fisiologia do movimento humano

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  • 1. Fisiologia do Movimento Humano (2a edio)Marcus Vincius C. Baldo

2. SUMRIO INTRODUO AO ESTUDO DA MOTRICIDADE ................................................ 1 FISIOLOGIA DA CONTRAO MUSCULAR ...................................................... 3 Miastenia Gravis .........................................................................................5 ORGANIZAO HIERRQUICA DOS SISTEMAS MOTORES .............................. 6 SENSIBILIDADE PROPRIOCEPTIVA............................................................. 11 ORGANIZAO GERAL DOS SISTEMAS SENSORIAIS ....................................................... 11 SENSIBILIDADE ARTICULAR................................................................................. 14 SENSIBILIDADE VESTIBULAR................................................................................ 15 SENSIBILIDADE MUSCULAR ................................................................................. 20 Distrofias Musculares ................................................................................. 24 INTEGRAO ESPINAL DA MOTRICIDADE ................................................... 25 REFLEXO MIOTTICO ....................................................................................... 25 T NUS MUSCULAR .......................................................................................... 28 ACOPLAMENTO GAMA -ALFA ................................................................................ 28 OUTROS REFLEXOS ESPINAIS .............................................................................. 29 Esclerose Lateral Amiotrfica ....................................................................... 32 POSTURA E LOCOMOO............................................................................ 33 Leses da Medula Espinal ........................................................................... 36 . INTEGRAO CORTICAL DA MOTRICIDADE ................................................. 39 PLANEJAMENTO E EXECUO DO MOVIMENTO............................................................ 40 CONTROLE INTERNO E EXTERNO DO MOVIMENTO ........................................................ 42 APRENDIZADO MOTOR ...................................................................................... 44 Hemiplegia .............................................................................................. 46 Apraxias ................................................................................................. 48 INTEGRAO SUBCORTICAL DA MOTRICIDADE ........................................... 49 CEREBELO ................................................................................................... 49 Disfuno Cerebelar................................................................................... 51 NCLEOS DA BASE .......................................................................................... 53 CONTRIBUIO DOS NCLEOS DA BASE PARA O APRENDIZADO E COGNIO ........................... 56 Discinesias e Coria de Huntington................................................................ 58 Doena de Parkinson ................................................................................. 60 LEITURA COMPLEMENTAR.......................................................................... 62 NDICE REMISSIVO ................................................................................... 63 3. 1INTRODUO AO ESTUDO DA MOTRICIDADE Se pararmos um minuto para pensar naquilo que fazemos todos os dias, da hora em que nos levantamos da cama at o momento em que voltamos para ela, vamos chegar concluso que nossas vidas no diferem fundamentalmente da vida da maioria dos animais: todos samos de casa em busca de comida (uns para caar, outros para ir ao supermercado); escapamos ou enfrentamos inimigos naturais (um predador para uns, ou um assaltante para outros); buscamos parceiros da mesma espcie para acasalar (em geral, em nosso prprio habitat, quer seja a mata atlntica ou uma danceteria); e sempre procuramos um lugar seguro, para descansar e dormir (quer seja procurando uma caverna ou voltando para casa). Apesar da evidente complexidade dos comportamentos humanos, seus fundamentos no diferem daqueles que observamos em outros primatas, ou mesmo em mamferos de outras ordens, como os felinos, por exemplo. por essa razo que os sistemas nervosos desses animais so organizados de forma muito semelhante, sendo que grande parte de nossa histria evolutiva similar desses e de outros animais. A evoluo do sistema nervoso seguiu um caminho ditado por presses seletivas em que comportamentos mais adaptativos conduziam a uma maior probabilidade de sobrevida do indivduo, e consequentemente a uma maior probabilidade de que aquele gentipo fosse transmitido prole, e assim mantido na populao. J que um dos componentes cruciais do processo evolutivo a adaptao do indivduo ao meio ambiente, o qual repleto de desafios e perturbaes muitas vezes imprevisveis, o