flamengo pensa em times para a superliga

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anos, tempo em que o recordista Palmeiras jogou na elite de torcedores tem o Flamengo, clube mais popular do Brasil 8 39 milhões exemplos aconteceram na Superliga feminina de reais, investimento feito pelo RJX no seu ano de estreia 4 13 milhões clubes de futebol já disputaram a Superliga masculina de vôlei 6 “O Flamengo já tem um bom trabalho de vôlei na base, desde a escolinha até o juvenil. Temos o interesse de fazer um time profissional de ponta, mas uma coisa é querer, a outra é fazer.” REPRESENTANTE DA NOVA DIRETORIA DO FLAMENGO “Todo clube de futebol tem um grande apelo, até pelo tamanho da torcida. Mas queremos projetos consistentes, seja de uma empresa ou de um time conhecido. É viável pensar em um projeto de, no mínimo, cinco anos.” Renato D´Ávila SUPERINTENDENTE DA CBV ¬ Para se montar um time de vôlei com um alto nível técnico, que entre em um dos campeonatos mais dispu- tados do mundo para dispu- tar as primeiras posições, o caminho não é fácil. Os investimentos são al- tos, principalmente para se manter um elenco qualifica- do, que pode exigir uma par- ceria que ajude a arcar com as despesas dos altos salá- rios dos jogadores e da co- missão técnica. “Para formar uma equipe de alto nível, cus- ta caro. Os parâmetros são di- ferentes dos do futebol, mas trata-se de um valor repre- sentativo. Muitas vezes, par- ceiros são necessários para que os gastos sejam consis- tentes”, disse Renato D’Ávi- la, dirigente da CBV. (DO) Representante da nova diretoria admite interesse no projeto, mas prevê dificuldades ¬ DANIEL OTTONI ¬ É inegável o apelo que qualquer time de futebol tem no país quando decide criar uma equipe de alto ní- vel em outro esporte. São vários exemplos, do passa- do e do presente. Alguns outros, certamente apare- cerão no futuro. Para o que vem por aí, nos próximos anos, é possível que uma das principais agremia- ções do país esteja de volta à Superliga de vôlei. O Flamengo, clube de maior torcida do país, po- derá ser um dos novos par- ticipantes da próxima edi- ção das Superligas masculi- na e feminina. O interesse do clube carioca existe, e esse pode ser o primeiro passo para o retorno do ru- bro-negro à elite do vôlei nacional. “O Flamengo possui equipes de base, desde a es- colinha até o juvenil. Sem- pre temos a intenção de fa- zer um time de ponta, que entre para disputar títulos. Mas uma coisa é querer, outra é fazer”, comentou um dos integrantes da no- va diretoria do clube cario- ca, que preferiu se manter no anonimato. O represen- tante rubro-negro não es- queceu de citar o recente caso da equipe de natação flamenguista, que foi extin- ta por falta de condições de trabalho na Gávea. O Flamengo disputou a Superliga pela última vez na temporada 2005/06. Em 2001, pela liga feminina, o clube da Gávea chegou a fa- zer uma final inesquecível contra o arquirival Vasco da Gama, quando as duas equi- pes contavam com grandes nomes do vôlei nacional, co- mo Virna e Leila. A decisão aconteceu em um Maracanãzinho lotado. No entanto, algumas das lembranças que restaram não foram positivas. As dívi- das acabaram impedindo que o time carioca desse con- tinuidade ao projeto. Dificul- dades continuaram apare- cendo, mesmo após o anún- cio oficial do fim da equipe. “Os problemas financei- ros aconteceram tanto com os jogadores como com a própria CBV. É bom deixar claro, também, que isso aconteceu em outras oportu- nidades, não somente com os clubes de futebol que che- garam a disputar o campeo- nato”, ressalta Renato D’Ávi- la, superintendente da Con- federação Brasileira de Vô- lei (CBV). Para garantir vaga na Su- perliga, o Flamengo pode entrar como clube convida- do, desde que apresente à CBV um projeto consisten- te, ao contrário do que acon- teceu anteriormente. “O his- tórico dos clubes de futebol na Superliga, que mostra- ram um plano consistente e com durabilidade, são pou- cos. Não temos preferência por determinada equipe, so- mente pelo fato de ser repre- sentante de um clube de fu- tebol. Claro que isso gera um grande apelo, mas o que queremos são projetos viá- veis, que pensem no médio e longo prazo. Algo de, no mínimo, cinco anos”, desta- ca D’Ávila, Parceiro de peso ajuda bastante Números 7 A Superliga de vôlei já teve clubes de futebol integrando seu quadro de equipes participantes. No fe- minino, Flamengo, Vasco, Botafogo e Sport já jogaram o campeonato nacional, com destaque para a final de 2001, entre Flamengo e Vasco, e para o time de Reci- fe, que soma três participa- ções, entre 2007 e 2010. No masculino, são seis exemplos. O recordista foi o Palmeiras, com oito partici- pações: de 94 a 98, e de 99 a 2003. Além dele, disputa- ram o torneio o Flamengo, que chegou a ter Tande no elenco, Vasco, São Paulo, Fluminense, Volta Redon- da e Cruzeiro. A presença de clubes de futebol no vôlei não possui um padrão pré-definido. As- sim como alguns clubes tive- ram a ideia de formar um ti- me de vôlei, outros mode- los aconteceram no cami- nho inverso: uma equipe já montada mostrava capaci- dade e recebia o apoio de um clube de futebol para formar uma parceria com grandes ambições. “O mais importante, em qualquer dos casos, é a con- tinuidade. É interessante pensar em algo para se fa- zer em, no mínimo, cinco anos”, aponta Renato D’Ávi- la, superintendente da Con- federação Brasileira de Vô- lei (CBV). Para ele, dois exemplos servem de base. “Temos o Sada Cruzeiro, que em pou- co tempo de parceria já mos- trou ter um trabalho vitorio- so, disputando o Mundial e conquistando um título bra- sileiro. O RJX também mos- trou um projeto profissio- nal, que já se tornou realida- de”, comenta o dirigente da CBV. (DO) JOÃO MIRANDA – 15.12.2012 Boas intenções EUGÊNIO GURGEL – 31/3/2001 Flamengo pensa na Superliga Tradição. Time feminino do Flamengo já fez parte da elite do vôlei nacional, contando com atletas consagradas, como Leila (dir.) Parceria Bem-sucedido. Para a CBV, Sada Cruzeiro é um modelo a ser seguido pelos clubes de futebol Retorno. Rubro-negro carioca esteve na elite do vôlei nacional pela última vez na temporada 2006 Sada e RJX são exemplos 30 e . O TEMPO Belo Horizonte DOMINGO, 13 DE JANEIRO DE 2013 Vôlei |

