Governança e Participação na Gestão Territorial

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DGOTDU - Governana

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CAPA POLTICA DE CIDADES GOVERNNCIA... VOL. 5 FRENTE AZUL MAGENTA AMARELO PRETO OBRA N. 11285CAPA POLTICA DE CIDADES GOVERNNCIA... VOL. 5 VERSO AZUL MAGENTA AMARELO PRETO OBRA N. 11285NMEROS DA SRIE J PUBLICADOS 1. A energia nas cidades do futuro 2. Cidades inteligentes, governao territorial e tecnologias de informao e comunicao 3. A identidade dos lugares e a sua representao colectiva Bases de orientao para a concepo, qualificao e gesto do espao pblico 4. Alteraes climticas e desenvolvimento urbanoPRXIMO NMERO DA SRIE 6. Mobilidade, acessibilidade e logstica na cidadeNMEROS DA SRIE J PUBLICADOS 1. A energia nas cidades do futuro 2. Cidades inteligentes, governao territorial e tecnologias de informao e comunicao 3. A identidade dos lugares e a sua representao colectiva Bases de orientao para a concepo, qualificao e gesto do espao pblico 4. Alteraes climticas e desenvolvimento urbanoPRXIMO NMERO DA SRIE 6. Mobilidade, acessibilidade e logstica na cidadeO que a POLTICA DE CIDADES POLIS XXIA Poltica de Cidades POLIS XXI, lanada publicamente pelo XVII Governo em Abril de 2007, atravs do Secretrio de Es-tado do Ordenamento do Territrio e das Cidades, visa superar as debilidades do sistema urbano nacional e responder aos desafi os cada vez mais complexos que se colocam s cidades portuguesas, tornando-as motores efectivos do desenvolvimento das regies e do Pas.Benefi ciando da experincia acumulada dos anteriores programas nacionais e comunitrios dirigidos resoluo de problemas urba-nos e dinamizao do desenvolvimento urbano (PROSIURB, PO-LIS, URBAN e URBACT I, entre outros), a Poltica de Cidades POLIS XXI integra-se nos objectivos da Estratgia de Lisboa e da Estra-tgia Nacional de Desenvolvimento Sustentvel (ENDS) e tem no Modelo Territorial e nas Orientaes Estratgicas para os sistemas urbanos dos diversos espaos regionais do PNPOT um referencial fundamental para a sua implementao.Partindo do reconhecimento de que o nosso modelo de desenvolvi-mento, cada vez mais dependente do conhecimento e da inovao, exige s cidades uma elevada qualifi cao das suas funes e uma forte capacidade de fi xao e atraco de pessoas qualifi cadas e de actividades inovadoras, a Poltica de Cidades POLIS XXI tem como ambio tornar as cidades portuguesas: Territrios de inovao e competitividade; Territrios de cidadania e coeso social; Territrios de qualidade de ambiente e de vida; Territrios bem planeados e governados.Para concretizar esta ambio, a Poltica de Cidades POLIS XXI assume no perodo 2007-2013 os seguintes objectivos opera-tivos: Qualifi car e integrar os distintos espaos de cada cidade; Fortalecer e diferenciar o capital humano, institucional, cultural e econmico de cada cidade; Qualifi car e intensifi car a integrao da cidade na regio envolvente; Inovar nas solues para a qualifi cao urbana.A prossecuo destes objectivos concretiza-se em trs eixos de interveno, traduzindo uma viso de cidade a diferentes escalas territoriais: Regenerao urbana; Competitividade / diferenciao; Integrao regional.No mbito dos Programas Operacionais do QREN 2007-2013 foram reservados cerca de mil milhes de Euros do FEDER para fi nanciar os seguintes instrumentos da Poltica de Cidades: Parcerias para a regenerao urbana; Redes urbanas para a competitividade e a inovao; Aces inovadoras para o desenvolvimento urbano; Equipamentos estruturantes do Sistema Urbano Nacional.Esto igualmente criados mecanismos para assegurar a articulao dos instrumentos especfi cos da Poltica de Cidades com outros do-mnios de interveno previstos nos Programas Operacionais regio-nais e que tm particular relevncia para o sucesso das operaes integradas de desenvolvimento urbano.Prev-se ainda que a Poltica de Cidades POLIS XXI venha a re-correr a outras fontes de fi nanciamento, compreendendo recursos pblicos nacionais e comunitrios e tambm a instrumentos de fi nanciamento europeus, em particular o Banco Europeu de Inves-timento (BEI). Adicionalmente, o Estado procurar novas formas de fi nanciamento, quer no quadro de parcerias pblico-privado, quer criando condies para um maior envolvimento de fundos privados.A Poltica de Cidades POLIS XXI ser implementada segundo uma abordagem descentralizada. Pretende-se apoiar projectos de iniciativa local que sero seleccionados mediante procedimentos concursais de mbito nacional ou regional, consoante o programa de fi nanciamento pblico a utilizar. A sua concretizao assentar no recurso generalizado contratualizao, tanto no que respeita ao estabelecimento de parcerias locais para o desenvolvimento dos projectos, como no acesso aos recursos fi nanceiros que o Estado disponibiliza para o efeito. O instrumento de poltica Aces Inovadoras para o Desenvolvimento UrbanoE ste instrumento da Poltica de Cidades destina-se a apoiar projectos que tenham por objectivo desenvolver solues inovadoras de resposta a problemas urbanos identifi cados, transferir, para aplicao nas cidades portuguesas, solues testadas com sucesso noutros pases ou, ainda, ge-neralizar solues que tendo sido j aplicadas com resultados positivos em territrio nacional, caream de replicao a uma escala mais alargada para assegurar a sua adopo sustentada.Nessa perspectiva, foram identifi cadas oito reas temticas para a imple-mentao deste instrumento de poltica:a) Prestao de servios de proximidade;b) Acessibilidade e mobilidade urbana;c) Segurana, preveno de riscos e combate criminalidade;d) Gesto do espao pblico e do edifi cado;e) Construo sustentvel;f) Ambiente urbano;g) Criatividade e empreendedorismo na valorizao dos recursos territoriais;h) Governao urbana com incremento da participao dos cidados e dos actores econmicos e sociais.Este leque inicial de temas poder vir a ser ampliado no futuro. Tal como sucede nos outros domnios de implementao da Poltica de Cidades, os projectos a apoiar sero seleccionados atravs de procedimentos concursais abertos ao longo do perodo 2008-2013.Este instrumento de poltica tem suporte fi nanceiro no Eixo IX (Reforo do sistema urbano nacional) do Programa Operacional Temtico Valorizao do Territrio (POVT) do QREN 2007-2013, tendo sido reservados 90 milhes de Euros para esse efeito. A seleco das candidaturas e o acompanhamento dos projectos co-fi nan-ciados est a cargo da DGOTDU, que actua na qualidade de organismo inter-mdio de gesto, ao abrigo de contrato de delegao de competncias com a Autoridade de Gesto do POVT.A abertura dos procedimentos concursais e os respectivos resultados so anunciados na comunicao social e nos stios da Internet da DGOTDU, da Autoridade de Gesto do POVT e do QREN.Mais informaes em:www.dgotdu.pt/pcwww.qren.pt/www.povt.qren.pt/Srie POLTICA DE CIDADES - 5Governncia e participaona gesto territorialNota de apresentaoE sta srie de publicaes da DGOTDU, especifi camente dedicada s reas temticas referenciais para a im-plementao do instrumento da Poltica de Cidades POLIS XXI, Aces Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano, tem por objectivo principal fornecer elementos de apoio preparao de bons projectos para candidatura a este domnio de interveno do Eixo IX do Programa Operacional Temtico Valorizao do Territrio.Para alm desta fi nalidade imediata, pretende-se tambm que estas publicaes constituam uma base geral de informao e divulgao, tendo como principais destinatrios as autarquias locais e os tcnicos particulares. As questes abordadas so amplamente reconhecidas como fazendo parte dos grandes desafi os que hoje se colocam ao desenvolvimento urbano e territorial europeu, pelo que da maior importncia que sejam includas nas agendas municipais e nas nossas prticas de urbanismo e de ordenamento do territrio.O objectivo destes documentos no apontar solues tcnicas ou metodologias para a aco concreta, mas sim chamar a ateno para algumas das questes mais signifi cativas que hoje se colocam nas reas temticas se-leccionadas, sensibilizar os diferentes intervenientes nos processos de desenvolvimento urbano e territorial para a necessidade da sua considerao e fornecer bases para um aprofundamento de conhecimentos. Nesta ptica, as publicaes da Srie Documentos de Orientao POLTICA DE CIDADES obedecem a uma es-trutura comum, com uma primeira parte de enquadramento do tema, orientada para identifi car e situar os desafi os que actualmente se colocam, uma segunda parte contendo exemplos de boas prticas, que possam ser inspiradoras da concepo dos projectos a candidatar ou da actuao das autarquias, e uma bibliografi a de referncia.Este documento de orientao trata da governncia e da participao na gesto territorial. hoje claro que o sucesso da gesto territorial depende em grau elevado da colaborao entre os agentes directos das transformaes territoriais. Mas depende em grau igualmente elevado da participao e do envolvi-mento activo dos cidados e das organizaes da sociedade civil. O territrio um recurso colectivo cujo destino e modo de utilizao interessa a todos.Promover uma boa governncia territorial e estimular e organizar a participao dos cidados e das organiza-es da sociedade civil nas principais decises de gesto territorial exige no apenas a vontade poltica de o fazer, mas tambm tcnicas apropriadas, que assegurem a compreenso do que est em jogo e tambm a comunicao entre os diferentes actores dos processos territoriais. Nesse processo, importante ter em adequada considerao as caractersticas e os interesses prprios de cada grupo, reconhecendo em particular a necessidade de elucidao dos no especialistas. disso que nos fala esta publicao.Abril de 2009Vitor CamposDirector-Geral do Ordenamento do Territrio e Desenvolvimento UrbanoResumo0 presente trabalho foi desenvolvido pela Faculdade de Cincias e Tecnologia da Universi-dade Nova de Lisboa para a Direco-Geral do Ordenamento do Territrio e Desenvolvi-mento Urbano e tem enquadramento nos termos de referncia para a elaborao de documentos de orientao no mbito do Instrumento de Poltica Aces Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano da Poltica de Cidades POLIS XXI e no tema Governncia Urbana com incremento da participao dos cidados e dos actores econmicos e sociais. Esta publicao destina-se a tcnicos e especialistas na rea de planeamento e desenvolvimento urbano, escala dos Planos Municipais de Ordenamento do Territrio (PMOT) em dois mbitos territoriais distintos: o mbito intra-urbano e a cidade/regio. Inclui um enquadramento conceptual da situao e uma anlise da correspondente evoluo normativa de acordo com conceitos inovadores sobre os processos participativos em planeamento. Identifi ca os aspectos dominantes para assegurar boas prticas. Prope, tambm, metodologias para processos participativos e identifi ca alguns casos de suces-so com lies de relevncia nacional e internacional.Lia VasconcelosPh.D., MCP, Arquitecta - coordenaoRosrio OliveiraPh.D., Arquitecta Paisagistarsula CaserMEM, GegrafaFicha TcnicaTtuloGovernncia e participao na gesto territorialSrie Poltica de Cidades - 5 Abril de 2009AutoresLia Vasconcelos Faculdade de Cincias e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (coordenao)Rosrio Oliveira TERCUD - Centro de Estudos do Territrio, Cultura e Desenvolvimento, Universidade Lusfonarsula Caser Consultora, WteamupEditorDireco-Geral do Ordenamento do Territrio e Desenvolvimento UrbanoCampo Grande, 50, 1749-014 LISBOAwww.dgotdu.pt dgotdu@dgotdu.pt Design e produo grfi caVtor HiggsImpresso e acabamentoEuropress, Editores e Distribuidores de Publicaes, Lda. Tiragem: 500 exemplares ISBN: 978-972-8569-45-7 Depsito legal: 279131/08 Propriedade da DGOTDU Direco-Geral do Ordenamento do Territrio e Desenvolvimento UrbanoReservados todos os direitos de acordo com a legislao em vigor1. Introduo 122. Participao pblica no processo de planeamento municipal 163. Governncia e participao: conceitos e metodologias 24 3.1. Conceitos 24 3.1.1. Governncia 24 3.1.2. Participao 26 3.2. Metodologias 29 3.2.1. Articulando actores e conhecimento 29 3.3. Workshop win-win uma sinopse 344. Exemplos de sucesso e lies aprendidas 40 4.1. Amesterdo, uma referncia para o planeamento urbano estratgico 42 4.2. Detroit Collaborative Design Center amplifying the diminished voice 44 4.3. Cova da Moura: participao e capacitao na interveno socioterritorial 46 4.4. Requalifi cao do Rossio de Leiria 50 4.5. Plano Municipal de Ambiente de Torres Vedras 525. Desafi os e perspectivas de futuro 556. Bibliografi a 571. IntroduoH oje em dia h uma intensifi cao de cresci-mento urbano e diversifi cao de funes no espao urbano europeu que coloca desafi os crescentes ao planeamento em contextos de re-cursos cada vez mais limitados. Os problemas que emergem