Falando a linguagem das mos para as mos

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Nome do palestrante: Shirley Rodrigues Maia e Mrcia Maurlio Souza Data da palestra:23/5/2012 Ttulo da palestra: Educao Inclusiva Ttulo do evento: Sala de Educadores Para mais informaes, acesse www.sp.senac.br/saladeeducadores

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  • 1. Traduo Mrcia Maurlio de Souza - ABRAPASCEM, Nairo Garcia Pinheiro - AHIMSA, ProjetoHilton Perkins - AHIMSA-2000 ! "$ # " %& " % ( & )* +! , -
  • 2. Fone/Fax: 011-4479-0032 E-mail: contatosurdocegueira@grupobrasil.org.br Ahimsa@ssol.com.br DB-LINK CENTRO NACIONAL PARA DISTRIBUIO DE INFORMAES SOBRE CRIANAS SURDACEGAS Investigao para escolas Centro Nacional Helen Keller Escola Perkins para cegos Publicado em abril de 1998 FALAR A LINGUAGEM DAS MOS PARA AS MOS Por Barbara Miles A Postriori por Harlan Leane A Importncia das Mos para a Pessoa SurdacegaUma pessoa que no pode ver nem ouvir ou que tem deficincias considerveis nos sentidos deve-se encontrar uma maneira de compensar a falta de informao que proporcionam geralmenteestes sentidos. Nas palavras de Harlan Leane, devem dar-lhe estimulo com modulaoapropriada(1997). As mos so as que mais comumente se encarregam das funes dos olhos eouvidos de uma pessoa surdacega. Felizmente, como nos recorda Harlan Leane e Oliver Sacks, ocrebro algo extremamente plstico. Quando se usa um dos sentidos, o crebro capaz deprocessar com mais eficincia a informao que provm deste sentido. As pessoas usamintensamente os dedos da mo, como os leitores de braile e os que tocam instrumentos de cordas.do evidncia de um aumento na representao cortical dos dedos . (Lane, 1997). E mais, asreas do crebro dedicadas anteriormente ao processamento visual ou auditivo, podem resignar-se aprocessar informaes tteis natural, as mos tero mais potncia cerebral. Desta forma, as mos deuma pessoa surdacega, alm de desempenhar sua funo usual como ferramentas, podem converter-se em rgos sensoriais teis e inteligentes, permitindo a aqueles que no tem viso nem audioque tenham acesso a objetos, pessoas e linguagem que de outra forma lhe seriam inacessveis. importante mencionar aqui que o crebro mais plstico, mais adaptvel, quando a criana pequena; portanto, quanto mais cedo uma criana que surdacega puder aprender a usar mos ! "$ # " %& " % ( & )* +! , .
  • 3. como receptores delicadamente afinados, mais provvel ser que ela ter um timo uso de suasmos para obter informaes.Com freqncia, as mos de uma pessoa que surdacega devem assumir um papel adicional. Nosomente ser ferramentas (como so para todas as pessoas que tem o uso de suas mos), e rgossensoriais (para compensar a viso e audio que lhes faltam), sendo que devem tambm converter-se em voz, o meio principal de expresso. A linguagem de sinais e gestos com freqncia a viaprincipal de comunicao expressiva. Para estas tarefas, as mos devem possuir uma habilidadesingular, capazes de expressas coisas como o tom, as matizes de sentimento e os nfases designificado, alm de serem capazes de formar palavras.Por isso as mos de uma pessoa Surdacega so to importantes tem que funcionar comoferramentas, rgos sensoriais e voz crucial que os educadores, pais e amigos destas pessoas queso surdacegas demonstrem uma sensibilidade especial para com as mos. Devem aprender comoler as mos de uma pessoa que Surdacega e como interagir com elas, com o fim de assegurar seumelhor desenvolvimento. Devem aprender como apresentar informaes de maneira que sejaacessvel as mos, ver que muitas vezes esta a nica modalidade adequada. Devem falar alinguagem das mos para as mos e ler a linguagem das mos das mos.Para poder fazer bem tudo isto, importante compreender qual o papel que desempenham asmos em um desenvolvimento tpico e tambm no desenvolvimento de crianas que so cegas ecrianas que so surdas. Compreender isto ajudar a educadores, pais e amigos a interagir commaior habilidade possvel, facilitando assim o desenvolvimento das mos de uma pessoa que Surdacega.Papel das Mos nas Primeiras Etapas do DesenvolvimentoPara todos ns surdocegos ou no o desenvolvimento de nossa habilidade com as mos naprimeira infncia anda paralelo com o desenvolvimento do sentido nascente de nossa prpriaidentidade no mundo. Graas a capacidade crescente que temos de usar as mos como ferramentas,adquirimos confiana no poder que temos de atuar em relao a objetos ou pessoas, de explorar, demovermos no mundo. talvez no haja nada que tenha documentado este desenvolvimento tocuidadosamente como i fez Selma Fraiberg em seu livro Insights from the Blind (EsclarecimentosProporcionados pelos Cegos), publicado em 1997. Grande parte do que ela e seus colegasaprenderam sobre o desenvolvimento normal, foi primeiro observando cuidadosamente odesenvolvimento de algumas crianas que eram cegas. Suas observaes destas crianas noslevaram a reflexionar sobre como todas as crianas usam as mos contribuindo para o crescimentodo individuo.As mos de uma criana recm-nascida ainda no so instrumentos. Geralmente se mantm a alturados ombros a qualquer lado do corpo e realizam movimentos instintivos ao acaso. Esto tambmsujeitas ao reflexo tnico do pescoo, o qual ao estender a mo e voltar a cabea para a moocorrem simultaneamente. Este reflexo predispe o beb a olhar sua prpria mo (Fraiberg, p. 150).Uma vez que desaparece o reflexo tnico do pescoo, a orientao de linha mdia da cabea omovimento de acertar uma mo na outra no nvel de linha mdia resulta em novas recompensasvisuais e tteis, pois os dedos experimentam tocando, movendo-se e agarrando. Uma vez que acriana comea a relacionar a experincia visual do movimento das mos e dos braos com a ! "$ # " %& " % ( & )* +! , /
