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Controle Biolgico: Pragas e Doenas - Exemplos Prticos ----____ _

ROBERTS, P. O fim dos alimentos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. 364p.

SWEZEY, S.L. ; RIDER, J. ; WERNER, M.R.; BUCHANAN, M.; ALLISON, J.; GLIESSMAN, S.R. Granny Smith conversions to organic show early success. CaliforniaAgriculture, v. 48, p. 36-44,1994.

VOSSEN, P; JOLLY, D. ; MEYER, R.; VARELLA, L. ; BLODGETT, S. Disease, insect pressures make organic production risky in Sonoma County. California Agriculture, v. 48 , p. 29-36, 1994.

WIT, lPW. Integrao de mtodos biolgicos para o controle de doenas e pragas da cul tura do lrio. Summa Phytopathologica 34S: 198.2008.

WIT, J.P.W.; KIEVITSBOSH, R.A.; BETTIOL, W. Integrao de mtodos fsicos e biolgicos para o controle de doenas e pragas em lrio e espatifilo. In: BETTIOL, W.; MORANDI, M.A.B. Biocontrole de doenas de plantas: uso e perspectivas. Jaguarina: Embrapa Meio Ambiente/Fundag (no prelo).

ZADOKS, J.c. Development offarming systems: evaluation of the fi ve-year period 1980-1984. Pudoc Wageningen, 1989. 90p.

CAPITULO 02

Experincias Prticas de Controle Biolgico de Doenas em Ornamentais e

Medicinais e Hortalias

Marcelo A. B. Morandi l

Introduo

A preocupao da sociedade com o impacto da agricultura no ambiente e a contaminao da cadeia alimentar com os agrotxicos est alterando o cenrio agrcola, resultando no surgimento de segmentos de mercado para produtos diferenciados , tanto aqueles produzidos sem o uso de agrotxicos como aqueles portadores de selos que garantem que os agrotxicos foram utilizados adequadamente. Alm disso, o incremento dos custos com o controle qumico, a perda de eficincia de alguns agrotxicos , devido resistncia dos organismos alvo, e os problemas ambientais advindos dessas prticas indicam a necessidade da busca de produtos biocompatveis para o controle de fitopatgenos, entre os quais os agentes de biocontrole (BIRD et aI., 1990; BETTIOL; GHINI, 2003).

A questo do uso dos agrotxicos permeia a agenda ambiental de diversos pases, tendo como exemplo o pacote ambiental lanado em 26/ 10/2007 pelo governo francs, que estabelece a reduo de 50% do consumo de agrotxicos em dez anos (Folha de So Paulo, 26/1 0/2007).

'Embrapa Me io A mbi ente , Ca ixa Po s tal 69, 13820000. Ja guarina , SP. E mai!: mmorandi @cnpm a.e mbrpa. br

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Controle Biolgico: Pragas e Doenas - Exemplos Prticos ________ _

Assim, surge o controle biolgico de doenas, pragas e plantas invasoras como opo segura e ambiental mente adequada.

A integrao do controle biolgico de fitopatgenos com outras medidas de manejo bastante discutida, especialmente no contexto do manejo ecolgico de doenas de plantas. Esse manejo conceituado como um "conjunto de estratgias e de prticas empregadas com base nos princpios de controle de doenas de plantas, com o objetivo de reduzir as perdas em nveis tolerveis, sem interferir, acentuadamente, no ambiente" (MIZUBUTI; MAFFIA, 2001). Enfatiza-se o emprego integrado de tticas e mtodos, sejam eles culturais, mecnicos, fsicos, legislativos, biolgicos, de resistncia gentica etc., com vistas preveno e reduo da intensidade das doenas. A associao do controle biolgico com outras estratgias de controle altamente desejvel.

