financeirização, poder corporativo e expansão da soja no

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  • 1

    Universidade de So Paulo

    Faculdade de Filosofia Letras e Cincias Humanas

    Programa de Ps Graduao em Geografia Humana

    Financeirizao, poder corporativo e expanso da soja

    no estabelecimento do regime alimentar corporativo no

    Brasil e na Argentina: o caso da Cargill

    (Verso corrigida)

    Yamila Goldfarb

    So Paulo

    2013

  • AUTORIZO A DIVULGAO OU REPRODUO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELERTTNICO, PARA FINS DE PESQUISA E ENSINO, DESDE QUE CITADA A FONTE.

    Universidade De So Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas

    Goldfarb, Yamila. Financeirizao, poder corporativo e expanso da soja no estabelecimento do regime alimentar corporativo no Brasil e na Argentina: o caso da Cargill. Departamento de ps graduao em geografia Humana; Faculdade de Filosofia, Lestras e Cincia Humanas; Universidade de So Paulo. So Paulo, 2013 203p.

    tese (doutorado) - Universidade de So Paulo, 2014 1. Financeirizao da agricultura; 2. Cargill; 3. Regime Alimentar; 4. Argentina

  • 3

    Folha de aprovao

    Yamila GoldfarbFinanceirizao, poder corporativoe expanso da soja noestabelecimento do RegimeAlimentar Corporativo no Brasil ena Argentina: o caso da Cargill

    Tese apresentada a Faculdade deFilosofia Letras e Cincias Humanas,Departamento de Ps Graduao emGeografia Humana para obteno dottulo de Doutor.rea de concentrao: GeografiaHumana

    Aprovado em

    Banca examinadora

    Professor Dr.___________________________________________________

    Instituio__________________________Assinatura__________________

    Professor Dr.___________________________________________________

    Instituio__________________________Assinatura__________________

    Professor Dr.___________________________________________________

    Instituio__________________________Assinatura__________________

    Professor Dr.___________________________________________________

    Instituio__________________________Assinatura__________________

    Professor Dr.___________________________________________________

    Instituio__________________________Assinatura__________________

  • 4

    A todos que lutam pela soberania alimentar

  • 5

    Agradecimentos

    Agradeo minha orientadora Profa. Marta Inez Medeiros Marques, pela

    pacincia que s uma grande gegrafa, pesquisadora, me e mulher pode ter.

    Agradeo a Clacso pela bolsa ao longo de 2012 e pela oportunidade de estar

    em contato com outros pesquisadores da Amrica Latina e a Capes cuja bolsa

    me permitiu concluir este trabalho.

    Agradeo aos amigos gegrafos do Grupo de Estudo Campo em Movimento

    cuja interlocuo me alimenta tanto.

    Da Argentina agradeo ao amigo Fernando Barri pelo apoio e troca constantes;

    ao Instituto Gino Germani na pessoa de Toms Palmisano que no apenas me

    recebeu na UBA como disponibilizou material muito valioso, mais de uma vez.

    Ao Grupo de Reflexin Rural na pessoa de Clara Letcia Pea pela valiosa

    entrevista e de Adolfo Boi, pela enorme solidariedade em ajudar uma

    desconhecida. Sua ajuda em particular foi fundamental para este trabalho.

    Agradeo ao Carlos, companheiro que sempre me lembrou de que tudo daria

    certo e me acompanhou to de perto nos momentos mais difceis. Ao filhote

    Mariano que nunca deixou faltar alegria. Ao meu irmo Felipe e minha cunhada

    Sandra, que no me deixam esquecer quem sou. E como no poderia faltar, a

    minha me, Dlia, que me ajudou, cuidou e incentivou como s uma me pode

    faz-lo. Agradeo a ela pelas manhs e tardes de acolhimento e suporte.

  • 6

    Resumo

    Este trabalho tem o objetivo de elucidar algumas das transformaes

    ocorridas no campo do Brasil e da Argentina a partir da dcada de 1970, por

    meio da anlise do estabelecimento do que chamamos regime alimentar

    corporativo, mais especificamente no que se refere ao segmento de gros e

    leos, e seus impactos no desenvolvimento geogrfico desigual do capitalismo

    em ambos pases. Fizemos isso focandonas estratgias de territorializao da

    Cargill, empresa com forte presena em ambos os pases, e buscamos ver o

    que elas nos revelam acerca da estruturao do regime alimentar corporativo e

    suas possveis relaes com o advento de uma economia financeirizada. A

    hiptese geral averiguada foi a de que com o advento do neoliberalismo houve,

    por um lado, a consolidao e aprofundamento da hegemonia das corporaes

    do setor agroalimentar. Por outro, a forte expanso da soja como um

    importante determinante das configuraes espaciais do campo e, por ltimo, a

    financeirizao da agricultura capitalista, expressa tanto na importncia de

    adquire o mercado de commodities, como nos mecanismos de financiamento

    de safras. Essas trs expresses da consolidao do regime alimentar

    corporativo se aprofundam a partir da dcada de 2000, particularmente mais o

    que diz respeito financeirizao. Analisar essas trs expresses e como cada

    uma se relaciona com o estabelecimento do regime alimentar corporativo, por

    meio do estudo de caso da atuao de uma empresa pde nos fornecer

    importantes contribuies para o desvendamento de como os conglomerados

    desenvolvem suas estratgias de acumulao e quais as expresses

    geogrficas disso.

