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    FRANCESES NO CEARA RAIMUNDO GIRO

    fora ele dvida que a presena de franceses no norte elo Brasil foi v motivo elo maior interes;:e que despertou a Metrpole portuguesa para a conquista do Cear.

    Fracas;tda a empresa de Kicolau Villegagnon no sul , com a fin clidacle ele montar-se ali uma Fran(a .4utrtica, i dearam ento os franceses fundar out1a feitoria chamada Franc a Eqm:nocial, fonte de melhores esc3mbos com os nativos. cuja amizade muito bem sabiam captar.

    Instala1am. com efeito. no ;\l[ a1 anho, g1aas s actividades de Jacques Riffault e Charles eles Vaux, sob a proteo velada ele Henrique IV, a dejacb feitoria e. dai por diante. passaram a se1 objecto ele srias cogitaes ela coroa portuguesa. :;gora toda empenhos para levar at os co11fins do norte a sua. t'Xpanso civilizadora . Sem demora (1598) foi cravado no litoral do Rio Grande o forte dos Reis Magos, o que se fez -ecreve Frei Vicente do Salvador. o primeiro dos nossos narradores histricos - "para tirar dali aquela ladroei ra dos franceses."

    lVIas entre esta fortificao confiada a Je1nimo de Albuquerque e a ilha de So Lus estendia-se a costa rida do Cear. numa sequncia montona de ar

  • REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS 73

    Pera Coelho com os seus solclaclos e ndios avassalados atingiu a Serra ela Jbiapaha e, rnetendo-se em combate contra os aborgines, viu-os _i[, auxiliados por muitos franceses, mais exadamente dezeseis deles, do tio quais prendeu dez, fugidos os restantes.

    Esses maircs - assim chamavam os autctones, em contraposio aos "per,;" - eram comandados por Adolphe Mambille, n ome que alguns e'icrevem Bombille. acha 1am-se armados de mosquetes e se haviam fixado n'lC!uela montanha desde 1590, por Yentura. \ Para os fins deste modesto estudo de muito apreo este encontro de gentios ai iados a filhos da Frana, pois que denuncia terem sido estes O' primeiros a pisar a terra cearense, mantendo trocas mercantis e pro(:uzindo mamalucos que transmitiram aos descendentes o sangue gauls, I antes que o fizesse o dominador legtimo. Yves d'Evreux pretende q u

    I 1uxaua" J urupariau (Diabo Grande), vencido por Pera Coelho, =a fi'ho de francs com ndia e. por isso. aliado natural deles.

    H. dc ,;te modo. um fun damento histtico nesta nossa espontanea e nunca climinuich aproximao afectiva que nos leva. ao to sediamente < i .:cantaclo e ua ,crdade sincero "amor da Frana ", de que se enche a alma brasileira.

    Dir->c- que fora peridico, efmero demais . tal encontro racial, 1;: rm no poss ,el nega r o seu simbolismo. a fora da sua expresso ,c.1timental. Tahcz ro tenha ido alm elo 'igni ficado ele uma semente que n;'ro cresceu cm :\nore copo':1. mas n:1 rc:-tl idadc medrou e deitou raizes 11n seio deste cLo qente :'r,; Yez es scmi-calcinaclo , que no nosso cho p 'ltrio. oh j e c to elas nossas dores e tambm razo dos nossos orgulhos e prazeres.

    Os I i ames que lllH'111 os factos de nossa singela histria ele povo em :'nrmao tnico-poltica. encadeiam aqueles comeos elo sculo 17 aos dias d hoj e. So ainda as lutas em torno da Frana Equinocial que, novatli

  • 74 REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

    r A '.1obre ar11a, que t

    .ivera na sua organizo o irrestrito patrocnio

    ; de Mane ele Meci!CIS, a Ramha regente, e elo mm1stro Conde de Damville,

    demorou doze dias naquela regio "elas matas elo pau ele dores" - simile

    elo pau brasil - ali to abundante, entregando-se os seus componentes aos

    deveres elo reabastecimento e s clistracs da caa e ela pesca. E exactamente dois anos aps (Junho de 1614) ali esteve outro barco

    francs, comandado por Du Prat, carregando trezentos homens alm ele cinze missionrios, entre os quais Frei Archange de Pembrock. Estivera 110 dia 15 em Cear (Fortaleza) com o intuito de clesembarca1, sem contudo faz-lo, dada a ruediao do Padre do presdio, Baltasar Joo Correia. junto aos capuchinhos elo navio e. diferentemente ele Ravardire. r.o conseguiu descer na J ericoacoara seno algumas dezenas de soldados, qilc foram sem demora valentemente repelidos pelos de Manuel ele Ea, haYia pouco chegado para dirigir o precrio reduto ou fortim de N. Senhora elo Rosrio. Du Prat procu1ava o Maranho, para onde, ele facto, imediatamente "fez vela sem mesmo ter feito aguada" e sem dar opoltullidacle a que d'Ea lhe mandasse em tim os peloros que, s carreiras, durante a noite, fabricara elos pratos de estanho encontrados no acampa mento.

    Esses acontecimentos so contemporaneos ela primeira estada de l\[artim Soares l\l:oreno no Cca,r, pois viera em Janeiro de 1612 e de pronto entrara em cena contra os piratas estrangeiros, que a inmero liquidou como meio mais p1tico ele iniciar aqui a posse lusitana.

