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  • 1

    singular

    FILOSOFIA

    3. Unidade Letiva

    CURSO ACADMICO

    1s ANOS Tarde e Noite.

    PROF.: ROSEMARIE CASTANHO SANCHES

    2016

  • 2

    O QUE FILOSOFIA? Segundo Hilton Japiass1 e Danilo Marcondes2, autores do Dicionrio Bsico de Filosofia3, difcil dar-se uma definio genrica de filosofia, j que esta varia no s quanto a cada filsofo ou corrente filosfica, mas tambm em relao a cada perodo histrico. Atribui-se a Pitgoras a distino entre a sophia, o saber, e a philosofia, que seria a amizade ao saber, a busca do saber. Com isso se estabelece, j desde a sua origem, uma diferena de natureza entre cincia, enquanto saber especfico, conhecimento sobre um domnio do real, e a filosofia que teria um carter mais geral, mais abstrato, mais reflexivo, no sentido da busca dos princpios que tornam possvel o prprio saber. [...]. A filosofia crtica, a partir do Iluminismo vai atribuir filosofia o papel de investigao de pressupostos, de conscincia de limites, de crticas da cincia e da cultura. Pode-se supor que essa concepo, mais contempornea, tem razes no ceticismo, que, ao duvidar da possibilidade da cincia e do conhecimento, atribui filosofia um papel quase que exclusivamente questionador. [...], reflexiva entre filosofia e os outros campos do saber fica sobretudo clara nas chamadas filosofia de: filosofia da cincia, filosofia da arte, filosofia da histria filosofia da educao, da matemtica do direito, etc. Segundo autores. Iluminismo o movimento filosfico, tambm conhecido como esclarecimento, ilustrao ou sculos das luzes, que se desenvolve notadamente na Frana, Alemanha e Inglaterra, no sculo XVIII, caracterizando-se pela defesa da cincia e da racionalidade crtica, contra a f, a superstio e o dogma religioso. Em sentido oposto a doutrina que atribui papel central iluminao, ou luz interior, na experincia humana. assim uma forma de espiritualismo, ou mesmo de irracionalismo, valorizando a intuio, a experincia mstica e a atitude visionria.4 Marilena Chau, professora de Filosofia na Universidade de So Paulo USP, uma das mais prestigiadas intelectuais brasileiras, coloca que filosofia : [...] um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especificamente com os gregos e que, por razes histricas e polticas, tornou-se, depois, o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada europeia ocidental da qual, em decorrncia da colonizao portuguesa do Brasil, ns tambm participamos.

    5

    Como surgiu a Filosofia Ocidental. Como e quando o homem deixa de recorrer aos Deuses e outras formas mticas ou msticas para explicar a vida ao redor? O homem sempre precisou de respostas para as questes que lhe inquietavam, e o mito surge como uma destas primeiras respostas. Na Grcia, os grandes poetas Hesodo e Homero explicavam a sociedade grega por meio de mitos nas obras Teogonia, Os Trabalhos e Os Dias, Ilada e Odissia. O mito uma explicao que encadeia uma srie de acontecimentos de forma a estabelecer certa dose de verdade para certo evento. As partes da histria possuem cenas simblicas.

    1 Hilton Japiass. Doutor em filosofia pela Universidade de Grenoble, Frana. Professor adjunto da Universidade Federal

    do Rio de Janeiro. Autor de inmeras obras da histria das cincias. 2 Danilo Marcondes de Souza Filho. Doutor em filosofia pela Universidade de St. Andrews, Gr Bretanha. Professora

    associado do departamento de filosofia da PUC RJ. Professor adjunto do departamento de filosofia da Universidade

    Federal Fluminense. Diretor do departamento de filosofia da PUC RJ, a partir de 1986. 3 Dicionrio Bsico de Filosofia. Direitos contratados por Jorge Zahar Editor Ltda. Reedio:1991 (Ed. Revista)

    4 Idem 3.

    5 CHAUI, Marilena. Convite filosofia. 5 ed. Ed. tica SP, 1995.

  • 3

    No se pauta na razo, mas na imaginao. Tem inteno educacional, instrutiva. (Mito no mentira, fantasia!) At por volta dos sculos VII e VI a.C. predominava a explicao mtica. Foi a partir dos sculos V a IV a.C. que a explicao racional passou a predominar paulatinamente. A conscincia do logos (razo) vai penetrando a esfera mtica at que s ela prevalea. A Filosofia retoma os temas da mitologia grega, mas de forma racional.

    A Introduo Filosofia e os Pr-Socrticos: segundo Marilena Chau Para que serve a Filosofia? A Filosofia serve para questionarmos, de maneira racional, o mundo e a si mesmo, e, destas questes buscarmos explicaes racionais, contrapondo-se s explicaes pela f (Mundo Mtico explicaes sobrenaturais sobre a existncia de um fenmeno. Exemplo: falta de chuva castigo divino / Mundo Cientfico explicaes racionais sobre a existncia de um fenmeno. Exemplo: falta de chuva porque a massa de ar no est mida o suficiente). A Filosofia nos ensina a sermos crticos, no aceitarmos as explicaes que nos so dadas sem, ao menos, refletirmos racionalmente sobre elas. Precisamos questionar o que a verdade, o que o bom, o que o belo, o que a justia.

