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Coleciona Volume7/2009 - pg. 1

vol. 7/Ano 2julho/agosto

FiChrio d@ EduCAdor AmbiEntAl

Textos para se pensar a EA

pg. 3

- Conscientizao com latas de cerveja- A Educao Ambiental no Processo Produtivo

aes e projetos

pg. 11

- mmA lana documento inicial da Encea- manh de interao ambiental- um balano do Sibea

1o anos da pnea

pg. 21

- Entrevista com Cleidemar Valrio- Entrevista com diego rodrigues

Cooperao Internacional

pg. 17

- Participacin social, polticas pblicas am-bientales y el papel de la Educacin Am-biental

Agenda da EA

pg. 25

- Eventos e Cursos para @ Educador Ambiental

Indica-se

pg. 27

- livros e publicaes voltados Educao Ambiental

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diCAS PArA o EnVio: os textos devem ter no mximo quatro pginas, fonte times new roman 12, com espao 1 1/2. deve conter ainda o nome e minicurriculo do autor e bibliografia consultada.

Caso haja a necessidade de alterar o tamanho do documento ou seu contedo, o autor ser notificado e a publicao se dar mediante aprovao do mesmo.

Envio: educambiental@mma.gov.brAssunto: Artigo ColECionA

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ProduooG/PnEA - dEA/mmA - CGEA/mEC

Coordenao EditorialFabiana mauro

Projeto Grfico e DiagramaoFabio Senna e ricardo Ferro

ColaboraoArthur Armando Ferreira daniel Capellamaria ins C. Jorge

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Textos para se pensar a EA

Fica autorizada a publicao total ou parcial do contedo deste fichrio, desde que citada a fonte.

O contedo dos eventos e cursos so de inteira responsabilidade de seus organizadores/coordenadores.

Coleciona Volume7/2009 - pg. 3

Textos para se pensar a EA

Lembro-me da poca de criana, no final dos anos 60, em Itaipolis (SC), que os reciclveis rendiam um bom dinheiro. Eu e toda a piazada da comunidade juntvamos estes materiais para vender para um caminho que passava de tempos em tempos.

basicamente, eram coletadas latas de metal (no existia de alumnio), utenslios domsticos (panelas e bacias) velhos de alumnio, vidro e ossos que a gente apanhada nos potreiros das carcaas do gado que morria de alguma doena e para nossa sorte nunca eram enterradas, devido ao trabalho que isto dava.

o que eu nunca imaginei que aquela atividade de descolar alguns trocados daria nos dias de hoje o passaporte para participar da conferncia do meio ambiente, em braslia, promovida anualmente pelo ministrio do meio Ambiente e congrega estudantes representando as escolas de todo o brasil.

Esta atividade de vasculhar as taperas em busca de panelas velhas de alumnio amassadas e ferramentas agrcolas quebradas de ferro enferrujado nunca precisou ser estimulada pela escola. Foi suficiente saber pelos mais velhos que tinha algum que comprava determinado material que a gente guardava a espera do caminho que comprava.

na verdade, teve uma ocasio, j minha pr-adolescncia, que uma instituio estimulou a coleta dos reciclveis. no foi bem a instituio, mas seu representante, o chefe dos escoteiros. o objetivo, segundo ele, era para angariar fundos para o movimento. lembro-me que at gincanas foram promovidas para ver quem juntava mais reciclveis.

Coitados dos vizinhos e demais moradores de itaipolis. Eram incomodados o tempo todo pela piazada suplicando - ou, melhor, enchendo saco - para deixarem garimpar em seus quintais os valiosos reciclveis. Quando se usava as palavras mgicas para os escoteiros, eles abriam o corao e davam at as sucatas guardadas no paiol.

descobrimos mais tarde que o dinheiro dos reciclveis no era exatamente para o nosso grupo de escoteiros, mas para o bolso do chefe. isto explicava o grande empenho dele em nos cobrar a coleta de quantidades cada vez maiores de reciclveis. Ficamos muito decepcionados, como se pode imaginar. usou as crianas e o nome do movimento para benefcio prprio.

Certamente, hoje ele ainda ganharia um prmio ambiental e matrias de capa nos jornais por estar conscientizando as crianas, considerando que aquelas montanhas de reciclveis que catamos nas casas e nas taperas so muito utilizados como indicadores da conscincia ambiental aqui no brasil. Seria tambm o case apresentado na conferncia do meio ambiente.

Algum pode estar curioso para saber por que eles queriam os ossos? ns tambm tnhamos esta curiosidade. Era para fabricar farinha de osso, utilizada na rao animal. Agora d para entender porque algumas doenas do gado se espalhavam to rapidamente.