  • 4. experincia muscular propioceptiva correspondente, h a possibilidade de um maior controle dosmovimentos das mos. O beb realiza os movimentos de alcanar, agarrar, deixar cair, lanar, umae outra vez, e quando o faz, se sente cada vez mais seguro de que um ser capaz de atuar sobre omundo.A segunda metade do primeiro ano, ganha-se a coordenao da mo e olhos e a habilidade deestender as mos e agarrar proporcionam a motivao decisiva para a mobilidade. A criana v umobjeto ou uma pessoa e se move para ele ou ela fazendo um esforo para agarrar. As mos e osolhos levam a criana para fora, para o mundo que existe mais alm de seu prprio corpo.Engatinhar e caminhar trazem consigo suas prprias recompensas, a medida que a criana adquiremais idias sobre o mundo e mais confiana em sua habilidade de explora-lo e influi-lo.As mos tambm desempenham um papel crucial no desenvolvimento da linguagem. Em todas ascrianas, as mo so uma maneira importante de expressar-se. Quase todos ns temos visto um paiou uma me mostrando com orgulho o seu beb que acaba de aprender como dizer adeus ou jogarum beijo com a mo. Gestos como estes com freqncia a primeira palavra falada. Talvez o gestomais importante no desenvolvimento da linguagem o de apontar. Uma me que aponta um objetoe o nomeia (Olhe! Um cachorrinho!) est estabelecendo um tema recproco e assegurando que ela eseu filho esto se concentrando num mesmo objeto. A palavra que nomeia o objeto pode entoadquirir significado para a criana. Uma criana pequena est aprendendo suas primeiras palavrasusar o gesto de apontar da maneira que seu acompanhante fazia, sua me ou outra adulto, uma veze outra vez como uma forma de confirmar sua nova habilidade de nomear. Este gesto de apontarvem do gesto de alcanar, que por sua vez provm da coordenao segura de mos e olhos. Emtodas as crianas, estas habilidade no processo de desenvolvimento das mos estabelecem uma basepara a aquisio da linguagem.O desenvolvimento das Mos em uma Criana CegaA situao obviamente diferente para a criana que no pode ver. Em primeiro lugar, o reflexotnico do pescoo e o movimento de unir as mos na linha mdia, no resultam em recompensasvisuais. Talvez por essa razo, geralmente leva muito mais tempo ganhar um controle conscientedas mos e que as mesmas atuem como agentes de desejo e vontade independentes dosmovimentos instintivos e reflexivos.De fato, sem a viso, para uma criana uma tarefa difcil aprender a usar as mos comoferramentas e como rgos diferenciados de percepo. Selma Fraiberg notou em suas observaes primeiro, de um menino pequeno chamado Peter e depois, de muitas outras crianas em idade pr-escolar que eram cegos que as mos dessas crianas com freqncia se mantinham por um longoperodo de tempo na posio caracterstica de uma criana recm-nascida, a nvel dos ombros,parecendo no estar conscientes de suas prprias faculdade. Muitas crianas que so cegasdemoram muito para fazer o movimento de unir as mos na linha mdia, e so tambm lentos nodesenvolvimento do movimento de apreenso intencional, para decidir, alcanar e agarrar.Fraiberg tambm notou que as mos de Peter e as mos de outras crianas pequenas que eram cegasse comportavam por um longo perodo de tempo como bocas. Arranhavam, mordiam ebeliscavam, como se fossem dentes. As mos pareciam estar fazendo o mesmo tipo de esforo quefaz a boca a o trazer coisas para si, ao incorpora-las. As mos eram ferramentas, ainda imperfeitas;necessitavam muita prtica e desenvolvimento antes de descobrir prazer na explorao manual de ! "$ # " %& " % ( & )* +! , 0
  • 5. objetos (p.33). Para que suas mos se convertessem em rgos sensoriais por seu prprio desejo, ese interessassem em explorar o mundo exterior, separado de sua boca, Peter parecia necessitarpassar por um a etapa de usa-las para lanar coisas de uma forma cada vez mais concentrada. SelmaFraiberg especula que esta ao de lanar era parte do processo de separar os msculosesquelticos da boca (p.47). Fraiberg adverte que as crianas com viso ( a maior parte das quaispassam por uma etapa similar porm com menor durao, de lanar objetos), tambm estotipicamente comeando a aprender a mover-se independentemente nesta etapa, a qual lhes d aoportunidade de usar seus msculos esquelticos e de experimentar sua prpria habilidade eagressividade fsica em formas positivas. A criana que cega e que no aprender nem sequer oprincipio da locomoo (porque ainda no lhe atraem objetos que esto fora do alcance) podeencontrar-se como Peter, ainda sim uma via de escape para sua agresso nos msculos maiores.Portanto, pode usar suas mos em conjunto com a boca como via de escape para esta energia.Fraiberg descobriu que quando a Peter se permitia e se o estimulava a lanar objetos sem ocasionarperigo, ele fazia uma forma cada vez mais concentrada e sua agresso para com as pessoas quemanifestava beliscando e arranhando diminua rapidamente.A cegueira impe outra enorme tarefa nas mos da criana nascida com esta limitao. Sem apoioda viso a criana deve aprender a assimilar a permanncia de objetos no mundo ao seu redor. Devesaber com certeza que os objetos existem separadamente de sue experincia imediata. As mos e osouvidos so seu nico meio confivel de fazer isto. Em uma criana com desenvolvimento normalque pode ver e ouvir, isto se ganha atravs da coordenao de todos os sentidos. Um objeto que sev, se toca, e possivelmente se ouve e se rola, se pode seguir com os olhos a medida que vaidesaparecendo, se pode ouvir quando j no se pode mais ver e se pode localizar com os olhosquando se olha. Estas experincias se entrelaam e crescem entre elas basta que a criana(geralmente acerca dos 9 meses) se sinta segura da existncia de objetos e pessoas independentesdela e v buscar um objeto perdido, Junto com esse passo da permanncia de objetos vem outromuito importante no desenvolvimento do conceito de identidade prpria. A criana aprende a sentirque eu existo, separado dos outros e separado do mundo dos objetos.Uma criana cega normalmente conhece o conceito de permanncia de objetos mais tarde que acriana que pode ver. Aprende muito gradativamente que o som de um brinquedo favorito indica aexistncia desse brinquedo no espao. Da mesma maneira gradual, aprende a tratar de alcanar esseobjeto. Esta segurana estabelece a base para a mobilidade, e conduz a criana para o mundoexterior. Fraiberg