Governança e Participação na Gestão Territorial

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DGOTDU - Governana

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  • CAPA POLTICA DE CIDADES GOVERNNCIA... VOL. 5 FRENTE AZUL MAGENTA AMARELO PRETO OBRA N. 11285

  • CAPA POLTICA DE CIDADES GOVERNNCIA... VOL. 5 VERSO AZUL MAGENTA AMARELO PRETO OBRA N. 11285

    NMEROS DA SRIE J PUBLICADOS

    1. A energia nas cidades do futuro 2. Cidades inteligentes, governao territorial e tecnologias de informao e comunicao 3. A identidade dos lugares e a sua representao colectiva Bases de orientao para a concepo, qualificao e gesto do espao pblico

    4. Alteraes climticas e desenvolvimento urbano

    PRXIMO NMERO DA SRIE

    6. Mobilidade, acessibilidade e logstica na cidade

    NMEROS DA SRIE J PUBLICADOS

    1. A energia nas cidades do futuro 2. Cidades inteligentes, governao territorial e tecnologias de informao e comunicao 3. A identidade dos lugares e a sua representao colectiva Bases de orientao para a concepo, qualificao e gesto do espao pblico

    4. Alteraes climticas e desenvolvimento urbano

    PRXIMO NMERO DA SRIE

    6. Mobilidade, acessibilidade e logstica na cidade

  • O que a POLTICA DE CIDADES POLIS XXI

    A Poltica de Cidades POLIS XXI, lanada publicamente pelo XVII Governo em Abril de 2007, atravs do Secretrio de Es-tado do Ordenamento do Territrio e das Cidades, visa superar as debilidades do sistema urbano nacional e responder aos desafi os cada vez mais complexos que se colocam s cidades portuguesas, tornando-as motores efectivos do desenvolvimento das regies e do Pas.

    Benefi ciando da experincia acumulada dos anteriores programas nacionais e comunitrios dirigidos resoluo de problemas urba-nos e dinamizao do desenvolvimento urbano (PROSIURB, PO-LIS, URBAN e URBACT I, entre outros), a Poltica de Cidades POLIS XXI integra-se nos objectivos da Estratgia de Lisboa e da Estra-tgia Nacional de Desenvolvimento Sustentvel (ENDS) e tem no Modelo Territorial e nas Orientaes Estratgicas para os sistemas urbanos dos diversos espaos regionais do PNPOT um referencial fundamental para a sua implementao.

    Partindo do reconhecimento de que o nosso modelo de desenvolvi-mento, cada vez mais dependente do conhecimento e da inovao, exige s cidades uma elevada qualifi cao das suas funes e uma forte capacidade de fi xao e atraco de pessoas qualifi cadas e de actividades inovadoras, a Poltica de Cidades POLIS XXI tem como ambio tornar as cidades portuguesas:

    Territrios de inovao e competitividade; Territrios de cidadania e coeso social; Territrios de qualidade de ambiente e de vida; Territrios bem planeados e governados.

    Para concretizar esta ambio, a Poltica de Cidades POLIS XXI assume no perodo 2007-2013 os seguintes objectivos opera-tivos:

    Qualifi car e integrar os distintos espaos de cada cidade; Fortalecer e diferenciar o capital humano, institucional, cultural e econmico de cada cidade; Qualifi car e intensifi car a integrao da cidade na regio envolvente; Inovar nas solues para a qualifi cao urbana.

    A prossecuo destes objectivos concretiza-se em trs eixos de interveno, traduzindo uma viso de cidade a diferentes escalas territoriais:

    Regenerao urbana; Competitividade / diferenciao; Integrao regional.

    No mbito dos Programas Operacionais do QREN 2007-2013 foram reservados cerca de mil milhes de Euros do FEDER para fi nanciar os seguintes instrumentos da Poltica de Cidades:

    Parcerias para a regenerao urbana; Redes urbanas para a competitividade e a inovao; Aces inovadoras para o desenvolvimento urbano; Equipamentos estruturantes do Sistema Urbano Nacional.