so complexos1 pois enquadram frequentemente vrias dimenses e um leque de actores diversifi cado que exigem, quer dos pro-gramas de interveno quer dos instrumentos de planeamento que iro regular, formatos diferen-tes at no seu desenvolvimento (e. g. integrando vises dos prprios residentes dessas reas) ex-travasando arenas meramente tcnico-poltico-cientfi cas que, embora muito valiosas, se tm revelado restringidas para adequar as respostas a um contexto que, pela sua diversidade coloca questes muitas vezes inesperadas, de grande complexidade, ambiguidade e incerteza.Tal como na Europa, em Portugal estas novas dimenses dos espaos urbanos levam ao desafi o de repensar que tipo de aces inovadoras pode-ro contribuir para um melhor e mais efi ciente planeamento das cidades, nomeadamente como poder uma nova viso de planeamento contribuir para a qualifi cao do espao urbano. Portugal forado a rever a poltica de cidades, seja ao nvel de concepo de interveno, seja ao nvel do pro-cesso de desenvolvimento das prprias polticas e da sua interveno com base em instrumentos de ordenamento territorial. At muito recentemente, a interveno da Administrao Pblica atravs do planeamento era vista como a forma de assegurar um melhor ambiente urbano do que o resultante da livre iniciativa dos mercados e dos particula-res (Portas et al., 2007, p. 195). Actualmente, as agendas das polticas urbanas tm necessaria-mente que prever a construo de consensos que compatibilizem os interesses presentes com a defi nio de objectivos estratgicos e assegu-rem a coerncia da implementao das polticas no exerccio da democracia e de acordo com uma opinio pblica cada vez mais esclarecida e empenhada na implementao de tais polticas e propostas. O carcter inovador das aces de desenvolvimento urbano pode, em grande parte, ser o resultado no de uma ideia particularmente criativa, mas do processo que a ela possa conduzir e da forma como os diversos actores nela partici-parem e dela se apropriarem.Neste mbito, colocado ao pas um conjunto de prioridades e desafi os refl ectidos na Poltica de Cidades POLIS XXI cuja ambio tornar as cida-des portuguesas: Territrios de inovao e competitividade; Territrios de cidadania e coeso social; Territrios de qualidade de ambiente; Territrios de qualidade de vida; Territrios bem planeados e governados.De entre os objectivos especfi cos que preten-dem concretizar esta ambio, o que se refere ao fortalecer e diferenciar o capital humano, insti-tucional, cultural e econmico de cada cidade, enquadrado em conseguir territrios de cidadania e coeso social, aquele que merece uma maior ateno no mbito da presente publicao que se dedica ao tema da Governncia2 e Participao, fundamental, entre outros aspectos, para a emer-gncia de aces inovadoras de desenvolvimento urbano. Compreende-se assim que uma interveno com consequncias visveis na resoluo dos pro-blemas urbanos implica uma nova governncia assumida pelos diferentes nveis da administrao pblica, bem como por outros actores envolvidos e pelos cidados em geral, atravs da adopo de 1 . I n t r o d u o P g i n a 1 2prticas participativas e colaborativas que podem estar para alm das previstas no quadro normati-vo vigente. Em Portugal, como noutros pases, o potencial da participao tem sido largamente reconheci-do pelos profi ssionais, pelos polticos e mesmo pelos cidados, e tem vindo a ter, cada vez mais um papel predominante nas agendas, respon-dendo tambm a um quadro legislativo europeu mais exigente deste ponto de vista. Contudo, na prtica, a expresso da participao ainda mui-to limitada e h um sentimento generalizado de mal-estar nos contextos de deciso pblica onde a mesma requerida. No entanto, atendendo a que o nvel local particularmente relevante para a implementao da Poltica de Cidades Polis XXI e que o estabelecimento de parcerias que se tra-duzam na convergncia de interesses de vrios actores pblicos e privados bem como de fontes diversifi cadas de fi nanciamento, parece inevitvel que estas orientaes se consubstanciem em pro-cessos participativos adequados aos objectivos em questo.A presente publicao fornecer um quadro conceptual que ajude a referenciar os promoto-res da Poltica de Cidades Polis XXI no mbito da participao, no quadro dos Planos Municipais de Ordenamento do Territrio (PMOT), incluir uma anlise da evoluo da respectiva normativa, iden-tifi car casos de sucesso e lies deles extradas e disponibilizar ferramentas e orientaes para actuaes futuras.1 Problemas abrangendo nveis mltiplos em questes de escala de interveno territorial, imbudos de incerteza, informao tcnica multidisciplinar, multi-actores com interesses e valores variados, muitos participantes com poder e competncia desigual, solues requerendo aces coordenadas (e. g., a localizao de uma infra-estrutura associada a elevada percepo de risco).2 Diferente de governao porque implica o envolvimento activo directo na deciso de outros intervenientes para alm das entidades governamentais visando a resoluo de problemas de interesse mtuo A opo por governncia vem na linha de tantos outros vocbulos de origem latina que, em portugus, mantm a terminao ncia (sufi xo que exprime a ideia de aco ou de resultado de uma aco) e que, em ingls foram transformados em ance. Tambm diferente de governana porque segundo Arago (2005) governana, provm do francs antigo (gouvernance), semanticamente considerada sinnimo de governo, alm de que o o sufi xo ana transmite, por vezes, a ideia de quantidade excessivamente grande ou at exagerada, como em comilana, embirrana, fartana, festana. (ARAGO, A. A Governncia na Constituio Europeia. Uma oportunidade perdida?, in: A Constituio Europeia. Estudos em homenagem ao Prof. Doutor Lucas Pires, FDUC, Coimbra, 2005).Porto, zona ribeirinhaRosrio Oliveira1 . I n t r o d u o P g i n a 1 3Direitos reservados2. Participao pblica no processo de planeamento municipalA cultura democrtica em Portugal rela-tivamente recente e no se tem assistido a uma participao activa dos cidados no senti-do da valorizao do ordenamento do territrio como uma questo essencial da qualidade de vida. Contudo, uma breve anlise da normativa que regulamenta a Poltica de Ordenamento do Territrio e de Urbanismo permite verifi car que o entendimento que cada um dos instrumentos faz acerca da importncia da participao pblica e dos momentos do processo de planeamento em que a mesma dever ser considerada, tem vindo progressivamente a merecer uma maior ateno ao longo da ltima dcada.Esta preocupao encontra-se assumida no Programa Nacional da Poltica de Ordenamento do Territrio (Lei n. 58/2007, de 4 de Setembro), onde so identifi cados quatro problemas ao nvel da cultura cvica, planeamento e gesto territo-rial:1. Ausncia de uma cultura cvica valorizadora do ordenamento do territrio e baseada no conhecimento rigoroso dos problemas, na participao dos cidados e na capacitao tcnica das instituies e dos agentes mais directamente envolvidos.2. Insufi cincia das bases tcnicas essenciais para o ordenamento do territrio, designadamente da informao georreferenciada sobre recursos territoriais, da cartografi a certifi cada, da informao cadastral e do acesso em linha ao contedo dos planos em vigor.3. Difi culdade de coordenao entre os principais actores institucionais, pblicos e privados, responsveis por polticas e intervenes com impacte territorial.4. Complexidade, rigidez, centralismo e opacidade da legislao e dos procedimentos de planeamento e gesto territorial afectando a sua efi cincia e aceitao social.PROGRAMA NACIONAL DA POLTICA DE ORDENAMENTO DO TERRITRIO4 problemas ao nvel da cultura cvica, planeamento e gesto territorial2 . P a r t i c i p a o p b l i c a n o p r o c e s s o d e p l a n e a m e n t o m u n i c i p a l P g i n a 1 6Quando se procede anlise da componen-te participativa nos vrios instrumentos legais que regulamentam a Poltica de Ordenamento do Territrio e de Urbanismo, ainda que se verifi que constar dos objectivos, a sua prtica tem sido muito restringida ao direito informao e aos momentos de discusso pblica dos planos. Esta preocupao foi consagrada na reviso constitu-cional de 1997 (n. 5 do artigo 65. da Lei n. 1/97, de 20 de Setembro) que, por sua vez, consagrou a garantia da participao dos interessados na elaborao dos instrumentos de planeamento ur-banstico e de quaisquer outros instrumentos de planeamento fsico do territrio. A Lei n. 83/95, de 31 de Agosto, regula o exerccio do direito de participao popular em procedimentos adminis-trativos e do direito de aco popular.A Lei n. 48/98, de 11 de Agosto (LBPOTU), consagrou como princpio da poltica de ordena-mento do territrio e de urbanismo o princpio da participao, reforando a conscincia cvica dos cidados atravs do acesso informao e interveno nos procedimentos de elaborao, execuo, avaliao e reviso dos instrumentos de gesto territorial (IGT) [alnea f) do artigo 5.]. No entanto um dos seus dois grandes objectivos [alnea b) do artigo 2.], a regulao no mbito da poltica de Ordenamento do Territrio e de Ur-banismo, das relaes entre os diversos nveis da Administrao Pblica e desta com as populaes e com os representantes dos diferentes interesses econmicos e sociais no explcito no que se refere a como podero ser assegurados. De facto, as referidas relaes entre os diferentes nveis da Administrao Pblica e desta com as populaes e com os seus representantes deixada em aber-to sem oferecer propostas de concretizao. Outro dos princpios afi ns do princpio da par-ticipao o princpio da concertao. O artigo 21. da LBPOTU, sob a epgrafe participao e concertao, determina que os IGT so subme-tidos a prvia apreciao pblica (n. 1) e que a elaborao e aprovao dos IGT vinculativos dos particulares so objecto de mecanismos refora-dos de participao dos cidados, nomeadamente atravs de formas de concertao de interesses (n. 2). A concertao consiste na anlise das ra-zes de discordncia e das objeces s propos-tas de IGT apresentadas, com vista obteno de uma soluo concertada que permita ultrapassar as objeces formuladas. Trata-se tambm da concretizao do princpio da coordenao, con-sagrado na alnea c) do artigo 5. da LBPOTU, que implica a articulao e compatibilizao do orde-namento do territrio com as polticas de desen-volvimento econmico e social e com as polticas sectoriais com incidncia na organizao do terri-trio, no respeito por uma adequada ponderao dos interesses pblicos e privados em causa.O Decreto-Lei n. 380/99, de 22 de Setem-bro, com a redaco actual introduzida pelo Decreto- Lei n. 316/2007, de 19 de Setembro (RJIGT), que desenvolve as bases de ordena-mento do territrio e de urbanismo, defi nindo o regime de coordenao dos mbitos nacional, regional e municipal do sistema de gesto terri-torial, o regime geral de uso do solo e o regime da elaborao aprovao, execuo e avaliao dos IGT, trata expressamente do direito de parti-cipao no artigo 6., assegurando que todos os cidados, bem como as associaes represen-tativas dos interesses econmicos, sociais, cul-turais e ambientais, tm o direito de participar na elaborao, alterao, reviso, execuo e avaliao dos IGT. Este direito compreende duas situaes dis-tintas: a possibilidade de formulao de sugestes e pedidos de esclarecimento ao longo dos procedimentos de elaborao, alterao, re-viso, execuo e avaliao; a interveno na fase de discusso pblica que precede obrigatoriamente a aprovao dos IGT.2 . P a r t i c i p a o p b l i c a n o p r o c e s s o d e p l a n e a m e n t o m u n i c i p a l P g i n a 1 7O mbito municipal (Seco IV) aquele em que se verifi ca uma maior especifi cao das fases de acompanhamento (Comisso Mista de Coorde-nao), concertao e participao. Esta ltima prev que, ao longo da elaborao dos planos mu-nicipais de ordenamento do territrio (PMOT), a Cmara Municipal deve facultar aos interessados, particulares, entidades ou associaes represen-tativas dos direitos a ponderar, designadamente econmicos, sociais, culturais e ambientais, todos os elementos relevantes para que estes possam conhecer o andamento dos trabalhos e a evoluo da tramitao procedimental, bem como formular sugestes autarquia e Comisso de Acompa-nhamento (artigo 77. do RJIGT)Destacam-se, porm, dois momentos em que os interessados so especialmente chamados a participar: o primeiro momento ocorre no incio do pro-cedimento (participao preventiva). Desti-na-se a que os interessados possam formu-lar sugestes e apresentar informaes so-bre quaisquer matrias que entendam dever ser consideradas no mbito da elaborao, alterao ou reviso dos PMOT. o segundo momento ocorre aps a con-cluso do perodo de acompanhamento do PDM ou da conferncia de servios do PU ou PP e, quando for o caso, decorrido o pero-do de discusso pblica, atravs de aviso a publicar no Dirio da Repblica e a divulgar atravs da comunicao social e