tem documento as etapas minuciosas no desenvolvimento deste sentido depermanncia de objetos em sua descrio de uma criana pequena a quem chama Robbie. Aculminao deste processo, na idade de 10 meses e 10 dias, se observou Robbie apalpando umobjeto de maneira a explora-lo (em lugar de simplesmente golpear o objeto, ou agarrando-o egolpeando-o, ou deixando-o cair ou lanando-o). Esta ao de palpar parecia indicar que finalmentehavia captado a idia de que uma coisa com qualidades prprias, independente de sua prpriaatividade (p.192). Umas trs semanas mais tarde, Robbie intencionou pela primeira vez alcanarum objeto guiado somente por seu som, e trs dias depois disso, engatinhou pela primeira vez. Oque levou a criana a este importante descobrimento foram semanas e meses de experimentao ejogos (brincadeiras) durante as quais estava aprendendo que a informao que vinha de suas mos ede seus ouvidos podiam coordenar-se. Estava aprendendo tambm a confiar nas informaes quesuas mos e ouvidos podiam lhe proporcionar sobre o mundo.O papel que desempenham as mos no desenvolvimento da linguagem em uma criana que nopode ver importante. Um dos descobrimentos mais importante de Fraiberg foi que as mos das ! "$ # " %& " % ( & )* +! , 1
  • 6. crianas que so cegas so muito expressivas, e que muitas vezes substituem os sorrisos, as olhadase as expresses faciais realizadas por uma criana com viso. Se movem agitadamente, reagindo aoque lhes produzem prazer e os interessa, ainda antes de que se considerem capazes de explorar outratar de alcanar algo intencionalmente. Fraiberg descobriu que se ela podia educar as mes e aspessoas encarregadas do cuidado das crianas a prestarem ateno as mos das suas crianas queno podiam ver, poderiam ler muito mais nelas. As mes que no faziam isto muitas vezes sofriamuma ruptura em seus relacionamentos e os sorrisos recprocos que usualmente estabelecem a basepara tais relaes eram impossveis com uma criana que era cega. Fraiberg descobriu que aoensinar as mes a reconhecer sorrisos e sinais de interesse nas mos de seus filhos, as ajudava amanter positivas as interaes de virar e pegar os vnculos sociais necessrios a umdesenvolvimento sadio.O apontar e faze sinais obviamente no ter o mesmo significado para uma criana que cega eoutra que no . Como resultado, as primeiras palavras de crianas que podem ver sofreqentemente palavras que nomeias coisas que tem um som peculiar ou coisas que esto comfreqncia ao alcance de suas mos. Ao escutar o nome de uma coisa quando a est focando, ouquando est ouvindo seu som, ajuda a criana a estabelecer a conexo entre o nome e o objeto. Ocontato fsico mtuo o equivalente mais direto ao gesto de apontar para uma criana que cega, o que lhe permite saber com segurana que existe uma referncia mtua, que o objeto nomeado otema mtuo que ele compartilha com a pessoa que est falando ( o carter preciso deste contatofsico importante e falaremos disso mais adiante). Selma Fraiberg observou a relao entre ocontato fsico e o desenvolvimento da linguagem quando notou que, a medida que Peter descobriaobjetos, os manipulava, discriminava e nomeava, seu vocabulrio crescia com granderapidez(p.43).O Desenvolvimento das Mos na Criana que SurdaAs mos de uma criana que surda seguem uma seqncia normal de desenvolvimento aprendera coordenar com informaes recebidas dos olhos, aprender a tratar e alcanar e agarrar, e levar aser os agentes mais seguros de sua identidade. Geralmente assumem tambm a tarefa adicional deser a voz da criana em uma forma muito mais extensa que nas crianas que podem ouvir e falar.Recentes investigaes lingsticas indicam que as crianas que so surdas balbuciam com asmos, criando com elas formas ao acaso mais e mais distinguveis, que mais tarde sero teis paraformar os sinais da American Language Lngua Americana de Sinais (ou qualquer linguagem queseja seu idioma nativo de sinais). As crianas que so surdas esto expostas a linguagem dos sinaisdesde seu nascimento exigem este tipo de balbucio aproximadamente na mesma idade que ascrianas com audio o fazem com sua voz. Ficam a elaborar sinais (dizendo suas primeiraspalavras) aproximadamente ao mesmo tempo que as crianas que usam sua voz para formar suasprimeiras palavras (Quigley & Paul, 1984, p. 95). Parece que quando as mos das crianas que sosurdas so estimuladas a ser a principal via de expresso, freqentemente assumem o papel comhabilidade e em idades tpicas.Desenvolvimento das Mos em uma Criana que SurdacegaDadas as tarefas de ganhar formao de vnculos, permanncia de objetos, autonomia das mos emobilidade na criana que cega, podemos imaginar as dificuldades e uma criana que surdacega,devem ser tambm sua voz, como para a maioria das crianas que so surdas. Felizmente crianassurdacegas que possuem alguma viso e ou adio residual que podem usar como apoio para fazer ! "$ # " %& " % ( & )* +! , 2
  • 7. as ligaes necessrias para dar seguimento nesses marcos de desenvolvimento que envolvem o usodas mos. Uma educao especializada na viso e/ou audio residuais absolutamente crucial paraajudar a criana que surdacega a ganhar a formao de vnculos, permanncia de objetos,autonomia das mos e expressividade das mos todos os quais so requisitos para os ganhosfundamentais de um sentido slido de identidade prpria, mobilidade independente edesenvolvimento da linguagem.Nos casos em que no se pode depender da viso nem da audio, as mos devem assumir emgrande parte as tarefas de ganhar uma habilidade exploratria, ajudando a ganhar um sentido firmede permanncia de objetos e portanto uma motivao para a mobilidade, ajudando a construir umaimagem fsica e um sentido de identidade prpria no mundo e ganhando a habilidade de expressarsentimentos e idias tudo isso sem o auxilio que oferecem a viso e a audio. absolutamentecrucial que o desenvolvimento tenha lugar, porque para uma criana assim, suas mos so aprimeira conexo com o mundo. Sem a educao das mos (ou sem o uso compensatrio de outrasvias de informao, nos casos em que o uso das mos so