    Esto igualmente criados mecanismos para assegurar a articulao dos instrumentos especfi cos da Poltica de Cidades com outros do-mnios de interveno previstos nos Programas Operacionais regio-nais e que tm particular relevncia para o sucesso das operaes integradas de desenvolvimento urbano.

    Prev-se ainda que a Poltica de Cidades POLIS XXI venha a re-correr a outras fontes de fi nanciamento, compreendendo recursos pblicos nacionais e comunitrios e tambm a instrumentos de fi nanciamento europeus, em particular o Banco Europeu de Inves-timento (BEI). Adicionalmente, o Estado procurar novas formas de fi nanciamento, quer no quadro de parcerias pblico-privado, quer criando condies para um maior envolvimento de fundos privados.

    A Poltica de Cidades POLIS XXI ser implementada segundo uma abordagem descentralizada. Pretende-se apoiar projectos de iniciativa local que sero seleccionados mediante procedimentos concursais de mbito nacional ou regional, consoante o programa de fi nanciamento pblico a utilizar. A sua concretizao assentar no recurso generalizado contratualizao, tanto no que respeita ao estabelecimento de parcerias locais para o desenvolvimento dos projectos, como no acesso aos recursos fi nanceiros que o Estado disponibiliza para o efeito.

  • O instrumento de poltica Aces Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano

    E ste instrumento da Poltica de Cidades destina-se a apoiar projectos que tenham por objectivo desenvolver solues inovadoras de resposta a problemas urbanos identifi cados, transferir, para aplicao nas cidades portuguesas, solues testadas com sucesso noutros pases ou, ainda, ge-neralizar solues que tendo sido j aplicadas com resultados positivos em territrio nacional, caream de replicao a uma escala mais alargada para assegurar a sua adopo sustentada.

    Nessa perspectiva, foram identifi cadas oito reas temticas para a imple-mentao deste instrumento de poltica:

    a) Prestao de servios de proximidade;b) Acessibilidade e mobilidade urbana;c) Segurana, preveno de riscos e combate criminalidade;d) Gesto do espao pblico e do edifi cado;e) Construo sustentvel;f) Ambiente urbano;g) Criatividade e empreendedorismo na valorizao dos recursos territoriais;h) Governao urbana com incremento da participao dos cidados e dos actores econmicos e sociais.

    Este leque inicial de temas poder vir a ser ampliado no futuro. Tal como sucede nos outros domnios de implementao da Poltica de Cidades, os projectos a apoiar sero seleccionados atravs de procedimentos concursais abertos ao longo do perodo 2008-2013.

    Este instrumento de poltica tem suporte fi nanceiro no Eixo IX (Reforo do sistema urbano nacional) do Programa Operacional Temtico Valorizao do Territrio (POVT) do QREN 2007-2013, tendo sido reservados 90 milhes de Euros para esse efeito.

    A seleco das candidaturas e o acompanhamento dos projectos co-fi nan-ciados est a cargo da DGOTDU, que actua na qualidade de organismo inter-mdio de gesto, ao abrigo de contrato de delegao de competncias com a Autoridade de Gesto do POVT.

    A abertura dos procedimentos concursais e os respectivos resultados so anunciados na comunicao social e nos stios da Internet da DGOTDU, da Autoridade de Gesto do POVT e do QREN.

    Mais informaes em:www.dgotdu.pt/pcwww.qren.pt/www.povt.qren.pt/

  • Srie POLTICA DE CIDADES - 5

    Governncia e participaona gesto territorial

  • Nota de apresentao

    E sta srie de publicaes da DGOTDU, especifi camente dedicada s reas temticas referenciais para a im-plementao do instrumento da Poltica de Cidades POLIS XXI, Aces Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano, tem por objectivo principal fornecer elementos de apoio preparao de bons projectos para candidatura a este domnio de interveno do Eixo IX do Programa Operacional Temtico Valorizao do Territrio.

    Para alm desta fi nalidade imediata, pretende-se tambm que estas publicaes constituam uma base geral de informao e divulgao, tendo como principais destinatrios as autarquias locais e os tcnicos particulares. As questes abordadas so amplamente reconhecidas como fazendo parte dos grandes desafi os que hoje se colocam ao desenvolvimento urbano e territorial europeu, pelo que da maior importncia que sejam includas nas agendas municipais e nas nossas prticas de urbanismo e de ordenamento do territrio.

