos Campos 25

SEMAB- Secretria Municipal de Agricultura e Abastecimento Alenquer 12,5

INCRA-Instituto Nacional de Colonizao e Reforma Agrria Santarm 12,5

EMATER- Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural Faro 25

SEMAPAQ- Secretria Municipal de Pesca e Aquicultura Alenquer 12,5

SEMPLAM- Secretria Municipal de Planejamento Santarm 12,5

PREFEITURA Monte Alegre 12,5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.

As anlises individuais contriburam para uma anlise detalhada para a

participao das entidades da sociedade civil e do poder pblico, por municpio.

Entretanto, o grfico 01- apresenta um panorama parcial da participao de todos os

grupos nas plenrias do CODETER-BAM, em evidencia a participao preponderante

e massiva dos STTRs, em que outros grupos permanecem, relativamente, no mesmo

patamar de frequncia, porm, este resultado quantitativo, desconsiderando os

fatores qualitativos e externos do mbito do Colegiado.

24

Grfico 01. Participao da sociedade civil e poder pblico nas plenrias

Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.

O grfico apresenta o percentual verificado com base na anlise das

frequncias das plenrias do Colegiado, no entanto, contrasta-se que ao observar os

relatrios, nota-se a gesto social e participativa preponderante, onde todos possuem

direito a voz, no havendo coao. Com isso, ressalta-se que a, ainda, baixa

participao do poder pblico pode vir a se constituir em entraves para o

desenvolvimento do Colegiado e de suas aes, devido essas necessitarem da

contrapartida governamental para serem executadas.

7. CONCLUSES

Com base em todo o exposto, observou-se que apesar do carter histrico do

pas, de centralizao de poder e perdas socioeconmicas, a partir do final do regime

militar, inicia-se um processo de redemocratizao, com diversas conquistas, citando

a elevao das propostas de desenvolvimento, emergindo assim, novas iniciativas de

governana baseadas na gesto e participao sociais.

Esse trabalho se props em analisar as categorias tericas de Governana e

Gesto Social com influncia dos processos de desenvolvimento territorial, alm da

28,57 30,00

47,32

27,4229,58

0,00

5,00

10,00

15,00

20,00

25,00

30,00

35,00

40,00

45,00

50,00

Associaes Cooperativas STTR Poder pblico Outros

participao das plenrias Frequncia%

25

realizao de apreciao do Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Baixo

Amazonas, o qual, configura-se uma governana territorial.

Conforme os dados apresentados, vislumbra-se uma grande participao da

sociedade civil organizada, representadas por associaes, cooperativas, sindicatos,

dentre outras. A participao do poder pblico nas plenrias, ainda se faz,

relativamente, baixa quando relacionada quantidade de municpios que formam o

territrio. Logo, partindo de uma anlise geral, afirma-se que a maior participao

social se d por meio dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, que

apresentam grande assiduidade nas reunies.

Desta forma, o exerccio da gesto social e governana no Colegiado de

Desenvolvimento Territorial se apresenta como iniciativa louvvel e que merece ser

incentivada e melhorada cada vez mais. Com isso, esse trabalho se apresenta com

carter de continuidade, tendo em vista que uma melhor anlise da participao

desses atores com base em seu direito a voz ainda se faz necessria.

26

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AUTORIA

Lays Diniz dos Santos UFOPA

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Telefone: (93)981067138

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http://www.territoriosdacidadania.gov.br/dotlrn/clubs/territriosrurais/file-storage/download/5-Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20sobre%20o%20Programa%20Territ%C3%B3rios%20da%20Cidadania?file%5fid=2333703http://www.territoriosdacidadania.gov.br/dotlrn/clubs/territriosrurais/file-storage/download/5-Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20sobre%20o%20Programa%20Territ%C3%B3rios%20da%20Cidadania?file%5fid=2333703http://www.territoriosdacidadania.gov.br/dotlrn/clubs/territriosrurais/file-storage/download/5-Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20sobre%20o%20Programa%20Territ%C3%B3rios%20da%20Cidadania?file%5fid=2333703http://www.territoriosdacidadania.gov.br/dotlrn/clubs/territriosrurais/file-storage/download/5-Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20sobre%20o%20Programa%20Territ%C3%B3rios%20da%20Cidadania?file%5fid=2333703mailto:lays_d@hotmail.commailto:d_cs19@hotmail.commailto:geoiza@yahoo.com.brmailto:elenpessoa@yahoo.com.br

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