  • 7

    Financierizacin, poder corporativo y expansin de la soja el en

    establecimiento del Regimen Alimentar Corporativo en Brasil y Argentina: el

    caso de la Cargill

    Resumen

    Este trabajo tiene el objetivo de traer a la luz algunas de las transformaciones

    ocurridas en el agro de Brasil y Argentina a partir de la decada del 1970,

    atravs del anlisis del establecimiento de lo que llamamos regimen alimentar

    corporativo, ms especificamente en lo que se refiere al sector de granos y

    aceites, y sus impactos en el desarroso geogrfico desigual del capitalismo en

    los dos pases. Eso fue hecho con foco en las estratgias de territorializacin

    de la Cargill, empresa con fuerte presencia en las dos naciones y buscamos

    ver lo que ellas nos muestran con relacin al advento de una economia

    financierizada. La hipotesis general averiguada fue de que con el

    neoliberalismo hubo, por un lado, la consolidacin y profundizacin de la

    hegemonia de las corporaciones del sector agroalimentar. Por otro lado, hubo

    la fuerte expansion de la soja como un importante determinante de las

    configuraciones espaciales del campo y, por fin, la financerizacin de la

    agricultura capitalista, expresa tanto en la importancia que adquiere el mercado

    de commodities y de sus derivativos, como en los mecanismos que financian

    las safras. Estas tres expresiones de la consolidacion del regimen alimentar

    corporativo se profundizan en la decada del 2000, particularmente ms en lo

    que dice respecto a la financerizacion. Analisar esas tres expresiones y como

    cada una se relaciona con el establecimiento de del regimen alimentar

    corporativo por medio del estudio de caso de la actuacin de una empresa

    puede fornecernos importantes constribuiciones para entender como los

    conglomerados desarrollan sus estratgias de acumulacin y quales son las

    estratgias geogrficas de eso.

  • 8

    Sumrio

    Siglas 11

    ndice de tabelas 12

    ndice de mapas 12

    Introduo 13

    Apresentando o problema da pesquisa 14

    Sobre a tese 16

    Apresentando a Cargill 17

    Apresentando a estrutura do trabalho 21

    Captulo 1: Sobre o regime alimentar 23

    1. Retomando aspectos dos regimes anteriores 25

    1.1 Modernizao Conservadora: o aspecto interno do segundo regimealimentar

    30

    1.2 A consolidao da soja 39

    1.2.1 Novo flego para a soja 40

    1.3 A transio para o Regime Alimentar Corporativo 42

    1.3.1 Queda da hegemonia dos EUA e o acirramento da concorrnciainternacional: as novas estratgias empresariais

    43

    1.4 Internacionalizao das empresas do setor agroalimentar, integrao ediversificao

    48

  • 9

    CAPTULO 2 Da financeirizao da economia financeirizao do setoragroalimentar alimentando a hegemonia das Gigantes dos Gros

    55

    2.1 Introduzindo a questo do neoliberalismo e da financeirizao 56

    2.2 Neoliberalismo e a retomada de poder de classe 59

    2.3 Do ps guerra ao neoliberalismo e deste financeirizao do setoragroalimentar.

    66

    2.3.1 De novos instrumentos de financiamento proeminncia do capitalfictcio.

    69

    2.4 O papel das corporaes no financiamento dos cultivos 72

    2.5 As transformaes da dcada de 2000. Novo pacto e financeirizao 80

    2.5.1 Sobre a poltica de financiamento para a agropecuria na Argentina 86

    2.5.2 Autonomizao da esfera financeira 89

    2.5.3 Commodities e Mercado de Futuros95 95

    2.5.4 A participao das grandes corporaes nas atividades financeiras: Oexemplo das atividades financeiras da Cargill

    98

    2.5.5 Os derivativos como instrumento de ganho especulativo 106

    CAPTULO 3: Consolidao da hegemonia das corporaes 111

    3.1 Influncia poltica 114

    3.2 Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento 124

    3.3 Capacidade estocadora: controle de preos e do abastecimento 128

    3.3.1 A expanso da fronteira agrcola e o sistema de armazenagem: o exemploda atuao da Cargill no Brasil

    134

  • 10

    3.4 Territorializao do capital e monopolizao do territrio pela presena dasgrandes corporaes

    140

    3.5 Um pouco mais sobre o caso argentino 147 147

    3.6 Sobre a acumulao por espoliao, a financeirizao e o poder das grandescorporaes

    150

    Captulo 4 A expanso da soja como expresso do regime alimentarcorpor