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Matéria sobre o projeto do time carioca em formar duas equipes para disputar maior campeonato de vôlei do Brasil

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anos,tempo em que o recordistaPalmeiras jogou na elite

de torcedorestem o Flamengo, clubemais popular do Brasil

8

39 milhões

exemplosaconteceram naSuperliga feminina

de reais,investimento feito peloRJX no seu ano de estreia

4

13 milhões

clubesde futebol já disputaram aSuperliga masculina de vôlei

6 “O Flamengo já tem umbom trabalho de vôleina base, desde aescolinha até o juvenil.Temos o interesse defazer um timeprofissional de ponta,mas uma coisa é querer,a outra é fazer.”

REPRESENTANTE DA NOVADIRETORIA DO FLAMENGO

“Todo clube de futeboltem um grande apelo,até pelo tamanho datorcida. Mas queremosprojetos consistentes,seja de uma empresa oude um time conhecido. Éviável pensar em umprojeto de, no mínimo,cinco anos.”

Renato D´ÁvilaSUPERINTENDENTE DA CBV

¬ Para se montar um timede vôlei com um alto níveltécnico, que entre em umdoscampeonatosmaisdispu-tados do mundo para dispu-tar as primeiras posições, ocaminho não é fácil.

Os investimentos são al-tos, principalmente para semanter um elenco qualifica-do, que pode exigir uma par-ceria que ajude a arcar comas despesas dos altos salá-rios dos jogadores e da co-missão técnica. “Para formarumaequipedealtonível,cus-tacaro.Osparâmetrossãodi-ferentes dos do futebol, mastrata-se de um valor repre-sentativo. Muitas vezes, par-ceiros são necessários paraque os gastos sejam consis-tentes”, disse Renato D’Ávi-la, dirigente da CBV. (DO)

Representanteda nova diretoriaadmite interesse noprojeto, mas prevêdificuldades

¬ DANIEL OTTONI¬É inegável o apelo quequalquer time de futeboltem no país quando decidecriar uma equipe de alto ní-vel em outro esporte. Sãovários exemplos, do passa-do e do presente. Algunsoutros, certamente apare-cerão no futuro. Para o quevem por aí, nos próximosanos, é possível que umadas principais agremia-ções do país esteja de voltaà Superliga de vôlei.

O Flamengo, clube demaior torcida do país, po-derá ser um dos novos par-ticipantes da próxima edi-ção das Superligas masculi-na e feminina. O interessedo clube carioca existe, eesse pode ser o primeiropasso para o retorno do ru-bro-negro à elite do vôleinacional.