impossveis), no haver diferenciaoentre o eu e o mundo, nem aquisio de linguagem nem desenvolvimento cognitivo, mais alm dasidias mais elementares.Minhas observaes de crianas que se encontram no principio de seu desenvolvimento e que sosurdacegas me levaram a pensar que o desenvolvimento de suas mos est intimamente relacionadocom suas interaes nas conversaes com as principais pessoas encarregadas de seu cuidado. Emuitos casos, tenho observado que o primeiro comportamento exploratrio das mos de uma pessoaou criana pequenas um tipo de auto-estimulo, com freqncia a mo em sua boca, ou as mossobre outras partes de seu corpo. O primeiro esforo da criana para alcanar o mundo externo maisalm de seu corpo se origina dentro da proteo de um apoio fsico seguro e o primeiro objeto deexplorao fora de seu corpo com maior freqncia o corpo de uma pessoa encarregada de seucuidado. Quando ele explora o rosto de sua me ou outra pessoa se estimula e se refora, ocorreuma ou outra vez, e finalmente se converte em uma maior explorao do universo. Quando estaexplorao no se estimula, as mos das crianas no aprendem a buscar informao. As mospermanecem fixadas no seu prprio corpo.A pergunta crucial como encorajar a explorao ttil e como ajudar a estende-la para o mundo?Como educar as mos de uma pessoa ou criana pequena? E como continuar instruindo as mos dacriana surdacega maior? Quais sero precisamente os tipo de toques que iro encorajar a alcanarcom mais e mais segurana o mundo externo e usar as mos como principal via de expresso?Como Ensinar as Habilidade que Facilitam o Desenvolvimento e a Expressividade das Mosem Pessoas Surdacegas.Nesta seo falarei como se estivesse referindo-me a indivduos que so totalmente cegos. Muitasdestas sugestes entretanto podem ser bem aplicadas em crianas e adultos com viso e audioprejudicadas, que freqentemente necessitam do apoio do sentido bsico do tato para solidificarconceitos sobre o mundo, especialmente durante as primeiras etapas do desenvolvimento. 1. Observe e/ou toque as mos da criana ou do adulto e aprenda a interpret-las.Isto est de acordo com os conselhos de Selma Fraiberg as mes de criana que so cegas. Isto mais difcil de fazer do que lhe parece. As pessoas que podem ver esto acostumadas a olhar os ! "$ # " %& " % ( & )* +! , 3
  • 8. rostos das outras pessoas buscando sinais de sentimentos e ateno. O aprender a observar as mosdas pessoas que so surdacegas uma arte que se deve praticar. Com freqncia podemos tambmaprender a usar as nossas prprias mos como rgos sensoriais, como usamos nossos olhos, com ofim de aprender mais sobre o que expressam as mos das pessoas que so surdacegas. Manter ocontato com as mos da criana ou do adulto nos ajudar a t-las. Fraiberg adverte que sedesviarmos nossa ateno do rosto de um beb cego para as suas mos, podem ler uma linguagemde sinais eloqente de busca, atrao, preferncias e reconhecimento que se diferenciar mais emais durante os primeiros seis meses (p. 107). 2. Pensem nas mos como indicadores de temas nas interaes de conversao, particularmente com crianas que ainda no usam palavras.Uma criana que pode ver porm no verbal geralmente inicia temas com adultos atravs de umacombinao de balbucio, olhares e gestos (apontar, alcanar, afastar). O olhar um indicador detemas particularmente poderoso entre a criana e a me ou com a pessoa que cuida. Esta Rita noest ao alcance da criana surdacega. Aqueles que desejam uma interao significativa com umacriana surdacega e no verbal devem aprender a buscar em outra parte para descobrir em que estprestando ateno a criana o que lhe interessa para que as interaes com a criana possam sersobre temas de seu interesse. As mos so um freqente indicador de temas para a criana que surdacega. Com freqncia indicam ao que a criana presta ateno num dado momento.Qualquer coisa que a criana est fazendo ou trocando com suas mos pode considerar-se umpossvel tema de interao. Os primeiros temas de interesse geralmente tm algo a ver com o corpoda criana e os corpos daqueles que esto fisicamente acerca dela. Uma criana pequena que surdacega se interessa primeiro pelo que seu prprio corpo pode fazer e no que o corpo das outraspessoas podem fazer e como ela os percebe. Nas primeiras etapas, a ateno centrada nas mos, esim parece residir em toso seu corpo, como prova o encanto que expressam as crianas muitopequenas ou em etapas iniciais de desenvolvimento, a respeito do movimento do seu corpo. Aoestimular a criana a interessar-se pelo que suas mos esto apalpando faz parte da ajuda que se lhed para progredir em seu desenvolvimento. Ela se beneficiar se puder trocar gradualmente aateno ao seu corpo em geral para uma ateno mais centrada em suas mos, porque suas mospodem influir no mundo de formas que seu corpo interiro no pode faze-lo. O estimulo para estedesenvolvimento pode dar-se melhor com um contato que seja no diretivo e tambm responsivo. 3. Use um toque de mo-sob-mo para responder a explorao, iniciando temas e expresses dos sentimentos.Uma criana surdacega, com freqncia parece no ter possibilidade de ajuda, tende a trazer tonacomportamentos de apoio por parte dos atendentes. Um dos tipos mais generalizados de ajuda queoferecem as pessoas a manipulao de mo sobre mo (as mos da professora ou dos pais sobreas mos da criana). Fazendo-se isto de uma forma rotineira e exclusiva de mo sobre mocondiciona as mos da criana que surdacega a ser passiva, a esperar instrues das mos deoutros e a evitar lanar-se para o mundo em busca de informao e estimulo.. ! "$ # " %& " % ( & )* +! , 4
