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www.geosaberes.ufc.br ISSN:2178-0463

Geosaberes, Fortaleza, v. 6, nmero especial (3), p. 35 45 Fevereiro. 2016. 2016, Universidade Federal do Cear. Todos os direitos reservados.

FORMAO DOCENTE E RECURSOS DIDTICOS: A CHARGE COMO POSSIBILIDADE DA PRTICA DOCENTE EM GEOGRAFIA

RESUMO

Este artigo tem como objetivo discutir a formao docente do licenciado em

Geografia, bem como analisar a relao de sua prtica com relao utilizao

de recursos didticos e a aprendizagem de contedos geogrficos. Dentre os diversos recursos didticos optou-se pelo uso da charge. Toda a discusso do

artigo se d com base nas ideias de autores como: Alves (2013), Callai (2013),

Cavalcanti (2002, 2012), Tardif (2012), Zabala (1998) e outros autores que discutem a temtica da formao e prtica docente. A metodologia utilizada

baseia-se em pesquisa bibliogrfica a cerca do tema discutido no artigo, bem

como levantamento de charges sobre os diversos temas. Aps levantamento

prvio das charges, buscou-se identificar a que contedos geogrficos so abordados nas mesmas.

Palavras-chave: Geografia. Formao Docente. Recursos Didticos. Charge.

ABSTRACT This paper aims to discuss the teacher training degree in Geography as well as

to analyze the teacher actions in relation to the use of the teaching resources and to the learning of geographic subjects. Among the teaching resources

available, the charge was the one selected. All the discussion presented in this

article concerns ideas based on the work of authors like: Alves (2013), Callai (2013), Cavalcanti (2002, 2012), Tardif (2012), Zabala (1998) and others that

discuss the teacher training and practice issues. The methodology is based on a

bibliographic research about the theme presented in this article as well as on a

survey of charges of varied themes. After collecting the charges, it was identified the geographic subjects stated on them.

Keywords: Geography. Teacher training. Teaching resources. Charge.

RESUMEN Este artculo tiene como objetivo discutir la formacin docente del docente

graduado em Geografa, as como analisar la relacin de su practica com

relacin a la utilizacin de recursos didacticos y el aprendizaje de los contenidos geogrficos . Entre los diversos recursos didacticos se ha elegido el

uso de la caricatura. Toda la discusin del artculo esta basada en las ideas de

los autores como: Alves (2013), Callai (2013), Cavalcanti (2002, 2012),

Tardif (2012), Zabala (1998) y otros autores que discuten la temtica de la formacin y la practica docente. La metodologa utilizada est basada en

investigacin bibliogrfica acerca del tema discutido en el artculo, as como el

levantamiento de caricaturas sobre los distintos temas. Tras el levantamiento previo de las caricaturas , se busc identificar que contenidos geogrficos son

abordados en ellas.

Palabras clave: Geografa. Formacin Docente. Recursos Didactcos. Caricatura

Antenor Fortes de Bustamante.

Mestrando em Geografia

PPGGEO/UFPI

Especialista em Geografia e Ensino

Professor de Geografia do IFPI Campus Valena do Piau

Bustamante.fortes@hotmail.com

Francisco Pereira Da Silva Filho.

Mestrando em Geografia

PPGGEO/UFPI

Pereira_ufpi@hotmail.com

Ana Celia Sousa Resende

Especialista em Psicopedagogia

Clinica e Institucional

Professora de Geografia SEDUC/MA e SEMEC-Teresina/PI

anacsresende@hotmail.com

mailto:Bustamante.fortes@hotmail.commailto:Pereira_ufpi@hotmail.commailto:anacsresende@hotmail.com

BUSTAMENTE, A. F; FILHO, F. P. S; RESENDE, A. C. S.

Geosaberes, Fortaleza, v. 6, nmero especial (3), p. 35 45 Fevereiro. 2016.

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CONSIDERAES INICIAIS

A Geografia enquanto cincia objetiva estudar o espao em suas mltiplas facetas

e formas de organizao. Para isso se vale de vrios conceitos-chave e variadas

metodologias de estudo, para compreender a forma de organizao do espao e, a partir

desse entendimento, produzir novos conhecimentos ou consolidar os j existentes.

