Formação Técnica de Enfermagem Na Pediatria

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Artigo que demonstra a importncia do acompanhamento dos professores na campo de estgio de alunos de Enfermagem na Pediatria e do saber tcnico-cientifico para a atuao.

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FORMAO TCNICA DE ENFERMAGEM NA PEDIATRIAINTRODUOA internao de uma criana em unidade peditrica provoca sentimentos de medo, angstia e mudanas emocionais que afetam a sua estima e imagem, pois, de modo geral, a percepo da perda da integridade orgnica, da limitao na realizao de atividades e da dependncia, vo, aos poucos, fazendo parte da realidade dos internados, tanto adultos quanto infantis.A unidade peditrica um ambiente que procura proporcionar constante vigilncia e controle sobre os pacientes; para tanto, centraliza recursos humanos e materiais que permitem atendimento eficaz, com base no trabalho de uma equipe multiprofissional, sendo que os profissionais que dela fazem parte devem primar pelo cuidado humanizado. Do contrrio, a modificao das rotinas dirias, os procedimentos realizados pelos profissionais que ali atuam podem criar uma atmosfera emocionalmente comprometedora, causando estresse tanto nas pessoas que trabalham na unidade, como nas crianas, o que pode agravar ainda mais o estado de sade delas.Os alunos do Curso Tcnico de Enfermagem, quando se deparam com o estgio na unidade peditrica, normalmente reagem demonstrando receio de no conseguirem atuar devidamente como profissionais, deixando-se envolver por sentimentos aflitivos em relao criana e a seus familiares. Tal situao decorre do fato de precisarem dominar uma srie de conceitos e prticas, como compreenderem que a criana, ao ser internada, separa-se das pessoas e objetos que so significantes para ela,(os pais, amigos, a casa, os brinquedos), passando a vivenciar outro contexto, com pessoas e objetos desconhecidos, o que pode gerar atitudes de extremo negativismo ou intolerncia e comprometer ainda mais seu tratamento.A criana necessita de condies favorveis ao seu crescimento e desenvolvimento, como a convivncia familiar e comunitria, a nutrio, a sade, a proteo, o resgate, o respeito, a educao e o brincar, os quais devem ser assegurados pela famlia e pela sociedade em geral. Sendo assim, a unidade peditrica procura constituir-se em um ambiente mais agradvel, ajustando-se s necessidades e s caractersticas de cada situao.Diante disso, importante que os profissionais que atuam nessas unidades sejam preparados a atender s necessidades emocionais da criana internada, proporcionando atividades recreativas compatveis com sua idade e condies de tratamento. A equipe de enfermagem deve ser composta por pessoas que gostem de crianas e, principalmente, que tenham capacidade emocional para atender os doentes infantis, compreendendo a importncia dessa atividade e dando nfase a um trabalho humanizado.NO que tange formao do tcnico de enfermagem, a situao de ensino e aprendizagem tambm fragiliza o aluno, pois se trata de um processo suscetvel a variveis intervenientes, de forma que, nessa condio de estgio em unidade peditrica, o aluno e o professor devem dominar universos essencialmente complexos.Por esses motivos, procurou-se investigar quais so as reaes mais freqentes dos alunos do Curso Tcnico de Enfermagem, em campo de estgio peditrico, que podem interferir no cuidado da criana hospitalizada e como atuam os professores desses alunos na orientao e apoio para o alcance dos objetivos no estgio em pediatria.O ENSINO DA ENFERMAGEMCada professor demonstra, na sua atividade docente, uma maneira prpria de ensinar e, quando expressa interesse e amor pelo seu trabalho, tambm est ajudando os alunos em seu processo de motivao para a aprendizagem. A aprendizagem definida por Atkinson e Murray (1989) como um processo resultante da prtica ou da experincia inferida a partir de mudanas do comportamento do aprendiz.No que se refere ao professor, acredita-se que ele deva ser um comunicador capaz de despenar o interesse dos alunos, e que considere, alm dos aspectos cognitivos, tambm os psicolgicos envolvidos no processo de aprendizagem. A linguagem, ento, ocupa um papel central na atividade do professor por carregar, nas suas formas de expresso, a sua cultura, as suas emoes, as suas crenas, os seus preconceitos. O docente no pode, assim, limitar-se apenas em codificar sua mensagem, mas, alm disso, deve decodific-la para os alunos. A preocupao com a reao dos estudantes importante, pois o bom comunicador precisa ter a capacidade de perceber a reao do outro, como bem fala Rogers (1991) ao referir a questo emptica, e ser uma pessoa sensvel nas humanas (BEZERRA, 1996). Nesse processo emptico, esto envolvidos os aspectos no verbais, como a forma de falar, olhar, andar, sentar, interromper, agredir.A relao professor e alunos pode ser considerada como ponto chave num processo em que se percebem pessoas distintas com experincias nicas, aproximando-se com o Objetivo de troca de conhecimentos, em ambientes e momentos especficos. Segundo Rogers (1991), a autenticidade do professor nas relaes facilita a aprendizagem, sendo que o docente deve ser congruente, isto , ser a pessoa que e ter a conscincia plena das atitudes que assume, tornando-se, ento, uma pessoa real nas relaes com os alunos. O estudante deve ser visto com respeito e como sujeito ativo, motivado, com direito ateno e considerao das experincias adquiridas anteriormente, ou seja, a aceitao de que o aluno j possui a construo do conhecimento e senso comum suficientes para entender um contedo.Todas essas consideraes devem ser levadas em conta durante o perodo de estgio, momento delicado no incio da profissionalizao do acadmico. Nesse sentido, o Tcnico em Enfermagem deve ser orientado para perceber as especificidades do ambiente hospitalar, e nele saber atuar de forma eficiente e positiva.

