Falando a linguagem das mãos para as mãos

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Nome do palestrante: Shirley Rodrigues Maia e Mrcia Maurlio Souza Data da palestra:23/5/2012 Ttulo da palestra: Educao Inclusiva Ttulo do evento: Sala de Educadores Para mais informaes, acesse www.sp.senac.br/saladeeducadores

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<ul><li> 1. Traduo Mrcia Maurlio de Souza - ABRAPASCEM, Nairo Garcia Pinheiro - AHIMSA, ProjetoHilton Perkins - AHIMSA-2000 ! "$ # " %&amp; " % ( &amp; )* +! , - </li> <li> 2. Fone/Fax: 011-4479-0032 E-mail: contatosurdocegueira@grupobrasil.org.br Ahimsa@ssol.com.br DB-LINK CENTRO NACIONAL PARA DISTRIBUIO DE INFORMAES SOBRE CRIANAS SURDACEGAS Investigao para escolas Centro Nacional Helen Keller Escola Perkins para cegos Publicado em abril de 1998 FALAR A LINGUAGEM DAS MOS PARA AS MOS Por Barbara Miles A Postriori por Harlan Leane A Importncia das Mos para a Pessoa SurdacegaUma pessoa que no pode ver nem ouvir ou que tem deficincias considerveis nos sentidos deve-se encontrar uma maneira de compensar a falta de informao que proporcionam geralmenteestes sentidos. Nas palavras de Harlan Leane, devem dar-lhe estimulo com modulaoapropriada(1997). As mos so as que mais comumente se encarregam das funes dos olhos eouvidos de uma pessoa surdacega. Felizmente, como nos recorda Harlan Leane e Oliver Sacks, ocrebro algo extremamente plstico. Quando se usa um dos sentidos, o crebro capaz deprocessar com mais eficincia a informao que provm deste sentido. As pessoas usamintensamente os dedos da mo, como os leitores de braile e os que tocam instrumentos de cordas.do evidncia de um aumento na representao cortical dos dedos . (Lane, 1997). E mais, asreas do crebro dedicadas anteriormente ao processamento visual ou auditivo, podem resignar-se aprocessar informaes tteis natural, as mos tero mais potncia cerebral. Desta forma, as mos deuma pessoa surdacega, alm de desempenhar sua funo usual como ferramentas, podem converter-se em rgos sensoriais teis e inteligentes, permitindo a aqueles que no tem viso nem audioque tenham acesso a objetos, pessoas e linguagem que de outra forma lhe seriam inacessveis. importante mencionar aqui que o crebro mais plstico, mais adaptvel, quando a criana pequena; portanto, quanto mais cedo uma criana que surdacega puder aprender a usar mos ! "$ # " %&amp; " % ( &amp; )* +! , . </li> <li> 3. como receptores delicadamente afinados, mais provvel ser que ela ter um timo uso de suasmos para obter informaes.Com freqncia, as mos de uma pessoa que surdacega devem assumir um papel adicional. Nosomente ser ferramentas (como so para todas as pessoas que tem o uso de suas mos), e rgossensoriais (para compensar a viso e audio que lhes faltam), sendo que devem tambm converter-se em voz, o meio principal de expresso. A linguagem de sinais e gestos com freqncia a viaprincipal de comunicao expressiva. Para estas tarefas, as mos devem possuir uma habilidadesingular, capazes de expressas coisas como o tom, as matizes de sentimento e os nfases designificado, alm de serem capazes de formar palavras.Por isso as mos de uma pessoa Surdacega so to importantes tem que funcionar comoferramentas, rgos sensoriais e voz crucial que os educadores, pais e amigos destas pessoas queso surdacegas demonstrem uma sensibilidade especial para com as mos. Devem aprender comoler as mos de uma pessoa que Surdacega e como interagir com elas, com o fim de assegurar seumelhor desenvolvimento. Devem aprender como apresentar informaes de maneira que sejaacessvel as mos, ver que muitas vezes esta a nica modalidade adequada. Devem falar alinguagem das mos para as mos e ler a linguagem das mos das mos.Para poder fazer bem tudo isto, importante compreender qual o papel que desempenham asmos em um desenvolvimento tpico e tambm no desenvolvimento de crianas que so cegas ecrianas que so surdas. Compreender isto ajudar a educadores, pais e amigos a interagir commaior habilidade possvel, facilitando assim o desenvolvimento das mos de uma pessoa que Surdacega.Papel das Mos nas Primeiras Etapas do DesenvolvimentoPara todos ns surdocegos ou no o desenvolvimento de nossa habilidade com as mos naprimeira infncia anda paralelo com o desenvolvimento do sentido nascente de nossa prpriaidentidade no mundo. Graas a capacidade crescente que temos de usar as mos como ferramentas,adquirimos confiana no poder que temos de atuar em relao a