Assim, mesmo antes da evoluo da Geografia enquanto cincia acadmica, j

havia se desenvolvido a Geografia Escolar encarregada de repassar ou transmitir o

conhecimento geogrfico populao que buscava a escola como instituio formadora.

Uma pea fundamental, nesse processo, a figura do professor que foi e ainda o

encarregado dessa transmisso dos conhecimentos geogrficos s crianas, jovens e

adultos, que buscam as escolas nos mais diversos pases. Aqui a escola vista da mesma

forma que Callai (2013) como uma instituio formal que tem em si a responsabilidade de

oportunizar o acesso ao conhecimento produzido pela humanidade, muito embora,

atualmente, a ela sejam atribudas outras tantas funes.

Como afirma Callai (2013, p.44-45), A Educao Geogrfica a possibilidade de tornar significativo o ensino de um

componente curricular sempre presente na Educao Bsica. Nesse sentido a

importncia de ensinar Geografia deve ser pela possibilidade do que a disciplina

traz em seu contedo, que discutir questes do mundo da vida. Para ir alm de

um simples ensinar, a Educao Geogrfica considera importante conhecer o mundo e obter e organizar os conhecimentos para entender a lgica do que

acontece.

Dessa forma, para se fazer o que prope Callai a respeito da Educao Geogrfica,

faz se necessrio a atuao do professor, e que nessa atuao ele se proponha a atividades

desafiadoras e diversificadas para que ocorra de fato a aprendizagem dos contedos

geogrficos, ou seja, que se realize de fato a chamada Educao Geogrfica.

De acordo com Callai (2013, p.76-77),

a Educao Geogrfica um conceito que, Diz respeito a algo mais que simplesmente ensinar e aprender Geografia. Significa que o sujeito pode construir

as bases de sua insero no mundo em que vive e compreender a dinmica do

mesmo por meio do entendimento da sua espacialidade. Esta como decorrncia

dos processos de mundializao da economia e de globalizao de todo o

conjunto da sociedade requer novas ferramentas para sua compreenso. Educao

Geogrfica significa, ento, transpor a linha de simplesmente obter informaes

para realizao de aprendizagens significativas envolvendo/utilizando os

instrumentos intelectuais para fazer a anlise geogrfica. Essa perspectiva

considera que entender a sociedade a partir da espacializao dos seus fenmenos

pode ser uma contribuio para a construo da cidadania.

Da a importncia de se ter bem definido que Geografia se quer fazer e como

trabalhar os conhecimentos geogrficos para que os discentes possam dominar os conceitos

e habilidades necessrios ao entendimento de sua espacialidade.

Este texto aborda alguns elementos importantes ao pensar e fazer Geografia, o

primeiro deles a discusso da formao docente em Geografia como norteadora para o

entendimento da prtica e da realidade docente.

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O segundo diz respeito relao da Geografia, seus contedos e recursos

didticos, para compreender quais contedos so importantes ou pelo menos esto sendo

considerados importantes e quais recursos didticos so ou podem ser utilizados pelo

professor de Geografia para uma aprendizagem significativa.

O terceiro ponto abordado, no texto, diz respeito utilizao da charge como

recurso didtico nas aulas de Geografia, por ser um elemento de fcil acesso e que contribui

de maneira divertida na aprendizagem dos contedos geogrficos.

FORMAO DOCENTE EM GEOGRAFIA

Segundo Callai (2013), a pesquisa sobre formao de professores de Geografia tem

avanado, tanto em nmero quanto em qualidade nos ltimos. Esse aumento no nmero e

em qualidade dessas pesquisas demonstra a importncia da temtica para o avano do

conhecimento geogrfico e sobre o entendimento de questes importantes sobre a formao

do professor de Geografia e de sua prtica.

Nas palavras de Cavalcanti (2012, p.13), a formao de professores ,

Um tema que tem merecido bastante ateno de cientistas e polticos nas ltimas

dcadas. Ele faz parte da produo acadmica e das polticas pblicas, campos

especficos da produo da realidade educativa, mas que esto em estreita

relao.

Dessa maneira, percebe-se que o tema da formao de professores interessa tanto a

pesquisadores do meio acadmico que tem questionamentos sobre o mesmo, bem como s

autoridades polticas tendo em vista que a formao de professores reflete diretamente na

qualidade do ensino ofertado nas escolas pblicas e particulares de todo o pas.