  • 9. Figura 1. A mo da professora est ligeiramente sob a mo da criana enquanto ambasexploram juntas.Na maioria das situaes, a maneira mais hbil de tocar a criana (ou adulto) que surdocego atcnica de mo-sob-mo. Quando a mo da criana est explorando um objeto, ou parte de seuprprio corpo de outro, um toque suave debaixo de uma parte da mo da criana se converte noequivalente ttil do gesto de apontar.Este tipo de toque estabelece um tema mtuo e a base para o desenvolvimento da linguagem. Anatureza precisa deste toque importante. Um toque assim de mo-sob-mo deve fazer-secuidadosamente, tomando em conta trs fins.Este toque de mo-sob-mo No controlador Permite a criana saber que voc compartilha a experincia de tocar o mesmo objeto ou faz o mesmo movimento. No obstrui as partes mais importantes da experincia prpria da criana com qualquer objeto que possa estar tocando.Investigaes recentes mostram que quando as crianas esto ativamente atentos a um objeto quecompartilham com suas mes, tem a maior probabilidade de produzir suas primeiras palavras egestos (Adamson, Bakeman & Smith, 1994, p.41). O tipo de toque descrito aqui a mo do adultoligeiramente sob a mo da criana, usado cuidadosa e repetidamente assegura que a criana que surdacega ter oportunidade de compartilhar a ateno que ele presta a um objeto (ou movimento)estabelecendo assim a base de suas primeiras palavras. 4. Coloque suas mos a disposio da criana para que ela as use como queira.Antes que uma criana aprenda a usar suas mos como ferramentas confiveis, freqentementeutilizar e confiar nas mos de outra pessoa. A maioria das pessoas tem visto uma criana pequenapegar a mo de um adulto e coloca-la sobre um objeto que ele quer que seja manipulado. Para queuma criana que surdacega pode fazer isto, as mos do adulto tm que estar disponveis para seuuso. Se a viso, a disponibilidade tem que ser experimentada de forma ttil. Eu descobri que o gesto ! "$ # " %& " % ( & )* +! , 5
  • 10. mais efetivo usualmente colocar minhas mos, palmas para cima, ligeiramente debaixo das mosda criana, com meus dedos indicadores acessveis para que ela os agarre. Se uma criana tem visoe a usa, o mesmo gesto pode fazer-se diante dele. O que este gesto, feito uma ou outra vez,comunica Aqui esto minhas mos. Use-as como quiser. Explora o que puder fazer. As mosdo adulto devem permanecer flexveis e livres de tenso, para que a criana possa usa-las comoferramentas. Com freqncia a criana aceita o oferecimento, agarra minhas mos e experimentamovimenta-las. Com este simples gesto, podem desenvolver muitas brincadeiras e conversasusando as mos. E a criana pode adquirir confiana em sua habilidade para usar suas prpriasmos para atingir o mundo.Figura 2. As mos da professora esto por debaixo a disposio da criana para que ela asuse como ferramentas. 5. Imite os movimentos da mo da criana, com suas mos sob as mos da criana.A imitao a melhor forma de estimular. Serve para ajudar a criana a estar consciente de suasprprias mos e reafirma o poder que tem como vias de expresso. Isto equivale ao que as mesfazem instintivamente quando imitam os sons, movimentos e expresses faciais de seus filhos. Cadavez que a criana usa suas mos ativamente para socar, bater palmas, acenar, abrir e fechar,sacudir, agita-las, apontar tais aes podem ser imitadas, usando a posio de mo-sob-mo descritaanteriormente. 6. Faa com freqncia brincadeiras interativas com as mos.Para a criana que surdacega, estas brincadeiras so equivalentes as brincadeiras de balbucio coma criana que est desenvolvendo sua linguagem. (Quando for possvel, devem usar-se junto dasbrincadeiras de balbucio e no para substitui-los). As brincadeiras podem surgir d imitao dosmovimentos da criana, e podem inventar-se gradualmente elabora-se. O aplaudir, abrir e fechar osdedos, engatinhar os dedos, fazer ccegas todos estes tipos de movimentos e outros podem fazer-se em forma de brincadeiras, dando a criana a oportunidade mxima para apalpar as mos doadulto. 7. Ter planos ambientais para estimular a atividade das mos, que sejam apropriados para o nvel de desenvolvimento da criana. ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,-6
  • 11. Ao proporcionar-lhe brinquedos ou materiais interessantes ao nvel do corpo de particularimportncia para a criana que necessita aprender a usar ambas as mos em conjunto. Pode-sependurar brinquedos em cima do bero ou dentro de um quartinho como o que disse Lili Nilesen,permitir a criana descobrir sua prpria habilidade. Se so brinquedos que tem sons que podemaproveitar alguma audio residual, ou brinquedos com uma textura interessante, tem um valorespecial. Observar a habilidade da criana para agarrar e proporcionar-lhe brincadeiras apropriadaspara estas habilidades tambm importante uma criana com um aperto cbito (os dedos contra apalma da mo) por exemplo, necessitar de brinquedos diferentes dos que se oferecem para umacriana que tenha desenvolvido um aperto em pina.Uma vez que a criana est interessada em objetos por eles mesmos, importante notar quequalidades lhe interessam nos objetos e proporcionar-lhe outros brinquedos que tenham qualidadessimilares, porm ligeiramente diferentes. Ao fazer isto ajudar a ampliar a experincia ttil dacriana e portanto o ajudar a desenvolver habilidade tteis e confiana nelas mesmas. crucialproporcionar-lhe continuamente materiais tteis interessantes. 8. Encoraje o movimento de arremessar com energia num ambiente apropriado e ao nvel apropriado e ao nvel apropriado de desenvolvimento.A segurana no uso das mos de importncia crucial para o desenvolvimento da criana que surdacega, importante encorajar qualquer tipo de comportamento ativo com as mos. Omovimento de lanar um comportamento ttil e tambm de msculos maiores. Como temos visto,parece tambm ser parte de uma seqncia do desenvolvimento que particularmente importantepara a criana cega, relacionada com a aquisio de um sentido seguro de permanncia de objetos eo sentido do ser. Os saquinhos de feijes com textura agradvel so particularmente apropriadospara lanar sem perigo e com xito. Um ambiente seguro no qual o lanar no por em perigo acriana nem a outros, assegurar que os encarregados de seu cuidado possam permitir estecomportamento no momento apropriado, ajudando desta maneira a criana a desenvolver umaconfiana ativa em sua habilidade para usar as mos desta maneira. 