geopolitica de mato grosso

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GEOPOLITICA DE MATO GROSSO1- LOCALIZAO E DIVISO POLTICA DE MATO GROSSO O Estado de Mato Grosso faz parte da Regio Centro-Oeste do Brasil, localizado na parte sul do continente americano. Possui superfcie de 903.357,91 km2, limita-se ao Norte com os Estado do Par e Amazonas, ao Sul com Mato Grosso do Sul, a Leste com Gois e Tocantins e a Oeste com Rondnia e Bolvia. FUSO HORRIO Devido grande extenso Leste--Oeste, o territrio brasileiro abrange quatro fusos horrios situados a Oeste de Greenwich. O Estado de Mato Grosso abrange um fuso horrio (o fuso quatro negativo), correspondendo ao quarto fuso horrio. Apresenta, portanto, 4 horas a menos, tendo como referncia Londres, o horrio GMT (Greenwich). REGIES DE PLANEJAMENTO DO ESTADO DE MATO GROSSO Mato Grosso possui 141 municpios, agrupados em 22 microrregies poltico-administrativas, que fazem parte de 5 mesorregies definidas pelo IBGE. Em 2001, atravs de estudos produzidos pela Seplan-MT, foi realizada uma nova regionalizao do Estado e foram definidas 12 Regies de Planejamento. Atualmente Mato Grosso possui 75 terras indgenas e 19 unidades de conservao federais, 42 estaduais e 44 municipais distribudas entre reservas, parques, bosques, estaes, ecolgicas e RPPN (Reserva Particular do Patrimnio Nacional).

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2- FORMAO E OCUPAO DO ESPAO MATO GROSSENSEO territrio mato-grossense compreende aproximadamente 10%do territrio nacional e abriga, em contrapartida, aproximadamente 1,53% da populao do pas (3.033.991 habitantes) (IBGE/Seplan 2010). Constitui exemplo de regio que caminha rumo consolidao de uma rea de moderna produo agroindustrial, aps a transformao de sua base produtiva, impulsionada por forte ao estatal. Como caracterstica preliminar, pode-se dizer que essa rea vem-se afirmando, nas ltimas dcadas, como uma economia baseada predominantemente na pecuria extensiva de corte e de leite, e, principalmente, na produo intensiva de milho, algodo e soja, afora experincia isolada de indstrias madeireiras. Esses sistemas produtivos tm sido responsveis pela produo de matrias-primas para a agroindstria e algumas mercadorias processadas, em geral destinadas exportao como gros, carnes e algodo e, portanto, desencadeadores do prprio processo de agroindustrializao regional. Esses produtos so exportados principalmente para os estados das regies Sul e Sudeste do Brasil e para os pases da comunidade europeia, Estados Unidos, China, Rssia, etc. Deve-se ainda considerar que o territrio mato-grossense partilha vasta rea de fronteira interna com vrios estados brasileiros e externa com a Bolvia. Embora s tenha recebido ateno h pouco tempo, essa rea de fronteira internacional ocupa lugar potencialmente estratgico no espao econmico latino-americano e sua integrao, seja nas articulaes com o Mercosul, seja em possveis vias de escoamento pelo pacfico. Partindo-se de uma viso geral sobre o territrio mato-grossense, pode-se identificar seus desdobramentos particulares nas distintas fraes do seu espao em seus tempos respectivos, os principais vetores da expanso recente e as implicaes no redesenho de sua estrutura espacial. Efetivamente no sculo XVIII inicia-se a ocupao do Estado de Mato Grosso, atravs das incurses dos bandeirantes regio, em busca de ouro e na captura e aprisionamento de mo-de-obra indgena, mercadoria que viabilizou, durante longo tempo, a economia da colnia de povoamento de So Vicente, (atualmente estado de So Paulo).

Durante todo o sculo XVIII, mesmo aps a descoberta de ouro na regio de Cuiab, o espao mato-grossense permaneceu vazio dado que as atividades econmicas implementadas na regio de Cuiab, basicamente minerao do ouro e de diamantes, fundavam-se num sistema comumente designado como o de pilhagem do perodo colonial e num povoamento temporrio e itinerante. (DSEE/ZSEE Relatrio sobre o Processo de Ocupao do Estado de Mato Grosso. Cuiab: Seplan, 1997). Sob a lgica da expanso capitalista, de concentrao-centralizao do capital e da dominao-subordinao no que diz respeito s suas relaes sociais e de produo, o desenvolvimento econmico brasileiro, em termos espaciais, pode ser visto como um processo de articulao e integrao nacional que se desenvolveu, de forma desigual e combinada, segundo trs fases distintas: a do isolamento das regies; a da articulao comercial e a de integrao produtiva.

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Diante disso, contextualiza-se tambm a formao histrica de Mato Grosso, caracterizando-se: 1. O perodo da ocupao do territrio e da constituio da regio, ainda sob uma longa fase de isolamento, que perdura at as primeiras dcadas do sculo XX; 2. O da diversificao da base produtiva incipiente e sua articulao comercial com centros produtores-consumidores nacionais e internacionais; O da criao das condies materiais e no materiais (dcada de 1970) para a efetiva integrao produtiva da regio (dcada de 1980) ao movimento de produo/reproduo do capital hegemnico nacional, quando este, concretamente, apropria-se do espao, via instrumento jurdico da propriedade da terra, subordinando sua lgica de desenvolvimento os processos de trabalho e de produo existentes em quase todos os segmentos da economia regional.

