filosofia do direito

Download Filosofia Do Direito

Post on 05-Dec-2014

82 views

Category:

Documents

3 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

APONTAMENTOS SEM FRONTEIRASAntnio Filipe Garcez Jos

Como seria bom que os juristas renunciassem ao seu desprezo pela Filosofia e compreendessem que, sem ela, a maior parte dos seus problemas so labirintos sem sada !! (Leibniz)

FILOSOFIA E SOCIOLOGIA DO DIREITOUniversidade Autnoma de LisboaAno lectivo 2006/2007

Aulas tericas: ..............................Dra. Ana Paula Sousa Aulas prticas:...................Dra. Rita RamalhoBibliografia : Antnio Braz Teixeira Sentido e Valor do Direito Imprensa Nacional Casa da Moeda; Lus de Cabral Moncada Filosofia do Direito e do Estado; Antnio Castanheira Neves O Direito Hoje e com que sentido? O problema actual da autonomia do direitoApontamentos e resumos do curso, no isentos de eventuais erros ("errare humanum est") "destilados" por Antnio Filipe Garcez Jos, aluno n 20021078,

2

www.cogitoergosun5.no.sapo.pt

APONTAMENTOS SEM FRONTEIRASAntnio Filipe Garcez Jos

Filosofia (do grego : philia - amor, amizade + sophia - sabedoria) modernamente uma disciplina, ou uma rea de estudos, que envolve a investigao, anlise, discusso, formao e reflexo de ideias (ou vises de mundo) numa situao geral, abstracta ou fundamental. A interrogao filosfica resulta das aporias, ou seja, das perplexidades do pensamento em frente da realidade ou em frente de si prprio, da irredutibilidade do ser ao pensamento, do desacordo entre o onto e o logos. A Filosofia no solucionante, interrogativa, problemtica e aportica. A Filosofia no um conjunto articulado de solues, mas sim uma actividade permanente de interrogaes sobre o prprio saber, seu valor e seus fundamentos. A essncia da Filosofia a busca constante e sempre recomeada da verdade e no a sua posse. A Filosofia vale pelos esforos e no pelos resultados(Paulo da Cunha)

A Filosofia a reflexo crtica e interrogativa, no espao e no tempo, que permite a um homem e a uma civilizao ascender conscincia de si, distinguir entre os verdadeiros e os falsos valores, pr-se em questo para se renovar e ultrapassar !!!3

www.cogitoergosun5.no.sapo.pt

APONTAMENTOS SEM FRONTEIRASAntnio Filipe Garcez Jos

CARACTERSTICAS DA FILOSOFIARacionalidade A Filosofia tem um carcter reflexivo, na medida que interrogativa e problemtica sobre a prpria existncia humana e a realidade. Universalidade Nada e tudo objecto da Filosofia, pois ela abarca a globalidade do universo Historicidade A Filosofia um saber histrico, pois no podemos compreender um pensamento dissociado do tempo e da sociedade em que ele se insere. Diversamente do que acontece com os restantes tipos de saber... A Filosofia essencial, radicalmente problemtica, aportica e no solucionante. interrogativa,

A Filosofia reflexo ou pensamento reflexivo, especulao ou pensamento especulativo. A Filosofia tem como origem a inquietao gerada pela curiosidade humana em compreender e questionar os valores e as interpretaes correntemente aceites sobre a sua prpria realidade. As interpretaes correntemente aceites pelo homem constituem inicialmente os alicerces de todo o conhecimento. Estas interpretaes ocorreram inicialmente atravs da observao dos fenmenos naturais e sofreram influncia das relaes humanas estabelecidas at formao da sociedade, isto em conformidade com os padres de comportamentos ticos ou morais tidos como aceitveis em determinada poca por uma determinado grupo ou determinada relao humana. A partir da Filosofia surge a Cincia, pois a partir da inquietao, o homem atravs de instrumentos e procedimentos equaciona o campo das hipteses e exercita a razo. So organizados os padres de pensamentos que formulam as diversas teorias agregadas ao conhecimento humano. Neste contexto a filosofia surge como "a me de todas as cincias".

DIMENSES DA FILOSOFIA4

www.cogitoergosun5.no.sapo.pt

APONTAMENTOS SEM FRONTEIRASAntnio Filipe Garcez Jos

Desde que o homem comeou a pensar, nunca ele deixou de reflectir sobre estas quatro questes, simultaneamente simples e terrivelmente complexas (Lus Cabral de Moncada): 1 Que o ser do mundo que rodeia o homem e quem ele no meio desse mundo? 2 At onde pode ir esse conhecimento ? 3 Como deve ele comportar-se na sua aco sobre as coisas e os outros homens, e que fins deve propor-se? 3 Qual a significao que tudo isso ter no terreno global da sua existncia e nas relaes desta com algo que porventura a transcenda?

Primeiro, estar sempre o buscar a verdade e s no fim a verdade, na medida em que esta possa ser alcanada pelo homem.

Estes so os inevitveis captulos do estudo da filosofia : 1 Ser... 2 Conhecimento... 3 Valor... 4 Absoluto...

