Fundamento e Metodologia da educaçao EJA

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<p>Ana Maria Soek</p> <p>Fundamentos e Metodologia da Educao de Jovens e Adultos</p> <p>Fundamentos e Metodologia da Educao de Jovens e AdultosAna Maria Soek</p> <p>Curitiba 2010</p> <p>Ficha Catalogrfica elaborada pela Fael. Bibliotecria Cleide Cavalcanti Albuquerque CRB9/1424</p> <p>Soek, Ana Maria S681f Fundamentos e metodologia da educao de jovens e adultos / Ana Maria Soek. Curitiba: Editora Fael, 2010. 145 p. Nota: conforme Novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa. 1. Educao de jovens e adultos. I. Ttulo. CDD 371.9Direitos desta edio reservados Fael. proibida a reproduo total ou parcial desta obra sem autorizao expressa da Fael.</p> <p>FAEL Diretor Acadmico Diretor Administrativo-Financeiro Coordenadora do Ncleo de Educao a Distncia Coordenadora do Curso de Pedagogia EaD Secretria Geral Osris Manne Bastos Cssio da Silveira Carneiro Vvian de Camargo Bastos Ana Cristina Gipiela Pienta Dirlei Werle Fvaro</p> <p>SiStEmA EDuCACioNAL EADCoN Diretor Executivo Diretores Administrativo-Financeiros Diretora de operaes Diretor de ti Coordenadora Geral Julin Rizo Armando Sakata Jlio Csar Algeri Cristiane Andrea Strenske Juarez Poletto Dinamara Pereira Machado</p> <p>EDitorA FAEL Coordenador Editorial Edio Projeto Grfico e Capa ilustrao da Capa Diagramao William Marlos da Costa Silvia Milena Bernsdorf Denise Pires Pierin Cristian Crescencio Denise Pires Pierin</p> <p>Dedico esta obra minha filha Ana Paula, que me fez companhia em seus primeiros meses de vida, enquanto eu escrevia este livro.</p> <p>Agradeo a Deus pela sabedoria maior. Aos meus pais pelo dom da vida. Ao meu esposo, Paulo Morais, pelo incentivo e apoio em todos os momentos de nossas vidas. A todos os familiares pela compreenso. Aos mestres da Universidade Federal do Paran que sempre se dispuseram a compartilhar seus conhecimentos durante minha formao. Aos meus educandos, com os quais tive o prazer de aprender e ensinar durante minha trajetria profissional. equipe editorial da Editora Fael, por todo o profissinalismo na execuo deste trabalho.</p> <p>apresentaoEnsinar no transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua produo e construo. Paulo Freire</p> <p>apresentao</p> <p>A tarefa de falar da obra da professora Ana Maria Soek nos permite fazer uma retomada de sua trajetria de pesquisa, onde se percebe a responsabilidade acadmica e cientifica aliada a uma sensibilidade social com aqueles que, por diferentes fatores, no tiveram a oportunidade de escolarizao.</p> <p>Fundamentos e Metodologia da Educao de Jovens e Adultos permite no somente a ampliao dos conhecimentos, de forma prazerosa e significativa, acerca da histria da Educao de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil e suas diferentes polticas e encaminhamentos, mas, tambm, contribui para uma reflexo sobre o educando da EJA, que, muitas vezes, visto como um trabalhador pobre, oprimido e excludo, mas que, no entanto, possui um papel atuante na sociedade, sendo responsvel pela produo social.A autora traz diferentes metodologias que podem ser empregadas na busca incansvel de se enfrentar e superar os desafios da alfabetizao, do letramento, do desenvolvimento da oralidade e do raciocnio lgico, fundamentais para o indivduo enfrentar o mundo moderno e construir a conscincia de sua condio na sociedade. Esta produo didtica busca, ainda, analisar a influncia da mediao sociocultural na aprendizagem, bem como o contexto em que se articulam as experincias dos educandos da EJA na construo do conhecimento. Assim, as especificidades do trabalho pedaggico so apresentadas de forma a valorizar os interesses individuais e o ritmo de aprendizagem do educando, levando em considerao seus saberes e experincias adquiridos.