fiscalizar merenda escolar

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  • CORRUPO, UMA DOENA QUE PRECISA SER VENCIDA

    5A MERENDA ESCOLAR

    8POR ONDE COMEAR A FISCALIZAO DA MERENDA ESCOLAR?

    13 CAA DAS IRREGULARIDADES

    18NOTAS EXPLICATIVAS

    28BIBLIOGRAFIA

    30

  • Vamos fiscalizar a merenda escolar de volta luta contra a corrupo eleitoral

    uma publicao distribuda gratuitamente pelos realizadores.

    RealizaoApoio Fome Zero - Associao de Apoio

    a Polticas de Segurana AlimentarAv. Paulista, 1048, 2andar. CEP 01310-100

    So Paulo - SPTel.: (11) 30163216

    www.apoiofomezero.org.br

    Movimento Nacional de Combate Corrupo Eleitoralwww.lei9840.org.br

    PatrocnioBanco do BrasilPaulinas Editora

    Apoio InstitucionalAgropecuria JB

    Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F)Companhia Brasileira de Metalurgia e Minerao (CBMM)

    Faculdades TrevisanPetrobrs

    AutoriaBruno Weis, Francisco Whitaker, Nuria Abraho Chaim, Walter Belik

    RevisoCG Studio

    Projeto GrficoPaulinas Editora

    IlustraesZiraldo

    Tiragem: 20 mil exemplaresSo Paulo, janeiro de 2004

    Permitida a reproduo desta publicao, desde de que citada a fonte.

  • PORQUE E PARA QUEESTA CARTILHA

    sta cartilha, publicada pela Apoio Fome Zero em parceria com oMovimento Nacional de Combate Corrupo Eleitoral Lei 9840

    1,

    destina-se aos Comits 9840 e a outros grupos engajados na luta pelatica na poltica, que esto se preparando para fiscalizar a aplicaoda lei 9840 contra a corrupo eleitoral nas eleies municipaisde 2004. Como essa fiscalizao s poder comear a partir de 3 dejulho, o que se prope que esses Comits e grupos esquentem osmotores lutando contra o roubo da merenda escolar.

    A ONU estima que entre as 300 milhes de crianas que padecemde fome crnica em todo o mundo, 170 milhes tm de estudar deestmago vazio porque no recebem merenda escolar. Ainda segun-do a ONU, quando a escola oferece alimentao, a freqncia esco-lar dobra no prazo de um ano.

    No Brasil, estima-se que 40% das denncias que chegam Corregedoria Geral da Unio, rgo que fiscaliza o uso de recursosfederais pelos municpios, tratam de casos de corrupo e desvio dosrecursos destinados alimentao escolar.

    A Apoio Fome Zero2 uma Organizao da Sociedade Civil de Inte-

    resse Pblico (OSCIP) formada por empresas e entidades sociaisunidas para apoiar projetos e aes que promovam a segurana ali-mentar e nutricional da populao brasileira.

    Lutar contra o roubo de recursos destinados a atender as necessida-des das crianas uma das mais urgentes e eficazes maneiras de con-tribuir para que a fome seja eliminada em nosso pas.

    O Movimento Nacional de Combate Corrupo Eleitoral e a ApoioFome Zero consideram que os Comits 9840 e outros grupos que seassociem a essa luta estaro no s contribuindo para isso, como re-alizando um trabalho preventivo: podero fazer com que prefeitos evereadores corruptos nem cheguem a se candidatar reeleio.

    A luta contra o roubo da merenda pode comear de diferentes manei-ras. Esta cartilha prope, como se ver mais adiante, que se comecepelo apoio ao Conselho de Alimentao Escolar (CAE) de cadamunicpio, rgo que tem como funo principal zelar pela boa apli-cao dos recursos e pela qualidade da merenda escolar.

    E

  • CAPTULO 1 CORRUPO, UMA DOENA QUE PRECISA SER VENCIDA 5

    CORRUPO, UMA DOENAQUE PRECISA SER VENCIDA

    oubar tomar dinheiro ou bens que pertencem a outros. H muitas formasde roubar: com ou sem violncia, enganando ou no quem est sendo roubado.Nossa sociedade considera o roubo um crime, a ser sempre punido. Nenhumasociedade em que o roubo seja aceito consegue sobreviver.

    A corrupo uma forma de roubo em que existe a conivncia de quem tomaconta do dinheiro ou dos bens roubados por exemplo, dentro de uma empre-sa ou em negcios entre empresas e entre pessoas e empresas. Quem se deixacorromper, ajudando o ladro ou facilitando sua ao, rouba tambm, porquefica com uma parte do que foi roubado ou obtm alguma vantagem pessoal emprejuzo de quem foi roubado.

    A palavra corrupo , no entanto, mais usada quando o dinheiro ou os bensroubados so pblicos isto , de propriedade de todos e quem rouba oufacilita o roubo exerce funes de governo, ou seja, so os prprios respons-veis pela guarda ou pela administrao desse dinheiro ou desses bens. Para quehaja desvio de dinheiro pblico, como se diz, tem de haver, dentro e fora dogoverno, uma rede de interessados em sug-lo para seus bolsos.

    No Brasil, esses desvios transferem muitos bilhes de reais das contas pbli-cas para autoridades desonestas e seus cmplices. dinheiro que deveria serusado para ajudar a resolver nossos angustiantes problemas sociais e que a socie-dade perde, o que traz mais sofrimento, doena, fome e falta de perspectivaspara milhes de pessoas.

