filosofia 10 sumários desenvolvidos 2011-2012 - jca

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  • 1. Jos Carlos S. de AlmeidaFilosofia 10 ano Sumrios desenvolvidos Ano lectivo de 2011/2012

2. 2 FILOSOFIA 10 anoPrograma / Contedos- Abordagem introdutria Filosofia e ao filosofar- A aco humana: anlise e compreenso do agir- Os valores: anlise e compreenso da experincia valorativa- Dimenses da aco humana e dos valores: a tica e aPoltica- Dimenses da aco humana e dos valores: a Esttica- Temas / problemas do mundo contemporneoJos Carlos S. de Almeida / filosofia10-sumriosdesenvolvidos2011-2012-jca-120916050038-phpapp02.docx 3. 3ndiceO que a Filosofia? O que filosofar?1. A definio de filosofia2. O que nos diz a etimologia da palavra filosofia3. A. Do mito aos primeiros filsofos. O mito enquanto primeiro ensaio duma tentativa de descrio eexplicao quase racional do real3. A filosofia filha da polis4. O filsofo, distrado ou preocupado?5. A alegoria da caverna de Plato e a atitude filosfica5. A - Caractersticas da atitude filosfica6. Historicidade7. Radicalidade7-A. Universalidade8. Autonomia em relao cincia e religio9. O carcter discursivo do trabalho filosfico10. Filosofar argumentar11. reas e temas abrangidos pela FilosofiaO homem construindo-se atravs da ao12. O que leva o homem a agir13. Sentidos usados na linguagem quotidiana que no devero ser considerados neste mbito14. A ao humana constitui uma interveno planeada e pensada14-A. Devemos distinguir o plano do agir do plano do acontecer e a ao da reao15. A conscincia e a vontade so elementos que caracterizam necessariamente a ao humana16. A importncia da presena dos elementos conscincia e vontade no agir do homem17. Movimento / acontecimento e ao18. A rede conceptual da ao: ao intencionada e ao causada19. Perspectiva determinista e perspetiva baseada na ao intencionada20. Combinando causas e intenes; o homem simultaneamente livre e determinado21. Aces voluntrias, atos involuntrios e reflexos22. O agente da ao e a relao causal23. O estabelecimento de um motivo responde ao porqu e explica e legitima a ao24. Inteno e motivo25. O trabalho humano e a atividade dos animais26. O trabalho enquanto forma particular de ao. Trabalho e projecto27. Ao livre e responsabilidade28. A culpa29. Algumas notas sobre o existencialismo30. Classificao das vrias condicionantes da ao humana31. Diversos tipos de determinismo31 A. A crena no destino como forma de determinismo32. Conscincia, vontade e responsabilidadeO mundo no indiferente ao homem: os valores33. O que so os valores34. O percurso da ao aos valores35. No h aes gratuitas, isto , sem a presena dos valores36. Caractersticas dos valoresA experincia tica e poltica da vida e do mundo38. Relativismo moral e relativismo cultural e tolerncia39. A dimenso da tica e da moral39 A. Distinguir tica e moral39 B. Distinguir moral e religio40. Inteno e norma41. Distino conceptual entre moral e tica quadro-resumo42. Dimenso pessoal e social o si mesmo, o outro e as instituiesJos Carlos S. de Almeida / filosofia10-sumriosdesenvolvidos2011-2012-jca-120916050038-phpapp02.docx 4. 443. Teorias acerca da fundamentao da moralidade: a perspetiva deontolgica de Kant44. Teorias acerca da fundamentao da moralidade: a perspetiva consequencialista de Stuart Mill44 A. Confronto entre as teorias deontolgicas e as teorias consequencialistas45. A relao entre a tica, o direito e a poltica46. O Estado enquanto problema da filosofia poltica47. O homem e o Estado: a perspetiva clssica: Aristteles48. O homem e o Estado: a perspetiva contratualista moderna: John Locke do estado de natureza natureza do Estado49. A teoria da justia de John Rawls49 1. Conflito e cooperao nas sociedades contemporneas; a relao entre a liberdade e a igualdade49 2. Rawls critica o utilitarismo49 3. A escolha racional dos princpios da justiaA experincia esttica da vida e do mundo50. A experincia esttica50 1. Quando um acontecimento se torna numa experincia para o sujeito50 2. Caraterizao da experincia esttica50 3. Atitude e sensibilidade estticas50 4. Objetivismo e subjetivismo na experincia esttica50 5. Teorias acerca da natureza da Arte e da obra de arteNota Estes sumrios desenvolvidos constituem um determinado momento no nosso trabalho que passatambm pela nossa investigao e reflexo e pelo dilogo mais ou menos frutuoso com os alunos. Enquantorepresentam um momento desse trabalho, estaro sempre sujeitos a serem revistos e substitudos por outrostextos considerados mais ajustados ao fim em vista. Trata-se de um texto em permanente reelaborao ereconstruo, mas no esse o destino de qualquer texto de cariz ensastico? 11 Sobre a natureza do ensaio, ver Fernando Savater, ***** e Eduardo Prado Coelho, ******.Jos Carlos S. de Almeida / filosofia10-sumriosdesenvolvidos2011-2012-jca-120916050038-phpapp02.docx 5. 