Gestao de Custos e Formacao de Precos

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Gestao de Custos e Formacao de Precos

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1. Introduo: A Empresa ModernaNas primeiras dcadas da Revoluo Industrial, a produo dava-se de forma artesanal. O mercado encontrava-se praticamente inexplorado, em franca expanso. O grande aumento de produtividade conseguido com a produo mecanizada, em substituio ao artesanato, garantia uma posio extremamente confortvel s empresas emergentes.A partir da segunda dcada do sculo XX, com o advento da administrao cientfica de Taylor e da linha de produo de Ford, a lgica da produo capitalista modificou-se, havendo enormes melhorias na produtividade industrial, devido principalmente especializao do trabalho e padronizao dos produtos e peas. Isso foi conseguido porque a demanda do mercado era superior produo e, assim, os produtos padronizados e similares encontravam consumidores receptivos a esses itens. medida que a oferta de produtos comeou a superar a procura, o acrscimo da concorrncia fez com que a padronizao dos produtos fosse diminuindo cada vez mais, no sentido de que novos modelos foram sendo introduzidos de maneira mais e mais rpida, reduzindo drasticamente a vida til dos produtos. Gradativamente, a produo no vem mais sendo efetuada em linhas rgidas, passando a necessitar de flexibilidade para a introduo de novos modelos e frequentes alteraes nos artigos. Outra restrio imposta pela competio a reduo contnua dos preos de venda, significando que as imperfeies e ineficincias tm que ser reduzidas sistematicamente.Dessa maneira, a situao que se apresenta atualmente um mercado competitivo, com produtos de baixa margem, boa qualidade, frequentes modificaes de projeto, curta vida til e muitos modelos diferentes escolha do cliente. Para lograr xito nesse tipo de mercado, a empresa precisa produzir eficientemente, tornando-se uma empresa de fabricao classe universal, nas palavras de Schonberger (1988).O efetivo controle das atividades produtivas condio indispensvel para que qualquer empresa possa competir em igualdade de condies com seus concorrentes. Sem esse controle, ou seja, sem a capacidade de avaliar o desempenho de suas atividades e de intervir rapidamente para a correo e a melhoria dos processos, a empresa estar em desvantagem frente competio mais eficiente.1.1 Desperdcios na EmpresaDe forma geral, os esforos da empresa podem ser divididos em trabalho e desperdcios. O trabalho pode ser dividido em trabalho que agrega valor e trabalho que no agrega valor. O trabalho que agrega valor, ou trabalho efetivo, compreende as atividades que realmente aumentam o valor do produto, sob a tica do consumidor. Em outras palavras, o produto, aps a atividade, vale mais do que antes. O trabalho que no agrega valor, ou trabalho adicional, compreende as atividades que no aumentam o valor do produto, mas que propiciam suporte para o trabalho efetivo. Nessa classe, encontram-se atividades como preparao de mquinas e manuteno. Os desperdcios propriamente ditos no adicionam valor aos produtos e tambm no so necessrios ao trabalho efetivo, sendo que, s vezes, at diminuem o valor desses produtos. Nessa categoria, situam-se a produo de itens defeituosos, a movimentao desnecessria, a inspeo de qualidade e a capacidade ociosa. Obviamente, a empresa deve concentrar-se em eliminar os desperdcios e minimizar o trabalho adicional, procurando realizar o trabalho efetivo com a maior eficincia possvel.1.1.1 Tipos de DesperdciosShingo (1981) classificou os desperdcios em sete tipos: superproduo, transporte, processamento, fabricao de produtos defeituosos, movimento, espera e estoque.Os desperdcios por superproduo referem-se produo de itens acima do necessrio ou antecipadamente. So considerados como sendo os mais importantes por Taichi Ohno, porque mascaram os outros desperdcios. De fato, a superproduo aumenta os estoques, o que esconde eventuais (e naturais) imperfeies do processo. Ento, esse tipo de desperdcio deve ser eliminado por meio do aprimoramento do processo, procurando-se obter um fluxo contnuo de materiais e reduzir os tempos de preparao de equipamentos, a fim de diminuir o tamanho dos lotes processados.Desperdcios por transporte referem-se basicamente s atividades de movimentao de materiais, as quais usualmente no adicionam valor aos produtos. Em alguns casos, como o de mercadorias entregues em domiclio, o transporte at a residncia do cliente faz parte do produto e no pode ser classificado como desperdcio. A meta para este tipo de desperdcio deve ser a completa eliminao, e no apenas a melhoria de processos, atravs de mecanizao ou automatizao, por exemplo. Sua reduo depende diretamente da reorganizao fsica da fbrica, a qual deve ser conduzida de forma a reduzir ao mnimo possvel as necessidades de movimentao de materiais.Os desperdcios no processamento propriamente dito correspondem s atividades de transformao desnecessrias para que o produto adquira suas caractersticas bsicas de qualidade, ou seja, consistem em se trabalhar fazendo peas, detalhes ou transformaes desnecessrias ao produto. Evidentemente, uma transformao desnecessria no produto ou a confeco de partes dispensveis para se conseguirem as funes bsicas do artigo constitui-se em desperdcio, por mais eficiente que seja o processo. A eliminao dessas deficincias de processo (ou projeto) deve ser completa e pode ser atingida atravs de tcnicas de anlise do valor de produto e de processo.Desperdcios por fabricao de produtos defeituosos, como o nome indica, originam-se na confeco de itens fora das especificaes de qualidade. Esse tipo de desperdcio talvez seja o mais facilmente identificvel e mensurvel, mas no o menos importante. Na verdade, uma das maiores necessidades da empresa moderna a busca incessante pela excelncia na produo e, sem isso, ela no se torna competitiva no mercado moderno. Assim, podemos dizer que o combate ao desperdcio por fabricao de produtos defeituosos bsico para o controle de outros desperdcios. O ataque a esse desperdcio deve ser embasado na confiabilidade do processo e na rpida deteco e soluo de problemas.Desperdcios no movimento relacionam-se movimentao intil na consecuo das atividades, ou seja, a ineficincia da operao propriamente dita. O nome deriva dos estudos do movimento de Gilbreth, para quem a ineficincia resulta de movimentaes desnecessrias no trabalho de transformao. A mensurao desse desperdcio est ligada obteno de padres de desempenho para as operaes, e sua eliminao conseguida com o atingimento dos padres. Desperdcios por espera so formados pela capacidade ociosa, quer dizer, por trabalhadores e instalaes parados, o que gera custos. Os principais fatores que aumentam esse desperdcio so: elevados tempos de preparao, falta de sincronizao da produo e falhas no previstas no sistema produtivo. Portanto para evitar esse desperdcio, deve-se principalmente reduzir os tempos de preparao de mquinas, balancear a produo e aumentar a confiabilidade do sistema. Esse desperdcio ser denominado desperdcio por ociosidade. A existncia de estoques gera os desperdcios por estoque, os quais so os custos financeiros para a manuteno dos estoques, custos devidos obsolescncia dos itens estocados e, principalmente, custos de oportunidade pela perda de mercado futura para a concorrncia com menor lead time. Empresas devem perseguir a mxima reduo possvel de seus estoques, os quais causam inmeros problemas.A esses sete tipos de desperdcios podemos acrescentar mais um: os desperdcios de matria prima, isto , matrias primas despendidas acima do necessrio confeco do produto. Normalmente, esse desperdcio o primeiro a ser atacado pelas empresas, por causa da facilidade em ser localizado e trabalhado atravs da comparao de padres com o realmente ocorrido. Por outro lado, os desperdcios de matrias primas poderiam ser enquadrados nos desperdcios de processamento, j que geram trabalho e/ou materiais no usados para a transformao dos produtos.