</p> <p>apresentao</p> <p>apresentaoPara encerrar sua trajetria crtica, o livro d destaque a um dos pontos fundamentais no trabalho com a EJA a formao do educador , ressaltando que, alm da necessidade de uma formao contnua, os educadores devem perceber a realidade social e a condio de seus educandos, proporcionando-lhes um ensino que possibilite reflexo e criticidade, de modo que possam compreender os mltiplos mecanismos sociais. Sinto-me incorporado a esse trabalho, pois eu e Ana Maria Soek vivemos ricas experincias educacionais durante o Mestrado, no qual pudemos discutir os diferentes encaminhamentos da Educao de Jovens e Adultos no Brasil. Assim, alm de recomendar a obra, fico vontade para dizer que ela contribuir de maneira significativa na formao dos profissionais que iro atuar com jovens e adultos e que devero ter responsabilidade, comprometimento e conscincia de suas condies enquanto educadores. Francisco Carlos Pierin Mendes*</p> <p>* Mestre em Educao pela Universidade Federal do Paran (UFPR). Atua na rede publica de ensino e professor do curso de pedagogia da FAEL nas modalidades presencial e a distncia.</p> <p>oirmusPrefcio..................................................................................... 11</p> <p>sumrio</p> <p>1 2 3 4 5 6 7 8</p> <p>Aspectos scio-histricos e filosficos da Educao de Jovens e Adultos no Brasil ....................................................... 13 Sistema organizacional da EJA no Brasil ................................. 35 Especificidades do trabalho pedaggico frente ao perfil do educando da EJA........................................................ 49 Mediao pedaggica na EJA .................................................. 65 Relaes de ensino e aprendizagem na EJA ........................... 79 Funo social da leitura e da escrita ....................................... 89 Desenvolvimento da oralidade e do raciocnio lgico ........... 101 Desenvolvimento cognitivo e social dos educandos da EJA .................................................................. 115</p> <p>oirmus9</p> <p>sumrioTeoria e prtica nas relaes fundamentais do trabalho docente .................................................................... 125 Referncias............................................................................. 137</p> <p>oicferpP</p> <p>prefcio11</p> <p>osso dizer que as inspiraes para uma obra como esta surgiram bem antes de me tornar professora. Ainda pequena, assim que aprendi a ler e a escrever, j aspirando profisso docente, adorava brincar de escolinha. E foi em uma dessas brincadeiras de infncia que alfabetizei o primeiro jovem trabalhador. Lembro-me bem de que em uma tarde, enquanto brincava de escolinha, um dos trabalhadores do stio em que eu morava se interessou pela dinmica da aula e pediu para que eu escrevesse o nome dele em um papel. Imediatamente comecei a rabiscar o nome solicitado e, na medida em que eu escrevia o nome do jovem trabalhador, ele solicitva que eu escrevesse outros nomes, como o de seus pais e irmos, bem como o de uma moa por quem estava apaixonado. Nos dias seguintes, sempre quando eu brincava de escolinha, o jovem vinha at mim e perguntava como se escrevia uma ou outra coisa. De vez em quando, trazia, tambm, um pedao de papel com alguma coisa escrita para eu ler para ele. Assim, com o tempo, aquele jovem aprendeu a escrever o prprio nome e a ler e a escrever outras coisas de seu mundo que lhe interessavam. Na poca, no percebi o que essa experincia significou: foi a nica oportunidade que aquela pessoa teve de aprender alguma coisa relacionada ao mundo da leitura e da escrita. Durante muitos anos, eu tinha em mente que as pessoas aprendiam a ler e a escrever naturalmente. Como pode algum no saber escrever o prprio nome? Com o passar do tempo, percebi, tambm, que meus pais tinham dificuldades com o mundo da escrita, e que muitas pessoas na regio em que eu nasci possuam poucos anos de estudo.