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  • GESTO PBLICA PARTICIPATIVA: REALIDADE OU

    FICO?

    Aragon rico Dasso Jnior

  • II Congresso Consad de Gesto Pblica Painel 14: Possibilidades para um modelo alternativo de gesto pblica: em busca de um novo referencial terico

    GESTO PBLICA PARTICIPATIVA: REALIDADE OU FICO?

    Aragon rico Dasso Jnior

    RESUMO De uma maneira ou de outra, a maior parte da bibliografia recente sobre gesto pblica vem girando em torno de um eixo fundamental: um novo modelo de organizao e funcionamento do aparelho de Estado. Inmeras reformas administrativas foram e esto sendo implantadas, desde os anos 1980, em diversos pases, mesmo que sem uma teoria suficientemente organizada. Este paper pretende, a partir de algumas reflexes tericas e de algumas experincias de gesto pblica no mbito do poder local, propor alguns princpios bsicos que devem compor um modelo alternativo de gesto pblica, a partir do conceito de democracia participativa. Ademais, pretende verificar a responsabilidade do modelo gerencial no "encolhimento" do conceito de cidadania e na incapacidade da democracia representativa de reduzir a desigualdade social.

  • SUMRIO

    EM BUSCA DE UMA ALTERNATIVA........................................................................ 03

    EXISTE DEMOCRACIA SEM PARTICIPAO?...................................................... 04

    QUEM DEVE PRESTAR SERVIO PBLICO?........................................................ 07

    POR QU A NOVA GESTO PBLICA VEM ADQUIRINDO O STATUS DE MODELO HEGEMNICO?..................................................................................

    09

    SERVIO PBLICO DEVE SER UNIVERSAL?........................................................ 10

    CONCLUSES.......................................................................................................... 12

    REFERNCIAS.......................................................................................................... 14

  • 3

    EM BUSCA DE UMA ALTERNATIVA

    O dficit de governabilidade historicamente um dos maiores problemas

    da gesto do setor pblico brasileiro, pois os agentes polticos nunca priorizaram

    uma formao adequada para lidar com a Administrao Pblica. Em funo disso,

    sempre insistem em criticar o funcionamento da mquina e o corporativismo dos

    servidores pblicos. Tais argumentos condicionam sobremaneira o modo pelo qual

    a Administrao Pblica percebida pela opinio pblica. Essa perspectiva

    limitada porque assume que os valores, as atitudes e as crenas prevalecentes no

    seio da opinio pblica em um determinado momento refletem verdades

    estabelecidas. Na verdade, esses elementos reproduzem to-somente parte do

    processo de formao de opinio, um consenso que resulta do choque de pontos de

    vista acerca de questes controversas, delicadas e ainda suscetveis de discusso.

    Em funo disso, este paper responder a algumas perguntas, objetivando

    demarcar as diferenas existentes entre o modelo hegemnico da Nova Gesto

    Pblica (vis conservador e neoliberal) e um de modelo de Gesto Pblica

    alternativo que tenha a participao como seu elemento central.

  • 4

    EXISTE DEMOCRACIA SEM PARTICIPAO?

    Esta pergunta, aparentemente despretensiosa, no menor, pois para

    democratizar a Gesto Pblica necessrio incidir sobre o controle do poder. O

    exerccio democrtico s se d pela participao cidad. Com isso, resta evidente

    que a concepo liberal e hegemnica de democracia no satisfaz a este autor. As

    prticas advindas dessa concepo apostam tudo na representao e utilizam a

    delegao, via processo eleitoral, como critrio supremo de organizao dos

    indivduos (Gohn, 2001, p.17). Tal estratgia elitista e concentradora de poder.

    A sua origem foi resultado de um processo lento, impulsionado

    principalmente por ideais do Iluminismo e materializado pelo surgimento de regimes

    constitucionais. Estes, aps diversas lutas, foram aperfeioados e receberam novas

    configuraes, denominadas de regimes democrticos constitucionais. Hoje, o

    Ocidente tem na democracia constitucional o seu marco ideolgico e institucional

    dominante, ainda que frgil. A aceitao das regras e procedimentos do jogo

    democrtico constitucional o que faz com que ele funcione.

    Desde uma perspectiva de resultados, ainda no se pode afirmar com

    segurana que a democracia seja a soluo definitiva. Porm, aparece no cenrio

    ocidental como a forma de governo adotada por quase todas as sociedades. Alberto

    Odra (1997, p.308) confirma esta idia ao constatar que

    hoy se puede decir que, en el Mundo occidental, el nico criterio

    legitimador que se acepta para la ostentacin del poder y para la conduccin de una

    sociedad es el criterio democrtico (en las sociedades orientales la teocraca sigue

    teniendo un rol en la organizacin poltica de algunas naciones).

