Fonseca politicas publicas

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<ul><li> 1. POLTICAS PBLICAS PARA A QUALIDADE DA EDUCAO BRASILEIRA: ENTRE O UTILITARISMO ECONMICO E ARESPONSABILIDADE SOCIALMARLIA FONSECAMESTRANDA MARICLEI PRZYLEPA</li></ul> <p> 2. Compreender como o conceito de qualidade se configurounos planos brasileiros de educao A poltica educacional, nas quatro ltimas dcadas, oscilou no confronto entre as propostas oriundas dos movimentos sociais e as polticas pblicas fixadas pelos sucessivos governos. Foram produzidos diferentes significados para a qualidade da ao educativa, quer expressem os princpios humanistas, privilegiando a cidadania e a emancipao dos sujeitos, quer se voltem para a preparao dos indivduos como meros produtores e consumidores no mercado. 3. QUALIDADE E EDUCAOQualidade da educao supe apreend-la no mago da dinmica socioeconmica ecultural de um pas.Supe perceber a sua interlocuo: com os movimentos pedaggicos emetodolgicos, com as demandas da sociedade organizada aquelas que partemdos educadores sustentando posies contrrias poltica oficial.Funo social: a educao de qualidade se realiza na medida em que logre prepararo indivduo para o exerccio da tica profissional e da cidadania .Educ-lo paracompreender e ter acesso a todas as manifestaes da cultura humana;Do ngulo puramente pragmtico: a educao de qualidade se resume aoprovimento de padres aceitveis de aprendizagem para inserir o indivduo como produtor-consumidor na dinmica do mercado. 4. SchwartzmanSAVIANI(2007) (1984), Baia HortaVIEIRA(2007)(1982), 5. A dcada de 1960 representou um marco na educao brasileira: promulgao da primeira Lei deDiretrizes e Bases da Educao (1961) e implementao dos primeiros planos educacionais. Ideia de planejar a educao desde o incio da dcada de 1930: atuao dos educadores conhecidoscomo pioneiros ou renovadores.Baia Horta (1982): os pioneiros reunidos na Associao Brasileira de Educao (ABE) orientavam-sepor valores democrticos de universalizao do acesso escola e de igualdade de ensino paratodos. Incentivavam a qualidade metodolgica da educao bsica. IV Conferncia Nacional de Educao, promovida pela ABE em 1931, resultou numa propostaconhecida como Manifesto dos Pioneiros. Constituio de1934 incorporou o sentido democrtico do Manifesto, estabelecendo o ensinoprimrio integral, gratuito, de frequncia obrigatria e extensivo aos adultos.Instaurao do Estado Novo: a proposta dos educadores e a prpria Constituio de 1934 tiveramvida breve. 6. Os militares e os catlicos apoiavam o governo e lograram agregar suas propostas no novoplano de educao que seria apresentado ao Congresso em 1937:Qualidade do ensino pblico: formao de um homem til e disciplinado para um Estadoque se queria moderno, industrial e nacionalista.Segundo Schwartzman (1984): a poltica educacional do Estado Novo privilegiou a formaopara o trabalho, mediante a organizao do ensino bsico por ramos profissionais quecorrespondiam diviso econmico-social do trabalho e das classes sociais.Vieira (2007): a queda do Estado Novo (com a eleio de Eurico Gaspar Dutra, em 1945) noimplicou mudanas significativas na linha do governo.Ogovernodemocrtico de Kubitschek 1956-1961 deflagrouuma poltica dedesenvolvimento sistematiza da no chamado programa de metas: A educao foi incorporada ao programa com o propsito de preparar pessoaltcnico para a implantao das indstrias de base. 7. Instaurao do governo militar, o Plano 1963-1965 foi revisto, com o objetivo deadequ-lo realidade brasileira como compreendia o novo governo. No incio da dcada de 1970: sistema educacional ajustou-se estrutura da reforma administrativa e aomodelo de crescimento implementado no pas: Os planos educacionais foram incorporados aos programasestratgicos dos governos militares: o enfoque da Administrao por Objetivos. O I Plano Setorial de Educao (Brasil/MEC, 1971) Para facilitar a gesto descentralizada foram criados distritosgeoeducacionais e rgos especiais de gerncia. 