internet (participao sucessiva).Do aviso consta a indicao do perodo de dis-cusso, do local e da data das sesses pblicas a ter lugar, da forma como os interessados podem apresentar as suas reclamaes, observaes ou sugestes e dos locais onde se encontra dispon-vel a proposta de plano.Findo o perodo de discusso pblica, a Cma-ra Municipal pondera as reclamaes, observaes, sugestes e pedidos de esclarecimento apresenta-dos, respondendo por escrito e fundamentadamen-te aos interessados que invoquem a desconformi-dade com outros IGT efi cazes ou com disposies legais e regulamentares aplicveis, a incompatibi-lidade com planos, programas e projectos que de-vessem ser ponderados em fase de elaborao e a eventual leso de direitos subjectivos.Os resultados da ponderao da discusso p-blica so divulgados atravs da comunicao so-cial e da pgina da Internet da Cmara Municipal.Em matria de reforo de mecanismos de participao privada, refere-se a expressa admis-sibilidade e a regulao de contratos para planea-mento introduzida no RJIGT pelo Decreto-Lei n. 316/2007, de 16 de Setembro. Estes contratos tm a virtude de conciliar interesses pblicos e priva-dos e de operacionalizar a execuo dos Planos de Urbanizao e dos Planos de Pormenor, responsa-bilizando os seus destinatrios pela concretizao das operaes neles previstas.Relativamente concertao de interesses, o actual RJIGT s prev expressamente a concerta-o de interesses pblicos entre si, quer no decur-so dos trabalhos da Comisso de Acompanhamen-to do PDM, quer aps a emisso do parecer fi nal desta, entre a Cmara Municipal e as entidades que tenham discordado das solues da proposta do plano. Esta ltima concertao tambm pode ser promovida pela CCDR, tendo em vista uma soluo concertada que permita ultrapassar as objeces formuladas.Embora a lei no preveja expressamente a concertao entre interesses pblicos e privados, nada impede que esta possa ocorrer em sede de discusso pblica, no mbito da ponderao a efectuar pela Cmara Municipal, das reclamaes, observaes e sugestes apresentadas pelos par-ticulares. Apesar de todos estes aspectos relativos participao pblica no processo de planeamento a nvel local, o PNPOT estabelece ainda medidas prioritrias para uma participao pblica mais 2 . P a r t i c i p a o p b l i c a n o p r o c e s s o d e p l a n e a m e n t o m u n i c i p a l P g i n a 1 8efi ciente. Assim, ao nvel dos seus objectivos es-tratgicos contempla o reforo da qualidade e efi cincia da gesto territorial, promovendo a participao informada, activa e responsvel dos cidados e das instituies. Este objectivo estra-tgico , por sua vez, enquadrado por dois objec-tivos especfi cos:Promover a participao cvica e institucional nos processos de planeamento de desenvolvimento territorialMedidas prioritrias1. Reforar os mecanismos de acesso informao no mbito da elaborao e divulgao dos instrumentos de gesto territorial, nomeadamente atravs do uso das TIC, com vista a uma maior co-responsabilizao e envolvi-mento da sociedade civil.2. Integrar os princpios das Agendas 21 Locais nos instrumentos de gesto territorial e incentivar a cooperao aos nveis local e regional, recorrendo institucionalizao de parcerias, contratualizao e implementao de Programas de Aco Territorial.3. Rever os modelos de acompanhamento, participao e concertao previstos no regime jurdico dos instrumen-tos de gesto territorial, no sentido de garantir o maior envolvimento das entidades pblicas e das organiza-es econmicas, sociais, culturais e ambientais desde a fase inicial de defi nio do contedo e das principais opes desses instrumentos. 4. Incentivar a organizao e participao qualifi cada da sociedade civil na prestao de servios de interesse geral, promovendo parcerias e redes de base territorial.Incentivar comportamentos positivos e responsveis face ao ordenamento do territrioMedidas prioritrias1. Desenvolver aces de sensibilizao, educao e mobilizao dos cidados para uma cultura valorizadora do ordenamento do territrio, do urbanismo, das paisagens e do patrimnio em geral.2. Introduzir e reforar nos programas dos vrios graus de ensino, desde o ensino bsico ao secundrio, os princ-pios orientadores de boas prticas de ordenamento e qualifi cao do territrio.3. Estimular o contributo e a participao dos jovens em aces de ordenamento do territrio, nomeadamente no quadro do Programa Nacional de Juventude e do Voluntariado Jovem.4. Fomentar a investigao e a inovao na rea do ordenamento do territrio e do urbanismo, nomeadamente atravs da instituio de bolsas de estudo especiais.5. Divulgar boas prticas em ordenamento do territrio e urbanismo e incentivar a participao em concursos para atribuio de prmios a nvel nacional.PROGRAMA NACIONAL DA POLTICA DE ORDENAMENTO DO TERRITRIOObjectivos especfi cos e Medidas prioritrias2 . P a r t i c i p a o p b l i c a n o p r o c e s s o d e p l a n e a m e n t o m u n i c i p a l P g i n a 1 9Ainda que este elenco de medidas se revele bastante estimulante para ser considerado na ela-borao e implementao de planos e projectos a diferentes nveis, apresentaremos de seguida uma anlise mais detalhada de como que a par-ticipao pblica considerada nas vrias fases de planeamento no mbito dos PMOT, por serem estes que merecem um maior destaque no mbito desta publicao. As fases consideradas de acordo com a legis-lao em vigor so: Preparao do plano; Acompanhamento da elaborao do plano; Concertao; Discusso pblica; Implementao do plano. A Cmara Municipal deve facultar aos inte-ressados todos os elementos relevantes ao co-nhecimento sobre a tramitao procedimental em todas estas fases. Para cada fase identifi -cado o nvel de participao pblica previsto, as exigncias defi nidas bem como os actores en-volvidos, de acordo com legislao e os desafi os que se colocam no sentido de assegurar que o processo de planeamento a nvel local possa ser efectivamente participado, por vezes, desejavel-mente, para alm das instituies que consti-tuem as Comisses de Acompanhamento ou de Coordenao. As propostas apresentadas neste mbito esto para alm do que a legislao pre-v e devem ser entendidas como procedimentos complementares para uma melhor efi cincia dos planos. (Tabela 1). A boa integrao dos resultados de um processo participativo formal e no formal poder favorecer o encontrar de solues inova-doras para o planeamento e desenvolvimento ur-bano. Por exemplo, a elaborao de um diagnsti-co participativo poder fornecer equipa tcnica responsvel pela elaborao do plano informa-es, perspectivas, problemas ou potencialidades muito para alm das que partida podero ser recolhidas apenas numa perspectiva bibliogrfi -ca ou de levantamentos de terreno. Tambm na fase de acompanhamento da elaborao do pla-no dever ser promovida a participao activa do pblico na defi nio de propostas e de solues a considerar no plano e no limitar a dar a conhecer ao pblico a anlise, diagnstico, propostas e ce-nrios, apenas numa perspectiva informativa. Da mesma forma, na fase de participao, para alm dos procedimentos participativos formais, fun-damental promover outros momentos ou meios adequados que permitam uma maior e mais es-clarecida participao do pblico, abrindo cami-nho para a criao de condies que assegurem o estabelecimento de compromissos e partilha de responsabilidades na fase de implementao do plano. Se tal acontecer, provavelmente ser poss-vel prever o acompanhamento e monitorizao da implementao do plano.Estes exemplos so tambm aplicveis a pro-jectos que se encontrem fora do quadro do Sis-tema de Gesto Territorial, nomeadamente pro-jectos de desenvolvimento urbano, no mbito dos quais se considera essencial considerar as com-ponentes de participao e de governncia como forma de garantir a inovao ao nvel do processo de concepo, implementao e avaliao. Agir neste sentido pressupe aprofundar con-ceitos e metodologias que constam do captulo seguinte.2 . P a r t i c i p a o p b l i c a n o p r o c e s s o d e p l a n e a m e n t o m u n i c i p a l P g i n a 2 0Direitos reservadosDireitos reservadosI. PREPARAO DO PLANOFASESII. ACOMPANHAMENTODA ELABORAO DO PLANO3 informao do plano fundamentao da deliberao pela cmara municipalNVEL DE PARTICIPAO PBLICAInformao respeitante a outros pla-nos, programas, projectos j existen-tes ou em preparao e identifi cao de problemas em campoParticipao preventiva para formu-lao de sugestes e apresentao de inconformidades sobre questes que possam ser consideradas no pro-cedimento de elaborao do plano.Dar a conhecer ao pblico: avaliao da execuo do plano4 anlise e diagnstico propostas, opes, alternativas, cenriosInformar sobre a deliberao de ela-borao do plano atravs da publica-o em dirio da repblica e divulgar atravs da comunicao social e da internetEXIGNCIAS Obriga a identifi car e a ponderar nos diversos mbitos os planos progra-mas e projectos com incidncia na rea em causa, por forma a assegu-rar as necessrias compatibilizaesObrigatria a fi xao do perodo de participao na deliberao da ela-borao do planoAcompanhamento assduo e continu-ado dos trabalhos de plano, devendo a comisso de acompanhamento apre-sentar um parecer escrito relativo ao: cumprimento das normas legais; compatibilidade com instrumentos de gesto territorial efi cazes e ao funda-mento tcnico das solues defendi-das pela cmara municipalCmaras municipais;cidadosACTORES ENVOLVIDOSEquipa de elaborao do plano Cidados e associaes representati-vas de interesses a ponderarComisso de acompanhamento que integra representantes de servios e entidades da administrao direc-ta ou indirecta do estado Prever uma forma de comunicao mais ampla e acessvel, nomeada-mente atravs de um processo de co-municao e de informao activaDESAFIOS/PROPOSTAS(no previstos na legislao)Prever o envolvimento activo dos ci-dados e/ou dos seus representantes atravs da recolha de opinies dos actores locais envolvidos na imple-mentao dos respectivos progra-mas, planos e projectosAssegurar o envolvimento activo dos cidados e/ou dos seus representan-tes atravs do estabelecimento de uma adequada concertao de inte-resses, apenas prevista ao nvel das entidades que constituem a comis-so de acompanhamentoPrever a possvel integrao de pro-postas, opes, alternativas, cen-rios de outras organizaes, nome-adamente as no governamentais3 O acompanhamento da elaborao dos Planos de Urbanizao e de Pormenor facultativo e a sua publicitao da responsabilidade da Cmara Municipal. Uma vez concluda a elaborao do plano a Cmara Municipal apresenta Comisso de Coordenao e Desenvolvimento Regional a proposta de plano, os pareceres eventualmente emitidos e o relatrio ambiental. 4 No caso da reviso dos PDM.2 . P a r t i c i p a o p b l i c a n o p r o c e s s o d e p l a n e a m e n t o m u n i c i p a l P g i n a 2 2Tabela 1 - Participao Pblica nas vrias fases do processo de planeamento dos Planos Municipais de Ordenamento do Territrio (PMOT)III. CONCERTAO5 IV. DISCUSSO PBLICA V. IMPLEMENTAO DO PLANOParticipao dos actores envolvi-dos na elaborao da aproposta do plano e envolvimento das entidades que formulem objeces s solues defi nidasParticipao activa dos interessados sobre a defi nio de propostas e so-lues do planoFaseamento e formas de implemen-tar e monitorizar o plano de acoConcertao com as entidades que, no decurso dos trabalhos da comis-so de acompanhamento, formulem objeces s solues defi nidas para o futuro plano e que na fase fi nal as mantenhamDiscusso pblica6 sobre a proposta do plano no inferior a 30 dias (PDM) e 22 dias (PU e PP)A legislao omissaComisso de acompanhamento e cmara municipal aps concluso da fase de acompanhamentoCidados, entidades pblicas e asso-ciaesPrever a participao de outros acto-res e no apenas das entidades que integrarem a comisso de acompa-nhamento, que podero revelar-se pouco representativas das reais ex-pectativas presentes por parte de outras entidades ou actores locaisParticipao activa do pblico na defi nio de propostas e de solues a considerar no plano atravs do en-volvimento activo dos cidados e/ou dos seus representantes Promover momentos ou meios ade-quados que permitam uma maior e mais esclarecida participao do pblico. Assegurar o estabelecimen-to de compromissos e partilha de responsabilidades na implementao do planoPrever o envolvimento activo dos cidados no acompanhamento e monitorizao da implementao do plano5 No caso dos Planos de Urbanizao e Planos de Pormenor a Cmara Municipal pode promover a realizao de concertao nos 20 dias subsequentes realizao da conferncia de servios por parte da Comisso de Coordenao e Desenvolvimento Regional.6 No caso dos Planos de Urbanizao e dos Planos de Pormenor o perodo de discusso pblica deve ser anunciado com a antecedncia mnima de 5 dias e no pode ser inferior a 22 dias.2 . P a r t i c i p a o p b l i c a n o p r o c e s s o d e p l a n e a m e n t o m u n i c i p a