“O Flamengo possuiequipes de base, desde a es-colinha até o juvenil. Sem-pre temos a intenção de fa-zer um time de ponta, queentre para disputar títulos.Mas uma coisa é querer,outra é fazer”, comentouum dos integrantes da no-va diretoria do clube cario-ca, que preferiu se manterno anonimato. O represen-tante rubro-negro não es-queceu de citar o recentecaso da equipe de nataçãoflamenguista, que foi extin-ta por falta de condiçõesde trabalho na Gávea.

O Flamengo disputou aSuperliga pela última vez

na temporada 2005/06. Em2001, pela liga feminina, oclube da Gávea chegou a fa-zer uma final inesquecívelcontra o arquirival Vasco daGama, quando as duas equi-pes contavam com grandesnomes do vôlei nacional, co-mo Virna e Leila. A decisãoa c o n t e c e u e m u mMaracanãzinho lotado.

No entanto, algumas daslembranças que restaramnão foram positivas. As dívi-das acabaram impedindoque o time carioca desse con-tinuidade ao projeto. Dificul-dades continuaram apare-cendo, mesmo após o anún-cio oficial do fim da equipe.

“Os problemas financei-ros aconteceram tanto comos jogadores como com aprópria CBV. É bom deixarclaro, também, que issoaconteceu em outras oportu-nidades, não somente comos clubes de futebol que che-garam a disputar o campeo-nato”, ressalta Renato D’Ávi-la, superintendente da Con-federação Brasileira de Vô-lei (CBV).

Para garantir vaga na Su-perliga, o Flamengo podeentrar como clube convida-do, desde que apresente àCBV um projeto consisten-te, ao contrário do que acon-teceu anteriormente. “O his-tórico dos clubes de futebolna Superliga, que mostra-ram um plano consistente ecom durabilidade, são pou-cos. Não temos preferênciapor determinada equipe, so-mente pelo fato de ser repre-sentante de um clube de fu-tebol. Claro que isso geraum grande apelo, mas o quequeremos são projetos viá-veis, que pensem no médioe longo prazo. Algo de, nomínimo, cinco anos”, desta-ca D’Ávila,

Parceiro depeso ajudabastante

Números

7A Superliga de vôlei játeve clubes de futebol

integrando seu quadro deequipes participantes. No fe-minino, Flamengo, Vasco,Botafogo e Sport já jogaramo campeonato nacional,com destaque para a finalde 2001, entre Flamengo eVasco, e para o time de Reci-fe, que soma três participa-ções, entre 2007 e 2010.

No masculino, são seisexemplos. O recordista foi o

Palmeiras, com oito partici-pações: de 94 a 98, e de 99a 2003. Além dele, disputa-ram o torneio o Flamengo,que chegou a ter Tande noelenco, Vasco, São Paulo,Fluminense, Volta Redon-da e Cruzeiro.

A presença de clubes defutebol no vôlei não possuium padrão pré-definido. As-sim como alguns clubes tive-ram a ideia de formar um ti-me de vôlei, outros mode-

los aconteceram no cami-nho inverso: uma equipe jámontada mostrava capaci-dade e recebia o apoio deum clube de futebol paraformar uma parceria comgrandes ambições.

“O mais importante, emqualquer dos casos, é a con-tinuidade. É interessantepensar em algo para se fa-zer em, no mínimo, cincoanos”, aponta Renato D’Ávi-la, superintendente da Con-

federação Brasileira de Vô-lei (CBV).

Para ele, dois exemplosservem de base. “Temos oSada Cruzeiro, que em pou-co tempo de parceria já mos-trou ter um trabalho vitorio-so, disputando o Mundial econquistando um título bra-sileiro. O RJX também mos-trou um projeto profissio-nal, que já se tornou realida-de”, comenta o dirigente daCBV. (DO)

JOÃO MIRANDA – 15.12.2012

Boas intenções

EUGÊNIO GURGEL – 31/3/2001

Flamengo pensa na Superliga

Tradição. Time feminino do Flamengo já fez parte da elite do vôlei nacional, contando com atletas consagradas, como Leila (dir.)

Parceria

Bem-sucedido. Para a CBV, Sada Cruzeiro é um modelo a ser seguido pelos clubes de futebol

Retorno. Rubro-negro carioca esteve na elite do vôlei nacional pela última vez na temporada 2006

Sada e RJX são exemplos

30 e. O TEMPO Belo HorizonteDOMINGO, 13 DE JANEIRO DE 2013 Vôlei|