GESTÃO AMBIENTAL NA INDÚSTRIA DA SAÚDE NO BRASIL 2005

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<p> FUNDAO GETLIO VARGAS ESCOLA DE ADMINISTRAO DE EMPRESAS DE SO PAULO VITAL DE OLIVEIRA RIBEIRO FILHO GESTO AMBIENTAL NA INDSTRIA DA SADE NO BRASIL: A gesto da cadeia produtiva em favor da sustentabilidade ambiental SO PAULO 2005 1 GESTO AMBIENTAL NA INDSTRIA DA SADE NO BRASIL: A gesto da cadeia produtiva em favor da sustentabilidade ambiental Dissertao apresentada Escola de Administrao de Empresas de So Paulo da Fundao Getlio Vargas como requisito para obteno do ttulo de Mestre em Administrao de Empresas Campo de conhecimento: Gesto Ambiental Orientador: Prof. Dr. Jos Carlos Barbieri SO PAULO 20052 Ribeiro Filho, Vital de Oliveira. GestoambientalnaindstriadasadenoBrasil:agestodacadeia produtivaemfavordasustentabilidadeambiental/VitaldeOliveiraRibeiro Filho. - 2005. 162 f. Orientador: Jos Carlos Barbieri. Dissertao(mestrado)-EscoladeAdministraodeEmpresasdeSo Paulo. 1.Gestoambiental-Brasil.2.ResduosperigososAspectos ambientais.3.ServiosdesadeBrasilAspectosambientais.4.Cadeia desuprimentos.5.PolticaambientalBrasil.I.Barbieri,JosCarlos.II. Dissertao(mestrado)-EscoladeAdministraodeEmpresasdeSo Paulo. III. Ttulo. CDU 614.2(81) 3 VITAL DE OLIVEIRA RIBEIRO FILHO GESTO AMBIENTAL NA INDSTRIA DA SADE NO BRASIL: A gesto da cadeia produtiva em favor da sustentabilidade ambiental DissertaoapresentadaEscolade Administrao de Empresas de So Paulo daFundaoGetlioVargascomo requisito para obteno do ttulo de Mestre em Administrao de Empresas Campo de conhecimento: Gesto Ambiental Data de aprovao: __/__/____ Banca examinadora: _______________________________ Prof. Dr. Jos Carlos Barbieri (Orientador) FGV-EAESP _______________________________ Prof. Dr. Claude Machline FGV-EAESP _______________________________ Profa. Dra. Ivani Lcia Leme UNIFESP 4 Dedicatria: Flvia e Lgia...5 Agradecimentos: Gostariadeagradecersseguintespessoas,quetantomeajudaramasuperaros desafios desta jornada. AoProf.Dr.JosCarlosBarbieri,peladedicao,competnciaecompreenso,e pela sensibilidade na sua orientao segura e inspiradora. Profa. Dra. Ana Maria Malik, por todo o seu carinho e sabedoria, Ao Prof Dr. Claude Machline, Ao Prof. Dr. Rubens Mazon, por terem me apoiado e estimulado, antes e durante o curso todos os colegas e professores que enriqueceram esses anos de convivncia, s secretrias dos departamentos, especialmente Vera e Leila. DedicoumagradecimentoespecialElianapelacompreensoepelocuidado constante, Aosmeuspais,umaenormegratidoeafelicidadedete-lossemoreprximosme aconselhando e estimulando. AgradeotambmDra.IaraCamargoeaoArquitetoLuizSrgioValentim,do CentrodeVigilnciaSanitria,peloapoioduranteminhadedicaoaocursoepor me ajudar na viagem que pude realizar. Vivian, pelas verses e correes sempre rpidase melhoradas 6 RESUMO Asorganizaesdeassistnciasadetmsidopressionadaspormelhorasno gerenciamentoderesduoseoutrosaspectosambientais.Osetorsade movimenta cerca de 6% do PIB nacional e se constitui um importante consumidor deinsumoserecursosnaturais,gerandoimpactos,tantonaprestaoda assistncia,quantoaolongodacadeiadefornecedoresdeprodutoseservios. NoBrasil,asaesdessesegmentonareaambientaltmsereveladoainda bastante tmidas, situao agravada pela falta de recursos e de conhecimento. No entanto,observamosqueexistegrandeprocuraporserviosdetratamentopara osresduosperigososdeserviosdesade,emgrandepartemotivadapelas exignciaslegais querecaemsobreessaatividade.Infelizmente,medidasmenos onerosasemaisracionais,envolvendoreduo,reciclagemoueliminaode resduossopoucodifundidas,aidentificaodasfontesderiscoseimpactos bastantefalhaeosestabelecimentosdesadecontamcompoucacolaborao dosfornecedoresparareconhecereencontrarsoluesparaessesproblemas. Quantoaosagentesfinanciadoresdosistemadesade,assimcomoos consumidoresdiretos,ouseja,aprpriapopulao,noparecemsedispora diferenciarosserviosqueinvistamnomeioambiente,menosaindapagarpor eventuais custos adicionais. Oobjetivogeraldestetrabalhoidentificarpossibilidadesparaaplicaode conceitosetcnicasdegerenciamentodecadeiasprodutivas(SupplyChain Management)namelhoriadodesempenhoambientaldaindstriadasadeno Brasil.Para isso, realizamos uma anlise do setor sade, incluindo sua origem, evoluo eaestruturaatualcadeiaprodutivadocomplexoindustrialdasadetendocomo nvel focal os prestadores e suas relaes com os nveis acima e abaixo, visando identificaraspectosquefavoreamoudificultemodesenvolvimentodemelhorias nodesempenhoambientaldosetor,dentrodeumconceitodedesenvolvimento sustentvel.Estapesquisafoicomplementadacomaanlisedealgunsdos modeloseferramentasdegestoambientalempresarialtaiscomo:anlisede ciclodevida,seleodefornecedores(greenpurchasing),gestodaqualidade totalambientaleproduomaislimpa,assimcomoecomduasexperincias internacionais de sucesso, o projeto Health Care Without Harm e o Hospitals for a Health Environment.Conclumoscomumasugestodeque,tantomodeloseferramentas,comoas experinciasbemsucedidas,sorelacionadoscooperaoeintegraoao longodacadeiaprodutiva