l P g i n a 2 33. Governncia e participao: conceitos e metodologias3.1. CONCEITOS3.1.1. GovernnciaVisando dar uma resposta a estes novos desafi os, um leque de novas prticas polticas aparece nos interstcios das vrias camadas ins-titucionais do Estado e entre as instituies es-tatais e as organizaes da sociedade. As redes informais ganham expresso na Unio Europeia (UE), havendo especialistas que vo to longe ao ponto de caracterizar a UE como uma ex-perimentao de encontrar formas alternativas de desenvolver polticas pblicas (Hajer et al., 2003, 2). Na literatura diversos autores7 defen-dem a importncia destes acordos informais como sendo aqueles que produzem solues, ao contrrio das convenes, directivas ou de-cises autoritrias (Hajer et al., 2003, 1). Esta sociedade em rede (Castells, 1998) de maior fl uidez, caracterizada por um poder fragmen-tado e no por um poder concentrado, em que as instituies e organizaes devem partilhar objectivos, actividades, recursos e poder ou au-toridade para conseguirem ganhos colectivos e minimizar perdas (Bryson et al., 1992). A ideia est longe de ser a criao de mais governo, mas sim operar em rede de organiza-es, assumindo estas um papel crucial ao tra-zer para a mesa o debate aberto. Uma resposta a isto poderia ser conseguida atravs da criao e estruturao de fruns abertos promovendo a interaco de todos os interessados para o de-bate de ideias. Assiste-se pois, a uma democracia expan-siva (Warren, 92 in Hajer et al., 2003, 3) ca-racterizada por uma crescente participao () empurrando a democracia para alm das esferas polticas tradicionais e relacionando o processo decisrio com as pessoas que so afectadas (Hajer et al., 2003, 3). Continuamos a operar em contextos hierrquicos, embora estas estruturas tenham cada vez mais de competir e/ou mesmo enquadrar, processos abertos, invulgares e ad hoc que revelam uma capacidade notvel na resoluo de problemas e criam oportunidade de aprendizagem e mudana em circunstncias em que as instituies tradicionais formais fa-lham (Hajer et al., 2003, 3). Estes processos pre-tendem dar resposta nova realidade da socie-dade em rede, uma vez que as redes implicam fl uidez Hajer et al., 2003, 5).Novas instituies emergem caracteriza-das por serem fl uidas, em evoluo, em rede, e integram dilogo e inteligncia distributiva () mantendo uma interaco, aprendizagem e adaptao constante (Healey, 2000 in Hajer et al, 2003, 56). Nesta linha cabe aos especia-listas desconstrurem os refl exos intelectuais existentes e libertarem-se de padres tcitos de pensamento, repensando a governao, as po-lticas e a administrao luz destas mudanas nos processos sociais (Hajer et al., 2003, 2). nesta ordem de ideias que emerge um novo vocabulrio em contextos de polticas pblicas traduzindo novas prticas de entre as quais a Governncia assume um papel de rele-vo: pretende ser uma nova resposta para novas preocupaes, uma soluo diferente para pro-blemas especiais () atravs de formas menos autoritrias, hierarquizadas e formalizadas, das 3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 2 4quais se espera uma maior legitimidade e efi c-cia, mas tambm maior responsabilidade, parti-lha, coerncia, etc (Arago, 2005).Mas a governncia assume formatos varia-dos, dependendo da nfase que lhe dada: 1. a abordagem por critrio - converte os interesses dos cidados em critrios tc-nicos que se apoia em infra-estruturas hard do tipo de medidas polticas; 2. o modelo de empreendedorismo cons-tri consensos atravs de alianas ad hoc entre actores-chave - que se concen-tra em infra-estruturas soft, processos de construo de consensos; 3. a abordagem participativa - uma abor-dagem mais sistemtica para incluir membros das comunidades polticas, assegurando um espao que traz para o processo o leque de conhecimentos e valores das comunidades polticas e en-tre os stakeholders - que integra infra-estruturas soft e hard, com nfase na argumentao e debate e na construo de direitos no que se refere ao processo (Healey, 1998: 239-240).Todos estes formatos assumem (1) uma for-ma de democracia formal para a governncia em que os polticos so eleitos pelos cidados; (2) que por si s so insufi cientes para legiti-mar a relao entre a actividade do governo e a componente social e econmica; (3) todos pro-curam abrir os processos de governao para conseguir uma interaco mais contnua entre o governo, empresas e cidados (Healey, 1998: 239-240).Contextos de governncia colaborativa, en-corajam a formao de trs tipos de capital im-portantes para a sustentabilidade a longo prazo: (1) capital intelectual (recursos de conhecimen-to); (2) capital social (credibilidade e compre-enso social) que construdo pela interaco pessoal e (3) capital poltico (capacidade de agir colectivamente para desenvolver qualidades lo-cais e captar ateno externa e recursos) (Innes e Booher, 1999). Podemos pois analisar a cons-truo de capacidade de construo institucio-nal em termos de recursos de conhecimento, recursos relacionais e capacidade mobilizadora (Healey, 1998).Uma participao efectiva e expandida pode, se bem e profi ssionalmente conduzida, trazer mais-valias importantes ao processo de planeamento, de gesto territorial e ao desen-volvimento urbano, como tal, sendo a participa-o parte integrante da governncia, deve ser vista como um recurso imprescindvel s boas prticas neste campo de aco.Do ponto de vista terico as polticas urba-nas reposicionaram-se para reformular o deba-te sobre o poder comunitrio8 e distanciaram--se da representatividade poltica do dia-a-dia para uma preocupao com o protesto urbano e os movimentos sociais9 (Stoker, 1998). Mais, para compreender as polticas dum complexo sistema urbano necessrio posicionarmo-nos para alm da noo de poder como competn-cia para conseguir que um actor faa alguma coisa que no faria de outra maneira () numa sociedade complexa o acto de poder crucial a capacidade de criar liderana e uma forma de operacionalizar que permita que tarefas signifi -cativas sejam feitas10 (Stoker, 1998). Ainda no enquadramento destas teorias, uma delas argumenta que o sucesso da inter-veno implica um processo de aprendizagem colectivo para encorajar mudanas de compor-tamento e atitudes dos cidados empowering/capacitando-os e tornando-os agentes activos visando uma sociedade justa e sustentvel (Jo-nes, 2003), estes grupos podem constituir uma vantagem no sentido em que atravs da aco deliberativa da sua parte esto em posio de ganhar benefcios e bem estar para eles pr-prios11 (Downing et al., 1995).3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 2 57 James, Rosenau, Judith Innes, Jonh Dryzek.8 reformulated community power debate (Stoker, 1998).9 everyday representative politics to a concern with urban protest and social movements (Stoker, 1998).10 to understand the politics of a complex urban system it is necessary to move beyond a notion of power as the ability to get another actor to do something they would not otherwise do () in a complex society the crucial act of power is the capacity to provide leadership and a mode of operation that enables signifi cant tasks to be done (Stoker, 1998).11 groups may be advantaged in the sense that through deliberative action on their part they are in a position to gain benefi ts or welfare for themselves (Downing et al., 1995).Embora tradicionalmente o planeamento e desenvolvimento urbano tenham estado asso-ciados mais componente democrtica repre-sentativa e tecnocrata, tem muito a ganhar com a governncia colaborativa, e vice-versa, por ser uma rea de interface que coloca a nfase nas articulaes de conhecimentos e promoo de inter-relaes entre actividades e lugares. Expandindo a base de interesses dos espaos tradicionais de tomada de decises de que se focavam maioritariamente num leque restrito de interesses poderosos, se adequadamente estruturada, permite responder a um nmero maior de interesses por um lado, e por outro, conseguir integrar um leque mais abrangente de conhecimentos, gerando solues mais ino-vadoras, fundamentadas e sustentveis. Em Portugal temos assistido a um debate cres-cente sobre participao. Neste enquadramento tcnicas inovadoras bottom-up (e. g. construo de consensos, workshops participativos) tm vindo a ser adoptadas, pelo menos desde os anos 90, assegurando que entidades locais trabalhem em colaborao com o cidado, as organizaes comunitrias, ONG, empresas, sindicatos e outros actores locais visando chegar a acordos sobre ac-es, polticas e propostas. Esta tendncia no alheia s orientaes nas quais a Europa se enquadra. De facto, na perspectiva da criao de cidades mais sau-dveis, em que as directivas Europeias para a interveno urbana reclamam a construo de comunidades sustentveis (Bristol, 2005) estas comunidades so identifi cadas como diversi-fi cadas, refl ectindo caractersticas locais, no obedecendo a um padro defi nido e que tm de ter 8 caractersticas: (1) activas, inclusivas e seguras12 (2) bem administradas13, (3) bem re-lacionadas14, (4) bem servidas15, (5) ambiental-mente sensveis16, (6) bem sucedidas economi-camente17, (7) bem projectadas e construdas18, (8) justas para todos19 (Bristol, 2005, p. 6). 3.1.2. ParticipaoDa literatura, bvio que a participao ao longo dos tempos refl ecte grande ambivalncia sendo frequentemente assumido que pouco clara a sua contribuio, bem como, inconclusi-vo o formato que deve assumir (Day, 1997). Uma das razes para esta situao resulta da palavra participao ter sido usada para situaes mui-to dspares por pessoas diferentes, contribuindo para o esvaziamento do seu signifi cado. Tanto se pode chamar participao apenas a um processo informativo, onde o cidado apenas informado do que vai acontecer, por exemplo, como a um trabalho em grupo, em que as pessoas interagem e propem aces. Estes formatos diferentes de participao muitas vezes no so explicitados contribuindo para gerar a confuso na percep-FIG. 1 - COMUNIDADES SUSTENTVEIS Fonte Bristol, 2005Bem equipadas (infra--estruturas)Com bons ServiosJustas para todosActivas, inclusivas e segurasParticipadas e bem lideradasBem desenhadas e construdasAmigas do ambienteCriativas e InovadorasLugares onde as pessoas querem viver e trabalhar, agora e no futuro3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 2 6COMUNIDADESSUSTENTVEIS3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 2 7Sesses participativasEquipa WTeamup12 Fair, tolerant and cohesive with a strong local culture and other shared community activities.13 with effective and inclusive participation, representation and leadership.14 with good transport services and communication linking people to jobs, schools, health and other services.15 with public, private, community and voluntary services that are appropriate to peoples needs and accessible to all.16 providing places for people to live that are considerate of the environment.17 with a fl ourishing, diverse and innovative local economy.18 featuring quality built and natural environment.19 including those in other communities, now and in the future.20 Mais do que uma fase, um momento corresponde a um determinado objectivo da aco participativa.21 Estas entrevistas/inquritos podem inclusive ser feitas em perodos pr-workshop, por exemplo.22 No se trata propriamente de um plenrio, pois o trabalho desenvolve-se, regra geral, em vrias salas paralelas. No entanto nesta fase todos os participantes dentro da mesma sala colaboram.o do conceito, que assume com esta limitada rigorosidade um mbito demasiado lato.O facto que a participao e a democracia se interligam fortemente e no faz sentido falar numa sem considerar a outra. Se o planeamento for considerado uma forma de actividade polti-ca ento numa democracia ter necessariamen-te de considerar alguma forma de participao. Como torn-la relevante ainda est em debate e h posies diversas entre os especialistas, em-bora os defensores da participao considerem que quando esta efectiva h maior potencial de resposta ao interesse pblico.Em contextos participativos, no exerccio da profi sso os planeadores propem decises mas tm simultaneamente de integrar os desejos e pedidos dos cidados, o que exige formatos que se adeqem a alguma forma de equilbrio, re-presentando isto uma questo de liderana, organizao, alternativas, e sistemas de respon-sabilidade e confi ana (Day, 1997).Quer o nvel de cidadania, quer a intensida-de da participao esto fortemente ligadas ao tipo de democracia desejada. Formas mais de-liberativas de democracia exigem formatos de participao mais activos e interactivos (e. g. f-runs participativos), enquanto uma democracia mais representativa se coaduna com formatos de participao mais informativos e passivos (e. g. consulta).O exerccio de cidadania apoia-se em trs pilares o direito a saber, o direito a compre-ender e o direito