9. Facilite o acesso a suas prprias mos enquanto estas participam em uma ampla variedade de atividades.Os pais, professores e amigos de crianas e adultos que so surdocegos, podem proporcionar muitasexperincias ricas do mundo ao facilitar a criana ou o adulto a tocar-lhes as mo enquanto limpam,cozinham, trabalham com materiais, lavam, exploram, se comunicam com outros ou simplesmentedescansam. Quando uma criana ou adulto se est confortvel com a posio de mo-sob-mo (suamo colocada sobre a de outra pessoa), o convite ao toque pode ser feito pela linguagem (vocgostaria de tocar_____?) ou simplesmente pondo a mo suavemente debaixo das mos das pessoasque so surdacegas, e ela ter a liberdade de deixa-la, e o gesto parecer uma facilitao e no umaordem. Supondo que a criana j tenha muitas experincias positivas e no diretivas relacionadascom o contato fsico, sentir curiosidade e estar motivado a explorar sua atuao. Oportunidadescomo esta, oferecidas muitas, muitas vezes no transcurso das interaes, educaro as mos e amente de uma criana e oferecero oportunidades progressivas ao adulto que surdocego para estar ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,--
  • 12. em contato com as aes do mundo, os materiais do mundo e suas opes para a interao comoutros.Ao dar a uma pessoa que surdacega a oportunidade de acompanhar uma conversa por sinaistocando os sinais das pessoas envolvidas, importante e deve proporcionar-lhe com regularidade.Sem a facilidade de tocar tais conversaes, uma pessoa que surdacega no tema a experincia deser testemunha em interaes; tem a experincia falsa de conhecer somente a comunicao que estdirigida somente a si mesma. O estar em contato literal com as conversaes de outros ajudar aequilibrar a experincia e a ampliar o mundo da pessoa que surdacega.10. Convide a pessoa surdacega a ter acesso ttil freqente com o mundo.Isto pode parecer demasiado obvio para mencionar, porm muitas vezes nos esquecemos. Umapessoa que cega, porm que possui uma audio aguada, pode aprender muito atravs de seusouvidos e com freqncia pedir para tocar objetos de interesse cuja existncia ter deduzidobaseando-se em conversas ou sons.Uma pessoa que surdacega tem muitos poucos indcios do queexiste mais alm do alcance de suas mos. Portanto, deve depender da boa vontade das pessoas aoseu redor para dar-lhe o acesso ao meio ambiente. Quando entra em um novo ambiente, particularmente importante orientar a pessoa que surdacega. Uma criana necessitar de muitasexperincias de contato com objetos e ambientes antes de poder fazer uso da linguagem paradescreve-los com sentido e antes de poder beneficiar-se dos servios de um intrprete em lugar docontato fsico em si.11. Modele as habilidades manuais que voc deseja que a criana ou o adulto adquira e permita-lhe o acesso ttil a essas atividades.Com muita freqncia, mostram-se s crianas cegas ou surdacegas primeiro as habilidadesmanuais colocando suas mos por movimentos de atividades que o professor ou atendente desejaque elas faam. Ainda que este tipo de ajuda possa ter valor para a criana que tem dificuldade coma manipulao, a essa criana ajudaria se ela pudesse primeiro ver a ao sendo feita primeiro porvoc, antes que ela prpria seja capaz de fazer a ao ou que seja posta em manipulao paraefetua-la. A modelagem pode dar-se com muita naturalidade se pensar as atividades comorecprocas: Fazer as coisas junto com as criana, e no faze-las para a criana. Uma atividade comoescovar os dentes, por exemplo, pode modelar-se facilmente para a criana se voc, como hbito,escovar os dentes e se voc o estimular a tocar sua escova de dentes, e seus movimentos enquantoest realizando esta atividade.Adultos surdocegos podem se beneficiar enormemente desta modelagem e simultaneidade. Numaoficina de treinamento, por exemplo, os membros do pessoal que fazem as mesas tarefas ao lado detrabalhadores surdocgos, e que tambm convidam os que so cegos para tocar suas mos enquantotrabalham, esto comunicando um nmero grande informaes aos surdocegos.No esto somente modelando habilidades manuais, mas igualmente encorajando outras habilidadesno trabalho, como por exemplo a manuteno da ateno. ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,-.
  • 13. Alm disso, esto afirmando o sentido de participao na pessoa surdacega, e tal pessoa passa afazer parte de um ns, ao invs de se sentir isolado ou colocada de lado.Este sentido de pertencer a um grupo criado pelo uso hbil das mos por parte de quem trabalhecom pessoas surdacegas.12. Torne acessvel a linguagem s mos da pessoa surdacega.Para muitos surdocegos, s mo so os nicos rgos dos sentidos que podem acessar a linguagemde forma confivel.Uma criana pequena que possa ouvir ter ouvido milhares de palavras antes de produzir as suasprprias.Uma criana surdacega tem que tocar milhares de palavras antes que possa comear a adquirir umsenso de linguagem e produzir suas prprias primeiras palavras.Tem que tocar estas palavras de uma forma com que possa conectar um significado a elas enquanto experimenta as coisas que as representam.Isto que dizer fornecer os nomes dos objetos enquanto ela os est tocando, dar os nomes das aesenquanto ela est praticando, nomear os sentimentos enquanto ela os est experimentando.A linguagem dos sinais de hbito o modo mais eficaz de fazer com que a linguagem seja acessvelde forma ttil.No Alasca, as acrianas surdacegas de etnia Inuit so naturalmente expostas linguagem dos sinaisporque as pessoas dessa cultura j conhecem uma linguagem de sinais que usam para se comunicara longas distncias enquanto esto caando .A famlia comea a usar sinais de forma consistente assim que descobre que a criana surda.Simplesmente pelo fato de terem uma linguagem acessvel de sinais tornada ainda mais acessvelporque vivem em espaos apertados, o que assegura que o toque possa ocorrer mais facilmente, ascrianas surdacegas de nascena adquirem, nessa cultura, muitos sinais aos 4 ou 5 anos [RhondaBudde, comunicao pessoal, maro de 1997].Professores, pais, atendentes de crianas surdacegas fariam bem em pensar em criar uma culturasimilar nas classes de aulas e em casa um cultura na qual uma criana surdacega possa ouvir alinguagem pelas mos (ou olhos, quando possvel).Tornar a linguagem acessvel s mos ou olhos diferente de ensinar a linguagem com um sinal porvez.Uma criana ou adulto aprende a linguagem por meio de uma exposio consistente e que faasentido, no por ser ensinado ao ritmo de uma palavra por vez. ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,-/