</p> <p>12</p> <p>oicferp</p> <p>prefcio</p> <p>Desse contexto, surgiram a necessidade e a vontade de fazer alguma coisa pelas pessoas pouco escolarizadas, e o caminho escolhido foi me tornar uma professora. Mesmo estudando em uma escola rural, com poucos recursos, sempre mantive o sonho de chegar faculdade. Assim, estudei pedagogia e me especializei em Educao de Jovens e Adultos. Derivam dessa histria e da minha dissertao de Mestrado as principais ideias contidas nesta obra, que tambm resultante da convivncia com educandos jovens e adultos com os quais tive o prazer de aprender e de ensinar durante minha trajetria profissional. Com o mesmo prazer, espero poder compartilhar com inmeros educadores os pressupostos tericos e metodolgicos apresentados e discutidos neste livro, assim como inspirar a beleza que o ato de lecionar ainda apresenta. A autora.*</p> <p>* Ana Maria Soek pedagoga, Mestre em Educao pela Universidade Federal do Paran (UFPR) e, atualmente, vem se dedicando Educao a Distncia e educao de pessoas adultas. Alm disso, trabalha com a formao de professores e autora e editora de materiais didtico-pedaggicos.</p> <p>Aspectos scio-histricos e filosficos da Educao de Jovens e Adultos no Brasil</p> <p>113</p> <p>este captulo, ser enfocada a histria da Educao de Jovens e Adultos (EJA), desde as primeiras iniciativas de educao da nao brasileira, at a constituio da EJA como uma modalidade educativa que possui especificidades prprias. Para melhor compreender a trajetria histrica das lutas pela educao de uma nao, necessrio estabelecer paralelos com a prpria histria do pas. Por isso, durante este captulo, apresentaremos as principais iniciativas da Educao de Jovens e Adultos no decorrer da histria do Brasil, situando os aspectos sociopolticos e filosficos que permearam as mais relevantes campanhas educativas para essa faixa etria.</p> <p>N</p> <p>Primeiras iniciativas de Educao de Jovens e Adultos1Pode-se dizer que os primeiros educadores foram os Jesutas, que chegaram ao Brasil com a preteno de catequisar a populao a partir de princpios religiosos, transmitindo normas de comportamento e ensinando ofcios necessrios ao funcionamento da economia colonial. Como a maioria da populao era analfabeta, o mtodo de ensino dos jesutas consistia em um conjunto de regras e preceitos religiosos, denominado de ratio studiorium e transmitido, basicamente, pela oralidade. As primeiras escolas apareceram bem mais tarde, ainda sobre influncia dos jesutas, que se encarregaram de organizar escolas de humanidades,1 As principais ideias aqui apresentadas foram originalmente construdas para a dissertao de Mestrado de Ana Maria Soek (2009).</p> <p>Fundamentos e Metodologia da Educao de Jovens e Adultos</p> <p>que eram baseadas em princpios cristos. De acordo com os estudos de Paiva (1987, p. 58), ao se analisar os registros histricos, percebe-se que, no Brasil, durante quase quatro sculos, prevaleceu o domnio da cultura branca, crist, masculina e alfabetizada sobre a cultura dos ndios, negros, mulheres e no alfabetizados, o que gerou uma educao seletiva, descriminatria e excludente, que mantm similaridades at os dias atuais.</p> <p>Como vimos, o conceito de educao est fortemente atrelado ao contexto e ao momento histrico vivenciado. Fazendo um paralelo entre esse primeiro momento histrico do Brasil e o que voc j sabe sobre a Educao de Jovens e Adultos, que comparaes podem ser estabelecidas? O que podemos analisar, por exemplo, sobre a situao que durou quase quatro sculos na histria do Brasil de domnio da cultura branca, crist, masculina e alfabetizada sobre a cultura dos ndios, negros, mulheres e analfabetos, o que gerou uma educao seletiva, descriminatria e excludente, conforme citado dos estudos de Paiva (1987)?