HospitalizaoLidar com crianas hospitalizadas e seus pais no uma tarefa fcil. A estrutura familiar abalada e o profissional da rea da sade deve primar por um atendimento que vise, alm do cuidado especfico de cada caso, a uma assistncia humana e individualizada tanto com as crianas como com seus significantes.A criana tem sua maneira de sentir, reagir e possui direitos como saber a verdade, ter privacidade, ser compreendida em seus desejos e preferncias, necessitando de condies favorveis ao seu crescimento e desenvolvimento, as quais devem ser asseguradas pela familia e pela sociedade em geral. A doena e a hospitalizao constituem uma forte crise na vida da criana, que passa a enfrentar experincias estressantes. As reaes dos pequenos pacientes so influenciadas diretamente por condies especficas ligadas a seu desenvolvimento, idade, experincias anteriores relacionadas doena, separao, perdas, apoio prestado pela equipe multidisciplinar hospitalar e pela gravidade da doena.O supervisor que acompanha os alunos no hospital deve mostrar a importncia da atuao da equipe para a recuperao da criana doente, pois o ensino dos procedimentos de enfermagem, que consome a maior parte do tempo dispensado disciplina, por envolver a aprendizagem de muitas tcnicas, no uma prtica fragmentada e tampouco separada dos subsdios tericos e sustentadores das aes. O estgio deve ser contemplado com procedimentos didticos que permitam ao aluno situar, observar, aplicar e refletir sem perder de vista a realidade.Motta (1996) afirma que a hospitalizao pode ser uma situao traumtica ao provocar alteraes significativas no crescimento e desenvolvimento da criana, pois seu ritmo de vida interrompido. Esse fato pode ser agravado ou no, dependendo da assistncia intensiva, estressores ambientais e estmulos sensoriais. A maioria das crianas, durante a internao, extremamente manipulada, porm no acariciada, o que influencia de forma negativa a sua recuperao. Desse modo, o planejamento das aes de enfermagem deve ser realizado integralmente, com a interao da criatividade e da ludicidade, por que as crianas precisam de formas adequadas de atendimento, na medida em que no so adultos em miniatura.Esse entendimento conduz individualizao da assistncia de enfermagem, o que exige dos profissionais da sade uma aguada capacidade de observao a fim de identificar e controlar precocemente qualquer instabilidade fisiolgica e emocional. Tais exigncias so, muitas vezes, fontes de ansiedade e insegurana por pane dos alunos dos cursos tcnicos, sendo indispensvel o papel do supervisor que atua junto deles.O professor que acompanha os alunos no estgio em pediatria deve estar ciente de que cuidar compreende a sistematizao de aes especficas de enfermagem, voltadas ao atendimento das necessidades da pessoa, e no apenas resoluo de problemas, adotando uma postura tcnico-cientfica e tica com a finalidade de diminuir o trauma e suas conseqncias para a criana, famlia e alunos. Em nenhuma outra fase da vida, a hospitalizao to marcante como para a criana entre 18 meses e 5 anos, justamente pelas caractersticas e limitaes dessa faixa etria.

METODOLOGIAA metodologia empregada consistiu na pesquisa de campo, exploratria e descritiva. Os sujeitos escolhidos foram 80 alunos em estgio na unidade peditrica, do Curso Tcnico de Enfermagem de uma instituio de ensino do municpio de Santa Maria - RS. Os estgios desse Curso so realizados em um hospital de porte mdio que atende a clientes do Sistema Unico de Sade - SUS. A investigao foi realizada nos meses de setembro, outubro e novembro do ano de 2002. Os sujeitos foram convidados a participar da pesquisa respondendo a um questionrio, aplicado pelas autoras, composto de quatro perguntas abertas, envolvendo o tipo de vivncia diria com crianas, as expectativas em relao ao estgio em pediatria e a capacidade de desvincular problemas pessoais de atividades acadmicas. Ao receberem o instrumento, os sujeitos da pesquisa foram informados sobre a natureza, os objetivos da investigao e a garantia do sigilo. A anlise dos dados foi realizada de maneira qualitativa, com a transcrio dos discursos dos alunos e a excluso dos argumentos que se repetiram, pautando-se pelos requisitos necessrios de realidade, relevncia, clareza, profundidade e extenso (LAKATOS; MARCONI, 1995).