  • 14. s vezes necessrio ensinar uma palavra por vez, mas somente no contexto de uma exposiototal a uma linguagem acessvel.A linguagem de sinais, assim como o mtodo Tadoma, as pistas tteis, os objetos smbolo, ossmbolos bidimensionais, o mtodo braile, todos podem servir como formas de tornar acessvel alinguagem s mos de uma pessoa cega ou surda, ou ainda uma surdacega.Convidar uma pessoa surdacega a toca-la enquanto voc fala, com o polegar de leve no seu lbioinferior e os outros dedos esticados ao longo de sua garganta, na qual os sons vibram, pode ajuda-laa fazer a discriminao de vibraes vocais que lhe podem aumentar o acesso linguagem [esta aposio de mo chamada de posio Tadoma].Fazer com que as atividades sejam representadas por pistas tteis ou objetos smbolo pode seruma das formas simblicas de indicar a uma criana o que est a ponto de ocorrer, e servir comouma forma prvia para tornar a linguagem acessvel de forma ttil.A exposio ao braile e ou mensagens texturizadas pode duplicar a exposio natural de umacriana visual a material impresso a criana surdacega pode receber exposio a etiquetas simplesmuito antes que ela possa l-las.Tais exposies simplesmente do criana a oportunidade de reconhecer que as etiquetastexturizadas ou braile existem e que essas coisas significam objetos ou pessoas, da mesma formaque uma criana visual pode comear a notar etiquetas em toda a sorte de coisas pela casa ou naescola.13. Estar consciente de suas prprias mos como mensageiras de sentimentos e funes pragmticas.Cada vez que nos tocamos uns nos outros, comunicamos algo com as qualidades de nosso toque.Uma pessoa que surdacega provavelmente poder captar essa comunicao com maiorsensibilidade que as pessoas que concentram sua ateno principalmente no que vem e ouvem.Necessitamos estar conscientes de que nos comunicamos quando tocamos. O que pode comunicaruma ampla variedade de sentimentos, como meus estudantes e amigos me tem ensinado atravs dosanos. A rapidez com que se movem as mos, quo ligeiro ou pesado meu toque, o calor ou o friode minhas mos tudo isto ou mais pode transmitir felicidade, tristeza, nojo, impacincia, desilusoou outra srie de sentimentos. O estar mais e mais conscientes do que nossas mo esto dizendoquando tocam nos ajudar a comunicarmos melhor, porm nem sempre poderemos estar totalmenteconscientes ou no controle do que nossas mos esto transmitindo. Neste sentido, nossos estudantes,amigos e membros de nossa famlia que so surdocegos podem nos ser de grande ajuda. Poremrefletir para ns nossos prprios sentimentos, ajudando-nos a estar mais conscientes e informados.Isto porm, poder ocorrer se formos sensveis a suas reaes s nossas e se acolhermos estarretroalimentao.As mos podem expressar no somente sentimentos, assim como tambm intenes. Podemtransmitir funes pragmticas. Um toque pode ser uma ordem, uma pergunta, uma exclamao, umconvite, ou um comentrio sensvel ou complicado , dependendo de sua natureza. Qualquer destasfunes pragmticas usadas em excesso pode inibir a interao de conversaes, seja oral ou no ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,-0
  • 15. oral. Seja demasiadas ordens ou perguntas ao estilo professor de escola (aquelas para as quais aointerrogar j tenha a resposta) que so particularmente capazes de interromper o fluxo fcil decomunicao mtua somente teremos que consultar nossa prpria experincia em conversaespara darmos conta que quo certo isto. Os comentrios, as perguntas sinceras e os convitesestimulam com mais probabilidade uma maior interao. Como resultado ao interagir com umapessoa que surdacega incluindo pessoas que no dominam bem a linguagem necessitamosaprender a toca-las de maneira que transmitam estas intenes. Um fisioterapeuta, por exemplo,poder descobrir que convidar uma criana a fazer certo movimento em lugar de dar-lhe uma ordempoderia ser mais proveitoso. Fazer uma pausa durante a interao para comentar por meio de umtoque sobre qualquer coisa que interessa a criana tambm provvel do contato de mo-embaixo-de-mo descrito em # 3 mais acima ou pode ser um toque no diretivo que transmite compaixo.Pode ser esta imitao de um gesto, que simplesmente diz, escuto o que ests dizendo, da mesmaforma que o contato visual ou inclinar a cabea transmitiria essa mensagem a algum que pode ver.A caracterstica mais importante de um comentrio a diferena de uma ordem, um encargo oualguns tipos de perguntas que no contem nenhum indicio de exigncia. E d a outra pessoa aliberdade de responder ou no responder.Aprender a comentar com as mos enquanto temos uma interao com pessoas que so surdacegascom freqncia exigir resistir a tentao de sempre dar ordens e de fazer algo por e para a outrapessoa. Esta tentao, pelo menos em minha prpria experincia, surge com freqncia do desejonatural de ajudar a uma pessoa que parece necessitar muita ajuda devido a seus dficit sensoriais.Resistir pode exigir que eu tenha f e respeito a competncia natural da pessoa que surdacega, emqualquer forma que tome essa competncia. Eu necessitei comear a dar conta que ela descobrir ascoisa por si mesma si e eu nem sempre dirijo suas mos e que ela se apresentar com observaes eidias prprias sem que eu no somente faa perguntas diretivas. Para que isso ocorra, necessitodar-lhe a suas mos a liberdade e o tempo para expressar-se. Tambm necessito aprender a usarminhas prprias mos no somente como ferramentas (sua funo caracterstica), sim tambm comorgos sensoriais e como uma classe de voz que pode transmitir sentimentos sumamentediferenciados.Uma mulher adulta que surdacega descreve uma experincia na qual um toque cauteloso serviupara transmitir sentimento e compaixo, sendo simplesmente um comentrio calmante.Recordo quando me operaram no hospital e eu estava despertando da anestesia. Eu no estavacompletamente acordada ainda e comecei a sentir-me s porque no tinham colocado meusculos e meus aparelhos auditivos e estava exilada dos sons e das coisas. De repente, senti umamo que me acariciava o brao, dizendo-me: tudo est bem, tudo saiu bem. Esta mo foi umasalvao para mim! Me comunicou mais do que meus olhos e ouvidos haveriam feito nessemomento. (Dorothy Walt, comunicacin personal, abril de 1997).Outra jovem que surdacega expressou a importncia das mos em sua vida com a seguinte poesia: ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,-1