de agir (Larsen, 2002). O tipo de democracia vigente revela-se por uma maior ou menor capacidade de os integrar e promover. Um crescente espao para cada um deles, con-tribui para um maior envolvimento dos cidados e uma democracia mais consolidada. Passaremos de seguida apresentao de algumas metodologias que podero ser teis na implementao dos conceitos anteriormente apresentados.Direitos reservados3.2. METODOLOGIASO leque variado e diversifi cado de metodo-logias existentes implica que, por razes de res-trio, sejamos aqui forados a dar uma sntese de uma metodologia ilustrativa no nos poden-do estender para aspectos de detalhe, por vezes de importncia vital para o sucesso dos proces-sos participativos. No entanto, procuraremos sempre que possvel, dar exemplos pontuais de boas prticas que possam ser inspiradores para quantos queiram trabalhar estas reas.3.2.1. Articulando actores e conhecimentoH hoje uma variedade de maneiras de es-truturar e conduzir a participao, tendo esta de se adaptar a situaes especfi cas apresen-tadas. Um conjunto de casos de estudo bem sucedidos inspirar metodologias de carcter mais interactivo e tem vindo a ditar as novas re-gras para processos de participao interactiva com potencial para assegurar resultados.Quanto mais complexo o problema a tratar mais no incio do processo decisrio deve ser assegurada a participao. Contrariamente aos processos de tomada de deciso tradicionais, o envolvimento de todos os stakeholders deve ser encorajado, para alm da mera participao institucional, para garantir que todos os interes-ses sejam trazidos para a mesa.Um conjunto de regras-chave deve tambm ser observado/cumprida tendo em vista um pro-cesso com sucesso: (1) envolvimento em fases iniciais do processo abrindo espao de debate e disponibilizando tempo para que os participan-tes compreendam o processo e a informao em circulao; (2) todos os stakeholders devem estar envolvidos para assegurar que todos os in-teresses so considerados; (3) a nfase deve ser colocada nos interesses em vez de insistir nas posies, para abrir o leque de opes possveis e facilitar a procura de solues colaborativas (Innes, 1995; Vasconcelos, 2001, 1997a, 1997b). Estas regras permitem, entre outras vantagens, a possibilidade do estudo/projecto/plano ser ajustado ao longo do processo. Simultaneamen-te, o foco no interesse permite ultrapassar o impasse frequentemente criado porque os en-volvidos se focam apenas na sua posio previa-mente assumida. Permite tambm que se crie a oportunidade de gerar solues inovadoras (Innes, 1995; Vasconcelos, 1997a), 1997b).Para o processo muito importante que seja conduzido por facilitadores externos, com-pletamente independentes, pois s assim pode ser assegurada uma facilitao isenta. Assim separado o poder de deciso do poder sobre a conduo do processo decisrio. Isto permite assegurar uma participao genuna de todos e o respeito pelas ideias sugeridas pelos partici-pantes.Um processo participativo inclui momen-tos20 especfi cos que se relacionam com o que se pretende trabalhar e com os resultados a atingir. No h necessariamente uma relao especfi ca entre estes momentos e as fases do processo de planeamento e gesto territorial, uma vez que um ou mais destes momentos po-dem fazer parte de qualquer das fases. De facto as metodologias so universalmente aplicveis a qualquer fase do plano, uma vez que esto intrinsecamente ligadas a resultados de din-micas de grupos, objectivos da aco e resul-tados esperados. A sua seleco est antes de-pendente dos resultados esperados da sesso e dos nveis desejados de interaco entre os participantes.Portanto, considerando as metodologias de participao no seu todo podemos identifi car os seguintes momentos de um processo participa-tivo baseado num workshop win-win:3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 2 9Direitos reservados3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 0(1) Coligir informao Nesta componente o foco principal incide so-bre a recolha da informao para o desenvol-vimento do Plano, que pode ser feita atravs de entrevistas/inquritos a actores-chave21 relevantes para o plano em desenvolvimento e/ou fruns participativos envolvendo enti-dades/indivduos a quem se destina o plano. Colige-se, assim, informao mais completa e diversifi cada por se abrir o leque de contribu-tos (e. g. identifi cao de um espao urbano uma praa que importante para o encontro dos mais velhos e portanto prever equipamen-tos que facilitem esse convvio). (2) Gerar ideias Uma componente crucial no desenvolvimen-to do Plano gerar ideias que podem vir a integrar o Plano, abrindo muitas vezes novas oportunidades e formas inovadoras de identi-fi car novas linhas estratgicas ou mesmo en-contrar solues mais inovadoras ou susten-tveis para problemas identifi cados (e. g. usar o exrcito e escuteiros no apoio limpeza dos matos nas fl orestas para evitar incndios).(3) Hierarquizar Quando h a gerao de muitas ideias e de-safi os, raramente h oramento que permita levar tudo avante, ento necessrio que os que geraram essas ideias e desafi os as prio-ritizem.(4) Construir uma viso importante criar uma ideia colectiva do que se pretende atingir com o Plano. Para isso essencial que se construa consensualmente com todos os participantes do processo par-ticipativo uma viso de futuro, uma espcie de meta consensual mas que fundamentar o imaginrio dos que colaboraram na sua cons-truo. Esta aspirao colectiva vir a enqua-drar as propostas do Plano, contribuindo para que o conjunto faa sentido para todos os par-ticipantes. (5) Desenvolver/avaliar propostas Desenvolver propostas tambm uma com-ponente da participao pblica que poder trazer ideias novas ou novas formas de solu-cionar difi culdades existentes. importante que se acorde sobre os critrios para seleccio-nar ou avaliar as propostas desenvolvidas. (6) Visualizar Um boa forma de comunicar as ideias/desafi os gerados pelos grupos aos outros participantes a visual (e. g. poster, PowerPoint, imagem, etc.) o que obriga a sintetizar a mensagem e constitui uma ajuda para memorizao e co-municao a outros participantes.(7) Informar/partilhar resultados/ concluses e encerramento. Alm do trabalho dos grupos tem de haver sempre perodos onde todos os participantes se encontram para poderem obter ou forne-cer informaes ou partilhar resultados dos trabalhos em subgrupo. Estes momentos tm que existir pelo menos no incio dos trabalhos, onde assumem um carcter mais informativo de como se vai prosseguir o trabalho, e quais so os objectivos e metodologia, e no fi m do trabalho quando se tiram concluses e se es-clarece o que se prev para o desenvolvimen-to ulterior.(8) Avaliar o processo Aps cada aco participativa imprescind-vel que os participantes avaliem o processo que se seguiu durante todos os trabalhos para que estes possam ser melhorados no futuro e resolvidos alguns problemas identifi cados pe-los participantes.3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 1(9) Assumir o compromisso Para assegurar a continuidade dos trabalhos aconselhvel criar formas dos participan-tes assumirem compromissos, quer fazendo parte de grupos de trabalho, quer responsa-bilizando-se por coligir alguma informao identifi cada como relevante, quer trazendo outros actores-chave para o processo.A seleco de quais desses momentos devem fazer parte do processo participativo a estrutu-rar resulta dos objectivos identifi cados para a(s)sesso(es).H tambm o que podemos denominar de momentos vazios que podem trazer mal-estar e impacincia aos participantes de um evento participativo (e. g. um workshop) como sejam os tempos de espera antes de iniciarem os tra-balhos (e. g. tempo de espera do representante que ir abrir a sesso). muito importante que estes perodos sejam pensados anteriormente de modo a envolver os participantes em algu-ma actividade que lhes preencha o tempo de espera e que simultaneamente possa ser im-portante como, por exemplo recolha de dados para o projecto. Isto permite envolver de forma pontual os presentes, criando ritmo na sesso logo desde o incio e permite aos participantes darem o seu contributo, manterem-se ocupa-dos e comearem a interagir com os outros. importante, no entanto que os resultados desta actividade no sejam base dos trabalhos que se seguem, visto que nem todos os participantes a fi zeram.As sesses de uma forma global obedecem sempre a uma lgica de formato que se repete. Inicia-se com todos para defi nir regras, objecti-vos e informar sobre o que se vai fazer a seguir, depois o grupo divide-se em grupos mais peque-nos para trabalharem mais em detalhe aspectos especfi cos, e fi nalmente volta a reunir-se para partilhar o trabalho feito.Equipa WTeamupEquipa WTeamupGruposOs grupos de trabalho podem organizar-se por dimenso, grupos de actores e temas. No que se refere dimenso os participantes podem ser encorajados a fazer mesmo uma refl e-xo individual e posteriormente a partilhar com todos as suas ideias. Este formato que considera apenas 1 elemento dever ser s usado em con-textos em que os participantes j estejam muito habituados a trabalhar juntos ou em reas de es-pecialidade em que os presentes so tcnicos da mesma.Num incio de um dia de trabalhos, se os parti-cipantes so mais ou menos desconhecidos, con-vm ento organiz-los aos pares 2 elementos numa primeira fase do trabalho pode ser a melhor possibilidade, at porque quebra o gelo inicial, permite uma interaco plena com o parceiro, e posteriormente na apresentao dos resultados permite que se sintam mais confi antes.Por experincia, sugerimos que se evite a uti-lizao de grupos de 3 elementos pois geralmen-te, um domina, um ouve e o terceiro dorme. Um grupo de 4-5 elementos um formato adequado para os participantes trabalharem em autonomia com um acompanhamento menos intenso de fa-cilitao. Todos interagem, existe uma massa cr-tica para uma interaco criativa e as sinergias fazem-se sentir.Dimenses de 6-10 elementos, exigem uma facilitao intensa, caso contrrio o grupo tem tendncia em se subdividir em grupos mais pe-quenos no havendo uma troca de ideias efectiva entre todos os membros mas apenas dentro dos subgrupos criados. Pode ser um bom formato se os participantes tiverem perspectivas muito dife-renciadas, mas tambm pode gerar-se facilmente confl ito se no tiverem um facilitador indepen-dente responsvel por conduzir o dilogo. Portan-to, neste caso, o trabalho de grupo assume uma forma mais estruturada e de facilitao intensa. Quando profi ssionalmente preparado e bem con-duzido pode chegar a resultados inesperados pois permite que os participantes partilhem ideias em oposio, que geralmente procurariam evitar. O facilitador, neste caso, responsvel pelo proces-so o que lhe permite em qualquer momento evitar uma escalada do confl ito. Portanto, criam-se con-dies para que os participantes se esclaream reciprocamente quanto s razes desses antago-nismos. Isto leva a um entendimento mtuo maior, promovendo o desenvolvimento de solues ino-vadoras.Grupos maiores que 10 elementos, sugere-se que se volte ao princpio e se opte por reparti-los em grupos mais pequenos. Refl exo individual (1 elemento) Trabalho em pares (2 elementos) Trabalho em grupo (3 elementos) Trabalho em grupo (4-6 elementos) Trabalho em grupo (6-10 elementos) Trabalho em grupo (> 10 elementos)Quanto composio, conforme o tipo de ac-tores-chave a envolver, podemos considerar as se-guintes alternativas: (1) grupos homogneos, isto o mesmo tipo de actor-chave e como tal de esperar solues mais especfi cas; (2) grupos mis-tos, juntando actores-chave diversifi cados, neste caso de esperar que as solues sejam menos especfi cas mas que apaream solues inovado-ras pois este formato permite cruzar conhecimen-tos que geralmente no se cruzam; (3) por temas, permitindo aos participantes que se inscrevam no seu tema de preferncia, podendo contribuir para algo que j refl ectiram e provavelmente j tm de-senvolvido/acumulado conhecimentos a partilhar e portanto tm maior motivao e envolvimento; (4) por sorteio, neste caso os grupos so consti-tudos de forma completamente aleatria, o que particularmente adequado a contextos em que h uma grande desconfi ana mtua entre os par-ticipantes e portanto assegura-se a percepo dos participantes de que os grupos foram constitu-dos sem qualquer ideia pr-concebida.3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 2 Pr-determinado: grupos homogneos (actores) Pr-determinado: grupos mistos (actores) Por interesse temtico dos participantes (escolha) Por sorteioO local deve tambm ser escrupulosamente escolhido. Deve ser um local neutro que no seja visto como a casa de uma das partes, especial-mente se houver alguma controvrsia sobre a questo a ser debatida. Do ponto de vista logs-tico deve ter a possibilidade de uma sala grande onde caibam todos os participantes e de salas mais pequenas para que possam alojar os subgru-pos que se formarem. As mesas e cadeiras devem ser amovveis para se poderem formar facilmente grupos de trabalho.O facilitador, especialmente em caso de con-trovrsia, deve ser um elemento independente do contexto, no entanto, para casos de trabalho, inclusive do dia a dia, onde h uma boa relao entre os envolvidos pode at ser um membro de um dos grupos de actores.3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 3Equipa WTeamupEquipa WTeamupGruposTTTTCCCC EEEESALA 2SALA 4SALA 3Os actores participantesso agrupados por tipode actorMISTOSPTCE PTCEPTCE PTCESALA 1 SALA 2SALA 3 SALA 4Os actores participantesso misturados aleatoriamenteTEMTICOS PTCE PCCTPEEC PPTTSALA 3SALA 1 SALA 2SALA 4Os actores participantesinscrevem-se por temP - Poltico;T - Tcnico; C - Cidado; E - EmpresrioFIG. 