Nesse sentido Cavalcanti (2012, p.14), afirma que,

a partir da dcada de 1990, no Brasil, tendo em vista a melhoria da educao

escolar para cumprir exigncias de formao bsica em uma sociedade

caracterizada por significativos avanos cientficos e tecnolgicos, por um

mercado global competitivo e por um novo padro produtivo, vrias aes,

programas e polticas foram implementados norteando o projeto educativo do

pas. Destacam-se, entre outros, a implantao da Lei de Diretrizes e Bases da

Educao Nacional, em 1996; os Parmetros Curriculares Nacionais do Ensino

Mdio, as Diretrizes Nacionais de Formao de Professores da Escola Bsica, a

Resoluo CNE/2002 e a Lei n. 11.274 de 2006, de ampliao do ensino

fundamental para nove anos.

Como demonstra as colocaes da autora, a preocupao com a formao docente

dos professores por parte do poder pblico levou a uma intensa normatizao da educao e

da formao de professores, no intuito de unificar a maneira como se organiza a educao

pblica no pas.

De acordo com Tardif (2012, p.22) afirma que,

No Brasil, segundo os ltimos dados do Ministrio da Educao e Cultura (MEC,

2003) e do Instituto Nacional de Estudos Pedaggicos (Inep, 2003), existem perto

de 2,5 milhes de professores atuando nas escolas primrias e secundrias das

redes pblica e privada. [...] Ao mesmo tempo, preciso considerar que uma

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grande parte dos professores tm mais de um emprego e precisam cumprir dois

ou trs contratos semanalmente para receber um salrio decente.[...]

Esses dados de que trata o autor demonstra a grande quantidade de professores

atuando no Brasil, isso nos leva a questionar, como est se dando a formao dos

professores? E em especial, como est ocorrendo a formao do professor de Geografia?

A formao de professores um tema que est presente em muitas discusses

sobre a Educao no Brasil, com o ensino de todos os componentes curriculares, e isso se

d por conta da importncia que a formao de professores tem no processo de melhoria da

educao de um pas. Conforme afirma Callai (2013), a formao do professor de

Geografia deve estar referida a dois momentos: 1) a habilitao formal; 2) a formao num

processo.

Assim, a importncia do trabalho docente, liga-se diretamente ao fazer professoral

ou docente, pois, segundo Tardif (2012, p.23), a escolarizao supe, historicamente,

a edificao e a institucionalizao de um novo de campo de trabalho, a docncia

escolar no seio da qual os modos de socializao e de educao anteriores sero

ou remodelados, abolidos, adaptados ou transformados em funo dos

dispositivos prprios do trabalho dos professores na escola. Neste sentido, se as

interaes cotidianas entre os professores e os alunos constituem bem o

fundamento das relaes sociais na escola, essas relaes so, antes de tudo,

relaes de trabalho, quer dizer, relaes entre trabalhadores e seu objeto de trabalho.

Assim, na formao do professor de Geografia, as tenses esto sempre latentes e

as convergncias encontradas podem (e deveriam), ser no no sentido de camuflar, mas de

encar-las em sua plenitude. (Callai, 2013).

Callai (2013), afirma ainda que, a formao slida, portanto, no se resume a

saber o contedo da matria, mas a saber muitos outros aspectos que acompanham este

elemento (contedo/conhecimento).

Nesse sentido Callai (2013, p.105), afirma ainda que,

O gegrafo como profissional tem de dar conta de interpretar a realidade, fazendo

a anlise do espao enquanto um resultado do trabalho do homem. Perceber que

os problemas do territrio so mais que simplesmente problemas de espao, so

questes sociais (dos homens) que precisam ser compreendidas.

Percebe-se assim que, a formao do professor de Geografia deve ser pensada por

e a partir do quadro social em que se encontra a educao e, consequentemente, o ensino

dessa disciplina, oportunizando ao professor uma formao inicial slida. E ainda pensar

meios da insero desse profissional em um constante processo de formao continuada.