    O objectivo destes documentos no apontar solues tcnicas ou metodologias para a aco concreta, mas sim chamar a ateno para algumas das questes mais signifi cativas que hoje se colocam nas reas temticas se-leccionadas, sensibilizar os diferentes intervenientes nos processos de desenvolvimento urbano e territorial para a necessidade da sua considerao e fornecer bases para um aprofundamento de conhecimentos.

    Nesta ptica, as publicaes da Srie Documentos de Orientao POLTICA DE CIDADES obedecem a uma es-trutura comum, com uma primeira parte de enquadramento do tema, orientada para identifi car e situar os desafi os que actualmente se colocam, uma segunda parte contendo exemplos de boas prticas, que possam ser inspiradoras da concepo dos projectos a candidatar ou da actuao das autarquias, e uma bibliografi a de referncia.

    Este documento de orientao trata da governncia e da participao na gesto territorial.

    hoje claro que o sucesso da gesto territorial depende em grau elevado da colaborao entre os agentes directos das transformaes territoriais. Mas depende em grau igualmente elevado da participao e do envolvi-mento activo dos cidados e das organizaes da sociedade civil. O territrio um recurso colectivo cujo destino e modo de utilizao interessa a todos.

    Promover uma boa governncia territorial e estimular e organizar a participao dos cidados e das organiza-es da sociedade civil nas principais decises de gesto territorial exige no apenas a vontade poltica de o fazer, mas tambm tcnicas apropriadas, que assegurem a compreenso do que est em jogo e tambm a comunicao entre os diferentes actores dos processos territoriais. Nesse processo, importante ter em adequada considerao as caractersticas e os interesses prprios de cada grupo, reconhecendo em particular a necessidade de elucidao dos no especialistas. disso que nos fala esta publicao.

    Abril de 2009

    Vitor CamposDirector-Geral do Ordenamento do Territrio e Desenvolvimento Urbano

  • Resumo

    0 presente trabalho foi desenvolvido pela Faculdade de Cincias e Tecnologia da Universi-dade Nova de Lisboa para a Direco-Geral do Ordenamento do Territrio e Desenvolvi-mento Urbano e tem enquadramento nos termos de referncia para a elaborao de documentos de orientao no mbito do Instrumento de Poltica Aces Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano da Poltica de Cidades POLIS XXI e no tema Governncia Urbana com incremento da participao dos cidados e dos actores econmicos e sociais. Esta publicao destina-se a tcnicos e especialistas na rea de planeamento e desenvolvimento urbano, escala dos Planos Municipais de Ordenamento do Territrio (PMOT) em dois mbitos territoriais distintos: o mbito intra-urbano e a cidade/regio. Inclui um enquadramento conceptual da situao e uma anlise da correspondente evoluo normativa de acordo com conceitos inovadores sobre os processos participativos em planeamento. Identifi ca os aspectos dominantes para assegurar boas prticas. Prope, tambm, metodologias para processos participativos e identifi ca alguns casos de suces-so com lies de relevncia nacional e internacional.

    Lia VasconcelosPh.D., MCP, Arquitecta - coordenao

    Rosrio OliveiraPh.D., Arquitecta Paisagista

    rsula CaserMEM, Gegrafa

  • Ficha Tcnica

    Ttulo

    Governncia e participao na gesto territorial

    Srie

    Poltica de Cidades - 5

    Abril de 2009

    Autores

    Lia Vasconcelos Faculdade de Cincias e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (coordenao)

    Rosrio Oliveira TERCUD - Centro de Estudos do Territrio, Cultura e Desenvolvimento, Universidade Lusfona

    rsula Caser Consultora, Wteamup

    Editor

    Direco-Geral do Ordenamento do Territrio e Desenvolvimento Urbano

    Campo Grande, 50, 1749-014 LISBOA

    www.dgotdu.pt dgotdu@dgotdu.pt

    Design e produo grfi ca

    Vtor Higgs

    Impresso e acabamento

    Europress, Editores e Distribuidores de Publicaes, Lda.