2. Custos, Despesas, Preos e LucrosCustos, classificados como diretos ou indiretos a depender de sua relao com a unidade de produto ou servio elaborado, so incorporados aos estoques at o momento da venda, quando passam a ser representados na Demonstrao de Resultados do Exerccio com a denominao de Custo dos Produtos Vendidos CPV, Custo das Mercadorias Vendidas CMV, ou Custo do Servio Prestado CSV.J as despesas so confrontadas, segundo a contabilidade, diretamente com o resultado do perodo. No devem ser ativadas nos estoques. Gerencialmente, porm, podem ser atribudas aos produtos como forma de analisar o gasto e a lucratividade individual de um portflio de produtos ou servios. Nessas situaes quanto custos e despesas so alocados aos produtos ou servios, diz-se tratar de um sistema de custos plenos ou integrais.Para se obter o Lucro deve-se utilizar a seguinte equao:L = R C - D

Onde: L = LucroR = ReceitaC = CustoD = Despesa

O Lucro genericamente expresso por mio das margens de lucro que podem ser apresentadas em unidades monetrias, conforme estabelecido na equao anterior para valores unitrios, ou em percentual sobre preo de venda.

Lun = Run Cun - Dun

Onde: Lun = Lucro unitrioRun = Receita unitriaCun = Custo unitrio Dun = Despesa Unitria

A margem percentual, muitas vezes calculada com base no Mark-down (participao percentual dos custos e despesas em relao ao preo de venda), corresponde margem de lucro em unidades monetrias dividida pelo preo de venda. A equao seguinte apresenta a frmula da margem de lucro percentual:Lun% = Lun / Run

Onde:Lun% = lucro unitrio percentualLun = Lucro unitrioRun = Receita unitria

Exemplo: A fbrica de detergentes BB vende seus produtos por um preo unitrio igual a R$ 3,00. Os custos unitrios da empresa so iguais a R$ 1,80, as despesas unitrias so iguais a R$ 0,60. Pede-se para calcular a margem de lucro da empresa em unidades monetrias e percentual.L uni = Runi Cuni DuniLuni = 3,00 1,80 0,60 = 0,60 A margem de lucro unitria igual a 0,60, ou seja, para cada unidade vendida, a empresa lucra 0,60L un% = Lun / RunLun% = 0,60 / 3,00 = 20% A margem percentual igual a 20%, ou seja, a margem percentual igual 20%. A empresa lucra 20% dos valores auferidos por meio de suas vendas.