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Assim, para melhor compreenso sobre o processo de ocupao do estado de Mato Grosso, uma vez que ele ser apresentado de uma forma sinttica, achou-se melhor dividir essa abordagem em sete fases. A primeira fase de ocupao do territrio mato-grossense tem seu incio nos sculos XVII-XVIII, com a penetrao portuguesa em terras de Mato Grosso promovida pelas incurses de bandeirantes paulistas. A partir de ento, o avano bandeirante em direo ao oeste intensificou-se cada vez mais, na medida em que o aprisionamento de ndios para o trabalho escravo na Provncia de So Paulo constitua-se numa atividade bastante lucrativa. O final dessa fase encerra-se quando o ouro de Mato Grosso, que tinha proporcionado grande riqueza ao final do sculo XVIII Coroa Portuguesa, comea a dar sinais de esgotamento, disso resultando o esvaziamento dos principais ncleos populacionais ligados minerao. A segunda fase de ocupao do territrio mato-grossense acontece nos sculos XIX-XX. Ela mostra que os ncleos porturios mais antigos como Cuiab, Corumb e Cceres convivem com uma intensa atividade econmicocomercial. Cceres firma-se como centro exportador da poaia, cuja extrao e comercializao gerou grande movimento agrcola e comercial nas cidades de Barra do Bugres, Vila Bela da Santssima Trindade e Cuiab, e tambm atravs da exportao da seringa (ltex), extrada na Bacia Amaznica. A terceira fase de ocupao marcada pela Marcha para o Oeste (1930-1950), cujo fator principal foi uma poltica de interiorizao da economia e de incorporao das regies Centro-Oeste e Norte ao processo de reproduo do capital hegemnico nacional. Enquanto rea de fronteira, a necessidade de legitimar os limites estabelecidos, atravs de uma ocupao efetiva do territrio, foi uma constante em toda a formao histrica de Mato Grosso. A quarta fase de ocupao do territrio mato-grossense marcada com a construo de Braslia (final da dcada de 1950 a 1960). A quinta fase (final da dcada de 1960 a 1970) foi intitulada como sendo a da implementao dos primeiros programas de desenvolvimento da regio Centro-Oeste, corporificados, em grande parte, no I e II PND (Programa Nacional de Desenvolvimento), e com a intensificao do fluxo migratrio dirigido a essa regio. A sexta fase de ocupao compreendeu os programas de desenvolvimento, ps dcada de 1970, como o Polocentro, o Polonoroeste e o Prodeagro. Somente a partir dessa dcada e fruto de uma interveno do Estado Nacional, planejada e dirigida ocupao do Centro-Oeste e Amaznia, que se criam, na regio, as condies efetivas para a apropriao do espao pelo capital e, alm disso, para sua transformao em espao econmico integrado ao movimento dominante da produo/reproduo do capital, tanto nacional como internacional. (SIQUEIRA, 1990). A stima fase a atual, ou seja, os avanos recentes da fronteira agrcola do territrio rumo consolidao. Dessa forma, as frentes de expanso fizeram surgir um conjunto variado de formas de apropriao do espao agrrio, que se tornou tambm responsvel pela transformao da paisagem natural do Estado. Essa transformao implicou no somente na organizao de um setor primrio dinmico, baseado numa gama variada de produtos (extrativos vegetais, agrcolas, pecurios, etc.), mas tambm num leque de impactos socioeconmicos e ambientais de natureza e intensidade diversas.

De maneira geral, a agricultura empresarial localizou-se nas reas planas dos cerrados, cujos solos so potencialmente de boa qualidade. A pecuria, alm de estar tambm nesse tipo de ambiente, tende a ocupar reas mais antigas, anteriormente exploradas pela agricultura tradicional, ou expande-se para a regio de fronteira de ocupao, em reas onde as condies ecolgicas e/ou o fator distncia (fretes) so desfavorveis grande empresa de explorao agrcola. (DSEE/ZSEE Relatrio sobre o Processo de Ocupao do Estado de Mato Grosso. Cuiab: Seplan, 1997). Em linhas gerais, o modelo de ocupao pautado na agricultura moderna mantm-se ancorado no modelo agroexportador de contexto maior (nacional/internacional) e nas polticas agrcolas nacionais (crdito e financiamento).

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Esse modelo de ocupao, na medida em que privilegia a agropecuria de carter empresarial e as cadeias agroindustriais associadas aos produtos de mercado externo (soja, cana-de-acar, carnes, milho, madeira) tende a adequar-se s normas e padres determinados pelos mercados nacionais e internacionais, inclusive quanto mitigao dos impactos ambientais derivados. 3- DEMOGRAFIA O estado de Mato Grosso, de acordo com dados do IBGE, possua em 1940, 192.531 habitantes, j em 2010, aproximadamente 70 anos depois, este nmero subiu para 3.033.991 habitantes. Vivem na zona urbana 81,9% da populao, contra 18,1% da zona rural. O nmero de homens corresponde a 51,05% da populao, sendo ligeiramente superior ao das mulheres, que representa 48,95%. A rea geogrfica corresponde a 903.357,9