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  • 1

  • 21o dezembro 2010 a 13 fevereiro 2011

    Museu de Arte do Esprito Santo Dionsio Del Santo

    parceria

  • 1

  • Porto, c. 1925

  • O Governo do Estado do Esprito Santo, por meio da Secretaria da

    Cultura, e o Museu de Arte do Esprito Santo Dionsio Del Santo, em

    parceria com a Base7 Projetos Culturais, tm a grata satisfao de

    apresentar ao pblico um conjunto de obras de Tarsila do Amaral.

    Nascida no interior de So Paulo, no fim do sculo 19, a artista

    tornou-se um dos maiores expoentes das artes visuais no Brasil e

    no exterior, exercendo um papel de relevo na concepo e no desen-

    volvimento do modernismo brasileiro.

    A exposio Tarsila sobre papel contempla a diversidade de temas

    e estilos dentro da produo de desenhos da artista. A curadoria,

    realizada por Regina Teixeira de Barros, oferece ao pblico a oportuni-

    dade de apreciar o panorama de desenhos produzidos ao longo da

    trajetria da artista.

    Segundo Aracy Amaral, o desenho foi a base de seu aprendizado

    como artista. No incio dos anos 1920, Tarsila cumpriu dois anos de

    treinamento sob a tutela de Pedro Alexandrino, em So Paulo, alm

    de realizar exerccios disciplinares com modelos vivos na Acadmie

    Julian e frequentar aulas no ateli de Emile Renard, ambos em Paris.

    Desse modo, a poltica cultural do Maes reafirma sua vocao social

    de democratizar o acesso a seu espao e a sua programao, cum-

    prindo suas funes de estimular a reflexo e fomentar a criao

    artstica. E, assim, acredita contribuir para a ampliao e o fortaleci-

    mento da cultura nacional.

    Dayse Maria Oslegher LemosSecretria da Cultura do Estado

    Leila Horta

    Diretora do Maes

  • Desenho antropofgico de saci-perer II, 1929

  • com grande satisfao que a Base7 realiza mais um projeto dedicado

    artista Tarsila do Amaral, agora especialmente desenvolvido para

    o pblico do Museu de Arte do Esprito Santo Dionsio Del Santo

    Maes, na cidade de Vitria. Com ele, buscamos tornar visvel outro

    olhar sobre a artista, trazendo a pblico obras grficas raramente

    vistas e diversas nunca antes expostas.

    Por trs da grande originalidade da pintora modernista, expressa em

    trabalhos icnicos como Antropofagia e Abaporu, existe uma vasta

    produo de desenhos, que aponta para o caminho traado por Tarsila

    at chegar a sua obra madura. Os ensinamentos do desenho trouxeram

    vigor ao trao da artista, explorados sob vrios aspectos desde estudos

    de formao e esboos de composies para pintura at os desenhos

    propriamente ditos. A exposio Tarsila sobre papel, com curadoria de

    Regina Teixeira de Barros, traz tona esse universo formativo da artista,

    revelando sua capacidade de conceber em poucos traos um universo

    de paisagens e composies onricas.

    A mostra conta com cerca de 70 obras grficas que compreendem

    todas as fases de sua produo, alm de uma seleo de livros ilustrados

    por Tarsila tais como Feuilles de route, de Blaise Cendrars, e Pau Brasil,

    de Oswald de Andrade e uma cronologia que apresenta seu percurso

    artstico at sua morte, em 1973.

    A estreita parceria com o Maes e a Secretaria de Cultura do Estado do

    Esprito Santo, a participao dos patrocinadores Banestes, Cesan e

    Odebrecht e o apoio do Sincades e do Ministrio da Cultura mostraram-

    se essenciais para a concretizao deste projeto. Agradecemos a

    todos aqueles que contriburam para a realizao desta exposio,

    sobretudo s instituies e aos colecionadores que gentilmente

    cederam suas obras.

    Arnaldo SpindelMaria Eugnia Saturni

    Ricardo Ribenboim

  • 6Paisagem com cinco palmeiras I, c. 1928

  • 7Regina Teixeira de Barros

    A iniciao de Tarsila do Amaral (1886-1973) nas tcnicas do desenho ocorreu na capital

    paulista na segunda metade da dcada de 1910 com o pintor Pedro Alexandrino (1856-

    1952), que exigia que seus alunos dedicassem dois anos a essas atividades antes de

    permitir que se arriscassem no ofcio da pintura. Assim como as tradicionais academias

    que, por sua vez, calcavam seus ensinamentos nos preceitos renascentistas de

    GiorgioVasari (1511-1574) , Alexandrino concebia o desenho como atividade intelectual

    sobre a qual repousavam as bases da pintura. O desenho era entendido como disegno,

    significando, ao mesmo tempo, projeto e execuo manual do traado. Equivalia con-

    cepo, ao ato reflexivo anterior criao, e se configurava, portanto, como a base do

    aprendizado. Por ser pautado em regras fixas, podia ser ensinado e avaliado.

    Alexandrino tambm foi quem instruiu Tarsila quanto a dois procedimentos que a

    artista conservou durante toda a vida: o hbito de carregar caderninhos de anota-

    es e a preocupao de preservar o trao das pinturas por meio do decalque.