animal (rtulo que obviamente aplica-se tambm a ns) deve reagir a essas perturbaes emitindo comportamentos que ou as evitem ou as solucionem. Um exemplo concreto o animal que deve evitar aproximar-se do territrio dominado por seu predador ou por algum inimigo potencial. No caso de um encontro inesperado com esse inimigo, o animal deveagir de forma a escapar do perigo, ou ento de forma a enfrent-lo por intermdio de um comportamento de defesa e ataque. Mesmo nesse exemplo simples, j somos capazes de observar a presena de vrios aspectos que compem o fascinante assunto da Neurofisiologia. Um aspecto evidente, por exemplo, a necessidade de um sistema motor, que no permita s a locomoo pura e simples, mas que tambm inclua a organizao de estratgias otimizadas na emisso de movimentos precisos e eficazes. Tambm evidente que o animal adaptado deve saber reconhecer a presena de inimigos naturais, ou de elementos que indiquem a potencial presena desse inimigo (como o territrio a ser evitado, no exemplo acima). Esse reconhecimento requer processos sensoriais e cognitivos bastante elaborados, necessrios deteco e identificao de inmeros elementos presentes no mundo habitado pelo animal (e que alm de seus inimigos, inclui a capacidade de reconhecer seus alimentos, seus parceiros sexuais, seu prprio territrio, etc.). Menos evidente, mas to importante quanto os aspectos motores e sensoriais, aquele componente mais diretamente relacionado manuteno homeosttica das diversas variveis fisiolgicas que compem nosso organismo. Esse componente, sob responsabilidade do sistema neurovegetativo, est relacionado ao controle, instante a instante, de variveis fisiolgicas tais como presso arterial, glicemia, fluxo sangneo para diferentes rgos, secrees glandulares (excrinas e endcrinas), dentre inmeras outras no menos importantes. Vemos, portanto, que a adaptao de um animal ao seu meio ambiente requer uma estreita interao do animal com esse meio exterior. No entanto, essa interao ser adaptativa somente se o meio interior do animal (ou seja, o conjunto de suas variveis fisiolgicas) tambm estiver ajustado dentro de margens satisfatrias. Para que o animal possa agir tanto sobre o meio exterior quanto sobre o meio interior, necessrio que sistemas efetores intermedeiem essas aes: no caso das interaes com o meio exterior, as aes do animal so intermediadas pelo 4. 2 sistema motor, e no caso das interaes do animal com seu meio interior, pelo sistema neurovegetativo. Como j deve ter ficado claro, as aes intermediadas por esses sistemas efetores seriam nada eficazes, e at mesmo deletrias para o animal, se este no fosse provido com informaes oriundas tanto do meio exterior (imagens, sons, odores, etc.) quanto de seu meio interior (presso arterial, nvel glicmico, pH plasmtico, fora de contrao exercida pelos msculos, etc.). Essas informaes so fornecidas pelo sistema sensorial, composto, na verdade, por um conjunto de subsistemas sensoriais distintos, mas que compartilham entre si princpios gerais de organizao muito similares. A Figura 1 esquematiza a interao, realizada pelo sistema nervoso central (SNC) do animal, tanto com o meio exterior quanto com seu meio interior. Embora o assunto principal do presente texto seja a fisiologia do sistema motor, deve ser notado, como um convite neurofisiologia, que no possvel uma compreenso satisfatria da motricidade sem um embasamento nos demais tpicos dessa disciplina. Ou seja, sem uma fundamentao adequada em mecanismos bsicos relacionados ao sistema sensorial (o que faremos adiante, ao menos parcialmente),no seria possvel compreender grande parte da funo motora, a qual depende estreitamente da aferncia proporcionada por diferentes subsistemas sensoriais (por exemplo, proprioceptivo, visual e somestsico, dentre os mais importantes). A atividade motora depende de um rigoroso controle das funes vegetativas, j que a motricidade envolve ajustes locais e sistmicos de inmeras variveis tais como fluxo sangneo, presso arterial, dbito cardaco, freqncia e amplitude respiratrias, temperatura, dentre muitas outras. Logo, um estudo da funo motora requer uma compreenso das funes vegetativas subjacentes ou concomitantes. Alm disso, tambm necessria a compreenso dos processos biofsicos envolvidos na gerao e conduo de potenciais bioeltricos, necessrios, dentre outros processos, para a propagao de impulsos nervosos e para o acoplamento dos eventos de excitao e contrao muscular. E finalmente, o estudo de mecanismos celulares e moleculares relativos transmisso sinptica necessrio para uma adequada compreenso no s dos eventos que ocorrem na juno neuromuscular, mas tambm dos processos de integrao neural relacionados organizao da motricidade e ao aprendizado motor.SNC SSSNVSMMeio interior Meio exterior SNC: Sistema Nervoso Central SS: Sistema Sensorial SNV: Sistema Neurovegetativo SM: Sistema Motor Figura 1 Esquema da interao do sistema nervoso central com os meios exterior e interior. 5. 3 FISIOLOGIA DA CONTRAO MUSCULAR Toda e qua

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