51.A definio da filosofiaO incio da aventura filosfica sempre marcado por uma pergunta fatal: o que afilosofia? Ningum gosta de embarcar numa viagem sem saber para onde vai, sem saber oque vai encontrar. De qualquer modo, perguntar sobre o que a filosofia sempre umaquesto mais interessante que perguntar sobre para que que serve a filosofia. No entanto, htambm quem faa essa pergunta sobre a utilidade da filosofia. Ora, quando soubermos oque a filosofia, tambm chegaremos resposta sobre a sua utilidade. O que no podemosfazer condicionar a pergunta sobre o que pergunta para que que serve. O problemada utilidade da Filosofia no se situa no mesmo plano que perguntar pela utilidade dumchapu-de-chuva ou duma estrada.H quem considere que o primeiro problema da Filosofia a questo da definiode Filosofia. E o problema adensa-se porque no existe uma resposta nica a esta questo,como tambm poderamos dizer que esta questo no tem sentido no caso da Filosofia.Saber o que a Filosofia um dos seus primeiros problemas. Existem vrias respostas aesta questo, respostas que tm variado de filsofo para filsofo, de poca para poca. Detal maneira que seria mais rigoroso falar de Filosofias do que de Filosofia.Contudo, apesar dessa variao e variedade em torno da resposta pergunta sobreo que a Filosofia, variao e variedade que tambm existe acerca do valor da filosofia,podemos avanar com algumas ideias muito gerais sobre o que possa ser a filosofia, sendocerto que cada um ir construindo a sua viso pessoal do que a filosofia.Assim, poderamos dizer, em primeiro lugar, que a Filosofia constitui-se como umareflexo racional e crtica sobre os problemas fundamentais da condio humanaconsiderada em si mesma e do homem face aos seus semelhantes e realidade. Umareflexo sobre o homem na sua universalidade, mesmo que partindo duma situaoconcreta e particular em que sempre se encontra. Trata-se de uma definio que propostaneste momento, suficientemente vaga e provisria, para que cada um a v enriquecendo aolongo deste caminho. que, por outro lado, como dizia o poeta espanhol AntnioMachado, no existem caminhos, fazem-se a caminhar.2. O que nos diz a etimologia da palavra filosofiaUma das maneiras de esclarecermos o significado duma palavra ou dum conceito compreendermos a origem e evoluo dessa palavra. A etimologia da palavra filosofia diz-nos que filosofia significa, originalmente, amor da sabedoria (filos + sofia). Repare-se queno se diz que tipo de sabedoria , nem que a filosofia consiste na posse do saber. O que aetimologia nos diz que a filosofia , sobretudo, amor ou amizade pelo saber2, movimentoou trnsito para o saber, caminhar na direco do saber e no propriamente um instalar-seno seio do prprio saber, isto , possuir o saber. Sublinha-se, deste modo, o caminho ou oprocesso, a aventura em direo ao saber, e no tanto o resultado ou ponto de chegada. Eno ser a desmesurada nsia por chegar a qualquer lado uma forma de nosdesinteressarmos ou no estarmos atentos s maravilhas do caminho? Se aoempreendermos uma viagem estivermos obcecados pelo ponto de chegada, pelo destino,no teremos olhos para as paisagens que acompanharo a viagem, para a viagem em simesma3.2 O amor ou amizade deve ser entendido no contexto da cultura grega antiga.3 Vale a pena, a este propsito, ler o poema taca de Constantin Cavafy. Estabelecendo um paralelo entre ataca e a filosofia, poderemos dizer que, se no fim da viagem, achares pobre a filosofia, devers contudocompreender que foi graas Filosofia que te puseste a caminho e assim adquiriste as riquezas que fosteencontrando e comerciando nos portos que visitaste. A pobre Filosofia ter-te- dado a maior riqueza: a Jos Carlos S. de Almeida / filosofia10-sumriosdesenvolvidos2011-2012-jca-120916050038-phpapp02.docx 6. 63 A.Do mito aos primeiros filsofos. O mito enquanto primeiro ensaio dumatentativa de descrio e explicao quase racional do realO mundo sempre foi fonte de curiosidade e inquietao. Olhando sua volta, somuitas as perguntas que surgem no esprito do homem. Uma dessas perguntas prende-secom a origem e funcionamento da realidade. Desde muito cedo que o homem seinterrogou sobre como tudo teria comeado. Observando a realidade, as coisas vivas quenascem e morrem, desde logo conclui que tudo tem um incio, que as coisas evoluem, voganhando novas formas. Tambm dever ter sido assim com o meio envolvente. Por isso,desde muito cedo que os homens procuraram explicar a realidade, fornecer um sentido aosmltiplos acontecimentos que ocorriam sua volta. As condies rudimentares dessasprimeiras tentativas de resposta, levaram os homens a fazer intervir nesses ensaiosexplicativos seres fabulosos, dotados de capacidades extraordinrias e mgicas. Nasprimeiras explicaes do mundo, os homens recorrem aos feitos fabulosos dos deuses eaos atos criadores dos heris, de figuras sobre-humanas, dotadas de poderes sobre-humanos. Os mitos so, precisamente, tentativas de explicao da origem quer do mundo(mitos cosmognicos), quer de outras formas particulares de existncia, mas de importnciavital para a comunidade, como por exemplo, a origem do homem, duma aldeia, dum rio,duma montanha, da chuva. Essas tentativas de descrio e explicao tm de particular ainterveno de