    A corrupo uma perigosa deteriorao dos costumes sociais. como umadoena que vai contagiando e destruindo os rgos em que ela penetra.

    R

  • VAMOS FISCALIZAR A MERENDA ESCOLAR6

    A denncia da corrupo como ao preventiva e contnuaA ao preventiva que esta cartilha prope aos Comits 9840 e outros gruposque lutam pela tica na poltica consiste em fiscalizar e processar na Justia,antes que se apresentem para a reeleio, prefeitos e vereadores corruptos queestejam roubando recursos destinados merenda escolar e, assim, comprome-tendo a qualidade da alimentao na rede pblica de ensino do pas.

    Trata-se de uma fiscalizao que pode ser feita de forma mais rpida e eficaz,porque se concentra num tipo nico, mas muito comum de corrupo, sem sedispersar na extrema diversidade dos modos como, infelizmente, o dinheiropblico roubado no Brasil.

    Mas nada impede que os Comits e grupos possam ir mais longe. A fiscalizaode agora, centrada na merenda escolar, pode ter continuidade aps as eleies,se ampliando a toda a administrao municipal. Inclusive porque no munic-pio mais fcil reunir mais gente para participar da fiscalizao. Conhecemosmelhor os problemas e as pessoas da nossa cidade os polticos, os empresrios,os funcionrios pblicos. Tudo est mais mo, mais perto, mais acessvel,embora tambm muitas vezes, em cidades menores, o engajamento das pessoasna luta contra a corrupo seja dificultado por relaes de parentesco e amiza-de com funcionrios, vereadores e mesmo prefeitos, ou pela gratido por aju-das ou favores recebidos. Ainda assim, possvel mostrar que todos saem per-dendo quando se mistura o pblico com o privado.

    Como dificilmente os fraudadores resistem tentao de ostentar sua riquezamal adquirida, muito comum que administradores municipais, seus assesso-res, parentes ou amigos comecem logo a exibir um padro de vida muito acimade seus recursos comprando carros de luxo e imveis, viajando, inclusivepara o exterior. Se isto estiver ocorrendo, bem possvel que estejam pagandotudo com o dinheiro do povo. E certo que usaro esse mesmo dinheiro paracustear suas campanhas eleitorais.

    Para quem estiver disposto a enfrentar essa luta mais ampla, j existe umacartilha para ajudar: O combate corrupo nas Prefeituras do Brasil

    3. Ela

    apresenta toda a gama de possibilidades de corrupo no poder pblico muni-cipal, contando o que aconteceu em Ribeiro Bonito, Estado de So Paulo:um grupo de cidados, reunidos na ONG Amarribo, desmascarou os adminis-tradores corruptos do municpio e conseguiu fazer com que eles fossemefetivamente punidos.

  • CAPTULO 1 CORRUPO, UMA DOENA QUE PRECISA SER VENCIDA 7

  • VAMOS FISCALIZAR A MERENDA ESCOLAR8

    A MERENDA ESCOLAR

    O que a merenda escolar

    merenda escolar4 um programa do Governo Federal de mbito nacio-

    nal, chamado Programa Nacional de Alimentao Escolar (PNAE). Seuobjetivo assegurar que sejam supridas, parcialmente, as necessidadesnutricionais das crianas de nossas escolas, o que, alm de lhes assegurar me-lhores condies de crescimento, pode contribuir para a reduo dos ndicesde evaso e para a formao de bons hbitos alimentares, dentro da poltica deSegurana Alimentar e Nutricional.

    A histria desse programa teve incio em 1954, quando era de responsabilida-de da Comisso Nacional de Alimentos. No ano seguinte, em 1955, ganhouabrangncia nacional com a Campanha da Merenda Escolar, beneficiada pordoaes de excedentes agrcolas dos Estados Unidos. Esse programa foi, noentanto, mudando de nome e de estrutura de funcionamento em vrias opor-tunidades: em 1965, em 1981, em 1983. At 1993, o gerenciamento do pro-grama de alimentao escolar era feito de forma centralizada pelo GovernoFederal (que comprava e distribua os alimentos para as escolas de todo o pas o que evidentemente era difcil e custoso, alm de abrir espao para muitosdesvios), mas a partir de 1994 foi descentralizado para os estados, Distrito Fe-deral e municpios. Em 1997 surgiu o Fundo Nacional de Desenvolvimento daEducao (FNDE), que cuida at hoje do Programa Nacional de AlimentaoEscolar (PNAE), com o apoio dos Conselhos de Alimentao Escolar (CAEs),criados em todos os estados, Distrito Federal e municpios.

    Atualmente os beneficirios do PNAE so os alunos matriculados na educa-o infantil, oferecida em creches e pr-escolas, e no ensino fundamental darede pblica de ensino dos estados, do Distrito Federal e dos municpios, ou emestabelecimentos mantidos pela Unio. A referncia bsica o censo escolarrealizado pelo Ministrio da Educao no ano anterior ao do atendimento.

    Pode tambm ser beneficiado o aluno matriculado em creches, em pr-escolas,no ensino fundamental e em escolas de educao especial mantidas por enti-dades beneficentes de assistncia social, cadastradas no mesmo censo escolardo ano anterior, dentro de certas condies.

    A

  • CAPTULO 2 A MERENDA ESCOLAR 9

    Recursos destinados merenda escolarAnualmente, com base no censo escolar, o Governo Federal repassa recursosfinanceiros do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educao (FNDE),assegurados no Oramento da Unio, s chamadas Entida