DISCUSSO DOS DADOSCom idade mdia entre 21 e 30 anos, os alunos investigados eram, em sua maioria, do sexo feminino. Em grande parte, a amostra apresenta sujeitos que possuem contato dirio com crianas: alguns, os prprios filhos, ou os filhos de parentes e amigos. Esse dado permite verificar como os alunos conhecem o universo infantil, de modo geral.Constatou-se que a maior parte dos estudantes, com relao aos sentimentos vivenciados no estgio de pediatria, sentem medo devido grande responsabilidade que trabalhar com crianas. A anlise qualitativa dos relatos dos sujeitos registrados nas perguntas abertas demonstrou, por um lado, que, para eles, se criana devem ser dadas as garantias de uma vida saudvel, que inclui o universo ldico, os estagirios devem saber intercalar cuidado e recreao, favorecendo criana hospitalizada um ambiente que lhe proporcione sentir-se vontade. Dessa forma, a equipe de sade quem dever favorecer e proporcionar esse elo durante a hospitalizao. Por ou-tro, muitos associam o universo infantil a bem-estar, tranqilidade e alegria, o que dificulta o olhar para a criana hospitalizada de forma objetiva, pois so associados sentimentos de piedade, que no so compatveis com o cuidado necessrio ao pequeno paciente.Vivenciar, assim, situaes desconhecidas, no presenciadas anteriormente, provoca insegurana, principalmente para os alunos que esto iniciando seus estgios, bem como sentimentos de impotncia e ansiedade. Cabe ao professor demonstrar confiana, explicar corretamente todos os passos das aulas prticas, salientando que todos so capazes e que esto ali para aprenderem juntos a cuidar de seres humanos especiais, criando-se um elo de confiana entre professor/aluno/paciente.Ao considerar a hospitalizao como um sofrimento para a criana e seus familiares, o cuidado de enfermagem deve ser qualificado e voltado a um atendimento que facilite essa adaptao, favorecendo uma melhora rpida e tornando o ambiente mais familiar. sobre esse cuidado que o aluno deve ser orientado e acompanhado pelo professor, primando por condies que o faam aprender e pr em prtica uma assistncia humanizada. Marcondes (2002) diz que vrios so os fatores que interferem na adaptao da criana ao hospital e os profissionais que atuam com criana devem realizar um cuidado que atenda a suas necessidades, respeitando as diferenas individuais de cada ser humano.Embora metade dos respondentes tenham afirmado que conseguem separar o aspecto pessoal do profissional em relao a suas atitudes com a criana doente, muitos admitiram que alternam o comportamento dependendo de cada caso, nem sempre conseguindo essa separao. Outros afirmaram que no conseguem separar sua vida pessoal da profissional, embora reconheam a importncia de faz-lo, pois muitas vezes essa maneira de agir interfere no cuidado com a criana enferma. Separar o pessoal do profissional compreendido, no mbito da sade, como uma exigncia para que no seja prejudicada a assistncia de enfermagem.O estresse, a culpa e a raiva levam os profissionais da sade e os familiares das crianas doentes a experienciarem sentimentos de tristeza e angstia. Os familiares, muitas vezes, canalizam esses sentimentos para os profissionais que esto trabalhando na unidade peditrica, os quais, por sua vez, no devem julgar nem revidar, pois sua tarefa cuid-los e orient-los nesse momento to delicado, encarado de diferentes maneiras de acordocom crenas e hbitos. O tcnico de enfermagem deve ser preparado para essas situaes e procurar entender cada paciente e familiar por intermdio do conhecimento de sua histria e cultura. O professor tem um Importante papel, pois sem uma orientao adequada, em campo de estgio, que favorea a adaptao desse futuro profissional em relao criana, a seus familiares e a seu prprio perfil e potencialidades, os objetivos ideais de umaboa assistncia peditrica podem no ser alcanados.Assim, importante que a criana e os pais sejam acolhidos na unidade peditrica pelos profissionais que ali atuam, tornando o ambiente humanizado, facilitando a sua adaptao e interao com o novo. Os alunos que realizam estgio nessa unidade precisam aprender a lidar com as crianas de forma que sejam favorecidos esses padres de relacionamento, nos quais s cabem atitudes honestas, pois os pequenos pacientes precisam de respostas francas, claras e simples. Esse clima de relacionamento interpessoal entre equipe, crianas hospitalizadas e familiares importante para uma boa estada e recuperao positiva.O aluno deve ser preparado continuamente, em campo de estgio, para dar assistncia qualificada, sendo sensvel s frustraes que a criana e sua famlia esto enfrentando, bem como a seus anseios pessoais, cabendo ao professor supervisor acompanh-lo, auxiliando-o nas dificuldades que certamente surgiro no decorrer desse perodo. A boa interao da equipe, o equilibrio emocional tanto individual quanto do grupo, so fatores imprescindveis na ateno s situaes de hospitalizao em unidades peditricas.

CONSIDERAES FINAISCom este trabalho foi possvel conhecer alguns dos mais recorrentes sentimentos dos estagirios do Curso Tcnico de Enfermag...

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