Pois, conforme afirma Cavalcanti (2012, p.19),

A investigao sobre a formao de professores tem apontado para os desafios

diante das demandas atuais e, com esse intuito, busca demonstrar como, cada vez

mais, a formao tem se tornado responsabilidade do prprio profissional,

comeando no perodo de sua formao bsica, no curso de nvel universitrio,

mas no se resumindo a ele, tendo continuidade em toda a sua trajetria

profissional.

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Essa afirmao da autora vai de encontro com o pensamento de Callai (2013, p.

20), ao afirmar que a formao do profissional deve dar conta da dimenso prospectiva,

pois os alunos de hoje sero os profissionais de amanh e ao form-los com parmetros de

hoje j estaremos em atraso. A autora afirma ainda que, A dimenso pedaggica na formao do gegrafo nos dada, enfim, pela busca

da construo da funo social anteriormente referida. Essa funo resgata o

sentido do aprender e do ensinar, medida que o contedo no fica reduzido

mera transmisso de informao e assimilao de habilidades e conhecimentos,

mas que leva a uma elaborao prpria, capaz de referenciar a atuao

profissional, independentemente das demandas, tornando o sujeito capaz de

encar-las com criatividade. (CALLAI, 2013, p. 21)

Dessa maneira, pode-se afirmar que a formao docente do professor de geografia

vem passando por significativas mudanas, e que essas mudanas se relacionam com o

momento histrico, social e econmico vivido pelo pas, que levam a mudanas no pensar a

educao e tambm pensar a formao desse profissional que estar encarregado de lidar

com contedos referentes cincia geogrfica.

GEOGRAFIA, CONTEDOS E RECURSOS DIDTICOS

A formao do professor de Geografia implica na aquisio de diversas

habilidades e contedos que sero trabalhados em sala de aula com o alunado da educao

bsica. Alm da necessidade de aprender tais contedos cabe tambm ao professor o

desenvolvimento ou aplicao de recursos didticos nas suas aulas.

De acordo com Zabala (1998, p.30), o termo contedos normalmente foi

utilizado para, expressar aquilo que se deve aprender, mas em relao quase exclusiva aos

conhecimentos das matrias ou disciplinas clssicas e, habitualmente, para aludir

queles que se expressam no conhecimento de nomes, conceitos, princpios e

teoremas. Assim, pois, se diz que uma matria est muito carregada de contedos

ou que um livro no tem muitos contedos, fazendo aluso a este tipo de

conhecimentos. Este sentido, estritamente disciplinar e de carter cognitivo,

geralmente tambm tem sido utilizado na avaliao do papel que os contedos

devem ter no ensino, de forma que nas concepes que entendem a educao

como formao integral se tem criticado o uso dos contedos como nica forma

de definir intenes educacionais. Devemos nos desprender desta leitura restrita do termo contedo e entend-lo como tudo quanto se tem que aprender para

alcanar determinados objetivos que no apenas abrangem as capacidades

cognitivas, como tambm incluem as demais capacidades. Deste modo, os

contedos de aprendizagem no se reduzem unicamente s contribuies das

disciplinas ou matrias tradicionais. Portanto, tambm sero contedos de

aprendizagem todos aqueles que possibilitem o desenvolvimento das capacidades

motoras, afetivas, de relao interpessoal e de insero social.

Assim, percebe-se que a viso ou definio de contedos muitas vezes influencia

diretamente na prtica docente e em como se planeja e se organiza as aulas e at mesmo no

discurso que se utiliza na sala de aula. E tambm, que de acordo com o autor citado, os

contedos se organizam ou podem ser organizados em: conceituais, atitudinais e

procedimentais. No entanto, essa organizao tipolgica dos contedos depende da corrente

ou viso de educao que se tem na escola.

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De acordo com Cavalcanti (2002), o objeto de estudo geogrfico na escola ,

pois, o espao geogrfico entendido como um espao social, concreto, em movimento. Um

estudo do espao assim concebido requer uma anlise da sociedade e da natureza, e da

dinmica resultante da relao entre ambas.

Sendo que para se realizar o estudo do espao geogrfico nas aulas, o mesmo se

encontra fragmentado em diversos contedos que se definem e se tipificam de acordo com

a abordagem e os objetivos propostos.

