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Projeto FAO TCP/BRA 3001

FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL DA SECRETARIA ESPECIAL DE AQICULTURA E PESCA - SEAP/PR

BASES PARA DISCUSSO

EXTRATO DO DOCUMENTO REVISO DO MARCO INSTITUCIONAL, DA ESTRUTURA INSTITUCIONAL E ORGANIZACIONAL DA SEAP/PR, PREPARADO PELA ORGANIZAO DAS NAES UNIDAS PARA A AGRICULTURA E ALIMENTAO FAO

BRASIL, MARO 2006

Projeto FAO TCP/BRA 3001

O Estudo Setorial para o Desenvolvimento da Aqicultura Sustentvel no Brasil foi elaborado pelo Grupo de Estudos Integrado de Aqicultura e Estudos Ambientais, da UFPR, a partir de trs seminrios promovidos pela cooperao tcnica FAO/ SEAP/PR entre dezembro de 2005 e maio de 2006, que trataram dos seguintes temas: Diagnstico da aqicultura brasileira; Promoo do desenvolvimento sustentvel da aqicultura brasileira; Aspectos ambientais e sanitrios da aqicultura brasileira.

O documento constitudo de 334 paginas com inmeras informaes que contriburam significativamente para a construo do Plano de Desenvolvimento da Aqicultura Brasileira - 2008-2011 (em elaborao).

ANLISE DO MARCO INSTITUCIONAL DO SETOR PESQUEIRO1 NO BRASILEvoluo Histrica

1955 - 1989: nfase no Fomento Atividade Aqucola e PesqueiraO primeiro momento, no perodo 1955 - 1989, foi caracterizado pela atuao daSUDEPE - Superintendncia do Desenvolvimento da Pesca, autarquia vinculada ao

Ministrio da Agricultura - MA. A SUDEPE originou-se da fuso de trs rgos heterogneos: a parte de pesca da Diviso de Caa e Pesca procedente do Ministrio da Agricultura; a Caixa de Crdito da Pesca, entidade autrquica do mesmo ministrio, e o Conselho de Desenvolvimento da Pesca, de natureza parestatal (TIMM, 1975, citado por DIAS, 2001).2 O novo rgo ficou vinculado pasta da Agricultura. A criao da SUDEPE institucionalizou a pesca como setor autnomo no mbito da rea de agricultura e abastecimento. Esse perodo se caracterizou por uma poltica de incentivos fiscais e fortes investimentos no setor. A destinao de recursos para a criao e

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Entende-se por setor pesqueiro as atividades de aqicultura e pesca. DIAS-NETO, J. Gesto do uso dos recursos pesqueiros marinhos no Brasil. Braslia: Edies Ibama. 2003. 242p.

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reproduo de uma estrutura industrial para o setor pesqueiro, incentivos fiscais para compra de barcos e equipamentos e para implantao de unidades de beneficiamento do pescado, entre outras aes, combinavam com o momento e o modelo econmico adotado pelo pas. A premissa de transformao do setor pesqueiro de pesca artesanal em pesca moderna, tendo por base a industrializao (DIEGUES, 1983).3 Passa a vigorar o Cdigo de Pesca que at hoje serve de instrumento regulamentador da atividade, (Decreto Lei 221, 28/02/1967). Este tinha claro o objetivo de estimular a pesca, com facilidades e incentivos fiscais. O uso desse modelo significou um avano produtivo e econmico, mantendo-se vigente at o incio dos anos 80, quando o pas superou pela primeira vez a barreira de produo de um milho de toneladas em 1985 (REVISTA AQUA, 2005). Em meio ao processo de reforma institucional do Estado, a SUDEPE elabora seus primeiros Planos Nacionais de Desenvolvimento da Pesca (PNDPs), em 1963 e 1969. A dificuldade de implantao, devida, em parte, ao perodo poltico econmico nacional, foi agravada pela falta de estrutura operacional, alocao de meios e instabilidade administrativa vivida pela instituio na poca. Alm disso, a autarquia passou a enfrentar uma srie de denncias de uso inadequado de recursos pblicos, culminando com a adoo de diversos projetos de investimentos para o setor, economicamente inviveis (DIAS NETO, 1996).4 A crise institucional da SUDEPE pode ser em grande parte relacionada crise do Estado, que ditada pelos impasses econmicos, pelo sucateamento da sua infra-estrutura fsica e humana e pela dificuldade de gesto adequada contribuiu fortemente para a crise institucional do Setor. Entretanto, a principal questo que pode resumir o aspecto institucional e fornecer subsdios para a configurao de uma nova estrutura para o setor , conforme cita Dias (2003), o fato de a SUDEPE atravessar uma srie de gestes e governos sem incorporar uma cultura institucional nica, o que a tornou carente de um conjunto de valores prprios que conformasse um perfil, uma auto-imagem infundida e negociada com o ambiente. O quadro poltico estrutural apresentado permitiu a evoluo do processo que levou a um descrdito institucional, o que certamente contribuiu para a extino da Superintendncia

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DIEGUES, A. C. S. Pescadores, camponeses e trabalhadores do mar. So Paulo: tica, 1993. 287p. DIAS NETO, J. Diagnstico da pesca martima no Brasil. Braslia: IBAMA, 1996. 165p.