2.1 TERMINOLOGIA DE CUSTOSPara facilitar a comunicao, entendimento e fixao segue alguns conceitos estabelecidos sobre as terminologias usualmente aplicadas:CUSTOCusto um gasto relativo a bem ou servio utilizado na produo de outros bens ou servios no momento da utilizao dos fatores de produo (bens e servios) para a fabricao de um produto ou execuo de um servio. Exemplo: matria-prima e mo de obra.

DESPESAAs despesas so itens que reduzem o patrimnio lquido e que tem essa caracterstica de representar sacrifcios no processo de obteno de receitas. Todas as despesas so ou foram gastos. Porm alguns gastos, no se transformam em despesas ou s se transformam quando de sua venda, como por exemplo, os terrenos que no so depreciados. Algumas despesas derivam de gastos, outras passam pelos custos, gastos e se tornam despesas. E existem despesas que fazem um percurso completo, iniciando como um investimento, passando, por custos e gastos.

GASTOGasto o valor dos insumos adquiridos pela empresa, independentemente de terem sido utilizados ou no. Neste sentido, gasto se compreende em sacrifcio financeiro com que a entidade arca para obteno de um produto ou servio qualquer, sacrifcio esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro).

DESEMBOLSOSe compreende como desembolso, o pagamento resultante da aquisio do bem ou servio. Pode ocorrer antes, durante ou aps a entrada da utilidade adquirida, portanto defasada ou no do gasto. Exemplo: pagamento de uma fatura.

PERDAPerdas so bens ou servios consumidos de forma normal e involuntria. So itens que vo diretamente para conta de resultado, assim como as despesas, mas no representam sacrifcios normais ou derivados de forma voluntria das atividades destinadas a obteno da receita. Exemplo: perda com incndio e obsoletismo de estoques.SUCATASo produtos que surgem da produo com defeitos ou danificados. Suas vendas so espordicas e realizadas por valor no previsvel na data em que surgem na fabricao. No recebem custos e tambm no servem para reduo de custos de produo. Quando vendidas so contabilizadas como outras receitas operacionais. Exemplo: Peas com defeito.

2.2 CLASSIFICAO DE CUSTOSExistem vrios tipos de custos, tantos quantas forem as necessidades gerenciais, e pode-se afirmar que custos podem ser computados de diferentes modos, para finalidades diferentes, por pessoas diferentes. Portanto para facilitar o entendimento segue a classificao de custos:Custos DiretosSo aqueles que esto vinculados diretamente ao produto. Sua apropriao pode ser direta (sem rateio), bastando que exista uma medida de consumo, comoquilogramas, horas-mquina, horas-homem trabalhadas, etc. Exemplo: matria-prima e Mo-de-obra direta.

Custos IndiretosSo aqueles que no esto vinculados diretamente ao produto, mas sim ao conjunto do processo produtivo. Para se conhecer o valor dos custos indiretos que dever ser atribudo a cada produto, h necessidade de se estabelecer algum critrio, o qual ser estimado ou at mesmo arbitrado pela empresa. A distribuio dos custos indiretos aos produtos denomina-se rateio, e o critrio escolhido para se efetuar essa distribuio denomina-se base de rateio. Exemplo: mo-de-obra indireta e aluguel da fbrica.

Custos FixosEntende-se por custo fixo, todo aquele custo que independe do volume de produo do perodo, isto , qualquer que seja a quantidade produzida, esses custos no se alteram. Os custos fixos esto relacionados com os custos indiretos de fabricao, por no guardarem proporo com as quantidades dos produtos fabricados. Exemplo: Aluguel da fbrica

Custos VariveisOs custos variveis so aqueles que variam em funo do volume de produo, ou seja, da variao da quantidade produzida no perodo. Quanto maior o volume de produo no perodo, maior ser o custo varivel e, consequentemente, quanto menor o volume de produo no perodo, menor ser o custo varivel. Os custos variveis tm relao direta com os custos diretos de fabricao. Exemplo: Matria-prima

2.3 SEPARAO ENTRE CUSTOS E DESPESASA separao entre custos e despesas fcil: os gastos relativos ao processo de produo so custos e os relativos administrao, s vendas e aos financiamentos so despesas. Entretanto na prtica aparece uma srie de problemas pelo fato de no ser possvel a separao de forma clara e objetiva. Matria Prima Consumida....................................................... 30.000,00Comisses s/vendas...................................................................... 1.000,00Salrios e Encargos da Fbrica..................................................... 8.000,00Seguros da Fbrica...................................................................... 12.000,00Material de Consumo Escritrio................................................ 2.500,00Salrios da Administrao............................................................ 4.500,00gua, Luz e Telefone da Fbrica.......................