Conforme afirma Cavalcanti (2002, p.15), Alm de contedos estruturados a partir de desdobramentos de conceitos amplos

da cincia a que corresponde matria de ensino, tem sido destacados tambm,

em propostas curriculares, os contedos procedimentais e valorativos. Esse

destaque deve-se ao entendimento geral de que o desenvolvimento do aluno na

escola no se restringe sua dimenso intelectual, mas inclui as dimenses fsica,

afetiva, social, moral, esttica. No caso especfico da Geografia, entre as

capacidades e habilidades para operar com o espao geogrfico, destaca-se a capacidade de observao de paisagens, de discriminao e tabulao de dados

estatsticos, de mapeamento e leitura de dados cartogrficos.

Assim, constata-se que os diversos contedos devem ser organizados e trabalhados

de acordo com a tendncia educacional, seguida pela escola ou pelo educador, caso possua

essa autonomia. No entanto, ao se seguir o que foi discutido pelos autores acima citados,

observa-se que os encaminhamentos devem seguir para propostas pedaggicas de cunho

socioconstrutivista.

Nas palavras de Cavalcanti (2002, p.18),

a concepo construtivista no ensino no reduz o papel do professor, ao contrrio

reconhece seu papel mediador. No ensino formal, a atividade do aluno, seu

processo intelectual de construo de conhecimentos, dirigida, no uma

atividade espontnea. uma atividade mediada, que requer uma interveno

intencional e consciente do professor.

Nesse sentido destaca-se a utilizao de recursos didticos nas aulas de Geografia

para que ocorra a aprendizagem dos contedos de maneira efetiva. Pode-se citar a

possibilidade do uso de diversos recursos didticos como: livro didtico, paradidtico,

quadro, recursos tecnolgicos (rdio, TV, computador, internet), bem como de linguagens

alternativas (verbais e no verbais) presente em jornais, revistas em quadrinhos, charges e

etc.

A CHARGE COMO RECURSO DIDTICO NAS AULAS DE GEOGRAFIA

Para Cavalcanti (2002, p.35), admitindo-se que o objetivo do ensino de Geografia

o de desenvolver o pensamento autnomo a partir da internalizao do raciocnio

geogrfico, tem-se considerado importante organizar os contedos de ensino com base em

conceitos, bsicos e relevantes, necessrios apreenso do espao geogrfico.

Nesse sentido a utilizao de linguagens alternativas como a charge no ensino de

Geografia se faz uma alternativa de recurso didtico pelas inmeras possibilidades de

utilizao. A charge se configura como um recurso de fcil acesso, baixo ou nenhum custo,

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e por ser uma forma divertida e bem humorada de se trabalhar os contedos geogrficos.

Alm da possibilidade de se trabalhar de maneira interdisciplinar.

De acordo com Alves (2013, p.418),

Atualmente existe uma diversidade de formas de se comunicar algo, levando-se

em considerao o advento de novas tecnologias responsveis pela divulgao e

facilidade de edio dos mais variados gneros textuais. Muitos desses gneros

textuais podem ser utilizados em sala de aula, desde que observada sua adequao

temtica.

O processo de ensino necessita de mobilizaes que promovam a aprendizagem e

que acompanhem o desenvolvimento social, econmico e cultural da sociedade,

trazendo para o mbito escolar no s as temticas atuais, mas as formas

alternativas de transposio didtica de contedos. Para tanto, fundamental que

o professor seja consciente do seu papel de formador de opinies e articulador de

novas estratgias de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, as charges e tiras humorsticas so alternativas viveis que podem promover resultados satisfatrios

por parte dos discentes.

Assim, v-se que existe a possibilidade de se fazer aulas mais motivadoras e que

apresentem uma dinamicidade maior em relao aos objetivos de aprendizagem. Pois de

acordo com Alves (2013, p.418),

Tratando-se da disciplina de Geografia, existem vrias possibilidades de se

trabalhar com esses recursos didticos devido ao volume de temas sociais,

crticos e contemporneos representados pelas charges e tiras humorsticas veiculados pelos sistemas de informaes do pas (revistas, internet, jornais, etc.).

Alm disso, existe a necessidade gritante de tornar a disciplina mais interessante

para os alunos, haja vista que, por vezes, estes a classificam como uma disciplina

chata, montona, em sntese, desinteressante.