2 - GRUPOS DE TRABALHO aHOMOGNEOSPPPPSALA 13.3. WORKSHOP WIN-WIN UMA SINOPSE Um workshop win-win prev sempre uma sesso de abertura que antecede o efectivo de-senvolvimento de trabalhos do workshop pro-priamente dito. Nesta fase preliminar, assegura--se o espao para que entidade ou entidades de relevo local possam dar as boas vindas aos par-ticipantes e fazer os discursos que achem conve-nientes. Uma vez terminada esta fase entra-se no perodo dos trabalhos do workshop, mais pro-priamente no plenrio inicial do workshop.Um workshop participativo tipicamente constitudo por fases em que todos os participan-tes se renem, alternadas com outras fases em que estes participantes se subdividem em grupos mais pequenos. Os plenrios, correspondentes reunio de todos os participantes na mesma sala podem ser iniciais, a meio do processo, ou fi nais. Quando os plenrios so iniciais, podem ser utilizados para fomentar uma partilha de infor-mao temtica entre a entidade organizadora e os participantes visando a criao de um nvel de conhecimentos mais equilibrado ou para a in-formao sobre as regras de trabalho. Quando se realizem no fi m do evento podem servir para a apresentao dos trabalhos de vrias salas que trabalharam em paralelo, e como sesso de avaliao, agradecimento e encerramento. Se o workshop tiver um perodo mais alargado po-dero introduzir-se plenrios alternados com os trabalhos de grupo, permitindo um intercmbio de ideias ou um ponto de situao. Uma vez ter-minado o plenrio pode voltar a repartir-se no-vamente os participantes por subgrupos (iguais ou diferentes) e a reuni-los novamente no fi nal para partilhar os trabalhos desenvolvidos nos subgrupos.3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 4Equipa WTeamupPreliminares do workshop registo de participantesEquipa WTeamupPlenrio inicial e actividade pr-workshop Equipa WTeamupEquipa WTeamupEquipa WTeamupUm workshop win-win tem quatro fases es-senciais:1 PRELIMINARES DO WORKSHOP. Fase em que a equipa facilitadora e a equi-pa do plano se encontram para defi nirem o nmero de participantes, as tipologias de actores-chave a envolver, os objectivos para a sesso e os produtos esperados da aco. Nesta fase estrutura-se a metodologia e esta-bilizam-se os aspectos operacionais.2 PR-WORKSHOP. Corre no dia do workshop e inclui toda a actividade antes do mesmo comear: por um lado a componente mais operacional (fi chas de presenas, pastas a distribuir aos participantes, etc.) e por outro lado a acti-vidade delineada para esta fase que possa manter activos os que chegam mais cedo e ser ao mesmo tempo um meio de reco-lher informao complementar para o pla-no, actividade essa que deve permitir ser interrompida a qualquer altura, ou seja, no momento em que comea a sesso de aber-tura do workshop. Esta actividade tem a vantagem de funcionar como almofada para atrasos que por vezes so difceis de prever e ao mesmo tempo inicia logo o en-volvimento dos participantes e encoraja a interaco.3 WORKSHOP WIN-WIN.Propriamente dito inclui geralmente:Fase da gerao de ideias (pares) Os participantes trabalham dois a dois para gerarem propostas/ideias para a resoluo dos problemas e desafi os inerentes ao tema da sesso (e. g. Como resolver problemas de mobilidade num concelho?).Fase da apresentaodas ideias geradas (pares) As propostas/ideias so apresentadas a todos os outros participantes da sala e esclarecidas caso seja necessrio. Fase da agregao de ideias idnticas (cola-borao de todos)22 As propostas/ideias apresentadas so agregadas de acordo com as suas seme-lhanas em nuvens/clusters. Nesta fase o facilitador deve esclarecer os partici-pantes dos perigos de uma agregao demasiadamente forte ou fraca, ou seja, nesta fase deve prevalecer o bom sen-so para que no se agregue tudo ou se separe tudo. De qualquer maneira s se agregam propostas/ideias com o con-senso de todos os participantes da sala.3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 53 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 6Fase da prioritizao dos clusters(colaborao de todos) Uma vez apresentadas e agregadas as propostas/ideias de todos os grupos os participantes procedem sua prioriti-zao, utilizando pontos autocolantes tipo votos, por exemplo. Escolhem-se assim os clusters mais relevantes na perspectiva actual dos participantes em cada sala. As propostas/ideias com mais votos so escolhidas para serem traba-lhadas mais em profundidade. Fase de aprofundamento (grupos de 4 a 5 elementos) Nesta fase os participantes renem-se em grupos de 4 a 5 elementos e, em conjunto, trabalham mais em profun-didade a proposta seleccionada. Para estruturar estes trabalhos a equipa de facilitao elaborou previamente com a equipa local de coordenao uma fi -cha de trabalho simples. Assim evita-se que os participantes nos seus grupos percam tempo para consensualizar o modo de trabalho do sub-grupo. As fi -chas de trabalho podem considerar, por exemplo, as seguintes vertentes: ttulo do projecto; caracterizao sucinta do projecto proposto; inventariao das barreiras sentidas para a implementa-o do projecto proposto; indicao de pistas de como ultrapassar essas bar-reiras; inventariao de quem envolver; quaisquer outros aspectos relevantes para o plano.Fase da visualizao dos resultados Encorajar os participantes a criar uma forma de visualizao dos resulta-dos dos trabalhos do grupo visando a apresentao posterior em plenrio, permitindo que o porta-voz escolhi-do consiga transmitir a mensagem do grupo de forma mais efi caz. Os grupos, depois de uma resistncia que algumas vezes demonstrada inicialmente, ul-trapassam facilmente esta resistncia e chegam muitas vezes a ser bastante criativos. Esta visualizao coloca-da numa perspectiva de marketing sugerindo aos participantes que, com certeza, querem que a sua proposta se destaque entre todas as outras elabo-radas pelos grupos na mesma sala bem como por todos os grupos em todas as salas, portanto tm de a explicar de for-ma apelativa aos outros participantes no plenrio. Por outro lado, permite ao porta-voz de cada grupo ter um suporte fsico para poder falar mais facilmente sobre o trabalho do grupo.Agregao, prioritizaoEquipa WTeamupEquipa WTeamup3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 7Centro de Estudos sobre Cidades e Vilas Sustentveis - CECVS) Equipa WTeamupPlenrio fi nalFase de apresentao em plenrio O plenrio permite que todos os partici-pantes que trabalharam em subgrupos na fase anterior se possam inteirar do que foi conseguido e debater assuntos de interesse para todos. Ainda no plenrio, este poder ter uma componente do assumir de compro-misso dos participantes atravs, por exemplo, de uma inscrio em grupos de trabalho temticos, o assinar de uma contratualizao entre todos para o se-guimento dos trabalhos, etc. Fase da avaliao No fi nal deve haver sempre uma avalia-o da forma como o processo decorreu o que permite avaliar se foi ao encontro das expectativas de quem participou. Esta fase permite tambm recolher su-gestes e comentrios para outras ac-es posteriores.4 PS-WORKSHOP Numa fase posterior tudo o que os participan-tes trabalharam durante o evento rene-se num relatrio que dever circular por todos os participantes no perodo de uma sema-na a dez dias, posterior ao workshop, e ser corrigido com as sugestes dos participantes. Sempre que possvel sugere-se que o relatrio fi nal seja disponibilizado ao pblico em geral (e. g. disponibiliz-lo na internet). Este relat-rio dever ter registado todos os contributos dos participantes sem qualquer interpretao ou avaliao, meramente descritivo. Servir como memria de grupo para apoio continu-ao dos trabalhos. 3 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 8Centro de Estudos sobre Cidades e Vilas Sustentveis - CECVSTorres Wshp13 . G o v e r n n c i a e p a r t i c i p a o : c o n c e i t o s e m e t o d o l o g i a s P g i n a 3 9PROTTIPO WORKSHOP WIN-WINPLENRIO ENCERRAMENTOPLENRIO DEBATEG1 G2 G3G1 G2 G3RELATRIO*Os Grupos de Trabalho da primeira fase (G1)no tm que ser necessariamente os mesmosda segunda fase (G1) PS-WORKSHOPACOLHIMENTO/PRELIMINARES PLENRIO DE ABERTURAPR-WORKSHOPGerao de ideiasApresentao de ideias Agregao de ideiasPrioritizaoAprofundamentoVisualizao dos resultadosTrabalho em Grupos*Trabalho em GruposApresentao em Plenrio 4. EXEMPLOS Rosrio OliveiraRosrio OliveiraO s estudos de caso que se apresentam de seguida pretendem ilustrar alguns exemplos de processos participativos que te-nham contribudo para o sucesso de iniciati-vas no mbito do planeamento e desenvolvi-mento urbano. Com o objectivo de apresentar resultados e lies aprendidas que possam ser teis a diferentes actores e propsitos, optou-se por incluir casos nacionais e internacionais, com abordagens a diferentes escalas e em dis-tintos contextos histricos, sociais, culturais e econmicos. 4.1 Amesterdo uma referncia A mesterdo tem uma longa tradio de planeamento estratgico desde o sculo XIX, especialmente no que se refere ao desenvol-vimento fsico, tanto relativamente cidade pro-priamente dita, como em relao regio envol-vente. Esta tradio justifi ca-se pela necessidade de gerir um territrio com uma rea limitada e que, em parte foi conquistada ao mar, sendo de destacar um dos planos estratgicos mais reco-nhecidos internacionalmente elaborado em mea-dos dos anos 30 do sculo XX. Esta tradio de planeamento acompa-nhada por uma relao forte entre a ocupao do solo e uma cultura de governncia que tem vindo, de forma continuada, a estabelecer a ar-ticulao entre polticas programas e projectos apesar de possveis confl itos entre os departa-mentos ministeriais. O resultado desta prtica de orientao estratgica resulta de um processo poltico interactivo que envolve os trs nveis de governao nacional, regional e local.Processo Nos anos 70 as comunidades tcnico-polti-cas assumem acordos estratgicos em que so defi nidos os projectos, as suas agendas, as for-mas de fi nanciamento e os critrios a considerar nos processos regulamentares. Este tipo de acor-do e os conceitos a ele inerentes so consolida-dos nos instrumentos de planeamento nos trs nveis de governao.Nos anos 80 surgem novas ideias acerca da organizao e imagem da cidade como resulta-do de novas relaes que se estabeleciam entre o governo e os cidados, reforando diferentes formas de colaborao na construo de capaci-dade para tornar Amesterdo competitiva a nvel nacional e internacional.Em 1990 estas novas relaes passam a esta-belecer-se entre o sector pblico e o sector priva-do onde se enfatiza uma coordenao e concer-tao horizontal, no desprezando os compromis-sos j estabelecidos com a comunidade poltica, mas passando o sector privado a desempenhar um papel mais relevante no desenvolvimento e implementao de projectos urbanos.A partir de 2000 ganham expresso novos conceitos de espao e lugar, como resposta a uma populao urbana extremamente densa e expanso da rea de infl uncia de Amesterdo a uma escala sub-regional. Ainda que essa opo tenha sido o resultado do consenso conseguido atravs de uma coordenao poltica e tcnica num processo de governao multinvel, come-am a surgir diferentes processos de governn-cia nos novos distritos envolvidos pela expanso urbana. Resultados O processo de planeamento do territrio tor-nou-se progressivamente mais complexo, sendo actualmente mais difcil o processo de estabele-cimento de consensos. Contudo, as aces que esto a ser promovidas para a construo de novas alternativas benefi ciam de uma cultura de governncia j existente, ainda que o Conselho 4 . E x e m p l o s P g i n a 4 2a para o planeamento urbano estratgicoMunicipal23 reconhea a necessidade de criao de novas plataformas de negociao mais fl uidas e informais.Lies aprendidasA existncia de espao para uma boa articu-lao entre o Conselho Municipal e os cidados favoreceu a construo de uma cidade que hoje se assume com uma identidade prpria e um lu-gar cosmopolita e multicultural. A construo desta cultura participativa poder ter tambm contribudo para que o prprio governo tenha re-conhecido a necessidade de substituir um modelo de planeamento muito fundamentado em opes tcnicas que foram evoluindo ao longo do tempo, por uma nova forma de pensar e governar a ci-dade mais fl exvel por um lado, mas que se torna mais exigente quanto capacidade de coordena-o e de integrao dos ecos das novas formas de governncia difusas que emergem de diferentes sectores geogrfi cos e de actividade. Amesterdo encontra-se assim num perodo transformativo em que tanto o governo como o sector privado e a sociedade civil se envolvem na construo de um novo conceito de cidade que reconhece a neces-sidade de estratgias espaciais, tendo as polticas que refl ectir essas mesmas estratgias.Rosrio OliveiraAmesterdo4 . E x e m p l o s P g i n a 4 323 City Council. 