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    DOI:10.4025/5cih.pphuem.1108

    Os Gmeos e o Grafite Paulistano: O Grafite Enquanto Arte Damicele Salgado Gorgatti

    Sandra C. A. Pelegrini Resumo: O trabalho de pesquisa que se segue tem por objetivo discutir o grafite conceitualizando seus elementos. Relacionando a discusso do conceito de arte e o como se daria o seu reconhecimento, estabelecer uma melhor compreenso dessa forma de expresso caracterstica do grafite. Partindo da premissa terica em perspectiva do conceitual de arte como resultado de um processo criativo livre de regras pr-estabelecidas e com percepo de mundo diversa, trabalhada por E.H.Gombrich em sua obra A histria da arte. Juntamente da discusso critica estabelecida por Eclia Bosi em que um grupo constitudo por vrios tipos humanos, sendo essa diversidade que se relaciona muito diferente e mais rica do que se o fosse por meros parmetros raciais ou tnicos. Estruturando o conceito de patrimnio social e como sua importncia se estabelece atravs da formao da identidade, tambm discutida por Gabriel F.B.Sanchez. Observando as possibilidades de contextualizao e reconhecimento do grafite como arte na sua presena na sociedade. Apresentando em perspectiva critica elementos que possam estar presentes em algumas das obras do grafite paulistano refletindo sobre os aspectos que lhe inserem significado, utilizando o trabalho realizado pela dupla dos artistas grafiteiros Os gmeos, reconhecido internacionalmente. Nascidos em 1974 e criados no bairro do Cambuci, na capital do estado de So Paulo, os artistas e irmos gmeos idnticos Otvio e Gustavo Padolfo frequentavam grupos de cultura hip-hop, nos quais o break e o grafitar eram pratica corrente. Mesmo ainda quando muito pequenos, praticavam a pintura, no entanto foi durante a segunda metade da dcada de 1980 que seu trabalho obteve maior pujana. Se tratando de termos metodolgicos, a reflexo de parte das obras dos referidos artistas plsticos fundamentalmente a contextualizao critica de sua produo, revelando possibilidades de reflexes estticas que aparentam proporcionar o aporte a formao de uma identidade scio-cultural, sensveis atravs dos estudos de seu traado e dimenses figurativas e de suas escolhas temticas. Tendo claro que os elementos de estudo no se permeiam, mas sim estabelecem relaes entre si de essencial preocupao deste trabalho a desmistificao do grafite, tanto quanto forma de expresso com compreenso inalcanvel, como enquanto arte necessariamente socialmente engendrada. Fundamentalmente devido ao seu reconhecimento enquanto criao do artista, que possui suas prprias questes motivadoras naturalmente coerentes sua realidade contempornea. Estas particularidades, juntamente unidas premissa da arte em sua total liberdade criativa que tornam as obras to ricas, mas no inalcanveis. Palavras-chave: Arte, Grafite, Escolha, Percepo e Identidade.

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    No desenvolvimento do estudo da histria voc s capaz de ler um documento partir da hora que consegue entende-lo sendo necessrio contextualiza-lo, para reconhecendo suas particularidades e peculiaridades saber fazer-lhe perguntas. No caso das obras de arte necessrio permitir sua fruio, sendo o olhar muito diferente do ver a obra.

    A luz desta importante perspectiva o presente trabalho pretende discorrer sobre as questes pertinentes a compreenso e estudo do grafite, pensando na sua projeo no trabalho realizado pelos artistas paulistanos Os gmeos, conjuntamente de aspectos mais particulares que podem ser utilizados para pensar o grafite em seus questionamentos e criticas.

    O grafite contemporneo como conhecemos passou a se apresentar em meados das dcadas de 1960 e 1970, tendo maior presena e destaque em Nova York, enquanto em outros raros locais como em Madri e Amsterdam, houve surgimento de manifestaes sem com tudo obterem maiores propores.

    Representaes anteriores que consistiam em ornamentos, trabalhos ou figuras rupestres partem de princpios distintos do grafite, conceito tipicamente construdo e relacionado s questes urbanas presentes no mundo contemporneo. O estilo do grafite norte americano obtm fora na dcada de 1980 e se dissemina pela Europa, mas em parceria da cultura hip-hop que tem sua maior divulgao.

    Tardiamente chegado Amrica do sul o grafite conquista em perodo bem posterior seu espao no Brasil, no entanto com uma potencialidade de crescimento pouco frequente. Tambm de forma peculiar o Brasil o nico lugar a questionar uma definio prpria para os elementos que constituiriam o grafite enquanto arte e suas distines para com a pichao.

    Dentro das discusses propostas argumentao do grafite enquanto arte est questo que em especial nos interessa a formao de uma identidade social que no necessariamente se estabelece por uma nacionalidade comum, ou condio social, mas de questionamentos e/ou objetivos comuns.

