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  • FILOSOFIA DA CINCIA Introduo ao jogo e a suas regras Rubem Alves Delmar Gularte Louise Botelho Ivan Giacomelli
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  • 2 CINCIA E SENSO COMUM A CINCIA A ESPECIALIDADE: UM REFINAMENTO DE POTENCIAIS COMUNS A TODOS O SENSO COMUM: GENERALIDADES SEM MUITA DISCIPLINA QUANDO COLOCADAS EM PRTICA
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  • 3 CINCIA E SENSO COMUM A CINCIA A ESPECIALIDADE: UM REFINAMENTO DE POTENCIAIS COMUNS A TODOS O SENSO COMUM: GENERALIDADES SEM MUITA DISCIPLINA QUANDO COLOCADAS EM PRTICA A CINCIA E O SENSO COMUM TM A NECESSIDADE BSICA DE COMPREENDER O MUNDO
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  • 4 CINCIA E SENSO COMUM O que no problemtico no pensado. O conhecimento s ocorre em situaes- problema. Para resolver problemas, o pensamento cria simulaes da realidade.
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  • 5 Ex. CARRO COM DEFEITO 1) toma conscincia do problema e comea a pensar 2) constri um modelo mental da mquina 3) elabora hipteses: simulaes sobre as causas do enguio 4) testa as hipteses para tentar achar a causa
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  • 6 EM BUSCA DE ORDEM A partir do modelo posta a prova a teoria que o inspirou. Quando faltam instrumentos para o teste das hipteses sobra a imaginao. O problema construir uma ordem de uma desordem visvel e imediata.
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  • 7 EM BUSCA DE ORDEM Parte-se do pressuposto que exista uma ordem capaz de ser descoberta: como a desordem se resolve na ordem? A observao d o suporte bsico para a construo de modelos. A imaginao, o formato que vo ter.
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  • 8 Ex. CASA EM CONSTRUO possvel j se dispor dos tijolos para se fazer uma casa mas a construo s existir se forem organizados de acordo com a imagem da estrutura ainda inexistente a prpria casa.
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  • 9 EM BUSCA DE ORDEM A exigncia de ordem se fundamenta na prpria necessidade de sobrevivncia. Mas o senso comum e a cincia apresentam vises de ordem diferentes. O mundo humano se organiza em torno de desejos. A cincia inventa mtodos que preservam da iluso e da fantasia, o conhecimento objetivo da realidade.
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  • 10 MODELOS & RECEITAS A verdade cientfica sempre um paradoxo, se julgada pela experincia cotidiana, que apenas capta a aparncia efmera das coisas. (Karl Marx) Teorias cientficas descrevem a natureza em termos de analogias retiradas de tipos familiares de experincia. ( Mary Hesse)
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  • 11 MODELOS & RECEITAS O objetivo da cincia descobrir uma ordem invisvel que transforme o enigmtico em algo conhecido. O conhecido, o familiar, a rede com que nos aventuramos a pescar no mar do ignorado.
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  • 12 MODELOS & RECEITAS A cincia se comporta como jogadores que correm o risco de apostar. Uma vez feita a aposta, se paga para ver. Modelos so construes intelectuais apostas baseadas na crena de uma relao de analogia entre o j conhecido e o que desejamos conhecer.
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  • 13 MODELOS & RECEITAS O senso comum dominado por um motivo prtico. A teoria cientfica pretende descrever uma receita de validade universal.
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  • 14 MODELOS & RECEITAS E = m. c
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  • 15 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS O livro da natureza est escrito em caracteres matemticos (Galileu). Galileu, Torricelli e Stahl apreenderam que a razo s pode compreender aquilo que ela mesmo produz de acordo com um plano que ela mesmo elaborou. A razo no pode deixar- se arrastar pela natureza. Ao contrrio, ela que deve mostrar o caminho (...), obrigando a natureza a dar resposta s questes que ela mesmo props. (Kant)
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  • 16 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Qualquer pessoa se sente fascinada diante de um segredo que pode ser decifrado. O homem sempre atribuiu sentido a eventos que aparentemente no significavam nada. Astrlogos liam mensagens de astros. Outros acreditam que mensagens podiam ser lidas em vsceras de animais.
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  • 17 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Catstrofes sempre foram interpretadas como castigos divinos ou demonacos. O homem sempre atribuiu sentido a eventos que aparentemente no significavam nada. Loucos e suas alucinaes foram tidos como portadores de sabedoria sagrada.
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  • 18 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS O astrnomo Johannes Kepler, autor de trs importantes leis sobre o movimento dos planetas, gastou anos procurando relaes matemticas entre as rbitas dos astros celestes. Ele viu msica no espao: Os movimentos celestes nada mais so que uma cano contnua para vrias vozes, percebidas pelo intelecto e no pelo ouvido (...).