Na abordagem de controle biolgico, doena o resultado de uma interao entre hospedeiro, patgeno e uma variedade de no patgenos que tambm repousam no stio de infeco e que tm potencial para limitar ou aumentar a atividade do patgeno, ou a resistncia do hospedeiro, todos influenciados pelo ambiente (COOK; BAKER, 1983; COOK, 1985).

O conceito mais difundido de controle biolgico de doenas de plantas o de um microrganismo especfico (agente de biocontrole) controlando outro microrganismo (patgeno). Entretanto, esse conceito reducionista e no retrata o que de fato ocorre na natureza. Um conceito mais abrangente foi proposto por Cook e Baker (1983), para os quais o controle biolgico "a reduo da soma de inculo ou das atividades determinantes da doena, provocada por um patgeno, reaJ izada por ou atravs de um ou mais organismos que no o homem". As atividades determinantes de doenas envolvem crescimento, infectividade, virulncia, agressividade e outras qualidades do patgeno, ou processos que determinam infeco, desenvolvimento de sintomas e reproduo. Os organismos incluem indivduos ou populaes avirulentas ou hipovirulentas dentro das espcies patognicas. Incluem, ainda, a planta hospedeira manipulada geneticamente ou por prticas culturais, ou microrganismos,

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para maior ou mais efetiva resistncia contra o patgeno; e antagonistas dos patgenos definidos como microrganismos que interferem na sobrevivncia ou atividades determinantes de doenas causadas por patgenos. Nessa viso, o controle biolgico pode ser acompanhado por: prticas culturais, para criar um ambiente favorvel aos antagonistas e resistncia da planta hospedeira ou de ambas; melhoramento da planta, para aumentar a resistncia ao patgeno ou adequar o hospedeiro para as atividades dos antagonistas; e introduo em massa de antagonistas, linhagens no patognicas ou outros organismos ou agentes benficos.

A integrao de mtodos de manejo para mais de um patgeno ou pragas ao mesmo tempo aumenta as chances de sucesso de controle e contribui para a reduo de custos. A integrao de mtodos fitossanitrios a principal forma de reduzir o uso de agrotxicos em sistemas de produo, como se tem buscado no manejo integrado de pragas e na produo integrada de vrias culturas. Contudo, o seu sucesso s possvel com o conhecimento das possveis interaes entre plantas, fitfagos e patgenos e seus efeitos sobre a eficincia dos mtodos considerados (PAULA JNIOR et aI., 2007). Neste captulo so apresentadas algumas experincias prticas de sucesso do uso de controle biolgico, entendido no sentido mais amplo, em plantas ornamentais e medicinais e hortalias.

Controle Biolgico em Plantas Ornamentais: Experincias em Lrio e Espatifilo .

O cultivo de plantas ornamentais , em geral, uma atividade que requer grande aporte de mo de obra e de insumos. Por se tratar de um sistema de cultivo intensivo, os problemas com doenas e pragas so recorrentes e freq uentemente limitantes. Apesar do uso intensivo de agrotxicos, praticamente nenhum desses produtos possui registro para a maioria das cultura.s, o que representa um problema legal, especialmente para a exportao das flores. Assim, o desafio de produzir essas plantas de modo sustentvel requer o desenvolvimento de novos sistemas produtivos, baseados em processos ecolgicos.

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Lrio

U ma experincia bem sucedida foi implantada em uma propriedade localizada em Holambra, SP, especializada no cultivo de lrio, cultura de alto valor agregado e com histrico de utilizao intensiva de fungicidas, inseticidas e acaricidas (DE WIT et ai., 2009). Os problemas fi tossanitrios no lrio - incluindo doenas causadas por Botrytis elliptica, Phytophthora, Fusarium, ScJerotinia, Penicillium, Rhizoctonia e Pythium e pragas como pulges, "fungus gnatus", bicho-mineiro, trips e lagartas - so limitantes para o seu cultivo.