Cavalcanti (2002) relata sobre a importncia de trabalhar sobre as diferentes

formas de linguagem no ensino de geografia, desde a linguagem verbal ao uso de figuras

ilustrativas e meio de comunicao podendo estabelecer a relao dos contedos

geogrficos com o conhecimento prvio do aluno. [...] h que se destacar sua potencialidade para levar o aluno a perceber, por

exemplo, a geografia no cotidiano, para fazer a ponte entre seu conhecimento

cotidiano e o cientfico, para problematizar o contedo escolar e partir de outras

linguagens e de outras formas de expresso (CAVALCANTI, 2002, p. 87).

Dessa maneira, se faz necessrio seleo de charges nos mais diversos meios de

comunicao, sempre observando os contedos que se esteja trabalhando em sala de aula.

Nesse sentido, nos exemplos elencados se constata a possibilidade de se trabalhar diversos

temas ou contedos da Geografia.

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TEMA: MEIO AMBIENTE

Disponvel em: https://jogadacerta.files.wordpress.com/2013/04/charge_meio_ambiente.jpg

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TEMA: URBANIZAO

Disponvel em: http://3.bp.blogspot.com/charge.jpg

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TEMA: GLOBALIZAO

Disponvel em: http://1.bp.blogspot.com/

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TEMA: CLIMA

Disponvel em: http://www.monolitospost.com/wp-content/uploads/2012/01/charge-da-semana1.jpg

Disponvel em: cipiosbaianos.com.br/painel/noticias/imagens/fotos/A CHARGE DA IMAGEM DA

CUPULA DO CLIMA.jpg

Os exemplos demonstram como as charges podem ser bem aproveitadas no ensino

da Geografia, pois demonstram como trazem em si diversas possibilidades de abordagem

de contedos geogrficos e que esto presentes no cotidiano do alunado. Dessa maneira, o

uso dessas e de muitas outras charges existentes pode favorecer a aprendizagem dos

contedos geogrficos de maneira prazerosa e divertida.

CONSIDERAES FINAIS

Este artigo teve como objetivo discutir a formao do professor de Geografia,

trazendo discusso questes relacionadas forma como se d tal formao, bem como a

implicncia dessa formao no campo da atuao profissional. Neste sentido, constatou-se

que esse tema, encontra-se no bojo da discusso acadmica e faz parte de aes

governamentais que tratam da temtica, a exemplo da LDB/1996, PCNs e outros

documentos oficiais.

Alm disso, discutiu-se tambm a relao dos contedos geogrficos com os

recursos didticos dentro do ensino de Geografia, dentre os mais diversos recursos

didticos, deu-se nfase na utilizao de charges como possibilidade de mediao na

aprendizagem da Geografia.

Portanto, o ensino da Geografia Escolar tem passado por mudanas significativas,

tais mudanas so reflexos de transformaes ocorridas no processo de formao inicial e

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continuadas dos docentes, bem como da utilizao e incorporao de novos recursos

didticos que propiciam melhorias no processo de ensino-aprendizagem.

REFERNCIAS

ALVES, Telma Lcia Bezerra. A utilizao de charges e tiras humorsticas como

recurso didtico-pedaggico mobilizador no processo de ensino-aprendizagem da

Geografia. Educao/Santa Maria. V.38 n 21 p. 417-432. Maio/Agosto 2013.

CALLAI, Helena Copetti. A formao do profissional de geografia: o professor. Iju:

Ed. Uniju, 2013.

CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia e prticas de ensino. Goinia: Alternativa,

2002.

CAVALCANTI, Lana de Souza. O ensino de geografia na escola. Campinas, SP: Papirus,

2012.

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DA CUPULA DO CLIMA.jpg

TARDIF, Maurice. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docncia como

profisso de interaes humanas; traduo de Joo Batista Kreuch. 7 ed. Petrpolis, RJ:

Vozes, 2012.

ZABALA, Antoni. A prtica educativa: como ensinar. Traduo Ernani F. da F. Rosa

Porto Alegre: Artmed, 1998.

http://3.bp.blogspot.com/charge.jpghttp://1.bp.blogspot.com/http://www.monolitospost.com/wp-content/uploads/2012/01/charge-da-semana1.jpg

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