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  • 19 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Antes de Kepler, Pitgoras (o quadrado da hipotenusa igual soma dos quadrados dos catetos) e seus seguidores tambm acreditavam que, para entender a natureza, era necessrio contempl-la em busca de relaes numricas. Os pitagricos tambm acreditavam que as relaes numricas se encontravam representadas na msica.
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  • 20 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Kepler chegou mesmo a representar os planetas por meio de notas musicais. Com Kepler, a matemtica se transforma na chave para se ouvir a harmonia inaudvel dos planetas. Ela o segredo que abre o cofre. Trata-se de um artifcio que o cientista lana mo a fim de obrigar a natureza a cantar em voz alta.
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  • 21 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Kepler foi um dos ltimos pensadores medievais. Para ele, Deus comps uma melodia e a colocou, cifrada, nos cus. Kepler o primeiro a decifrar o cdigo, a abrir o cofre, descobrir o segredo, o primeiro a ouvir o que Deus diz, por meio de sua melodia: pura harmonia, pura msica.
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  • 22 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Se sua viso da cincia tivesse triunfado, hoje os cientistas seriam msticos contemplativos, andando na companhia de telogos e msicos. A cincia moderna tem a ver com mquinas, tcnicas, manipulaes. A matemtica no conduz harmonia musical. Devemos isso a Galileu.
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  • 23 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS At Galileu, tentava-se decifrar o macrocosmos desconhecido fazendo analogia com o microcosmos conhecido o homem. Ou seja, os filsofos tentavam decifrar a natureza tomando o homem como exemplo. (Se o rosto humano tem sete orifcios, ento os planetas s podem ser sete).
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  • 24 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Pr Galileu, buscava-se descobrir a finalidade das coisas. Havia um sentido em que as coisas que fazemos s adquirem significao se sabermos sua finalidade. (Para que servem as pirmides, a propriedade, a religio, etc.). Explicaes desse tipo (para que finalidade serve tal coisa) so chamadas de teleolgicas.
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  • 25 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Ao buscar explicaes teleolgicas para a natureza, acabava-se chegando sempre a um mesmo resultado: o universo produto da criao divina. Ao se fazer perguntas teleolgicas natureza, as respostas obtidas serviam para dar sentido vida das pessoas - mas elas no podiam ser testadas ou corrigidas. Galileu revoluciona a cincia ao afirmar que o universo no tem um sentido humano. No mundo dos nmeros, no se pode mais fazer perguntas sobre a finalidade do universo.
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  • 26 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS Com a matemtica, a cincia abandona os valores. Ela demonstra relaes, que se do de determinada forma, fazendo silncio completo sobre se isso bom ou mau, feio ou bonito. Mas como podemos fazer a natureza falar? Se ela fala a lngua da matemtica (Galileu), porqu quando fica nossa frente exibe apenas cores, cheiros, rudos, etc., mas no abre a boca, fica muda?
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  • 27 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS A cincia se inicia quando algum faz uma pergunta inteligente. A pergunta inteligente o comeo da conversa com a natureza. s perguntas que os cientistas propem natureza so chamadas de hipteses. Toda hiptese j contm a resposta da pergunta.
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  • 28 DECIFRANDO MENSAGENS CIFRADAS A cincia moderna se caracteriza pelo abandono da categoria substncia, que substituda pela categoria funo. O que importa no o que as coisas so, mas como elas se comportam.
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  • 29 PESCADORES E ANZIS Teorias so redes; somente aqueles que as lanam pescaro alguma coisa. Karl Popper Cientistas pertencem ao mesmo clube dos caadores, pescadores e detetives. O que torna um sujeito um caador? O seu conhecimento da caa: ele sabe os hbitos dos animais. Onde vivem, por onde andam, o que comem, seu perigo, etc.
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  • 30 PESCADORES E ANZIS O caador pode prever os movimentos da caa, assim ele pode adiantar-se a ela e preparar-lhe uma armadilha. O que torna certos indivduos caadores, pescadores e detetives o conhecimento que possuem daquilo que tero de pegar. Esse conhecimento se constitui em uma teoria o que lhes permite prever os movimentos da presa.
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  • 31 PESCADORES E ANZIS Teorias so enunciados acerca do comportamento dos objetos de interesse do cientista. Um cientista uma pessoa que sabe usar as redes tericas para apanhar as entidades que lhe interessam. A cincia tem a ver com a regularidade dos hbitos da caa. Ela no se interessa pela diferena, mais pelo comum.
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  • 32 PESCADORES E ANZIS A lei o comum. Por ser comum, tambm universal (nas cincias, leis so os enunciados da rotina dos objetos). Na cincia, porm, a analogia da rede deixa a desejar