FEMINICDIO SOB A PERSPECTIVA AXIOLGICA DA TEORIA ... ? FEMINICDIO SOB A PERSPECTIVA AXIOLGICA

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Anais Eletrnico IX EPCC Encontro Internacional de Produo Cientfica UniCesumar Nov. 2015, n. 9, p. 4-8 ISBN 978-85-8084-996-7 IX EPCC Encontro Internacional de Produo Cientfica UniCesumar 03 a 06 de novembro de 2015 Maring Paran Brasil FEMINICDIO SOB A PERSPECTIVA AXIOLGICA DA TEORIA TRIDIMENSIONAL DO DIREITO E O BEM JURDICO-PENAL PROTEGIDO. A IMPLEMENTAO SOCIAL DE VALORES SOB A INEFICCIA DA PROTEO DE GNERO Alessandra Cardoso da Silva1, Giselly Campelo Rodrigues2 RESUMO: Este projeto foi formulado e projetado, com o intuito de sanar as dvidas referentes a lei 13.104/15, que causou grande polemica ao tipificar nova qualificadora ao crime de Homicdio, ensejada como proteo mxima da mulher em mbito de violncia domstica, alm de trazer uma maior valorao da norma atravs de sua analise tpica, desta forma busca-se a eficcia da mesma como elemento na implementao de valores. Seguindo o conceito de que o assassinato de mulheres por razes de gnero um fenmeno global, com propores alarmantes. Segundo o Mapa da Violncia (2012), o Brasil ocupa o 7 lugar (de 84 pases) com a maior taxa de mortes de mulheres, conforme a Secretaria de Polticas para as Mulheres, passa-se a necessidade de discusso de maneiras efetivas de diminuio desta criminalidade, no s sob os nus do direito Penal Simblico e vazio. PALAVRAS-CHAVE: Feminicdio; Gnero; Mulher; Proteo; Violncia. 1 INTRODUO A partir do dia 09 de maro de 2015 o Brasil definiu como crime hediondo a morte violenta de mulheres por razes de gnero, conhecido como a lei do Feminicdio, da qual adentrou no nosso ordenamento jurdico ptrio, com bases constitucionais, para oferecer a essas mulheres o princpio fundamental da dignidade da pessoa humana, e proteger o bem jurdico da vida, sem que haja os fragmentos de ofensividade deste. Algumas dvidas so frequentes quanto ao feminicdio, a sua aplicabilidade ou necessidade, contudo, nesse artigo iremos verificar a importncia da tipificao deste crime, baseado na teoria da tridimensionalidade do direito, construda por Miguel Reale, da qual afirma que o mundo jurdico formado pelas intenes de valor, que incidem sobre os fatos, refrangendo-se em proposies ou direes normativas, e uma dessas a norma jurdica em virtude da interferncia do poder. Seguindo os parmetros de entendimento de Miguel Reale, podemos identificar que s pode se alcanar o princpio da dignidade da pessoa humana se houver a axiologia da norma, ou seja, empregar norma seu devido valor, caso contrrio, no se pode alcanar o fim desejado. As polticas pblicas no enfrentamento violncia domstica so normas com uma grande eficcia no ordenamento, j que elas so empregado seu devido valor. o valor, em suma, que como produtor das normas que regem a conduta humana, determina o que deve ou no deve ser, mas se so os valores que normatizam o mundo prtico, no se deve esquecer que todo valor consiste na apropriao do objeto a um certo fim.3 Os bens jurdicos, so todos os objetos do direito material, como a vida, sade, liberdade, honra, estado pessoal, capacidade jurdica do indivduo, entre outros, dos quais so constitudos conforme o grau de cultura e a sua evoluo histrica, o Estado define quais os bens da vida valorados objetivamente, que estariam protegidos por intermdio dos tipos penais.4 No caso do feminicdio, o bem jurdico tutelado a vida, pois o mesmo se trata de um homicdio qualificado, e possui igual proteo. A exigncia de uma particular relevncia social para os bens jurdico-penais significa postular sua autonomia axiolgica - tais bens devem ser considerados fundamentais para o indivduo e a vida social.5 O que se espera que a sociedade possa ir se encorajando, e que o silncio seja substitudo por denncias concretas e para isto, todos precisam ter conhecimento de sua importncia. Todas as medidas esto sendo realizadas para que haja o devido enfrentamento a este delito, ou que o mesmo possa ser minimizado em grande proporo, esta pesquisa proporciona uma reflexo, acerca da eficcia da norma, sua mobilizao social e o efeito que pode trazer na vida das mulheres que so diariamente ameaadas de morte por seus companheiros, ou familiares. 1 Acadmica do Curso de Direito do Centro Universitrio de Unicesumar UNICESUMAR, Maring Paran. Programa de Iniciao Cientfica do Unicesumar. ale_cardoso_@hotmail.com 2 Orientadora, Professora Mestre do Curso de Direito Direito do Centro Universitrio de Unicesumar UNICESUMAR. 