O cultivo tradicional de lrio demanda grande uso de agrotxicos para o controle desses problemas. Na propriedade em questo, utilizavam-se mais de 30 marcas comerciais, com um custo de R$l 0,00lm2/ano, em uma rea cultivada de 13.500 m2. Apesar disso, verificavam-se perdas crescentes e a necessidade de maior uso dos agrotxicos a cada ano de cultivo.

Em razo do desequilbrio gerado ao longo do tempo, chegou-se necessidade de utilizar brometo metila para manter o sistema produtivo em funcionamento. A partir desse ponto, foi tomada a deciso de alterar o sistema de cultivo. Para manejar os problemas, o uso dos agrotxicos foi paulatinamente eliminado por meio da integrao de mtodos biocompatveis para o controle de pragas e doenas, introduzindo uma diversidade de microrganismos. A primeira medida foi deixar de utilizar agrotxicos de faixa vermelha, fase que demorou aproximadamente um ano. Mais um ano foi gasto para substituir os de faixa amarela. Finalmente, em mais um ano deixou-se de utilizar agrotxicos na propriedade. Paralelamente substituio dos agrotxicos foi tambm alterada a fertilizao da cultura, para permitir a sobrevivncia dos agentes de biocontrole que passaram a ser parte do sistema.

Atualmente, a produo baseia-se na desinfestao do substrato com vapor, seguido da recolonizao deste com Trichoderma, Metarhizium, Beauveria e microrganismos presentes em biofertilizante produzido aerobicamente, visando eliminao do vcuo biolgico promovido pela

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desinfestao. Alm disso, so realizadas pulverizaes com Trichodemza, Clonostachys, Metarhizium, Beauveria e Bacillus thuringiensis israelensis. Quando necessrio, utiliza-se leo de nim, prpolis, fosfito e piroalho, entre outros. Associado a esses produtos e a uma fertilizao equilibrada, controlada diariamente, um programa de sanitizao, com a eliminao de plantas e partes de plantas doentes, mantido em todas as estufas. Faz-se tambm o uso de armadilhas e se controla a umidade relativa do ar dentro das casas de vegetao. Todas as caixarias, vasos e demais utenslios utilizados em cada ciclo produtivo (30 a 90 dias, dependendo das variedades cultivadas) so desinfestados com substncia base de pinho. Atualmente nenhum agrotxico utilizado - exceo para as flores destinadas ao mercado externo, cujos bulbos so tratados com Confidor antes do plantio para o controle de pulges, devido s barreiras

fitossanitrias. O sucesso se deve no apenas substituio dos agrotxicos por

algum produto biocompatvel, como tambm alterao de todo o sistema de produo, pois a simples substituio de produtos pode levar aos mesmos desequilbrios causados pelos agrotxicos. A rea cultivada hoje de 27.500 m2,com custo aproximado para controle dos problemas

fitossanitrios de R$3,00lm2/ano.

Espatifilo

Um sistema semelhante foi adotado na cultura de Spathiphyllum (espatifilo, bandeira-branca, lrio-da-paz) (DE WIT et aI., 2009). A principal doena da cultura a podrido de raiz e colo causada por Cylindrocladium spathiphylli, alm de Pythium, Phytophthora e "fungus gnatus". Os fungicidas disponveis no mercado no so registrados para uso na cultura e no apresentam a eficincia desejada, devido aos problemas

com a resistncia do patgeno. Nesse exemplo importante considerar, ainda, o ciclo da cultura,

que de 18 meses - portanto, exposta por longo perodo aos problemas fitossanitrios. Considerando-se esses fatos foi decidido substituir os ,

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agrotxicos por tcnicas alternativas de controle. Nas estufas de produo foi estabelecido um programa de substituio de fungicidas por tcnicas que no causem estresses s plantas. De forma semelhante ao caso anterior, a base do sistema o adequado tratamento do substrato. Associado a isso, foi montada uma estrutura na casa de vegetao para que os vasos permaneam elevados em torno de 30 cm, com a finalidade de evitar a sua contaminao via solo. As plantas so pulverizadas, de forma preventiva, com agentes de biocontrole (Trichoderma spp., Metarhizium anisopliae, CIonostachys rosea, Beauveria sp., Bacillus thuringiensis varo israeJensise Bacil1us subtilis) e extrato de peixe. Tambm a sanitizao e o uso de armadilhas constituem rotina nas casas de vegetao.

