fábio batalha

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A obra Histria e Legislao do SUS e Sade da Famlia de Fabio Batalha Monteiro de Barros foi licenciada com uma Licena Creative Commons - Atribuio - Uso No Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 No Adaptada. Compartilhe! Voc tem a liberdade de copiar, transmitir ou distribuir este livro, desde que citada a obra e o autor e de que no seja para fins comerciais. A verso impressa mais atualizada deste livro pode ser adquirida no site da livraria em www.agbook.com.br. Adquira seu exemplar impresso diretamente da editora. Contatos com o autor pelo e-mail fabiobmb@gmail.com

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  • 1. Histria e legislao do SUS e Sade da Famlia Problematizando a realidade da Sade PblicaFABIO BATALHA MONTEIRO DE BARROS

2. FABIO BATALHA MONTEIRO DE BARROSHISTRIA E LEGISLAO DO SUS E SADE DA FAMLIA Problematizando a realidade da Sade Pblica1 edioRio de Janeiro Junho de 2011 3. A obra Histria e Legislao do SUS e Sade da Famlia de Fabio Batalha Monteiro de Barros foi licenciada com uma Licena Creative Commons Atribuio - Uso No Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 No Adaptada. Compartilhe! Voc tem a liberdade de copiar, transmitir ou distribuir este livro, desde que citada a obra e o autor e de que no seja para fins comerciais. A verso impressa mais atualizada deste livro pode ser adquirida no site da livraria em www.agbook.com.br. Adquira seu exemplar impresso diretamente da editora. Contatos com o autor pelo e-mail fabiobmb@gmail.comMonteiro de Barros, Fabio Batalha. Histria e Legislao do SUS e Sade da Famlia: problematizando a realidade da sade pblica / Fabio Batalha Monteiro de Barros. Rio de Janeiro: Editora Agbook, 2011. 138 p. ISBN 978-85-911855-0-4 1. Sistema nico de Sade SUS. 2. Sade Pblica Sade Coletiva 3. Sade da Famlia. 4. Histria da sade legislao em sade II. Ttulo 4. DedicatriaPara minha famlia: Eduarda, Ian e Isis. 5. ndice:Histria e Sade .................................................................... 9 Para pensar e aprofundar... .............................................. 14 Cenrio internacional ...................................................... 15 Cenrio Nacional ............................................................ 22 III Conferncia Nacional de Sade ................................. 26 Privatizaes na Ditadura Militar ................................... 30 Movimento de Reforma Sanitria ................................... 31 VIII Conferncia Nacional de Sade .............................. 35 Para pensar e aprofundar... .............................................. 36 O SUS na Constituio Cidad ........................................... 37 Sala de debates ................................................................ 54 Para pensar e aprofundar... .............................................. 58 Bases legais e legislao infraconstitucional do SUS ......... 59 Lei 8.080 e o funcionamento do SUS ............................. 60 Lei 8.142 e o controle social ........................................... 95 Resoluo CNS 333 e a democratizao dos conselhos 100 As Normas Operacionais do SUS ..................................... 113 Para pensar e aprofundar... ............................................ 117 Planejamento e Implantao da Sade da Famlia ............ 119 Poltica Nacional de Ateno Bsica em Sade ........... 124 Ncleos de Apoio a Sade da Famlia .......................... 130 Sala de debates .............................................................. 132 Para pensar e aprofundar... ............................................ 135 Consideraes finais ......................................................... 137 Livros e artigos citados ..................................................... 139 Filmes sugeridos ............................................................... 141 Sites sugeridos .................................................................. 142 Atualizao e contatos ...................................................... 143 6. 8 7. Histria e Sade"Significa reconhecer que somos seres condicionados mas no determinados. Reconhecer que a Histria tempo de possibilidade e no de determinismo, que o futuro, permita-se-me reiterar, problemtico e no inexorvel." (FREIRE, 2006)A discusso sobre a histria do Sistema nico de Sade brasileiro (SUS) e a implantao da Sade da Famlia no pas ganha importncia quando compreendemos a histria como algo vivo, parte integrante e indissocivel do presente. Vamos nos referir aqui histria como processo, e este processo histrico, como til ferramenta de anlise do presente e questionadora do futuro. neste sentido que a histria ser utilizada ao longo do texto, procurando problematizar a realidade da sade pblica, mergulhando no processo histrico da reforma sanitria brasileira, na constituio federal e na legislao infraconstitucional de organizao do SUS. A viso da histria como processo, do presente e futuro em constante mudana, nos oferece a possibilidade de, como seres conscientes de nossos condicionamentos, mas livres de qualquer determinismo, influenciar no cotidiano das prticas e das polticas de sade.9 8. Neste sentido, o estudo da histria como processo vivo, em curto, mdio ou longo prazo, em permanente construo, abre espao para historicizar conceitos