</p> <p>14</p> <p>Na primeira Constituio Brasileira (1824) encontramos registros sobre a instruo primria gratuita para todos os cidados; no entanto, sabe-se que, durante um longo perodo da histria do Brasil, essa educao foi destinada somente s elites, uma pequena parcela da populao. Em consequncia disso, pouco a pouco, foi aumentando o percentual de pessoas no alfabetizadas. De acordo com o censo do ano de 1920, havia um ndice de 72% da populao, com idade acima de cinco anos, que nunca havia ido escola. A Revoluo de 1930 deu incio ao processo de reformulao da funo do setor pblico no Brasil, e a sociedade brasileira passou por grandes transformaes decorrentes do processo de industrializao. Com a promulgao da Constituio de 1934 foi previsto o ensino obrigatrio, tanto para crianas, quanto para adultos, sendo a primeiraFAEL</p> <p>atilfeR</p> <p>Reflita</p> <p>atilfeR</p> <p>Reflita</p> <p>Captulo 1</p> <p>vez em que se apontou a necessidade de oferecer educao bsica tambm para jovens e adultos que no haviam frequentado a escola quando crianas, rompendo com a ideia predominante, at ento, de que a escola era necessria somente a crianas. Foi mencionado, ainda, o direito de o estudante ter acesso ao livro didtico e ao dicionrio de lngua portuguesa. No recenseamento geral de 1940, a divulgao de que 55% dos brasileiros, com mais de 18 anos, no haviam sido alfabetizados despertou o pas para o combate nacional ao analfabetismo. Essa iniciativa, ligada s campanhas de alfabetizao propostas aos pases com grandes desigualdades sociais pela Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura (Unesco) impulsionou o projeto de implantao, no Brasil, de uma rede de ensino primrio supletivo para adultos no alfabetizados. Primeira grande campanha de educao de adultos A partir de 1945, com o fim da ditadura de Getlio Vargas, o Brasil viveu a efervescncia poltica da redemocratizao. Era urgente a necessidade de aumentar as bases eleitorais para a sustentao do governo central, integrar as massas populacionais de imigrao recente e, sobretudo, incrementar a produo. Para tanto, era necessrio oferecer instruo mnima populao. Em 1947, foi lanado um projeto nacional intitulado Campanha de Educao de Adultos, idealizado por Loureno Filho e inspirado no mtodo de Laubach, que se fundamentava nos estudos de psicologia experimental realizados nos Estados</p> <p>Saiba mais</p> <p>Manuel Loureno Filho nasceu em Porto Fer reira, So Paulo, em 1897, e faleceu em 1970. Educador do magistrio pblico, foi respons vel pela reforma do ensino pblico no Cear e, em 1935, foi nomeado professor de psicologia educacional e diretor da Escola de Educao da Universidade do Distrito Federal. Em 1938, a pedido do ministro Gustavo Capanema, organi zou o Instituto Nacional de Estudos Pedaggi cos que, em 1944, lanou a Revista Brasileira de Estudos Pedaggicos. Loureno Filho defen deu a necessidade da elevao dos nveis de instruo de toda a populao como condio para o desenvolvimento econmico da nao e foi protagonista da Campanha de Educao de Adultos, em 1940, que visava instituir polticas globais para solucionar os problemas da esfera educacional. Em 1949, organizou e dirigiu o Seminrio Interamericano de Alfabetizao e Educao de Adultos, realizado no Rio de Janeiro, sob os auspcios da Organizao dos Estados Americanos (OEA) e da Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura (Unesco). Nessa ocasio, recebeu o ttulo de Maestro de las Amricas. Fundamentos e Metodologia da Educao de Jovens e Adultos</p> <p>15</p> <p>Fundamentos e Metodologia da Educao de Jovens e Adultos</p> <p>Saiba maisFrank Charles Laubach nasceu na cidade de Benton, Pensilvnia, Estados Unidos. Formouse na Universidade de Princeton, especializouse em letras, pedagogia e teolo gia e doutorouse em sociologia, na Univer...</p>