    Conceitos aos quais podemos relacionar com a questo apresentada por Roger Chartier em um trecho de La lectura del tempo, o autor reconhece que os interesses sociais nunca provem de uma realidade pr-existente, mas sim se constri, seria assim o elemento resultante de uma soma simblica de questes, remetendo diretamente ento a importncia do como poderamos problematizar da melhor maneira possvel as diversas perspectivas que se relacionam.

    La atencin prestada a la violncia simblica, que supone que quien la sufre contribue a su eficcia, al interiorizar su legitimidade, h transformado profundamente la comprensin de varias realidades esenciales:as, el ejercicio de la autoridade, fundada em la adhesin a los signos,a los ritos y las imgenes que la hacen ver y obedecer; la construcion de las identidades sociales o religiosas, ubicada em la tensin entre las representaciones impuestas por los poderes o las ortodoxias y la conscincia de pertencia de casa comunidade;[...]( CHARTIER,Roger. La Histria: O La lectura Del tiempo. Espanha: .Ed.Gedisa, 2007.p.72)

    O autor em seu embate inclusive toma o cuidado de esclarecer o fato de que a ampla diversidade em que algumas questes podem tomar de apresentao e interpretao no as torna menos importantes no meio social ou as desqualifica. Pois essa flexibilidade que agregam demonstra a riqueza de uma diversidade muito mais complexa. Devemos ento reconhecer suas tendncias caractersticas sem exigir delas elementos que no so condizentes a sua natureza.

    Las representaciones no son simples imgenes, verdicas o engafiosas, de uma realidade que les sera externa.Poseen una energa prpria que persuade de que el mundo o el passado es, em efecto, lo que dicen que es.En ese sentido,producen las brechas que facturan a las sociedades y las incorporan em los indivduos.Conducir la historia de la cultura escrita dndole como piedra angular la historia de las representaciones es, pues, vincular el poder de los escritos o de las imgenes que los dan a ler, escuchar o ver, com las categorias mentales, socialmente diferenciadas que

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    son las matrices de las clasificaciones y de los juicios.(. CHARTIER,Roger. La Histria: O La lectura Del tiempo. Espanha: .Ed.Gedisa, 2007.p.73-74)

    Esta margem de multiplicidade significativa reconhecida por Roger Chartier pode ser de interessante efeito para refletir sobre o trabalho que Gombrich aponta a percepo particular do artista e a sua total liberdade de ao criativa, no existindo obras ou correntes estilsticas pr-estabelecidas a serem localizadas para rotular toda uma produo, mas artistas, assim sendo de fundamental importncia observar as tcnicas e suportes utilizados na obra, para reconhec-la pelos elementos ento presentes.

    Pensando a representao enquanto a forma de grupos e indivduos perceberem a si e perceberem os demais, vinculando suas posies e relaes sociais promovem a construo de sua dimenso social. Dimensionando a amplitude da relao em que se estabelece certa identidade, podendo refletir-se em uma memria publica.

    Permitir dentro deste processo de pesquisa e estudo promovido pelo historiador que questes venham a se somar sempre atentando as singularidades, permitindo no caso do uso das imagens que o fruir permita que o dito e o no dito sejam repensados e questionados, sem, no entanto perder de vista que seria somente uma perspectiva a ser pensada.

    muito arriscado acabar por determinar significados que induzem a concluses e posturas previamente elaboradas, principalmente pela distoro e empobrecimento que tal conduta acarreta. No caso da arte do grafite, no podemos partir de princpios como o acaso, ou improviso como parmetros para discerni-lo da pichao, pois a arte detentora de total liberdade criativa, podendo muito bem fazer uso do acaso, enquanto o improviso elemento essencial para a sua originalidade. Sobre o Grafite

    Embora tardiamente engendrado na sociedade Brasileira, o grafite teve sua recepo, sendo cada vez mais presente na realidade urbana. Tendo seu inicio em torno da dcada de 1980 e se consolidando com maior firmeza a partir da dcada de 1990, quando a complexidade que constitui seu significado e sentido, social e esttico passa a ser pensado e discutido em maior amplitude e reconhecimento.

    Dentre os vrios artistas da poca que tem participao e conquistam posio de destaque, podemos citar os irmos Gustavo e Otvio Padolfo. Apresentados na foto a baixo em frente a um mural realizado no paredo que liga a zona Leste zona oeste de So Paulo. Com o uso do grafismo possvel a montagem de painis elaborados, com a participao de vrios grafiteiros. Nessa passagem a parceria feita entre Os gmeos, Nina, Nunca e Finok.

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    Figura 01 Fotografia de Finok,Nunca e Nina(em p da esq.para a dir.) e Otvio Padolfo,Zfix e Gustavo Padolfo.Finalizando o painel(no paredo da ligao leste-oeste da Capital de So Pulo) que levaram duas semanas repintando devido a limpeza efetuada pela prefeitura de So Paulo.(foto:Luisa Brito/GL) Ocorrido em dezembro de 2008. Dis