objetos ou pessoas, de explorar, demovermos no mundo. talvez no haja nada que tenha documentado este desenvolvimento tocuidadosamente como i fez Selma Fraiberg em seu livro Insights from the Blind (EsclarecimentosProporcionados pelos Cegos), publicado em 1997. Grande parte do que ela e seus colegasaprenderam sobre o desenvolvimento normal, foi primeiro observando cuidadosamente odesenvolvimento de algumas crianas que eram cegas. Suas observaes destas crianas noslevaram a reflexionar sobre como todas as crianas usam as mos contribuindo para o crescimentodo individuo.As mos de uma criana recm-nascida ainda no so instrumentos. Geralmente se mantm a alturados ombros a qualquer lado do corpo e realizam movimentos instintivos ao acaso. Esto tambmsujeitas ao reflexo tnico do pescoo, o qual ao estender a mo e voltar a cabea para a moocorrem simultaneamente. Este reflexo predispe o beb a olhar sua prpria mo (Fraiberg, p. 150).Uma vez que desaparece o reflexo tnico do pescoo, a orientao de linha mdia da cabea omovimento de acertar uma mo na outra no nvel de linha mdia resulta em novas recompensasvisuais e tteis, pois os dedos experimentam tocando, movendo-se e agarrando. Uma vez que acriana comea a relacionar a experincia visual do movimento das mos e dos braos com a ! "$ # " %&amp; " % ( &amp; )* +! , / </li> <li> 4. experincia muscular propioceptiva correspondente, h a possibilidade de um maior controle dosmovimentos das mos. O beb realiza os movimentos de alcanar, agarrar, deixar cair, lanar, umae outra vez, e quando o faz, se sente cada vez mais seguro de que um ser capaz de atuar sobre omundo.A segunda metade do primeiro ano, ganha-se a coordenao da mo e olhos e a habilidade deestender as mos e agarrar proporcionam a motivao decisiva para a mobilidade. A criana v umobjeto ou uma pessoa e se move para ele ou ela fazendo um esforo para agarrar. As mos e osolhos levam a criana para fora, para o mundo que existe mais alm de seu prprio corpo.Engatinhar e caminhar trazem consigo suas prprias recompensas, a medida que a criana adquiremais idias sobre o mundo e mais confiana em sua habilidade de explora-lo e influi-lo.As mos tambm desempenham um papel crucial no desenvolvimento da linguagem. Em todas ascrianas, as mo so uma maneira importante de expressar-se. Quase todos ns temos visto um paiou uma me mostrando com orgulho o seu beb que acaba de aprender como dizer adeus ou jogarum beijo com a mo. Gestos como estes com freqncia a primeira palavra falada. Talvez o gestomais importante no desenvolvimento da linguagem o de apontar. Uma me que aponta um objetoe o nomeia (Olhe! Um cachorrinho!) est estabelecendo um tema recproco e assegurando que ela eseu filho esto se concentrando num mesmo objeto. A palavra que nomeia o objeto pode entoadquirir significado para a criana. Uma criana pequena est aprendendo suas primeiras palavrasusar o gesto de apontar da maneira que seu acompanhante fazia, sua me ou outra adulto, uma veze outra vez como uma forma de confirmar sua nova habilidade de nomear. Este gesto de apontarvem do gesto de alcanar, que por sua vez provm da coordenao segura de mos e olhos. Emtodas as crianas, estas habilidade no processo de desenvolvimento das mos estabelecem uma basepara a aquisio da linguagem.O desenvolvimento das Mos em uma Criana CegaA situao obviamente diferente para a criana que no pode ver. Em primeiro lugar, o reflexotnico do pescoo e o movimento de unir as mos na linha mdia, no resultam em recompensasvisuais. Talvez por essa razo, geralmente leva muito mais tempo ganhar um controle conscientedas mos e que as mesmas atuem como agentes de desejo e vontade independentes dosmovimentos instintivos e reflexivos.De fato, sem a viso, para uma criana uma tarefa difcil aprender a usar as mos comoferramentas e como rgos diferenciados de percepo. Selma Fraiberg notou em suas observaes primeiro, de um menino pequeno chamado Peter e depois, de muitas outras crianas em idade pr-escolar que eram cegos que as mos dessas crianas com freqncia se mantinham por um longoperodo de tempo na posio caracterstica de uma criana recm-nascida, a nvel dos ombros,parecendo no estar conscientes de suas prprias faculdade. Muitas crianas que so cegasdemoram muito para fazer o movimento de unir as mos na linha mdia, e so tambm lentos nodesenvolvimento do movimento de apreenso intencional, para decidir, alcanar e agarrar.Fraiberg tambm notou que as mos de Peter e as mos de outras