4 perspectivas ...1 Ontolgica Teoria da essncia das coisas, que estuda o ser em si, as suas propriedades e os modos por que se manifestam 2 - Gnoseolgica - Teoria do conhecimento, trata da crena, da justificao e do conhecimento de determinada realidade. 3 Axiolgica - Teoria dos valores, trata do valor das coisas, do certo e do errado, do bem e do mal. 4 Metafsica Teoria do sentido ltimo das coisas, para l da Fsica

5

www.cogitoergosun5.no.sapo.pt

APONTAMENTOS SEM FRONTEIRASAntnio Filipe Garcez Jos

A FILOSOFIA DO DIREITO ... ... uma disciplina autnoma que pode ser vista tanto a partir de um prisma filosfico quanto de um prisma jurdico, normalmente incluindo os problemas da relao do direito com a justia.

O termo justia, de maneira simples, diz respeito igualdade de todos os cidados. o principio bsico de um acordo que objectiva manter a ordem social atravs da preservao dos direitos na sua forma legal (constitucionalidade das leis) ou na sua aplicao a casos especficos (litgio). Sua ordem mxima, representada em Roma por uma esttua, com olhos vendados, visa seus valores mximos onde "todos so iguais perante a lei" e "todos tm iguais garantias legais", ou ainda, "todos tm iguais direitos". A justia deve buscar a igualdade entre os cidados. Segundo Aristteles, o termo justia denota, ao mesmo tempo, legalidade e igualdade. Assim, justo tanto aquele que cumpre a lei (justia em sentido universal) quanto aquele que realiza a igualdade (justia em sentido estrito).

6

www.cogitoergosun5.no.sapo.pt

APONTAMENTOS SEM FRONTEIRASAntnio Filipe Garcez Jos

Justitia era a deusa romana que personificava a justia. No dia da Justitia, 8 de Janeiro, (tambm o dia de aniversario do Tonybrussel, tinha que ser !!) usual acender um incenso de lavanda para ter a justia sempre a favor. A deusa deveria estar de p durante a exposio do Direito (jus), enquanto o fiel da balana deveria ficar vertical, direito (directum) . Os romanos pretendiam, assim, atingir a prudentia, ou seja, o equilbrio entre o abstracto (o ideal) e o concreto (a prtica).

Scrates(470 a. C. - 399 a. C.)

Scrates foi um filsofo ateniense e um dos mais importantes cones da tradio filosfica ocidental ( nada a ver com um certo Scrates nacional). Um dos principais pensadores da Grcia Antiga. Dedicou-se inteiramente meditao e ao ensino filosfico, sem recompensa alguma. No se sabe ao certo quem foram os seus professores de Filosofia. O que se sabe que Scrates conhecia as doutrinas de Parmnides, Herclito, Anaxgoras e dos sofistas.7

www.cogitoergosun5.no.sapo.pt

APONTAMENTOS SEM FRONTEIRASAntnio Filipe Garcez Jos

Enquanto os filsofos pr-Socrticos, chamados de naturalistas, procuravam responder questes do tipo: "O que a natureza ou o fundamento ltimo das coisas?" Scrates, por sua vez, procurava responder questo: "O que a natureza ou a realidade ltima do homem?" A resposta de Scrates, a de que a natureza do homem a sua alma - psych, por quanto a sua alma que o distingue de qualquer outra coisa, dando-lhe, em virtude da sua histria, uma personalidade nica. E por psych, Scrates entende que a nossa sede racional, inteligente e eticamente operante, ou ainda, a conscincia e a personalidade intelectual e moral. Esta colocao de Scrates acabou por exercer uma influncia profunda em toda a tradio europeia posterior, at hoje. Segundo Scrates, ... ... a alma seria imortal e condenada a reencarnar tantas vezes quantas fosse necessrio at que ela se aperfeioasse de tal forma que no precisasse mais voltar a este planeta. Em seu mtodo, chamado de maiutica, ele tendia a despojar a pessoa da sua falsa iluso do saber, fragilizando a sua vaidade e permitindo, assim, que a pessoa estivesse mais livre de falsas crenas e mais susceptvel extraco da verdade lgica que tambm estava dentro de si. Scrates costumava comparar a sua actividade com a de trazer ao mundo a verdade que h dentro de cada um. Ele nada ensinava, apenas ajudava as pessoas a tirarem de si mesmas opinies prprias e limpas de falsos valores O processo de aprender um processo interno, e tanto mais eficaz quanto maior for o interesse de aprender. Assim, as finalidades do dilogo socrtico so a catarse e a educao para o auto-conhecimento.

8

www.cogitoergosun5.no.sapo.pt

APONTAMENTOS SEM FRONTEIRASAntnio Filipe Garcez Jos

Dialogar com Scrates era se submeter a uma "lavagem da alma" e a uma prestao de contas da prpria vida. O resultado que o indivduo sentia uma verdadeira sensao de iluminao, de descoberta, de ter dado luz algo de valioso que havia dentro de si, mas de que no tinha a mnima conscincia. Os ensinamentos de Scrates que encontramos foram escritos pelos seus discpulos, nomeadamente Plato e Xenofonte. Outra fonte importante so as vrias referncias feitas a Scrates na obra de Aristteles. A contribuio da obra de Scrates filosofia ocidental foi essencialmente de carcter tico. Seus ensinamentos visavam chegar ao entendimento de conceitos como o de justia, amor e virtude, procurando definies gerais para tais ideias. O Mtodo Socrtico uma abordagem para a gerao e validao de ideias e conceitos baseada em perguntas, respostas e mais perguntas. Maiutica - o mtodo que consiste em p