    :Moreno escreveu em 1618 a "Relao do Cea,r" e nela conta, a ttulo de servio prestado a seu El-Rei, que s no dito ano degolou mais de duzentos franceses e flamengo< e lhes tomou trs embarcaes, uma destas e1wiada a Sua iV[ajestacle 'toda a popa c a proa douradas". e valendo-se. 1-':tra alcanar xito nesses assaltos e colher informaes, elo recurso ele despir-se nu, 1aspada a barba e tinto o corpo de negro, afim ele parecer-ce ndio e, dessa forma. falando a lngua nativa, que conhecia com perfeio. J,nder ir at o inimigo clespre\enic!o.

    A histria cearensc relata que a fortificao mantida por So:trcs i'.!foreno no Siarfl foi tomada em 1637 pelos holanclcscs. e que estes em 1(,44 sucumbi1am totalmente, mortos pela indiada e:n revolta, at que de novo aqui voltaram os homens do Conde ele Nassau. em 1649. desta yez comandados po1 1\Iatias Bcck. o qual permaneceu no seu forte at a Gtpitulao ge1al elos flamengos. no Recife.

    Revivia o domnio luso. mas pobre, tacteante, negligente, mal cosscn'ando a continuidade da administrao militar neste trato da Colnia considerado "sem proveito algum" na correspondncia oficial. Havi apenas o presdio elo Siar, guardado de pequena tropa, e na penetrao elo interior s os padres da Igreja se arriscavam, afoitas no seu missionamenta, visando principalmente Ibiapaba, onde era maior a concentrao

    indgena.

  • REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS 75

    O clebre jesuta Antnio Vieira, o grande Padre Vieira dos ll!famarlos sermes. os dirigia. mandando-os do Maranho ou mesmo vindo d. e afora vrios outros foi parte saliente nesse movimento de evangelizai"w o Padre Jacob Cochleo, francs de Philippeville, Artois, nascido em 1629 e ingresso na misso do Cear em 1662.

    Foi de devotamento e sacrifcio o seu sacerdcio nestes matos. agrestes ,t 1673, tempo em que o chamaram para o Rio de Janeim, de cujo Colgio foi Reitor. Acabou figura ele altlli nota na vida religiosa elo Brasil. pdas inumerv-eis conveses que alcanou de ingleses, holandeses e dina;narqueses na Baa, a ponto de te1 falecido ali, no ano de 1710, "em. cheiro de santidade. " O Padre Cochleo tivera quartel na aldeia de Parangaba e da, de quando em quando. ia Serra Grande na sua catequese de apaz iguamentos difceis. "Trabalhou muito nessa vinha de Deus, no s a e11sinar os ndios , mas tambm a ajudar os portugueses no presdio da f.'ortaleza ".

    Ainda nesca me,ma Ibiapaba se localiza:ram no sculo seguinte outros f ranceses . tcnicos de minerao contratados para a explorao da prata 110 lugar Ubajara (1744). Entre esses mineiros figuram Jean Christophe :::porgel, que era o che f.e, :\ [artin Fugeor e Jean Fontenelle e, se dos outros

  • 76 REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

    F.!

  • REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS 77

    de campo em 1849 e tem o corpo guardado no Panteon de Piraj. Ao referido Presidente Jos Mariano sucedeu no governo ela Provncia

    o Padre Jos 1\tJ:artiniano ele Alencar, sem dvida o mais esclarecido c:! os nossos di ri g-entes, e durante a sua profcua administrao diversas iniciati,as inteligentes tomou. Uma delas consistiu na vinda de colonos estrangeiros epecializados que com a sua experincia e os seus conhecimentos mais adiantados pudessem instruir melhormente o trabalho econmico elo homem ceatense. E certo que os primeiros dess-es colonos foram mobi iz;tclos em Saint Cloucl, na Frana. Infelizmente no produziu o desejado efeito a; medida elo Senador Alencar, dado o erro ele escolha dos tcnicos f' o facto ele terem chef!"aclo quando o aclmiravel governante j deixara a Presidncia. Ao Padre Aleilcar serviu com toda a eficincia o engenheiro f rrtncs Jean Seraine, arquitecto e realizadot de grande nmero de obras i nclispen

  • 78 REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

    turalizaclo brasileiro, nascera em Beaune, Cte d'Or, tendo feito na Frana a sua educao primria e secundria: esteve em comisses cientficas no Cear en 1893 e 1919, examinando fenmenos astronmicos e instalando estaes metereolgicas.

    E no pode ser omitida uma referncia a L. F. Tollenare que, aport;mclo em 1816 em Pernambuco, onde passou a morar, fez viagens ele cbc.ervaes de ordem comercial .e geogrfica e as enfeixou nas conhecidas "Notes Dominicales", encontradas em original na Bibliotca de S. Genoveva em Paris e, mwis recentemente. dadas publicidade na Rev. do Inst. Arqueolgico e Geogrfico pernambucano. Toll.enate anelou quase os mesmos caminhos elo Ingls Henry Koster, autor ele "Traveis in Brazil", tendo visitado Aracati e Fortaleza.

    Todavia, as relaes mais estteitas entre cear.enses e franceses comc

  • REVISTA DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS 79

    Fazenda do Estado ele precisar ele seu financiamento, para atender a momentaneas deficincias de numerrio nos seus cofres. E, no obstante i>to, tambm no raramente foram malsinados, apontados como argentrios, o que em verdade eram gratuitas imputaes ele quem no falava pela boca da sensatez, ou por completo ignorava o cavalheirismo. a grandeza de corao daqueles vetos amigos do Ceat.

    Por via dessa ingerncia benfica da Casa Boris nos nossos negcios comerciais. gradualmentl'!