    Levando em considerao a histria dos pases latino-americanos, o

    termo democracia converteu-se em uma expresso valorizada em si mesma, quase

    que independente do seu contedo. Esse talvez seja o maior risco que enfrentam

    pases como o Brasil para consolidarem as suas democracias.

    Sobre isso, Caubet (2004, p.104 e 107) alerta para duas tendncias:

    excluir determinadas categorias ou, ao contrrio, exigir rigorosamente a

    oportunidade de participao para todos. Da falar-se em democracia de massa ou

    de democracia elitista. (...) Os que tm esse tipo de interpretao sentem-se

    ofendidos quando seus argumentos so taxados de elitistas ou tecnocrticos. Mas

    este um debate essencial e que continua incipiente, tanto pelo fato de o linguajar

  • 5

    tecnocrtico (ou com pretenso a tal caracterstica) j permear toda a estrutura do

    poder poltico, como pelo fato de ser praticamente impossvel coordenar a ao dos

    que pretendem falar em nome da sociedade civil organizada.

    No h como negar que ainda vivem milhes de pessoas sob regimes

    no democrticos. Porm, tambm no h como negar que a democracia avanou

    com rapidez e adquiriu quase que um perfil normativo, um habitus, inimaginvel no

    sculo XIX. Na atualidade so poucos os pases no democrticos onde no existe

    um forte movimento em favor da democracia.

    Deve ser afirmado, ademais, em todos os atos de gesto pblica, no

    apenas pela transparncia, mas identicamente pela gerao da confiana num

    conjunto normativo estabilizado. Afirmao esta que tambm no pode ser

    relativizada na Gesto Pblica, cuja agenda impe que se d conseqncia s

    profundas noes da democracia participativa, com carter inclusivo da sociedade

    civil, dos servidores pblicos e pela adoo de instrumentos de gesto que

    consolidem um modelo capaz de solidificar o princpio de governar atravs da

    discusso democrtica. O ideal democrtico ainda permanece sendo uma utopia,

    pois o sentido da radicalizao na democracia no comporta ambigidade na defesa

    do Estado Democrtico de Direito.

    Todo e qualquer princpio deve ser traduzvel, ou seja, no h nenhuma

    matria de interesse da gesto pblica que no possa ser decidida pela cidadania,

    pois ela a nica titular da soberania, elemento caracterstico do Estado-nao.

    Enfim, democracia sinnimo de participao, democracia substantivo e no

    deveria ser adjetivada de participativa. Do contrrio, imaginaremos que exista

    alguma possibilidade de democracia que no seja participativa. Chega de retrica,

    ou a democracia tem na participao o seu elemento central ou ela nada mais do

    que este autor prefere denominar de democracia burguesa (aquela que est a

    servio da elite dominante).

    Podemos afirmar que o princpio da participao popular no foi at hoje

    implementado no Brasil, apesar de algumas escassas experincias, normalmente

    limitadas ao poder local, como o Oramento Participativo (OP), Conselhos Gestores,

    Fruns Regionais e Conselhos Comunitrios15

    . Entretanto, no por falta de

    previso legal que a participao popular no se d. A Constituio brasileira possui

    vrios mecanismos que poderiam aproximar o povo da tomada de decises. J no

  • 6

    artigo 1o, pargrafo nico da Constituio Federal de 1988, o constituinte incluiu a

    possibilidade da participao popular. Todo poder emana do povo, que o exerce por

    meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos desta Constituio.

    Posteriormente, o artigo 14 garantiu o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular.

    J, o artigo 29, que trata da organizao das cidades, requereu a participao dos

    representantes de associaes populares no processo. Outros artigos requereram a

    participao das associaes civis na implementao das polticas de sade e

    assistncia social.

    Tivemos no Brasil apenas um plebiscito, em 1999, para deciso da forma

    e sistema de governo. Com certeza, este um instrumento valioso e complementar

    ao sistema representativo. Por exemplo, privatizar ou no determinada empresa

    pblica poderia ser uma deciso plebiscitria. O mecanismo do referendo16

    , por

    exemplo, nunca foi utilizado no Brasil, enquanto que a iniciativa popular17

    tambm

    raramente foi uma alternativa.

    Cidadania e participao popular tm uma existncia muito ntima.

    Portanto, lgico pensar que, tendo em vista a escassa resposta institucional s

    demandas bsicas da populao, o agravamento da crise social (identificada

    claramente no crescimento assustador dosexcludos) e a crise no sistema poltico

    brasileiro, cabe a sociedade a tarefa de repensar se temos de fato democracia no

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