que inicialmente nos parecem dados, permanentes ou imutveis. Ao estudar e compreender a histria do SUS, a existncia de diferentes profisses, os problemas no financiamento do sistema, por exemplo, descobre-se que nada como est, mas tudo est sendo, e a nica permanncia a constante mudana. "Nossos sensos estticos, nossas reaes violncia, nossos sentimentos de medo, nossos cuidados com sade, nossas preocupaes com higiene, com horrios, com exatido e clculo, nossas preferncias amorosas e sexuais, enfim, coisas que parecem to familiares e naturais aos nossos olhos, no existiram sempre e tm por trs de si um passado rico em detalhes e em variaes. O passado no est apenas no passado: ele constitui nossa sensibilidade e continua de certa forma, como veremos, a ser presente." (RODRIGUES, 1999)No apenas polticas ou prticas sociais mais coletivas esto sujeitas ao processo histrico. Os cuidados com o corpo, por exemplo, sempre fizeram parte da humanidade, assim como seus cuidadores. Embora a concepo de corpo e sua relao com a sade tenha se modificado ao longo dos sculos e milnios, sempre existiram pessoas que se dedicavam a arte de curar os males do corpo e da alma, por muitas vezes at simultaneamente.10 9. Conceitos de corpo, sade e doena so construdos social e historicamente, obedecem a um jogo de foras e interesses e, a partir destas resultantes transformam-se ao longo dos tempos. A compreenso da dinmica destes conceitos e dos interesses que esto em jogo, fundamental para a anlise histrica da realidade. Esta dinmica de foras e interesses que atuam sobre a realidade se assemelha bastante anlise vetorial da fsica newtoniana. Em uma metfora do processo histrico a partir da fsica, a resultante das foras/interesses/grupos organizados que atuam sobre determinado ponto/assunto/poltica/prtica determinamavelocidade,direoeintensidadedomovimen-to/acontecimentos. A implantao do SUS, por exemplo, foi a resultante de diversos (por vezes conflitantes) interesses de gestores municipais, estaduais, federais, de polticos, de interesses e foras do capital privado por meio de hospitais e clnicas particulares, planos de sade, da indstria farmacutica, das associaes de moradores, das organizaes de categorias profissionais, da mdia, do poder judicirio etc. Esta viso complexa da realidade, como um grande campo de foras, em permanente disputa, de vetores de intensidade, direo e sentidos diferentes permite uma anlise mais crtica e aprofundada da realidade, das prticas e polticas de sade vigentes no pas.11 10. De acordo com a segunda Lei de Newton, ou princpio fundamental da Dinmica, um corpo qualquer desenvolve velocidade e sentido na medida da resultante das foras aplicadas sobre ele. As polticas e prticas de sade, a criao do SUS, do Programa de Sade da Famlia, seus problemas, desafios e sucessos, por exemplo, so determinados pela resultante de centenas de foras e interesses que atuam sobre ele. Sua mais lenta ou rpida implantao depende em grande parte, das foras que esto em jogo neste campo. Frei Betto, faz uma anlise das foras, ou do poder, de forma interessante. Para ele, o Estado, ou as polticas de Estado, como o SUS, por exemplo, so como feijoada... s funcionam sob presso. (Betto, 2006).Campo vetorial dado por vetores da forma (-y, x) Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vector_field.svg - domnio pblico.12 11. A capacidade de exercer presso (fora) diretamente proporcional organizao de determinado grupo/coletivo. Quanto menos organizado, menor a fora exercida, mais lentos os avanos e maiores as chances de retrocessos. Quanto mais coletivo o movimento, maior poder de organizao, maior a capacidade de exercer presso, maiores as chances para conquistas sociais. E justamente isso que prova o processo histrico. Todas as conquistas sociais foram resultantes do exerccio coletivo e organizado de diversas foras/grupos sociais. Como sabiamente diz a cultura popular, "nada cai do cu", tudo depende da fora, da presso, de disputas entre diferentes projetos/interesses. Embora a grande mdia e o neoliberalismo tentem nos fazer acreditar que devemos ser mais individualistas e que movimentos coletivos so perda de tempo..., no h outra sada seno o dilogo, a aproximao das pessoas e a ao coletiva organizada. Exemplos disso so os centros/diretrios acadmicos das universidades, associaes de moradores, sindicatos e tantos outros movimentos sociais. Pode-se dizer que o Movimento de Reforma Sanitria brasileira foi um exemplo bem sucedido de foras organizadas na direo da construo de um projeto de sociedade mais justo no campo da sade. Ao longo deste texto, procuraremos entender a histria do SUS, seu funcionamento, seus avanos, dentre eles o Sade da Famlia, e claro, seus problemas.13 12. Para pensar e aprofundar...As relaes de poder esto presentes em quais situaes do cotidiano? Que lies a anlise do processo histrico pode nos oferecer? Por que o SUS existe? Por que no um modelo diferente? O que tnhamos antes desse sistema? Como ele foi construdo, quais os interesses em jogo?14 13. Cenrio internacionalO Brasil no est isolado do resto do mundo. A anlise das conjunturas polticas, sociais e culturais, em nvel regional, nacional e internacional relevante para entender a concepo do SUS como poltica social no pas. Neste sentido, importante tambm considerarmos o SUS como poltica soci