    Sempre bom guardar, dizia a artista. Depois um dia pode-se precisar...1 O costume

    1 Apud Amaral, Aracy. Tarsila: sua obra e seu tempo. So Paulo: Ed. 34, 2003, p. 44.

    T a r s i l a s o b r e p a p e l

    7

  • 8de levar consigo cadernos de bolso coincidia com as recomendaes das

    academias, que sugeriam que os aprendizes tivessem sempre um deles

    mo para anotar, de forma ligera e com poucos traos, as cenas e os

    objetos que chamassem a ateno.

    Em 1920, Tarsila transferiu-se para Paris com a finalidade de aprofundar

    seus estudos. Inicialmente, inscreveu-se na Acadmie Julian, onde ainda

    imperavam os mtodos tradicionais de ensino artstico. No ano seguinte,

    passou orientao do pintor Emile Renard (1850-1930), professor mais

    atualizado e favorvel s contribuies impressionistas. Paralelamente,

    frequentava, aos domingos, o curso de desenho livre de monsieur Oury.

    A maior parte dos desenhos realizados nesses anos dedicados forma-

    o, tanto em So Paulo quanto na Frana, composta de estudos de

    animais, retratos e nus acadmicos, traados a carvo ou a lpis, com ris-

    cos breves e hesitantes, criando efeitos de sombras e volumes.

    No segundo semestre de 1922, em visita a So Paulo, Tarsila conheceu os

    modernistas que haviam participado da Semana de Arte Moderna e, ao

    lado de Oswald de Andrade (1890-1954), Anita Malfatti (1889-1964), Mrio

    de Andrade (1893-1945) e Menotti Del Picchia (1892-1988), formou o Grupo

    dos Cinco. A convivncia intensa com esses artistas e escritores estimu-

    lou Tarsila a procurar mestres cubistas em seu retorno a Paris no fim do

    ano, com o intuito de ampliar e modernizar seu repertrio plstico.

    Sob Andr Lhote (1885-1962), exercitou-se na estilizao de figuras; com

    Albert Gleizes (1881-1953), realizou uma srie de composies cubistas

    que constituram uma ginstica de depurao, equilbrio, construo,

    simplificao2. Ao lado de Fernand Lger (1881-1955), absorveu as teo-

    rias dos contrastes plsticos, que consistiam no agrupamento de

    valores contrrios: Superfcies planas opostas a superfcies modela-

    das, personagens em volumes opostas s fachadas planas das casas,

    fumaas em volumes modelados opostas a superfcies arquitetnicas

    vivas, tons puros planos opostos a tons cinzas modelados ou

    inversamente3. Tarsila ensaiou as teorias de Lger em alguns dese-

    nhos, mas aplicou-as com mais determinao em diversas pinturas

    realizadas a partir de 1923, ano que pode ser considerado divisor de

    guas de sua produo artstica.

    Embora nunca tenha abandonado a prtica do desenho como uma etapa

    inicial do processo de trabalho, a partir de 1923 somou-se a essa ou-

    tra postura diante do desenho: medida que Tarsila foi se apropriando

    de uma linguagem moderna, uma parcela de sua produo sobre papel

    passou a gozar de plena autonomia. Seu trao deixou de ser titubeante

    e incerto e ganhou determinao e expressividade.

    2 AmArAl, Aracy. Sobre o desenho de Tarsila. In: Tarsila. Belo Horizonte: Museu de Arte da Prefeitura de Belo Horizonte, 1970.

    3 Lger, Fernand. Nota sobre o elemento mecnico. In: Funes da pintura. So Paulo: Nobel, 1989, p. 55.

  • 9As viagens ao Rio de Janeiro, no Carnaval de 1924, e s cidades histricas

    de Minas Gerais, na Semana Santa do mesmo ano, marcaram um impor-

    tante momento nessa nova atitude com o desenho. Se, por um lado, o

    lpis de Tarsila registrou paisagens e eventos transitrios, por outro, os

    traos rpidos e fluidos se libertaram da relao mimtica com o entorno.

    No Rio de Janeiro, Tarsila registrou gente na rua e detalhes de fantasias

    e de decoraes de festa, em pouco menos de 20 esboos. A excurso a

    Minas, por sua vez, resultou em cerca de uma centena de desenhos, estu-

    dos e esboos de paisagens, alguns dos quais deram origem a pinturas

    como Barra do Pira (1924) e Lagoa Santa (1925). Outros, realizados a nan-

    quim, ilustraram Feuilles de route: I. Le Formose, livro de poemas de Blaise

    Cendrars sobre sua primeira estada no Brasil. Embora alguns desenhos

    tivessem outros destinos, boa parcela de sua obra grfica se tornou inde-

    pendente e autnoma: a linha sobre o papel branco passou a ter um

    valor plstico por si s, livre das regras obsoletas da academia.

    Na segunda metade dos anos 1920, registrou cidades da costa brasileira,

    como Santos, Rio de Janeiro, Vitria, Salvador, Recife e Fernando de Noro-

    nha, do convs do navio, nas constantes viagens entre Brasil e Europa.

    Fez anotaes de um grande nmero de paisagens rurais e de peque-

    nos vilarejos brasileiros e desenvolveu ainda uma