equeoutrosestudossonecessriosparasubsidiara aplicaodessasferramentaseestabelecermodelosparaodesenvolvimento integrado da sustentabilidade ambiental no setor sade no Brasil. Palavras Chave:Gesto ambiental no setor sade; Desenvolvimento sustentvel na indstria da sade; Gesto ambiental da cadeia de suprimentos; Sade pblica e sade ambiental; Resduos de servios de sade. 7 ABSTRACT The health assistance sector has been put under pressure for improvements in the wastemanagementandinotherenvironmentalaspects.InBrazil,actionsinthis area have been limited by a lack of resources and knowledge. Although the search fortreatmentsystemsforhealthcareservicesdangerousresiduesincreases progressively,lessonerousandmorerationalmeasures,involvingreductionor residue recycling, are not as widespread it should. Inthiswork,weanalyzethehealthindustryvaluechain,highlightinghealthcare services and their relations with levels above and below, with the aim of identifying aspects that ease or hinder improvements in the environmental performance of the sector.Thisanalysiswascomparedtosomeofthemostusedmanagerial environmentaladministrationmodelsandtotwosuccessfulinternationalprojects (Health Care Without Harm and Hospitals for a Health Environment). Weconcludewiththesuggestionthat,thesemodelsasmuchasthesuccessful experiences, require cooperation and integration along the productive chain and that other studies are necessary to subsidize the optimization of these findings and toestablishmodelsfortheintegrateddevelopmentofenvironmentalsustainability in health care sector in Brazil. Keywords: Environmental management in the healthcare sector; Sustainable development in the health industry; Supply chain environmental management; Public health and environmental health; Healthcare waste. 8 NDICE DE TABELAS: Tabela1-Despesascomaeseserviospblicosdesadefinanciadaspor recursos prprios 2001...........................................................................................81 Tabela 2 - Receita por modalidade de operadora .....................................................94 Tabela3-GraudeCoberturaporRegio-Vnculosaplanosmdico-hospitalares com ou sem odontologia ...........................................................................................95 Tabela4-LeitosparainternaototaisedoSUS(prpriosoucontratados),por esfera administrativa, segundo as Grandes Regies - Brasil - 2002.......................100 Tabela 5 - Equipamentos existentes em estabelecimentos de sade, por tipo - Brasil - 2002......................................................................................................................101 Tabela 6 - Estabelecimentos de sade, nicos, com terceirizao e terceirizados, por esferaadministrativaetipodeestabelecimento,segundoasGrandesRegies- Brasil - 2002 ............................................................................................................103 Tabela 7 Total mundial de vendas de medicamentos entre 1997 e 2004 ............107 Tabela 8 Proporo nas vendas de medicamentos por regies do mundo, 2004108 Tabela 9 - Gastos Totais com Sade (GTS) e Gastos com Tecnologia Mdica (GTM)................................................................................................................................117 9 NDICE DE GRFICOS: Grfico1-CurvaABCdadistribuiodeBeneficiriosentreasOperadoras- Vnculos a planos mdico-hospitalares com ou sem odontologia .............................90 Grfico2-Beneficiriospormodalidadedaoperadora-Vnculosaplanosmdico-hospitalares com ou sem odontologia.......................................................................93 Grfico3-Evoluodosbeneficiriospormodalidadedaoperadora-Vnculosa planos mdico-hospitalares com ou sem odontologia...............................................93 Grfico 4 - Estabelecimentos de sade Brasil - 1976 / 2002.....................................97 Grfico 5 - Leitos por 1 000 habitantes, em estabelecimentos de sade, segundo as Grandes Regies Brasil -1992 / 2002 .......................................................................98 10 INDICE DE FIGURAS Figura1-Componentesbsicosparaintegraodosprocessosaolongodas cadeias de suprimentos:68 Figura 2 Conexo entre membros de uma cadeia69 Figura 3 Representao simplificada da cadeia de valor da assistncia sade no Brasil123 11 NDICE DE QUADROS: Quadro1Recomendaesparapolticasdedesenvolvimentosustentvel (CMMAD, 1991) ........................................................................................................25 Quadro 2 Dimenses da sustentabilidade segundo Sachs (1993).........................26 Quadro3Etapasdaformaodamedicinasocialeodesenvolvimentodo capitalismo segundo Foucault (1979)........................................................................33 Quadro 4 Etapas para anlise dos sistemas de sade segundo Testa..................37 Quadro5-PrincpiosquedevemserobservadosnaformulaodeumaPoltica Nacional de RSS.......................................................................................................49 Quadro 