4.2 Detroit collaborative design center D etroit era uma cidade com cerca de 2000 habitantes em 1950 em que a tipologia mais frequente era a habitao unifamiliar, ocu-pando uma rea de 138 milhas quadradas. Esta rea superior rea de Boston, S. Francisco e Manhattan no seu conjunto. Ao longo do tempo muitas destas habitaes foram abandonadas e por vezes demolidas. A reconstruo ou a reocu-pao dos vazios urbanos implicou a reorganiza-o do crescimento da cidade para chegar aos n-veis demogrfi cos iniciais, e no tomou em consi-derao o padro social, tnico ou econmico do perodo em que esse tecido urbano se consolidou. Tambm a escala da cidade, a escala dos proble-mas, a escala dos espaos abandonados so de uma enorme complexidade. Assim, a reconstru-o da cidade teve de atender em simultneo macro e micro escala.O Detroit Collaborative Design Center um centro de investigao aplicada multidisciplinar nas reas da arquitectura e design orientado para o desenvolvimento social e urbano escala do bairro. O Centro responsvel pela utilizao do design como meio de valorizar e dignifi car as pessoas, no sentido individual e colectivo, e tem a fi gura jurdica de organizao sem fi ns lucrativos. A sua interveno baseia-se na promoo da co-laborao entre as organizaes comunitrias, o governo local e os investidores privados que con-frontam as realidades sociais, econmicas e pol-ticas que contriburam para a degradao fsica e urbana de Detroit.Processo O Centro de Design Colaborativo trabalha com estudantes, profi ssionais de design e de arquitec-tura escala local e com as organizaes de de-senvolvimento comunitrio de modo a promover a liderana e a promoo de um design de quali-dade. A sua interveno conta j com mais de dez anos, em que colaborou com aproximadamente 80 organizaes sem fi ns lucrativos de quase to-dos os sectores de Detroit. O processo inclui: Uma abordagem participativa arquitectura, urbanismo e design grfi co Promoo da educao como reforo da capacidade de reconhecer e defi nir formas sustentveis na criao de ambientes urbanos. Desenvolvimento da construo de ambientes urbanos atravs da investigao aplicada, analtica e apoio legal.ResultadosCom base num processo de participao da comunidade em conjugao com as mais avan-4 . E x e m p l o s P g i n a 4 4r amplifying the diminished voiceadas tecnologias de design, este Centro pro-duz projectos que respondem s preocupaes e necessidades locais, o que fez com que j lhe tivessem sido atribudos diversos prmios pela excelncia do design e j tivesse sido referido em inmeras publicaes.Cada projecto envolve todos os parceiros residentes (sem olhar sua condio econmica, etnia ou religio), estudantes, representantes do cliente, destinatrios, construtores, designers e outras partes envolvidas. Todos so considerados na medida em que podem contribuir com as suas vises e conhecimentos particulares, o que se re-vele fundamental para o sucesso do projecto. Lies aprendidasAtravs de um envolvimento activo da comu-nidade local, o design refl ecte necessariamente as necessidades e expectativas de todos quantos so envolvidos. Para alm disso, permite criar e partilhar responsabilidades que se baseiam na compreenso do projecto como um todo e nas exigncias necessrias ao sucesso da sua imple-mentao. Contudo, este processo participativo e colaborativo no implica necessariamente um consenso, mas permite que sejam ouvidas e inte-gradas todas as opinies que se revelam volta da mesa.PBExemplo de interveno do DCDC4 . E x e m p l o s P g i n a 4 5 4.3 Cova da Moura A Cova da Moura, no concelho da Amado-ra, rea Metropolitana de Lisboa, um bairro auto-construdo, multi-tnico e que sur-ge na segunda metade dos anos 70 ocupando terrenos privados ilegalmente. Surge no pero-do ps-25 de Abril, quando aconteceu o regres-so das populaes portuguesas que at ento viveram em territrios africanos, na altura da independncia das colnias portuguesas. Ainda que de incio fosse essencialmente um improvi-sado de habitaes precrias para dar resposta s famlias que regressavam e que no encon-travam alojamento num mercado habitacio-nal praticamente inexistente, rapidamente se consolida medida que os seus residentes vo tambm estabilizando a sua situao socioeco-nmica. As redes sociais geradas so complexas e servem de suporte aos seus residentes (e. g. frequente a inter-ajuda entre os residentes na construo e melhoria das condies habitacio-nais). Ao longo dos tempos, estas vo, no s gerar um associativismo local forte, mas tam-bm apoiar-se nele.Em 2006 um dos trs bairros selecciona-dos para ser intervencionado no mbito do pro-grama Bairros Crticos24 que aposta na inova-o atravs de um interveno socioterritorial participada25 em localizaes com factores de vulnerabilidade. Este programa, de iniciativa governamental, privilegia abordagens que pro-movam o envolvimento directo dos diversos actores-chave. Processo O programa Bairros Crticos traz consigo a possibilidade de explorar novas formas de go-vernncia, ao privilegiar um modelo decisrio participado, concretizado num painel de actores locais investidos de poder de deciso. desta maneira que se articula o modelo tradicional e piramidal de deciso (de cima para baixo) com os processos de ordem mais informal (de baixo para cima).De facto, este Grupo de Parceiros Locais (GPL)26 constitui a alma de um processo cola-borativo que culmina com a proposta de um pla-no de aco e de um modelo de gesto desen-volvidos durante a primeira metade de 2006. Todo o processo acompanhado por um grupo interministerial27, sendo a coordenao mais directa da responsabilidade do Instituto Nacio-nal da Habitao28 sob a gide da Secretaria de Estado de Ordenamento do Territrio e das Cidades. O GAT29 apoia-se em metodologias interac-tivas de 3. gerao30 recorrendo a uma facilita-o externa e profi ssional ao longo de 12 fruns participativos. Isto permitiu um trabalho genui-namente colaborativo entre os vrios actores-chave, isento e em p de igualdade, concentra-do nos contedos. Assim, desenvolveram-se em conjunto um diagnstico e um SWOT participa-dos, um plano de aco e um modelo de gesto. Todos estes documentos so posteriormente contratualizados sem quaisquer alteraes entre 4 . E x e m p l o s P g i n a 4 6 participao e capacitao na interveno socioterritorialos parceiros locais e o governo. Os trabalhos de-senvolvidos nos fruns foram sendo integrados e articulados pela equipa de projecto31 na do-cumentao que se foi produzindo ao longo de todo o processo. Estes documentos foram cons-tantemente revistos pelos membros do GPL, ou seja, no foi elaborado qualquer documento fi nal sem o consentimento unnime do GPL.ResultadosPara alm dos documentos tcnicos pro-duzidos ao longo do processo, os fruns con-triburam para a capacitao dos participantes construindo capital intelectual no sentido de Cova da MouraAna Mascarenhas, Equipa WTeamup4 . E x e m p l o s P g i n a 4 723 Iniciativa Operaes de Qualifi cao e Insero Urbana de Bairros Crticos.24 Cova da Moura, Vale da Amoreira e Lagarteiro.25 Com 26 representantes de instituies da administrao local e central, de associaes locais e de outras entidades a actuar no bairro.27 Sete Ministrios.28 Actualmente IHRU Instituto da Habitao e da Reabilitao Urbana.29 Grupo de ApoioTcnico equipa tcnica que lidera a interveno socioterritorial.30 Win-win Ganho Mtuo.31 GAT. novo conhecimento, capital social, fortalecendo redes (e. g. houve participantes que reportaram que as reunies de trabalho tambm estimula-ram encontros entre eles) e capital poltico, no sentido de infl uncia na deciso.A dinmica criada pela participao e co-laborao dos intervenientes resultou numa maior expresso dos contributos gerados nas sesses de trabalho enriquecendo os resultados e respondendo a uma diversidade mais alarga-da de preocupaes.A riqueza e sucesso deste processo podem ser avaliados atravs da construo de diferen-tes tipos de capital: 4 . E x e m p l o s P g i n a 4 8 social - criando redes, parcerias e coli-gaes (e. g. os participantes reportaram que com a nossa presena no terreno as relaes e interaco entre eles, e entre eles e outros se intensifi caram); intelectual - gerando novo conhecimen-to (e. g. foi construda colaborativamente uma viso conjunta para o futuro do bair-ro e os participantes desenvolveram uma compreenso mtua das perspectivas dos vrios agentes envolvidos) poltico - assegurando a capacitao de agir e infl uenciar a deciso (e. g. foi evi-dente a apropriao do processo pelos participantes, que se foram gradualmente envolvendo at nos aspectos organizati-vos das reunies; e a internalizao das regras das metodologias usadas, exigin-do mesmo aps o GAT ter terminado os trabalhos, que estas fossem observadas a quando das reunies de negociao pos-teriores, assegurando que todos tinham a mesma oportunidade de interveno. institucional o emergir de uma nova instituio agregando as 4 associaes locais: a Comisso de Bairro evidencia uma genuna capacitao criada (Vascon-celos, 2007; Vasconcelos, 2008).Atravs de um envolvimento activo da co-munidade local, o design refl ecte necessaria-mente as necessidades e expectativas de todos quantos so envolvidos. Para alm disso, per-mite criar e partilhar responsabilidades que se baseiam na compreenso do projecto como um todo e nas exigncias necessrias ao sucesso da sua implementao. Contudo, este processo participativo e colaborativo no implica neces-sariamente um consenso, mas permite que se-jam ouvidas e integradas todas as opinies que se revelam volta da mesa.Lies aprendidasOs planos, projectos e estudos implicitamen-te advogam solues cada vez mais dirigidas aos cidados e desenvolvidas com os mesmos. Simultaneamente, o prprio enquadramento legal e normativo tem exigncias crescentes de integrar a participao activa no desenvolvi-mento destes instrumentos. Um processo como o acima descrito permite que os participantes se revejam nas solues trabalhadas pelos prprios e enriquecidas com o contributo de todos. A cidadania responsvel implica, neces-sariamente, uma interveno mais directa dos actores-chave locais na deciso, como aqui se reporta.Ana Mascarenhas, Equipa WTeamupCova da MouraGoogle mapsGoogle maps 4.4 Requalifi cao do Rossio de LeA interveno de requalifi cao urbana e ambiental na Cidade de Leiria abrangeu uma rea aproximada de 119 hectares, compre-endendo as margens do Rio Lis e a Zona Hist-rica da Cidade. No primeiro caso Sistema Rio pretendeu-se a integrao do rio e da sua en-volvente na cidade de Leiria, devolvendo ao Rio o seu papel histrico, como elemento decisivo para o crescimento da urbe e suporte estrutu-ral da prpria cidade. Foram criados percursos pedonais e ciclovias, zonas verdes, zonas de estada, de recreio e lazer, e constitudas liga-es entre as duas margens, atravs de pontes pedonais, concretizando-se um extenso con-tnuo verde pedonal. No segundo caso Zona Histrica foi prevista a valorizao e requali-fi cao do Espao Pblico com o aumento de ruas pedonalizadas e a colocao de mobilirio e equipamento urbano, bem como a iluminao cnica do Castelo. neste contexto, aproveitando o momento e as sinergias criadas pelas demais interven-es de requalifi cao e de valorizao no m-bito de investimentos provenientes de outras entidades, pblicas ou privadas, que se insere a obra de requalifi cao do Rossio de Leiria, cujo carcter, localizao e impacto na imagem da cidade foi determinante para um processo de participao pblica na defi nio das solues adoptadas.Processo A rea de interveno onde se insere o Ros-sio est integrada no Plano de Pormenor de Leiria Centro cujo processo de Discusso P-blica foi determinante para a caracterizao do projecto a desenvolver para esta rea. Assim, estando inicialmente previsto para o Centro de Leiria um desnivelamento da via que atravessa a cidade no sentido Norte-Sul, na zona do Lar-go 5 de Outubro e Jardim Lus de Cames, na sequncia do processo de Discusso Pblica do Plano de Pormenor de Leiria