  • 16. Minhas Mos Minhas mos so . . . Meus Ouvidos, Meus Olhos, Minha Voz, . . . Meu Corao Expressam meus desejos, minha necessidades So a luz que me guia atravs da escurido Agora esto livres No mais atadas a um mundo que v e ouve Esto livres Gentilmente me conduzem Com minhas mos eu canto Canto bem alto para que os surdos ouam Canto bem brilhante para que os cegos vejam Elas so minha liberdade de um mundo escuro e quieto So minha janela para a vida Por meio delas, posso realmente ver e ouvir Posso sentir o sol contra o cu azul A alegria da msica e do riso A maciez de uma chuva leve A aspereza da lngua de um co Elas so minha chave para o mundo Meus Ouvidos, Meus Olhos, Minha Voz . . . Meu Corao Elas so eu mesma Amantha Stine, 1997. Todos temos muito que aprender com as mos, e sobre o toque como forma deconhecimento.Toque um sentido negligenciado na nossa cultura, e as mos so muitas vezes ignoradas comovias de expresso.As pessoas surdacegos podem nos ensinar enquanto aprendemos todos como usar nossas mos commais e mais habilidade. Referncia BibliogrficasAdamson, Baker e Smith Gestos, palavras e o compartilhamento prvio de objetos. V. Volterra e C.[1994] J. Erting, editores, de Do gesto linguagem em crianas que ouvem e as surdas, Washington, DC, Gallaudet University Press.Fraiberg, S. [1997] Vises internas dos cegos; estudos comparativos de crianas visuais e cegas, New York, Basic Books.Lane, H. [ Junho de 1997] Estmulos de modulao apropriada e crianas e adultos SC, consulte a Conferncia de HiltonPerkins sobre Surdocegueira, Washington, DC. ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,-2
  • 17. Quigley, S. P., e Paul, P. V. Linguagem e surdez, San Diego, Califrnia, CollegeHill Press.[1984] ADENDO bem conhecido que a evoluo dota as espcies com a habilidade de adaptao a um meioambiente mutvel ao longo do tempo.Talvez menos conhecido seja o fato de que a evoluo tambm nos dotou com a capacidade de nosadaptarmos ao meio ambiente durante nosso intervalo de vida.A habilidade do crebro humano para adaptarse a alteraes ambientais , chamada de plasticidadecortical, nada menos que estonteante. A plasticidade cortical envolve muito mais do que o mero reforo de reas do crebro querecebem estmulos e o fechamento de outras que no mais os recebem de sentidos inoperantes;tambm envolve, quando algum sentido fica prejudicado, mudanas de compensao nos tecidospara servir a outros sentidos remanescentes.O crebro pode fazer brotar novas conexes no tecido que serve aos sentidos remanescentes,podendo tambm realocar a estes sentidos remanescentes reas do crebro que, de outra forma,teriam servido aos sentidos inoperantes.Assim fica criada a base neural para a melhoria de desempenho nos sentidos restantes, umaadaptao que favorece a sobrevida do organismo com a configurao sensorial alterada.Resulta que as pessoas podem aprender linguagem somente com a viso, outras podem aprenderclasses de objetos e a constncia dos objetos usando o tato, antecipar eventos usando o olfato,casualidade usando somente a audio, e assim por diante.Da mesma forma, as habilidades scio emocionais conseguir ateno, cooperao, persuaso,unio, jogos podem ser aprendidas e feitas com diversos sentidos.Os surdos aprendem a fazer todas estas coisas sem audio, os cegos sem viso.Para se obter sucesso, eis o problema crucial a ser resolvido: como deve ser organizada aapresentao de eventos para casar com as modalidades sensoriais disponveis. Para ganhar um sentido da sutileza e complexidade envolvidas no projeto da modalidadeapropriada de estmulos, somente precisamos levar em considerao uma das linguagens humanasnaturais, que evoluiu tornandose apropriada s pessoas visuais, a Linguagem Americana de Sinaispara Surdos, e notar as muitas maneiras em que adaptvel e apropriada viso em suas regraspara formao dos smbolos; em seu uso do espao para a gramtica; em seu uso de diversoscanais concorrentes de informaes, e muito mais.Crianas surdas expostas somente aos sinais, sem uma gramtica espacial, acabam introduzindo agramtica espacial em suas sinalizaes mesmo sem nunca haver visto. Se crianas que crescem surdas so visuais, as surdacegas so tteis.Sua modalidade apropriada de estmulos deve provir, acima de tudo pela pele, especialmentedaqueles receptores sensoriais que podem se esticar ao espao que envolve o surdocegos as mos.Adultos surdocegos podem nos ensinar muito sobre formas de canalizar informes atravs do sentidottil, pois eles fazem estas adaptaes todo dia.O desafio aos professores e familiares dos surdocegos est, portanto, em encontrar maneiras dereorganizar nossas interaes dirias que estejam centradas na viso e audio para que possam serdesviadas para o tato.Braille fez exatamente isto quando inventou o seu cdigo para o alfabeto; a comunidade surdacegafez exatamente isto quando adaptou a comunicao em ASL modalidade ttil. ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,-3
  • 18. Entretanto, nada menos que todas as modalidades de interao humana devem ser repensadas destemodo.Tal tarefa requer uma profunda familiaridade com pessoas surdacegas, uma presteza em ser seusalunos assim como professores, um comprometimento e muita criatividade.Barbara Miles as revela todas nas reflexes precedentes sobre como falar a linguagem das mospara as mos. Harlan Lane ! "$ # " %& " % ( & )* +! ,-4