crianas pequenas que eram cegasse comportavam por um longo perodo de tempo como bocas. Arranhavam, mordiam ebeliscavam, como se fossem dentes. As mos pareciam estar fazendo o mesmo tipo de esforo quefaz a boca a o trazer coisas para si, ao incorpora-las. As mos eram ferramentas, ainda imperfeitas;necessitavam muita prtica e desenvolvimento antes de descobrir prazer na explorao manual de ! "$ # " %&amp; " % ( &amp; )* +! , 0 </li> <li> 5. objetos (p.33). Para que suas mos se convertessem em rgos sensoriais por seu prprio desejo, ese interessassem em explorar o mundo exterior, separado de sua boca, Peter parecia necessitarpassar por um a etapa de usa-las para lanar coisas de uma forma cada vez mais concentrada. SelmaFraiberg especula que esta ao de lanar era parte do processo de separar os msculosesquelticos da boca (p.47). Fraiberg adverte que as crianas com viso ( a maior parte das quaispassam por uma etapa similar porm com menor durao, de lanar objetos), tambm estotipicamente comeando a aprender a mover-se independentemente nesta etapa, a qual lhes d aoportunidade de usar seus msculos esquelticos e de experimentar sua prpria habilidade eagressividade fsica em formas positivas. A criana que cega e que no aprender nem sequer oprincipio da locomoo (porque ainda no lhe atraem objetos que esto fora do alcance) podeencontrar-se como Peter, ainda sim uma via de escape para sua agresso nos msculos maiores.Portanto, pode usar suas mos em conjunto com a boca como via de escape para esta energia.Fraiberg descobriu que quando a Peter se permitia e se o estimulava a lanar objetos sem ocasionarperigo, ele fazia uma forma cada vez mais concentrada e sua agresso para com as pessoas quemanifestava beliscando e arranhando diminua rapidamente.A cegueira impe outra enorme tarefa nas mos da criana nascida com esta limitao. Sem apoioda viso a criana deve aprender a assimilar a permanncia de objetos no mundo ao seu redor. Devesaber com certeza que os objetos existem separadamente de sue experincia imediata. As mos e osouvidos so seu nico meio confivel de fazer isto. Em uma criana com desenvolvimento normalque pode ver e ouvir, isto se ganha atravs da coordenao de todos os sentidos. Um objeto que sev, se toca, e possivelmente se ouve e se rola, se pode seguir com os olhos a medida que vaidesaparecendo, se pode ouvir quando j no se pode mais ver e se pode localizar com os olhosquando se olha. Estas experincias se entrelaam e crescem entre elas basta que a criana(geralmente acerca dos 9 meses) se sinta segura da existncia de objetos e pessoas independentesdela e v buscar um objeto perdido, Junto com esse passo da permanncia de objetos vem outromuito importante no desenvolvimento do conceito de identidade prpria. A criana aprende a sentirque eu existo, separado dos outros e separado do mundo dos objetos.Uma criana cega normalmente conhece o conceito de permanncia de objetos mais tarde que acriana que pode ver. Aprende muito gradativamente que o som de um brinquedo favorito indica aexistncia desse brinquedo no espao. Da mesma maneira gradual, aprende a tratar de alcanar esseobjeto. Esta segurana estabelece a base para a mobilidade, e conduz a criana para o mundoexterior. Fraiberg tem documento as etapas minuciosas no desenvolvimento deste sentido depermanncia de objetos em sua descrio de uma criana pequena a quem chama Robbie. Aculminao deste processo, na idade de 10 meses e 10 dias, se observou Robbie apalpando umobjeto de maneira a explora-lo (em lugar de simplesmente golpear o objeto, ou agarrando-o egolpeando-o, ou deixando-o cair ou lanando-o). Esta ao de palpar parecia indicar que finalmentehavia captado a idia de que uma coisa com qualidades prprias, independente de sua prpriaatividade (p.192). Umas trs semanas mais tarde, Robbie intencionou pela primeira vez alcanarum objeto guiado somente por seu som, e trs dias depois disso, engatinhou pela primeira vez. Oque levou a criana a este importante descobrimento foram semanas e meses de experimentao ejogos (brincadeiras) durante as quais estava aprendendo que a informao que vinha de suas mos ede seus ouvidos podiam coordenar-se. Estava aprendendo tambm a confiar nas informaes quesuas mos e ouvidos podiam lhe proporcionar sobre o mundo.O papel que desempenham as mos no desenvolvimento da linguagem em uma criana que nopode ver importante. Um dos descobrimentos mais importante de Fraiberg foi que as mos das ! "$ # "...</li></ul>