8. A qualidade educacional definia-se pelo objetivo :formar um cidado capaz de participar eficazmente das atividades produtivas da nao. o saber que a escola democrtica transmitir ter de ser um saber das coisas e no um saber sobre as coisas, com que se contenta a escola tradicional (Brasil/MEC, 1971, p. 15-16). O I Plano Setorial consolidou as teorizaes do capital humano e do enfoque de mo-de-obra como bases doutrinrias para a educao brasileira. 9. O Banco Mundial imps-se como um dos parceiros mais atuantes, no perodo1970-1990 intensificando o seu financiamento educao bsica.O II Plano Setorial (1975-79) :Formao do homem til ao pas . Adequar o ensino bsico ao novo setor produtivo: base em tecnologias avanadas nos planos tcnico, administrativo e organizacional. Foram mantidos os objetivos do I Plano: adequao dos contedos, mtodos e tcnicas de ensino s necessidades da clientela; adequao dos resultados do sistema educacional aos requerimentos da estrutura ocupacional; incremento da oferta de ensino, na modalidade escolar ou no-escolar; treinamento de docentes in loco; elaborao de modelos de objetivos de ensino; treinamento de pessoal, visando modificao da conduta funcional dos trabalhadores (Brasil/MEC, 1975a, p. 53-55).O plano de 1975 foi complementado por uma proposta intitulada Poltica Nacional de Educao Integrada, inspirada em programas financiados pelo Banco Mundial para a regio Nordeste, conhecidos como Projetos de Desenvolvimento Rural Integrados (PDRI). 10. Buscou espelhar a ambincia democrtica que marcou o final dogoverno militar.Sua elaborao deu-se por um processo de planejamento participativo, congregando entidades acadmicas e representativas do setor educacional,alm de pessoal tcnico das administraes estaduais e municipais. Em atendimento aos reclamos das classes mdias e altas, substitui-se a profissionalizao obrigatria por uma alternativa menos rgida, conhecida como preparao para o trabalho.No tocante diversificao do ensino, o terceiro plano deu continuidade ao segundo, adequando os contedos, mtodos e a organizao da escola s especificidades de cada grupo social. 11. Os planos educacionais adotaram majoritariamente a ideologiados governos estabelecidos. O perodomilitar caracterstica autoritria: arrefecimento da mobilizao social e intensificao dos acordos de cooperao com agncias de fomento econmico e bancos internacionais. A organizao do ensino por nveis e modalidades, discriminados segundo as caractersticas de cada clientela, produziu um significado peculiar para a qualidade educacional: reeditou-se a poltica discriminatria do Estado novo ao se adaptar a estrutura e os contedos do ensino diviso econmica dotrabalho e das classes sociais. 12. As Conferncias Brasileiras de Educao e o Frum Brasileiro em Defesa da Escola Pblicacongregaram partidos polticos, educadores, estudantes, sindicatos, moradores de bairro eassociaes de pais, tendo como norte a elaborao de propostas para a futura AssembliaNacional Constituinte de 1988.Proposies revelavam um novo conceito de qualidade, que no se limitava aos aspectos tcnicos equantitativos do sistema, mas que deveriam contribuir para a construo de novo projetohegemnico de sociedade (Brasil/MEC/INEP, 1989, p. 15).No mbito da poltica oficial, o Plano Setorial de Educao e Cultura para o perodo 1986-1989integrou-se ao I Plano de Desenvolvimento da Nova Repblica.O Plano de 1986 recomendava a preparao de planejadores e gestores nos mbitos federal,estadual e municipal para o desenvolvimento de processos gerenciais e organizacionais, comvistas a facilitar e agilizar a utilizao dos insumos e produtos do setor e a avaliao dos seusresultados (Brasil/MEC, 1986, p.14-21). 