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    Fatores contribuintes ocupacionais da síndrome do impacto no

    ombro Raíssa de Souza Santana

    souza_raissa@hotmail.com

    Dayana Priscila Maia Mejia²

    Pós-graduação em Ergonomia – Faculdade Ávila

    Resumo

    A síndrome do Impacto ou do pinçamento é o termo geral designado de variadas alterações no

    ombro que se manifestam por dor e limitação funcional, sobretudo na realização de atividades

    acima da cabeça do úmero, a causa mais comum são as tendinites dos músculos do manguito

    rotador, que, se não tratadas a tempo, podem levar à ruptura total desses tendões (SOUZA,

    2004). A pessoa pode sofrer ao longo dos anos lesões variadas desde grandes traumas até

    pequenos. A frequência desses eventos contribui para a cronicidade da lesão. A repercussão

    funcional pode resultar num pequeno edema até a ruptura total de músculos do manguito. O

    mecanismo de lesão fica por conta do atrito com o acrômio e seu encaixe junto ao osso e

    tecidos moles do ombro. Esse mecanismo pode ocorrer nas tarefas da vida diária, lazer ou

    profissional. A maioria dos eventos profissionais ocorre pelo uso do membro superior acima da

    linha de 90 graus do ombro associado ao transporte manual de cargas acima do Limite

    Individual Permitido e que sejam executadas de forma habitual e permanente, sem pausas ou

    micropausas.

    Palavras-chave: síndrome do impacto, ombro.

    1. Introdução

    A síndrome do impacto no ombro resulta de variados fatores que resulta em ação

    biomecânica de compressão de estruturas moles principalmente os músculos dos

    ombros que compõem o manguito rotador. A escápula participa dessa ação quando o

    braço é elevado acima de noventa graus na elevação ou flexão. A dor pode estar

    presente por causas diversas, uma delas por inflamação da bursa (bursite) que cobre o

    manguito rotador ou uma tendinite do próprio manguito. Algumas vezes, uma ruptura

    parcial do manguito pode ser a causa da dor.

    Segundo Konin, (2006), a síndrome do impacto também pode ser decorrente de maus

    hábitos posturais do pescoço e dos membros superiores. A má postura ao sentar (postura

    desleixada) resulta em protrusão anterior da cabeça e do pescoço, rotação medial dos

    membros e aumento da cifose torácica.

    Para Souza, (2001), a etiologia da síndrome do impacto é multifatorial. A área crítica

    para compressão ocorre sobre o tendão do músculo supra-espinhal, que se constitui na

    estrutura com maior probabilidade de ser afetada, resultando em lesões parciais e totais

    ou ainda em calcificações.

    O estudo das lesões do ombro deve levar em conta as relações anatômicas de todo o

    quadrante superior. Isto se torna cada vez mais fundamental quando se analisa a

    biomecânica de uma articulação em relação ás outras. O complexo do ombro pode ser

    dividido em cinco articulações, a saber: glenoumeral, umerocoroacromial (supra-umeral

    ou subdeltóidea), acromioclavicular e escapulotorácica.

    Atualmente, a ergonomia está sendo inserida nos programas de gestão de segurança,

    saúde e produtividade das empresas, mudando o sistema de trabalho, adequando as

    atividades às características, habilidades e limitações humanas, de forma segura e

    eficiente.

    mailto:souza_raissa@hotmail.com

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    2. Desenvolvimento

    2.1 Anatomia do Ombro

    As estruturas ósseas do complexo do ombro consistem na escápula, na clavícula e no

    úmero. A mobilidade desfrutada pelo membro superior advém em parte das estruturas

    conhecidas como cíngulo do membro superior e articulações do ombro, ou mais

    precisamente articulações glenoumeral. Para Blandine (2002), o cíngulo do membro

    superior é formado, anteriormente por duas clavículas, duas escápulas posteriormente e

    pelo esterno anterior e medialmente, sendo estes os ossos responsáveis pela transmissão

    de força dos membros superiores para o corpo, que contribui para o movimento do

    braço através de ações articulares coordenadas.

    Segundo Hall (2003), o ombro é a articulação mais complexa do corpo humano,

    principalmente pelo fato de ele incluir quatro articulações básicas glenoumeral,

    esternoclavicular, escapulotorácica, acrômioclavicular e coracoclavicular. As

    articulações têm duas funções extremamente opostas: permitir o movimento desejado e

    restringir o movimento indesejável.