Ah! naquela poca o conceito de reutilizar tambm estava muito presente no dia-a-dia. As formas de pes e bolos, bacias e canecos eram confeccionados de latas de leo de soja que eram desmanchadas e suas folhas remendadas com rebites para a produo das peas maiores, no caso das formas e bacias. Estes utenslios custavam bem menos do que os de alumnio.

Conscientizao com latas de cerveja

Germano Woehl Jr. *

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o que surpreende uma atividade to antiga e bastante difundida que o comrcio de materiais reciclveis ter ido parar dentro da escola como uma grande novidade para salvar o planeta. no sei se preciso a escola ensinar que bom ganhar dinheiro.

A reciclagem do lixo, quer dizer, das latinhas de cerveja e das garrafas PEt, o assunto predileto da maioria esmagadora das escolas para trabalharem a temtica ambiental. temas de grande relevncia para a sociedade como o desmatamento da Floresta Amaznia ou do que resta da mata Atlntica e das matas ciliares dos rios que abastecem a cidade e a escola -, bem como a perda da biodiversidade, poluio, consumo etc. no tem chances alguma de competir com a reciclagem do lixo.

o que se entende por educao ambiental pedir para os alunos catarem e trazerem a maior quantidade possvel de latinhas de cerveja e garrafas PEt para as dependncias da escola. Ento, este material vendido para levantar fundos para a escola. Fazer sua parte para salvar o Planeta simplesmente isto. muito fcil, no mesmo?

Em Jaragu do Sul (SC), bem como nos municpios vizinhos, tem uma empresa privada que faz a coleta seletiva. Alm disso, tem a cooperativa de catadores. J teve at morte em um parque da cidade numa briga entre catadores pela disputa das latinhas de cerveja vazias, de to valioso que este material. Agora, os catadores, que lutam para sobreviver, tm que disputar as latinhas e garrafas PEt com as escolas que tambm entraram no preo.

uma concorrncia desleal, pois a escola explora a mo de obra do seu exrcito de alunos para coletar os reciclveis. J o coitado do catador tem que perambular dia e noite pela cidade, empurrando seu carrinho e correndo risco de perder a vida se invadir, sem saber, o territrio de um catador hostil.

o grande problema dos reciclveis domsticos que so necessrios volumes grandes para valerem alguma coisa. E acumular os reciclveis requer muito espao, que tambm problema. Quem tiver alguma estratgia de baixo custo para juntar grandes quantidades, consegue um bom resultado com a venda.

Ser que existe alguma eficcia disso na educao ambiental das nossas crianas? Vou citar o exemplo de uma escola pblica de ensino fundamental de Jaragu do Sul, que coleta e comercializa materiais reciclveis j faz algum tempo. usando um bom marketing ambiental, do tipo, vamos salvar o planeta, chega a fazer campanhas agressivas para estimular os alunos a coletarem e trazerem os reciclveis para a escola.

uma destas campanhas lanada pela escola neste ano foi a gincana de coleta de garrafas PEt com ofertas de prmios ou notas para os alunos que trouxessem mais garrafas. muitos pais reclamaram que o consumo de refrigerantes havia triplicado com a campanha. As crianas estavam empantufando-se de tanto tomar refrigerantes para esvaziar o maior nmero possvel de garrafas e ganhar a gincana. Chegavam a pressionar a famlia, at os avs e os irmozinhos, para consumirem mais refrigerantes.

outro exemplo vem de uma escola particular de Florianpolis. Para aderir moda da reciclagem a escola instalou ao lado da cantina uma daquelas mquinas de amassar as latinhas de refrigerantes. As crianas adoravam a novidade - ou melhor, o brinquedo - e ficavam amassando as latinhas o tempo todo na hora do recreio. Faziam at fila para disputar a maquina. Resultado: o consumo de refrigerantes aumentou assustadoramente e a direo da escola teve o bom senso de retirar a mquina. deve ter sido reclamao dos pais.

h ainda casos de escolas que montaram uma verdadeira indstria qumica para fabricar sabo explorando o conceito de utilizar leo de cozinha. ocorre que a receita leva produtos qumicos de manuseio muito perigoso, como a soda custica e o lcool. uma coisa a professora fazer uma demonstrao, dentro da disciplina de qumica, de como se fabrica o sabo. isto muito educativo, sem dvida. outra coisa fabricar sabo na escola em larga escala e forar as crianas a venderem o produto. Que exemplo esto dando para as crianas? Esto ensinando que uma indstria qumica pode operar sem nenhuma licena ambiental e que o produto no precisa de nenhum teste.

Esta viso extremamente limitada que as escolas tm das questes ambientais em parte reflexo da situao deplorvel em que se e