    Tiragem: 500 exemplares

    ISBN: 978-972-8569-45-7

    Depsito legal: 279131/08

    Propriedade da DGOTDU Direco-Geral do Ordenamento do Territrio e Desenvolvimento Urbano

    Reservados todos os direitos de acordo com a legislao em vigor

  • 1. Introduo 12

    2. Participao pblica no processo de planeamento municipal 16

    3. Governncia e participao: conceitos e metodologias 24 3.1. Conceitos 24

    3.1.1. Governncia 24

    3.1.2. Participao 26

    3.2. Metodologias 29

    3.2.1. Articulando actores e conhecimento 29

    3.3. Workshop win-win uma sinopse 34

    4. Exemplos de sucesso e lies aprendidas 40 4.1. Amesterdo, uma referncia para o planeamento urbano estratgico 42

    4.2. Detroit Collaborative Design Center amplifying the diminished voice 44

    4.3. Cova da Moura: participao e capacitao na interveno socioterritorial 46

    4.4. Requalifi cao do Rossio de Leiria 50

    4.5. Plano Municipal de Ambiente de Torres Vedras 52

    5. Desafi os e perspectivas de futuro 55

    6. Bibliografi a 57

  • 1. Introduo

    H oje em dia h uma intensifi cao de cresci-mento urbano e diversifi cao de funes no espao urbano europeu que coloca desafi os

    crescentes ao planeamento em contextos de re-

    cursos cada vez mais limitados. Os problemas

    que emergem so complexos1 pois enquadram

    frequentemente vrias dimenses e um leque de

    actores diversifi cado que exigem, quer dos pro-

    gramas de interveno quer dos instrumentos de

    planeamento que iro regular, formatos diferen-

    tes at no seu desenvolvimento (e. g. integrando

    vises dos prprios residentes dessas reas) ex-

    travasando arenas meramente tcnico-poltico-

    cientfi cas que, embora muito valiosas, se tm

    revelado restringidas para adequar as respostas

    a um contexto que, pela sua diversidade coloca

    questes muitas vezes inesperadas, de grande

    complexidade, ambiguidade e incerteza.

    Tal como na Europa, em Portugal estas novas

    dimenses dos espaos urbanos levam ao desafi o

    de repensar que tipo de aces inovadoras pode-

    ro contribuir para um melhor e mais efi ciente

    planeamento das cidades, nomeadamente como

    poder uma nova viso de planeamento contribuir

    para a qualifi cao do espao urbano. Portugal

    forado a rever a poltica de cidades, seja ao nvel

    de concepo de interveno, seja ao nvel do pro-

    cesso de desenvolvimento das prprias polticas e

    da sua interveno com base em instrumentos de

    ordenamento territorial. At muito recentemente,

    a interveno da Administrao Pblica atravs do

    planeamento era vista como a forma de assegurar

    um melhor ambiente urbano do que o resultante

    da livre iniciativa dos mercados e dos particula-

    res (Portas et al., 2007, p. 195). Actualmente, as

    agendas das polticas urbanas tm necessaria-

    mente que prever a construo de consensos

    que compatibilizem os interesses presentes com

    a defi nio de objectivos estratgicos e assegu-

    rem a coerncia da implementao das polticas

    no exerccio da democracia e de acordo com

    uma opinio pblica cada vez mais esclarecida e

    empenhada na implementao de tais polticas

    e propostas. O carcter inovador das aces de

    desenvolvimento urbano pode, em grande parte,

    ser o resultado no de uma ideia particularmente

    criativa, mas do processo que a ela possa conduzir

    e da forma como os diversos actores nela partici-

    parem e dela se apropriarem.

    Neste mbito, colocado ao pas um conjunto

    de prioridades e desafi os refl ectidos na Poltica de

    Cidades POLIS XXI cuja ambio tornar as cida-

    des portuguesas:

    Territrios de inovao e competitividade;

    Territrios de cidadania e coeso social;

    Territrios de qualidade de ambiente;

    Te...

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