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em 1989. Como destaca Egler (1998), citado por Dias (2001),2 a conjugao de fatores ocorridos a partir da segunda metade dos anos 1980, como: (i) a instalao da Nova Repblica; (ii) a redemocratizao do pas; (iii) o comprometimento de importantes espaos e recursos ambientais; e (iv) o avano dos desmatamentos e das queimadas, especialmente na Amaznia, que provocou uma presso internacional, levou o governo a adotar uma srie de medidas dentro do Programa Nossa Natureza, como a eliminao dos incentivos fiscais para projetos de agricultura e a criao, pela Lei 7.735 de 22 de fevereiro de 1989 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renovveis - IBAMA, vinculado ao Ministrio do Interior, assumindo as atividades de fomento e o ordenamento da pesca.

1989 - 1998: nfase no Ordenamento Ambiental da Atividade Aqucola e PesqueiraA caracterstica da administrao dos recursos pesqueiros desse perodo tem um enfoque singular. Isso devido tanto porque as funes e atribuies que eram setoriais se disseminaram em uma estrutura funcional, como pela natureza de mbito institucional imediato, um organismo responsvel pelo meio ambiente que concentrava as competncias de ordenamento e fomento Aqicultura e Pesca (GUMY, 1998)5. A gesto da atividade pesqueira pelo IBAMA teve em sua vigncia uma administrao da atividade baseada, principalmente, na conservao e preservao dos recursos pesqueiros, com poucas aes de incentivo ao desenvolvimento e fomento atividade (RELATRIO PNUD, 2003)6. Em 1991 editada a Lei da Poltica Agrcola, que vem a reforar o disposto na Constituio de 1988, considerando a atividade pesqueira como parte integrante da atividade agrcola, marcando o perodo tambm por uma luta do setor no cumprimento dessa normativa. Nesse sentido foi encaminhado ao Congresso Nacional pelo ento Presidente Itamar Franco, a Medida Provisria n.o 309/92 propondo, em sua primeira verso,

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GUMY, Angel. Relatrio da Misso do Departamento de Pesca da FAO de apoio ao Departamento de Pesca e Aqicultura do Ministrio da Agricultura e Abastecimento. 28 set.-9 out. 1998. VASCONCELLOS, M.; DIEGUES, A. C.; SALES, R. R. Relatrio PNUD integrado: diagnstico da pesca artesanal no Brasil como subsdio para o fortalecimento institucional da Secretaria Especial de Aqicultura e Pesca, SEAP/PR 2004.

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transferir para o mbito do Ministrio da Agricultura a competncia sobre a aqicultura e a pesca, atribuda ao IBAMA. A estruturao poltica do perodo tambm estava articulada criao do Ministrio do Meio Ambiente7. Assim, promoveu um acordo entre o governo e as lideranas do setor, de forma que seria omitido da lei de aprovao da Medida Provisria o dispositivo sobre a definio da competncia ministerial referente pesca; mas em contrapartida, se obrigaria o Executivo a encaminhar projeto de Lei no prazo de noventa dias, dispondo sobre essa matria. Assim foi sancionada a Lei 8.490/92 com essa atribuio. Apenas em 1994, foi constitudo um Grupo de Trabalho Interministerial pela Portaria 02/94 no sentido de resgatar a invocao da Lei 8490/92. O trabalho desenvolvido por esse Grupo, entre outras diversas questes, considerou que:[...] os setores de Aqicultura e Pesca deveriam ser tratados no mbito do governo federal por um rgo autnomo, preferencialmente no nvel de Secretaria Nacional, com competncia e estrutura adequada para o planejamento, o controle, a administrao e a coordenao nacional das atividades de pesquisa e de promoo do desenvolvimento; devendo permanecer no mbito do rgo responsvel pelo setor ambiental a fiscalizao pesqueira e o gerenciamento dos recursos naturais renovveis (mamferos e rpteis aquticos). Aos Estados e Municpios (co-responsveis pela Constituio Federal com a gesto ambiental e administrao dos recursos naturais renovveis) ficaria atribuda a execuo de programas, projetos e atividades, inclusive a normatizao sobre a explorao de estoques disponveis nos limites de cada Estado. Ao setor privado seriam assegurados os mecanismos institucionais de estmulo produo, ao beneficiamento e comercializao do pescado, circunscritos poltica de preservao ambiental desses recursos naturais renovveis.

A proposta de criao de uma Secretaria Nacional acabou no sendo levada efetivao em 1994, sendo sua discusso retomada no incio do primeiro governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, marcado pela adoo de prticas neoliberais, a contnua preocupao de reviso do papel do Estado na economia, alm da preocupao em estimular os agentes produtivos privados. Nesse sentido, foi criado pelo Decreto no 1.697, de 13 de novembro de 1995 o

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Em 1990 o Ministrio do Interior foi extinto e o IBAMA passa a estar vinculado a Secretaria de Meio Ambiente diretamente ligada a presidncia da Repblica. Em 1992 esta Secretaria elevada a status de Ministrio e em 1996 criado efetivamente o Ministrio do Meio Ambiente.

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Grupo Executivo do Setor Pesqueiro - GESPE, tendo como misso conciliar a poltica do governo aos anseios do setor. Seu propsito era promover o desenvolvimento do setor em cargo de propor Cmara de Polticas dos Recursos Naturais a Poltica Nacional de Aqicultura e Pesca e coordenar, em nv