13. Profcua para a mobilizao da sociedade.As Conferncias Brasileiras de Educao e o Frum Brasileiro em Defesa da Escola Pblica reuniam os educadores em torno de outras propostas autonmicas para a educao pblica.Segundo Saviani (2007b): momento de maturidade para a reflexo acadmica, e, certamente, determinante para a qualidade da educao brasileira.No final daquela dcada, o MEC negociava com o Banco Mundial outro acordo para o desenvolvimento da educao fundamental nos estados do Nordeste (Projeto Nordeste), cuja execuo dar-se-ia na dcada de 1990.As experincias avaliativas efetuadas nos mbito dos acordos internacionais deram suporte aos projetos nacionais de avaliao que se consolidariam na dcada de 1990 e que se constituiriam a principal referncia para a qualidade educacional. 14. Governo Collor de Melo, em 1990: implantou-se um ciclo nacional de estudos visando subsidiar o Plano de Ao do governo para o perodo 1990-1995.A qualidade da educao foi amplamente debatida em ciclos de estudos, congregando renomados educadores brasileiros, administradores dos diversos sistemas de ensino, estudiosos em geral e representantes do empresariado. (Brasil/MEC, 1990a).Poltica avaliativa includa no plano educacional do governo vigente (Brasil/MEC, 1990b), ao admitir que a qualidade educacional se produziria pela definio de objetivos educacionais que pudessem ser quantitativamente aferidos.A aluso modernidade dizia respeito inteno de modelar a educao segundo a nova estrutura de Estado que se instalava no Brasil e que afirmava a hegemonia poltica do neoliberalismo, com suas estratgias de Estado mnimo, controlado por sistemas nacionais de avaliao e de fiscalizao, alm da desideologizao do debate educacional (Brasil/MEC, 1990a) 15. Apesar da intensa mobilizao governamental em torno do setor educativo, os planos elaborados durante o perodo da Nova Repblica e do governo Collor tiveram pouco impacto no cenrio nacional.Murlio Hingel buscou imprimir um tom diferenciado poltica educacional:Acordo Nacional de Educao configurava-se como um pacto de qualidade. No final de seu mandato ministerial, a Organizao das Naes Unidas para a Educao e a Cultura (UNESCO) exigiu dos pases membros a elaborao dos planos educacionais para a dcada, segundo a Declarao Mundial de Educao para Todos, resultante da Conferncia Internacional de Jontien, em 1990. Com base nas recomendaes da conferncia, o Ministrio da Educao elaborou o Plano Decenal de Educao Para Todos. 16. A dcada de 1990 caracterizou-se pela reestruturao do sistema econmico mundial e pelas demandas da chamada revoluo tecnolgica ou revoluo informacional. Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) implementou uma srie de mudanas no mbito da chamada Reforma do Estado (Brasil/MARE, 1995): Substituio da administrao pblica burocrtica pela administrao gerencial. Plano Nacional de Educao (aprovado pelo Congresso em 2001): as metas do planocentravam-se na equalizao de oportunidades. Implementado em 1998, o FUNDEF buscou adequar o aprendizado ao conceito operacional de custo-aluno-qualidade. Acordo de financiamento com o Banco Mundial, para a melhoria da qualidade das escolas fundamentais das regies Norte, Nordeste e Centro-Oeste: (FUNDESCOLA - PDE). 17. Adotou a justia social como marco doutrinrio. Projeto educacional: reiterou o objetivo da gesto anterior, de universalizar a educao bsica e de ampliar a oferta do nvel mdio.Comparativamente ao vis economicista do governo anterior, o Plano Plurianual 2003-2007 expressava uma tendncia social mais acentuada, com o intuito de corrigir a histrica desigualdade entre regies, pessoas, gneros e raas.Em 2007: lanou o Plano de Desenvolvimento da Educao (PDE), propondo trinta metas para enfrentar os desafios da qualidade, das quais dezessete se referem ao ensino bsicoSaviani (2007) aponta, como uma das fragilidades do PDE,o fato de que suas metas se limitem a um conjunto de aes sem a organicidade necessria para se constituir em um plano poltico de governo.</p>