3 REALE, Miguel - Fundamentos do direito - 3 ed. - So Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 1998. p 285 4 ROSA, Antnio Jos Miguel Feu. Direito Penal Parte Geral - 1 ed. So Paulo Editora Revista dos Tribunais, 1995. p.197 5PRADO, Luiz Regis. Elementos de direito Penal - So Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005. p.67 mailto:ale_cardoso_@hotmail.com Anais Eletrnico IX EPCC Encontro Internacional de Produo Cientfica UniCesumar Nov. 2015, n. 9, p. 4-8 ISBN 978-85-8084-996-7 IX EPCC Encontro Internacional de Produo Cientfica UniCesumar 03 a 06 de novembro de 2015 Maring Paran Brasil importante ressaltar que o Estado deve intervir em favor da vtima, pensando em promover o seu bem estar, de forma geral. 2 MATERIAL E MTODOS O trabalho ser executado alicerado na reviso bibliogrfica pertinente ao assunto. Isso ser efetuado de acordo com os procedimentos abaixo relacionados. Em um primeiro momento ser efetuada a pesquisa e a ampliao da bibliografia bsica ora apresentada. O mtodo a ser utilizado na pesquisa ser o terico que consiste na pesquisa de obras doutrinrias, de legislao nacional e internacional pertinente, de jurisprudncia e documentos eletrnicos. Sendo a pesquisa bibliogrfica a principal fonte, o instrumento de coleta de dados ser o fichamento de informaes retiradas desta, objetivando a otimizao do estudo a ser realizado. Dessa forma, atravs das fichas contendo registros de dados documentais necessrios ao desenvolvimento e fundamentao do estudo, tem-se uma viso mais dinmica do tema proposto de acordo com a ptica de diversos doutrinadores. Os dados coletados estaro dispostos em fichas bibliogrficas. Aps a coleta dos dados e leitura crtica e interpretativa das fontes, sero observados os critrios utilizados por cada autor no que se refere disposio dos assuntos. Assim sendo, tem-se uma noo de como separar os assuntos que comporo o desenvolvimento do estudo. Aps a organizao das fichas, sero realizadas anotaes das consideraes e comentrios pertinentes expostos por cada autor, objetivando relacion-las entre si, outros autores e a legislao pesquisada. Dessa forma, possvel desenvolver uma anlise fundamentada e expor consideraes pessoais. O mtodo utilizado para a anlise dos dados consiste no mtodo indutivo, ou seja, partindo de princpios particulares e chegando generalizao como um produto posterior do trabalho de coleta dos dados particulares. Dessa forma, se torna possvel a observao dos fatos e/ou fenmenos cujas causas se deseje conhecer. 3 RESULTADOS E DISCUSSES Espera-se verificar a importncia da tipificao do feminicdio, como instrumento de garantir a dignidade da pessoa humana, atravs de uma implementao social de valores, alm de analisar a sua qualificadora e hediondez. Para isso conceituar a teoria tridimensional, definir a importncia do princpio da dignidade da pessoa humana como vetor axiolgico da valorao normativa e apontar os critrios de validade axiolgica da norma. Contudo necessrio destacar a proteo do bem jurdico-penal, os fragmentos de ofensividade e a razo da proteo de gnero. Identificar a eficcia da normativa sob o enfoque das polticas pblicas., alm de elaborar de um parecer crtico de embasamento doutrinrio sobre a criminalizao do crime feminicdio como qualificadora no crime de homicdio sob a tica do Direito como instrumento de implementao dos valores corolrios da Dignidade Humana. Ainda, Demonstrar as mulheres que necessrio que elas faam a sua parte no enfrentamento violncia domstica e ao feminicdio, para que assim a norma se torne eficaz para toda uma sociedade. Figura 1: Homcidios femininos Fonte: http://www.compromissoeatitude.org.br/feminicidio-desafios-e-recomendacoes-para-enfrentar-a-mais-extrema-violencia-contra-as-mulheres/ http://www.compromissoeatitude.org.br/feminicidio-desafios-e-recomendacoes-para-enfrentar-a-mais-extrema-violencia-contra-as-mulheres/ Anais Eletrnico IX EPCC Encontro Internacional de Produo Cientfica UniCesumar Nov. 2015, n. 9, p. 4-8 ISBN 978-85-8084-996-7 IX EPCC Encontro Internacional de Produo Cientfica UniCesumar 03 a 06 de novembro de 2015 Maring Paran Brasil Figura 2: ndices do feminicdio e quem so as maiores vtimas. Fonte: http://www.crianca.mppr.mp.br/modules/noticias/article.php?storyid=594 REFERNCIAS DAVILA, Fabio Roberto. Ofensividade em direito penal: escritos sobre a teoria do crime como ofensa a bens jurdicos. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2009. MONTORO, Andr Franco. Introduo cincia do Direito. 27 ed. rev e atual - So Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008. PRADO, Luiz Regis. Bem jurdico-penal e constituio. So Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2003. PRADO, Luiz Regis. Elementos de direito Penal. So Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2005. REALE, Miguel - Fundamentos do direito - 3 ed. - So Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 1998. REALE, Miguel - O Direito como experincia : introduo epistomologia jurdica. 2 ed. So Paulo : Saraiva, 1992. REALE, Miguel. Fundamentos do Direito. Ed. prpria, 1940; 2 ed. Rev. dos Tribunais, 1972. REALE, Miguel. Teoria Tridimensional do direito - 5. ed. So Paulo : Saraiva, 1994.

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