    Para Palastanga (2000), todos os músculos do complexo do ombro se originam na

    escápula e clavícula são eles: serrátil anterior, elevador da escápula, trapézio, romboide

    maior e menor, deltoide, coracobraquial, grande dorsal, peitoral maior e menor e o

    manguito rotador.

    Fonte: Disponível www.fisioweb.com.br. Acesso em 18/02/2012

    Figura 01: Articulação Glenoumeral, Autor: Henry Gray.

    http://www.fisioweb.com.br/

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    Fonte: Disponível: http://www.auladeanatomia.com.br. Acesso 18/02/2012

    Figura 02: Sistema articular-Articulações Sinoviais (Diartroses)

    2.2 Biomecânica do ombro

    De acordo Konin (2006), a biomecânica é a ciência que estuda o movimento humano

    através da análise da física dos sistemas biológicos. O movimento de qualquer

    articulação ocorre dentro de um plano imaginário, onde cada plano se projeta em torno

    de um eixo é o ponto central no qual uma articulação gira. O movimento humano se

    baseia em três planos que se movem em torno de eixos: plano sagital, plano frontal e

    plano horizontal ou transversal.

    Wilk (2000), ensina que a biomecânica pode ser dividida em forças internas e externas.

    As forças internas são compostas pelas forças musculares, articulares e outras forças,

    enquanto que as forças externas constituem-se da força da gravidade, da força de reação

    no solo e outras. As forças internas relacionam-se com o ato motor e com as cargas

    mecânicas executadas pelos membros inferiores, representados pelo estresse, resultado

    no desenvolvimento e crescimento das estruturas do corpo.

    2.3 Cinesiologia do ombro

    O ombro é uma articulação proximal do membro superior é a mais móvel de todas as

    articulações do corpo humano. O ombro possui três graus de liberdade, o que lhe

    permite orientar o membro superior em relação aos três planos do espaço, graças a três

    eixos principais que são o eixo transversal contido no plano frontal, eixo ântero-

    posterior contido no plano sagital e o eixo vertical determinado pela intersecção do

    plano sagital e do plano frontal. O eixo longitudinal do úmero permite a rotação externa

    e interna do braço e do grau de liberdade e só é possível nas articulações triaxiais. Ela

    resulta da contração dos músculos rotadores e a rotação automática que aparece sem

    nenhuma ação voluntaria nas articulações biaxiais ou ainda nas articulações de três

    eixos, quando utilizadas como articulações de dois eixos (KAPAND JI, 1990).

    3. Síndrome do impacto no ombro

    De acordo Souza (2001), a síndrome do impacto (impingement) ou do pinçamento é

    consequência de uma diminuição de espaço, o que leva as estruturas a se comprimirem

    umas as outras, ocorrendo no ombro irritação dos tendões do manguito rotador e,

    possivelmente, do tendão da cabeça longa do bíceps braquial, quando cruzam sob

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    acrômio em uma região conhecida como espaço subacromial. A compressão pode

    ocorrer quando a cabeça do úmero estiver insuficientemente estabilizada dentro da fossa

    glenóide, durante movimentos ativos do ombro, a disfunção do manguito rotador ou da

    cabeça longa do bíceps braquial permite a migração superior excessiva da cabeça do

    úmero dentro da fossa glenóide.

    A síndrome do impacto ocorre em fases, com consequente evolução, na fase 1, comum

    em jovens, podendo ocorrer, no entanto, em qualquer idade, ocorre dor no ombro

    relacionada a movimentos repetidos de elevação. Pode ocorrer limitação de mobilidade

    e crepitação. Os sintomas na fase 2 são semelhantes. Nessas duas situações, o quadro

    pode ser reversível.

    Para Molinaro (2000), a síndrome do impacto é semelhante a uma ler/dort, que pode ser

    causada pelo excesso de movimentos com ombro em abdução maior do que 90 graus de

    amplitude ou por um trauma. Desta forma, não consideramos a síndrome do impacto

    como uma doença específica, classificamos como uma de denominação geral de

    algumas lesões no ombro, como por exemplo: as tendinites e bursites.

    3.1 Mecanismo de lesão da síndrome do impacto no ombro

    A síndrome do impacto do ombro é, de modo geral, o resultado do efeito cumulativo

    das passagens múltiplas dos tendões do manguito rotador por baixo do arco

    coracoacromial. O tamanho relativo do espaço subacromial é, quase sempre, precursor

    do processo. A redução no espaço disponível abaixo do acrômio seja por anormalidades

    congênitas seja por alterações degenerativas, aumenta a probabilidade de que venham a

    ocorrer consequentes danos aos tendõ