Centro que se es-tabeleceram, por deliberao da autarquia, os princpios que deveriam orientar a soluo vi-ria fi nal para esta zona da interveno Polis em Leiria. Em paralelo com o processo de Discus-so Pbica e tambm no mbito do Programa Polis funcionou, para emisso de parecer sobre os IGT a executar neste mbito, uma Comisso Local de Acompanhamento cuja constituio, defi nida pela Cmara Municipal, congregou as vrias foras vivas da cidade de mbito poltico, corporativo e associativo representando a cida-dania, a cultura e o empreendedorismo socioe-conmico da cidade.ResultadosA Discusso Pblica que decorreu em Lei-ria foi a mais participada de sempre em matria de IGT, com excepo naturalmente da relativa 4 . E x e m p l o s P g i n a 5 0Leiriaao PDM. As vrias posies tomadas quanto ao Plano de Pormenor Leiria Centro, quer nos pareceres da Comisso Local de Acompanha-mento, quer nas opinies recolhidas no mbi-to da Discusso Pblica, levaram a autarquia a solicitar um parecer externo ao CESUR sobre a soluo de reestruturao viria para o Centro de Leiria, cujas concluses recomendaram a no execuo da soluo desnivelada e a manu-teno do condicionamento virio no centro de Leiria. Em consequncia, procedeu-se s altera-es necessrias daquele Plano de Pormenor e foi desenvolvido um projecto de tratamento do espao pblico que contemplou as orientaes defi nidas.Lies aprendidasOs processos de participao pblica nas decises administrativas que afectam os cida-dos devem ser incentivados com uma forte componente de esclarecimento e de divulgao das solues, devidamente fundamentadas em estudos credveis.A opinio corrente do cidado baseada numa ideia preconcebida ou numa interpretao defi citria dos contedos tcnicos das solues apresentadas pode de forma irreversvel adiar decises fundamentais para uma comunidade, sem que os interessados se apercebam da falta de viso que a sua legtima opinio encerra.Antes da intervenoDireiros reservadosAps a interveno4 . E x e m p l o s P g i n a 5 1 4.5 Plano Municipal de Ambiente de Torres O Plano Municipal de Ambiente (PMA) de Torres Vedras surgiu da necessidade de dar resposta ao desafi o de integrar o Ambiente nos processos de desenvolvimento, lanado na Conferncia das Naes Unidas para o Ambien-te e Desenvolvimento, realizada em 1992 no Rio de Janeiro. O PMA, realizado entre 1999 e 2001, apoiou-se num processo intensamente partici-pado e mobilizador, como atesta a sesso fi nal de apresentao do plano que contou com 130 participantes (14 de Julho de 2001).Independentemente de todos os documentos de carcter tcnico-cientfi co elaborados pela equipa32 do Departamento de Cincias e Enge-nharia do Ambiente da FCT33 da Universidade Nova de Lisboa, o processo participativo acom-panhou, contribuiu e validou esses documentos, permitindo inclusive ajustes mais adaptados realidade local. O processo participativo apoiou--se em seis workshops intensamente participa-dos pelos actores locais (Tabela 2): Processo O processo participativo do PMA de Torres Vedras estruturou-se em seis workshops e uma sesso fi nal de apresentao. Numa sesso ini-cial os participantes trabalharam em conjunto para identifi car os vectores estratgicos a abor-dar, prioritizando-os para seleccionar os mais re-levantes a serem trabalhados aprofundadamente nas sesses seguintes. Os vectores estratgicos seleccionados nesta primeira sesso originaram os cinco workshops temticos (ver Tabela 2). Os workshops temticos permitiram aos parti-4 . E x e m p l o s P g i n a 5 2Workshop global5 workshops temticos1 sesso fi nal apresentao do PMATABELA 2Workshops participativos no mbito do Plano Municipal de AmbienteTORRES XXI - OS PRINCIPAIS DESAFIOS AMBIENTAIS (62 participantes)Resduos Slidos (Entulhos, Sucatas, Outros)- Como Intervir ? (30 participantes)Agro-Pecuria e Ambiente - Como Compatibilizar? (24 participantes)Linhas de gua Despoludas e Saudveis - Como Conseguir ? (31 participantes)Educao Ambiental - Como Alargar?(41 participantes)Ordenamento do Territrio Ambientalmente Sustentvel - Como Actuar? (39 participantes)TORRES XXI - O Plano de Aco Rumo ao Desenvolvimento Sustentvel (130 participantes)Fonte: Relatrio da Sesso Final de Apresentao do PMA (www.cm-tvedras.pt).Na sesso fi nal de apresentao foram mesmo reconhecidos os participantes34 que acompanharam um maior nmero de sesses (4 dos 6 workshops). 18 Dez 199926 Fev 200011 Mar 20008 Abril 20006 Maio 20003 Junho 200014 Julho 2001 Vedrascipantes debater as problemticas e potencia-lidades associadas a cada temtica, contribuir com os seus conhecimentos para a resoluo de problemas e identifi car parcerias imprescindveis a considerar. O trabalho desenvolvido nestas ses-ses foi incorporado nos documentos do PMA que foi entregue em 2001.Em Abril de 2005, optou-se por conduzir uma avaliao e balano da implementao do PMA, para reactivar o processo de concretizao deste plano procurando: (1) dinamizar o processo participativo da sociedade civil e dos vrios acto-res institucionais na implementao do plano; (2) avaliar e fazer o balano da implementao do PMA; (3) assegurar a colaborao com a Cma-ra Municipal na estratgia de implementao de projectos e aces especfi cas; (4) estabelecer um conjunto de indicadores sobre o Ambiente e Qualidade de Vida no Concelho, para monitori-zao futura da evoluo da situao ao longo do tempo (www.cm-tvedras.pt). Este processo de avaliao apoiou-se, mais uma vez, em metodo-logias participativas, tendo contado com vrios workshops temticos. ResultadosIndependentemente dos documentos tcni-cos entregues no mbito do PMA, o processo, intensamente participado, teve repercusses nos participantes que infl uenciaram mudanas na forma de pensar, de actuar ou mesmo aquisi-o de novo conhecimento. De facto, entrevistas a participantes das sesses participativas de-Centro de Estudos sobre Cidades e Vilas Sustentveis (CECVS)Torres Vedras4 . E x e m p l o s P g i n a 5 332 Centro de Cidades e Vilas Sustentveis.33 FCT Faculdade de Cincias e Engenharia do Ambiente.34 Antnio Esprito Santo (Presidente da Junta de Freguesia do Ramalhal); Carlos Teixeira (Gabinete de Apoio Tcnico de Torres Vedras); Jacinto Leandro (Presidente da Cmara Municipal de Torres Vedras); Jos Vale Paulos (Vereador da Cmara Municipal de Torres Vedras); Helena Martins Lopes (Associaode Proteco dos Animais de Torres Vedras); Ruy Moura Guedes (Grupo dos Amigos deTorres Vedras).monstraram como um processo desta natureza infl uencia outros aspectos mais ligados a atitu-des e comportamentos para alm dos resulta-dos instrumentais.A ttulo ilustrativo apresentamos algumas ci-taes retiradas de entrevistas efectuadas aps o processo participativo no mbito do PMA de Torres Vedras (Henriques, 2002).Lies aprendidas bvio, atravs do que se acabou de referir que: (1) h uma apetncia ao nvel da sociedade de ter uma interveno mais activa nos proces-sos de construo do seu prprio futuro, que no se acaba apenas no exerccio de participao atravs da votao; (2) que processos mais in-teractivos e estruturados, recorrendo a metodo-logias adequadas, do hiptese e oportunidade de todos se articularem, colaborarem uns com os outros e se envolverem efectivamente na cons-truo dos seus prprios futuros; (3) que estes processos contribuem para a educao, sensibili-zao e formao dos que neles se envolvem, as-segurando os agentes de mudana capacitados para fazer singrar a nossa sociedade.Centro de Estudos sobre Cidades e Vilas Sustentveis (CECVSTorres Vedras4 . E x e m p l o s P g i n a 5 4AVALIAO DO PROCESSO PELOS PARTICIPANTES 1 - Uma metodologia: diferente e dinmica foi o processo de trabalho. (Associativista) foi a metodologia empregue. A maneira de envolver os parceiros locais () penso que foi boa a forma de trabalho, a forma como as pessoas se organizaram, souberam estar, souberam falar frente de uma equipa heterognea. (Poltico) Envolvimento de toda a comunidade. Metodologia utilizada. (Residente) A prpria dinmica criada pela prpria metodologia. Foi importante enviarem convites personalizados, pessoais, e no apenas dar conhecimento ao pblico via jornal. (Tcnico)2 - Comunicao: uma linguagem de respeito pela cidadania A facilidade de comunicao entre os tcnicos superiores e a populao em geral. Houve a preocupao com uma linguagem muito simples, sem se usar termos tcnicos, de sentido obscuro para a maioria dos participantes; foi utilizada linguagem corrente, simples, mas sem descer ao familiar (por exemplo, nunca ouvi dizer vocs). Curiosamente conseguiu-se um ponto de equilbrio entre uma linguagem com rigor cientfi co e uma linguagem de respeito pela cidadania, por cada um; esse equilbrio fez cair as barreiras da inibio. (Associativista)3 - Envolvimento poltico efectivo Uma caracterstica que achei relevante e interessante foi que entre os quatro participantes mais assduos estivesse o Presidente da Cmara Municipal.4 - Mudanas: Aquisio de conhecimentos, novas perspectivas, novas formas de funcionar Aprendi muito. (Residente) Mudou bastante. Sinto-me cada vez mais atrado pelas questes ambientais. (Empresrio) Fiquei surpreendido, provou-se que quando queremos nos revolucionamos, crescemos por dentro e mostramos do que somos capazes. (Poltico) Este processo trouxe-me um enriquecimento signifi cativo em termos de trabalho em equipa, na esfera da despistagem dos problemas ambientais ao nvel autrquico. (Residente) Provocou-me uma orientao para futuro, na minha actividade. (Tcnico)Fonte: Henriques, 20025. Desafi os e perspectivas de futuroAll this experience does not mean a cut, or a revolution, but the expectation for a change is now quite positive (Expert).Em reas de planeamento, desenvolvimento urbano e ambiente os contributos de todos os actores envolvidos, bem estruturados e enquadrados, so sempre uma mais-valia im-prescindvel para ultrapassar muitos dos impasses, difi culdades ou constrangimentos com que hoje nos deparamos na implementao de instrumentos de poltica, programas ou pro-jectos, como o caso do Programa Polis XXI. A sociedade do conhecimento, num mundo em acelerada mudana, e especifi camente as instituies e organizaes devem partilhar objectivos, actividades, recursos e poder ou autoridade para conseguirem ganhos colectivos e minimizar perdas (Bryson et al., 1992). Assegurar o envolvimento e a colaborao de todos deixou de ser apenas uma aspirao para se tornar uma exigncia. Como vimos, em matria de participao pblica, dispomos de normativa base no quadro legal nacional, por outro lado, o corpo terico e metodolgico comea tambm a ganhar solidez e vo surgindo algumas iniciativas que apresentam resul-tados prticos positivos da aplicao de processos de participao. So ainda escassos em nmero, mas felizmente mais do que aqueles que foi possvel exemplifi car neste trabalho como casos de sucesso. H muito ainda por fazer, por refl ectir, por aprender numa perspectiva alargada, inte-grada e colaborativa. Tiremos deste desafi o o maior partido para que os nossos planos/projectos/estudos faam a diferena.5 . D e s a f i o s e p e r s p e c t i v a s d e f u t u r o P g i n a 5 57 . B i b l i o g r a f i a P g i n a 0 0www .sxc.huwww .sxc.huBibliografi a Arago, A. 2005. A Governncia na Constituio Europeia. Uma oportunidade perdida? in A Constituio Europeia. Estudos em homenagem ao Prof. Doutor Lucas Pires, FDUC, Coimbra.Bryson, J., Crosby, B. C., 1992. 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Journal of Planning Education and Research, 14, n. 3.6 . B i b l o g r a f i a P g i n a 5 7Jones, P. S., 2003. Urban Regenerations Poisoned Chalice: Is there an Impasse in (Community) Participation-based Policy? in Urban Studies, vol. 40, n. 3, pp. 581-601, 2003.Larson, D., 2002. The US Environmental Movement, in Environmental Activism in Society, pp. 35-48, Lia Vasconcelos & Idalina Baptista, Eds. FLAD, Janeiro 2002.Malheiros, J., Vasconcelos, L., Alves, F. S. (coordenao geral), 2006. Operao Cova da Moura, Vol I - Diagnstico, Iniciativa Bairros Crticos Lisboa, INH, Julho de 2006.Portas, N., Domingues A., Cabral, J. (ed.), 2007. Polticas Urbanas. Tendncias, estratgias e oportunidades. Fundao Calouste Gulbenkian.Stoker, G., 1998. Theory and Urban Politics, in International Political Science Review, vol 19, n. 2, pp. 119-129Vasconcelos, L., 2001. 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A energia nas cidades do futuro 2. Cidades inteligentes, governao territorial e tecnologias de informao e comunicao 3. A identidade dos lugares e a sua representao colectiva Bases de orientao para a concepo, qualificao e gesto do espao pblico 4. Alteraes climticas e desenvolvimento urbanoPRXIMO NMERO DA SRIE 6. Mobilidade, acessibilidade e logstica na cidadeCAPA POLTICA DE CIDADES GOVERNNCIA... VOL. 5 FRENTE AZUL MAGENTA AMARELO PRETO OBRA N. 11285

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