Apesar de todas as vantagens relatadas, os sistemas ainda apresentam diversas dificuldades, sendo as principais relacionadas com a qualidade dos produtos biolgicos, registro desses produtos, ausncia de fornecedores qualificados, controle de qualidade e, principalmente, poucos agricultores com sistemas integrados para troca de informaes e experincias.

Controle Biolgico em Plantas Medicinais: Experincias em Erva-baleeira e Jaborandi

A produo de plantas medicinais representa uma alternativa inovadora e interessante para o agronegcio brasileiro (LOURENZANI et aI., 2004). Entretanto, com a domesticao e melhoramento das plantas medicinais, visando seleo de gentipos interessantes quanto aos seus aspectos agronmicos e composio qumica relacionada com sua atividade, torna-se quase inevitvel o convvio com a ocorrncia de pragas e doenas. Um dos desafios para o desenvolvimento dos fitoterpicos o cultivo das plantas em larga escala, porm de modo sustentvel, sem comprometimento dos recursos naturais e preservando o ambiente (VAZ et aI., 2006). Nesse contexto, o controle biolgico uma ferramenta indispensvel.

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Erva-baleeira

A integrao de mtodos fsicos e biolgicos mostrou-se eficiente no controle de perdas causadas por patgenos em um viveiro de Cordia verbenacea (erva-baleeira) (MORANDI, 2009). A erva-baleeira uma planta medicinal cujo leo essencial usado comercialmente na fabricao de pomadas e spray com propriedades anti-inflamatrias.

A propagao de mudas de Cordia verbenacea feita em viveiros. As mudas podem ser obtidas a partir de sementes ou do enraizamento de estacas de ramos novos . Uma lavoura instalada de Cardia verbenacea fornece, aps trs anos, 16.000 kg/haJano de biomassa, o que suficiente para a produo de 10 kg de leo essencial. Com a seleo de melhores gentipos e melhoria das tcnicas de cultivo, pode-se chegar a 2S kglhaJ ano do leo.

Em 2004, foi identificado em um viveiro na regio de Campinas, SP, uma doena causada por Phama sp. (MORANDI, 2008). Os sintomas da doena so necrose das nervuras e estrangulamento das hastes, com formao de inmeros picindios. As perdas chegaram a mais de 60% das mudas no viveiro, e em um primeiro teste verificou-se que o patgeno no estava sendo transmitido pelas sementes. Todavia, os novos lotes de mudas eram rapidamente infectados ao serem colocados no viveiro.

Para resolver o problema, foi proposto um esquema de manejo integrado (Figura 1), que incluiu, em seqncia: a) limpeza e desinfestao das instalaes do viveiro. b) Desinfestao prvia do substrato em coletor solar (GHINl; BETTIOL, 1991; BETTIOL; GHINI, 2003). Estas duas primeiras medidas visaram reduo do incul0 inicial do patgeno na rea. c) Recolonizao do substrato com aplicao de biofertilizante base de esterco bovino, visando ao incremento da di versidade e ati vidade rnicrobianas no substrato (BETTIOL, 2006). d) Manejo da i1Tigao, com a reduo da frequncia e ajuste da hora, para reduzir o perodo de molhamento foliar e, assim, limitar a ocolTncia de ambiente favorvel infeco. e) Proteo do filoplano, por meio da pulverizao quinzenal de biofertilizante a 10%, visando formao de uma "barreira biolgica"

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sobre as mudas. f) Manuteno da limpeza, por meio da el...

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