6 - princpios organizativos e doutrinrios do SUS.......................................76 Quadro 7 - Principais avanos em doze anos de implantao do SUS ....................77 Quadro8-Classificaodasoperadoraspormodalidadeconformeseuestatuto jurdico.......................................................................................................................91 Quadro 9 Aquisies entre indstrias farmacuticas na dcada de 1990............106 Quadro 10 Fuses entre indstrias farmacuticas na dcada de 1990 ...............106 Quadro11Aindstriadeequipamentosmdico-hospitalareseoambiente Posio da Eucomed ..............................................................................................121 Quadro12-TrechosdoRelatriodoSeminriosobreaOperacionalizaoda EmendaConstitucionaln29/00comdestaqueparaodebatesobrelixohospitalar.................................................................................................................................127 12 SUMRIO: 1INTRODUO .................................................................................................... 14 2CONSIDERAES METODOLGICAS............................................................ 18 2.1OBJETIVOS .................................................................................................................. 18 2.1.1A SADE E O MEIO AMBIENTE...................................................................................... 18 2.1.2MAPEAMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DA SADE.......................................................... 19 2.1.3ANALISAROSMODELOSEINSTRUMENTOSDEGESTOAMBIENTALPARAMELHORIADO DESEMPENHO AMBIENTAL DE CADEIAS .................................................................................... 20 3A SADE E A QUESTO AMBIENTAL............................................................. 22 3.1DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL................................................................................ 23 3.2O SETOR SADE E O MEIO AMBIENTE ............................................................................. 28 3.2.1A ORIGEM DA SADE PBLICA MODERNA ..................................................................... 29 3.2.2PORQUE UMA ANLISE HISTRICA............................................................................... 35 3.2.3A EVOLUO DO SETOR SADE NO BRASIL .................................................................. 38 3.2.4A CULTURA DO SETOR SADE SOBRE O MEIO AMBIENTE ............................................... 40 3.3A DIMENSO AMBIENTAL DA INDSTRIA DA SADE ......................................................... 43 3.3.1IMPACTOS E RISCOS AMBIENTAIS DOS SERVIOS DE SADE .......................................... 44 3.4A LEGISLAO SOBRE RESDUOS DE SERVIOS DE SADE (RSS) NO BRASIL ................. 47 3.4.1A PORTARIA DO MINISTRIO DE ESTADO DO INTERIOR N.53/1979................................. 52 3.4.2A RESOLUO DO CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE N.05/93.......................... 54 3.4.3A RESOLUO DO CONAMA N.283/2001................................................................... 56 3.4.4A RESOLUO DA ANVISA RDC 33/2003 .................................................................. 58 3.4.5O CONFLITO ENTRE OS REGULAMENTOS DO CONAMA E ANVISA................................ 59 4MAPEAMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DA ASSISTNCIA SADE NO BRASIL..................................................................................................................... 64 4.1ORIGEM E CONCEITUAO DE CADEIAS PRODUTIVAS...................................................... 64 4.2A GESTO DAS CADEIAS PRODUTIVAS............................................................................ 66 13 4.3A CADEIA DA INDSTRIA DA SADE NO BRASIL.............................................................. 69 4.3.1ORIGENS DO MODELO DO SISTEMA DE SADE BRASILEIRO............................................ 73 4.3.2A ORGANIZAO DO SUS........................................................................................... 75 4.3.3A ORGANIZAO DO SISTEMA DE SADE SUPLEMENTAR .............................................. 86 4.3.4A ESTRUTURA DA ASSISTNCIA MDICO-HOSPITALAR ................................................... 96 4.3.5A INDSTRIA FARMACUTICA .................................................................................... 104 4.3.6A INDSTRIA DE INSUMOS E EQUIPAMENTOS MDICO-HOSPITALARES (IEMH) .............. 114 4.4AS RELAES NA CADEIA DA SADE NO BRASIL .......................................................... 121 4.4.1RELAES ENTRE PRESTADORES, INTERMEDIRIOS E PAGADORES............................. 123 4.4.2RELAESENTREASPRESTADORASEOSFORNECEDORES,DISTRIBUIDORESE PRODUTORES...................................................................................................................... 129 5GESTO AMBIENTAL DA CADEIA PRODUTIVA DA INDSTRIA DA SADE NO BRASIL ............................................................</p>