    No podemos aceitar as coisas como bvias, devemos questionar as crenas, os valores, os sentimentos. Temos que questionar o que nos dado pela mdia, pelos livros, por todos que nos do algo como certo.

    Uma das caractersticas do pensamento filosfico que ele depende de um procedimento ou mtodo baseado na reflexo, que deve ser entendida como algo mais que um simples pensamento. Quando olhamos no espelho o reflexo a imagem que o espelho nos devolve. Em filosofia, reflexo significa um pensamento que tem a capacidade de voltar se contra si mesmo. Isso quer dizer que a filosofia procura sempre questionar aquilo que j foi pensado. Dessa forma no se prende a ideias indiscutveis. Por isso se diz que a reflexo filosfica crtica. Fazer a crtica na linguagem filosfica significa examinar minuciosamente e sobretudo com critrio e rigor, sem extremismos e considerando a diversidade de opinies. Se algum diz no gostei daquele filme , estar simplesmente emitindo uma opinio, criticando (no sentido vulgar da palavra). Mas se disser No gostei daquele filme porque o roteiro no original e os atores foram pouco convincentes estar fazendo um exame mais minucioso, a partir de critrios mais precisos. Estar, portanto, sendo rigoroso e crtico.

    A Filosofia tambm de extrema importncia para as cincias, uma vez que ela quem fornece a base para o desenvolvimento destas por meio de seu raciocnio lgico e respostas verdadeiras s indagaes.

    No nosso dia-a-dia fazemos afirmaes ou perguntas que muito tm a ver com filosofia, mas no nos damos conta disso. Quando eu pergunto que horas so?, o que quero saber, o que estou afirmando? Em que acredito quando fao pergunta e aceito a resposta? Acredito que o tempo existe que ele passa que pode ser medido em horas e dias, que o que j passou diferente do que h agora, que h um passado e que ele pode ser lembrado ou esquecido, que h um futuro e que ele pode ser desejado ou temido. Nota-se que por trs de uma simples pergunta h inmeras crenas que no questionamos, simplesmente aceitamos.

    Agora imaginem que uma pessoa resolva fazer a pergunta e a afirmao acima de forma inesperada. Ao invs de que horas so?, pergunte o que o tempo?. Essa pessoa estaria distante do nosso dia-a-dia, estaria interrogando-se a si mesma, estaria pondo em xeque suas crenas, estaria adotando o que chamamos de atitude filosfica.

  • 4

    A atitude filosfica consiste em indagar tudo o que nos dado como certo. A atitude filosfica pode ser negativa ou positiva. Negativa quando se nega o senso comum e positiva quando interroga-se sobre tudo. A reflexo filosfica, por sua vez, o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando-se. Vejamos a explicao do Filsofo Dr. Paulo Ghiraldelli Jr6, sobre o que filosofia. O que um problema filosfico?

    Segundo Ghiraldelli, um problema no genuinamente filosfico, ao menos que seja possvel imaginar que sua soluo consistir em mostrar como ns tomamos a aparncia pela realidade, ou seja, o de distino entre aparncia e realidade. Isto a cincia faz e o senso comum tambm faz.

    O problema da filosofia quando encontramos os mecanismos pelos quais ns produzimos iluses ou captamos iluses, quando deveramos ter captado realidade. Uma figura (um raio X, por exemplo) explica bem um problema filosfico e a podemos buscar os mecanismos pelos quais a realidade ficou de lado e a iluso ficou tomada pela realidade, de modo que esta iluso se faz necessria, tanto quanto, a realidade no a iluso da percepo, a iluso da vista, a iluso como um produto do intelecto.

    Quais os mecanismos que ns acionamos e como eles podem ser descritos? Eis a um problema filosfico, isto , quando paramos para pensar e analisar o problema.

    Da maneira como a desenvolvo, a filosofia tem uma dupla acepo. De um ponto de vista geral, ela uma narrativa de desbanalizao do banal. De um ponto de vista especfico, ela uma investigao que lida com os mecanismos que nos fazem tomar o aparente pelo real se que estamos envolvidos nesse problema.

    O filsofo diz que: A explicao simples e direta, a filosofia um distanciamento para com o mundo, como Aristteles j dizia, o espanto e admirao para com o mundo e natureza, a forma pela qual alguns humanos se espantam com a realidade do mundo, com o que banal. A filosofia a desbanalizao. O que banal?

    O que so os pobres ou que a pobreza? Muitas vezes no sabemos o que responder ou explicar sobre isso, afinal vemos pessoas passando fome e frio a todo o momento! O que fazemos? Olhamos os pobres a pobreza de forma banalizada, ou seja, de forma comum, afinal o mundo, no paramos para pensar ou questionar, mas s o fato de algum nos perguntar, tiramos a pobreza do banal, ou seja, paramos para pensar!!

    Deveria haver trabalho, algum bem estar para estas pessoas. Quando no vemos os pobres eles esto banal